Cazuza, 50
anos - Que herói é esse?
Pr. Renato Vargens
A imprensa brasileira, festeja o aniversário do compositor e cantor Cazuza,
que caso estivesse vivo, comemoraria 50 anos de vida.
Lembro que há alguns anos ao ser lançado pelo cinema nacional, o
longa-metragem “Cazuza” gerou uma enorme polêmica. Confesso que na época
fiquei enormemente chocado com o alarde feito pela mídia e pela sociedade
brasileira. O filme retratava a biografia de um jovem de classe média alta
extremamente rebelde, o qual foi a antítese de uma sociedade moldada pelo
regime militar. O deboche, e a ausência de limites eram marcas indeléveis de
alguém que talvez procurasse uma ideologia pra se viver.
Sem sombra de dúvidas, Cazuza foi poeta sensível, com letras absolutamente
criticas, que contribuíram com o enriquecimento da musicalidade brasileira. No
entanto, não podemos esquecer que o comportamento desenvolvido por este rapaz,
não pode ser colocado como parâmetro ou modelo a uma geração que sofre
“moribundamente” a ausência de ícones, modelos, e referências.
Preocupou-me o fato de que parte da sociedade brasileira queira de certa forma
transformá-lo num tipo de super-herói. Ora, Cazuza usou todo tipo de drogas,
quebrou paradigmas indispensáveis à saúde da família, isto sem contar a
promiscuidade que o envolvia. Por favor, pare e pense um pouquinho: Imagine
que se em vez de branco, rico e burguês, o poeta fosse pretinho, morasse no
morro e não tivesse dinheiro algum? De que forma a sociedade o enxergaria?
Vamos lá, responda sinceramente:
Claro que bandido. E é elementar meu caro Watson que segundo a filosofia de
alguns, bandido bom é bandido preso, (isto pra não dizer outra coisa) não é
verdade? Com certeza esta mesma mídia que hoje o exalta, o execraria sem dó e
piedade. Aliás, parodiando o poeta: Senhor, piedade, por favor, piedade! Como
ele mesmo dizia: “A Burguesia fede”, cazuza pode ter sido um grande poeta, no
entanto, jamais poderá posar de super-herói.
Que Deus tenha misericórdia desta geração.
Renato Vargens