Colar de Lazulitas

 

Dedicatória:

 

 

Dedico este livrinho à pessoa que mais me valorizou neste mundo, depois de meus pais: D. Tabita Kraule Pinto,

Reitora do Seminário Teológico Betel, do Rio de Janeiro,

onde estudei durante os anos de 1982 a 1985.

Para ela escrevi alguns poemas em trovas, dos quais cito um abaixo:

 

Você, mulher monumento

de amor, ternura e bondade,

que acalenta mais de um cento

de filhos, na sua idade.

Você que tanto trabalha

pela velhice carente,

lutando em cada batalha,

remando contra a corrente!

Você, que ora chorando,

nos segurando em seus braços,

por seus alunos rogando

e acompanhando os seus passos.

Você nos fala de Deus

com tanta fé e poder,.

que todos nós – filhos seus,

só Nele temos prazer!

Você, Tabita, mulher

cheia de vida e de amor,

que nesta vida só quer

a glória do seu Senhor!

Tem sido a melhor amiga

de todos, no seminário.

e a “criançada” que o diga,

você é um relicário,

onde guardamos, seguros,

tristeza e mágoa, também,

pois você é como os muros

da Santa Jerusalém!

 

 


 

 

 

01.  Pecado capital

02.  O Colar de Porcelana Chinesa

03.  O Colar Azul

04.  Mary Fútil

05.  Duas Mulheres

06.  O Senhor do Meu Destino

07.  Pessoas Organizadas

08.  Ceia de Natal

09.  Dária e “O Holocausto do Vaticano”

10.  O Velório da Sogra

11.  O Defunto Perfumado

12.  Pluralidade e Longevidade

13.  Mulheres no Púlpito

14.  Love Story Alemã

15.  Love Story em Nuremberg

16.  Quem Ama o Próximo?

17.  Quem Deseja Ser Feliz?

18.  Minha Nova Amiga Marina

19.  Petra, a Cidade Fortaleza

20.  O Homem que Sabia Javanês

21.  Sílvia no “Harrods”

22.  Precisamos Ler Amós

 

 

23.  Precisamos Ler Habacuque

24.  Precisamos Ler Miquéias

25.  Rosa e Dária, Me Aguardem!

26.  Deus Nos Prepara

27.  Vale a Pena Ser Corajosa

28.  Caim e Abel do Século 20

29.  Reminiscências

30.  O Grande Advogado

31.  Os Políticos no Mês de Setembro

32.  Love Story Outonal

33.  As Peruas do Congresso

34.  A Esperança  Brota Eternamente

35. Deus usa até o Diabo...

36.O Pecado da gula

37. O Suicídio Leva ao Inferno?

38. Um Caso de Bulimia

39. Pendente de Ônix

40. Lamentações de Jeremias

41. Trovas para os Aposentados

42. Trovas do Livro de Jó

43. Salmos 23 (Paráfrase)

44. Confissão de Pecados


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PONHA CRISTO EM SUA AGENDA

 

É nossa vida o resumo

de um belo sonho que passa.

E Jesus é nosso rumo,

se vivemos pela Graça.

Ele é o nosso Caminho,

a Verdade, a Vida, a Luz.

É nosso pão, nosso vinho,

e por nós morreu na cruz!

Grande Deus e Salvador,

Jesus é Senhor, também.

Dedica-nos terno amor

e só quer o nosso bem.

Se quiser viver em paz,

num lugar de eterna luz,

deixe de olhar para trás,

se entregue logo a Jesus.

Tenha e se arrependa

de todo mal que já fez.

Ponha Cristo em sua Agenda

e ganhe o céu, de uma vez!

 

Mary Schultze

1998

 

 

 

 

1.- Pecado Capital

 

Além de metralhar os líderes da “Teologia da Ganância”, mais conhecida como “Teologia da Prosperidade”, os quais enriquecem pregando um evangelho espúrio, aumentando a ignorância bíblica dos membros de suas congregações, quero falar dos meus dois graves pecados: o da contundência no falar e escrever e o pecado do consumismo.

         Sei que sou dura demais com as pessoas que me desagradam e, principalmente, com aquelas que usam a Bíblia para aumentar os saldos de suas contas bancárias. Não sou e nunca fui ambiciosa e muito menos gananciosa, tanto que trabalhei nove anos como secretária bilíngüe e trinta e seis anos como micro-empresária e nunca enriqueci. Quando completei o inventário dos bens que meu marido e eu conseguimos juntos, durante 26 anos de casamento, e quando, mais tarde,  vendi a firma, dividi a metade com as duas filhas e a metade da outra metade com os empregados, ajudando-os a ter uma vida melhor. Por isso tenho moral para criticar os líderes da “Teologia da Ganância” porque estes, com a desculpa de ganhar almas para Cristo, estão, na verdade, enchendo suas igrejas de analfabetos bíblicos e suas contas bancárias de cifrões. Até hoje não encontrei um só desses teólogos de araque que deixe de cobrar o dízimo e de pedir ofertas às suas ovelhas, que em geral são tosquiadas sem piedade. Eles inventam teologias espúrias, copiadas (e  deturpadas) do Velho Testamento e do Catolicismo Romano, e as impõem aos seus seguidores, preguiçosos demais para comparar os seus ensinos com o que a Bíblia realmente diz. Ultimamente, a moda é interceder aos anjos, ter um anjo da guarda batizado com um nome sonoro pelo “pastor”, idéia essa copiada do Mokito Okada, um falso profeta oriental, fundador do Messianismo.

         Agora vou falar dos meus pecados. Gosto de criticar, sim. Mas geralmente uso a Bíblia para fazê-lo e, por isso, esses atalaias de araque nunca podem me contradizer. O Senhor usou Isaías 56:11 para falar desses falsos profetas: “E estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte”.

         Meu segundo (e maior) pecado é o do consumismo. Gosto de roupas e jóias. Antigamente eu comprava anéis de ouro e pedras preciosas, até que o Senhor me deu uma boa lição: houve três assaltos armados à nossa casa (J. Primavera, anos 70) e os ladrões roubaram as peças mais bonitas. Perdi  o gosto e passei a comprar colares, anéis e brincos de prata e pedras semipreciosas, que custam apenas um décimo das jóias verdadeiras.

         Há poucos dias entrei na loja Gold Shine (Brilho de Ouro), na Galeria Teresópolis, e comprei um conjunto de colar e brincos, em cristal rosa e preto,  por R$70,00. Fui atendida por duas mulheres lindas e comunicativas - Lúcia e Fabiane - que me trataram com o maior carinho.  Na Tripolitana, comprei uma blusa de Jersey rosa chá, para combinar com o colar e os brincos, e vim para casa toda contente, celebrando os 50 anos de chegada ao RJ. Obrigada, Senhor!

         Sou consumista, sim. Mas nunca dei um cheque sem fundos, nunca entrei no cheque especial e nem no meu limite, que daria para comprar uns seis conjuntos de blusa, colar e brincos iguais ao que comprei nesta celebração de meio século de luta no Estado mais lindo do Brasil, o Rio de Janeiro!

         Agora estou namorando um colar de lazulitas e vou aguardar o meu aniversário (08/12) para fazer mais essa loucura, a não ser que entre uma grana extra que estou aguardando com a venda de um imóvel e eu possa ir passar um belo fim de semana em Buenos Aires, comprando jóias de fantasia e perfumes importados, na Galeria Once... Isto sem falar que o Pr. Wagner (IB Osasco, SP) me prometeu um anel de Teologia (folheado a ouro)  para  os próximos dias...

Algumas amigas da terceira idade se preocupam em comer bastante, pois, já sendo gordas, não mais se interessam em conservar a aparência, deleitando-se diante de lojas tipo “Maria Torta”, onde as tortas são uma tentação para os gulosos. Cada pessoa, quer seja cristã ou pagã, tem o seu pecado capital. Umas arranjam namorados, outras tomam bebidas alcoólicas, outras jogam na loteria, outras se plantam diante da TV, comendo desastrosamente, e outras, como eu, preocupam-se em ficar mais apresentáveis, a fim de ganhar elogios desse tipo: “Mas você nem parece ter essa idade. É tão jovem!” Mentira tão linda e aceitável como aquela que Satanás, travestido de serpente, pregou à pobre Eva, no Jardim do Éden. Eva engoliu a mentira, jogou toda a humanidade na desgraça do “pecado original” e a conseqüência desastrosa foi a morte de Jesus Cristo, nosso grande Deus e Salvador,  na cruz do Calvário!

 

Setembro 2004 ********************************************

 

 

2. - O Colar de Porcelana Chinesa

 

         Hoje sofri uma tremenda decepção da parte de quem eu menos esperava...

         No sermão do culto matutino o pastor da igreja anunciou uma mensagem sob o título “O Pecado Covarde”, baseado no verso 16 de Êxodo 20, que diz: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”.

         Durante a mensagem,  ele detonou impiedosamente esta ovelha, de maneira tão generalizada que somente eu poderia entender. A amiga que senta ao lado, exímia obreira da igreja, não entendeu coisa alguma, porque dormiu em 2/3 da pregação, o que sempre acontece em todo culto, durante o sermão do pastor. E por que somente  eu poderia entender as alfinetadas a mim endereçadas?

Primeiro, porque o pastor usou para o título do sermão de hoje quase o mesmo título de um dos meus últimos artigos (Pecado Capital).

Segundo, porque ele usou parte do material de outro artigo recente, (O Príncipe de Teresópolis) criticando um certo pastor hipócrita (de quem não gosto), o qual, por acaso, é  um grande amigo dele, artigo esse que nem sequer foi publicado no jornal, exatamente para não melindrar esses dois “anjos” da igreja!!!

Até metade do sermão  o pastor andou bem, pois criticou as pessoas mentirosas, que dão falso testemunho (o que não é o meu caso), das que falam ou escrevem (verdades) contra os outros (“assassinas”  da reputação alheia), mesmo que o façam em favor da moral, da religião, etc. (o que é o meu caso). Até aqui tudo bem, pois ele sabe que não sou nenhuma santa e falo o que me dá na telha, doa a quem doer, contanto que seja a favor da moral, da religião e dos bons costumes. Esse é o privilégio de quem já passou dos 70 anos, não teme críticas alheias e nem mesmo a morte.

O que foi estranho na pregação é que o pastor se baseou o tempo inteiro (com o fito de detonar esta ovelha)  em Mateus, um livro escrito exclusivamente para os judeus, pois o  próprio Jesus afirmou:  “Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mateus 15:24) e: “Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João” (Mateus 11:13), etc.

Jesus veio pregar e curar os judeus, embora Ele tenha curado também alguns gentios, como no caso do servo do centurião (se é que este não era judeu), conforme Mateus 8:6-13, por exemplo.

Citando Mateus o tempo inteiro, como motivo de condenação a esta (por ele considerada) ovelha negra da igreja, o pastor acabou exorbitando e me colocando no “Julgamento”, que deve acontecer no final da Grande Tribulação, no qual serão julgados judeus e gentios, conforme o seu desempenho de fé mais obras, durante os sete anos em que a Igreja não mais existirá. Será que ele é do tipo que acredita na lorota de Agostinho, que a igreja é a nova Israel de Deus?

Terceiro, será que, por ser amilenista, o pastor não acredita no Arrebatamento e por isso coloca os crentes no “Juízo Final”, esquecendo o Tribunal de Cristo? Será que ele não acredita que os crentes serão julgados somente para efeito de reprimenda (não de condenação) e de galardão, segundo Paulo nos ensina na 2 Coríntios 5:10, sendo este o julgamento da “Noiva do Cordeiro”, a qual vai voltar à terra, durante o Armagedom, junto com o Senhor? 

Quarto, Como ele pode pregar o Evangelho de Paulo, o que sempre faz nos sermões de domingo à noite, tentando ganhar almas para Cristo, citando todos os versos possíveis e imagináveis de Romanos e Gálatas, também Efésios 2:8-9, Tito 3:5 e uma quantidade enorme de outros versos desse tipo,  e ainda jogar esta velhinha crente no inferno?

Mas isso não foi o pior. Por ter cometido o “pecado” de falar e escrever que a minha igreja é a melhor da cidade, pois a maioria delas prega o espúrio “Evangelho da Prosperidade” (inclusive a do pastor criticado por mim)... Por ter escrito que o seu pregador é o melhor da cidade, por ser bíblico e de vida impecável.... Por ter escrito e falado que a música da igreja é maravilhosamente erudita, graças a um casal de ministros competentes... E por já ter conduzido muita gente boa à minha igreja, fui criticada acerbamente. Fui  taxada de hipócrita, mentirosa, fofoqueira e coisas desse naipe, por ter falado e escrito essas coisas...

Que o pastor mostre os meus erros tudo bem. Que ele me chame de maledicente e fofoqueira, tudo bem. Ninguém é perfeito e, mesmo com tanta “fofoca” e “maledicência”,  já ganhei uma porção de gente, que andava desgarrada na ICR e nas igrejas malaquianas, para a minha igreja. Mas daí a chamar-me de hipócrita, ridícula, covarde (e até “condenada”) por falar bem de minha igreja, foi demais! E ele ainda teve a coragem de afirmar que todas as igrejas são boas, variando apenas na metodologia, o que é dose para leão, esquecendo que, muitas vezes, ele mesmo tem criticado ferozmente as “igrejas malaquianas”, lá no púlpito!

Dá vontade de dar o fora dessa igreja e procurar outra, cujo pastor (pelo menos) finja gostar de mim. Contudo, o pastor que tanto me rejeita tem 5 anos de casa e eu tenho nove (Acho que tanta implicância assim é porque sou contra a entrega do dízimo). Por isso, vamos esperar que o Espírito Santo decida sobre quem fica e quem vai... como diz a canção da novela “Senhora do Destino”.

Meu conselho a esse pastor: Leia os comentários do Dr. Peter Ruckman (grande erudito batista bíblico em Grego e Hebraico), por mim traduzidos, sobre quando e para quem se destinam os livros da Bíblia. Ele ainda não sabe que Deus trata os homens conforme o contexto histórico e por isso usa Mateus para criticar os crentes!

Que ele não se melindre porque uma ovelha de sua igreja pesquisa a Bíblia e nota os erros cometidos no púlpito, como,  por exemplo, quando certo dia ele afirmou que “Jesus nunca foi profeta”, etc.

Seria uma pena eu sair dessa igreja, pois sou uma das raríssimas pessoas que tem valorizado a cultura, a honestidade e a capacidade de pregar desse pastor, enquanto tantas outras pessoas  dormem ou então ficam pensando no cardápio do almoço (mulheres), nos jogos de futebol (homens), no “Fantástico”...

Fiquei muito deprimida e, como compensação, fui até a feirinha e comprei um colar de porcelana chinesa azul, que havia visto na semana passada, e vim para casa escrever este artigo. Por causa do lindo colar azul, a “gravata” que recebi do pastor já foi apagada de minha mente, ficando apenas registrada aqui, nesta página, para futuras referências...

Por causa da “gravata” do pastor, acabei me animando e em apenas dez horas de trabalho preparei esta apostila, que vai alegrar muita gente. Por isso é que eu amo Romanos 8:28!

 

Terê, 19/09/04*************************************************

 

 

3. - O Colar Azul

 

         Entrei no ônibus, numa quarta feira de junho 2002, quase no final do mês. Desci distraída, antes da hora, passando em frente a uma loja de bijuterias, no Alto.

         Tenho alguns pecados que não consigo dominar, sendo o pior deles o consumismo. Final do mês. Minha pensão do INSS estava a zero, entrei na poupança, pois além do novo monitor de 15" que tive de comprar para substituir o de 17", que havia pifado, apareceram uns extras, com algumas compras inadiáveis. Isso quer dizer que eu não poderia  comprar aquele colar de pérolas azuis, que estava à mostra, naquela vitrina.

         Parei em frente à loja, examinei o colar e senti um frio na espinha. Algumas pessoas pecam pela gula, outras pelo sexo, outras pelo fumo, álcool ou drogas, enquanto eu peco pelo consumismo em roupas e jóias. Não vou dizer que este seja um "pecado mortal', segundo o conceito católico, pois jamais entrei no cheque especial para sustentar tal "vício", embora, vez por outra, tenha entrado na poupança, a qual sempre reponho no mês seguinte (se acontece um milagre financeiro), quando,  então, minha consciência fica isenta de culpa.

         Dentro da loja, trajando um lindo vestido azul turquesa (quase da mesma cor do colar), a vendedora avaliou a elegância da provável cliente e veio, toda solícita, indagar em que poderia ser-me útil. Disse-lhe que havia gostado do colar, mas não tinha intenção de comprá-lo, pelo menos naquele dia, pois o mês estava se esgotando e eu já havia gastado demais. A vendedora disse que eu poderia dar um cheque para 30 d/d, se não quisesse pagar à vista, ou então poderia ganhar um desconto de 10%, se desse o cheque para o mesmo dia. Acariciei levemente o fecho da bolsa, visualizando o talão de cheque que em breve poderia ser usado, mas o Espírito Santo me cochichou: "Você já tem uma coleção de colares de pérolas, em todas as cores, tem um de lazulita azul, outro de pedraria oriental, e ainda aquele de pérolas, com três voltas em branco e azul. Para que, então, comprar esse colar azul, agora?". Senti que era o Espírito de Deus Quem estava me falando através da mente e retirei depressa a mão da bolsa. Em seguida, dei um sorriso à vendedora, falando, calmamente: "Você é muito simpática, mas Deus não quer que eu compre coisa alguma”, e saí da loja pensando, com o maior orgulho de mim mesma: "Pois não é que eu consegui vencer a tentação?".

Mal sabia eu que não fora por minha própria força que havia ganhado essa pequena batalha espiritual, mas pelo poder da Palavra de Deus, conforme Zacarias 4:6: "...Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito..." Logo em seguida, outro versículo me veio à mente, o de Isaías 55:2: "Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão e o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer?"

         Passaram-se quase dois anos e, um dia, minha amiga Nilda comprou um colar chinês e fiquei maravilhada com a jóia. Indaguei onde ela havia adquirido aquela preciosidade e ela me contou que a havia comprado na Trípoli por R$80,00, em duas parcelas. Falei que iria procurar um colar igual àquele, só que em azul, pois já possuía três colares verdes, cada qual mais lindo e precioso.  Fui à Trípoli e não havia mais colar algum de porcelana, portanto desisti. 

No domingo 12/09/04,  estava na feirinha, quando vi o mesmo colar na cor desejada (azul rei). Perguntei quanto era e soube que era R$50,00. Fiz as contas e vi que não devia comprar mais nada este mês, pois o meu orçamento já está completamente esgotado para futilidades.

         No domingo seguinte (19/09/04), sofri uma decepção “amorosa”, isto é, de uma pessoa que eu amava muito, e resolvi dar a mim mesma uma compensação. Fui à feirinha e acariciei o colar azul, pensando: “eu mereço esta compensação”. Propus ao Mauro, dono da loja May & Mit, que fizesse R$40,00 no colar. Ele concordou e então pude comprar o colar azul, tendo ficado na maior alegria por causa da compra. A loja do Mauro tem coisas lindas. Vale a pena visitá-la...

         Minha mãe costumava dizer que eu “sou má... apenas da boca para fora”, pois nunca procuro vingar-me de pessoa alguma, quando esta me faz uma injustiça. Prefiro buscar uma compensação, comprando alguma roupa, calçado ou jóia e, assim, cada vez que uso o presente que dei a mim mesma no dia mau, agradeço a Deus pelo que aconteceu e peço que Deus cuide bem da pessoa que me magoou. Meu lema de vida é Romanos 8:28 e a verdade deste verso divino tem sido comprovada em cada momento de minha existência...

Quanto à pessoa que me magoou no domingo passado, passei a amá-la ainda mais. Primeiro, porque essa pessoa tem razão em muito do que disse contra mim,  e segundo, porque ela tem todo o direito de não gostar de mim,  pois “coração é terra onde ninguém pisa”, conforme dizia minha santa avó Quitéria...

Nenhuma obra má pode levar um crente salvo para o inferno. Assim como nenhuma obra boa pode salvá-lo, pois a salvação vem exclusivamente pela fé em Cristo e na obra que Ele realizou na cruz do Calvário. Contudo, quem pratica o mal contra o próximo vai receber um tremendo puxão de orelhas, aqui ou lá em cima,  e quem faz o bem por amor ao Senhor vai receber um maravilhoso galardão, diante do Tribunal de Cristo, conforme a 2 Coríntios 5:10., que diz: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal”.

 

Setembro 2004*********************************************

 

4. - Mary Fútil

 

         A Lua tem duas fases importantes, Lua Cheia e Lua Nova.  Pois eu também tenho minhas duas fases, como a Lua, e vou falar dessas fases.

Lua Cheia - Nesta fase eu fico cheia de vontade de crescer na graça e no conhecimento de Cristo e leio a Bíblia com avidez, devoro uma porção de livros bíblicos (um por dia, de até 150 páginas cada um), não gosto de sair de casa e fico somente com os olhos colados nos livros e na Internet,  estudando, pesquisando, tomando um bom alimento espiritual, deletando todas as mensagens bobas (sem ler uma delas sequer), enfim, essa é a fase mais proveitosa de minha vida.

Essa fase vem sempre acompanhada de uma fase subseqüente, a de traduzir Inglês. Só gosto de traduzir autores importantes, como Avro Manhattan, Dr. Ian Paisley, Dr. Ronald Cooke, Dave Hunt, Dr. Samuel Gipp, Dr. William Grade, Dr. Peter Ruckman e outros. Minha filha Rose costuma dizer:”Mãe, quando a senhora está traduzindo, comporta-se como uma drogada. Não come, não bebe, não atende o telefone, não gosta de conversar com a gente, enfim, a senhora fica um porre!

Lua Nova - É a fase escrever artigos e livros evangélicos. Sou capaz de escrever até dois artigos por dia e um livro, em apenas três meses, porque uma força incrível me impulsiona a trabalhar para a glória do Senhor. Também fico “um porre” nessa fase e, quem for amigo, não abuse de minha ínfima paciência, me deixe em paz e quem não quiser ser “assassinado”, não envie mensagem tipo slide (pela Internet), pois fico uma onça!

         Fora dessas duas fases “lunares”, tenho minhas fases “lunáticas”. Uma delas é a de comprar blusas, sapatos e colares. Tenho mais de cinqüenta blusas no guarda-roupa,  e mais de doze pares de sapatos na sapateira, mas quando vejo uma blusa diferente, compro mesmo, embora seja menos consumista em matéria de sapatos. Quando compro uma peça ou duas, sempre passo uma à frente, tentando aliviar a consciência do peso do pecado de consumismo.

Gosto de comprar jóias (ou quase jóias) de prata e pedrarias de todas as cores. Não uso bijuterias feitas de massinha, plástico, resina, etc. Só uso pedras, sendo a mais barata o cristal. Minha coleção chega a 21 colares, 15 pares de brincos, e 12 anéis (de ouro, prata e pedrarias), isso porque sempre que eu compro duas peças, dou uma de presente às amigas, porque adoro dar presentes e, também, para não chamar a atenção de minhas duas filhas, com medo que elas me internem num asilo de velhos...

         Vocês riram? Pois estou falando sério. Minha filha brasileira é “doidinha”, mas muito amorosa (e também consumista). Já a filha alemã é mão fechada! Nos anos 1980,  quando eu cursava o Seminário Teológico Betel, no RJ, época do falecimento do pai dela, ficou injuriada porque eu doei uma parte dos meus bens (herdados no inventário) aos empregados da firma. Ela era sócia da empresa (30%) e uma das herdeiras. Quando terminei o Seminário, caí em depressão, por falta de trabalho. A “Lourona”, na altitude do seu 1m82, dominava a firma em todos os setores e me proibia de trabalhar no laboratório, dizendo que eu “já estava velha demais para isso” - 56 anos). Um dia ela proibiu-me também de aparecer numa gravação da TV Globo, no programa “Pequenas Empresas, Grandes Negócios”, ameaçando me internar num hospício, mesmo tendo eu fundado a firma, junto com o pai dela, e ali trabalhado por um quarto de século. Tão “fragilizada”  emocionalmente eu estava que fui para o quarto e passei o resto do dia chorando, por causa dessa ingratidão, com uma crise de autopiedade. Ainda bem que a depressão passou e, logo que me senti capaz de assumir o posto de sócia majoritária, comprei a parte da “Lourona”, pedi que ela se retirasse da firma, assumi tudo sozinha e ainda agüentei quatro anos no posto. Em 1994, vendi a micro-empresa por um valor ínfimo e vim morar em Terê. Aqui, nesta cidade celestial, dediquei-me à pesquisa de Catolicismo Romano, à tradução de livros bíblicos e à composição de mais artigos e livros evangélicos, pois nesse tempo já havia escrito sete livros  e uns 100 artigos para jornais. Agora são mais de 1.000 artigos e 16 livros (contando com este) ... Louvado seja Deus!!! E como “Todas as coisas contribuem juntamente para o bem dos que amam a Deus” (Romanos 8:28), aqui estou na plenitude dos meus quase 75 anos, ainda trabalhando com a mente e o corpo, com o mesmo peso dos vinte anos!

Voltando à fase “lunática”, tenho meus “joalheiros” favoritos, aqui em Terê: o Bonfim (naquela rua de nome esquisito, que passa ao lado do Shopping da Várzea),  e o Mauro, dono da Loja “May & Mit”, no Shopping do Alto. Eles me conhecem, sabem que não dou cheque frio e, por isso, me facilitam as compras. Perfumes importados eu costumo comprar na loja da Zezé, no mesmo Shopping  do Alto. Sou muito fiel às pessoas que me tratam bem e são honestas... Para cuidar do computador só uso o “Doktor Machine”, pois o dono (Marcelo) e o técnico (Francisco) são amigos e sempre me tratam com muita atenção e respeito. Para comprar cartuchos de tinta uso a loja do Fernando/Michele (Só Cartuchos), ali na Av. Regadas, pois esses irmãos são cristãos sinceros e muito honestos...

Como podem ver, tenho minhas fases de “Mary Schultze” e de “Mary Fútil”, mas sempre buscando o Reino de Deus em primeiro lugar. Por isso estou aguardando com muita esperança o “Arrebatamento” e o “Tribunal de Cristo”. Ali não serei condenada pelo meu consumismo. Levarei alguns puxões de orelha como Mary Fútil, mas também serei galardoada, como Mary Schultze, pelo que tiver feito de bom aqui na terra, por amor ao Senhor Jesus Cristo, pois essas poucas obras (fora as de madeira, palha e feno) serão de ouro, prata e pedras preciosas, exatamente como a minha coleção de jóias... (1 Coríntios 3:11-15; 2 Coríntios 5:10).

P.S. Por causa da minha futilidade na troca de roupa e adereços, fui considerada pelas amigas da turma do RJ  umas das peruas do Congresso da Profecia em Poços de Caldas, MG., o qual aconteceu entre os dias 20-23 de outubro, 2004. Contudo, assediada por tantos irmãos que lêem meus livros e artigos, se eu andasse mal vestida seria uma decepção para eles. Romanos 8:28!

 

Setembro 2004*********************************************

 

 

5. - Duas Mulheres

 

         No domingo, 22/08/04, tive um dia rotineiro, até o início da tarde, quando saí da PIBT e fui almoçar.

         Depois do almoço achei que deveria descansar um pouco, mas como não tenho o hábito de dormir durante o dia, preferi ir até a Feirinha para olhar as novidades em matéria de moda e comprar um novo Magriffe, já que o meu está acabando. Na Feirinha visitei um stand de vendas com o nome de “Vidaurre Biju”, onde conheci Sandra, uma senhora loura, muito simpática, artesã e vendedora de bijuterias. Olhei algumas peças, mas nada comprei, pois só uso ouro, prata e pedras semipreciosas. Fiquei conversando alguns minutos com a Sandra e notei que se trata de uma pessoa muito agradável, de quem eu até gostaria de me tornar amiga. Ela faz lindos colares e pulseiras, combinando maravilhosamente as cores, e sua barraca é um colírio para os olhos femininos.

         Depois do “Vidaurre Biju” fui ao Shopping Teresópolis, a fim de comprar o Magriffe, e também  fui procurar uma blusa em preto e branco, que estou desejando, há muito tempo. Depois de experimentar umas quatro peças, na loja “Vera Baccarini”, que expõe uma coleção invejável, acabei comprando uma blusa colorida em amarelo e vinho, com fios dourados. Conversei bastante com Evânia, a jovem avó que me atendeu gentilmente, e descobri que se trata de uma mulher muito inteligente, que adora ler... Aí ficamos falando de literatura, com  o mesmo gosto pela leitura em prosa e poesia. Saí dali feliz pois, sempre que encontro alguém que gosta de ler, sinto uma tremenda empatia por essa pessoa e fico tagarelando com ela. Pretendo voltar à “Vera Baccarini” ainda esta semana, levando alguns artigos meus e um livro de presente para Evânia.

         Antes das 18 hs., o Pr. Paulo Pimentel (meu melhor amigo, depois de Jesus), veio me apanhar para irmos à Serra do Capim, não exatamente para comer uma salada verde, mas para um culto evangélico, onde ele iria pregar.

         A igreja batista que visitamos tem alguns irmãos bastante amistosos e se não fosse o barulho de 120 decibéis e os cantos “gospel” de má qualidade, a noite teria sido muito boa, pois lá encontrei muitos amigos de minha filha alemã, que tem ali um sítio, e ouvimos a excelente pregação do Pr. Paulo sobre a 2 Coríntios 4:8-12: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos; e assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal. De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida”.

         Infelizmente, as igrejas evangélicas do interior estão mais contaminadas de mundanismo do que as igrejas do centro da cidade. Nessas igrejas os cultos são todos antropocêntricos, com canções de má qualidade, as quais, em vez de glorificar com absoluta exclusividade o Nome de Jesus, inclinam-se a enaltecer os seus compositores, em geral analfabetos bíblicos, os quais nem sempre levam uma vida embasada nos princípios da Palavra de Deus. Noto que muitos desses pastores, que mal conhecem o vernáculo, preocupam-se em encher suas igrejas, permitindo que os jovens façam um barulho ensurdecedor, e, desse modo, a sua pregação medíocre (que em geral toma menos de ¼ do culto) nada acrescenta aos membros em matéria de edificação espiritual.

         A chamada música “gospel” tem origem ocultista. Seus ritmos são alucinantes e os corpos balançam, agradando à carne, em vez de agradar a Deus.  Em Habacuque 2:20, lemos: “Mas o Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra”. Os pastores xamanistas, principalmente os da chamada “teologia da ganância” (nome que o Pr. Airton Evangelista deu à Teologia da Prosperidade),   detestam este versículo do mesmo modo como amam Malaquias 3:8-10. Os compositores da música “gospel” copiam seus ritmos de autores que confessam ter recebido sua inspiração de algum “espírito guia” (demônio), ou seja, dos roqueiros do “heavy metal” (ou então de músicas sertanejas de baixo nível).

Como diz a escritora alemã, Basilea Schlink, “todo tipo de música nos coloca sob a influência da área de onde ela procede” e a música “gospel” é mundana, ocultista e prejudicial ao espírito, pois começa agindo na alma, para em seguida dominar o corpo, despertando instintos carnais e desviando a atenção dos cantores para si mesmos ou para o “outro Jesus”.

