COMPARTILHANDO A PALAVRA FIEL

 

Mary Schultze

 

1. A Bíblia para o Brasil

No século XXI o Brasil estará com uma população de quase 180 milhões de habitantes, dos quais dois terços serão constituídos de jovens entre 0 e 17 anos de idade. O Brasil é um país adolescente, meus irmãos!  

O Brasil tem 500 anos de idade e poderia ser o país mais rico, mais próspero, mais feliz do mundo. Mas não é. Pelo contrário, está entre os mais desacreditados do Ocidente, em vários setores, como: renda per capita, saúde, educação e cultura, com alta porcentagem de  mortalidade infantil, corrupção política, violência, tráfico de drogas, e outros vícios.

            Por que o Brasil está em situação tão precária?

1. Porque foi colonizado por um país católico vassalo de Roma, que aqui implantou a religião papista, a qual só trouxe corrupção e miséria para o nosso povo.

2. Porque tendo sido colonizado pelos portugueses e “catequizado” pelos jesuítas, o povo não conseguiu receber uma boa educação religiosa e, desse modo,  os brasileiros cresceram sob as doutrinas fraudulentas de Roma e foram amaldiçoados por causa da sua idolatria.

3. Porque tendo nascido e se criado em lares católicos, que nada podiam transmitir em matéria de conhecimento bíblico às crianças, o povo cresceu numa sucessão de gerações analfabetas, social e espiritualmente, enveredando pelo caminho da corrupção moral e espiritual, praticando os vícios típicos dos países dominados pelas falsas religiões.

4. Enquanto a Inglaterra, a Alemanha e os Estados Unidos (para citar apenas 3 países), depois da Reforma Protestante se tornaram prósperos, robustos e felizes no hemisfério ocidental, o Brasil, muito mais rico em território, água e metais preciosos, continua paraplégico, depois de 500 anos de colonização portuguesa católica.

5. A Alemanha, a Inglaterra, os Estados Unidos e os demais países protestantes se desenvolveram por causa de UM LIVRO. Ao Brasil foi negada a posse desse LIVRO, que abre os olhos do povo, que o transforma em nova criatura, que o conduz à liberdade e à honestidade de caráter. Pela falta desse LIVRO o Brasil permaneceu na ignorância moral e religiosa e jamais conseguiu sair da precariedade.

6. Quando esse LIVRO começou a ser franqueado aos brasileiros, logo  apareceram as edições corrompidas (infelizmente copiadas dos próprios países ricos e prósperos, cuja grandeza foi devida ao mesmo), e entregues nas mãos dos brasileiros.

7. Desse modo, os protestantes brasileiros começaram a ser evangelizados pela metade, com “bíblias”  fajutas, repletas de modificações feitas com a desculpa de que a linguagem se tornaria mais fácil e moderna. E os pobres brasileiros, em vez de crescer no evangelho, começaram a decrescer espiritualmente, usando “bíblias” em vez  da BÍBLIA,  aprendendo a descrer, em vez de crer na Palavra de Deus como única regra de fé e prática de suas vidas.

8. Sem crer realmente na Palavra de Deus, como a VERDADE que liberta da mentira religiosa, o povo brasileiro começou a cair na apostasia e logo, logo acompanhará os países ricos, não no que eles têm de bom e próspero, mas na apostasia religiosa, na descrença na divindade de Cristo e, portanto, atraindo a maldição divina do pecado imperdoável.

 9. Só existe um meio de resgatar o país dessa maldição. É entregar aos brasileiros  a BÍBLIA VERDADEIRA sem deturpações, sem modismos arranjados para agradar ao paganismo romano e à Nova Era, como as “bíblias” modernas estão fazendo, visando  apenas  lucros  financeiros  em  vez da  conquista  de  almas  para  o Reino do Filho do amor de Deus.

