A Casa das Três Meninas

(Uma história verídica)

 

         Por causa desta linda opereta de Schubert/Berthé aconteceu uma linda história de amor, em 1946.

         Moravam juntas num apartamento na Glória, na cidade do Rio de Janeiro, que nesse tempo ainda era a Cidade Maravilhosa, três jovens nordestinas cheias de planos para o futuro. A primeira (26 anos)  se chamava Mariquinha, a segunda era Solly (da mesma idade) e a mais nova das três era Maísa, todas muito graciosas.

         No último fim de semana de abril, 10 dias após o casamento da Princesa Grace com o Príncipe Rainier de Mônaco, as três meninas foram convidadas para ir à casa de uma família de judeus alemães, num bairro nobre de Duque de Caxias, chamado Jardim Primavera. Aceitaram o convite e tiveram um fim de semana muito divertido. Conheceram várias pessoas, tomaram banho de piscina, comeram iguarias da cozinha judaica/alemã e se divertiram à beça.

         No Domingo à tarde, enquanto as amigas foram jogar uma partida de ping-pong no clube do bairro, Mariquinha, que sempre adorou música erudita, preferiu ficar na casa dos anfitriões ouvindo óperas. Estava escutando a opereta de Schubert/Berthé - A Casa das Três Meninas - quando apareceu um inquilino da família  e começou a conversar com ela. Era um Químico Industrial alemão de 33 anos, tranqüilo, educado, que falava poucas frases em Português. Mariquinha perguntou se ele falava Inglês, já que era secretária bilingüe numa firma inglesa, porém ele respondeu que não. Ele perguntou se ela falava Alemão e a jovem respondeu que sabia apenas duas frases: "Ich liebe dich" (Eu te amo) e "Dein ist mein Herz" (Meu coração é teu). O rapaz sorriu e disse que ela possuía uma boa pronúncia e havia dito as duas frases com muita elegância. Quando ela perguntou o nome dele, que era muito longo, foi logo escrevendo e, por acaso, acertou direitinho. Ele ficou admirado, pois em Alemão existem seis maneiras de escrever o seu último sobrenome e isso o deixou impressionado com a competência da moça. Conversaram o restante daquela tarde. Quando se despediram, ele pediu o telefone  da jovem. Quando já ia saindo, ele a chamou e perguntou, com a maior calma: "A Srta. quer casar comigo?" Mariquinha ficou espantada, disfarçou o espanto e respondeu: "Quero!". Era um caso de amor à primeira vista...

         Menos de 4 meses depois estavam casados, morando numa linda casa,  naquele mesmo bairro, e o casamento durou 26 anos. Foram felizes, embora com alguns tropeços. Ele gostava de abusar da Brahma, ela ficava aborrecida e por isso tiveram muitas brigas. Mas até hoje Mariquinha não se arrepende daquele "Quero".

         Pouco tempo depois, Solly casou-se com um professor americano, mas o casamento durou pouco tempo. Maísa casou-se com em engenheiro italiano e, pelo que me consta, ainda hoje vivem juntos, no Paraná, embora as amigas tenham perdido o contato com ela.

         A vida de Mariquinha com o marido alemão foi muito interessante. Construíram juntos uma micro-empresa, que durou 36 anos. Viajaram por 14 países, tiveram duas filhas e até o último dia de vida do marido, Mariquinha continuou amando-o e respeitando-o, conforme o mandamento bíblico. No dia 16 do mês em curso ele completaria 80 anos e já está sepultado há exatamente 20 anos. Que saudade!

         Mariquinha casou virgem, aos 26 anos. Hoje as meninas de 13 anos já vão para a cama com o primeiro namorado e não mais se respeitam, achando que isso é liberdade. Infelizmente, quando uma jovem casa, depois de ter passado pela mão de um ou vários rapazes, não inspira muita confiança ao marido. Daí existirem tantos casos de adultério e divórcio no Ocidente. Nenhum homem gosta de ter uma esposa com um passado. E quando esse passado tem como resultado uma criança sem pai, a coisa fica ainda mais complicada.

A mulher ocidental acha que se libertou e que pode fazer o que bem entende. Que ela tenha liberdade e capacidade de trabalhar e ajudar o marido nas despesas da casa, tudo bem. Mas a Palavra e Deus condena todo tipo de imoralidade. E qualquer relação sexual fora do casamento é imoralidade, mesmo que os meios de comunicação propalem que isso é muito natural. A Bíblia diz que "O salário do pecado é a morte" (Romanos 6:23).  O pecado da imoralidade gera a morte da confiança entre os cônjuges e, portanto, a morte de uma relação conjugal perfeita. E, pior de tudo, gera a morte espiritual, a eterna separação de Deus.

         Em Gálatas 6:7-8-ACF, lemos: "Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna".

         Se você, garota moderna, não tiver o cuidado de se guardar para o homem que Deus vai lhe mandar, pode crer que a sua vida conjugal não vai durar muito tempo e será regada com muitas lágrimas de sofrimento.

 

Mary Schultze - agosto 2002

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Mary Schultze - agosto 2002