         Qualquer tipo de espiritismo, ocultismo ou feitiçaria é condenado por Deus e no Livro de Gálatas (5:16-21) lemos que “os feiticeiros não herdarão o Reino de Deus”, enquanto no Livro de Apocalipse eles são destinados ao lago de fogo.  Quem compõe, canta ou aplaude esse tipo de música está se associando à feitiçaria e, portanto, caindo no desagrado do Senhor, podendo, com o passar do tempo, contaminar-se de tal maneira que não mais poderá suportar um ambiente espiritualmente saudável, mergulhando na apostasia religiosa.

         A mesma escritora alemã conta que certa vez um missionário americano levou alguns discos de música rock para os seus filhos escutarem na selva africana. Quando ouviram a música, os pagãos, que estavam sendo evangelizados, ficaram apavorados e indagaram: “Por que os seus filhos estão invocando os maus espíritos?

         Pois hoje, o que mais se escuta dentro das igrejas evangélicas são os ritmos xamanistas, enquanto os seus pastores, de tão preocupados em aumentar o rol de membros, pregam mensagens insulsas, sem o menor conteúdo soteriológico, pastores inúteis, que, depois de algum tempo, acabam ficando cegos, por causa da ganância,  e surdos pelo excesso de decibéis.

         P.S. - Gosto de alfinetar os pastores malaquianos na esperança de que eles criem vergonha na cara e se dediquem mais ao estudo e pregação da Palavra, como o tem feito o pastor da minha igreja, o qual,  embora não goste de mim, é tão respeitado por todos, principalmente por mim, que entendo do riscado...

 

Agosto 2004***************************************************

 

 

6. - O Senhor do Meu Destino   

 

Há exatamente cinqüenta anos, antes de sair do Recife, onde residia há três anos e tinha uma coluna semanal no “Jornal do Commercio”, deixei um artigo intitulado “Aventuras De Uma Cabeça Chata”, dizendo que estava me transferindo para o RJ, a fim de conseguir um bom emprego e um bom marido. Fazia oito dias que o Pres. Getúlio Vargas havia se suicidado, quando cheguei à Cidade Maravilhosa. Tinha o segundo grau completo, falava Inglês fluentemente e era boa em redação. Portanto, mesmo não sendo uma excelente datilógrafa, iria conseguir facilmente uma colocação na capital do país.

Minha amiga Solly já estava aqui há alguns meses, batalhando por um emprego, e fui para o mesmo pensionato em que ela estava residindo, na Rua da Glória. Ficamos unidas na esperança de conseguir trabalho e passaram-se dois meses até que Deus nos deu essa alegria, quando já estávamos comendo biscoitos com laranja, porque não tínhamos mais dinheiro para comer fora, e o pensionato dava apenas almoço (aliás, muito ruim) sendo o jantar uma sopa rala de feijão preto com massinha, coisa que nós, detestávamos (ainda hoje) porque no Nordeste não se comia feijão preto...

Depois de dois meses arranjei emprego temporário no “Bank of America” (dos jesuítas), onde fiquei dois meses, até chegar dos USA a secretária americana. O gerente foi tão generoso que me deu um mês de gratificação, quando fui despedida, garantindo-me, assim, um mês para arranjar novo emprego. Solly também conseguiu um emprego e estivemos sempre unidas, até o casamento de cada uma.

Dias depois consegui colocação no escritório da firma de um judeu alemão, cuja fábrica ficava em Duque de Caxias (Marobras), perto de um bairro que estava nascendo com o nome de Jardim Primavera. O gerente disse que só assinaria minha carteira profissional depois de um mês de experiência, o que era normal, naquele tempo. Em meu cargo de secretária bilíngüe comecei a datilografar suas cartas em Inglês e como o alemão errava muito nesta língua, resolvi corrigir seus erros. Ele era tão honesto que aceitava minhas correções (O oposto havia acontecido com o chefe inglês na Singer do Recife, o qual me despediu porque eu corrigia seus erros de Português, recusando-me a datilografar novamente as cartas, conforme ele exigia. Sempre fui corajosa!)

Eu até gostava do alemão, mas o escritório era velho e sujo e sempre tive mania de limpeza. Então coloquei um anúncio no jornal de língua inglesa que circulava na cidade e numa sexta feira fui convidada a me tornar secretária do diretor da firma inglesa Mappin & Webb, cujo chefe (Mr. Scarles) me aprovou no teste e comecei a trabalhar na semana seguinte. Falei com o alemão, explicando o problema, ele quis assinar minha carteira na mesma hora, dizendo que eu era muito eficiente, mas teimei em sair da firma, a qual me pagou honestamente duas semanas de trabalho. Louvado seja Deus!

Comecei a trabalhar na Mappin & Webb, uma loja muito chique, especializada na venda de jóias e pratarias. O escritório (particular) era limpo, com paredes de espelho, onde eu podia contemplar a juventude do meu rosto, a todo instante. Fiquei dois anos na Mappin e só deixei o emprego porque me casei com um alemão e fui morar no bairro Jardim Primavera, onde hoje funciona a Prefeitura de Caxias. (Foi na “Mappin & Webb” que aprendi a gostar de jóias).

Não posso me queixar da vida que levei, durante 38 anos, naquele recanto pitoresco, e muitas vezes tenho me comparado com a Maria do Carmo da novela “Senhora do Destino”, pois quando lá chegamos - meu marido e eu - o bairro era quase um matagal, com alguns imigrantes alemães, crescendo muito, para se tornar o mais próspero e belo da cidade.

Na presidência do Rotary Clube, o Schultze conseguiu telefone e asfalto para muitas ruas do bairro, embora hoje, depois que ele morreu, um certo comerciante, que chegou depois de nós e lá enriqueceu (ao contrário do casal Schultze), garante que foi o grande pioneiro a conseguir todos os melhoramentos do bairro. Sei disso porque quando Jardim Primavera completou 50 anos de fundação, houve uma festa enorme, com todos os pioneiros condecorados e ninguém se lembrou de mim (que vou preferir o galardão celestial), tendo eu sabido do caso através de um dos pioneiros (irmão do fundador, já falecido), que veio de Campinas, representando o irmão, e ficou indignado com o que me fizeram, tendo vindo a Teresópolis reclamar e me prestar solidariedade, quando aproveitei para dar um testemunho de minha fé em Cristo.

Depois de ter sido micro-empresária (na linha de cosméticos) por 36 anos em Jardim Primavera (que deve ser o bairro retratado na novela supra citada), vendi a firma e vim  morar em Terê, dedicando-me à pesquisa religiosa e me tornando a pessoa mais feliz e realizada deste planeta.

Nunca enriqueci (como aconteceu com a heroína da novela), mas tenho razões  excelentes para me sentir realizada: minha fé em Jesus Cristo, duas filhas e cinco netos lindos, uma boa aparência, saúde invejável, bons amigos, um trabalho gratificante e acesso diário à Internet, através da qual me comunico com metade do mundo, graças aos  conhecimentos da língua inglesa.

Hoje, dia 01/09/04, louvo e glorifico o meu Deus por tão grande salvação, por tão bela família, por me permitir escrever assuntos bíblicos e por todos os amigos e irmãos na fé, que me garantem total ausência de solidão. E me glorio unicamente na cruz de Jesus Cristo, o Senhor do meu destino! - Setembro, 2004.

 

7. - Pessoas Organizadas

 

Minhas amigas costumam dizer que sou uma pessoa muito organizada. Meus  panos de chão são alvos e passados a ferro pelos dois lados. Os panos de prato são alvos, ficam velhos e rasgam, sem jamais apresentarem uma nódoa sequer (odeio cloro). Minha louça é guardada, logo após ser lavada, enxugada e arrumada pelo tamanho dos pratos. As panelas e os talheres brilham, as gavetas são arrumadas e as contas todas pagas com antecedência de pelo menos três dias.

Mas sou muito desorganizada com papéis. Meu escritório tem tantos papéis pendentes e tantas caixas de artigos de jornal, cartas, e-mails e outros itens, que quando me disponho a organizá-los preciso de uns três dias. Isso sem falar nas estantes de livros, que me tomam dois dias para limpar cada volume e os colocar nos devidos lugares. Detesto mexer em papéis e por isso vou guardando numa pasta cada documento que devo usar na declaração do IR, pois se deixar para a hora de entregar ao meu contador, entro em pânico.

Para ser franca, não me acho organizada. Organizada, sim, era minha irmã Rosa, de quem vou falar agora. Ela e Dária (a outra irmã querida), já foram para o céu e formam o meu endereço eletrônico.

Rosa foi freira católica durante 10 anos, depois se desligou da
Congregação, formou-se em Enfermagem de alto padrão, em S. Paulo, trabalhou para o governo do Estado (sempre detestou o Maluf), aposentou-se em 1988 e voltou ao Ceará, a fim de cuidar de nossa mãe idosa. Com menos de dois anos de aposentadoria, faleceu de pancreatite  aguda, causada por uma lipoaspiração mal feita (por mim desaconselhada, pois tinha o mesmo manequim 42 que eu tenho e não precisava disso). Tinha menos de 55 anos, quando morreu. Ainda hoje choro a morte dessa tão amada Rosa, com quem estive sempre em contato, quer indo a S. Paulo, cada dois meses, quer vindo esta ao Rio. Rosa foi "arrebatada"  em maio de 1990. Fui vê-la, quando estava agonizando, mas cheguei tarde demais. Desde que Rosa deixou São Paulo passei a sofrer de "paulofobia" e nunca mais voltei àquela megalópole.

Rosa era tão organizada, que antes de ir para o hospital, onde deveria fazer uma cirurgia de pâncreas, deixou todas as suas roupas e jóias separadas em sacolas (pequeninas, médias e grandes) com os nomes de todas as irmãs e sobrinhos a quem deveriam ser entregues, em caso de sua morte. Eu lhe havia presenteado com uma meia aliança de ouro branco e brilhantes, quando ela completou 50 anos de idade. Pois ela deixou essa jóia e outras mais,  num saquinho de veludo, com o meu nome na etiqueta.

O Pr. Timofei Diacov, da Igreja Batista de Osasco, SP,  nos fala de um irmão da Igreja Presbiteriana, que faleceu em 1988, naquela cidade, elogiando ao seu senso de organização. Ele conta a respeito do irmão Antônio Ferreira de Morais:

Ele escolhera os textos bíblicos para serem usados durante o culto no velório. Recomendara que não houvesse flores e nem véu. Que a pregação para os presentes ao seu sepultamento, fosse bastante objetiva, sem fazer rodeios. Que o caixão fosse o mais simples possível. E que houvesse muitos cânticos durante o culto. Quanto aos seus bens, todos já tinham sido distribuídos entre os filhos. E outras providências mais, relativas ao seu sepultamento. Tudo em ordem e tudo preparado para enfrentar o momento derradeiro. Que outra pessoa faz isso, senão o cristão verdadeiro?”

Minha irmã era uma cristã verdadeira. Quando fui arrumar o quarto dela, encontrei a Bíblia marcada no Salmo 51 e na 1 Coríntios 13, seus trechos bíblicos favoritos.

Muitas vezes sinto uma saudade imensa, quando acordo de madrugada, choro muito e peço que Deus me leve bem depressa para junto dessa irmã tão amada, que foi minha melhor amiga, minha confidente e minha sócia na firma. Por mais que eu ame minhas filhas e netos, nenhum deles jamais poderia substituir essa Rosa, que era linda, elegante, perfumada, e tinha um caráter muito reto!

Minha outra irmã, que já está na glória, chamava-se Dária. Foi a filha mais obediente e mais doce que meus pais tiveram. Na Faculdade recebia as notas mais altas. Nunca teve um namorado e jamais foi beijada por um homem. Dedicou sua vida a Jesus e à nossa mãe. Cuidou dela até o dia em que morreu, vítima de um enfarte fulminante, deixando nossa mãe sem os seus cuidados de filha amorosa.

Até mais ver, minhas duas irmãs queridas. Logo estaremos juntas, dobrando joelhos diante do nosso Redentor amado, quando passaremos pelo Tribunal de Cristo, no qual vocês vão receber galardões de ouro e pedras preciosas, enquanto eu, provavelmente, verei minhas obras queimadas no fogo.

 

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8. - Ceia de Natal

 

A maioria dos brasileiros passa o ano inteiro comendo mal: arroz, feijão e bife, quase todo dia. Quando chega o final do ano essas pessoas resolvem tirar o atraso e preparam uma farta mesa para a Ceia de Natal. Nessa mesa expõem um enorme peru, massas de todo tipo, nozes, castanhas, frutas variadas e muitos doces. Mesmo com os preços astronômicos do bacalhau e das cerejas, por exemplo, as mesas de Natal neste país são um estouro em matéria gastronomia. É a noite da gula desenfreada, muitas vezes regada a vinhos e champanhe nacionais. Só de olhar para uma mesa assim eu sinto náuseas...

As pessoas comem, comem e mesmo sabendo que vão passar mal depois da Ceia, continuam comendo sofregamente, para no dia seguinte tomarem algum medicamento tipo Engov e outros do gênero. Diante da mesa de Natal esquecem completamente que a gula é um pecado. A gula prejudica o corpo, que é o templo do Espírito Santo, causando a morte prematura por enfarte, AVC, etc.

Tenho duas conhecidas crentes. Uma delas é tão gulosa que, muitas vezes, quando vamos ao self-service, além de colocar o dobro de comida em relação ao que eu coloco, ela ainda toma uma sobremesa, coisa que aprendi a evitar. E quando voltamos para casa, ela pára em frente a uma loja de tortas e pede: “Mary, come um pedaço de torta, já que eu estou proibida de comer doces por causa do meu diabetes. Eu vou me realizar só em ver você comendo a torta”.  Claro que eu jamais atendo esse pedido esdrúxulo.

A outra, mesmo sendo 15 anos mais nova do que eu, pesa mais de 80 kg, sofre de diabetes, osteoporose, pressão alta, colesterol e outros males da terceira idade. Tudo por causa da gula desenfreada. Quando saíamos juntas, ela comia mais do dobro do que eu como e três horas depois já estava lanchando, coisa que não faço. Por isso minha pressão  é 11,5 X 7,5 e não tenho doença alguma...

Minha família constava de 11 pessoas: meu pai, minha mãe e nove filhos. Mamãe (de ascendência nobre) colocava no prato de cada um de nós a comida que devíamos ingerir. Nunca tínhamos o direito de repetir e se alguém dizia que estava insatisfeito, ela nos dava uma laranja descascada e cortada em 4 partes para a sobremesa, fruta que comíamos com o bagaço, o que é muito saudável. Nosso pai tinha um sítio cheio de mangueiras, laranjeiras, bananeiras, e podíamos comer frutas à vontade. Ele tinha 27 vacas no curral, de forma que podíamos comer queijo puro, sem pão, daí termos ficado todos saudáveis, com ótimos dentes ... e magros.

Quando me casei com um Químico Industrial alemão, especialista em alimentos (pois criou as essências da Brahma, Kibon e outras empresas alimentícias), ele ficou admirado de me ver tão embasada em matéria de alimentação, pois já conhecia os hábitos nada salutares dos brasileiros. Ele sempre dizia que a pessoa que deseja ser elegante e viver muito precisa evitar: qualquer tipo de drogas, inclusive, fumo, álcool e medicamentos. Ela deve ingerir muitas frutas, legumes, pouca carne e muito suco de frutas. Deve tomar no máximo três refeições darias: café, almoço e jantar. O hábito de lanchar, que o brasileiro pratica desde a infância, não é saudável. O organismo precisa de muitas horas para tratar os alimentos ingeridos e a prática de comer mais de três refeições diárias vai sobrecarregando o fígado, os rins e outros órgãos vitais. A pessoa engorda e envelhece precocemente por causa desses maus hábitos.

Certa médica de clínica geral, com quem me consultei em 2001, ficou horrorizada quando eu disse que de manhã tomo apenas uma caneca de chá preto com suco de caju e açúcar, almoço carne branca, frutas e legumes, depois do meio dia, janto uma sopra de legumes e carne branca, e como frutas, à noite. Ela disse que é por isso que sou tão magra (peso 50 Kg) e posso até vir a contrair um câncer de estômago porque não me alimento cada três horas. Acontece que essa mulher (com idade de ser minha filha) pesa uns 90 Kg e deve ter ficado morta de inveja do meu físico e saúde perfeitos e por isso queria que eu engordasse alguns quilos. Agora ela está fazendo um regime violento para emagrecer e dizem que vai fazer uma cirurgia de abdome... Eu nunca fiz uma cirurgia em toda a minha vida!

Ontem preparei a Ceia de Natal para três pessoas; meu genro, minha filha mais nova e eu. Na mesa havia um presunto tender magro de apenas um quilo; uma salada mista sem maionese, e muitas frutas para embelezar a mesa e serem saboreadas. Nada de nozes, castanhas, perus (não sigo tradição alguma, pois “tradição” é “traição”, se tirarmos a letra “d”. Sigo Gálatas 5:1, literalmente: “ESTAI, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão”.  Não sigo este mandamento de Paulo apenas em matéria de religião, mas em todos os sentidos. SOU LIVRE, conforme a Palavra de Deus, porque ela me ensina TUDO que devo saber. Tenho sido feliz em todos os sentidos, pois em minha mente saturada de verdades, só tenho vontade de fazer o que Deus me ordena e por isso sou uma pessoa realizada.

 

Dezembro, 2003

 

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9. - Dária e “O Holocausto do Vaticano”

 

 

Meus pais tinham nove filhos, seis mulheres e três homens. Dária era a quarta na ordem cronológica e quase oito anos mais nova do que eu. Quando foi batizada sob os cuidados de “Nossa Senhora da Penha” (padroeira do Crato, Ceará),  servi de madrinha e tinha por ela um carinho todo especial. Ela até me chamava de “minha segunda mãe”. Dária era uma jovem linda, meiga,  fleumática e muito piedosa. Nunca namorou nem pensou em se casar, dizendo que iria cuidar de nossa mãe, quando todos os filhos fossem embora, pois havia nascido para isso. Trabalhou durante anos como secretária de um diretor da CHESF (Cia. Hidroelétrica do São Francisco) e se aposentou aos 55 anos de idade. Nessa época nossos pais já estavam separados.

Em 1997, nossa mãe teve um AVC, ficou paralítica e Dária, que já vinha cuidando dela há anos, assumiu toda a  responsabilidade, tendo desempenhado essa obra meritória, até o dia de sua própria morte.

Em 1999, quando eu estava na Alemanha e visitava o Parlamento em Dresden, liguei para Dária, do gabinete  do meu ex-genro alemão (então deputado pela Saxônia) e ela me disse que nossa mãe estava piorando e que eu voltasse depressa, pois ela se sentiria mais segura se eu estivesse no Brasil. Voltei e, poucos meses depois, Dária foi “arrebatada”.

No dia 28 de agosto de 1999, o telefone tocou e Odete, a irmã que vem logo depois de mim, avisou, com voz de choro, que Dária havia morrido de um enfarte fulminante (nossa mãe continua viva até hoje). Dária faleceu repentinamente, com um sorriso nos lábios, enquanto dormia. Suponho que os anjos de Deus vieram buscá-la e ela adormeceu sorrindo, de tanta felicidade! Na Bíblia de cabeceira havia duas passagens marcadas: Os Salmos 23 e 139, seus favoritos. Ela havia sido uma líder católica carismática e se convertera, ao Senhor Jesus Cristo (1997), lendo o livro "Por Amor aos Católicos Romanos", de Rick Jones, por mim traduzido para o Centro de Pesquisas Religiosas de Teresópolis.

Nossa mãe (que vai completar 96 anos em agosto),  costumava brincar dizendo que iria enterrar as três filhas favoritas. Daí por que estou aguardando a minha vez, enquanto ela ainda vive, pois sou a última da lista dessa venerável “profetisa”, que também se tornou uma crente fiel no Senhor Jesus Cristo.

Dária era o oposto de mim. Muito calma e humilde, jamais disse uma palavra sequer para desagradar as pessoas e acho que ela morreu de tanto engolir suas mágoas, pois não costumava desabafar com pessoa alguma, a não ser com o travesseiro, o qual,  muitas vezes,  ensopou de lágrimas. O último pedido que ela me fez, uma semana antes de falecer foi este: “Mary, continue ajudando financeiramente nossa mãe em sua invalidez e nunca a desampare. Mas, por favor, não venha a Fortaleza para visitar-nos, pois eu dou conta dessa obra,  com a ajuda das outras irmãs. Você é a filha mais velha e deve continuar fazendo suas pesquisas e escrevendo, com boa saúde física e mental”. Minha irmã era corajosa demais e agora, lá no céu, deve estar muito feliz ao lado do seu AMADO, como costumava chamar o Senhor Jesus Cristo.

No dia em que Dária faleceu, eu sofri tanto que pensei que iria morrer, logo em seguida. Contudo, três versículos bíblicos me sustentaram naquela hora: João 13:7: “O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois.”   Romanos 8:28: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.  Filipenses 4:7: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus”.  

Algumas horas depois de ter recebido a notícia, o interfone tocou e um rapaz de Niterói (pesquisador de Catolicismo Romano) perguntou se podia subir para me conhecer pessoalmente e entregar um livro. Apesar do meu estado deplorável, concordei. Ele chegou, expliquei o que havia acontecido, ele me entregou o presente e demorou pouco tempo. Quando saiu, dei uma olhada no livro, que era “The Vatican Holocaust”, de Avro Manhattan. Algumas horas depois, resolvi ler o mesmo, pois enquanto estou lendo, esqueço os problemas. Li todo o livro e no dia seguinte mandei copiar o dito em xerox (com letra 14) e decidi traduzi-lo. Durante dez dias fiquei ocupada na tradução manual, depois joguei tudo no computador e, um mês depois da morte de Dária,  o livro estava pronto. Mesmo depois de morta, Dária continuou “falando” (como Abel), pois fiz esse trabalho para esquecer a dor de sua morte.

Em 1997, eu havia traduzido três livros para o CPR:  - “O Próximo Passo”, (J. T. Chick), “Por Amor aos Católicos Romanos” (Rick Jones) e “Os Fatos Sobre a Vida Após a Morte” (John Anckerberg e John Weldon), além de vários folhetos evangélicos. Foi quando descobri que a melhor terapia para qualquer crise de depressão é ler e traduzir assuntos bíblicos e históricos. Avro Manhattan foi usado por Deus para me salvar da depressão que eu iria sofrer com morte de Dária. Depois disso, traduzi muitos outros livros (acho que uns 20 até agora), escrevi oito e estou viva, inteira e agüentando firme os embates da vida... Até que o Senhor me convoque para "trabalhar”, lá em cima, no céu!

 

Julho, 2004.

 

 

10. - O Velório da Sogra

 

         No tempo em que eu era criança, os nordestinos costumavam chamar velório de “sentinela”. Lembrei disso quando estava revisando o livro “A História de Antônio Dentão”, do meu amigo e irmão na fé, Jonas Morais, residente no interior da Bahia. À noite, tendo perdido o sono, comecei a me lembrar de uns versos de cordel que o romeiro Ezequiel, empregado de meu pai, costumava recitar para a garotada, tentando nos apavorar com a história de um velório. Vou tentar me lembrar desses versos:

         Visagem não me assustava, / feitiços, bichos iguais, / pensei que o inferno era o mundo, /regido por satanás. /Mas como a vida nos logra, / na sentinela da sogra/ eu fiquei fraco demais.

         Inda me lembro, era noite,/ a lua bem prateada, / a velha estava num banco,/ muito mal amortalhada, / a boca aberta no ar,/ como alguém que quer falar,/ mas não pode dizer nada.

         Na casa de sua filha / não houve choro, nem vela. / Houve foi muita alegria/ da parte do genro dela, / que dizia a toda gente:/ “esta velha renitente/ hoje esticou a canela”.

         A filha também dizia, / olhando pra filharada: “graças a Deus minha mãe/ parou a língua afiada. / Agora não há perigo/ de cair algum castigo/ dentro de nossa morada”.

         Disse o marido: “mulher, / corra lá na Manuela,/ na volta compre aguardente/ na bodega do Quintela. / Chame o pifeiro Zé Duque,/ vamos fazer um batuque/ em lugar de sentinela.

         Passe lá pela Maroca/ diga ao Mané para vir. / Diga a Chiquita que venha / beber, cantar e cuspir./ Traga o filho de mamar, / que é para ele chorar,/ quando quisermos dormir.

         Traga o zabumba do Teco, / o violão da Pureza, / a sanfona, o reco-reco/ e o pandeiro da Teresa./ Compre bolacha e biscoito, / pão traga somente uns oito, / pra não crescer a despesa”.

         “Marido, eu chamo o ferreiro / e o sacristão, também? “ / Disse o marido: “mulher, não me chame mais ninguém./ O sacristão e o ferreiro / todos dois são cachaceiros, / deixa estar, que eles vêm.

         Eu não gosto de beber. / Só bebo, caldo, café, / cerveja, aguardente e vinho/ para aumentar minha fé. Passe na venda do Jó, / compre um quilo de jiló, / pra ver o gosto que é.”

         Mais tarde cheguei pra perto, / escorei-me na janela. / A velha tinha encolhido / um pedaço da canela. / Mas ó, que negócio feio, / eu vou contar como veio / o povo pra sentinela.

         A Manuela chegou / com Pureza e Conceição. / Zé Duque chegou às oito, / com o seu pife na mão. / Logo depois chegou Teco, pegado no reco-reco/ da Tonha do Riachão.

         Chiquita entrou e sentou-se / com o seu filho chorão. / Era um menino amarelo, / danado pra pedir pão. / Chorou logo com voz rouca, / mas a mãe tapou-lhe a boca / com um pedaço de sabão.

         Beberam todos, comeram / e começou a função / com pandeiro, reco-reco, / cavaquinho e violão. Eu já ia me esquecendo, / quando foram aparecendo / o ferreiro e o sacristão.

         E começou o batuque, / com um “bendito” rezado. / Muita cantiga do povo, / que se aprendia em reisado. / Parecia até guerreiro / dançando muito ligeiro, / em dia santificado.

         A partir daqui, minha memória falhou. Só me lembro que a velha havia sofrido um ataque de catalepsia. De repente, levantou-se, todo mundo debandou apavorado, e mais um verso me veio à memória: “Do resto do pessoal / foi aquela debandada. / Pureza pulou a cerca, / porém ficou enganchada. / Gritou por São Nicolau, / saiu da ponta do pau, / mas foi pra casa rasgada”.

         Conta a lenda que o “Padim Ciço” apareceu, jogou água benta em cima da velha, que remoçou, se “converteu” e passou a ser conhecida como “Beata Mocinha”. Ficou tuberculosa e um dia, quando o “Padim Ciço” lhe ministrava a hóstia, ela teve uma hemoptise, vomitou sangue e ficou famosa como santa, porque diziam que “da hóstia tinha saído o sangue de Cristo”. Desse modo, aquele povo ignorante conseguiu dois santos de uma só vez: o “Padim Ciço” e a “Beata Mocinha”, os quais passaram a engrossar a fileira de Santo Antônio, São João e São Pedro, nas festas juninas.

         P.S. - Na época de finados, Juazeiro do Norte se enche de romeiros, que vão ali em busca das bênçãos do “Padim Ciço”, como eles o chamam. Em vez de buscar as bênçãos do Evangelho, esses infelizes procuram ser abençoados por criaturas humanas que já faleceram e, muito provavelmente, estão destinadas ao “lago de fogo”, simplesmente porque pertenceram à Igreja de Roma e, portanto, ignoravam completamente as verdades bíblicas. Pois, como disse o Senhor, “todos nós seremos julgados pelas Suas palavras” (João 12:48).

 

Junho 2004****************************************************

 

11. - O Defunto Perfumado

 

         No final dos anos 1970, meu marido e eu trabalhávamos arduamente na H. Schultze Ltda., nossa micro-empresa de anilinas e cosméticos, cuja linha levava o meu nome e era vendida em todo o Brasil para salões de beleza.

          Um dos produtos que mais vendíamos era a Loção Colônia West Berlin, criação do Schultze, com o meu toque feminino. Esse produto era composto de nove ingredientes, inclusive, essências importadas de lavanda, rosa e flor de laranja. Era mentol canforada e dava uma sensação de bem estar, servindo como desodorante e loção após banho e após barba. Era uma delícia de colônia.

         Na fabricação de anilinas tínhamos um funcionário, ex-massagista aposentado do Vasco, mulato forte e simpático, que sempre se lavava, no final do expediente,  do pó verde que lhe impregnava a pele, durante o processamento da anilina Fluoresceína, pedindo permissão para se perfumar com a colônia supra citada.

         Certo dia, quando meu marido saía do hospital, após um leve acidente de carro, a esposa do homem, que se chamava Mauro, veio nos procurar para dizer que o dito havia falecido, repentinamente, de um enfarte fulminante e o cadáver ainda estava no hospital. Tentei acalmá-la dizendo que a firma iria arcar com todas as despesas de hospital e funerária e prometi ir até o hospital para prestar-lhe ajuda.

         Botei o marido e a filha pequena para dormir e fui até o hospital, onde o corpo seria velado. Levei um frasco de West Berlin e fiquei a noite inteira velando o defunto, junto com os conhecidos que ali se encontravam. Lá pela madrugada, antes de fecharem o caixão, pedi permissão à viúva e falei com o morto: “Mauro, sei que você adorava a nossa colônia, por isso quero que vá para a sepultura encharcado da mesma”. Derramei um frasco inteiro de 120 ml sobre o cadáver, perfumando-o da cabeça aos pés. As pessoas que velavam o defunto deram uma salva de palmas, que até hoje não sei se foi para mim ou para o falecido.

 

Maio 2004*****************************************************

 

 

12. - Pluralidade e Longevidade

 

        Minha filha alemã costuma dizer que metade do catálogo de Berlim tem o sobrenome “Schultze”, que pode ser escrito de seis maneiras diferentes. Por esse motivo foi que me casei com um Schultze, conforme a narrativa abaixo.

         Estava entrevistando um Químico alemão em Jardim Primavera, RJ, no dia 29/04/1956, a fim de escrever um artigo por correspondência para o Jornal do Comércio do Recife. Ouvimos música erudita, conversamos na medida do possível, pois meu Alemão era mínimo e o Inglês dele era péssimo, sendo que o seu Português até dava para se entender mais ou menos, estando ele já há dois anos no Brasil. No final da conversa de mais de uma hora, perguntei o seu nome e ele respondeu: Hans Georg Max Paul Schultze. Escrevi o dito, pedi que ele conferisse e logo veio a surpresa num Português bem gutural: “Senhorita, muito linda e muito inteligente. Escreveu meu nome certo na primeira vez, quando em Alemão existem seis maneiras de escrever “Schultze”. Senhorita quer casar comigo?” Respondi que “sim” e, em menos de quatro meses, já estávamos casados. Infelizmente, ele só me agüentou por vinte e seis anos, teve um enfarte e morreu.

         Quase cinqüenta anos depois, acessando o GOOGLE, descobri que existem 85 sites disponíveis “com resultados de 18.000 para Mary Schultze”, o que me deixa bastante encabulada, pois se aqui no Brasil esse nome é  “VIP”, nos países de língua alemã e inglesa ele é vulgaríssimo!!!  Contudo, apesar dos milhares de “Marys” e “Schultzes” o nome que me designa é o mais badalado de todos, pelo menos na língua de Camões.  Não que eu seja assim tão importante, mas porque sou a velhinha mais louca da Internet, razão por que apareço com tantas críticas acerbas - nos sites católicos - e tantos elogios imerecidos - nos sites das igrejas evangélicas tradicionais - sendo que nos sites das igrejas malaquianas sou muito criticada.

