BERLIM

 

Minha neta Lu estuda Química Industrial na Universidade de Chemnitz, no lado oriental da Alemanha, onde Karl Marx costumava escrever suas teses comunistas. Ela deseja seguir as pegadas do vovô, Hans Schultze, que se doutorou na mesma carreira, na Universidade de Tûbingen, aquela onde pontificou o famoso teólogo católico, Hans Kung, expulso pela alta hierarquia romana, por ter negado os dogmas da Imaculada Conceição e da Assunção de Maria, a deusa do Catolicismo Romano.

Quero falar de Berlim, cidade-estado onde nasceu o Schultze, e onde viveu o teólogo Dietrich Bonhoeffer, metrópole que visitei algumas vezes, uma cidade excelente para se fazer compras, nos shoppings imensos,  e visitar óperas, museus, galerias de arte e belos jardins.

Berlim é uma cidade industrial, fabricante de ferramentas, material elétrico, papel, material de informática, impressoras, etc. Atualmente, é a capital, muito cosmopolita e um tanto perigosa,  da República Federal Alemã, com uma população média de 3.200.000 almas, conforme estatística de 1990.

Conhecida a partir de 1230, a cidade se originou de uma vila de pescadores, juntou-se à Liga Hanseática, no Século 15, tendo-se tornado o trono permanente da Dinastia Hohenzollen, a capital do eleitorado de Brandenburg, entre 1486 e 1701, e da Alemanha unificada, de 1871 até 1945.

A partir dos meados do Século 18, Berlim se desenvolveu como um centro comercial e cultural. Durante a II Guerra Mundial, os ataques aéreos do exército soviético, de 23 de abril a 02 de maio de 1945, destruíram quase inteiramente a cidade. Após a guerra ela foi dividida em quatro setores: britânico, americano, francês e russo, e até 1948, esteve sob o domínio dos quatro governos aliados. Naquele ano, porém, a Rússia retirou-se do acordo,  ocupando toda a cidade durante 327 dias (quando suprimentos à população foram trazidos via aérea pelos Aliados), e criou um governo municipal à parte, no setor em seu poder. Os outros três setores (na parte ocidental) foram anexados à República Federal Alemã, em maio de 1949, e em outubro do mesmo ano, Berlim Oriental foi proclamada capital da Alemanha Oriental. A partir de 1961, a cidade ficou dividida em apenas dois setores – o ocidental (controlado pelos Aliados) e o oriental (controlado pela Rússia Soviética), assim permanecendo de 1961 até 1989. Esta parte se tornou feia e, por quase meio século, não apresentou qualquer melhoramento em beleza arquitetônica.

O Muro de Berlim dividiu a cidade, a partir de 1961, e quando lá estive em 1967, havia grande dificuldade para atravessar a fronteira, a fim de visitar alguns parentes do Schultze. O que nos salvava era sermos brasileiros (embora o Schultze fosse berlinense de nascimento) e os alemães do lado oriental serem apaixonados por Pelé! O muro foi construído para evitar o êxodo dos alemães da parte oriental para a ocidental, onde o governo era mais liberal e havia mais prosperidade do que no lado “comunista”, onde tudo era pobre, feito e atrasado, como todo país onde reina o absolutismo.

A partir de 1961, as forças de segurança selaram todas as 80 passagens do lado oriental para o ocidental, com exceção de 12, sendo a mais famosa a do Checkpoint Charlie, onde eram caçados os espiões de ambos os lados.  O muro que separava a cidade em duas partes foi construído em concreto e arame farpado, tornando praticamente impossível a fuga dos dissidentes do regime comunista, e muitos alemães perderam a vida, tentando fugir para o lado, onde imperava a democracia anglo-americana.

Mas como nada neste mundo é eterno (exceto a ICR, que só poderá ser destruída pelo sopro da boca de Jesus) no dia 09/11/1989, o governo da Alemanha Oriental, cansado da feiúra dos prédios e cheio de dívidas, resolver abrir as fronteiras, a fim de conter o maciço êxodo dos alemães, que usavam os países comunistas para de lá tentarem a fuga para o lado ocidental. E foi assim que o muro de Berlim começou a desmoronar.

Os alemães do lado  ocidental chiaram porque o êxodo oriental fez escassear os empregos e a vida ficou um pouco mais difícil para o lado capitalista, com a desvalorização do Marco.

A trilateral avenida Unter den Linden, que sempre fora o ponto focal da cidade, foi restaurada dos estragos da parte oriental. A Avenida Kurfstendamm e o quarteirão residencial Hansa formam a parte ocidental de Berlim. Também nesse lado se encontram edifícios imponentes, inclusive o Reichstag (antigo edifício do Parlamento Alemão), o Schloss Bellevue (palácio presidencial), o Schloss Charlottenburg (onde se encontram os museus), o Congress Hall, a Ópera Estadual do século 18, restaurada, e a galeria de pintura Dahlen.

Nos arredores de Berlim  se encontram a Floresta Grünewald e o Lago Wannsee.  Mary Schultze – 16/01/2003

de Berlim  se encontram a Floresta Grünewald e o Lago Wannsee.  Mary Schultze – 16/01/2003