O povo brasileiro necessita desesperadamente da BÍBLIA verdadeira e perfeita, como a King James inglesa e americana, como a Luterana alemã dos bons tempos, depois da Reforma. Vamos aconselhar a cada brasileiro consciente que leia, medite e obedeça a Deus, lendo e estudando a única BÍBLIA de Deus realmente séria deste País – a Bíblia Corrigida e Revisada FIEL, traduzida por João Ferreira de Almeida do Textus Receptus e não essas “bíblias” traduzidas dos textos alexandrinos corrompidos pelos alegoristas e místicos Orígenes e Jerônimo, abençoadas com o “imprimatur” de Roma, a Meretriz de Apocalipse 17-18. “Sai dela, povo meu!” Vamos servir a Deus, usando A BÍBLIA VERDADEIRA EM PORTUGUÊS!

Vamos colocar na mão do povo brasileiro a BÍBLIA que possa resgatá-lo do atraso, da miséria, da maldição do Catolicismo Romano! A editora dessa Bíblia tem por E-mail: “sbtb@biblias.com.br”. Já comprei seis e vou comprar mais algumas para dar de presente. Usemos a nossa oferta para distribuir a pura palavra de Deus! Ela é realmente MARAVILHOSA! Nela Deus PRESERVA intacta a Sua Palavra santa. “Bem aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor”! (Salmos 33:12)

Publicado na “Folha Universal”, 31/12/00
 

2. Uma palavra pessoal

 

Dr. Jack Hyles.

 

            Quando eu era um jovem pregador, a batalha era como interpretar a Bíblia. Agora, quase meio século depois, a batalha é sobre a própria Bíblia. Antes, a batalha era sobre o que a Bíblia ensinava. Hoje, a batalha é sobre o que a Bíblia é. Antes, era uma batalha sobre  interpretação. Agora, a batalha é sobre a inspiração e preservação. Antes, era uma batalha sobre  diferença de doutrina. Agora é uma batalha sobre onde conseguimos nossa doutrina. Antes, era uma batalha sobre estilo literário. Agora, é uma batalha sobre a fonte. Antes, era uma batalha sobre o que a Verdade diz. Agora a batalha é sobre o que a verdade é. Tenho me dedicado, nestes poucos anos que me restam, à defesa e propagação da Bíblia King James.

            Anos atrás, tive uma secretária que me anotava os ditados. Quando as primeiras cartas me foram entregues por ela, a fim de que eu as assinasse, notei que não continham exatamente as mesmas palavras que eu havia ditado. Chamei-a ao meu escritório e perguntei-lhe o porquê. Ela me disse que havia mudado um pouco as minhas palavras, a fim de que se tornassem mais compreensíveis. Eu disse que ela estava “despedida”. Toda Igreja na América deveria fazer o mesmo com cada pastor que muda as palavras, a fim de que se tornem mais facilmente compreensíveis, e com cada teólogo que faz o mesmo.

            Imaginem o que poderia ter acontecido se todas as horas que foram gastas mudando a Bíblia tivessem sido gastas pregando a Bíblia e espalhando sua mensagem.

            Bill Grady tem razão ao defender a Bíblia. Ele trabalhou incansavelmente e junto com a família sacrificou-se financeiramente para denunciar as versões exatamente pelo que elas são – versões, e mostrar-nos que a Bíblia King James não é UMA versão, mas A Bíblia.

            Que Deus o abençoe por isso e o use para “demitir” as secretárias (teólogos e pregadores) que mudam o “ditado” [de Deus].

Com a atenção dos cristãos de hoje já desviada por uma era de materialismo sem precedente, a demoníaca artilharia crítica que acompanha as modernas “Bíblias” inglesas tem operado significativa confusão sobre a identidade da verdadeira Palavra de Deus. Causa de alarme é a oportuna aplicação do grito do salmista no Salmo 11:3 – “Se forem destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?”

            O Livro “Autoridade Final” foi escrito para dissipar essa confusão, ao apresentar um lógico e bem documentado argumento a favor da Bíblia King James, como sendo a verdadeira Palavra de Deus para os povos de língua inglesa.

Contudo, devido à complexidade da natureza do assunto, certas porções deste livro podem às vezes parecer um pouco técnicas. A oração deste autor é que o leitor seja fiel ao desafio, pois os problemas difíceis exigem estudo diligente. Questões sobre a Bíblia são de conseqüências eternas e jamais deveriam ser consideradas de maneira casual. ”Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (II Timóteo 2:15).

