A Bíblia ou Boff?

 

        Hoje, o culto matutino em nossa PIBT foi esplêndido. Nenhum corinho medíocre no programa, somente hinos clássicos, com a Ceia do Senhor realizada no final e, entrementes, uma pregação do pastor, que teria sido perfeita. Eu disse -  teria sido...

        O assunto da pregação, embasado em Marcos 9:2-13, foi maravilhosamente exposto a todos os presentes. O pastor disse que o Pai de Jesus Cristo aboliu toda a Lei e os profetas, quando falou: Este é o meu filho amado; a ele ouvi” (verso 7). Citou e explicou Hebreus 1:1-3, sobre a necessidade de ouvirmos o Senhor através de Sua exclusiva Palavra e não das declarações - muitas vezes heréticas -  de alguns pregadores modernos, que se autodenominam “apóstolos” e “profetas”, os quais estão judaizando a Igreja do Senhor e colocando suas visões e experiências acima da Palavra da verdade, desmerecendo a primazia de Cristo.   

Falou sobre a necessidade de se descer do monte para cuidar dos que estão sofrendo, em vez de, como Pedro, querer ficar lá em cima,  no bem-bom da glória de Cristo, construindo tendas para Ele, Moisés e Elias. Ele explicou a  significação da transfiguração de Cristo, comparando-a à glória do Monte Sinai, quando Moisés ficou à espera da mesma por seis dias, enquanto Cristo subiu ao monte, após decorridos seis dias do Seu desafio aos discípulos, conforme Marcos 8:34: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me”.

Criticou os movimentos “cristãos” modernos, como a Teologia da Fé/Prosperidade, o ôba-ôba dos cultos atuais, a falta de discernimentos bíblico dos crentes e a necessidade dos pastores pregarem sermões e fazerem estudos sobre a cruz, nos cultos da igreja e nos lares. Citou Paulo na 1 Coríntios  2:1-2: “E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado”.

Ele contou que Mario Sergio, ex-membro de nossa  igreja, o qual hoje reside e trabalha nos Estados Unidos, durante o tempo em que foi locutor numa estação de rádio aqui em Terê, foi terminantemente proibido de citar versos bíblicos que falassem na cruz de Cristo... Obviamente para não desagradar os ouvintes das programações dessa rádio.

Ele citou C. S. Lewis no livrinho “Cartas do Inferno”, o que me fez lembrar que certa vez ele citou esse mesmo livro, dando a entender que eu era o diabinho ali mencionado. Só que hoje ele comparou os crentes mornos a esse diabinho e, pelo menos dessa vez, eu fui poupada...

         O sermão foi bom demais e eu estava tão feliz e entusiasmada que me senti culpada de tanta felicidade. Foi então que aquele “diabinho de Lewis” jogou um balde de água fria em meu entusiasmo... Antes de concluir a pregação, o pastor cometeu duas imprudências: a primeira foi citar duas vezes, literalmente, uma frase de Leonardo Boff: “Jesus não se encontra na Bíblia, mas no irmão que sofre”, e a segunda foi respaldar a dita citação com Mateus 25:41-43: “Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes”.

Se ele quis reforçar o ensino de que os crentes precisam descer do monte para ajudar os que sofrem, tudo bem... Só que ele usou um capítulo que nada tem a ver com a Igreja, porque nós, a Igreja, não podemos ser enviados “para o tormento eterno”  (verso 46), por causa das obras, pois vivemos na dispensação da graça. Além disso, Paulo diz em Efésios 2:8-10:   “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie;  porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas”. Portanto, se somos “criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas”, o próprio Espírito de Deus, através da leitura constante de Sua Palavra, vai nos conduzir à operação dessas boas obras, a fim de nos livrar de alguns puxões de orelha, no Tribunal de Cristo. Uma coisa ele deveria ter deixado clara: uma pessoa nascida de novo não pode ser condenada ao tormento eterno.

Além do mais, visto como o julgamento de Mateus 25 é feito sobre as nações e não sobre a Igreja (que já terá deixado de existir), nosso pastor deu a impressão de ser amilenista. Será que ele concorda com a teoria do Reconstrucionismo, adotada, nos últimos 25 anos, pela ala mística (com a tendência romanista de voltar à Espiritualidade Contemplativa), do Seminário Fuller e da Convenção Batista do Sul?.  Rick Warren e Blackaby são dois exemplos típicos dessa marcha-a-ré do  Cristianismo...

É uma pena, porque o nosso pastor é um homem realmente santo, no sentido paulino do termo,  separado para o serviço de Deus. É um excelente pregador; é um cidadão honesto, marido e pai de família exemplar; é inteligente, culto e educado, além de humilde e sincero. Creio que os livros que ele anda lendo ultimamente, escritos pelos astros da mídia americana, como James Dobson e Henry Blackaby, por exemplo, podem estar mudando a sua maneira de pensar. Por que ele não lê autores como Adrian Rogers e Peter Ruckman?

O que me inquieta é que 99 entre 100 ouvintes dos seus sermões estão por fora de qualquer tipo de pesquisa evangélica; portanto, tudo que ele falar vai cair como uma ducha agradável no coração deles. Desse modo, no Tribunal de Cristo, nosso pastor amado talvez possa ter mais problemas com isso do que eu com a minha mania de criticar!!! Porque ele é um pastor responsável por centenas de ovelhas, enquanto eu sou apenas uma ovelha-velha cheia de boas intenções. E mesmo que o inferno esteja cheio de boas intenções, para lá não poderei ir, pois sou lavada e regenerada pelo sangue do Cordeiro.

 

Mary Schultze, 02/09/2007.

http://www.cpr.org.br/Mary.htm

 

"Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para o que há de vir."   (Martinho Lutero)

 
Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. (1 João 1:9)
...o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. (1 João 1:7)