Em geral os membros da família Macedo (à qual pertenço) sempre passam dos 90 anos de idade. Baseada nisso, pretendo chegar tranqüilamente aos 90, sem dar qualquer desconto aos inimigos que desejam me ver enterrada, o quanto antes. Meu pai morreu com 88 anos e assim mesmo porque tinha mania de pilotar motos envenenadas. Minha mãe vai completar 96 anos em agosto de 2004 e parece que não pretende morrer tão cedo. Só minha avó Quitéria, uma nobre senhora de ascendência portuguesa, morreu cedo - com  78 anos - e assim mesmo porque nunca foi ao médico, tendo falecido vítima de um câncer uterino, o qual,  se tratado a tempo, não a teria levado tão cedo!

Nos quatro anos em que escrevi na “Folha Universal”, recebi muitas cartas de apoio e, sobretudo, de ameaças. Uma dessas cartas me deixou especialmente feliz e vou contar o porquê de tanta felicidade.

Um réptil mineiro enviou-me,  de uma casa lotérica no centro de Belô, em papel timbrado da casa, uma carta anônima bastante violenta, cheia de ameaças e agressões. Nessa carta, ele falava 4 palavrões assustadores, os quais foram repetidos pelo menos seis vezes, perfazendo um total de 24 nomes de baixíssimo calão. Essa carta  foi a mensagem mais engraçada que recebi no “Dia da Senhora da Conceição”, meu aniversário. Esse réptil nojento, que tanto me injuriava por causa do artigo “Chegada de Wojtyla ao Céu”, em vez de me escrever uma carta contestando biblicamente as afirmações do que ali escrevi, preferiu me ameaçar de morte, dizendo que havia comprado um revólver calibre 38 e viria ao Rio para me assassinar “com uma bala perdida”.

Mas o que me levou a dar boas risadas foi que esse ignorante - no vernáculo e na Bíblia - disse que eu “não emplacaria o Ano 20001” (vinte mil e um). Além de cometer pelo menos 3 erros de Português em cada linha da carta, ele nem sequer soube escrever 2001, tendo colocado um zero a mais na data, o que me deu nada menos de 18 mil anos de vida, além dos que eu já vivera.

Depressa agradeci a esse católico papólatra/analfabeto essa longevidade, porque eu jamais esperei que Deus me desse tantos anos de vida! Ele me fez bater um recorde universal, até mesmo contra MATUSALÉM! Aliás, provavelmente Jesus voltará neste século 21, pois o mundo está tão podre que não dá mais para agüentar. Satanás deve estar muito ansioso, imaginando  quantos milhões de católicos mariólatras/papólatras ele vai “papar” no seu reino infernal, mandando aquecer suas caldeiras a 12.000 graus C, para receber esses coitados enganados pela sua Igreja.

Uma coisa é certa. Se esses católicos não se convencerem de que são pecadores perdidos, incapazes de conseguir salvação através de sua igreja e de boas obras... Se não compreenderem que só Jesus Cristo salva, arrependendo-se dos seus pecados, confessando-os ao Pai e aceitando humildemente o sacrifício de Cristo na cruz, como total e suficiente, irão todos para o inferno. E não adianta ficar confiando na “única igreja verdadeira”, numa boa temporada no lendário purgatório e noutras baboseiras romanistas, porque todos nós seremos julgados pela Palavra de Deus (João 12:48) e a Igreja de Roma já deletou a Palavra Santa, há muitos séculos, substituindo-a pela Tradição e pelas encíclicas papais. A prova disso são os seus dogmas fraudulentos.

Também não adianta esses católicos me enviarem e-mails  (como um deles,  metido a sabichão) citando Lutero e outros Reformadores, que fizeram elogios a Maria, porque eu não sigo Lutero, nem Melâncton, nem Zwinglio e nem Calvino. Sigo a Bíblia e somente a  Bíblia, principalmente uma Bíblia séria, embasada no Textus Receptus dos apóstolos, o qual foi organizado por Erasmo - a Bíblia King James  (em Inglês) e a FIEL (em Português). Não confio nessas “bíblias modernas”, cujos editores entraram em conluio com o Vaticano, publicando também material pornográfico, além da “Bíblia de Satanás”. Também não confio nas “bíblias” católicas construídas segundo a corrompida Vulgata Latina, todas elas embasadas nos textos Vaticanus e Sinaíticus, que o vasculhador de lixo,  Tischendoff,  encontrou no quintal do Mosteiro de Santa Catarina (no Monte Sinai), no século 19. Esses textos estavam no lixo, exatamente porque nem mesmo os monges católicos achavam que merecessem destino mais apropriado. Só que agora eles são “os mais antigos” para os apóstatas!

Despertem, amigos católicos!  A Igreja de Roma não tem e nem pode oferecer salvação porque só Jesus Cristo salva. Nosso grande Deus e Salvador não precisa da Igreja de Roma,  nem dos seus papas e, muito menos, dos seus padres, para outorgar salvação aos pecadores. Também não precisa da ajuda da Senhora Mãe Dele, que morreu e virou pó, como todos nós, pecadores destituídos da glória de Deus (Romanos 3:23).

 

Maio 2004*****************************************************

 

 

13. - Mulheres No Púlpito

 

         Após ter lido o meu artigo “Um Presente de Grego”, o irmão CMO me enviou um e-mail indagando: “Mulher pregadora???!!! Há-de me dizer onde tem suporte bíblico para tal!...” A esse lusitano (pela maneira de escrever), respondi  com impaciência: “Se não tem suporte bíblico, pelo menos, com tantos pregadores semi-analfabetos grassando por aí, quando alguém encontra uma mulher preparada na Bíblia, como eu, que já traduzi mais de 6.000 páginas, inclusive o Comentário Bíblico do Novo Testamento de  John Wesley e leio a Palavra Santa em três idiomas, até que dá para entender que me convidem para pregar. Só que nunca aceito, pois não nasci para isso. Minha vocação é escrever e traduzir assuntos bíblicos do Inglês e nisso o Senhor tem aproveitado bastante o meu talento, o que é motivo de louvor ao Seu Santo Nome.”

         Agora vamos analisar com mais calma a presunção desse fundamentalista fanático, que deve ser um tipo para lá de machista, vasculhando na Bíblia tudo que possa rebaixar a mulher.

         Primeiro, se ele é casado, a esposa deve sofrer um bocado em suas mãos, por causa do seu machismo. Segundo, se à mulher somente é permitido o que a Bíblia menciona, então a esposa dele não pode nem deve usar calças compridas, mas longos vestidos cobertos de túnicas soltas. Também não pode nem deve ter acesso ao rádio, nem ao telefone, nem à TV, nem ao computador, nem aos aparelhos eletrodomésticos, como: geladeira, liquidificador, espremedor de frutas, batedeira de bolo, forno micro-ondas, lavadora de roupas e louças, fogão a gás, etc., pois isso a Bíblia não menciona. Terceiro, como Jesus não condenou a “mulher adúltera”, aconselhando-a, em seguida, a não voltar a pecar, ele também fica obrigado a perdoar a esposa, se ela vier a cometer algum adultério. Quarto, como Jesus expulsou sete demônios de Madalena, ele deve levar a esposa a uma IURD, a fim de que um “pastor” daquela denominação expulse algum demônio que sua esposa, porventura, venha a incorporar. Se bem que, sendo uma cristã verdadeira, ela jamais poderia ser possuída por um demônio, pois, como diz a 1 João 5:18: “todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca”.  Quinto, a esposa dele não pode nem deve trabalhar fora de casa, a fim de complementar o orçamento doméstico, pois isso não era permitido no contexto bíblico. Sexto, a esposa dele jamais poderia ser uma diaconisa, pois os fundamentalistas fanáticos dão mil e uma explicações, garantindo que Febe nunca foi diaconisa, mas apenas “uma serva na Igreja de Cencréia” (Romanos 1:16).  Sexto, que Jesus não deveria, jamais, ter aparecido a Madalena, pois esta era  mulher e mulher no contexto bíblico era apenas um zero à esquerda. Sétimo, finalmente, que as heroínas do Velho Testamento deveriam ser todas deletadas da história bíblica, pois mulheres como Miriam, Débora, Ester e outras não poderiam, de modo algum, tomar qualquer iniciativa, nem mesmo para salvar a pátria!

         Se mulher não pode nem deve pregar no púlpito, o que iríamos fazer com algumas mulheres maravilhosas que conheço no Estado do Rio de Janeiro? Primeira - D. Tabita Kraule Pinto, reitora do Seminário Teológico Betel, onde estudei Teologia (Reitora? Será que esse ofício de mulher reitora está na Bíblia?) D. Tabita, com quase 82 anos de idade,  é a melhor  pregadora que já escutei em toda a minha vida. Segunda - A senhora mãe do pastor da PIBT, cujo filho deve ter com ela aprendido a ser um excelente pregador, seguindo a vocação e o exemplo maternos. Terceira - Almerinda (dois diplomas universitários, professora da FESO), cuja pregação por mim ouvida, há quase dez anos, num culto, fez-me decidir vir morar nesta cidade florida, onde tenho trabalhado para o Senhor e me sentido feliz e realizada. Quarta - Silvânia Pimentel, que tendo pregado num culto de aniversário aqui em casa, deixou minha filha alemã encantada com a sua maneira de entregar a mensagem.

         Diante de tais evidências, só lamento que esse irmão CMO seja tão fanático a ponto de discriminar a mulher, muito mais do que Paulo o fez, naquele antiqüíssimo contexto da Igreja Primitiva, quando a mulher ainda era apenas uma escrava do marido e uma geradora de filhos, que eram “o fruto do ventre e o galardão” do mesmo, conforme o Salmos 127:3. Isso porque, nesse tempo, a população do mundo era de poucas almas e não de seis bilhões, como a de hoje!

 

Maio 2004*************************************************

 

Trova do dia:

A coisa mais complicada / desta vida, pode crer, 

é se estar apaixonada / e ser forçada a esquecer!

 

14. - Love Story Alemã

Eles se conheceram na escola (1953), quando ainda eram crianças. Nasceu entre eles um amor lindo, que iria durar até hoje. Seus nomes, Hilmar e Inge. Em 1962 se casaram e logo aconteceu que a Alemanha Oriental estava separada da Ocidental pelo famoso “Muro da Vergonha”. Resolveram fugir, com a roupa do corpo, deixando para trás a família, e tudo  que  possuíam, porque a polícia da fronteira não cochilava e suas vidas corriam perigo. Conseguiram chegar à linda Bavária, na parte ocidental do país, e aí se fixaram precariamente, a fim de tentar sobreviver.

Hilmar era um  jovem, forte e belo. Conseguiu emprego de motorista na Fábrica de Móveis EKA, diante da qual iríamos passar várias vezes em nossa estada de 5 dias na Bavária. A cidade que escolheram foi a antiga Neustadt Aish, no bairro chamado Dietersheim.

         Neustadt Aish tem uma história muito interessante relativa  à Guerra dos Sete Anos. A cidade foi rodeada pelas tropas inimigas e estes cortaram todo o suprimento de comida, esperando que os habitantes morressem de fome ou se rendessem. Contudo os moradores de Neustadt Aish, quando já não tinham o que comer, resolveram apelar para um truque. Um herói se disfarçou de bode, botou a cabeça sobre o muro e lá ficou fazendo piruetas com a cabeça, para mostrar que tudo ia bem dentro dos muros da cidade. Os inimigos acharam que se um bode estava tão cheio de vigor, na certa ainda havia comida de sobra na cidade e, cansados do sítio, foram embora. Esse bode é o símbolo da cidade, como o Corcovado é o do Rio de Janeiro e o Dedo de Deus é o de Teresópolis.

         Hilmar trabalhava de motorista e Inge se tornou professora num kindergarten, num castelo da Idade Média. Mais tarde ele passou a ser inspetor dessa fábrica e, finalmente, vendedor de ferramentas, trabalho que ainda hoje executa.  Os anos se passaram, nasceu o Frank, hoje com 30 anos e já doutorado em Física pela Universidade de Chemnitz. Depois veio o Stefan, um rapaz de 24 anos, cujos olhos são de um azul tão profundo que não conseguimos definir se a cor é azul celeste ou turquesa. Stefan estuda Economia e trabalha em Nuremberg. Frank se prepara para vir morar e trabalhar no Brasil, estudando o Português com afinco e já falando razoavelmente bem a nossa língua. Ele pretende ser professor de Física na Universidade do Espírito Santo.

Hilmar e Inge formam um casal muito bonito e, sobretudo,  muito feliz. Ela é meiga, de olhos pequenos, e só fala alemão. É uma dona de casa perfeita. Hoje se dedica ao trabalho com deficientes físicos e mentais, numa fazenda perto de Dietersheim. Seu maior sonho é ver alguns netos correndo pela casa de dois andares, rodeada de um magnífico jardim repleto de rosas vermelhas, onde pudemos contar mais de 100 rosas, somente numa roseira.   O aniversário, formatura e noivado do Frank foram celebrados com uma festa para mais de 40 convidados, dentre estes a família Schultze. Nossos primos vieram de Berlim, Margarete veio da Saxônia com os 3 filhos e eu fui daqui para essa festa memorável.  Nunca vi tanta variedade de tortas e delikatessen em minha vida. Havia fartura de iguarias e bebidas finas e tudo correu de maneira extraordinária. A música era a sertaneja do Brasil, do tipo Leandro e Leonardo.  Quando a festa, que havia começado na 6ª feira (04/06) à tarde, terminou na segunda feira,  os convidados se retiraram e fiquei com aquela família maravilhosa por mais 3 dias.

Dali o Frank e a noiva Renate me levaram para Nuremberg, uma das cidades mais importantes da Alemanha, famosa no mundo inteiro porque lá se realizou o famoso julgamento dos criminosos de guerra nazistas, após a Segunda Guerra Mundial.  É uma cidade muito grande, de ruas espaçosas, prédios antiqüíssimos, catedrais imensas, castelo medieval de antigos reis poderosos, dominados por um clero mais poderoso ainda, com lojas amplas e moderníssimas. E o que mais nos agradou foi uma livraria de 5 andares, onde se podem comprar quase todos os livros do mundo, até mesmo em Português.

No 5º dia de nossa estada em Dietersheim fomos pela segunda vez à cidade de Rotemburg, onde visitamos o Museu do Crime, com centenas de instrumentos de tortura usados pela “santa madre” na antiguidade, a fim de manter as pessoas cativas ao regime papal. Rotemburg tem mais de mil anos e dentro da cidade contamos mais de 10 torres antiqüíssimas e sobre o largo muro que rodeia a cidade de 25.000 habitantes pudemos andar muito tempo, contemplando as belezas daquela cidade medieval, cheia de histórias fantásticas de tantas gerações passadas. Na torre mais alta - do castelo real, hoje “Rathaus”  (Prefeitura Municipal), conseguimos subir, pisando aqueles degraus de madeira antiga, que começam com 1,5 metro de largura e terminam com cerca de 40 centímetros, a largura exata para se colocar os dois pés. A torre que mais nos impressionou foi a Faulturm, (Torre Podre), onde a “santa madre” costumava colocar os prisioneiros. Dizem que a torre tem cerca de 50 metros de altura e o mesmo de profundidade. Lá dentro dos seus calabouços as “personas non gratas” à Igreja Romana eram jogadas e nunca mais saíam para a luz do dia, morrendo e lá ficando até que só restassem seus esqueletos. 

Da Bavária voltamos para a Saxônia, onde já havíamos passado 10 dias e de lá seguiríamos para Leipzig e Wittenberg, a fim de visitar a Igreja onde aconteceu a mais linda história de  amor alemã, aquela em que o monge Martinho Lutero desafiou o opressivo poder papal por amor às Sagradas Escrituras e ao Senhor do Universo, Jesus Cristo! Dali seguimos para Berlim e depois para Madri, ponto final de uma viagem de sonho, que durou 23 dias.

19/06/99*****************************************************

 

 

 

15. - Love Story em Nuremberg

 

         Ontem (07/09/04) foi comemorado o 68º. aniversário de fundação da nossa PIBT e quem pregou foi o Pr. Roque L. Carvalho, da Igreja Batista Memorial de Teresópolis. Roque apresentou uma ilustração interessante em sua mensagem, a qual fez-me lembrar de uma história que ouvi em Nuremberg, em junho de 1999, quando visitava aquela cidade alemã, numa excursão pelo circuito da Reforma. A jovem guia turística, falando Inglês, nos contou o seguinte:

        Numa das várias construções medievais de Nuremberg, muitos anos depois da Reforma Protestante, residia um nobre chamado Rudolf, cuja esposa se chamava Helga. Os dois se amavam muito e eram felizes. Rudolf havia se convertido ao protestantismo, lendo a Bíblia de Lutero, mas Helga, que era dirigida espiritualmente por um padre jesuíta, continuara católica e isso fez com que o casal começasse a se distanciar na convivência diária.

Rudolf estava sempre ocupado com a sua coleção de quadros de Albrecht Dürer, o mais célebre pintor de Nuremberg, cuja casa em estilo gótico, construída entre 1450 e 1460, foi por ele adquirida em 1509 e ali viveu Albrecht até sua morte, em 1528. Rudolf cuidava dos quadros, da política e dos negócios. Enquanto isso,  Helga sentia-se abandonada, procurando uma razão de viver que a religião católica não podia oferecer a uma dama da nobreza, a qual nunca lia a Bíblia.

        Certo dia, quando passeava pelo jardim, Helga observou a máscula beleza do jardineiro, um italiano moreno de cabelos negros. Conversou com ele, ficaram amigos e, dias depois, tornaram-se amantes. Quando descobriu o adultério da esposa, Rudolf se enfureceu e resolveu dar cabo do casal de amantes. Contudo,  a leitura diária da Bíblia lhe havia moldado a mente (João 15:3) e Rudolf não teve coragem de praticar esse crime. Mandou que o seu tesoureiro desse um punhado de moedas de prata ao italiano e que este desaparecesse do país e nunca mais ali voltasse, para não ser morto pela espada. O moço desapareceu, deixando Helga deprimida e  cheia de remorso, mas não de arrependimento.

        Agastado com o sofrimento da esposa, Rudolf resolveu dar-lhe uma dura lição, pensando em mandá-la de volta à casa dos pais, que residiam na Áustria católica. Certo dia, pela manhã, levou Helga para uma das muitas salas do casarão, entregou-lhe uma pá, uma enxada e uma picareta e lhe disse: “Vou trancar você aqui dentro. Com estas ferramentas você pode procurar uma saída secreta que existe nesta sala e fugir para a casa de seus pais. Meu tesoureiro vai lhe dar uma sacola cheia de dinheiro e você, levando sua ama de confiança,  poderá seguir tranqüilamente para a Áustria, que não irei persegui-la, nem condená-la pelo que me fez. Mas...  se não encontrar a saída, amanhã será morta”.

        Helga passou o dia inteiro trabalhando, à procura da tal saída secreta. Quebrou a única janela do aposento e viu que se dali pulasse iria morrer na queda, pois esta era alta demais. Quebrou um biombo e descobriu um corredor escuro, porém este dava para a câmara mortuária da família e Helga ficou apavorada. Tentou uma clarabóia no teto, mas esta dava para uma torre e não havia como escapar dali. Cavou um quadrado de madeira que havia no chão da sala de ladrilhos rústicos, mas sob o mesmo havia uma fossa imunda e mal cheirosa. Então, Helga desistiu de fugir... Sentou-se num canto da sala, chorou muito e sentiu um enorme arrependimento do pecado cometido, pedindo que Deus a perdoasse e, conformada, resolveu aguardar a morte que imaginava estar chegando naquela noite, ou no dia seguinte.

        De repente, seus olhos caíram sobre um livro de capa preta, jogado em cima de uma arca de madeira escura. Abriu o livro e leu em Mateus 10:39: Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á. Imaginou que seria uma mensagem divina e logo procurou outra passagem que pudesse comprovar aquele pensamento. Encontrou Apocalipse 3:20: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.

         Fez de conta que Jesus estava batendo à porta da sala, que deveria ter sido trancada pelo marido, tentou abri-la e ficou surpresa ao constatar que a porta não estava trancada e que as ferramentas que Rudolf lhe deixara haviam servido apenas para dar-lhe tempo de refletir sobre o seu erro e chegar ao arrependimento.

        Saiu da sala, foi andando em direção à capela familiar e lá encontrou Rudolf ajoelhado sobre o genuflexório de veludo vermelho, orando por ela. Ajoelhou-se ao lado do marido, chorou muito, pediu que este lhe perdoasse o pecado cometido e, de repente, sentiu o braço de Rudolf rodeando-lhe o ombro, em sinal de perdão.

         Obrigada, Roque, por me fazer relembrar esta história tão comovente, a qual estava arquivada no mais profundo recanto de minha memória setuagenária.

 

Setembro 2004*************************************************

 

 

16. - Quem Ama o Próximo?

 

“E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;e, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar. Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira” (Lucas 10:25-37). 

Sempre li esta passagem de Lucas e fiquei imaginando como seria possível amar ao próximo como a mim mesma. Impossível, pois quando amo alguém como a mim mesma estou desistindo em parte da minha individualidade. Como poderia Jesus exigir isso, uma vez que Ele é o autor da vida e foi Ele quem me deu a individualidade que é a chave do mais recôndito do meu ser?

Foi então que atentei nos versos 36-37, os quais estão grifados, e entendi o que Jesus quis dizer com amar ao próximo como a mim mesma. O meu próximo não é qualquer pessoa. Pode ser minha mãe, que me ama sem exigir nada em troca e, nesse caso, sou obrigada a amá-la como a mim mesma. Pode ser minha filha, que tanto precisa de mim e por isso está sempre dizendo o quanto me ama. Poderia ser meu marido, que fazia tudo para me ver alegre e feliz... Mas, acima de tudo, pode ser qualquer pessoa que tenha feito algum sacrifício por mim. Essa pessoa, que deixou de pensar em si mesma para se preocupar comigo, pelo menos durante algum tempo,  é um exemplo clássico do meu próximo. Como dela recebi algo especial, tenho a obrigação de amá-la como a mim mesma, já que ela me amou de verdade, no momento em que eu dela muito precisei.

Digamos que uma amiga sofreu um grave acidente. Poucas pessoas foram visitá-la durante os meses em que ela ficou parada em casa, sem poder andar nem trabalhar. Digamos que eu tenha ido pelo menos duas vezes por semana à sua casa, conversado com ela, lido a Bíblia e lhe dado carinho. A partir desse tempo, quando ela ficou boa, deve ter passado a me considerar como “o seu próximo” e deve ter sentido a obrigação de me amar como a si mesma, pois eu dei provas de que a amei como a mim mesma.

A verdade é que devemos amar as pessoas fraternalmente, mas chegar a ponto de amá-las como a nós mesmas é bem difícil.  Contudo, se essa pessoa, em algum ponto de sua vida, fez um sacrifício por nós, temos a obrigação de amá-la como a nós mesmas, visto como se tornou realmente o nosso próximo.

O resultado dessa descoberta que fiz lendo Lucas 10:25-37 é que, a partir de agora, vou tentar ser uma pessoa melhor, menos egoísta, mais sensível ao sofrimento das pessoas, pois assim poderei ter a certeza de que essas pessoas irão me considerar como o seu próximo. E poderão, de um certo modo, me amar como amam a si mesmas.

E como Deus é Amor, sabemos que Ele nos amou primeiro, pois deu a sua vida em resgate por nós, sem nada exigir em troca. Jesus, nosso grande Deus e Salvador, é o mais legítimo de todos os nossos PRÓXIMOS! Só que, sendo DEUS, Ele deve ser amado acima de todas as coisas!

 

Abril 2004*****************************************************

 

Trova do dia:

 

Um grande abraço apertado/ na carta tu me enviaste.

Quando estiveste ao meu lado / por que nunca me abraçaste?

 

17. Quem Deseja Ser Feliz?

 

Os psicólogos americanos imaginam ter encontrado a receita para a felicidade. Só que eles não conhecem a Bíblia, pois, se a conhecessem bem, teriam sido mais honestos e diriam que apenas copiaram os preceitos bíblicos, para ensinar a encontrar a felicidade. Vamos enumerar sete itens apresentados pelos tais psicólogos.

1. - As pessoas felizes são aquelas que passam o menor tempo possível sozinhas, pensando em si mesmas - Jesus estava sempre em atividade positiva no meio da multidão, agindo em favor dos enfermos e deprimidos, dentro da comunidade. Ele deu vida e alegria a uma porção de seguidores e separou doze homens que chamou apóstolos - ofício que jamais poderia ser transferido para outras pessoas.

         Através desses homens Ele estabeleceu a Sua Igreja. A Igreja Primitiva era uma comunidade de entrosamento pessoal e de crescimento espiritual. Leiam o Livro de Atos.

2. - As pessoas felizes jamais se julgam pelo que as outras pessoas fazem ou possuem, isto é, jamais se comparam com os outros - A Bíblia é clara quando diz que não devemos nos medir pelos outros, mas somente pelo cânon da Palavra de Deus, que é suficiente para formar um cidadão perfeito (2 Timóteo 3:16-17). À medida em que obedecemos à Palavra de Deus, logo nos enchemos de bênçãos e de alegria interior.

3.O materialismo é tóxico à felicidade - Isso podemos ver na parábola do jovem rico: “E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna? E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos. Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda? Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me. E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades” (Mateus 19:16-22). Como vemos, o jovem, que tanto desejava ser salvo,  escolheu a riqueza e por isso perdeu a oportunidade de encontrar a verdadeira e eterna felicidade.

4. - O otimismo é importante, mesmo em tempo de angústia - Jeremias 32:17 diz: “Ah Senhor DEUS! Eis que tu fizeste os céus e a terra com o teu grande poder, e com o teu braço estendido; nada há que te seja demasiado difícil”. No último capítulo do Livro de Jó,  42:2, depois de ter padecido tanto, ele exclama: “Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido”.  Sempre e sempre a Bíblia nos oferece exemplos de pessoas que se recusaram a ficar abatidas pelas más circunstâncias e eventos, pois sua esperança estava no Senhor e por esse motivo puderam repousar em sua paz interior.

5. - As ações são importantes. Não é exatamente o que se crê ou visualiza na vida que pode contribuir para a nossa felicidade. As pessoas que se dão aos outros e não se limitam a si mesmas são mais felizes na vida.

         “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Doar é um princípio bíblico e a maior doação que o universo testemunhou foi a de Deus Pai, entregando o Seu Filho para morrer em nosso lugar. Devemos dar, quer isso envolva dinheiro, serviço, alimento, proteção, tempo ou talento. O resultado de DAR é sempre benéfico e abençoado por Deus.

6. - As pessoas felizes sentem-se fortes e usam sua força para fazer o bem. Somos mordomos da glória de Deus e devemos usar nossos dons para a Sua glória. Quando usamos os dons que Ele nos deu, sentimo-nos felizes, pois estamos trabalhando em algo que é uma espécie de lazer e, portanto, não nos cansamos. Os psicólogos chamam isso de “movimento no ar”. Os crentes são movidos pelo Espírito Santo.

7. - As pessoas agradecidas e perdoadoras são mais felizes - Somos eternamente gratos a Jesus pelo Seu sacrifício vicário na cruz do Calvário em nosso favor.  A gratidão genuína faz com que transbordemos de felicidade. Somente quando somos gratos a alguém é que podemos realmente considerá-lo como o nosso próximo, passando a amá-lo como a nós mesmos. 

Quando amamos de fato,  perdoamos com mais facilidade. Os benefícios do perdão são amplamente documentados pela psicologia secular e cristã. Perdoar não é uma opção do cristão, mas uma obrigação, conforme o Senhor nos ensinou: “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mateus 6:12).

A conquista da felicidade não é difícil, quando deixamos de pensar somente em nós mesmos. Ela não está nos eventos, no dinheiro, no poder, nem na fama. Ser uma celebridade implica na perda da privacidade e da autenticidade. A cultura ajuda, mas não é essencial, pois existem muitos pobres de cultura e dinheiro que são mais felizes do que alguns homens de ciência e celebridade. Nos países mais ricos do Primeiro Mundo o número de suicídios é bem mais elevado. A felicidade é uma opção que poucas pessoas e nações conseguem fazer acertadamente, segundo o Salmos 144:15: “Bem-aventurado o povo ao qual assim acontece; bem-aventurado é o povo cujo Deus é o SENHOR”.

 

Artigo inspirado no trabalho de Linda S. Mintle, “What Makes You Happy?

 

Abril 2004*******************************************************

 

 

18. - Minha Nova Amiga Marina

 

         Conheci-a numa loja de modas, na Travessa Feo, quando ia almoçar no “Cantinho do Osvaldo/Lucy”, numa quarta feira de outubro, em companhia de minha filha Rose.

Ela me encantou por vários motivos: Primeiro, por ser uma excelente vendedora, a ponto de quase ter convencido minha filha a comprar um vestido de R$240,00, quando esta havia fixado o preço máximo da compra em R$60,00.  Segundo, porque tem um olhar tão puro e sincero que me agradou como pessoa humana. Terceiro, porque descobri que ela é uma crente verdadeira, que tem sede de conhecer a Palavra de Deus, daí a sua honestidade no trabalho que faz, não somente para ganhar um salário, mas para se realizar como pessoa humana.

         Fiquei de tal modo fascinada pela beleza interior de Marina que fui novamente à loja de modas procurá-la para conversar. Passei mais de uma hora contando minhas experiências como crente no Senhor Jesus Cristo, enquanto  Marina me contou um pouco e sua vida, nos últimos anos.

         Ela tem duas filhas adolescentes, criadas segundo as regras de fé e prática da Palavra Santa, filhas que lhe dão muita alegria e realização. Atualmente, Marina e o marido estão com a vida financeira organizada, depois de terem atravessado uma fase realmente difícil. Perderam seus bens, quando moravam em Copacabana (RJ), e se mudaram para esta cidade, onde vieram tentar uma vida mais simples. Aqui eles começaram do zero, vendendo queijos de porta em porta, sem carro para fazer as entregas, e morando de aluguel. Com a sua capacidade de trabalho e a ajuda de Deus, as coisas foram melhorando, Marina foi trabalhar na loja, onde encanta os clientes com a sua competência, e o marido já se fixou num bom trabalho. Marina e o marido se converteram há pouco mais de um ano e freqüentam uma igreja evangélica no centro da cidade.

         Sabendo  o quanto Marina deseja crescer na graça e no conhecimento da Palavra de  Deus, levei para ela um Comentário de Mateus e Marcos, de  John Wesley, por mim traduzido em 1998. Levei também alguns artigos meus, pois, além de outras virtudes, Marina gosta muito de ler. Eu sempre digo que uma pessoa pode ter duas ou três faculdades, mas se não gosta de ler continua fraca no vernáculo e em conhecimentos gerais, o que acontece à maioria dos nossos irmãos na fé, que preferem se plantar diante da TV, em vez de ler a Bíblia...

         Tenho um amigo chamado Jonas, que mora no interior da Bahia (Rio Real) e só tem o curso primário. Mas como lê muito e tem uma inteligência privilegiada,  já escreveu três livros, que me enviou para serem revisados, os quais me deixaram maravilhada com o seu desempenho como escritor.