Quando o comitê anglicano de revisão publicou o seu Novo Testamento Revisado em 1881, logo se opôs ao mesmo o Deão John William Burgon (1813-1888), destacado erudito conservador da Igreja Anglicana. Após testemunhar o abandono da Versão Autorizada de 1611 por parte de sua amada nação, em favor das infundadas teorias textuais dos Doutores Brooke Foss Westcott (1825-1901) e Fenton Anthony John Hort (1828-1892), Burgon estava certo da volta ao texto tradicional, num futuro próximo. Herman Hoskier, o seu fiel associado, relata uma cena tocante dos últimos anos do trabalho de Burgon:

            Três anos e meio atrás (isso escrito em 1890) eu estava no estúdio de Burgon em Chichester. Era meia noite, estava escuro, fazia frio lá fora. Ele acabara de apagar as luzes e estava escuro e frio dentro de casa. Subimos as escadas para irmos dormir, e suas últimas palavras, naquela noite, têm ecoado, desde então, em meus ouvidos:tão certo como está escuro agora, e tão certo como o sol vai ressurgir amanhã cedo, assim será vindicado o Texto Tradicional e as visões pelas quais tenho me esforçado em expressar que sejam aceitas. Não viverei para vê-lo. É provável que não, mas isso acontecerá”.

            Depois de quase um século de revisão inglesa nos corrompidos manuscritos alexandrinos (Códices Vaticanus e Sinaíticus), um leve ressurgimento do pensamento a favor do Textus Receptus, e a favor da Versão Autorizada, tem acontecido. Em 1979, os editores do texto grego liberal de Nestle-Aland reverteram uma preferência de oitenta anos por Westcott e Hort, com uma inserção memorial de 467 citações do Receptus, em sua 27ª edição.

            Contudo, de muito maior significação é a presente consolidação entre muitos Batistas fundamentalistas, em direção à convicção da “exclusividade da King James”. Essa posição tem se tornado necessária por uma cada vez mais crescente artilharia crítica às modernas revisões inglesas. Conforme foi predito, essa posição é rejeitada pelos “eruditos cristãos” auto-estilizados, como sendo intelectualmente inaceitável. A reação seguinte é típica dos apóstatas destes dias do fim.

            Sobrepujando as traduções das seitas que procuram colocar suas heresias com uma aura de autoridade, junto com as tradições preparadas pelos liberais, que se valem de qualquer oportunidade para derrubar a divindade de Jesus Cristo, as numerosas paráfrases mascaradas como traduções, levaram muitos indomáveis fundamentalistas, a maioria constante de leigos, a afirmar a inspiração verbal da Bíblia King James, enquanto alguns dos mais eruditos se satisfizeram em insistir que somente o Textus Receptus era um texto grego confiável.

            Este volume foi designado para equipar os cristãos sinceros (fundamentalistas indomáveis) com uma obra sistemática de doutrina, história e evidências manuscritas, para que se convençam a “olhar de novo para o velho Livro”.

            Tendo subestimado o crente bíblico a igualar a “Autoridade Final” como uma exclusiva fonte de referência, a crítica então vai declarar que “somente uma posição da King James” peca por falta de endosso do fundamentalismo histórico. O argumento prossegue:

            Não fazemos objeção a que  alguém se recuse a usar ou honrar qualquer tradução que não seja a Versão King James. Desejamos, então, saudar a todos e contá-los como amigos. Também amamos e procuramos defendê-la dos críticos. Mas achamos que qualquer pessoa que faz do uso exclusivo dessa tradução um teste de companheirismo, está errada, especialmente quando isso infere uma recomendação de que outra versão – que for traduzida por competentes eruditos evangélicos – é um abandono da fé. Esta não é a posição fundamentalista histórica.

            Então percebe-se que as linhas de demarcação da batalha entre os que abraçam a Versão Autorizada de 1611 como sua autoridade final e dos que apelariam aos ditames da tradição humana são retiradas. “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” (Colossenses 2:8).

