A pregadora e os altares do Pentateuco

 

        Ontem, o pastor da PIBT foi pregar noutra  igreja e deixou, em seu lugar, uma visitante, que veio de outra cidade do RJ. Trata-se de uma senhora de 80 anos, muito elegante, membro de uma igreja batista. Quando ela assumiu o púlpito, avisou que “antigamente costumava pregar bastante, mas agora se dedica exclusivamente à música sacra”.

          Senti enorme alegria ao ver uma pessoa da “quarta idade” (como eu)  assumindo o púlpito de nossa igreja, coisa que eu jamais poderia fazer, pois nasci para escrever e não tenho o dom de pregar.

A visitante começou ordenando que abríssemos nossas Bíblias no Livro de Levítico, o que logo me deixou preocupada. Ela começou a pregar sobre o Pentateuco inteiro, explicando toda a parafernália do santuário construído por Moisés; excursionou em cada livro escrito por Moisés, explicando cada detalhe e objetivo das leis judaicas, como se estivesse dando uma aula de Pentateuco a uma turma de seminaristas...

Depois de 40 minutos de pregação, ela avisou que ia fazer uma pausa, devendo voltar depois da apresentação de alguns números musicais, pelo coral da nossa igreja, o qual estava festejando o aniversário. Eu mal pude acreditar que ela ainda viesse nos ensinar Judaísmo, depois daqueles 40 minutos de uma pregação, que nada nos acrescentou, pois somos Igreja, precisamos conhecer o Novo Testamento, principalmente a Teologia de Paulo, e não o Pentateuco, a fim de crescer na graça e no conhecimento de Cristo, o qual ensinou, meridianamente, que “a lei e os profetas duraram até João...” (Lucas 16:16).

Que se leiam os livros do VT, os quais apontam para a vinda do Salvador do mundo... a fim de aprender com os exemplos dos pecadores, que ali são apresentados... Mas ficar explicando cada detalhe das leis judaicas, com a descrição de cada altar erguido, com os respectivos  propósitos veterotestamentários, a uma igreja do século 21, é demais! E tão “demais” que a pregadora retomou  o lugar no púlpito e falou mais 20 minutos sobre o Pentateuco. Só que, em meio a tanta “paleontologia” bíblica, ela citou Romanos 8:28,  obviamente, fora do contexto. Paulo deveria se contorcer, no santo lugar, onde se encontra agora, se tivesse escutado o tal sermão!

A palavra altar foi usada mais de 50 vezes, o que me fez lembrar dos altares católicos da minha infância, os quais existiam na casa de meus pais e de meus parentes, principalmente na capela que minha avó Quitéria (catolicíssima) tinha nos fundos de sua casa... Houve um segundo de “apostasia” brotando em minha mente e... eu quase pensei em voltar ao Catolicismo Romano...

Pelo menos no que me diz respeito, foi esse o resultado de uma hora de Judaísmo pregado no púlpito de nossa PIBT, por uma senhora que, graças a Deus, está “pregando menos, agora”, pois se continuasse a pregar bastante, como antigamente, estaria promovendo a construção de muitas sinagogas batistas, por aí... cada uma exibindo um altar mais exuberante!

No final do culto, saí de fininho, sem cumprimentar a pregadora... para não precisar ser hipócrita, ou criar um problema na igreja. Mas faço questão de conseguir o seu e-mail (ela disse que tem um) e lhe enviar este artigo, mesmo que ela fique aborrecida com esta dose amarga de remédio, da qual está precisando. Pelo menos, alguém (de sua faixa etária) terá tido a coragem de mostrar que estamos na dispensação da igreja, que não somos judeus e que ela deve ler  e pregar somente o Novo Testamento, pois, de sinagogas pentecostais o Brasil já está repleto e não precisamos de sinagogas batistas...  que venham promover, ainda mais, a apostasia dos últimos dias...

 

Mary Schultze, 16/06/2008.

www.cpr.org.br/Mary.htm