         (Quando voltei pela terceira vez à loja, levando uns artigos para Marina, conheci a dona da mesma, Helena, uma loura de olhos verdes, muito charmosa, cujo sonho é escrever um livro autobiográfico, mas diz que não tem jeito para isso. Ofereci-me para escrever o tal livro e ela diz que vai me dar um esboço. Como adoro escrever, isso vai ser moleza para mim).

         Não sei quais os cursos que Marina freqüentou, mas notei que ela tem uma excelente cultura geral, provavelmente em razão do seu amor pelos livros. Ela é a número 3 da minha lista de amigas com esse nome. A primeira é Marina Marinho, que mora atualmente em Londrina, tendo residido nesta cidade, por alguns anos, quando costumávamos sair juntas e ler bons livros evangélicos, para depois comentar o que havíamos aprendido. A segunda é Marina, membro de nossa PIBT, que edifica os membros da Igreja com a sua cultura bíblica e capacidade de transmitir os seus conhecimentos nas reuniões da congregação.

Para estas três Marinas tão queridas quero entregar um poema que fiz para o nosso melhor amigo, Jesus Cristo, o Messias de Israel: 

 

Preciso de um Amigo

 

Que me olhe bem nos olhos, quando exponho meus lamentos.

Que escute minhas tristezas, com paciência e atenção.

E mesmo sem entender-me, respeite os meus sentimentos.

Preciso de alguém disposto a ficar sempre ao meu lado.

Que não me dê o desgosto de ter de ser convocado.

Preciso de um amigo que sempre possa dizer-me

verdades que não consigo falar nem ouvir sozinha,

mesmo sabendo que posso odiá-lo por tal coragem.

Num tempo de ceticismo, preciso de alguém que creia

nessa coisa esplendorosa, quase desacreditada,

numa amizade sincera, linda e desinteressada.

Que teime em ser tão leal, tão simples, justo e sincero,

que não ponha o pé na estrada, quando o meu ouro for  zero.

Preciso de um amigo, repleto de compaixão,

que na hora da tormenta me segure forte a mão.

Mesmo que me ache fraca, indigna e quase venal,

na hora da provação, de minha fragilidade.

Um amigo que na ausência me faça sentir saudade

e que, ao chegar a velhice, ampare o meu coração.

Preciso de um amigo que me seja companheiro,

nas festas, nas pescarias, nas tristezas e alegrias.

E que em meio às tempestades, possa até gritar comigo,

desafiando as divindades, sem temer o seu castigo.

Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo,

mas posso escolher o AMIGO, buscando-o no mais profundo

desta alma que Ele criou. E nessa busca me empenho,

porque a sua AMIZADE tão simples, tão rica e bela

vai ser meu ancoradouro de paz e felicidade.

Desse AMIGO não desisto, ontem, hoje, nunca mais.

O seu nome é Jesus Cristo - REI de toda a eternidade!

(Inspirada no poema de Charles Chaplin, "Preciso de Alguém".)

 

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19. Petra, a Cidade Fortaleza

 

       Os eruditos em Escatologia Bíblica são unânimes em afirmar que a cidade onde os judeus irão se refugiar, nos três anos e meio da Grande Tribulação, quando o Anticristo se revelar como o “homem do pecado”, sentando-se no trono de Jerusalém e perseguindo implacavelmente o povo de Deus, será uma cidade hoje um tanto abandonada conhecida como PETRA.

Desde os tempos mais remotos, PETRA era a fortaleza central da nação judaica. Os árabes modernos a chamam de Wady Musa. Os antigos sírios, segundo Josefo, a chamavam de Requém, por causa de Requém, o príncipe midianita  que caiu numa batalha contra Israel, em Moabe, nos dias de Finéias, quando também foi morto Balaão, o profeta filho de Beor (Números 31:8).

Pela sua situação e beleza natural, PETRA é única entre todas as outras cidades da terra. É quase impossível descrevê-la adequadamente. Sua situação, bem abaixo e em meio às montanhas de Seir, rodeada de todos os lados  por rochas coloridas, de uma beleza e grandeza inigualáveis, fez de PETRA uma das maravilhas do deserto. Nela se entra por uma garganta estreita, com mais de um quilômetro de extensão, chamada Sik ou fenda. Esse desfiladeiro é uma das avenidas mais formosas e românticas do gênero em toda a natureza, com um pequeno arroio ao fundo, em quase  toda a sua extensão. A garganta é estreita e profunda, sendo por vezes tão reduzida que fica quase às escuras em pleno meio dia. As rochas que a limitam são formosas, ostentando quase todas as cores do arco-íris. Ao sair da mesma, em grande planície (com mais de um quilômetro de extensão por 2/3 de quilômetro de largura), o explorador se depara com moradas cortadas na rocha, sepulcros, templos e outras escavações, por todos os lados. Centenas destes em sua maior parte são, de fato, mausoléus originais, cortados literalmente na sólida rocha granítica. As ruínas de um castelo, de edifícios e dos arcos de uma ponte, além de colunas, são vistos espalhados ao fundo do sítio da cidade. As cores das rochas aumentam imensamente o atrativo do local. A natureza tem organizado em faixas alternadas as cores mais belas, tais como o roxo, púrpura, alaranjado, amarelo, branco, lilás e outras cores, as quais se matizam artisticamente entre si, fazendo ondulações com esplendorosas e fantásticas figuras causadas pela filtração dos óxidos e ferro, manganês e outras substâncias, que, com freqüência, produzem nos granitos variedades de cores e uma formosura especial.  A cidade inteira e seus arredores formam um imenso labirinto de montanhas e rochas, escavações, gargantas e vales estreitos, planícies e mesas, pequenos vales sombreados e alegres promontórios, tudo muito grandioso e belo. Aqui se tem justamente um ideal de beleza e proteção que pode satisfazer qualquer nômade oriental, como uma fortaleza de tráfico e comércio.

         Infelizmente, reina agora uma desolação dentro e ao redor de PETRA, e por todos os lados, por causa da ausência de séculos do povo judeu que dela cuidava, o que tem atestado tristemente as admoestações de Obadias, que tanto amaldiçoou a cidade rochosa, quando nela habitavam seguros os grande  inimigos dos judeus - os edomitas.

         Lendo tanta coisa linda a respeito de Petra, imaginamos os judeus escondidos ali, durante os três anos e meio em que o grande dragão de Apocalipse 12 estará perseguindo a “Mulher vestida de sol... com uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça” (Israel), enquanto espera a chegada do seu LIBERTADOR, Jesus Cristo, o Messias!

 

Informações colhidas no livro “The Twelve Minor Prophets”, de George L. Robinson, por mim traduzido.

 

Fevereiro 2004*************************************************

 

 

20. - O Homem Que Sabia Javanês

 

         Um dos artigos mais interessantes que li em toda a minha vida tem o título acima e foi publicado no jornal “Gazeta da Tarde”, RJ, em 28/04/1911, pelo escritor Lima Barreto. Recebi-o de um “neto” culto e inteligente, que vive descobrindo essas preciosidades na Internet.

         Castelo era um funcionário público mal remunerado, que devia a Deus e ao mundo e estava quase para ser despejado da pensão onde morava no RJ. Viera de Canavieiras, Bahia, para tentar a vida na capital do país e mal conseguia sobreviver com o minguado ordenado que recebia na repartição onde trabalhava.

         Certo dia leu num dos jornais da cidade um anúncio interessante publicado pelo Barão de Jacuecanga, procurando um professor de Javanês. Castelo jamais tinha ouvido falar dessa língua, mas teve uma brilhante idéia. Iria se tornar um professor de Javanês e aumentar os seus rendimentos. Consultou a Enciclopédia Britânica e outros livros de história e geografia, aprendeu tudo que pôde sobre a Ilha de Java e decorou algumas frases em Javanês. Logo que se sentiu capacitado para se tornar um professor de Javanês, compareceu diante do Barão e se ofereceu para o cargo, com aquelas poucas frases que havia aprendido na língua de Java. Foi bem recebido e depois de passar por um interrogatório minucioso, foi aceito como professor de Javanês e começou a falar da geografia de Java, da sua história e de tudo que havia aprendido na Enciclopédia e nos livros, esperando ganhar tempo. Assim continuou por algumas semanas, deixando o Barão encantado com a cultura javanesa do professor. Quando o repertório de conversa fiada já estava se esgotando, Castelo foi “agraciado” com a morte do Barão, que lhe deixou uma gorda fortuna. De repente ele se tornou tão famoso que foi enviado ao Exterior para representar o Brasil num Congresso de Cultura e ao regressar foi nomeado Cônsul em Havana, tendo, daí em diante, gozado do maior prestígio junto ao governo brasileiro.

         Não resta a menor dúvida de que Castelo foi um grande espertalhão, que se valeu de algumas frases em Javanês para garantir o seu futuro.

Nos últimos 25 anos têm aparecido muitos “Castelos” neste país em matéria de Evangelho. Um sujeito se torna membro de uma igreja evangélica neopentecostal e aprende uma dezena de versículos bíblicos. Deixa a igreja onde conseguiu aprender um pouco de Bíblia e funda uma igrejinha de fundo de quintal. Concentra-se em versos tipo “minas de ouro”, como Malaquias 3:7-12 e outros do Velho Testamento. Esquece o Novo Testamento por completo e fica exigindo dinheiro dos pobres semi-analfabetos bíblicos que freqüentam suas igrejas e vai ceifando esses coitados, que muitas vezes lhe entregam até o dinheiro da passagem, voltando a pé para casa. Esse pastor mentiroso prega uma falsa teologia conhecida como “Teologia da Fé/Prosperidade”, através da qual  quanto mais o membro de igreja entrega ao pastor mais enriquece na vida.

Realmente, essa “teologia” de araque funciona... Mas não para o membro da igreja, e sim para o pastor. Da igrejinha de fundo de quintal o homem já se transforma em dono de uma ou várias igrejas, dentro de poucos anos, pregando a mesma teologia falsa e enchendo os bolsos à custa dos pobres coitados que seguem literalmente os seus mandamentos, deixando de estudar a Bíblia, porque o Velho Testamento é muito complicado e o pastor nunca cita o Novo!

No Brasil temos centenas de “igrejas” desse tipo, fundadas por “Castelos”  espertalhões, que enriquecem rapidamente à custa dos desavisados. E o pior é que muitos levam vidas indignas, dando péssimos exemplos e por isso não conseguem levar os membros de suas igrejas a praticar uma vida reta e santa como deveria ser. Quem mente em o Nome de Jesus, a Verdade que liberta da mentira religiosa, é mentiroso duas vezes. Mentiroso porque usa o Nome Santo para pregar “outro evangelho” e “outro Jesus”, e mentiroso porque não está ali  para salvar almas, mas apenas para encher os seus bolsos e rechear a sua conta bancária. Enquanto isso, os crentes dessas igrejas são tão ou mais cegos do que o governo brasileiro foi com o Castelo, no início do século 20.

Imagino como esses “Castelos” da religião devem enfrentar a condenação divina, logo que deixam esta vida e comparecem diante do Senhor. Na certa escutam de Jesus aquelas palavras de condenação contidas em Mateus 7:21:23: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”.

 

Dezembro 2003*************************************************

 

 

21. - Sílvia no “Harrods”

 

         Sílvia é uma jovem (solteira) de 26 anos, que esteve estudando por mais de dois anos numa missão evangélica (na Inglaterra) e se saiu muito bem, embora muitas vezes encontrando erros doutrinários em seus professores, um tanto liberais para o nosso gosto, e em suas colegas de estudos bíblicos, que pouco entendiam de Bíblia, como acontece à maioria dos crentes europeus. Ela voltou ao Brasil e temos nos correspondido semanalmente pela Internet. Hoje recebi dela esta mensagem, que me deixou muito  feliz, ao ver quanto essa menina tem crescido na graça e no conhecimento do Senhor. Leiamos:

“Lendo hoje alguns artigos da minha mãe espiritual, Mary Schultze (de sua recente apostila - Colar de Lazulitas), senti uma afinidade imensa com a personalidade dela, pois temos os mesmos pecados. Tenho um árduo problema  com a língua e outro com o consumismo. Falando ainda em Mary, certa vez ganhei dela um anel de prata com lindos detalhes, anel que se tornou um membro do meu corpo, e que uso 24hs por dia. Ele parece uma aliança e todo mundo o acha lindo! Por ter formato de aliança eu o tenho como uma aliança de compromisso com os meus princípios cristãos. Minha ‘roommate’ (companheira de quarto) Betty, da Hungria, certa vez perguntou se era uma aliança de compromisso, então expliquei-lhe que era, sim, e compartilhei com ela as boas novas de Deus. Eu nunca disse a Mary que já por duas vezes o presente dela virou assunto (especialmente para a vida da Betty, que na época estava tão distante de Deus), com um efeito maravilhoso.

Nos USA virou moda o uso de uma pulseira com as inicias WWJD,a abreviação de (What would Jesus do), isto é, ‘o que Jesus faria’, a qual os jovens usavam para se lembrar do que Jesus faria em certas circunstâncias e isso os levava a agir corretamente (embora funcionasse apenas com alguns). Pois o anel começou a ter o mesmo significado, me lembrando compromisso, me lembrando aliança, aliança sem fim ... com o meu Deus. Além disso, ele combina com tudo, pois tem detalhes dourados.

Já vi que sou uma consumidora de baixo escalão. Certa vez, visitando a ‘Harrods’, em Londres,  vi um grupo de mulheres árabes fazendo compras. Até mesmo os turistas e ingleses ricos vão à ‘Harrods’ para comprar algo, embora para ‘fazer compra’ na ‘Harrods’ seja preciso ser muito rico... Fiquei indignada com o preço de um prendedor de cabelo vendido por 60 libras (300 REAIS), o qual era feito de plástico e estava dentro de um enorme cesto, sabendo que posso comprar essa  mesma peça por 50 centavos aqui no Brasil. Pedi uma explicação para aquele preço, mas não consegui e garanto que esse era o preço, pois me certifiquei, tendo analisado bem o prendedor de cabelo, no qual nada estava escrito, não sendo, portanto,  de ‘marca’, como  Dolce & Gabana, Christian Dior, CK, Channel, sendo tão somente um prendedor de plástico. Naquele momento, senti-me o ser humano  mais pobre da terra e  esse fato me marcou muito. Depois daquele dia, vi que minhas ambições não eram tão altas assim e que cada um sabe até onde pode alcançar. Acho que comprar aquele prendedor, mesmo que eu fosse filha do Rei da Arábia Saudita, seria uma falta de respeito, falta de amor pela raça humana... Se ao menos fosse um vestido desenhado por algum costureiro ilustre... Mas um simples prendedor de cabelo... é demais!

Sou tão ligada nos problemas do mundo e na fome na África que comprar um prendedor de R$ 300,00 seria um desrespeito aos meus princípios. Mas confesso que, às vezes, quando fico muito triste, saio de casa, compro alguma coisinha e volto com um sorriso no rosto, pois gastar sempre me deixa feliz, contanto que seja com roupas,  sapatos, enfeites, perfume, maquiagem... Só espero que a pessoa com quem eu me casar descubra esse meu segredo...

Na ‘Harrods’ tudo é caro demais. A loja é linda, mas as pessoas que ali fazem compras não pertencem ao mundo real. Olhar para aquelas princesas, cobertas dos pés à cabeça, simplesmente apontando o que desejavam comprar,  enquanto os servos pegavam, me fez pensar que eu tenho uma liberdade que elas não possuem, sabendo que em seu íntimo elas invejavam algo que eu tinha e que todo o dinheiro que elas possuem jamais poderia comprar. Foi então que me senti milionária, sabendo que elas nem sequer podem exibir as roupas que compram ali, e também sem falar das ricas européias que podem mostrar o que compram, mas vivem tão deprimidas que não podem enxergar o brilho das jóias que elas compram...

Os pobres gostam da frase: ‘dinheiro não trás felicidade’, mas esta frase poderia também ser ‘pobreza não trás felicidade’, pois na verdade dinheiro não pode ser relacionado com a felicidade e nem a falta dele. Dinheiro é bom e trás conforto. Gosto de algo que li: ‘Dinheiro compra casa mas não compra um lar, compra remédio, mas não compra saúde...” e tudo isso é verdade...’

Fui criada de uma forma e me transformei. Parece tolice, mas é verdade. Minha mãe biológica sempre foi meio ‘desligada’, nunca ligando se as cores combinam e lembro-me de um dia em que ela saiu vestida com uma saia amarela, meia calça preta e sapatilhas brancas. Ela não gosta que eu me lembre disso, pois já faz tanto tempo... Mas isso ficou-me gravado na memória. Ele nunca me ensinou que não era muito elegante sair de cabelo molhado, por isso eu achava o máximo tomar banho e sair com os cabelos molhados, chegando na igreja com os cabelos pingando, detalhe que até pode parece bobinho, mas demonstra falta de etiqueta. Talvez por vivermos num país tropical as pessoas nunca pensaram nisso, mas às vezes presto atenção em algumas pessoas, e lá vêm elas com a marca do biquíni aparecendo, calcinha à mostra, perfume forte (do tipo para se usar à noite), em pleno meio dia,  a uma temperatura de quase 40 graus... O europeu nem é tão elegante assim, mas levou essa fama  por conhecer e prestar atenção em certos  detalhes que nós, em neste país tropical,  não prestamos, pois temos problemas mais sérios a tratar.

Acho que a televisão tem tudo a ver com isso. Aquela personagem Darlene da novela ‘Celebridade’ (que já acabou) retrata  o mau exemplo do mundo ‘fashion’, no Brasil, pois não temos bons exemplos para copiar. Nos USA a Jaqueline Kennedy virou um exemplo de elegância, assim como Audrey Hepburn, nos anos 50... Certa vez folheei um livro de fotos das mulheres mais elegantes do mundo e não se via nudismo, e vi até mesmo algumas fotos da Jackie usando jeans, mas com elegância, e ela não tinha sequer 22 anos na foto. Essas mulheres realmente elegantes pertencem ao passado. Contudo, ainda se acham alguns bons exemplos nesta vida, só que não na TV. Mary Schultze e Íris Mclhiney são exemplos para mim. Íris é da Escócia e tem uma elegância, assim como a Mary, que sabe combinar peças. Não chego nem perto delas, mas acho que estou em processo... Por isso espero que vocês jamais me vejam com uma calça bem baixa com marca de biquíni aparecendo (me matem se me virem assim, por favor!).

Agora vamos mudar de assunto.

Ontem eu li que a ONU ‘está batalhando contra a prostituição nos paises pobres...’ Mas gente! Sou testemunha ocular de que os membros da ONU contratam prostitutas nos hotéis em que se hospedam... Que falta de vergonha! Isso para não falar do ódio que a ONU tem por Israel... Certa vez, li um artigo que dizia:

 ·A Declaração de Balfour de 1917, o Mandato  da Liga das Nações, o plano de Partilha da ONU de 1947 e a admissão de Israel na ONU, em 1949, representaram o reconhecimento internacional do direito de Israel existir como pátria dos judeus.

·A resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU declara que Israel só deve ceder terras se isso fizer parte de um ‘acordo pacífico e aceitável’.

·A Resolução  242 do Conselho de Segurança da ONU também estabelece que todas as nações vizinhas devem reconhecer o direito de Israel viver em paz, com fronteiras seguras (eu escrevi FRONTEIRAS SEGURAS, portanto acho que algo como um muro seria seguro) e reconhecidas, livre de ameaças e atos de força’.

·Até  2002, Israel era o único Estado Membro das Nações  Unidas considerado inelegível para o Conselho de Segurança. Mesmo hoje em dia, esse direito é apenas restrito e temporário.Desde  a década de 70, um bloco formado por árabes, soviéticas e do Terceiro Mundo tem reforçado a marginalização de Israel, bloqueando a sua participação em outros organismos chave da ONU e submetendo a nação a mais comitês  de investigação e representante especiais do que qualquer outro Estado-Membro das Nações Unidas.A verdade é que ONU e a Anistia Internacional, fazem parte de uma grande Conspiração Mundial, pois existe muito mais maldade neste mundo do que possamos imaginar, como doenças criadas em laboratórios, por exemplo. A invenção da AIDS foi um atentado contra o crescimento da população na China, pois eles temem que a China se torne uma potência (o que já está acontecendo).

Acho que nós, como cristãos, deveríamos acrescentar um capitulo à nossa confissão de fé, algo como: “Não creio na ONU, nem na Anistia. Não creio que o dinheiro me salvará, nem creio que a Embaixada Brasileira irá me proteger, quando eu estiver no exterior,etc”.

Cada dia que passa dependo mais de Deus, pois o mundo não transmite segurança alguma, nem mesmo àqueles que vivem no luxo e possuem  proteção   24hs por dia, pois ninguém está seguro contra terremotos, atentados, câncer e outras coisas. Por isso, devemos crer somente em Deus, sem nada considerar garantido nesta vida, a não ser a nossa Salvação em Cristo”.

 

Sílvia Lima, outubro 2004 ****************************************

e-mail: silvialima1@yahoo.com

 

 

22. - Precisamos Ler Amós...

 

         A maioria dos pregadores da atualidade (padres católicos e pastores evangélicos) há muito tem deixado de pregar sobre o inferno, o castigo de Deus  sobre os pecados da humanidade, a santificação de vida, preferindo falar de  prosperidade e, sobretudo, de dinheiro, tendo muitos se transformado em verdadeiros “pedintes”, durante os cultos religiosos.

Além da classe média baixa, que imagina poder comprar salvação e bênçãos divinas com boas ofertas às igrejas, existe um seguimento de pessoas adormecidas e embrutecidas pela prosperidade, ignorando voluntariamente  os resultados que, inevitavelmente, chegam, sempre que a religião se desvia da moralidade. Isso para não mencionar a corrupção, a opulência e a opressão, que têm conduzido à violência nas grandes cidades, onde os filhinhos de papais da classe média  e alta e os astros da TV, geralmente dizendo-se “espiritualistas”, costumam financiar, com o seu vício, os lucros dos traficantes de drogas.

Os apartamentos duplex de luxo na zona opulenta das grandes cidades - e os divertimentos nas boates e discotecas - já não conseguem satisfazer o anseio, cada vez maior, de novidades e experiências “chocantes” da juventude atual. As orgias regadas a drogas e bebidas fortes são o que essa juventude sem Deus tem buscado. E muitos jovens acabam cometendo crimes específicos ainda mais culpáveis e merecedores de censura, como o assassinato de seus próprios pais e parentes próximos, na busca desenfreada de dinheiro para financiar-lhes os vícios.

O pior é que a busca de prosperidade tem atingido as igrejas ditas evangélicas, onde os pastores prometem mundos e fundos a quem der mais dinheiro ao pastor. Até mesmo nessas igrejas temos visto a mentira desenfreada, disfarçada sob o ato hipócrita de ofertar. Na religião do papa os fiéis sempre procuram compensar os seus pecados com confissões feitas a um sacerdote e com peregrinações a santuários distantes, a fim de pedirem bênçãos a um ídolo qualquer, que não fala, não ouve e nem pode fazer coisa alguma, exceto aumentar a carga de pecados desses crédulos religiosos, acrescentando-lhes o peso do pecado da idolatria tão abominada por Deus.

Tanto os pregadores modernos como os membros de igrejas têm esquecido: a soberania universal de Deus, o pecado da desumanidade e a  responsabilidade moral da humanidade. Como disse Amós 4:12: “prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus”, assim também ele diz aos homens  de hoje – religiosos ou ateus -  que se preparem, pois o castigo divino está preste a desabar sobre essa humanidade perdida no utilitarismo e na hipocrisia, no progresso material e no hedonismo.

Para os que me consideram dona de uma língua viperina, digo o mesmo que John Knox escreveu nas quatro paredes do seu “estúdio” na Rua Alta, Edimburgo, onde se lia: “Estou no lugar onde a consciência me manda falar a verdade, por isso digo a verdade e quem quiser que me condene”.

O culto elaborado, enfeitado de chavões evangélicos e de corinhos heréticos sobrecarregados de centenas de decibéis, não sendo sincero, tem-se transformado num insulto a Deus e Ele poderia dizer, hoje em dia,  o mesmo que disse aos israelitas, no século 8 antes de Cristo: “Odeio, desprezo as vossas festas, e as vossas assembléias solenes não me exalarão bom cheiro. ... ofertas... não me agradarei delas... Afastai de mim o estrépito dos vossos cânticos; porque não ouvirei as melodias das vossas violas” (Amós 5:21-23).

Muitos cristãos modernos parecem incapazes de conceber a salvação sem os sacramentos e as cerimônias de sua própria igreja, como no caso do Catolicismo Romano. Todos os religiosos atuais se esquecem de que deve haver justiça social de homem para homem: “Corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça como o ribeiro impetuoso” (Amós 5:24). Os requisitos divinos são sempre morais. Os resultados morais determinam o curso da história... Tiago 1:27 nos ensina isso: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo”.

Amigos católicos e evangélicos, lembrem-se que o privilégio de ser cristão envolve responsabilidade. Vamos ler a Bíblia e procurar seguir os seus ensinamentos simples e claros, pois “ o obedecer é melhor do que o sacrificar” (1 Samuel 15:22). Deixem de querer comprar Deus com dízimos, ofertas e cânticos estrepitosos!  Ele se compraz numa vida reta e justa diante de Deus e dos homens. Que adianta entregar o dízimo e ficar devendo a conta de energia elétrica, de telefone e aquelas prestações feitas, num momento de euforia? A Bíblia diz: “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor...” (Romanos 13:8). Portanto, vamos moralizar as práticas religiosas hodiernas e viver mais de acordo com a Palavra de Deus, pois será esta, conforme disse Jesus,  que nos julgará no dia final: “Quem me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia” (João 12:48).

         Vamos freqüentar igrejas decentes, que não fiquem pedindo dinheiro nem ensinando práticas esdrúxulas embasadas no ocultismo, pois o nosso Deus deseja que O adoremos em espírito e em verdade! (João 4:24).

 

Abril 2004*****************************************************

 

 

23. - Precisamos Ler Habacuque

 

Para Lutero o nome Habacuque significava “o consolador”,  e por isso ele escreveu: “Habacuque tem um nome de  acordo como seu ofício. Porque significa um animador, ou um que toma o outro em seus braços e no coração, como se consola uma criança que chora, dizendo-lhe que se cale.”

O único propósito do profeta Habacuque, que teria vivido no tempo do ímpio rei Manassés (filho de Ezequias e Hefzibá), foi o de predizer a vindoura destruição dos caldeus, inimigos do seu povo, e animar o seu  país, naquele tempo de crise. Hoje muito precisaríamos de um Habacuque para nos reanimar nesta época de crise moral e religiosa (com a violência imperando em todos os recantos do planeta), trazendo-nos a promessa de um breve regresso do Senhor Jesus Cristo.

Habacuque era um homem de muita fé e gostava de dialogar com Javé, ora se queixando em favor do seu povo, mas sempre reconhecendo a Sua soberania. O mais  sério problema moral do profeta está expresso nestas palavras dirigidas ao Senhor: “Não és tu desde a eternidade, ó SENHOR meu Deus, meu Santo? Nós não morreremos. Ó SENHOR, para juízo o puseste, e tu, ó Rocha, o fundaste para castigar. Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar. Por que olhas para os que procedem aleivosamente, e te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele? (Hc 1:12-13).

O Senhor lhe dá uma visão sobre o futuro de Israel e ordena: “Escreve a visão e torna bem legível sobre tábuas, para que a possa ler quem passa correndo” (Hc 2:2). Javé prossegue, exortando o profeta: “Porque a visão é ainda para o tempo determinado, mas se apressa para o fim, e não enganará; se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará.” (Hc 2:3). Para solidificar ainda mais a fé genuína de Habacuque, o Senhor lhe entrega a mensagem que seria o lema adotado na Reforma Protestante: “Eis que a sua alma está orgulhosa, não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá.” (Hc 2:4). Aqui, como “alma orgulhosa” Javé se referia ao rei dos caldeus - enquanto para Lutero  a “alma orgulhosa” e inimigo maior era o papado. Quando a Bíblia foi entregue ao povo alemão, os renascidos em Cristo passaram a adotar esse lema de que “o justo viverá pela fé”.

Em Habacuque 2:20 lemos o que a maioria dos pastores evangélicos tem esquecido, a partir do surgimento do neopentecostalismo,  quando oficiam seus cultos barulhentos: “O Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra”. Que esses pastores malaquianos falem menos em Malaquias 3:7-10, e pratiquem Habacuque 2:20. A petição de dinheiro e o excesso de barulho não agradam ao Senhor, pois o Evangelho deve ser entregue sem ganância e na  Casa do Senhor devem reinar silêncio e respeito, sem o barulho dos instrumentos mundanos e sem os requebros dos crentes, que se comportam como se estivessem numa boate. Que leiam João 2:13-16 e meditem sobre os vendilhões do templo.

Quando um pastor visa enriquecer à custa dos membros de sua igreja, ele é quem está “roubando Deus” de sua glória e majestade. Contudo, esses “obreiros fraudulentos” ficam pedindo dinheiro e se esquecem de pregar o verdadeiro Evangelho.  Diante de tantas exorbitâncias cometidas por esses pastores malaquianos, aconselhamos os membros de suas igrejas a buscarem igrejas mais sérias, onde se pregue a Palavra de Deus, sem a ganância desses lobos vorazes.

Voltando a Habacuque, quando ele estava quase desanimando com relação ao livramento do seu povo dos brutais inimigos caldeus, de repente se encheu de fé e alegria, proclamando: “Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação (Hc 3:17-18).

Precisamos ler Habacuque, em vez de ficarmos lendo esses livretes dos teólogos da fé/prosperidade, que enriquecem facilmente à custa dos incautos semi-analfabetos bíblicos. Como Paulo nos adverte na 2 Coríntios 11:13-14: “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. E,  também, vamos ficar menos tempo diante da TV, assistindo a esses programas criados para imbecilizar os telespectadores.

 

Maio 2004*****************************************************

 

 

24. - Precisamos Ler Miquéias

 

         Miquéias, o número seis entre os Doze, teve um nome que por si mesmo era um credo, pois a forma mais ampla e provavelmente mais antiga - Mikayahu – significa “Quem é semelhante a Javé?” (Mq. 1:1; 7:18; Jr. 26:18). Como Miguel, que significa “Quem é como Deus?". Miquéias tem quase o mesmo significado. Ele não deve ser confundido com Micaías, que era detestado por Acabe (1 Reis 22:8).

Ele é chamado “morastita” (1;1), visto ter nascido em Moreset-Gat (Mq. 1:14. Como Amós, Miquéias era natural do campo. Em geral existe mais religião no lar do campo do que no lar da cidade. Aparentemente Miquéias não gostava da cidade (Mq. 1:5;5:11;6:9).

Miquéias deve ter tido uma personalidade muito forte, tendo sido um homem valoroso e de fortes convicções. O segredo de sua força é revelado em Mq. 3:8: “Mas eu estou cheio do poder do Espírito do SENHOR, e de juízo e de força, para anunciar a Jacó a sua transgressão e a Israel o seu pecado”. Como um verdadeiro patriota e pregador fiel, ele denunciou vibrantemente o pecado e assinalou o local da vinda de Cristo. Ele foi, antes de tudo, um profeta dos pobres e um amigo dos oprimidos. Sua alma foi plena de simpatia leal pelos tiranizados. Sentia a mesma paixão de Amós pela justiça e tinha o mesmo coração amoroso de Oséias. Miquéias era um Amós redivivo. Sua grande sinceridade contrasta notavelmente com os lisonjeiros ensinos de seus contemporâneos, os quais, como falsos profetas, idealizavam  as mensagens conforme os seus soldos (Mq. 3:5).