            Para início, deve-se entender que na maioria dos casos, a assim chamada “posição histórica fundamentalista” (que relega a Bíblia King James  a um status inferior em relação aos manuscritos originais inexistentes), foi levantada por teólogos não ganhadores de almas. Falando francamente, o erudito grego, J. Gresham Machen jamais deu cobertura a um não erudito e controverso Billy Sunday.

            Com raras exceções, a história do evangelismo confirma que o resultado da colheita de um ganhador de almas esteve sempre na razão direta de sua crença no Livro que ele estava pregando. Em sua Carta aos Tessalonicenses, Paulo declara: ”... pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavras de homens, mas (segundo é, na verdade), como palavra de Deus, a qual também opera em vós, os que crestes” (I Tessalonicenses 2:13b).

            Pregadores como Gipsy Smith, que cruzou o Oceano Atlântico quarenta e cinco vezes em sua busca de almas, estavam ocupados demais em ganhar os perdidos para perder tempo criticando as Bíblias deles. O evangelista itinerante, resumindo sua antipatia pelo intelectualismo mundial, observou:

            Não fui em busca de seus colégios e seminários. Eles não me tiveram... mas tenho estado aos pés de Jesus, onde se aprende a única e verdadeira erudição.   Lester Roloff, do mesmo modo, também não ficou impressionado com o fútil academismo, preferindo colocar os pecadores diante das realidades espirituais da “Doutora Lei e da Doutora Graça” em vez de usar as fantasias textuais dos Doutores Westcott e Hort. Seus clássicos “exegéticos” “Pawing in the Valley” (Pondo os Pés no Vale) e “The Mule Walked On” (Andando Sobre a Mula), etc. constituem seu próprio estilo homilético.

            Houve, é claro, a exceção ocasional de um dedicado ganhador de almas sucumbir ao espírito de sua época. o Dr. R.A. Torrey é um desses raros casos. Oponentes da Bíblia King James  recebem grande segurança da preferência de Torrey pela Revised Edition. Porém, nós, que estamos familiarizados com o bem intencionado Dr. Torrey, sabemos que, exceto pelo desastroso período de estudo do criticismo mais alto, na escola alemã, não ficamos nem um pouco intimidados. O Dr. Ed Reeses escreve:

            Não satisfeito com o treinamento recebido nos Estados Unidos, ele estudou nas universidades alemãs de Leipzig e Erlangen, de 1882 a 1883. Como um brilhante estudante, fez grande progresso na escola. Logo no início de seus estudos foi proclamado um alto crítico, mas logo ao completá-los ele ficou convencido da falsidade de suas visões e embarcou de volta às velhas doutrinas conservadoras, mudando a sua direção usual por causa da ênfase européia sobre a mais alta crítica.

 

Trecho do livro “Autoridade Final

do Dr. Wiiliam P. Grady, traduzido pela autora.

 

 

3. Perfil de Jesus Cristo

 

(Carta enviada por Publius Lentulus, amigo de Pilatos, ao Senado de Roma, no Ano 0030)

 

Nestes dias tenho visto

homem de grande valor,

que se chama Jesus Cristo

e vive pregando o amor.

De profeta muita gente

o chama e os amigos seus

afirmam, seguramente,

ser Ele o Filho de Deus.

O povo o estava seguindo

e quando cheguei ali,

soube que ele tinha vindo

da família de Davi.

É belo de corpo inteiro,

perfeito em fisionomia,

filho de um carpinteiro

e sua esposa – Maria.

Tem espessas sobrancelhas,

cabelo partido ao meio,

bem liso até as orelhas,

depois ondulado e cheio.

Cor de castanha madura

a cabeleira ondulada.

A barba tem a espessura

de nuvens numa alvorada.

Tem lindos boca e nariz

bronzeados pelo mar.

E um cheiro bom de raiz

Vem do seu corpo, no ar.

A pele corada e lisa

tem um tom rosa dourado

e à beira-mar vem a brisa

afagar seu rosto amado.

Não tem perfil de mortal,

é forte, puro e formoso

e sempre reprova o mal

De modo assaz vigoroso.

Tem um olhar doce e puro,

Nos olhos de um cinza claro.

