O Colar de Porcelana Chinesa

 

         Hoje sofri uma tremenda decepção da parte de quem eu menos esperava...

         No sermão do culto matutino o pastor da igreja anunciou uma mensagem sob o título “O Pecado Covarde”, baseado no verso 16 de Êxodo 20, que diz: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”.

         Durante a mensagem,  ele detonou impiedosamente esta ovelha, de maneira tão generalizada que somente eu poderia entender. A amiga que senta ao lado, exímia obreira da igreja, não entendeu coisa alguma, porque dormiu em 2/3 da pregação, o que sempre acontece em todo culto, durante o sermão do pastor. E por que somente  eu poderia entender as alfinetadas a mim endereçadas?

Primeiro, porque o pastor usou para o título do sermão de hoje quase o mesmo título de um dos meus últimos artigos (Pecado Capital).

Segundo, porque ele usou parte do material de outro artigo recente, (O Príncipe de Teresópolis) criticando um certo pastor hipócrita (de quem não gosto), o qual, por acaso, é  um grande amigo dele, artigo esse que nem sequer foi publicado no jornal, exatamente para não melindrar esses dois “anjos” da igreja!!!

Até metade do sermão  o pastor andou bem, pois criticou as pessoas mentirosas, que dão falso testemunho (o que não é meu caso), das que falam ou escrevem (verdades) contra os outros (“assassinas”  da reputação alheia), mesmo que o façam em favor da moral, da religião, etc. (o que é o meu caso). Até aqui tudo bem, pois ele sabe que não sou nenhuma santa e falo o que me dá na telha, doa a quem doer, contanto que seja a favor da moral, da religião e dos bons costumes. Esse é o privilégio de quem já passou dos 70 anos e não teme a morte.

O que foi estranho na pregação é que o pastor se baseou o tempo inteiro (com o fito de detonar esta ovelha)  em Mateus, um livro escrito exclusivamente para os judeus, pois o  próprio Jesus afirmou:  “Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mateus 15:24) e: “Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João” (Mateus 11:13), etc.

Jesus veio pregar e curar os judeus, embora Ele tenha curado também alguns gentios, como no caso do servo do centurião (se é que este não era judeu), conforme Mateus 8:6-13, por exemplo.

Citando Mateus o tempo inteiro, como motivo de condenação àquela (por ele considerada) ovelha negra da igreja, o pastor acabou exorbitando e me colocando no “Julgamento”, que deve acontecer no final da Grande Tribulação, no qual serão julgados judeus e gentios, conforme o seu desempenho de fé mais obras, durante os sete anos em que a Igreja não mais existirá. Será que ele é do tipo que acredita na lorota de Agostinho, que a igreja é a nova Israel de Deus?

Terceiro, será que, por ser amilenista, o pastor não acredita no Arrebatamento e por isso coloca os crentes no “Juízo Final”, esquecendo o Tribunal de Cristo? Será que ele não acredita que os crentes serão julgados somente para efeito de reprimenda (não de condenação) e de galardão, segundo Paulo nos ensina na 2 Coríntios 5:10, sendo este o julgamento da “Noiva do Cordeiro”, a qual vai voltar à terra, durante o Armagedom, junto com o Senhor? 

Quarto, Como ele pode pregar o Evangelho de Paulo, o que sempre faz nos sermões de domingo à noite, querendo ganhar almas para Cristo, citando todos os versos possíveis e imagináveis de Romanos e Gálatas, e também Efésios 2:8-9, Tito 3:5 e uma quantidade enorme de outros versos desse tipo,   e ainda jogar esta velhinha crente no inferno?

Mas isso não foi o pior. Por ter cometido o “pecado” de falar e escrever que a minha igreja é a melhor da cidade, pois a maioria delas prega o espúrio “Evangelho da Prosperidade” (inclusive a do pastor criticado por mim)... Por ter escrito que o seu pregador é o melhor da cidade, por ser bíblico e de vida impecável.... Por ter escrito e falado que a música da igreja é maravilhosamente erudita, graças a um casal de ministros competentes... E por já ter conduzido muita gente boa à minha igreja, fui criticada acerbamente. Fui  taxada de hipócrita, mentirosa, fofoqueira e coisas desse naipe, por ter falado e escrito essas coisas...

Que o pastor mostre os meus erros tudo bem. Que ele me chame de maledicente e fofoqueira, tudo bem. Ninguém é perfeito e, mesmo com tanta “fofoca” e “maledicência”,  já ganhei uma porção de gente, que andava desgarrada na ICR e nas igrejas malaquianas, para a minha igreja. Mas daí a chamar-me de hipócrita, ridícula, covarde (e até “condenada”) por falar bem de minha igreja, foi demais! E ele ainda teve a coragem de afirmar que todas as igrejas são boas, variando apenas na metodologia, o que é dose para leão, esquecendo que, muitas vezes, ele mesmo tem criticado ferozmente as “igrejas malaquianas”, lá no púlpito!

Dá vontade de dar o fora dessa igreja e procurar outra, cujo pastor (pelo menos) finja gostar de mim. Contudo, o pastor que tanto me rejeita tem 4 anos de casa e eu tenho nove (Acho que tanta implicância assim é porque sou contra a entrega do dízimo). Por isso, vamos esperar que o Espírito Santo decida sobre quem fica e quem vai... como diz a canção da novela “Senhora do Destino”.

Meu conselho a esse pastor: Leia os comentários do Dr. Peter Ruckman (grande erudito batista bíblico em Grego e Hebraico) por mim traduzidos sobre quando e para quem se destinam os livros da Bíblia. Ele ainda não sabe que Deus trata os homens conforme o contexto histórico e por isso usa Mateus para criticar os crentes!

Que ele não se melindre porque uma ovelha de sua igreja pesquisa a Bíblia e nota os erros cometidos no púlpito, como,  por exemplo, quando certo dia ele afirmou que “Jesus nunca foi profeta”, etc.

Seria uma pena eu sair dessa igreja, pois sou uma das raríssimas pessoas que têm valorizado a cultura, a honestidade e a capacidade de pregar desse pastor, enquanto tantas outras pessoas  dormem ou então ficam pensando no cardápio do almoço (mulheres), nos jogos de futebol (homens), no “Fantástico”...

Fiquei muito deprimida e, como compensação, fui até a feirinha e comprei um colar de porcelana chinesa azul, que havia visto na semana passada, e vim para casa escrever este artigo. Por causa do lindo colar azul, a “gravata” que recebi do pastor já foi apagada de minha mente, ficando apenas registrada aqui, nesta página, para futuras referências... E ele que se cuide, oxente!

 

Mary Schultze, 19/09/04

de, oxente!

 

Mary Schultze, 19/09/04