Conforme o título do seu livro, Miquéias profetizou “nos dias de Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá” (Mq. 1:1). Esta é uma data amplamente confirmada por evidência interna e também por Jeremias 26:18, o qual cita Miquéias 3:12. Foi, portanto, um contemporâneo de Isaías. Ele deve ter pregado, tanto antes como depois da queda de Samaria (722 a. C), e muito provavelmente desde cerca de 735 até 715 a.C.

         Sob o reinado de Jotão, o luxo era esplêndido. Sua ambição de construir fortalezas e palácios em Jerusalém custou a vida de muitos camponeses. Sob o reinado de Acaz, Judá foi obrigada a pagar tributos à Assíria, tributos que juntamente com o custo da guerra sírio-efraimita, em 734 a.C., caíram como uma pesada carga sobre todas as classes. Tanto os ricos como os pobres sofreram. Os arrendatários egoístas e avarentos usavam o seu poder para oprimir, confiscando os bens dos pobres e até mesmo expulsando as viúvas de suas casas. Todo tipo de crimes era perpetrado, com os ricos devorando as classes humildes, “como  ovelhas comendo a erva”. Sob Ezequias, que procurou reformar o estado, as condições se tornaram ainda mais desesperadoras. Os homens deixaram de confiar uns nos outros, enchendo Jerusalém de facções e intrigas. Os conselheiros do rei se dividiram na política, alguns advogando uma aliança com o Egito contra a Assíria e outros advogando uma submissão à Assíria.  Os encarregados da lei abusavam de seus poderes. Os nobres roubavam os pobres. Os juízes aceitavam suborno. Os profetas adulavam os ricos e os sacerdotes ensinavam em troca de remuneração (Cap. 2). A cobiça das riquezas imperava de todos os lados. Os tiranos opulentos se enganavam quanto a um possível juízo.  A comercialização e o  materialismo quase suplantaram o último vestígio do ético e do espiritual. Em semelhante crise apareceu Miquéias, procurando conduzir a nação de volta a Deus e aos seus deveres.

         Miquéias era um rústico, mais democrático do que Isaías. Suas relações pessoais não eram com o rei, mas com o povo. Era um profeta do povo. Isaías ensinou a inviolabilidade de Sião, Miquéias predisse a sua destruição (Mq. 3:12). A nobreza tinha um conceito equivocado de Deus, imaginando que, por serem pessoas respeitáveis, o castigo era impossível. E como argumento indagavam: “Não está o Senhor no meio de nós?”  Completando: “Nenhum mal nos sobrevirá” (Mq. 3:11).

         Miquéias possuía idéias avançadas sobre o reino de Deus e elevou muito alto o modelo da religião e da ética, conforme Mq. 6:8: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” Toda a sua mensagem poderia ser expressa nesta declaração: “os que vivem de modo egoísta e luxuoso, mesmo que ofereçam sacrifícios dispendiosos, aos olhos de Deus são vampiros que sugam o sangue vital dos pobres”.

Huxley chama esta passagem (Mq 6:8) de “o perfeito ideal da religião”, pois ela engloba todo o dever do homem: o verdadeiro culto é o verdadeiro ritual e a verdadeira moralidade. Não existe homem bom e, segundo Miquéias, “O melhor deles é como um espinho...” (Mq. 7:4).

A mensagem de esperança aos judeus e aos gentios foi dada por Miquéias nesta passagem, que mais tarde iria servir de roteiro aos reis magos que estavam em busca do Messias de Israel, recém nascido em Belém:  “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”. Miquéias foi o primeiro entre os profetas a fixar os olhos em Belém, como sendo o local do nascimento do futuro Libertador. Ele foi um protótipo de Cristo por ter sido um defensor dos pobres, tendo previsto a chegada de um Messias dos pobres.

Miquéias 6:8  - “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus? “ - é o lema escrito no Departamento de Religião, no salão de leitura do Congresso de Washington. Contém os três maiores requisitos da verdadeira religião, isto é, fazer justiça, usar de misericórdia e andar humildemente. Ele resume nestas três fases todo o ensino da religião hebraica e também do Cristianismo. Davi reduziu os 613 mandamentos do Pentateuco ao que está no Salmo 15. Miquéias os reduziu a três. E Jesus os reduziu a dois: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento... Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:37,39).

a) Fazer justiça - a justiça na Bíblia é reconhecida como a moral elementar. Ela é a base de todo o caráter moral, a qualidade essencial de um homem bom. É um dos atributos de Deus. Ela significa dar aos semelhantes tudo quanto estes têm o direito de esperar. A mera justiça não basta. De preferência a justiça ideal do profeta é a eterna Regra de Ouro citada por Jesus em Mateus 7:12: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lhos também vós, porque esta é a lei e os profetas”.

b) Amar a bondade (hesed), a compaixão e a misericórdia - Esta é a palavra favorita de Oséias e expressa uma qualidade mais elevada que a mera justiça. Muitos cumprem esta deixando de cumprir aquela. A misericórdia inclui a bondade. Às vezes a justiça denota uma dúvida, enquanto a bondade sempre denota graça e favor. É a bondade que, realmente, garante a prática da justiça. 

c) Andar humildemente - Este terceiro requisito é uma conseqüência dos dois anteriores. Não se pode obedecer aos dois primeiros sem obedecer ao terceiro (Amós 3:3: “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?”). Um homem não pode andar com o deus do panteísmo, um deus impessoal e indiferente ao destino de suas criaturas. Andar humildemente significa render-se à pessoa, “inclinando-se para baixo”, como o fazem as crianças,  e somente na cruz poderemos encontrar o caminho para estes três  requisitos.

A mensagem de Miquéias nos comanda a voltar-nos para Jesus Cristo, o Filho de Davi, o qual também nasceu em Belém. A Jesus Cristo, o segundo e maior Davi, o Príncipe da Casa de Davi. A Jesus Cristo, o Salvador da humanidade, tanto dos pobres como dos ricos. A Jesus Cristo, que era um trabalhador e um servo, nascido num estábulo, filho de uma camponesa, ele mesmo um carpinteiro. A Jesus Cristo, que em suas parábolas tinha prazer em falar dos campos e dos rebanhos; dos semeadores e dos ceifeiros; de ovelhas e de bois. A Jesus Cristo, que lavou os pés dos discípulos e carregou a sua própria cruz. A Jesus Cristo, o amigo dos pecadores humildes, e que aos pobres pregou o evangelho, que as pessoas comuns se deleitavam em ouvir. Tenhamos cuidado de não separar Jesus Cristo das pessoas comuns!  Jesus se identificou mais com os pobres e oprimidos do que com os religiosos e ricos fariseus e saduceus do seu tempo. Vamos seguir o seu exemplo, amando os pobres e afastando-nos dos pregadores da prosperidade, que ensinam um evangelho espúrio, a fim de enganar os membros de suas igrejas,  acumulando bens materiais à custa dos semi-analfabetos bíblicos.

 

Dados colhidos no Cap. 6 do livro “The Twelve Minor Prophets”, George L. Robinson.

 

Maio 2004***************************************************

 

 

25. - Rosa e Dária, Me Aguardem!

 

À meia noite  fui dormir, sentindo dores no braço esquerdo e na nuca, e orei pedindo que Deus me levasse para perto de minhas duas irmãs favoritas, que já estão no céu. Hoje  acordei feliz porque ia usar o vestido novo que a filha Rose me deu de presente. Só que o dito é Chanel e me habituei a usar somente vestidos longos ou calças compridas, até dentro de casa. Mesmo assim,  coloquei esse lindo vestido estampado em azul e verde,  porém me achei meio desnuda, porque o dito não tem mangas, nem é longo. Vesti um bolero verde musgo sobre o vestido, coloquei meia calça de malha grossa e então me achei decentemente vestida.

Liguei o som para ouvir um dos CDs que recebi de presente do "filho" Anderson - Harpa Cristã, com Narcizo Lucena - e de repente, sentindo-me leve e feliz,  pensei: "Bem que eu poderia morrer hoje, pois estou com saudades de Rosa e Dária e iria encontrá-las de vestido novo”. (Sou vaidosa até mesmo quando penso na morte! Daí desejar ser cremada, a fim de não me decompor e ser devorada pelos "hierarcas" carnívoros).

Às 8 hs.,  fui assistir ao culto no CCC. Durante o culto comecei a sentir muita dor na nuca, no braço, no peito, e um cansaço inexplicável. 

Terminado o culto, com uma amiga e esta me convocou para uma oração, junto com outros irmãos ali presentes. Pediu a Deus que me curasse, mas durante essa oração, mentalmente pedi: "Senhor, eu gostaria tanto de ir para o céu, para juntar-me a Rosa e Dária"! Dali fui para a PIBT, em companhia de minha irmã na fé e amiga, a Sheyla, que estava preocupada comigo. Sentei-me no lugar de sempre e logo em seguida o culto começou.

Poucos minutos depois, quando os jovens estavam cantando aqueles corinhos modernos que não me agradam, comecei a me sentir tão mal que saí da igreja. Expliquei rapidamente a um irmão o porquê de minha retirada e saí andando, meio insegura, tomando o rumo de casa. O irmão (Moysés) e a esposa vieram em meu socorro e me trouxeram em casa, onde logo me deitei, já
assistida por Betty, uma jovem vizinha, que tem sido o meu anjo da guarda,
nas horas de aperto. Mais tarde liguei para a filha, que prometeu vir em
seguida, preparei uma caneca de chocolate quente, tomei um Mioflex e me
deitei novamente. Comecei a me lembrar de Rosa e Dária, as irmãs tão amadas, que já estão na glória. Como seria bom se eu pudesse ir encontrá-las no céu!
Rosa foi freira católica durante 10 anos, depois se desligou da Congregação, formou-se em Enfermagem de alto padrão, em S. Paulo, trabalhou para o governo do Estado, aposentou-se e voltou ao Ceará, a fim de cuidar da mãe idosa. Com menos de dois anos de aposentadoria, faleceu de pancreatite  aguda causada por uma lipoaspiração mal feita. Tinha menos de 55 anos. Ainda hoje eu choro a morte dessa tão amada Rosa, com quem estive sempre em contato, quer indo a S. Paulo cada dois meses, quer vindo esta ao Rio. Rosa foi "arrebatada"  em maio de 1990. Em agosto de 1999, foi a vez de Dária, que faleceu repentinamente de enfarte, dormindo, com um sorriso nos lábios. Havia sido uma líder carismática e se convertera ao Senhor Jesus Cristo lendo o livro "Por Amor aos Católicos Romanos", de Rick Jones, por mim traduzido para o Centro de Pesquisas Religiosas de Teresópolis, RJ. Foi outra perda irreparável para mim. Ficar sem essas duas irmãs foi mais doloroso do que perder meu próprio marido... Curioso é nossa mãe - D. Rosa, hoje com 94 anos, paralítica em razão de um derrame cerebral - costumava brincar dizendo que iria enterrar as três filhas favoritas. Daí por que estou aguardando a minha vez, enquanto a nossa mãe ainda vive...

A partir da morte das duas irmãs queridas, fiquei desejando ir para o céu, a fim de me juntar às mesmas. Mas parece que o Senhor ainda não quer
permitir-me essa alegria. Parece que Ele ainda quer me usar para
continuar malhando a ICR através de livros,  jornais e artigos enviados pela
Internet. Portanto, esse mal estar de hoje foi apenas um "alarme falso", já estou  me sentindo melhor e vou continuar na luta, enquanto a morte não chega. Mesmo assim, faço questão de dar um gritinho cheio de esperança: "Rosa e Dária, me aguardem!”  

 

26/01/2003***************************************************

 

26. - Deus Nos Prepara

Já contei, em meu artigo intitulado “Chapeuzinho Vermelho e o dentista Alemão”, publicado na “Folha Universal” em 2001, como Deus me tem preparado para as tribulações que estão para surgir em minha vida. Ele sempre me concede um dia de glória e felicidade, antes que uma tormenta caia sobre mim. É como se estivesse dizendo: “filha, agüenta firme, que eu te amo, apesar da tua maldade”.

No Domingo, 08/08/1982, entrei, como convidada especial, na Igreja do Calvário, em São Paulo, para assistir a posse, em segundo mandato, do Dr. Paulo Breda, como Presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil. Cheguei atrasada, sentei numa das últimas filas de bancos e assisti àquele culto monumental, que me deixou jubilosa e edificada. No final do mesmo, quando o Dr. Paulo Breda vinha em procissão, com todos os altos dignitários da Igreja, parou em frente ao lugar onde eu estava  sentada e me cumprimentou cordialmente, como se eu fosse a pessoa mais importante entre os convidados. Senti uma vergonha enorme, fiquei embaraçada, mas verifiquei que aquele era um momento de glória em minha vida.

No Domingo seguinte, exatamente na hora em que eu havia recebido aquele maravilhoso cumprimento, encontrei meu marido morto em nosso laboratório (enfarte fulminante). Sofri muito, mas entendi que Deus me havia preparado para aquele acontecimento funesto e orei, cheia de força espiritual: “Senhor, sei que todas as coisas cooperam para o bem dos que te amam, portanto aceito a tua vontade soberana”. Até hoje não me arrependo de ter aceito com resignação a vontade de Deus, naquele dia trágico de minha  vida.

         O segundo exemplo foi o de minha chegada em Berlim, no dia 12/02/01, quando fui recebida com flores, por uma recepcionista linda, e com muita alegria, pela família e amigos.

         Dois dias depois, tive uma dor de dente insuportável, precisei pagar ao dentista alemão, que me atendeu, mais do triplo do que pagaria ao meu dentista no Brasil, visto como a seguradora Suíça a quem eu havia pago um seguro de saúde, não foi aceita como fiadora, e nem me devolveria o valor aqui no Brasil. Contudo,  Deus me havia preparado para essa tribulação.

         Agora vamos ao terceiro exemplo. Minha filha Rose e eu temos 4 prédios na Baixada Fluminense. O imóvel foi interditado pela Fiscalização da Medicina porque a firma inquilina andou fabricando medicamentos falsos, foi fechada, faliu, e estamos, há mais de 3 anos, sem receber os  aluguéis, sem poder vender os imóveis, só gastando com advogados, pagando IPTU´s fabulosos e tendo desgostos sem conta. Ontem combinei com minha filha, mais ou menos o seguinte: Não podemos mais continuar com esse problema dos imóveis. Temos gasto demais e os advogados nada resolvem. Já perdemos mais de R$ 70 mil de aluguéis, não temos os prédios à mão para vendê-los e nem podemos lá entrar para olhar a devastação que os vândalos têm feito. Precisamos ligar para o Dr. Erlie César Lenz, aquele meu amigo santo que ora, junto com o Pr. Matias, e Deus os escuta com a maior rapidez. Vamos pedir que eles orem para que nossos prédios sejam desembaraçados e possamos vendê-los, pois já não podemos mais agüentar tanta despesa com os mesmos, etc.”

         Ficamos entusiasmadas, ligamos para o Dr. Erlie César, mas ele estava viajando e o seu celular, fora de área. Então, minha filha e eu resolvemos orar e, logo em seguida, um provável comprador nos telefonou, dizendo estar interessado em comprar os imóveis. Sendo essa compra para a Prefeitura de Caxias, que ali pretende inaugurar um colégio municipal, parece que agora vamos ficar livres desse “elefante branco” em nossa vida.

         Hoje de manhã não pude ir à Igreja. Havia mandado costurar um vestido cor de rosa, muito lindo, com ramalhetes em cores discretas. Pretendia estrear uma sandália nova trazida da Alemanha, pois estava tão feliz que desejava agradecer a Deus o telefonema de  ontem. Mas não pude. À noite, quando comia um sanduíche de atum com fatias de laranja, meu dente canino superior quebrou, fiquei banguela e feia. A princípio quis chorar, me descabelar, mas logo me lembrei do telefonema de ontem. Então louvei e glorifiquei ao nosso maravilhoso Deus, pensando: “o que é um dentinho, comparado a 800 metros quadrados de área construída, que poderemos vender em breve e comprar dois bons  imóveis aqui em Terê?”

Sentei no computador e escrevi uma história (Abraão, o Inconformado),  que já enviei como mensagem de Páscoa aos amigos e irmãos na fé. Respondi 14 mensagens na Internet e fui dormir cedo, coisa que raramente tenho podido fazer, ultimamente. Uma coisa é certa. Não posso sair de casa hoje, feia como estou, mas me sinto feliz. Sei que o meu Redentor vive. Sei que serei julgada no Tribunal de Cristo (2 Coríntios 5:10), quando minhas obras vão queimar quase todas, mas sairei ilesa, lavada como sou pelo sangue precioso do Cordeiro Santo. Então,  viverei na eternidade, junto com Ele e os santos. Jesus ressuscitou! Aleluia! Ele vive! E todos nós, os salvos, também viveremos! Portanto, vamos nos alegrar!

Sei que logo nossos imóveis serão vendidos e, mesmo tendo perdido tanto dinheiro com os aluguéis não pagos pelo tal inquilino, poderemos sobreviver decentemente, como até agora temos sobrevivido e, por isso, bendito, louvado, glorificado, amado, exaltado e adorado seja o Nome do Senhor Jesus Cristo, nosso grande Deus e Salvador eterno!

Nota: Não me lembro quando escrevi este artigo, que agora foi atualizado, depois que recebemos uma promessa de compra da Prefeitura de Caxias e estamos muito esperançosas de que, enfim, possamos ficar livres desse problema que tanto nos tem preocupado, desde agosto de 1998. Contudo, Romanos 8:28!

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27. - Vale a pena ser corajosa?

 

         Não sou do tipo que usa meias palavras para dizer as coisas e quando quero falar contra algo ou alguém, uso lixa grossa, mesmo correndo o risco de ganhar um inimigo pelo resto da vida.  Assim é que tenho escrito artigos contundentes contra a igreja do papa e contra os pastores malaquianos, isto é, os neopentecostais, que usam suas igrejas para explorar os tolos, pregando evangelho espúrio e atacando sem piedade os bolsos das ovelhas incautas.

         Há um ano veio à minha casa o amigo e irmão em Cristo, NT, e me contou que estava chegando de um congresso dos Gideões Internacionais em SP e que lá alguns membros da diretoria dessa conceituada organização estavam “tramando” trocar a Bíblia Trinitariana pela NVI e que ele gostaria muito de ter falado contra essa idéia, porém lhe faltava conhecimento do assunto. Pediu que eu escrevesse um trabalho focalizando os erros da NVI e defendendo a Trinitariana. Sugeriu que eu enviasse esse trabalho aos membros da diretoria dos Gideões, junto com dois livros meus e uma apostila sobre os ataques que têm sido feitos à Bíblia King James, nos últimos 120  anos. Isso começou no final do século 19, quando os incrédulos pastores anglicanos - Westcott e Hort - publicaram o seu Novo Testamento Grego, usando os espúrios textos alexandrinos do Vaticano, o que seria de esperar, visto como esses dois apóstatas eram mariólatras e até freqüentavam um centro espírita,  em Londres.

         Em menos de 48 horas entreguei ao irmão RT o artigo “Problemas com a NVI”, assinado por mim e pelo meu neto Mário Sérgio, o qual  seria apresentado no próximo congresso. Entrementes, enviei livros, apostilas e uma carta bastante contundente à alta cúpula dos Gideões Internacionais em Santos, SP,  e aguardei o resultado. Mais tarde RT passou de “Representante” a “Presidente” no RJ e Espírito Santo. Fiquei feliz  em ter contribuído para isso, pois ele é um homem de Deus e muito se preocupa com o rumo que as igrejas e organizações evangélicas têm tomado ultimamente, em direção a uma gradual apostasia. Pelo menos por enquanto, a NVI ficou mofando na prateleira e a Trinitariana continua em uso nas escolas e hospitais.

         Hoje (30/05/04) fui ao culto em minha PIBT e quando li o programa do mesmo, verifiquei que havia três  gideões nos visitando. Sentaram bem perto do “lugar cativo” que ocupo há nove anos e, na hora dos cumprimentos aos visitantes, apertei a mão do mais próximo e perguntei por que o RT não estava com eles. A resposta é que esse irmão estava num congresso e por isso ali não se encontrava. Quando eu disse que era amiga do RT e que até colaborava com este nos assuntos dos gideões, depressa o visitante indagou o meu nome. Quando me apresentei, ele disse que me conhecia bem e que depois poderíamos conversar sobre o assunto. Na hora do sermão o púlpito lhe foi franqueado, ele contou algumas experiências de vida como gideão e citou o nome do RT e o meu, também.

         Depois do culto, esperei que ele e os seus companheiros fossem cumprimentados pela igreja e, logo que me viu ali perto, ele veio conversar comigo. Foi então que fiquei sabendo que ele é um dos membros da alta cúpula dos Gideões em Santos e que havia recebido minha carta “malcriada” e lido meus livros sobre o Catolicismo Romano e a apostila sobre a origem da Bíblia e os ataques contra a mesma. Disse que achou a carta muito contundente, mas depois de ler os livros começou a gostar de mim, pois uso uma linguagem coloquial nordestina e ele é baiano... Ficamos amigos de infância (ele tem 70 anos) e acho que, graças à minha carta corajosa (que mais parecia a reprimenda de uma professora dirigida aos alunos adolescentes), ganhei mais um amigo no Reino de Deus.

Maio 2004*****************************************************

28. -  Caim e Abel do Século 20

(Parábola Evangélica)

 

         Caim e Abel eram dois jovens nascidos nos anos 50 do século XX, numa fazenda no interior do Mato Grosso, conhecida como “Jardim do Éden”. Seus pais se chamavam Adão e Eva.  Adão era agricultor e Eva o ajudava na lavoura.

Antes de nascerem os filhos, um dia Eva estava sozinha em casa preparando o jantar, quando ali apareceu um viajante estranho, com uma guitarra pendurada no ombro, apresentando-se com o nome de Capiroto. Ele bateu um papo com Eva, comeu uma cuia de farinha com carne seca e convenceu a mulher a aceitar um cigarrinho especial, que ele chamava de “baseado”, garantindo-lhe que a mulher iria adquirir um conhecimento extraordinário de tudo que a rodeava. Eva aceitou, fumou e ficou toda eufórica. Quando Adão chegou em casa, o visitante já havia ido embora e Eva conseguiu convencer o marido a fumar um dos cigarros que o guitarrista havia deixado. Adão não era fumante, porém condescendeu com a mulher, pois estava cansado demais para discutir com ela. A partir daquele dia Adão e Eva ficaram mais sabidos em matéria de frivolidade, porém nunca mais se sentiram realmente felizes.

Mais tarde nasceram-lhes dois filhos – Caim e Abel. Caim se dedicou à lavoura, com uma bela plantação de laranjas, mangas, bananas, chuchus, tomates e cenouras. Abel preferiu criar um rebanho de ovelhas. Caim conservou a religião da família, que era católica romana. Abel foi evangelizado por um casal de americanos batistas e se tornou evangélico.

As  coisas iam correndo normalmente na vida daquela família, até que um dia Caim resolveu fazer um “culto ecumênico” e convidou Abel para assisti-lo. Levou uma cesta de frutas e legumes para oferecer a Deus durante o tal culto. Abel foi instruído a levar um cordeiro do seu rebanho, mas antes de fazê-lo consultou a Bíblia e viu que o melhor sacrifício que poderia fazer seria levar o “Cordeiro de Deus” no coração e confessar o seu Nome durante o culto. E assim fez, sabendo que o sacrifício do Cordeiro jamais poderá ser repetido, o que torna a missa católica uma tremenda blasfêmia. Dias depois do culto religioso, a lavoura de Caim foi invadida por uma nuvem de gafanhotos, que a deixou completamente arrasada. Caim arrancou os cabelos, pois tinha uma dívida enorme no BB, e isso não é brincadeira!

Enquanto isso, o rebanho de Abel foi se tornando cada vez maior e melhor, o que deu a Caim a certeza de que Deus havia aceitado o “sacrifício” de Abel e desprezado o seu. Por causa disso, o ressentimento e a inveja tomaram conta do seu coração e Caim arquitetou um plano para se vingar do irmão. Convidou-o para um passeio no campo. Foram a pé porque a camioneta de Caim fora vendida para pagar parte da dívida do BB e a de Abel fora emprestada ao Pr. John Greenville, que precisara viajar para a capital do estado. Eis o diálogo que houve entre eles:

Caim - E aí, mano, você anda rindo à toa com o progresso do seu rebanho, hem?

Abel – Não é isso, mano. É por uma razão muito melhor. Aceitei Jesus como Salvador e estou me sentindo o homem mais feliz e realizado deste mundo. Agora sei que se morrer irei para o céu e que nada poderá me separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus.

Caim – Isso quer dizer que você virou um desses “bíblias” fanáticos, que vivem cantando esses hinos chatos na Igreja do Pr. Greenville, não é? Pois eu prefiro um bom rock! Nasci católico e vou morrer católico, nem que tenha de ir para o inferno enrolado na batina do Monsenhor Assis.

Abel – Mano, mano! De Deus não se zomba! Tome este folheto da Chick contando a história de um homem que morreu sem Cristo. O título é “Esta Foi a Sua Vida”. Foi lendo esse bendito folheto, e em seguida lendo a Bíblia, que eu me converti, mesmo porque já tinha dentro de mim a sementinha plantada pelos missionários americanos que costumavam me levar à Escola Bíblica Dominical na igreja deles, há alguns anos.  

Caim – Ora, Abel. Não seja tolo. Primeiro, ninguém pode ter certeza se vai ou não para o céu e para isso é que existe o Purgatório, onde a gente pode se livrar das penas dos pecados veniais cometidos antes da morte. Depois, detesto ler esses folhetinhos ridículos, pois tenho mais o que fazer. Além disso, não quero largar meu “baseado”, minha caipirinha e meus “amassos” nas meninas das fazendas vizinhas para me tornar um bobalhão protestante.  Entendeu, seu idiota?

Abel – Mas Caim! Purgatório não existe. É invenção da Igreja Católica para acorrentar os católicos ao medo e poder controlar a vida de todos eles, tendo em vista o dinheiro da família de cada pessoa que morre, pelo  qual a ICR celebra uma porção de missas para “retirar a alma do defunto do Purgatório”.

Caim - Muito bem, Abel. Agora vou lhe mostrar que o Purgatório existe, pois vou despachar você  direto pra lá.

Dizendo isso, Caim pegou uma enxada e, antes que Abel percebesse o ódio que lhe cobria o semblante, Caim desceu a enxada sobre a cabeça do irmão e este caiu prostrado ao chão, numa poça de sangue. Caim apagou suas impressões digitais e levou a enxada, que era igual a todas as demais, para o sítio de um vizinho, que vivia sempre bêbado, e a trocou pela enxada deste. O vizinho foi condenado à prisão pelo crime cometido contra AbelCaim, depois de herdar o rebanho do falecido, casou com uma das filhas do fazendeiro mais rico da vizinhança e viveu aparentemente feliz pelo resto de sua vida.

Só que o remorso foi corroendo o seu coração e Caim contraiu um câncer de pele (que se iniciou com um simples hemangioma, isto é, uma mancha vermelho escura no rosto) e faleceu alguns anos depois. O sangue de Abel amaldiçoou a plantação de Caim, que jamais produziu coisa alguma que prestasse. Aqui se encontram a “marca de Caim” e a “maldição de Caim”, típicas de todas as religiões que pregam obras mortas como necessárias à salvação eterna, esquecendo que somente “o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado”  (1 João 1:7).

Agora deduzimos pela Palavra Santa que Abel, o justo, está morando com Cristo nas regiões celestiais, enquanto Caim é devorado por um gigantesco verme que não morre, e está gemendo dentro de um fogo que jamais se apaga!

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29. - Reminiscências

 

I. - “Sabicholinha Ledeira”

 

Minha avó Quitéria sempre me censurava dizendo que eu era muito saliente, ao contrário de minhas primas, que morriam de medo dela, enquanto eu costumava enfrentá-la com uma forte personalidade.

Quando eu tinha dez anos, certo dia meu tio Quinco estava tentando convencer-me que a Amazônia ficava no exterior, enquanto eu, de mapa na mão, tentava provar-lhe que essa terra fazia parte do Brasil. Vó Quitéria, que presenciava a discussão, puxou-me pelo braço e falou: “Minha neta, você é muito “sabicholinha”, mas dessa vez você perdeu!

Quando eu tinha quinze anos, certo dia ela estava nos visitando, quando me ouviu declamando o poema “Julius Caesar”, de William  Shakespeare,  no original. Quando terminei a declamação, ela olhou para minha mãe e perguntou; “Rosa, você não acha que essa menina tá ficando ‘ledeira’ demais?”’ A partir desse dia, meu apelido em família passou a ser “sabicholinha ledeira”.

Minha avó sempre me tratou com indiferença, ao contrário do que fazia com minhas primas. Por isso prometi a mim mesma que um dia ela ainda iria se orgulhar de mim, o que, realmente, aconteceu.

 

II. - O “Cônsul Alemão”

 

Em maio de 1967, meu marido e eu estávamos cuidando da papelada para viajarmos à Alemanha. Na Avenida Brasil, ele se descuidou e avançou um sinal, parando logo em seguida. Veio um guarda de trânsito e começou a injuriá-lo, chamando-o “barbeiro” e ameaçando tomar-lhe a carteira, etc. Perdi a paciência e falei: “Seu guarda, o Sr. está ofendendo o ‘cônsul alemão’ e isso pode resultar num incidente diplomático.” O guarda calou-se e mandou que meu marido seguisse em paz. Mais tarde, o Schultze, que jamais havia dito uma mentira, pois era um luterano muito correto, indagou: “Por que você ‘mentirou’ para aquele guarda?” (Convém notar que eu só vim a me converter em 1978!)

Poucos meses depois, quando já havíamos voltado da viagem à Europa, o Schultze parou de repente, para não avançar um sinal, quando um carro, que vinha logo atrás, bateu na traseira do nosso carro. Ele saiu, calmamente,  para ver o estrago e o dono do carro que nos havia batido, veio gritando na maior fúria: “Seu barbeiro, por que parou de repente e não avançou o sinal? Ainda dava tempo!”. Vi que se tratava de um militar graduado e falei: “O Sr. não se envergonha de aconselhar um estrangeiro a avançar o sinal, sendo um militar?” O homem ficou furioso e disse: “Tire sua mulher da minha frente, antes que eu bata nela! Sou um oficial da Marinha e não levo desaforo para casa!” Respondi na  mosca: “Grande coisa! O Sr. é um oficial da Marinha, mas  está ofendendo a esposa do cônsul alemão!

 

III. -  O Prefeito de Caxias

 

         Quando foi a Brasília, pela primeira vez, na época do Jânio Quadros, meu marido ia entrando calmamente no Palácio da Alvorada, quando um guarda apareceu e indagou: “Quem é o Sr. para entrar assim no Palácio, sem pedir licença?”  O Schultze deu um sorriso e respondeu: “Eu sou João, prefeito de Caxias”.

         Quando me contou o incidente, comentei: “Você não tem vergonha de dizer uma mentira desse tamanho?” Ele respondeu: “Ora, minha querida, eu sou ‘Hans’, que em alemão significa ‘João’. Sou ‘Schultze’, que em alemão significa ‘prefeito’. Além disso, moro em Caxias. Como você pode ver, eu só ‘mentirei’ na vírgula!”