Quando fala é tão seguro

que a todos transmite amparo.

Quando reprova é severo,

mas sabe falar tão bem,

que em breve revê-lo, espero,

aqui, em Jerusalém.

Jamais o viram sorrindo,

mas chorar muitos o viram,

e a sua ordem ouvindo,

muitos demônios fugiram.

Muitas doenças do povo

com poder ele curou

e hoje fez algo de novo:

um morto ressuscitou.

Foi Lázaro - irmão de Maria

e Marta – seu grande amigo.

Estava no quarto dia

e ele o tirou do jazigo.

De singular formosura,

Jesus Cristo é diferente

e dele força e candura

emanam constantemente

estou pronto a concordar

que um filho de galileus

um dia possa chegar

a ser o Rei dos Judeus.

E fico preocupado

do meu coração no fundo,

que este aqui retratado

venha a governar o mundo!


 

4. Entrevista com Jesus Cristo

 

Naquela noite de 31 de dezembro de 1978, enquanto aguardava a passagem do ano, abri o Novo Testamento e fui lendo algumas passagens sobre a vida de Jesus Cristo.

            Retrocedi, em pensamento, ao ano 0030 e cheguei a Jerusalém. Ia conhecer ao vivo o mais famoso profeta de todos os tempos.

            Andei tomando informações a seu respeito e soube que ele havia nascido em Belém de Judá, cidade que dista mais ou menos 16 km da capital Jerusalém. Ele foi criado em Nazaré da Galiléia, tendo se fixado ultimamente na cidade de Cafarnaum, porto marítimo da Galiléia. É filho do carpinteiro José, já falecido,  descendente direto da linhagem do Rei Davi, e de uma piedosa mulher chamada Maria, que o tem acompanhado em algumas de suas andanças na pregação do evangelho. Tem aproximadamente 33 anos. Anda sempre acompanhado de doze homens simples que o chamam Mestre. Cura toda sorte de moléstias, expele demônios e ressuscita os mortos. Fala muito mal da seita dos fariseus e saduceus, às quais pertencem os mais famosos doutores da Lei Judaica, sendo que o sumo sacerdote, este ano, é o conhecido Caifás. O país é uma possessão romana e o governador da província é  Pôncio Pilatos, um sujeito simpático e muito eficiente em matéria de ordem.

Quando o encontrei, meu coração ficou em alvoroço. Ele é alto, moreno acobreado, como todos os que estão sempre em contato com o mar. Tem cabelos e barba sedosos, castanho claros. Os cabelos longos e fartos, são quase lisos até às orelhas, depois despencam numa cascata de cachos dourados, sobre os ombros bem torneados. Os olhos, firmes e ao mesmo tempo cheios de doçura, têm uma cor indefinida entre o cinza e o castanho, como o topázio fumê.  Sua voz é maviosa e pura.

Quando fala, com acentuado sotaque galileu, exerce um fascínio extraordinário sobre a multidão que o escuta. Até a natureza parece emudecer – árvores e pássaros ficam em total quietude – quando ele vai proferindo mensagens de vida e amor. Começo a ouvi-lo e uma onda de paz toma conta de mim. É uma espécie de alegria espiritual, que eu jamais havia experimentado, e é nesse estado de espírito que dele me acerco, a fim de pedir-lhe uma entrevista, com a qual Ele concorda, num simples aceno de cabeça.

 

M. S. _ Jesus, tu és o Cristo, Filho de Deus?

J. C. – Eu o sou, eu que falo contigo. Eu o sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu. (João 4:26 e Marcos 14:62)

M. S. – O que acontece a quem ouve a tua palavra?

J. C. – Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida (João 5:24).

M. S. – O que mais ofereces a quem ouve a tua palavra?

J. C. – Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto? (João 11:25-26).

M. S. – Quem vem a ti está mesmo garantido, não é?

J. C. – Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia (João 6:37,40).

M. S. – E quem não crê em ti?

J. C.  – ... Se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos  pecados. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado (João 8:24; Marcos 16:16).

