As saudades de uma “metida a besta”!
De repente, senti uma saudade enorme de um adversário religioso chamado Lauría. Há alguns anos, eu soube que ele faleceu, mas nunca tirei a limpo a notícia, pois, de um certo modo, eu o amava. E tive medo de nunca mais encontrá-lo por aí.
Certo dia um colunista da cidade escreveu: "Brevemente teremos em Terê uma guerra pior do que a da Irlanda. Armando Lauría e Mary Schultze vivem brigando por causa de religião". Até que, numa bela manhã de sol, sabendo que ele estava doente, fui até a casa dele e ficamos conversando um tempão, sem que eu me identificasse. Perguntei se ele "conhecia pessoalmente uma tal de Mary Schultze, colunista protestante muito chata, que escrevia no ‘O Diário’". Ele respondeu que não a achava chata e até admirava a sua coragem. Então eu me identifiquei. Foi o começo de uma grande amizade entre nós... Vi que ele era um homem justo e sincero, apenas enganado pelos sofismas de Roma, do mesmo modo como eu havia sido enganada, até os 48 anos de idade. Continuamos brigando... no jornal.
A partir desse dia, sempre que nos encontrávamos na rua e nos mercados, eu corria para ele, abraçava-o e beijava-o, em o Nome de Jesus. Ele vibrava de alegria, tanto que, certa vez, a caixa de um estabelecimento até me perguntou se éramos “namorados”, acrescentando: “É tão lindo ver dois idosos assim tão apaixonados!”
Lauría faleceu e deve estar purgando os seus pecados no purgatório católico, que ele tanto mencionava em seus artigos. Que saudade eu sinto dele! Não temos mais ocasião de brigar nas folhas do jornal nem de nos amarmos em Cristo, na frente das caixas dos supermercados! Para mim isso representa uma perda enorme!
Não consigo ODIAR pessoa alguma por causa de divergência política ou religiosa. Acho que as amo ainda mais por causa disso, pois não me considero DONA DA VERDADE. Quando eu era garota, por causa do meu temperamento forte, Tia Milú costumava falar: "Rosa, essa minha sobrinha é muito ruim, hem?" A isso minha mãe respondia: "Ela só é ruim da boca pra fora, porque no coração ela é mais macia do que manteiga da terra derretida no fogo".
Minha mãe era uma mulher muito sábia! Aceitou Jesus Cristo como Salvador, aos 89 anos de idade, após minha irmã Dária ter lido para ela uma tradução que fiz do livro “Por Amor aos Católicos Romanos”, e assim ela conseguiu chegar ao céu...
Costumo receber e-mails de pessoas que me agridem por causa da minha posição fundamentalista bíblica. Algumas dessas, de tanto me enviarem mensagens pejorativas (as quais caem diretamente na lixeira da Internet), acabam cansando e me deixando em paz. Nunca leio esses e-mails, pois meu tempo deve ser poupado para os amigos, para aprender mais sobre a Palavra de Deus, lendo minhas amadas "King James" e "Fiel', e para traduzir artigos de bons autores fundamentalistas bíblicos, como Dave Hunt, de quem já traduzi um livro e mais de 60 artigos mensais da TBC.
Sei que nem mesmo o pastor da PIBT gosta de mim, pois nunca digo amém às suas pregações reconstrucionistas! Sei que 99% das pessoas que freqüentam a igreja não me apreciam nem um pouco. Ontem mesmo, uma irmã veio lanchar comigo e contou que muitas mulheres me acham “metida a besta”. E que o próprio pastor, certa vez, perguntou-lhe, admirado: “Como você consegue ser amiga da Mary Schultze”? Respondi na hora: “Não vou mudar para agradar pessoa alguma. Quem quiser gostar de mim assim como eu sou, tudo bem. Quem não quiser, faça o favor de me ignorar, como eu ignoro os que não me apreciam”. (PP trabalha comigo há 12 anos e parece que continua gostando de mim. De duas, uma: ou ele é um santo (no lato sentido católico romano), ou então é maluco. Será?)
O grande problema é que não sou escrava do dízimo, nem faço trabalho algum na igreja, pois não gosto de servir a homens (Gálatas 5:1). Também não consigo me afinar com o pessoal da “Terceira Idade” e, principalmente, com as mulheres, que se reúnem nas tardes de terça feira, para discutir sobre assuntos que não me interessam: as “febrinhas” dos filhos ou netos; as fraldas que têm de lavar; os doces que não chegam ao ponto certo; os bolos que ficam solados; o cozido que não ficou bom e como desencardir as cuecas dos maridos. Tenham santa paciência!!!
Meu grande mal é que sempre fui uma solitária garota intelectual, com o dom de escrever prosa e verso, desde os 8 anos de idade. Por isso, preferia ficar escondida num canto da casa, lendo histórias infantis, em vez de brincar de bonecas ou piscar os olhos para os primos matutos, como as primas costumavam fazer. Todas elas se casaram cedo, encheram-se de filhos, ficaram gordas e desdentadas. E a maioria delas até já morreu... Enquanto isso, esta “metida a besta”, pela imensa graça e misericórdia de Deus, ainda está aqui, traduzindo, escrevendo e teclando artigos para os seus irmãos na fé... E quando a faxineira não vem, ela faz uma faxina excelente em seu apê, escutando alguns CDs de música erudita, sob a regência de André Rieu... Existe alguém mais realizada e feliz do que esta “metida a besta”?
Mary Schultze, 23/01/2007.
Se confessarmos os nossos pecados, ele é
fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.
(1 João 1:9)
...o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. (1 João
1:7)