 

IV. - Os porres de aniversário

 

         Na véspera do meu aniversário de 33 anos, o Schultze, uma amiga e eu íamos saindo da “Casa do Alemão” no Km. 15 da Rodovia Washington Luiz, onde havíamos ido apanhar o meu bolo de aniversário, o qual, felizmente, não estava pronto. Veio um caminhão, bateu em nosso jipe Candango e nada sobrou da capota do carro. Calmamente, sem parar para ver o estrago, meu marido dirigiu até o portão de nossa casa. Quando paramos dentro da garagem, ele nos olhou calmamente e perguntou: “Por favor, alguém se machucou?” Era a sua maneira tranqüila de encarar qualquer incidente desagradável. No dia seguinte foi a Petrópolis, para ver em quanto ficaria o conserto do jipe. Quando voltou, já na hora da festa, notei que ele havia bebido muito e esperei que se sentisse melhor, depois de uma xícara de café. Fui preparar a rubiácea  e, quando voltei à sala, ele estava tranqüilamente adormecido no colo da esposa do Gerente da Bayer, que viera comemorar meu aniversário.

         No dia em que completei 50 anos ele fez pior. Animado com a inauguração do galpão de 350 metros quadrados, que iria servir de estoque às matérias primas do nosso laboratório, ele tomou um porre daqueles. Quando a festa começou, com a presença do prefeito de Caxias (um coronel do exército, pois ainda estávamos no tempo da ditadura), do pastor da Igreja Presbiteriana e de uns 50 convidados, ele perdeu o equilíbrio e caiu no meio do salão, onde estávamos servindo o bolo. Foi a maior vergonha que passei na vida e jurei que jamais iria festejar meu aniversário. Infelizmente, menos de 4 anos depois ele faleceu. Quando completei 60 anos, a festa aconteceu em casa de meus  pais, em Fortaleza, organizada por minha irmã favorita,  Rosa, que veio a falecer poucos meses depois, em conseqüência de uma lipoaspiração. Depois dessa, jamais festejei qualquer data de aniversário, nem mesmo a dos 70 anos.

 

V. Trovas de Setembro

 

         Depois que ele morreu, fiz um poema em trovas para ele, que me suportou, heroicamente, durante 26 anos de casamento:

 

É vinte e dois de setembro, /vai chegando a Primavera.

Eu de ti muito me lembro / e estar contigo quisera!

Fiz um bonito vestido / de veludo azul celeste

pra te esperar, meu querido, / mas me ver tu não quiseste.

Dizias gostar de mim, / porém eu não acredito.

Por que me deixaste assim, / voando pro infinito?

O meu coração padece, / saudade de ti, meu bem!

Vou já fazer uma prece / pela alegria do amém!

Sempre que tu viajavas / por esse Brasil inteiro,

nas cartas só me falavas / da falta do travesseiro.

Pois era no travesseiro / do qual saudade sentias,

que eu chorava o tempo inteiro / a falta que me fazias!

“O coração tem razões / que a razão mesma ignora”.

Vou ler de Paulo os “sermões” / para a tristeza ir embora.

E a Primavera chegando, / plena de amor e alegrias,

vem me encontrar meditando / em tudo que me dizias!         

 

22/09/2004***************************************************

 

 

30. - O Grande Advogado

 

         Na Alemanha quase ninguém mais se dá ao luxo de casar, pois a burocracia é tão grande que os casais preferem se ajuntar e constituir família sem legalizar a situação. Acho que esse já é um dos golpes do “homem do pecado”, o qual não deseja ver pessoa alguma dentro da lei de Deus. Garanto que esse monstro vai sair da Alemanha... E deve sair mesmo, pois o seu protótipo (Hitler) “reinou” ali nos anos 1940.

         Minha neta (brasileira/alemã) e o noivo (peruano) estão lutando, há mais de um ano, na tentativa de se casarem legalmente, mas o governo alemão tem colocado tantos empecilhos que o casal vai acabar desistindo do casamento, mesmo sendo minha neta uma crente sincera e desejando viver conforme a Palavra de Deus.

         Nesses meses todos o governo alemão tem exigido documento após documento, de ambas as partes. Sempre que os noivos entregam um documento, o cartório exige outro e assim o casamento vai sendo adiado, na tentativa de se conseguirem os inúmeros documentos exigidos. O último a ser exigido para a minha neta foi uma certidão de batismo emitida e com firma registrada na cidade onde ela nasceu (aqui no Brasil) e no consulado alemão. Depois desta, um novo documento foi pedido... só que o dito não existe em nosso país... E o impasse continua...

         Diante de tantas exigências lembrei-me do que aconteceu após a morte do meu marido. O inventário durou apenas seis meses, pois contratamos um bom advogado. Só que havia uma certa quantia (parte da venda da casa de meus sogros falecidos) depositada no Dresdner Bank em Frankfurt, a qual deveria ser trazida ao Brasil e repartida entre os herdeiros (no caso minhas duas filhas e eu). Lutei durante dois anos para conseguir a transferência desse dinheiro, mas   cada vez que eu enviava um documento exigido, o governo alemão ia pedindo outro, todos eles reconhecidos no consulado alemão. Gastei uma nota com tradutores juramentados e cartórios. Até que um dia o vice-cônsul se compadeceu de mim e falou: “Frau Schultze, eu não deveria lhe dizer isso, mas vou falar. A Sra. jamais vai receber esse dinheiro, pois o governo alemão vai sempre exigir um novo documento, até que a Sra. desista. Contrate um excelente advogado em Frankfurt e, mesmo assim, não posso garantir que ele consiga resolver o problema”.

         Quando ele mencionou a palavra “advogado” depressa me  lembrei da 1 João 2:1 que diz: “...temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. Então falei para o vice-cônsul: “O Sr. tem razão. Acabei de contratar o melhor Advogado do universo: Jesus Cristo. Ele vai resolver esse problema”. O funcionário alemão me olhou intrigado, deu um sorriso amarelo (achando que eu estava louca) e logo me dispensou.

         Quando cheguei em casa, com aqueles documentos na mão, sentei diante da máquina de escrever e redigi uma carta (em Inglês) ao Banco, nos seguintes termos: “Os senhores têm exigido documentos demais e estou enviando os últimos. Agora EXIJO que o meu dinheiro seja depositado na conta... do Banco do Brasil, Agência Duque de Caxias, RJ., dentro de, no máximo, sessenta dias”. Assinei a carta e, em seguida, fiz uma oração ao meu Advogado e Ele resolveu o problema antes do prazo determinado.

         Pois bem, neste dia 02/08/04 estou contratando novamente o mesmo Advogado competente e justo para resolver o problema de minha neta. Peço que todos os meus amigos orem no sentido de que esse documento fantasma seja dispensado e minha neta possa casar brevemente com o eleito do seu coração, um jovem peruano, Físico Nuclear, doutorado com as melhores notas na Universidade de Chemnitz.

P.S. - Hoje, 02/10/04, minha neta já está com toda a papelada na mão. O Grande Advogado, Jesus Cristo, mais uma vez agiu como Deus e grande Salvador. Aleluia!

 

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31. - Os políticos no mês de setembro

 

         Setembro é o mês em que nascem mais crianças neste país, porque nas Noites (pagãs) de Natal e Ano Novo os casais se encharcam de vinho e se amam sofregamente, esquecendo os cuidados necessários para impedir o aumento da família.

         Setembro é também o mês em que os candidatos às eleições de outubro mais fazem promessas mirabolantes, porque dispõem de apenas 30 dias para garantir, enganosamente, que tudo vai ficar melhor para os eleitores que lhes derem votos.

         Aqui vão algumas das melodiosas promessas da maioria desses homens, que, obviamente, só querem mesmo se eleger, esquecendo depois tudo que prometeram.

         Vote em mim porque eu prometo que serei...

Tão empreendedor como o foi JK, na construção de Brasília.

Tão amigo dos trabalhadores como o foi Getúlio Vargas, em seus quase 20 anos de governo. E prometo me suicidar,  se não estiver agradando a todos...

Tão corajoso como o LULA, concorrendo a tantas eleições que acabou sendo eleito pelo cansaço dos eleitores de ver o seu nome entre os candidatos.

Tão ardoroso em defender a democracia como o foi Carlos Lacerda...

Prometo ainda que farei...

Muitas obras de infra-estrutura, asfaltando todas as ruas da cidade e construindo a maior rede de esgotos do Estado.

Construir muros de proteção sobre todas as casas suspensas nas encostas, evitando tragédias durante os temporais.

O possível e o impossível para baixar os preços das passagens de ônibus e da cesta básica...

Mais do que o impossível para arranjar emprego para todos os desempregados do nosso município.

Construir creches para todas as crianças de mães trabalhadoras.

A distribuição de cestas básicas às famílias que  ganham menos de 2 salários mínimos.

Abrir colégios em todos os bairros do município para que nenhuma mãe fique de madrugada tentando conseguir vaga para os filhos e toda criança possa estudar sem ônus para a família.

Construir abrigos decentes para todos os meninos de rua, idosos e dependentes de drogas.

Proibir que os bares fiquem abertos depois das 22 horas, evitando, assim, que a violência se espalhe na cidade.

Colocar na cadeia todos os traficantes, em menos de um ano de governo.

Fechar todas as financeiras que vivem espoliando a pobreza, comendo o fígado dos pobres que lhes pedem dinheiro emprestado.

Criar uma lei proibindo que certas igrejas barulhentas perturbem o sono dos vizinhos.

Proibir que os pastores exijam o dízimo (que foi abolido no Novo Testamento) e que inventem mil e uma artimanhas para tirar dinheiro dos incautos.

Enfim, prometo que farei tudo para agradar a todos, coisa que nem mesmo Jesus Cristo conseguiu...

         É isso aí... Quem vai acreditar em todas essas promessas e votar nesses candidatos que prometem tanto?

         Graças a Deus já não preciso votar, porque passei dos 70 anos e, assim, não corro mais o risco de colocar tantos mentirosos nos cargos políticos da cidade.

Se eu fosse votar...

Votaria num homem que tivesse nascido na pobreza e chegado ao topo, através de trabalho honesto e responsável.

Que jamais tivesse atrasado o pagamento de uma dívida, pois a maioria dos políticos peca por inadimplência.

Que fosse um excelente empresário, tratando bem os empregados, pagando salários dignos e oferecendo preços compatíveis em seus estabelecimentos.

Que soubesse usar o dinheiro do povo para realmente resolver os problemas da  cidade, em vez de criar um “caixa 2” para garantir as próximas eleições.

Que não colocasse todos os amigos e familiares em cargos fantasmas. Quando se entra numa repartição do governo, neste país, nota-se que lá dentro dos balcões o número de funcionários é maior do que o das pessoas que aguardam uma solução dos problemas, dali saindo sem solução alguma, porque o pessoal, que deveria estar trabalhando para resolvê-los, está sempre discutindo futebol, carnaval e problemas particulares, ignorando os rostos cansados que ali esperam.

Por isso dou graças a Deus de não precisar mais votar, embora reconheça que existe uma porcentagem ínfima de políticos sinceros e honestos, os quais trabalham em favor do povo que os elegeu.

Amigo leitor, saiba muito bem a quem dar o seu voto, a fim de que este não caia dentro de uma lata de lixo! E se der um voto a quem o merece, parabéns,  e ... Aleluia... Glória a Deus!

 

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32. - Love Story Outonal

 

         Eu tinha 52 anos, quando meu marido faleceu, cursava o seminário Teológico Betel, dirigia uma micro-empresa e tinha uma filha menor e dois netos com quem me ocupar. Portanto, minha vida era completa e prometi a mim mesma que jamais me casaria novamente e que iria me dedicar somente a Jesus, à firma, à família e a escrever livros evangélicos.

         No dia em que deveria estar recebendo o diploma de Bacharel em Teologia, exatamente quando completei 56 anos, não o fiz, porque ficara devendo algumas matérias que precisariam ser cursadas no ano de 1986. Nesse dia (08/12/1985) fui assistir a um culto na Igreja Presbiteriana da Taquara (RJ), cujo pastor, Nélio Quaresma, dedicou muito de sua pregação à minha vida e lá estava ainda um casal que havia se convertido lendo meus livros, portanto foi um dia de galardão inesquecível...

         À noite, quando cheguei da IP de Jardim Primavera,  onde havia assistido ao culto vespertino, o telefone tocou. Era o Químico Eduardo Konstanty, o melhor amigo e ex-assistente do meu marido, nos anos 50, e nosso padrinho do casamento civil. Ele havia regressado à Alemanha em 1959. Fazia, portanto, 26 anos que não nos víamos. Ele disse que estava no Brasil e perguntou se poderia hospedar-se conosco, com o que logo concordei.

         No dia seguinte fui esperá-lo na entrada do bairro que ele tanto conhecia e conduzi-o à nossa casa, onde ele iria permanecer por uma semana. Passeamos muito, junto com minha filha Rose, então com 9 anos de idade. Fomos ao Corcovado, ao Pão de Açúcar e a Teresópolis, onde eu tinha um apartamento na Av. Pres. Roosevelt.     Quando já ia embora, Eduardo me pediu em casamento. Ele era um dos homens mais belos que Deus criou: inteligente, amoroso, gentil e honestíssimo. Estava separado da esposa polonesa e queria refazer sua vida. Ele havia conquistado o meu coração solitário, naqueles dias de visita. Esqueci a promessa feita a mim mesma e aceitei o seu pedido de casamento, que deveria realizar-se na Alemanha, no mês de abril daquele ano, tempo que eu deveria aproveitar para organizar meus negócios, deixando a firma nas mãos da Margarete e levando somente a Rose comigo. Era uma decisão muito radical: deixar a firma que eu havia construído do nada, junto com o Schultze, abandonar meus netos pequenos e, sobretudo, abandonar o meu ministério, pois Eduardo era ateu e já havia me imposto uma condição única: não levar a Bíblia comigo.

         Depois que ele partiu e comecei a preparar o enxoval, minha consciência começou a reclamar. Sempre que eu pegava a Bíblia para ler, o Espírito de Deus falava comigo: “Você vai abandonar o seu Senhor? Fez um bom curso teológico e agora vai casar com um ateu?”

Foram quase três meses de luta interior, até que uma noite, quando o enxoval já estava pronto, ajoelhei-me para ler 13 salmos e orar, quando o Espírito Santo voltou a me falar pela centésima vez, só que, dessa vez, de maneira mais contundente: “Você é uma apóstata! Vai abandonar Jesus por um ateu... Ele não vai permitir que você vá à Igreja. Aqui você tem duas empregadas domésticas e só cuida da firma e de escrever seus livros. Lá você vai lavar, passar, cozinhar e arrumar para um ateu... Enfim, vai ser uma espécie de empregada do marido... Além disso, vai esquecer tudo que aprendeu e ainda ficar sob a ira divina...Será que vale a pena?”

         Tive uma crise de fúria, joguei a Bíblia no chão e desafiei o meu Deus: “Olhe aqui, Senhor. Eu vou me casar com esse homem de qualquer maneira, pois já dei minha palavra. Agora, se Tu não queres que eu vá para a Alemanha, me derruba depressa, senão eu vou...”  Pois ele me derrubou... No dia seguinte, 01/03/1986, fui ao Seminário renovar a matrícula, embora sabendo que iria embora em abril. Quando fui preencher o cheque, meus dedos ficaram rijos e não o consegui. Dali fui para casa e quando tentei engolir a salada do almoço, minha garganta se fechou e não consegui mais engolir nenhum alimento sólido. Tomei um suco e fui para uma livraria em Copacabana, a fim comprar o material escolar da Rose. Quando fui preencher o cheque, novamente não o consegui e foi a secretária Marieta quem deu um cheque dela mesma.

         A partir daquele dia, não consegui mais engolir coisa alguma, a não ser sucos, chá e café. Dez dias se passaram e comecei a sentir dores horríveis no estômago. Parecia tratar-se de uma gastrite feroz e as dores se agravaram tanto que precisei ser internada. Durante dez dias fiquei internada, tomando sedativos e fazendo todos os exames possíveis e imagináveis no Hospital Silvestre, com uma boa equipe médica me cuidando.  Saia do hospital me sentindo melhor, ia para casa, mas as dores voltavam e tinha de ser internada novamente. Quatro meses se passaram e eu cada vez me sentia pior. Não conseguia engolir coisa alguma, exceto líquidos. Nenhum exame acusou qualquer anormalidade, enquanto as dores continuavam. Durante quatro meses sofri muito. Aconselharam-me a consultar uma Psicóloga...  Tudo em vão.... Eu estava tão fraca que já não conseguia andar sozinha... Em junho, Eduardo veio da Alemanha e me cuidou durante duas semanas, com o maior carinho. No dia em que ele ia regressar, pedi-lhe para esquecer minha promessa de casamento, pois eu ia morrer. Ele ficou triste, chorou muito e embarcou chorando, segundo me contou o motorista que o levou ao aeroporto internacional.

         Naquela noite de domingo, final de junho, de repente eu tive um insight: “Será que aquilo tudo não era um castigo divino porque eu ia abandonar a minha fé por um ateu?” Caí no choro, reconheci meu grave pecado e pedi que Deus me perdoasse, pois a partir daquele dia eu iria servir somente ao meu Senhor. Alguns minutos depois desse compromisso, o telefone tocou. Era uma mulher desconhecida que havia sabido do meu sofrimento através de minha irmã Odete, que estava passeando no Rio. A mulher me contou que havia passado pela mesma crise de anorexia e depressão, quando fora abandonada por um homem com quem havia vivido por alguns anos. Indicou-me um Psicanalista, o Dr. José Elvas, com quem eu deveria me consultar. Concordei imediatamente e consegui uma consulta com o Psicanalista, para daí a 3 dias. Não sei quem era essa mulher... Talvez um anjo enviando por Deus para ajudar uma pecadora arrependida...

         A consulta demorou poucos minutos e o diagnóstico foi rápido. Era um tremendo complexo de culpa que estava me destruindo o corpo e a alma. Dr. Elvas me prescreveu dois medicamentos: Anafranil e Olcadil. Comprei os medicamentos, na mesma hora, e três dias depois já comia o primeiro bife, depois de 4 meses de jejum quase absoluto. Entrementes, mandei chamar o pastor da IP, da qual estava afastada há mais de 4 meses, por causa da doença, e confessei o meu pecado, pedindo que ele orasse por mim. Ele orou e comecei a me curar das dores e só me restou uma terrível depressão, que durou quatro anos... de estudo bíblico...

         Todo ano, na data do meu aniversário (durante 10 anos), Eduardo vinha ao Brasil e renovava o seu pedido de casamento. Eu sempre respondia não! Até que um dia, ele veio em companhia de um amigo (Otto) e falou: ”Esta é a última vez que lhe peço para casar comigo. Se disser não, outra vez, eu vou desistir”. Respondi que ele já deveria ter desistido há muitos anos... Ele ficou bravo e falou para o amigo: “A Mary não gosta de homem...”  Perguntei se ele estava me chamando de lésbica, ele  deu uma risadinha sarcástica e disse: “Não, é que você só gosta do computador e do Jesus...” Fiquei intrigada e indaguei: “Por acaso Jesus não é homem?” Ele fez um trejeito cômico, dando a entender que Jesus é gay. Pedi que ele falasse claramente, ele falou e atirei-lhe na cara um copo de meio litro do suco de frutas que estava lhe servindo. Ele ficou espantado e falou para o amigo: “Ela é louca!” Respondi que ele havia passado dos limites e que jamais voltasse à minha casa.

Ele se foi... Já faz 7 anos que aconteceu esse incidente desagradável, ele me deixou em paz e só nos vimos uma vez na Bavária (Alemanha), durante a festa  de aniversário e noivado do Frank, nosso amigo comum (1999). Em dado momento, ele quis mexer comigo e falou: “Mary não segue a Bíblia, pois Jesus disse para amar os inimigos e ela nem consegue amar os amigos...” Perdi a calma e respondi: “Ah! Você está citando um gay?” Amigos, ele chamou Jesus de gay, lá no Brasil, em minha casa!

         A revolta dos convidados foi geral e, a partir daquele momento, Eduardo se tornou “persona non grata” naquela festa...

A Palavra de Deus é a verdade” (João 17:17) e ela nos admoesta: “O salário do pecado é a morte...”  Por causa de um amor outonal, que foi um grave pecado contra o meu Senhor amado, eu quase perdi a vida e fui tão disciplinada...

 

Outubro 2004 **************************************************

Trova do dia:

Se dizem que um elefante / faz versos... eu acredito.

Mas que existe homem constante, / digo: é mentira! E repito!

33. - As Peruas do Congresso

 

         Hoje acordei tarde, pois fui dormir depois das 2 hs. da manhã, tendo chegado (uma hora antes) do Congresso da Profecia, organizado pela Chamada da Meia Noite em Poços de Caldas, MG. Quando acessei a Internet havia mais de 50 e-mails, o que me deixou realmente desanimada... Ach Du, Mein Gott!

         Este sexto Congresso da Profecia, como sempre, foi muito bem organizado, tendo apresentado excelentes preletores, como Dave Hunt, Thomas Ice, Arno Froese, Dieter Steiger e o jovem Reinhold Federoff, cuja explanação sobre os Sete Montes de Israel foi simplesmente maravilhosa!!!

         O serviço do hotel não foi tão perfeito como esperávamos e, depois que eu fiz uma leve reclamação em favor de duas companheiras de quarto, fui convidada pela diretora do estabelecimento, uma senhora jovem e simpática chamada Letícia,  para uma conversa franca, durante a qual, a pedido da mesma,  expus o que não nos havia agradado. Ela ouviu e anotou tudo e, em seguida, me ofereceu cinco dias de estada no referido hotel, a título de cortesia, o que agradeci e  depressa recusei. No dia seguinte, notei que uma das reclamações feitas (a carne de frango que chegava meio dura) tinha sido atendida, pois o franguinho estava “desmanchando”.

         No Congresso da “Chamada”, aprendemos coisas muito  importantes a respeito das Profecias, as quais apresentam Israel como sendo realmente o povo escolhido por Deus para evangelizar o mundo e para reinar durante o Milênio vindouro, na Pessoa do Senhor Jesus Cristo. Nesse Congresso nenhuma denominação foi criticada, tendo sido o objetivo do mesmo simplesmente denunciar aos congressistas o que os árabes têm feito  no sentido de riscar Israel do mapa, no Oriente Médio. Também foi mostrado como as Nações Unidas e todos os países do mundo (exceto os USA) têm marginalizado a Nação de Israel, engano diabólico que os profetas do Velho Testamento já haviam profetizado em seus escritos, mais de 700 anos  antes de Cristo. Além das palestras de alto nível, havia uma exposição de livros igualmente edificantes sobre o assunto da profecia, além de outros escritos com muita erudição bíblica. Comprei apenas uma dúzia de livros, mas gostaria de ter comprado uns cinqüenta títulos !!!

         Além dos dias felizes que passamos no Congresso, as viagens de ida e de volta foram uma verdadeira festa. O motorista do ônibus da Viação Teresópolis no qual viajamos (Marcos Vinícius C. Rocha), foi muito firme e responsável no volante, tendo nos levado e trazido na mais perfeita segurança (Parabéns à Viação Teresópolis por escolher competentes profissionais do volante).

Na ida a Poços de Caldas (umas dez horas de viagem) houve um serviço perfeito de “bordo”, sob a responsabilidade do casal Alexandre (pastor) e Raquel, com o pessoal (cerca de 70 almas) se divertindo saudavelmente, com animados bate-papos entre alguns, conversa à meia voz entre outros e algumas piadas inocentes, como convém a crentes realmente bíblicos. Na volta, houve a brincadeira do “amigo oculto”, na qual fui agraciada com um broche folheado a ouro com o Menorá, acondicionado num estojo de veludo vermelho. Houve ainda o sorteio de brindes, de passagens para o próximo ano, de promessas para novos encontros e, sobretudo, a consolidação de novas amizades estabelecidas na graça e no conhecimento de Jesus Cristo, o Rei dos reis e Senhor dos Senhores.

Entre as senhoras da caravana houve uma que se destacou pela beleza madura e elegância parisiense. Seu nome - Edinalva. A turma, muito alegre e brincalhona, logo apelidou-a de “perua do congresso”, título com que também fui agraciada por causa da minha mania de trocar de roupa e usar adereços combinando com as roupas.

O casal mais jovem, lindo e bem comportado, foi aquele formado por Carlos Eduardo e Raquel. O casal de meia idade, igualmente lindo - e alegre demais - era formado por Rubens e Dalva (eu deveria fazer mais elogios ao Rubens, pois foi dele que ganhei o Menorá... Mas não me fica bem...)

A pessoa mais alegre e descontraída nessa caravana foi Maria Célia, que ajudou o Pr. Alexandre em certos momentos e, por isso, foi apelidada jocosamente de “vigária” ou “apóstola” da igreja do referido pastor (que nem igreja possui).

Fomos obrigados a parar por alguns minutos num lugarejo do interior, na cidade de Pouso Alegre, (MG),  quando a brincadeira chegou ao ápice, ao nos depararmos com uma enorme faixa, na frente de uma “igreja”, na qual podiam-se ler, em letras enormes,  os seguintes dizeres: “Dízimo, um ato de fé. Convidamos toda a comunidade para a primeira semana missionária do dízimo, de 24 a 31 de outubro”.  Como nenhum dos passageiros (nem mesmo os pastores) era fanático na cobrança e/ou entrega do dízimo, houve muita brincadeira, tendo eu me tornado o centro das piadas, por causa da minha apostila “O Dízimo do Dízimo”, em que condeno a “auris sacra famis” de certos pastores malaquianos.

O jovem mais lindo e simpático que eu conheci nesse Congresso foi o Danilo, encarregado do stand da revista “Defesa da Fé”. Apaixonei-me perdidamente por ele (como avó) e dediquei-lhe um dos seis livros (Viajando com Martinho Lutero) que tinha levado na bagagem. O mais discreto e carente de afeto maternal foi o jovem Luís (muito parecido com o Ronaldinho) e o mais alto foi o Paulo Pantaleão (pastor da AD) de Nova Iguaçu. O que mais adorei conhecer foi o Paulo Sérgio (de Taubaté), um dos “filhos” com quem me correspondo através da Internet, o qual prometeu estar aqui em Terê, no final de novembro, para o Congresso de Seitas do CPR. 

Minhas duas companheiras de quarto foram a Molar e a Diva. Brincávamos o tempo inteiro com a Molar, porque ela ADORA dormir e comer, enquanto eu sou do tipo que só come para sobreviver. Molar ia correndo para o restaurante, antes que Diva e eu lá chegássemos. Diva afirmava que ela assim o fazia para evitar o meu controle sobre o excesso de comida, principalmente de farofa (que eu sempre detestei), que a Molar comia. Molar é alegre, generosa e amistosa, tanto que é a segunda vez em que ficamos juntas no Congresso da “Chamada”. Quanto a Diva, que eu já conhecia de nome, desde o tempo em que fui micro-empresária na linha de cosméticos,  achei-a simplesmente maravilhosa! Diva é linda, elegante, culta, inteligente e bíblica, de modo que me deixou a melhor das  impressões e estabelecemos uma amizade, que espero possa alcançar o “Dia de Cristo”.

Fui muito assediada por irmãos que haviam lido meus artigos e livros, procurando comprar outros exemplares (que não levei porque a Editora mos sonegou), de muitos que eram encaminhados a mim, pois desejavam me conhecer pessoalmente, e por outros que ficavam me conhecendo por “ouvir falar”, através dos que já haviam comprado e lido meus trabalhos, nos últimos anos (É chato ser famosa!!! Riso.)

Fiquei tão cansada que, na última palestra da noite de sexta feira, logo depois do jantar, tomei um banho quente e desabei na cama, desejando apenas dormir... No dia seguinte, porém, assisti às duas últimas palestras do Congresso (Dave Hunt e Arno Froese), a do Hunt sobre “O Caminho para o Armagedom”, assunto que eu já havia lido no trabalho dele,  com esse título, por mim traduzido, há meses.

Dou graças a Deus, por tudo de bom que nos aconteceu nesse congresso, onde 500 pessoas ouviram e retiveram muitas verdades importantes sobre o valor e a infalibilidade da Profecia na Palavra de Deus, a qual,  infelizmente, tem sido tão deturpada e erroneamente manejada, nos dias de hoje, por pastores ambiciosos, que visam tão somente a fama, o lucro e o poder, em vez de ganhar almas para o Senhor Jesus Cristo!   

 

(24/10/04).

 

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34. - A Esperança  Brota Eternamente

 

         Eu tinha apenas 17 anos quando o conheci na classe de Inglês do IBEU e me apaixonei por ele, no primeiro dia de aula. De ascendência holandesa, ele tinha cabelos claros, olhos de gato (amarelo-esverdeados) e tinha uma linda covinha no queixo. Caí de quatro dentro daquela covinha rosada! Para mim ele era tudo que uma jovem poderia desejar nesta vida!

         Desde o primeiro dia, tivemos uma grande empatia e nos apelidamos mutuamente de “Dearest”, ele dizendo que eu seria a sua “dearest pupil” e eu, que ele já era o meu “dearest teacher”. Como residíamos em ruas próximas, ele me levou até a porta de casa e, a partir daquele momento, começou entre nós um amor/amizade que iria perdurar mais de meio século... Lembro-me da “profecia” que ele fez a meu respeito, a qual iria começar se cumprir quase cinqüenta anos depois: “Você é uma excelente aluna de Inglês e algum dia poderá se tornar uma tradutora internacional”. 

Tirei as melhores notas no curso e melhorei bastante o meu Inglês. Ele deu uma festa de término de ano em sua casa e fui convidada. Lembro-me que provei whisky pela primeira vez, com água de coco, e não gostei. Ele havia se casado com uma mulher comum e tinha um filho com ela. Ficamos amigos, isto é, ele era meu amigo e eu era sua namorada platônica. Ele parecia ignorar meu amor por ele... Era um homem casado e muito fiel à esposa.

         Os anos passaram, vim morar no RJ (1954), casei-me com o Schultze (1956) e perdemos o contato. Em 1974, minha mãe fez uma cirurgia de vesícula (Fortaleza) e quando eu estava no hospital cuidando dela, ele apareceu, dizendo que desejava visitar minha mãe. No final da visita, ele pegou a mão de minha mãe, colocou a mão dele e a minha dentro da mão dela e falou: “D. Rosa, eu sou casado com uma boa mulher, sua filha se casou com um bom homem, mas eu lhe garanto que ainda me caso com a Mary, um dia, mesmo que seja quando eu tiver 80 anos e ela tiver 70, e estejamos num asilo de velhos”. Minha mãe sorriu diante daquela declaração de amor e não disse uma palavra... Trinta anos se passaram, desde aquele dia...

         Mais tarde ele conheceu meu marido numa reunião do Rotary e este me contou que ele lhe havia dito o quanto gostava de mim e pediu que o Schultze me amasse e me tratasse muito bem, pois eu merecia. Recomendação desnecessária, pois em nosso casamento meu marido sempre foi o “santo” (fleumático) e eu, o “capeta”, por causa do meu temperamento nordestino.

         Nos anos 80, quando eu já estava viúva, Dearest e eu começamos nos corresponder. Nossa troca de cartas era tão inocente que Deus deve ter-nos abençoado. Meu objetivo era levá-lo a Cristo e numa das cartas ele me contou que estava lendo a Bíblia em 4 idiomas. Não sei se ele chegou a se converter, pois logo perdemos contato, novamente, quando decidi me casar com um Químico alemão, por quem estava enamorada, antes de adoecer gravemente e ter começado a atravessar uma fase de muita depressão e angústia, a partir de 1986.

