A caixa coletora do “semanalão”

 

                   Como diz o jornalista Olavo Oliveira, referindo-se aos “ratos” do Mensalão, “na política, na vida acadêmica ou na religião, a vigarice embelezada pelo auto-engano é a fonte de inspiração de todos eles”. Acrescentando que, “tão logo certos indivíduos tenham nas mãos o painel de comando... o usam para toda sorte de patifarias e ainda julgam isso o supra-sumo da ética”.

                   Não me refiro aqui aos políticos brasileiros, pois estes são tão sujos, que só de neles pensar e os ver na telinha, sentimos náuseas e vergonha de ter nascido num país catequizado pelos jesuítas, onde “os fins justificam os meios”. E quais são os “fins” desses ratos políticos, senão o enriquecimento ilícito à custa do sangue e suor do trabalhador honesto e sempre explorado neste país? Estou focalizando aqui os pastores mercenários, que recebem em suas “igrejas momescas”, vindos dos USA, os fraudulentos pregadores do espúrio “evangelho da prosperidade”, cujo único objetivo é tornar prósperos os seus líderes gananciosos. Eles usam uma mistura de evangelho bíblico, catolicismo e ocultismo, fazendo lavagem cerebral nos seus ouvintes, a fim de  aumentarem os saldos bancários.

                   Todo mês estou recebendo convites para assistir às pregações desses “apóstolos fraudulentos” (conforme Paulo os menciona, na 2 Coríntios 11:13) e fico abismada com a cara de pau de quem mos envia, mesmo sabendo que sou uma inimiga do Vaticano (ao qual eles servem por baixo do pano) e dos apóstatas, que escrevem livros e pregam um evangelho misto de hinduísmo e abundância material, como se o Senhor Jesus Cristo (que eles em geral chamam simplesmente “Jesus”) fosse um quitandeiro disposto a vender frutas e legumes em troca de dízimos e ofertas, e o Espírito Santo fosse um office-boy, obrigado a resolver todos os seus desejos, principalmente os problemas materiais. Eles sempre usam o Velho Testamento porque não encontram nas cartas de Paulo embasamento algum para o seu disfarçado espiritualismo “mamonista”.

                   Esta semana, haverá em SP um desses encontros, nos quais os incautos participantes devem colaborar com muitos dízimos e ofertas, a fim de “expandir a obra do Senhor”, conforme eles apregoam. Infelizmente, porém, essa obra não é exatamente do Senhor, mas dos banqueiros (laranjas do Vaticano), que entesouram as fortunas amealhadas por esses espertalhões, os quais, em nosso país, já são tantos que seria quase impossível enumerar.

                   Ontem passei em frente ao uma “igreja” com o nome de “Família de Jesus”. Ora, como agora não devemos nos dirigir a “Jesus”, mas ao “Senhor Jesus Cristo”, que é o Seu título de glória, lembrei-me da “família de Jesus” nos livros gnósticos. Vejam como o “pastor” que inventou essa “igreja” nem sabe distinguir entre o “Jesus” na carne e o “Senhor Jesus Cristo” glorificado no céu, sentado à destra do Pai celestial, aguardando o momento exato de voltar ao mundo para estabelecer o Seu Reinado Milenar. Isso deve acontecer depois de termos sido arrebatados, para com Ele ficarmos, até o momento de sua volta gloriosa à Terra, após a Grande Tribulação.

                   Tantas têm sido as novas “igrejas” fundadas que já não existem nomes disponíveis e os analfabetos na Bíblia e no vernáculo ficam inventando nomes ridículos como o supracitado, a fim de atraírem os coitados, que ali serão espoliados nos dízimos e ofertas. Mesmo porque todos eles pregam Malaquias 3,  e os infelizes membros de suas ”igrejas”, que nunca sabem distinguir entre o Velho e o Novo Testamento, vão se deixando espoliar, temendo  “perder as bênçãos”, se não derem o que têm e o que não têm a esses “ratos eclesiásticos”.

                   Infelizmente, a liderança da PIBT, que jamais exigiu a entrega do dízimo e nunca exibiu um gazofilácio diante dos seus membros (pelo menos nos dez anos em que a tenho freqüentado), agora resolveu inaugurar uma dessas caixas coletoras de ilusão espiritual, a fim de continuar a construção do novo templo, que está parada por falta de verba. A meu ver, nossa igreja regrediu em 2.000 anos...

                   Se os pastores e líderes da PIBT confiassem realmente nas promessas bíblicas (Filipenses 4:19; Efésios 3:19-20, etc.), sabendo que o templo atual está pequeno demais para conter o número de fiéis que tem aumentado, com a excelente pregação do pastor, iriam simplesmente chamar a atenção dos membros da igreja para a necessidade de colaborar como pudessem, em vez de exibir uma caixa coletora do “semanalão”, a qual, sem dúvida alguma,  poderá espantar os visitantes, que ali têm chegado, na cálida esperança de que o pastor da PIBT nunca menciona, no púlpito,  a palavra dinheiro, tão amada pelos pastores mercenários...

Mary Schultze, setembro 2005

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