Afinal Bush é ou não é um crente verdadeiro?

 

         De uma reportagem de Melissa Charbonneau, correspondente da Casa Branca, colhemos algumas informações interessantes.

         Bush tem sido considerado um dos presidentes americanos mais firmes em sua fé, fazendo pronunciamentos recheados de referências bíblicas e invocações ao Todo Poderoso. Dizem que ele lê a Bíblia diariamente, costuma orar no Escritório Oval e, em certas ocasiões, até inicia as reuniões de gabinete com uma oração.

         Bush chocou algumas religiões estabelecidas, quando, certa vez, num debate presidencial,  lhe indagaram qual o seu filósofo favorito e ele respondeu ”Cristo, pois Ele mudou minha vida”.

         Essa mudança havia acontecido uma década antes, quando, segundo ele, Billy Graham “plantou uma semente em seu coração”, a qual o levou a assumir um novo compromisso com Cristo.

         Os que estão dentro da Casa Branca dizem que a despeito de suas públicas declarações, as convicções do presidente são inteiramente pessoais. “Ele não é uma pessoa que usa a religião para nela se escorar”, disse Jim Towey, diretor adjunto do Office of Faith Based Initiatives (Escritório de Iniciativas Baseadas na Fé).

         “Bush pode falar da importância de Deus e do lugar de destaque que Ele ocupa em sua vida, mas, além disso, ninguém o verá, penso eu, compartilhando suas idéias pessoais...”, disse Towey. “Acho que é porque ele vê a si mesmo como indigno do favor de Deus, pelo qual Lhe é agradecido. Daí por que acho que existe uma verdadeira humildade em como ele aceita as graças e favores que Deus lhe tem conferido”.

         As aberturas do presidente sobre a sua fé o têm tornado tanto um motivo de elogio como de ridículo. Na esquerda religiosa, alguns consideram repreensível a sua retórica religiosa, afirmando que ele classifica o terror como uma “luta entre o bem e o mal”. Dizem os críticos que essas declarações revelam a sua crença de ter sido escolhido  por Deus para combater as forças do terror, afirmando ser este um “complexo de Messias”.

         Mesmo assim, David Aikman, ex-chefe do Beijing Bureau e correspondente internacional da revista Time, disse: “Madre Teresa de Calcutá acreditava ter sido chamada por Deus, mas ninguém poderia acusá-la de ‘complexo de Messias”’.

         Aikman está escrevendo um livro sobre a fé do presidente e diz que os registros provam que ele tem tido o cuidado de evitar a linguagem religiosa “Ele nunca disse que Deus estava nos enviando para a guerra, nem que Deus nos mandou fazer coisa alguma. Acho que ele seria irrepreensível se o tivesse feito e, mesmo assim, não foi o que ele fez, pois tem sido muito cuidadoso nesse ponto.

         Ao mesmo tempo em que Bush tem agradado a muitos conservadores, nomeando juízes conservadores e se colocando contra o aborto parcial, por exemplo, a sua Faith Based Initiatives tem aborrecido aos líderes religiosos liberais, os quais afirmam que ele está ultrapassando a barreira entre a Igreja e o Estado’”.

         “Ele é o comandante em chefe e não o sumo sacerdote”, disse Brent Walker, líder do Comitê Liberal da Junta Batista. Walker prossegue: “O problema é que ele ultrapassa a linha e tende a proteger a religião, oferecendo-lhe dinheiro para que ela estabeleça os seus ministérios.

         Contudo, Towey disse: “O presidente acha que [essa acusação] é errada e injusta e que não será detido simplesmente porque as pessoas estão murmurando: Igreja-Estado... Igreja-Estado”. Vocês estão derrubando o muro, enquanto o presidente está tentando derrubar a parede que separa os pobres dos programas efetivos.”Towey afirma ainda que o tom do presidente tem sido gradualmente exclusivo, calando os americanos que não compartilham de sua preocupação com o Cristianismo Conservador e devotando mais tempo aos cristãos evangélicos: “Acho que a tendência dele é agradar aos elementos conservadores da comunidade, ignorando algumas partes mais progressistas, como o Concílio Nacional de Igrejas e o Judaísmo Reformado, entre outras”, disse Walker.

         Outros dizem que Bush se inclina na direção contrária, que é juntar todas as fés, o que tem sido evidenciado pela sua aproximação com os muçulmanos, após o 11 de setembro.

         Contudo, a abertura de Bush ao Islamismo é “inclusiva demais” para alguns conservadores religiosos. Bush revelou essa inclinação em novembro, ao declarar, como já havia feito muitas vezes antes, que “O Islamismo é uma religião de paz”.

         “Acho, de fato, que foi crucial para ele encontrar-se com certos líderes muçulmanos, a fim de esclarecer que aqueles eram terroristas”, disse Yacovelli, da conservadora “Family Policy Network”. Mas ele diz que ao receber convidados na Casa Branca, durante o Ramadã, Bush foi longe demais. “Ao que nos concerne, ele não apenas ultrapassou a linha, quando mostrou ao Islã a porta de entrada da Casa Branca, como está permitindo que este ali penetre e pratique a sua religião, o que é bem mais grave”.

         Yacovelli também ficou aborrecido com os comentários de Bush à conferência da imprensa londrina, quando lhe indagaram se o deus do Islamismo era o mesmo Deus dos cristãos, ao que Bush respondeu: “Servimos todos ao mesmo Deus”.

         Mas Aikman disse que, como presidente, Bush está sob pressão internacional, evitando soltar fagulhas políticas: “Ele tem sido muito cauteloso. Se tivesse dito: ‘Não, ele é um deus diferente´, Bush teria causado enormes... gigantescos problemas  nas relações entre a América e os países muçulmanos”.

         Outros líderes religiosos estão exasperados com as nomeações feitas por Bush. Ele é o primeiro presidente republicano  a nomear um diretor publicamente gay, para o escritório de política gay, um homem chamado Scott Evertz.

         Bem depressa ele também nomeou um embaixador publicamente gay, Michael Guest, enquanto Clinton demorou anos para nomear outro, o James Hormel. Yacovelli disse: “Mas, de certo, nomeando ativistas sexuais como embaixadores e para altos cargos, nos Departamentos de Estado e Defesa, vocês acham que ele é tolo?” Será que ele não sabe o que fazendo? Será que ele não lê a Bíblia?”

         Em qualquer situação, um presidente sempre palmilha o caminho estreito, tendo de adaptar suas convicções pessoais aos deveres públicos.

Conquanto alguns observadores vejam Bush como inconsistente, desafiando todas as categorias, outros o vêem como uma herança que reavivou um novo respeito pela fé.

Vocês não podem censurá-lo por causa de uma teologia ou filosofia, que possam conduzir as pessoas religiosas à loucura, em busca de uma linha teológica consistente”, disse Stephen Mansfield, autor do livro “The Faith of George Bush”. Ele continua: “Esse não é o ponto vital. Existem princípios subliminares e verdades guias, mas nenhum ponto vital. Ele seguindo o seu caminho político religiosamente responsável, conquanto seja atacado de ambos os lados”.

         PS. - O poder corrompe porque quando um homem assume um alto cargo, ele sempre tenta agradar a gregos e troianos, deixando, assim, de agradar a Deus. Paulo tinha razão quando disse, na 2 Timóteo 2:4-5: “Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra. E, se alguém também milita, não é coroado se não militar legitimamente”.  Por isso fico muito preocupada, quando vejo um crente sincero e, principalmente um pastor, entrando na política...

 

Mary Schultze, agosto 2004

entrando na política...

 

Mary Schultze, agosto 2004