         Leiam abaixo parte de uma de minhas cartas enviadas a Dearest, durante o ano de 1985, quando mantivemos uma boa correspondência,  e, em seguida, sua resposta. Esta carta é uma adaptação da Epístola de Paulo aos Filipenses.

 

         Rio, 21/02/1985.

         Dearest:

 

         Dou graças a Deus por tudo que me faz lembrar de você, fazendo orações em seu favor, com alegria, para que, desde agora, você possa cooperar com o Evangelho de Cristo. Estou plenamente certa de que Aquele que começou em você boa obra há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus. E é justo que eu assim pense, uma vez que guardo V. em meu coração, certa de que V. também participa comigo da graça divina da salvação. Minha testemunha é Deus da saudade que tenho de você na terna misericórdia de Cristo Jesus. E também oro para que aumente o seu amor e V. se torne pleno do conhecimento de Deus, para sentir prazer apenas nas coisas excelentes, tornando-se sincero e puro para o dia da volta de Cristo, cheio de boas obras realizadas através Dele, para a glória de Deus (Fp 1:1-11).

         É bom saber que V. está estudando a Palavra de Deus, e também transmitindo-a, e com isso muito me regozijo. Creio que suas orações a meu favor poderão me libertar (de problemas financeiros e de saúde), sendo Cristo engrandecido em meu corpo, quer pela vida, quer pela morte, porquanto para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. Mas se o meu viver traz vantagem espiritual para você e os meus, já não sei o que escolher. Pois de um lado tenho o desejo de deixar este mundo e ir para junto de Cristo, o que seria incomparavelmente melhor. Mas, por sua causa e dos meus, é melhor que eu fique e, quem sabe, isto será bom para aumentar o gozo de sua fé, a fim de que eu sirva de motivo para que V. possa se gloriar em Cristo Jesus. (Fp 1:18-26)

         Peço encarecidamente que V. viva conforme o Evangelho, a fim de que, ao nos encontrarmos, possa eu sentir que nossas almas estão unidas no mesmo ideal, lutando juntos pela fé evangélica. Pois tenho a impressão de que nos foi dada não apenas a graça de crer, mas também a de sofrer  pela fé em Cristo Jesus (Fp 1:27-29).

         Se existe em seu coração alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se existe entre nós entranhados afetos e misericórdia, faça-me feliz (estudando a Palavra sem adicionar as interpretações sofismáticas de teólogos idólatras), pensando como eu, amando-me espiritualmente, com humildade, sem se considerar tão mais sábio ou superior a mim.  Experimente dentro de sua alma o mesmo sentimento que teve Cristo Jesus, que sendo Deus a si mesmo se esvaziou de sua divindade e tornou-se obediente, como um servo, humilhando-se e obedecendo ao Pai, até a morte de cruz. E foi por isso que Deus o exaltou de maneira tão elevada, dando-lhe o NOME que está acima de todo nome: para que ao NOME de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Ele é o Senhor, para a glória de Deus Pai... (E continuei citando Paulo, até o final de sua Carta aos filipenses).

         Agora vejamos alguns trechos da resposta de Dearest:

 

         Minha querida Mary:

 

         Não sei como agradecer tanta exortação, tanta bondade, tanta dádiva, contidas nas suas últimas mensagens de 15/2 e 21/2, esta última recebida ontem, acompanhada do maravilhoso livro “Paulo de Tarso”, de Huberto Rohden. Minha intenção, até ontem, era escrever-lhe somente no final deste mês, isto é, depois da entrega da minha Declaração do Imposto de Renda, no dia 22.

         Sua última carta deixou-me realmente encantado. Muitas das frases, mesmo excluindo as que você tirou da Bíblia, parecem ditadas pelos anjos do céu, pois acredito que na face da terra, há muitos deles transitando entre nós...

         Sinto-me inibido para comentar sua carta, pois as duas páginas saíram de uma impressora divina. Seu cérebro privilegiado produziu algo, uma mistura de Bíblia e do livro “Os Santos que Abalaram o Mundo”. Francamente, nunca li tanta coisa maravilhosa, encantadora, maviosa, arrebatadora, sublime e convincente, provinda da inspiração humana...

As leituras ajudam muito, mas não suprem todas as lacunas da alma humana. Seria possível ouvir Mozart, Beethowen e Chopin ao lado de uma Discoteca? Seria possível orar, comunicar-se com Deus, ouvindo os bárbaros instrumentos de uma Escola de Samba?...

Vivemos num mundo infernal, cheio de todo tipo de malfeitores... Poucos se lembram de que somos pó e ao pó havemos de retornar...

         Mas, afinal de contas, não podemos, nem eu nem você, ser palmatórias do mundo. Simplesmente não podemos dar um jeito. Você fala dos políticos e o que fizeram ao Brasil, isto é, à classe média, transformando-a na mais sacrificada de todas as classes sociais. Estamos todos reduzidos à metade. O horizonte nacional está sombrio, com a perspectiva de uma inflação de 300% ao mês...

         Acho que já lhe disse que não fumo, não bebo, nem tomo remédios... Pretendo continuar assim, sem tomar remédio, sem consultar médico, pois desejo morrer com toda a minha saúde...

         Vou ler “Paulo de Tarso” somente depois da chatíssima Declaração de Renda...

Veja, minha querida Mary, que carta grosseira estou lhe escrevendo. Recebo de você páginas divinas e respondo com esta linguagem, quase de porta de supermercado.  Meu Deus! Onde estou com a cabeça?

No Carnaval li um livro “Hope Sprouts Eternal”. Graças a Deus, mais uma vez “A Esperança Brota Eternamente”. O ensaio começa com versos de Emily Dickinson, poetisa americana (1830-1886). Como você já deve ter notado, minha preferência é pelas poetisas, muitas delas, infelizmente, já mortas.

Veja o que diz a nossa Emily Dickinson:

 

A esperança é algo com asas,

que pousa na alma da gente,

E canta uma canção sem palavras,

Que não termina nunca, jamais...

 

Vamos ter esperança, Dearest, porque a sabedoria popular já vem dizendo, há muito tempo, que “a esperança é a última que morre”. E para encerrar esta conversa, deixe-me beijá-la com muita ternura e admiração.

Eternamente seu,

Dearest.

 

Hoje em dia um homem e uma mulher se encontram, se olham e logo vão para a cama. Em meu tempo, um amor podia durar mais de um quarto de século, platonicamente, sem murchar, sem se contaminar com sexo, sem perder a sua pureza e beleza...

Estou escrevendo mais este capítulo do livro “Colar de Lazulitas” porque nesta madrugada tive um sonho lindo com Dearest. Ele chegava aqui em Terê, saíamos juntos para um passeio na “Cascata dos Amores” e ele me dizia: “Mary, eu sempre te amei e vou te amar, até mesmo quando estivermos diante do Tribunal de Cristo, para darmos conta do bem e do mal que tivermos feito por meio do corpo” (2 Coríntios 5:10).     

Acordei assustada... Será que Dearest (com 84 anos, desde 17/09/04) foi convocado à presença do Senhor? Será que ele se converteu a Jesus Cristo e vamos nos encontrar diante do Rei dos reis, dobrando nossos joelhos e glorificando o Seu Santo Nome? Que Deus me dê essa alegria. Afinal, a esperança brota eternamente!(01/11/04)

 

Trova para Dearest:

 

Se algum dia eu tomar

um frasquinho de veneno,

pode, quem quiser, jurar

que foi por homem pequeno!

35. Deus usa até o Diabo...

 

         Hoje fui assistir ao culto matutino em nossa PIBT, na esperança de que o pastor não me dirigisse mais nenhuma lição de moral, lá do púlpito.

No domingo seguinte àquele do incidente desagradável, quando fui acusada de mil e um “pecados”, estive na igreja, mas o pastor fora pregar noutra cidade. (Neste ponto  ele é bem parecido com JP2, o papa andarilho. Gosta de pregar noutras igrejas e, vez por outra, ficamos à mercê de um pregador medíocre, ou então, quando Deus se compadece de nós, ouvimos uma pregação do Pr. Paulo Pimentel (com quem trabalhei quase três anos no CPR) e, portanto, somos todos edificados. Romanos oito, vinte e oito e Efésios 3:20-21!)

No outro domingo (26/09) estive na igreja, mas saí antes da pregação, pois estava muito resfriada e não queria tossir durante a mesma... Deus me livre!

No domingo passado (03/10) chovia tanto que achei melhor ficar em casa ouvindo alguns livros da Bíblia na voz do Cid Moreira e terminando o meu último livro - Colar de Lazulitas -  de amenidades evangélicas...

Hoje fui à igreja com a melhor das intenções, mesmo correndo o perigo de escutar alguma disciplina verbal. E aconteceu uma coisa interessante. Alguém havia marcado o meu lugar com uma bolsa de plástico, enquanto havia dois lugares vazios no banco. Empurrei a bolsa e me sentei comodamente no lugar que ocupo há nove anos. A senhora ao lado (negra e bonita), que estava guardando o lugar para uma amiga, me olhou espantada e precisei explicar o motivo de ter afastado aquela bolsa. Ela sorriu, condescendente, e ficamos na paz do Senhor...

Logo em seguida, descobri uma verdadeira “colônia africana” ali na Igreja.  Contei as pessoas de cor e cheguei a umas cinqüenta, o que me deixou intrigada, pois eram todas desconhecidas. Perguntei a uma das líderes da congregação o que significava aquilo e ela me explicou que era um culto festivo de aniversário dos 70 anos de uma irmã (negra), membro da igreja há muitos anos e empregada doméstica de uma família ilustre da mesma.

Achei excelente a idéia da homenagem, mas fiquei pensando: “Quando eu fiz 70 anos ninguém me deu sequer os parabéns aqui e, provavelmente, quando eu fizer 75 (08/12 /04), ninguém vai se lembrar sequer de me dar um abraço. E por que? Simplesmente porque não faço trabalho na igreja, não sou membro de uma família ilustre da congregação, não entrego o dízimo e nem gosto de festas.”

Não nasci para fazer trabalho de igreja. Sou independente demais para ficar sob a direção de irmãos que, em geral, são menos instruídos do que eu, na Palavra de Deus e na cultura geral. Gosto de fazer o meu trabalho, usando os dons que Deus me deu, mas somente como e quando posso usá-los, sem interferência alheia. Sempre fui independente. Talvez seja orgulho de minha parte, mas eu jamais admiti que sou humilde! Certa vez até falei para um pastor, meu pai na fé: “A única virtude que eu não tenho é ser humilde!” e ele riu à beça, pois falei quase a verdade. É que embora não possua todas as demais virtudes, de fato reconheço que não sou nada humilde, nem modesta, claro!

Saí antes do final do culto, que se prolongou demais. Além de tantos cânticos “gospel” inseridos no programa (provavelmente para agradar os visitantes), fiquei sem disposição de ouvir um sermão em que iria correr o risco de ser disciplinada novamente. Vim para casa, bem devagar, e fiz três mini-sanduíches de bisnaguinhas Seven Boys com manteiga, recheio de tomate e maçã. Que delícia e como é saudável! Tomei o refrigerante que meu marido criou, a SUKITA (meu favorito) e vim escrever, enquanto faço hora para ir à Feirinha ao Alto, apanhar o colar que o Mauro está consertando e prometeu me entregar hoje. Deus é bom demais! Ele me ajuda até mesmo nas futilidades, conforme vou contar abaixo...

(15 horas: Estive na Feirinha e o Mauro não havia ainda consertado o colar. Fui até a barraca da tapioca, comi uma, encharcada de manteiga da terra, olhei as novidades e na volta de ônibus cedi meu assento a uma senhora mais idosa do que eu, visto como as pessoas mais novas não se mexeram para lhe oferecer um lugar. Assim, pelo menos, pratiquei uma boa ação neste domingo, dia do Senhor!)

Anteontem, Rose e eu entramos no Shopping Teresópolis, depois do almoço.  Quando já íamos saindo, notei uma lojinha de artigos de pedra e achei que poderia encontrar ali um par de brincos para substituir o meu favorito (comprado há 25 anos), que havia perdido há três semanas. Já havia percorrido todas as lojas da cidade e do Alto e nem sombra desse par de brincos para fazer jogo com o meu colar de quartzo verde.  Enquanto me emprenhava (junto com a simpática vendedora Tatiana) na busca dos brincos, minha filha Rose ficou examinando detalhadamente os produtos da loja.

Pois não é que eu consegui um lindo par de brincos, exatamente igual ao colar? Era o único do estoque, encontrado no fundo de uma grande caixa, cheia de bijuterias de pedra. Fiquei felicíssima e paguei em dinheiro. Saí dali com a intenção de voltar no dia seguinte para dar um livro àquela vendedora, que me deixara tão feliz! Realmente voltei, não a encontrei, mas deixei o livro e ainda preguei o Evangelho para o seu colega, que se chama Alexandre...

Interessante é que no dia da compra, quando saímos da loja, Rose me olhou, espantada com tanta euforia, e comentou: “Mãe, a Sra. agora provou que está realmente na fase de ‘Mary Fútil’. Pois não é que comprou essa jóia numa loja de artigos esotéricos, especializada em baralhos de Tarô, figas, amuletos, velas, incenso e que é,  além de tudo, um centro de meditação zen-budista?”

Tomei um choque, senti meu rosto ardendo e tentei me desculpar com esta frase: Pois é, filha! Deus usa até o Diabo... para me ajudar!

 

10/10/04.

 

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Trova do dia:

 

O homem por Deus criado,/ tão santo e tão inocente,

bobeou e foi comprado / pelo time da serpente!

36. O pecado da gula

 

Certo dia vi uma reportagem interessante no “O Fantástico”. Raramente tenho visto esse programa de TV,  pois caiu muito de nível, ultimamente (como tudo neste mundo, inclusive os cânticos e as pregações nos cultos das igrejas), mas ontem havia algo sobre alimentação que me interessava.

Meu marido era doutorado em alimentos pela Universidade de Berlim,  tendo criado as essências da Kibon, Brahma, Antártica e outras indústrias de sorvetes e refrigerantes, nos anos 50-60, quando era o Gerente Químico de uma Indústria de Essências Alimentícias na Rodovia Washington Luiz, Km. 14, RJ. Foi ele quem criou e “batizou” (na Bahia)  a laranjada “Sukita”, tanto que usou “ki” em vez de “qui”. Pediu-me opinião e  achei bonitinho esse nome!

Quando nos casamos, em 1956, ele costumava elogiar o meu tipo de alimentação, que além de saudável era também econômico.  De manhã eu tomava simplesmente uma xícara de chá preto com suco de fruta. Ao meio dia comia um bom prato de legumes, frutas e carne branca. À tarde tomava apenas uma xícara de café preto, para tirar o cansaço da lida diária. À noite, lá pelas 19 horas, tomava uma sopa de legumes com carne ou comia uma fruta. Tem sido esse o meu cardápio diário, há mais de meio século, e  vai continuar sendo. A este me habituei e nunca sinto fome! Também não tenho sequer um dos males comuns da terceira idade.

Não gosto de pão, pois no sítio de meus pais (a 7 km. do centro do Crato),  havia 27 vacas pastando no campo e nenhuma padaria por perto. Por isso comíamos queijo puro no café, no almoço e no jantar (ninguém lanchava em nossa casa), com muitas frutas e legumes que havia no sítio de meu pai. Aos domingos, minha mãe fazia um pão de milho com coco ralado, ou então um mingau de milho verde para o nosso jantar. Comíamos isso junto com queijo.

Éramos terminantemente proibidos de repetir nosso prato, pois minha mãe (que só tinha o curso primário) havia aprendido de sua avó portuguesa (uma nobre senhora católica) que a gula era um pecado capital odiado por Deus. Aprendemos a comer pouco e por isso ninguém da família se tornou guloso e nem gordo, mesmo depois dos 60 anos de idade. Aliás, temos todos um peso médio de 50 Kg. e nos sentimos  leves,  elegantes e saudáveis!

Nesse domingo, estive almoçando em nossa igreja. Coloquei no prato apenas três colheres de sopa de legumes cozidos e duas fatias finas de carne assada. De sobremesa (que nunca tomo em casa nem no self-service) aceitei uma tigelinha de doce de laranja, meu favorito, e tomei meio copo de refrigerante (em casa sempre tomo um suco de sete frutas naturais). Fiquei satisfeita e resolvi demorar alguns minutos batendo papo com duas irmãs que me acompanhavam na mesa. Ambas estão quase na minha faixa etária, mas são bem gordinhas. Olhei o prato de cada uma - e os pratos de alguns irmãos ao redor -  e fiquei pensando: “Meu Deus, como os crentes são gulosos!”  Cada prato transbordava com grande quantidade de arroz, feijão farofa, legumes e carne (Minha mãe nunca permitiu a entrada de farinha em nossa casa). Vou sugerir que a nossa igreja compre pratos enormes, do mesmo modelo dos pratos do self-service da Catedral Metodista,  talvez porque os donos deste (o pastor e a esposa) são adeptos da Teologia da Prosperidade e sabem que os membros da Catedral podem pagar muito mais pelo que comem!

Realmente, se há uma classe de gente gulosa, essa é a dos crentes evangélicos. No self-service “Cantinho do Oswaldo/Lucy” , onde como duas vezes por semana (sempre frutas, legumes e peixe), costumo observar os crentes conhecidos e seus pratos sempre ultrapassam os dos outros clientes do Oswaldo.

Pelo fato de estarem salvos, sem depender de boas obras, a maioria dos irmãos evangélicos procura compensar a proibição de beber, fumar, jogar e viver em imoralidade, empanturrando-se de comida. Esquecem que estão profanando o templo do Espírito Santo, que é o seu corpo. Meu marido costumava dizer que podemos até tomar estricnina, contanto que em dose ínfima e que a maioria das pessoas engorda e adoece por causa da gula e da falta de higiene. Desde criança aprendi com minha mãe a virtude da higiene. Até meu pano de chão é alvo e passado a ferro pelo avesso e pelo direito (Há quem me chame psicastênica...)

Pois foi exatamente a quase eliminação de calorias - beneficiando a saúde e resultando em longevidade - que os cientistas da alimentação acabaram de comprovar, através de pesquisas feitas em ratos... Interessante é que meu marido sempre falava isso, há quase meio século, e minha mãe, uma simples dona de casa nordestina, que mal havia sentado num banco de escola, costumava aplicar em nossa vida.

Deixemos de lado os ratos dos cientistas e voltemo-nos para os Dez Mandamentos. Quem segue a Lei de Deus sempre tem mais saúde, pois não abusa de coisa alguma e por isso preserva o bem estar físico e espiritual.

Deus não nos deu os Dez Mandamentos por ser um Pai exigente demais, mas por saber o que é melhor para todos nós.  Portanto,  não precisamos ficar usando o “poder da fé aliado ao pensamento positivo”,  tentando nos curar de uma porção de doenças. Essa é a mania dos crentes (especialmente da Teologia da Fé/Prosperidade), depois de um dia de jejum mensal forçado pela igreja, esperando ser curados de suas tentações e de seus males psicossomáticos, os quais deixariam de existir, se eles não fossem tão gulosos e preguiçosos na leitura da Palavra de Deus!

 

28/06/04.

 

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37. - O Suicídio leva ao inferno?

 

         Hoje em dia os pregadores protestantes e católicos se julgam modernos e liberais para falar de um assunto tão “ridículo” como o inferno! Os jovens, mergulhados na idolatria do rock e das drogas, além da vida virtual que a TV  e a Internet lhes oferecem, também não acreditam no inferno e quando alguém  lhes fala do assunto, alguns até comentam: “Ora bolas, Jesus era tão legal que nunca falou nesse lugar horrível. Por que é que eu vou acreditar em você?” O caso é que Jesus falou e muito sobre o inferno. Na Bíblia temos dezenas de citações sobre o inferno, geralmente dos lábios santos do Senhor Jesus, e vamos tentar citar algumas aqui:

Lago de fogo - Apocalipse 20:15

Abismo - Apocalipse 20:1

Vento abrasador - Salmos 11:6

Fogo devorador - Isaías 33:14

Lugar de tormentos - Salmos 18:5 e Lucas 16:23

Lugar de choro - Mateus 8:12

Fornalha acesa - Mateus 13:41-42

Onde se rangem os dentes - Mateus 13:42

Onde Deus é blasfemado - Apocalipse 16:11

Onde não se descansa - Apocalipse 14:11

Lugar de trevas - Mateus 25:30

Onde se clama por misericórdia - Lucas 16:24

Onde jamais podem se arrepender - Mateus 12:32

Lugar de castigo eterno - Mateus 25:46

Onde se remorde a língua - Apocalipse 16:10

Onde se sofre ira de Deus - Apocalipse 14:10

Lugar de eterna destruição - 2 Tessalonicenses 1:9

Lugar preparado para o Diabo e seus anjos - Mateus 25:41

Onde o fogo nunca morre - Marcos 9:48

Lugar de chamas eternas - Isaías 33:14

E por aí a fora...

         A música rock engana os jovens e adolescentes, afirmando em tom de zombaria que o inferno é um lugar de festa permanente, onde eles poderão encontrar os amigos todos. Como conseqüência a taxa de mortalidade entre os adolescentes triplicou nos últimos 50 anos (Os Beatles são os primeiros sacerdotes do culto satânico na segunda metade do século 20).  Quando os jovens estão afundados no álcool,  no sexo ilícito, nas drogas e no Satanismo, enganados pela teologia de Anton Lavey, acabam se suicidando por achar que lá do outro lado a vida gira sempre em torno de música, sexo e prazer.

Quando um jovem comete suicídio ele vai direto para o inferno, mesmo que nele não acredite. O inferno existe e Jesus atestou sua existência. Se não existisse por que teria um Deus Santo se humilhado a ponto de morrer na cruz em favor da humanidade? Ele se entregou exatamente para salvar os homens e mulheres desse lugar de tormento eterno.

         A taxa de suicídios entre os idosos foi a oitava causa de morte nos Estados Unidos, no século passado.  Os velhos perdem a esperança numa vida melhor, sentem-se desprezados e abrem mão de toda a esperança, cometendo suicídio. Morreram por dia cerca de 84 pessoas e quase 2.000 tentaram o suicídio nos Estados Unidos. Quanto mais rico o país, maior o número de suicídios. Na Suécia a porcentagem é ainda mais elevada. Isso porque os bens materiais e a liberdade de ação não satisfazem os anseios da alma e quando não se tem Deus na  Pessoa de Jesus Cristo a vida se torna desprovida de qualquer sentido. Os viúvos e divorciados se suicidam mais do que as pessoas casadas por causa da solidão. Um lar e uma família organizada ainda são um freio contra o suicídio.

         Entre os detentos americanos a taxa de suicídio é altíssima, mesmo que as condições nas prisões americanas sejam bem melhores que as do Brasil. Neste país temos a bênção do Evangelismo entre os detentos e muitos têm se regenerado. Por causa da pregação do evangelho nas prisões, muitas almas têm sido salvas e demos glória ao Senhor pelos missionários que se dedicam a esse tipo de Evangelismo.       

 

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38. - Um caso de bulimia

 

         Deus tem sido generoso demais comigo. Apesar dos meus 75 anos de idade, ainda tenho o mesmo peso dos vinte anos, sem estrias, celulite, ou gorduras localizadas. Não carrego qualquer dos males típicos da Terceira Idade e minha cabeça ainda está funcionando, a ponto de me deixar traduzir até dez páginas de um livro de história e teologia, sem consultar o Dicionário de Webster ou de Oxford.

         Nunca fiquei gravemente enferma e só fui ao hospital três vezes: uma para ter minha filha alemã, outra quando tive anorexia e depressão (depois que desisti de me casar com um ateu), e outra quando operei catarata, tendo ficado apenas duas horas no hospital.

         Tenho umas amigas que são gordas, só pensam em comer e uma delas até sofre de bulimia. Esta ficou 04 dias em meu apê e comeu tanto que eu ficava me sentindo mal, só de ver a sua gula desenfreada. Nunca tinha visto um caso assim, dentro de casa...

         Em geral tenho apenas frutas, verduras, legumes, carne branca, sucos, Kronenbier, água mineral e geléias na cozinha. Mas como estava esperando dois pastores que vinham ao congresso do CPR e depois passariam por aqui, supri a mesma de comida, ou seja, de pão, biscoitos,  panetone, refrigerantes, bolo e outras guloseimas.

A tal senhora se convidou para ficar uma noite aqui em casa, visto como só recebi um dos pastores (por uma noite apenas) e concordei. Ela chegou doente (por ter comido demais no congresso), pesando 80 Kg. (pelo menos),  e sugeri que ficasse 24 horas sem se alimentar, tomando somente água mineral, para limpar o organismo. Ela não me ouviu e começou a comer, comer tanto que em menos de 4 dias conseguiu reduzir o meu estoque de comida quase a zero, isso porque eu a levei cada dia ao self-service, a fim de não perder muito tempo preparando almoço. Depois de 04 dias ela falou que estava pensando em ficar duas semanas, dizendo que “aqui não se come muito e precisava emagrecer”.  Aí resolvi ser franca e dizer que sua presença estava me atrapalhando a rotina e seria melhor que ela fosse embora. Esta visita inconveniente ficou muito ressentida e me disse umas “gentilezas”...

         Pelo gasto de papel sanitário e pelas manchas amarelas que deixou nos tapetes do banheiro, descobri que além do problema intestinal, ela sofre de bulimia. O tapete mais manchado foi um de material esponjoso, que custa R$28,00 o metro e tem 1,5 metro, portanto me custou R$42,00. Ficou tão manchado que nem água, sabão e cloro conseguiram limpar o dito e terei de comprar outro para o Natal. Se eu fosse gorda e gulosa assim, jamais teria coragem de sair de casa e me hospedar, na casa alheia pois o ritmo alimentar de minha família sempre tem sido comer pouco para viver muito e com muita saúde. Aprendi isso na infância, com minha mãe, e também, há cinqüenta anos, com meu marido alemão, que era especialista no ramo de essências alimentícias...

Dou graças a Deus porque não gosto de me hospedar na casa de parentes ou amigos, a não ser não ser no apê da filha alemã, onde vou cada dois anos e fico 6 semanas. Só que, enquanto ela está no trabalho (e os netos na escola), limpo tudo, faço comida e assim não fico deprimida, nem me faço cansativa como essas amigas (da onça) que me aparecem aqui em Terê para comer, dormir em minha cama e me transtornar a “santa” rotina diária, que eu tanto prezo e que me torna metodicamente feliz.

Costumo acordar às 7 hs. da manhã. Oro, tomo uma caneca de chá preto com suco de caju e vou para o computador. Faço almoço (quando a filha vem), deixo a cozinha em ordem, lavo, passo, arrumo, leio um bom livro, depois venho novamente para o computador. Vejo duas novelas e o JN, oro novamente e vou dormir às 23 hs.,  escutando um CD de Bíblia na voz do Cid Moreira. Com uma “baleia” ocupando minha cama, não posso escutar meus CDs de Bíblia, durmo num colchonete, fico toda quebrada e no dia seguinte ainda tenho de enfrentar a cozinha, o tanque, e nunca posso fazer as coisas simples que tanto me agradam, metodicamente na hora exata em que gosto de fazê-las.

Meu pastor vai dizer que sou “uma velha chata e egoísta”. Mas a vida inteira eu vivi para satisfazer meus pais, como a filha modelo. Depois os patrões, como a excelente secretária. Depois o marido, como a esposa perfeita e mãe dos seus filhos. Será que agora, em minha provável última década de vida, não posso ser EU MESMA?

 

Dezembro, 2004.

 

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39. - Pendente de Ônix

 

Comecei a escrever esta apostila -  “Colar de Lazulitas” - quando tive uma decepção, ao ser acusada (pelo pastor de minha igreja) de defeitos que não tenho, embora, também, de alguns que realmente possuo. Por isso eu amo Romanos 8:28!!!

Hoje, 12/12/04, acordei às 3,30 hs e senti que não iria mais dormir, portanto vim para o computador e preparei mais alguns trabalhos. Tenho me sentido muito triste, desde o dia 08, quando completei 75 anos de idade e senti que estava entrando no último quartel da minha existência. Só espero que Jesus volte logo (para arrebatar os crentes) e me leve, junto com Ele, pois acho terrível a idéia de passar pela morte...

Meu dia 08 não foi tão mau assim... um dia simples e feliz. De 9 às 12 hs. fiquei no salão de beleza (que freqüento raramente), fazendo manicura, pedicura e escova. Mas não adiantou, pois continuei velha! Depois me aprontei e fui me encontrar com o Paulo Pimentel (meu pastor favorito)  e  Rose (minha filha mais nova), no restaurante do Oswaldo/Lucy, onde almoçamos e, em seguida, fomos às compras. Ficamos juntos por umas duas horas, depois o Pr. Paulo foi embora e ainda demos um giro para comprar uma blusa para Rose. Não comprei coisa alguma para mim, pois já saí da fase de Mary Fútil. Contudo encomendei uma coleção de CDs com o Novo Testamento, a qual deve chegar ainda este mês. Foi o presente  de aniversário e Natal, que me dei. Preciso economizar o 13º salário para pagar os IPTUs dos prédios ainda não vendidos...

Recebi muitos e-mails e vários telefonemas (alguns deixados na secretária eletrônica), inclusive o de Clélia, minha amiga dos anos 1950. Clélia reside em João Pessoa e passamos juntas - ela, Nilza e eu - muitos fins de semana em Tambaú. Clélia é poetisa e jornalista, tendo sido professora na Universidade da Paraíba. No dia seguinte, liguei para ela e na conversa telefônica fiquei sabendo da morte de “Dearest”, o grande amor platônico de minha vida, de quem falo no capítulo 34 deste livro, intitulado “A Esperança Brota Eternamente”. Desde que eu soube da morte de “Dearest” senti que realmente minha vida está acabando. Em 1998 minha mãe teve um AVC e perdeu o contato com o mundo exterior. Depois perdi meu marido (1982). Em 1990 e 1999 perdi, respectivamente, Rosa e Dária. Agora, soube da morte de “Dearest”. Acho que, mesmo tendo duas filhas e cinco netos lindos, cheguei ao fim da jornada. Ainda bem que sou uma cristã bíblica e não tenho vontade de apressar minha ida para o outro mundo. O suicídio é um grave pecado e já me bastam os erros que tenho cometido e dos quais terei de me envergonhar diante do Tribunal de Cristo (2 Coríntios 5:10).

Nesta madrugada de dezembro eu quis recordar um poema que escrevi em maio de 1982, para D. Tabita, Reitora do Seminário Teológico Betel, quando ali cursava o primeiro ano de Teologia. Ela gostava de ler meus escritos e eu gostava de escrever poemas para ela. D. Tabita foi uma das pessoas que mais marcaram minha vida e dela recebi carinho e compreensão, quando perdi o Schultze. Ela é uma das mulheres mais santas que eu conheci neste mundo e sei que um dia iremos nos encontrar no céu, dobrando joelhos diante do Senhor Jesus Cristo e cantando eternos louvores ao Seu Santo Nome. Bilhões de pessoas irão dobrar joelhos à força (inclusive Satanás) diante do Senhor, e demos graças a Deus de o fazermos já aqui neste mundo, pois no outro, as coisas serão tenebrosas para quem Nele não crê e nem O adora...