M. S. – Como tens uma cultura tão grande, uma vez que és apenas o filho de um carpinteiro?

J. C. – ... A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo (João 7:16-17).

M. S. – Por que dizes que és a porta?

J. C. – Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens. O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância (João 10:9-10).

M. S. – Mas o título que mais te agrada é o de pastor, não é?

J. C. – Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Eu  sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas (João 10:11,14,15).

M. S. – É verdade que Moisés deu maná do céu aos judeus, quando estes atravessaram o deserto?

J. C. – Moisés não lhes deu o pão do céu, mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim não terá sede (João 6:32-33,35).

M. S. – Tu és rei?

J. C. – ... Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz (João 18:37).

M. S. – Que é a verdade?

J. C. – ... A palavra de Deus é a verdade. E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (João 17:17 e 8:32).

M. S. – Por que temos de enfrentar tantas tribulações neste mundo?

J. C. – ... No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo (João 16:33).

M. S. – Devemos propagar o teu evangelho?

J. C. – Convém que eu faça as obras daquele que me enviou enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. ...Levantai os vossos olhos e vede as terras que já estão brancas para a ceifa. A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros (João 9:4-5; 4:35 e Mateus 9:37)

M. S. – Sabemos que a salvação pessoal é um dom gratuito de Deus, outorgado pelo teu sacrifício na cruz. E as boas obras não contam?

J. C. – Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.   Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus (Mateus 5:14-16).

M. S. – Não foi  uma grande lição de humildade que deste lavando os pés dos teus apóstolos, mesmo de Judas que era o traidor?

J. C. – Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou (João 13:14-16).

M. S. – O que devemos fazer para nos tornarmos perfeitos?

J. C. –  ...Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me (Mateus 19:21).

M. S. – Quais são os Teus mandamentos?

J. C. – ...Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. ...Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Mateus 22:37,39).

M. S. – Devemos te confessar diante dos homens?

J. C. – ... Qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus. Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus (Mateus 10:32-33)

M. S. – Devemos te invocar nos momentos de aflição?

J. C. – Vinde a mim, todos, os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.   Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas (Mateus 11:28-29).

 

M. S. – Como é o reino dos céus?

J. C. – ...O reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que o homem, pegando nele, semeou no seu campo; o qual é, realmente, a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos. Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo.  Outrossim, o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas; e, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a (Mateus 13:31-32 e 44-46)

M. S. – Quem crê em Ti e obedece os Teus mandamentos para onde vai depois da morte?

J. C. – Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também  (João 14:2-3).

M. S. – Que achas de quem adota uma criança?

J. C. – Qualquer que receber um destes meninos em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, recebe, não a mim, mas ao que me enviou. Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como menino, de maneira nenhuma entrará nele. (Marcos 9:37 e 10:15)

M. S. – Por que amas tanto os pecadores?

J. C. – ... Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento.     (Marcos 2:17)

M. S. – Devemos nos preocupar com o dia de amanhã?

J. C. – Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.  Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal (Mateus 6:33-34).

M. S. – Por que fazias tantas curas no sábado mesmo sabendo que isso escandalizava os judeus?

J. C. – ...O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. ...Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também (Marcos 2:27 e João 5:17).

M. S. – Há tantas pessoas escrevendo livros, até eu, dando conselhos espirituais e há tantas religiões e seitas nascendo e crescendo nestes últimos tempos, todas prometendo salvação. Em quem devemos confiar?

J. C. – ... Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?   Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus.  Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons.  Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo (João 14:6; Mateus 7:15-19).

M. S. – Vale a pena ficar rico?

J. C. – Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.   Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma? (Mateus 6:19-21 e Marcos 8:36)

M. S. – É certo julgar os outros?

J. C. – NÃO  julgueis, para que não sejais julgados.  Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? (Mateus 7:1-3)

M. S. – É proibido jurar?

J. C. – Eu, ...vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei; nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto.  Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna (Mateus 5:34-37).

M. S. – Devemos perdoar e amar os nossos inimigos?

J. C. – ... Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas (Mateus 5: 44-45 e 6:15).

M. S. – Que achas das pessoas que se promovem à custa de escândalos?

J. C. – Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem! ... Qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar (Mateus 18:7,6).

