Odeio
“entreveros balípodos ludopédicos”
A vantagem de ter estudado Latim e Grego, no antigo “Curso Clássico” do
segundo grau, é que essas línguas tornam bem mais fácil a compreensão de certas
palavras difíceis, que os eruditos no vernáculo costumam usar, quando a nós se
dirigem.
Na reunião de oração do CPR, ontem à noite, convidei PP (o qual nos
entrega o estudo sobre as Cartas de Paulo) para sentar perto da janela e garanti
que não iria “defenestrá-lo”. Ele estranhou o verbo e então expliquei que
“fenestra” é “janela”, em Latim, e que “defenestrar” significa, literalmente,
“atirar pela janela”. PP sempre ri de minhas loucuras...
Estávamos
na casa de um amigo agnóstico, funcionário da CEF. Depois do estudo, ele começou
a criticar Israel, dizendo “não entender
por que Deus permite tantas guerras em nome da religião e que se Deus é
onipotente e onisciente, por que Ele criou os homens, sabendo que eles seriam
tão maus, e por que Ele não acaba de uma vez com os Seus inimigos, para liquidar
todas as guerras do planeta, etc.”. PP e eu tentamos explicar, da melhor
maneira possível, até que me cansei (tenho pouca paciência, enquanto PP tem
demais) e citei Romanos 9:20: “Quem és
tu, ó homem, que a Deus replicas?”. Fiquei ansiosa para dar o fora daquela
casa transbordando de conforto, onde nos foi servido um lanche, com bolo e
queijo de Minas, que eu aceitei, de bom grado, mesmo não sendo muito chegada a
lanches noturnos.
Uma
coisa que me impressionou, logo na chegada, foi que a TV 32 polegadas estava
exibindo um DVD de Mickey & Mouse
para o garotinho adotado pelo casal. E, para não ser preciso desligar a TV, o
estudo foi transferido para a cozinha (por sinal, enorme e bem aparelhada).
Então, logo me lembrei que a TV é o maior ídolo do lar, onde Deus é
sempre “defenestrado” ou, no mínimo, transferido para a cozinha. Qualquer dia,
as famílias da classe média vão exigir que Deus lave a louça do jantar... Pois
precisam ver o JN, mostrando os “balípodos” semanais; o Big Brother e as novelas
da Globo.
O
pastor da PIBT contou que um seminarista - do seu tempo de Seminário Batista do Sul - adorava falar
difícil e um dia lhe disse que muito o admirava, principalmente pela sua
destreza nos “entreveros balípodos
ludopédicos”. Ele ficou boiando, até que o colega explicou que se tratava do
“jogo de bola, nos fins de semana”.
Se
existe uma coisa que eu detesto é jogo de futebol. Não entendo coisa alguma do
assunto e o único jogo ao qual assisto, e assim mesmo, nos cinco minutos finais,
é o de uma copa mundial, quando o
Brasil está lutando pela taça e, ainda costumo torcer pelo time
contrário. Certa vez, quando o Brasil estava jogando um desses “balípodos”
finais contra a Alemanha (nem me lembro em que ano), meu marido estava torcendo
pelo Brasil e eu, pela Alemanha.
Na
véspera de um jogo decisivo, escrevi um artigo falando sobre a morte do cantor
Leandro e profetizei: “Amanhã o Brasil
vai jogar contra (a França?) e vai perder!... Não deu outra: o Brasil perdeu
feio, porque o Ronaldo jogou mal, e nem me lembro qual foi a desculpa que
deram... No dia seguinte, quando alguns leitores do jornal O Diário vieram me perguntar como eu
havia acertado, respondi que “em matéria
de futebol, sou uma boa profetiza e geralmente desejo que o Brasil
perca...” Isso porque eu sempre
espero que Deus castigue a idolatria dos brasileiros pelos “entreveros
balípodos”, um povo que morre de amor por futebol, carnaval e cerveja, em vez de
pensar e ansiar pela volta de
Cristo”.
Mary
Schultze, 19/01/2009