 

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Trova do dia:

 

Eu quis escrever mil versos,  

mas faltou-me inspiração.

Meus pensamentos dispersos  

traíram minha intenção...

 

 

 

 

40. Lamentações de Jeremias

 

(Capítulo 3)

 

Provei aflições, por vontade Deus,

que me fez andar em trevas, em vez de andar na luz.

Envelheceu-me a carne e a pele, também,

meus ossos quebrando,  já não sou ninguém!

Trancou-me em lugar de veneno e dor, lugar só de mortos,

pra sempre - que horror!

Acorrentado a bronze, sem poder fugir. E mesmo clamando,

por socorro gritando, Deus não quer me ouvir.

Fechou-me o caminho e o fez tortuoso. 

Deixou-me à mercê de leonina emboscada,

que me fez em pedaços, me deixando arrasada.

Atirou suas setas, que me atingiram em cheio.

Todos de mim zombaram, paródias cantando com chistes no meio.

Me quebrou os dentes, me encheu de amargura. 

No meio das cinzas me deu sepultura.

Tirou-me a paz, também, me fazendo esquecer

que ainda existe o bem.

Foi-se a minha glória, também a esperança em Ti, meu Senhor!

Contempla o meu pranto, meu grande amargor.

Minha alma se quebra e se abate em mim.

Vou pensar na esperança, pois nem tudo é tão ruim!

A misericórdia do Senhor é a causa bendita

de não sermos consumidos, porque é infinita.

Se renova cada dia, ao frescor da manhã e sua fidelidade

torna a vida sã.

Ele é minha riqueza nele hei de confiar, pois é bom, com certeza,

pra quem nele esperar.

Bom é esperar calada a salvação de Deus, suportando aflições,

em silêncio sentada, aguardando tranqüila os desígnios seus.

Prostrada no chão, porque tenho esperança, não revidando ofensas,

tendo em Deus confiança, Ele não me rejeitará, mesmo que me corrija,

e com misericórdia perdão me dará.

Ele não tem prazer em nos dar o mal. Não quer que nos pisem,

nem nos roubem os direitos e nem nos subvertam sem razão especial.

Acaso não é Ele quem controla tudo, o bem e o mal?

Por que nos queixamos de tudo, coitados!

Deveríamos nos queixar só dos nossos pecados!

Vejamos os erros dos nossos caminhos cheios de senões,

levantando as mãos e ao Senhor abrindo nossos corações.

Contra ti pecamos, e não nos perdoaste.

Com perseguições e cheio de ira Tu, sem piedade, Senhor, nos mataste.

De nuvens te envolveste pra que não te alcancem nossas orações.

Como cisco e refugo, cativos nos fizeste em muitas nações.

E o nosso inimigo, com sua fúria louca, contra nós abriu

sua imensa boca.

Vieram sobre nós o medo, a aflição, a morte, a ruína, e toda assolação.

De meus olhos fluem torrentes sem igual, pois às filhas do meu povo

só causaram o mal. Até que o Senhor do céu me atendeu,

pois por causa das filhas minha alma sofreu.

Fui caçada como ave caí no alçapão, coberta de pedras que desolação!

Águas me rolaram por sobre a cabeça.

Não deixes, Senhor, que eu na cova pereça.

Pedi teu auxílio e Tu me atendeste, dizendo: Não temas!

E então me valeste.

Pleiteaste-me a causa, minha vida remiste, e a grande injustiça

dos meus inimigos, e sua vingança, tudo isso Tu viste.

Suas acusações e murmurações Tu logo escutaste

e de suas canções Te desagradaste.

Tu lhes darás a paga da obra de sua mão,

na cegueira selando cada coração.

E tua maldição lhes imporás, ó Deus,

a todos riscando de sob os teus céus!

 

Maio, 1982.

 

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E já que estou na fase das lembranças tristes, nesta madrugada de 12/12/04, leiamos as trovas que fiz há alguns anos, aqui em Terê, pensando nas reduções que o governo tem feito nas pensões do aposentados:

 

41. - Trovas para os aposentados

Ouvindo a voz do Senhor, eu fiquei tão alarmada,

que senti tristeza e dor, / ao seguir minha jornada.

A tua misericórdia / que é eterna, ó Deus Pai,

nos traga amor e concórdia, / neste século que se esvai.

E no novo, que aí vem, / torna demais conhecida

a todos homens de bem / Tua Palavra de Vida.

Grande é tua indignação / contra os pecados da terra:

violência, corrupção, / imoralidade e guerra.

Pelas nossas más ações / vais esmagar com teus pés,

completamente, as nações, / pelo Deus justo que és.

Mas teu povo salvarás, / por amor do Teu Ungido,

e nos arrebatarás / para um local escolhido.

A terra está poluída, / dos ares até  o chão.

Já não temos garantida / a nossa alimentação.

As flores, frutos e grãos,  / o peixe, a carne e o leite

vão sumir de nossas mãos,  / também o vinho e o azeite.

E mesmo que os governantes, / (fumando em seus gabinetes),

cada vez mais arrogantes, / nos atirem mil confetes, /

só vão tirar mais e mais / de quem já tanto trabalha,

não resistindo, jamais, / à ganância que atrapalha.

E os pobres aposentados, / que a vida inteira suaram,

serão sempre rebaixados / naquilo que conquistaram.

Todavia eu me contento / no meu Deus de salvação,

pois Ele me traz alento / nos dias da provação.

Meus pés caminham depressa / nesta Cidade Florida.

Que eu de Ti jamais me esqueça / E ande de cabeça erguida!

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42. Trovas do Livro de Jó

 

Encontro em meu alfarrábio / verdades que nunca somem.

Um tolo vai ficar sábio, / quando um burro nascer homem!

Eu, de sofrer tantas dores, / cheguei a dar este grito:

Vocês, amigos doutores, não valem nada - eu repito!

Se o sonidos dos horrores / está nos ouvidos teus,

falemos então de flores, / prova da glória de Deus!

Se eu falar esta dor / no peito não vai cessar.

E nem do alívio o sabor / sentirei, se me calar!

Parentes me desamparam, / meus conhecidos me esquecem.

Os amigos debandaram / e só teus olhos me aquecem.

Em livros estas trovinhas / gravadas eu quero ver,

senão, como as andorinhas, / voarão, no entardecer.

Uma certeza eu já tive, / quando Jesus encontrei:

sei que o meu Redentor vive / e eu também viverei!

Escrevo trovas em resma, / somente para dizer:

serei útil a mim mesma, / se sábia vier a ser!

Nem com pedras preciosas, / como o topázio, a safira,

pago as rimas sonorosas / que nascem da minha lira!

Sabedoria não troco / por jóias de ouro fino,

(nem por santos de pau oco), / só pelo temor divino!

Esta referência eu dou / somente para você:

Jó vinte e nove... Encontrou? / Versículo treze-b.

Que o egoísmo não se acoite / no amor que de graça damos,

e o orvalho da noite / ficará em nossos ramos!

Do amanhecer os albores / consolam os que pranteiam

a perda dos seus amores / e em solidão se derreiam.

Que eu não sirva de canção / de motejo pra você.

Não zombe de um coração / que no amor ainda crê!

Eu clamo, não me respondes / e só olhas para mim.

Em tal mutismo te escondes, / serei eu tão feia assim?

Minha esplendorosa lira / de negro luto vestiu-se.

Minha alma triste suspira / e o  meu coração partiu-se.

Só não afogo nos vinhos / meus anseios, meus fracassos, 

porque Deus vê meus caminhos / e conta sempre os meus passos!

Deus para os homens não olha, / quando eles se julgam sábios.

A terra seca ele molha / com o orvalho dos seus lábios.

Quando nossos corações / sofrem da saudade o açoite,

Deus nos inspira canções / de louvor, durante a noite!

Vertigem sempre me dá / o olhar com que me sondas.

Mas em mim se quebrará / o orgulho de tuas ondas!

Onde é que está o caminho / para a morada da luz?

No Homem-Deus que, sozinho, / morreu por nós numa cruz!

Acaso entraste algum dia / nos depósitos da neve,

Pra dizer que entraste em fria / e sem temer, nem de leve?

Acaso viste os tesouros / da saraiva para a guerra,

que voarão quais besouros, / zumbindo por sobre a terra?

Olhando a chuva que cai / irrigando o meu sertão,

pergunto: a chuva tem pai? / - Tem sim, responde o trovão!

Deus provou no sofrimento / quem jamais sofrer queria.

Lhe negando entendimento, / não lhe deu sabedoria.

Tens feito ao longo dos anos / o meu caminho aplainado,

porque nenhum dos teus planos / jamais pode ser frustrado!

Meu Deus, eu te conhecia / somente de ouvir falar,

mas hoje, com alegria, / eu posso te contemplar!

Deus mudou a minha sorte / me livrando de perigos,

quando eu, à beira da morte / orava por meus amigos!

 

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43.- Salmo 23 (Paráfrase)

O Senhor é o meu Pastor / e nada vai me faltar.

Em lindos lençóis de cor, / meu corpo vai repousar.

A verdes bosques em flor / Ele me conduzirá.

À margem de águas claras / a sede vai me saciar

e as borboletas mais raras / irei ali encontrar.

Pelas vias da justiça / na certa vai me guiar.

Mesmo que o vale da morte / eu tenha de atravessar,

não temerei minha sorte, / pois Ele vai me ajudar.

E na mansão preparada / com esmero  irei morar.

Naquela urbe estrelada, / cheia de graça e beleza,

serei sua convidada, / sentarei à sua mesa,

enquanto os meus inimigos / de tristeza irão chorar.

Por isso, minhas amigas, / vamos agir com presteza,

pois o Pastor Jesus Cristo /  bem depressa há de voltar

e quem andar na moleza / só vai ter que lamentar...

 

26/03/02.

 

Artigos complementares

A Palhoça do Coelho     

 

         No sábado (17/02/2001),  Margarete, sua filha menor e eu  fomos até uma cidadezinha, além de Chemnitz, onde ela trabalha como Veterinária, aos sábados, no departamento de pequenos animais (Kleintieren).

         Ao meio dia fomos almoçar num restaurante tipicamente alemão chamado “Hasebud”, cuja tradução seria “Palhoça do Coelho”.

A comida foi maravilhosa e quando saímos estava começando a nevar. A partir do dia 22/02, a neve iria engrossar, chegando a ter quase meio metro de altura no pátio do edifício e no parque em frente. A temperatura cairia até 11 graus negativos, no sábado 24/02. De manhã ela havia ficado em 4 graus negativos e durante o dia, com o sol brilhando, havia subido até 4 graus positivos. Tudo ficou alvíssimo, como se um gigantesco lençol cobrisse as cidades do país. Os pinheiros, os muros e os telhados haviam ficado todos cobertos de branco.  As ruas e estradas estavam escorregadias, o que deprimia as pessoas não habituadas com o inverno europeu. Em 02/03, a neve voltaria a cair e a temperatura  chegou a ZERO!

Aquele sábado foi um tanto monótono para mim, pois enquanto a filha trabalhava, fiquei na cozinha da clínica,  em companhia da mãe do Dr. Ernst Richter, dono da casa. Para me agradar, o doutor me  emprestou dois CDs de música clássica e cigana e deu-me de presente uma Biografia de Jesus, em alemão. Infelizmente a velha Sra. Richter (sua mãe de 83 anos) é surda e esclerosada, o que dificultou o nosso diálogo. Ela perguntou pelo menos dez vezes quem era eu e o que estava fazendo ali, na cozinha dela, etc.

Quando  cansei daquele interrogatório causado pelo mal de Alzeimer, peguei um livrinho do Dr. Peter Ruckman - The Monarch of the Books (O Monarca dos Livros) - falando sobre os ataques que certos “eruditos cristãos” americanos têm feito à Versão Autorizada de 1611 da Bíblia King James, desde o final do século XIX. Li todo o livro e quando concluí a leitura, o Dr. Richter, que havia nos levado para um passeio, depois do almoço no “Hasebud”, veio conversar um pouco comigo, no final do expediente de sua clínica. A parte melhor desse dia foi um passeio de carro que fizemos a algumas vilas e cidades próximas a Chemnitz. Um castelo do século XVI e uma jazida de mármore branco chamaram especialmente a minha atenção, por serem lugares tão ermos como aquelas cidades fantasmas dos filmes americanos do Far West.

À noite, já em casa,  Margarete e eu vimos dois filmes na TV. Observei  que, enquanto os filmes americanos pregam a violência física, as fitas alemãs pregam a violência psicológica (que país estranho!). Esta é a minha terceira vinda à Alemanha, um país que me deixa deveras confusa, por ser muito contraditório. Por um lado, tem uma beleza exuberante de parques e pequenas florestas, com casas limpas, enfeitadas de plantas floridas nas sacadas e nos pequenos jardins que as rodeiam. Por outro lado, as pessoas são estranhamente caladas e mal humoradas com relação aos estrangeiros. Parece até que nos detestam!

Este é o país ideal para implantação do governo cruel e totalitário do Anticristo. Durante o governo de sete anos desse iníquo, a violência psicológica será a principal arma usada contra os seus súditos. O computador já controla quase tudo na vida do cidadão, nesta União Européia, e os cultos “religiosos” já não são realizados nas frias e mofadas igrejas luteranas das cidades, mas dentro das cálidas e luxuosas dependências dos fabulosos Shopping Centers. Pelo visto, os pastores que apascentam os alemães são os vendedores dos shoppings e o Deus deste país não é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. É o deus Mamom. Como o Senhor Jesus Cristo disse que não se pode servir a dois senhores, os alemães provavelmente optaram por servir ao deus Mamom. Ach Du, Mein Gott!

A descrença num país, que foi o berço da Reforma Protestante, foi a maior vingança do Vaticano contra Lutero, o homem que desarraigou o Catolicismo Romano medieval da Europa do Norte. Roma torturava e empobrecia o povo europeu, desde o século X até aquele tempo. Hoje o Vaticano é tão rico que já não precisa se preocupar com dinheiro. Este cai em torrente contínua dentro dos seus cofres, pois a Igreja que ele usa para ludibriar os governantes e atrair a simpatia do mundo tem o domínio religioso, político e financeiro nos países do primeiro mundo, sem falar nos países do terceiro mundo, que sempre foram e continuarão sendo apenas míseras colônias do Vaticano, que ficou podre de rico!

Quando vi essa Alemanha escravizada aos bens materiais, paganizada e controlada pelo Vaticano, senti uma dor imensa e logo me preocupei com esse povo caindo nas mãos do Anticristo, o qual,  provavelmente, vai sair dali mesmo. O sucessor de Hitler vai governar o mundo, a partir de Roma (3 anos e meio), e depois de Jerusalém, quando tentará liquidar o povo de Deus para, no ato final da grande tragédia do Armagedom, ser destruído pelo sopro da boca do Cavaleiro do cavalo branco, de Apocalipse 19, o qual não deve ser confundido com o cavaleiro do cavalo branco do capítulo 6, o papa, que é um protótipo do Anticristo.

 

      Aventura na Neve

 

Quando eu estava na Alemanha, em 2001, a recomendação mais enfática da Margarete era que eu não saísse de casa sozinha, enquanto estivesse nevando. As calçadas estavam escorregadias e, se eu caísse, provavelmente não iria aparecer cireneu algum para erguer-me e levar-me ao hospital. Além disso, o tal seguro de  saúde feito na Seguradora Suíça não estava sendo aceito na Alemanha, e se eu não tivesse dinheiro para pagar qualquer tratamento médico ou dentário, poderia morrer à míngua, pois os alemães são um povo muito egoísta.

         Um dia acordei às 7 horas da manhã, com uma vontade enorme de dar um passeio. A neve caia silenciosamente e a temperatura era de 4 graus. Em algumas semanas de estada na Alemanha, eu já havia escrito umas 300 páginas ofício A-4, à mão, tendo traduzido um livrinho de 60 páginas, e escrito 12 artigos para “O Diário” e a “Folha Universal”. Já havia cozinhado e arrumado para a filha e os netos, já havia lido dois livros e no último final de semana, em Cheminitz, havia gasto 300 marcos em cosméticos, não somente para mim, mas também para os amigos. A verdade é que já estava cansada de ficar presa no apartamento e por isso resolvi ir às agências mais próximas do correio e do banco.

         Vesti calças de couro, duas blusas de lã e um casaco de couro. Cobri a cabeça com um cachecol de lã, calcei duas meias grossas, botas e luvas de couro, e saí pelas calçadas, andando toda desengonçada, em direção aos lugares planejados. Pelo visto, só me faltava naquele momento uma moto envenenada. O banco mais próximo ocupa uma esquina espaçosa e é muito moderno. As funcionárias não falam Inglês, mas apenas Alemão e Russo, que foi a segunda língua do país durante o regime comunista. Apenas 1% dos alemães da geração nascida dos anos 40 até 80, que nasceu e se criou na parte oriental, fala Inglês. Já os da nova geração estudam inglês e francês, preparando-se para viver na União Européia.

         Sempre que eu ia trocar dólares, o interrogatório era tão severo que eu ficava totalmente embaraçada, quase me convencendo de estar sendo procurada pela Interpol. Isso porque os (inquisidores) jesuítas controlam o país em todos os sentidos, principalmente nos setores econômico e religioso. Quem pensa que a Alemanha ainda é um país protestante, está engando. Agora é uma nação católica.

         A neve caia mansamente, cobrindo as calçadas, os pátios das casas e os parques, os quais pareciam um imenso tapete branco ensaboado. Andei bem devagar, com medo de dar um tombo. Passei pelo correio, passei pelo banco e resolvi andar mais algumas quadras, a fim de conhecer uma das igrejas luteranas da cidade, as quais são antiquíssimas e mal conservadas, como tudo que se refere ao Cristianismo, nesta parte da Alemanha. Entrei numa lojinha e comprei uma caneca esmaltada de meio litro, que não consegui encontrar em Terê. O dono da loja foi uma das poucas pessoas simpáticas que encontrei no país e fiquei conversando com ele durante cerca de meia hora, ouvindo histórias da cidade.

         Ao voltar para casa, com os lábios e as mãos endurecidos, me perdi nas ruas tortas do bairro. Hesitei por alguns minutos e resolvi perguntar a um casal que havia parado o carro ali perto. O marido hesitou um momento e em seguida falou: “Ah,  é a rua do banco”. Em seguida fez uma porção de sinais em curva, o que me ajudou a localizar a tal rua e assim chegar em casa. Gastei uma hora e meia no passeio, voltei meio congelada, porém salva, Graças a Deus!!!

         Chegando em casa, preparei antecipadamente o jantar da família e arrumei o apartamento. O neto veio almoçar às 14 horas e em seguida pegou a bicicleta e  saiu para o trabalho que faz - dois dias por semana - numa cidadezinha chamada Gleissa. Ele ganha dez marcos por hora e no final do mês fatura mais do que um operário trabalhando 40 horas por semana, no Brasil.   

         O trabalhador alemão é bem pago, mas tudo é tão caro e a dificuldade de quem não tem um bom emprego é uma realidade. O aluguel de um apartamento conjugado com uma cozinha minúscula, água e aquecimento incluídos, custa uns 800 marcos por mês. As frutas e verduras são caríssimas. O presunto e o queijo custam o mesmo preço do Brasil, mas o filé mignon chega a custar 50 marcos o quilo (o Marco se igualava ao Real). Ainda bem que não gosto de consumir carne vermelha e estava me alimentando de pão integral,  pão preto, queijos pastosos e frango. Água para beber, só mesmo a mineral com gás, e como eu já tomo a São Lourenço gasosa há muitos anos, não estranhei. A coca-cola e a cerveja sem álcool são inferiores às do Brasil, por causa da água salobra, mas os sucos de uva, maçã e tutti-frutti são uma delícia. Eu até poderia viver na Alemanha, se não tivesse outra opção. Mas o meu Brasil é muito melhor, mesmo com os políticos e suas trambicagens.

         Naquele dia, quando filha chegou do trabalho, trazendo a neta da escola, foi logo pedindo uma refeição quente e, em seguida, como sempre acontece, agradeceu a Deus em alta voz pela minha presença e, em seguida, ligou a TV para assistir dois filmes, durante os quais ficou fazendo tricô. A TV alemã não é tão boa como a Globo. As cores são berrantes, as propagandas são rápidas demais, com péssimos efeitos especiais, e as vozes são forçadas, como se as garotas propaganda estivessem declamando uma poesia de Castro Alves. Alguns dias depois, fomos à Ópera, em Chemnitz, ver a opereta de Johans Strauss – Die Fledermaus (O Morcego) – uma das minhas favoritas.

Dos U$500 que eu trouxera (para os gastos da Mary Fútil) só me restavam U$100 intactos e quando acabasse esse dinheiro eu teria de entrar no VISA Internacional. A inflação alemã, naquele ano, era igual à do Brasil, mas o governo (como o nosso) ficava o tempo inteiro repetindo que não há inflação e o povo fazendo de conta que acreditava nele (como no Brasil). Os calçados são caríssimos. Um bom par de sapats, tipo Dakota, que no Rio custava entre 50 e 70 reais, ali oscilava entre 150 e 250 marcos. Baratos, somente os produtos “Made in China” (como no Brasil). Consegui um lindo par de sandálias de “nobuque” azul marinho, numa liquidação, ao preço do RJ, e comprei para levar. Como tenho mania de roupas, aproveitei uma liquidação na C&A e comprei blusas de lã para mim e para a Rose.

Se eu quisesse, até poderia transferir minha aposentadoria e ir morar na Alemanha, com a filha mais velha e os netos, naquele tempo, mas as frutas, os legumes, as verduras e o sol brasileiro valem mais do que toda a tecnologia avançada desse rico país do primeiro mundo, de onde brevemente o 666 sairá para governar o planeta, a partir de Roma. Isso, provavelmente, até que ele transfira o seu governo para Jerusalém, onde se assentará no trono de Deus, exigindo adoração de todos os seus súditos. Por isso, vou aguardar o Arrebatamento aqui mesmo em Terê, uma cidade linda, de clima excelente, de povo bom e hospitaleiro, onde me sinto feliz e realizada em meu trabalho voluntário para o SENHOR.

 

Conquista no Cemitério

 

No domingo (04/03/2001), fui com a filha e a neta Marion visitar uma família amiga que reside numa cidadezinha perto de Chemnitz (Alemanha). Rodamos de carro durante uma hora, em cerca de seis estradas diferentes, e, finalmente, chegamos ao destino, na hora combinada.

Fomos recebidas com muita alegria por Andreas, Birgitt e Mandy (a filha do casal). Depois de tomar um chá de ervas e um café bem quente, degustando uma boa torta de nozes/chocolate, em animado papo (Inglês e Alemão), Andreas me convidou para navegar na Internet. Ficamos duas horas navegando através de alguns sites que expõem meus trabalhos e, em seguida, procuramos os sites que exibem as belezas do Rio de Janeiro. O que mais encantou aquela família alemã foram as fotos do Corcovado, Pão de Açúcar e Dedo de Deus.  Recém chegada de uma viagem aos Estados Unidos, incluindo Nova Iorque, onde ficou vários dias, a família do Andreas já se preparava para vir conhecer o Brasil - em julho daquele ano - o que de fato aconteceu (O casal e a filha me visitaram aqui em Terê).

Depois de quase quatro horas de visita,  minha filha, a neta e eu nos despedimos e algumas fotos foram tiradas no pátio do condomínio onde moram esses amigos. A neve cobria todos os recantos e os pinheiros lembravam uma noite de natal. Na ida eu havia me sentido meio deprimida, por estar viajando tanto tempo naquelas estradas que cortam os campos cobertos com um espesso tapete  branco. Não gosto da neve... O que me consolava era a esperança de uma boa recepção, a qual  realmente aconteceu, e também a certeza de que, ao chegar de volta à casa da filha, haveria uma sala carpetada com uma temperatura média de 20 graus, uma boa sopa quente e um filme na TV, cujo título seria “Volcano”. No Rio de Janeiro costumo assistir no máximo um filme por semana, enquanto na Alemanha eu assistia dois por dia, a fim de descansar das tarefas domésticas, da leitura diária de 100 páginas em Inglês e também para compensar a falta do meu “marido”, o computador. Depois do filme, orava, escutava uma hora de Bíblia FIEL na voz do Cid Moreira e depois dormia um sono reparador.

Na tarde do dia seguinte, minha filha e eu fomos fazer compras num supermercado, a fim de reabastecer a geladeira. O que o neto adolescente come em um só dia equivale ao que eu como em uma semana. É comum nos países ricos as pessoas ingerirem excesso de carboidratos, proteínas, molhos, maioneses e refrigerantes, sem falar nos queijos, frios e tortas de nozes e chocolate, que ali são consumidos, como no Brasil se consome arroz e feijão. Por isso os habitantes dos países ricos são obesos e se tornam escravos das academias de ginástica, a fim de queimar o excesso de gordura. Ora, quem come apenas o essencial e sabe escolher os alimentos não precisa se preocupar com o peso. As academias de ginástica enriquecem à custa do pecado da gula. E como “o salário do pecado é a morte”, as pessoas morrem cedo por excesso de comida, tanto que, após a II Guerra Mundial, quando não havia muita comida disponível,  o número de enfartes quase chegou a zero, conforme o Schultze me contava.

Consumista, como todo brasileiro quando faz turismo no exterior, eu já havia comprado muitas utilidades domésticas de pequeno porte, cremes de beleza e perfumes para trazer aos amigos e irmãos na fé. As lojas alemãs são uma tentação, exibindo tantas novidades e coisas bonitas que não dá para resistir...

O apartamento onde a filha morava fica a vinte minutos a pé do centro de Linbach Oberfrohna e a 20 quilômetros do centro de Chemnitz, a cidade de Karl Marx. Logo após minha chegada, “apaixonei-me” pelo grande parque situado em frente ao edifício onde ela morava. Apesar das árvores desfolhadas e enegrecidas pelo inverno, o parque é amplo e antes da chegada da neve - entre 15 e 22/02/01 - havia canteiros repletos de flores coloridas. Quando a neve começou a cair, ininterruptamente, o parque ficou todo branco, da copa das árvores até o chão, lembrando as casa mal assombradas que se vêem nos filmes de terror. Às vezes eu acordava de madrugada e ficava observando a neve cair, silenciosamente, sobre aquela paisagem melancólica. Tinha a impressão de ver mil fantasmas dançando a “Dança Macabra” de Saint Sans. Depois de duas semanas de nevada, quando voltávamos das compras do supermercado, contemplei o parque e, pela primeira vez, comentei com a filha: “Esse parque assim todo coberto de neve me lembra a morte!” A filha deu uma risada marota e respondeu: “Ora, mãe, será que você ainda não havia percebido que esse parque é o cemitério central da cidade?” 

Quando a neve sumiu, resolvi ir ao “parque da morte” para ver de perto os canteiros de flores. Diante de um deles, observei um velho (lindo) orando consternado. Pensei em abordá-lo e, como sou muito ousada, mal pensei melhor o fiz. Como não sabia lamentar a provável morte da esposa dele, caí na besteira de indagar em Alemão: “Sprechen Sie English?” (O Sr. fala Inglês?) O velho me olhou furibundo e respondeu num berro: “Neeeeeeh...........” Eu havia esquecido que os habitantes do lado oriental têm um ódio mortal aos americanos do norte e, na certa, fui confundida com um destes.

Mais tarde, minha filha ficou o tempo inteiro me gozando: “Aí, hem mãe?  Foi conquistar um velho dentro do cemitério e se deu mal!!!

 

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Estas histórias foram contadas para alegrar meus amigos e irmãos na fé,  pedindo que Deus os abençoe ricamente através destas páginas e que todos recebam o Senhor Jesus Cristo como o seu grande Deus e Salvador, para que um dia possam encontrar-se comigo no céu, onde na certa estarei, não pelos meus méritos, mas unicamente pelos méritos do Filho de Deus, que morreu e ressuscitou, para nos garantir a salvação eterna em o Seu Nome.

 

Mary Schultze - Tel. 21-2643-3904

(frauschultze@uol.com.br)

Outubro 2004

os habitantes dos países ricos são obesos e se tornam escravos das academias de ginástica, a fim de queimar o excesso de gordura. Ora, quem come apenas o essencial e sabe escolher os alimentos não precisa se preocupar com o peso. As academias de ginástica enriquecem à custa do pecado da gula. E como “o salário do pecado é a morte”, as pessoas morrem cedo por excesso de comida, tanto que, após a II Guerra Mundial, quando não havia muita comida disponível,  o número de enfartes quase chegou a zero, conforme o Schultze me contava.

Consumista, como todo brasileiro quando faz turismo no exterior, eu já havia comprado muitas utilidades domésticas de pequeno porte, cremes de beleza e perfumes para trazer aos amigos e irmãos na fé. As lojas alemãs são uma tentação, exibindo tantas novidades e coisas bonitas que não dá para resistir...

O apartamento onde a filha morava fica a vinte minutos a pé do centro de Linbach Oberfrohna e a 20 quilômetros do centro de Chemnitz, a cidade de Karl Marx. Logo após minha chegada, “apaixonei-me” pelo grande parque situado em frente ao edifício onde ela morava. Apesar das árvores desfolhadas e enegrecidas pelo inverno, o parque é amplo e antes da chegada da neve - entre 15 e 22/02/01 - havia canteiros repletos de flores coloridas. Quando a neve começou a cair, ininterruptamente, o parque ficou todo branco, da copa das árvores até o chão, lembrando as casa mal assombradas que se vêem nos filmes de terror. Às vezes eu acordava de madrugada e ficava observando a neve cair, silenciosamente, sobre aquela paisagem melancólica. Tinha a impressão de ver mil fantasmas dançando a “Dança Macabra” de Saint Sans. Depois de duas semanas de nevada, quando voltávamos das compras do supermercado, contemplei o parque e, pela primeira vez, comentei com a filha: “Esse parque assim todo coberto de neve me lembra a morte!” A filha deu uma risada marota e respondeu: “Ora, mãe, será que você ainda não havia percebido que esse parque é o cemitério central da cidade?” 

Quando a neve sumiu, resolvi ir ao “parque da morte” para ver de perto os canteiros de flores. Diante de um deles, observei um velho (lindo) orando consternado. Pensei em abordá-lo e, como sou muito ousada, mal pensei melhor o fiz. Como não sabia lamentar a provável morte da esposa dele, caí na besteira de indagar em Alemão: “Sprechen Sie English?” (O Sr. fala Inglês?) O velho me olhou furibundo e respondeu num berro: “Neeeeeeh...........” Eu havia esquecido que os habitantes do lado oriental têm um ódio mortal aos americanos do norte e, na certa, fui confundida com um destes.

Mais tarde, minha filha ficou o tempo inteiro me gozando: “Aí, hem mãe?  Foi conquistar um velho dentro do cemitério e se deu mal!!!

 

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Estas histórias foram contadas para alegrar meus amigos e irmãos na fé,  pedindo que Deus os abençoe ricamente através destas páginas e que todos recebam o Senhor Jesus Cristo como o seu grande Deus e Salvador, para que um dia possam encontrar-se comigo no céu, onde na certa estarei, não pelos meus méritos, mas unicamente pelos méritos do Filho de Deus, que morreu e ressuscitou, para nos garantir a salvação eterna em o Seu Nome.

 

Mary Schultze - Tel. 21-2643-3904

(frauschultze@uol.com.br)

Outubro 2004