M. S. – Quando se dará a consumação do século?

J. C. – ... Ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares.  Mas todas estas coisas são o princípio de dores.  Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome.  Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão. E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo (Mateus 24:6-13).

M. S. – Fala um pouco sobre o juízo final.

J. C. – Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem. ...O  céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar. ...Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor.  ...E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas;  E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda.  Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; ...Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos (Mateus 24:27,35,42; 25:32-34 e 41).

M. S. – Chegamos ao final desta entrevista. Tens mais alguma coisa a declarar?

J. C. – Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros (João 13:34-35).

 

5. Por que escolher Jesus Cristo?

 

Devemos escolher Jesus Cristo porque a Bíblia diz que ele é Deus. Quem é Deus?  É o Espírito Eterno, Criador, Onipotente e Onisciente, Onipresente, Santo e Justo, que se revela como o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Deus Pai é quem nos dá a salvação através de Jesus Cristo, seu Filho. Que é salvação? É uma realidade presente e uma  esperança futura de que um dia estaremos na presença de Deus, louvando-o e glorificando-o por toda a eternidade. A salvação é atestada  pelo novo nascimento. Que é o novo nascimento? É a transformação pela qual passamos, quando crendo em Jesus Cristo como Salvador e reconhecendo e confessando nossos pecados, tornamo-nos nova criatura regenerada pela graça de Deus.

Devemos escolher Jesus Cristo por um bilhão de razões, que não temos tempo nem espaço para declarar aqui, resumindo-nos a apenas algumas de grande importância:

1. Porque Jesus é Deus, o Filho, o Grande EU SOU, com toda a autoridade nos céus e na terra, que ele criou e sustenta com o seu poder eterno (João 8:58; Mateus 28:18; Hebreus 1:2-3).

 2. Porque Jesus se esvaziou de sua divindade por amor dos homens, e na plenitude dos tempos tomou a forma humana, foi obediente ao Pai até à morte de cruz e ressuscitou ao terceiro dia para destruir o poder da morte (Filipenses 2:7-8; Gálatas 4:4; Mateus 28:1-10; Marcos 16:9; Lucas 24:1-7; João 20:1-10).

3. Porque só Jesus é SANTO, perfeito, compreensivo quanto às nossas fraquezas, porque ele mesmo sofreu e foi tentado na carne, sem jamais ter cometido pecado algum, e assim pode interceder por nós junto ao Pai (1 Pedro 1-19;   Hebreus 4:15; 7:25).

 4. Porque Jesus é o único mediador entre Deus e os homens (1 Timóteo 2:5). Os “santos” folclóricos criados pelas tradições humanas, inclusive Maria,  não sendo onipotentes, nem oniscientes e nem onipresentes, como Jesus é, jamais poderiam ouvir os milhões de  preces de todos os homens, em todas as línguas e dialetos, em todo o mundo, em todo o tempo, e conceder-nos qualquer tipo de ajuda  física ou espiritual.

 5. Porque antes de Jesus morrer e ressuscitar, todos nós estávamos mortos em nossos delitos e pecados (Efésios 2:5), marchando em direção ao inferno. Agora, porém, através do Seu Nome, o único dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos (Atos 4:12), estamos libertos do abismo eternal e prontos para receber vida eterna ao seu lado (João 14;1-3).

6. Porque Jesus é o Caminho, e a Verdade e a Vida e ninguém vai ao Pai senão através dele, a única porta de entrada no céu (João 14:6;10:9).

7. Porque Jesus é o mesmo ontem, hoje e o será para sempre (Hebreus 13:8). Com ele podemos contar em qualquer circunstância e em cada instante de nossa vida.

8. Porque, enquanto Satanás veio para roubar, matar e destruir, Jesus veio para nos dar vida abundante (João 10:10), cheia de amor, alegria e paz.

9.      Porque Jesus é Maravilhoso Conselheiro, Rei da Eternidade, Príncipe

da Paz, e nos dá a paz que excede todo o entendimento (Isaías 9:6; Filipenses 4:7).

10. Porque ele nos enviou o Espírito Santo, que nos convence do pecado, da justiça e do juízo, e ainda nos  consola, nos ensina a orar e nos dá força para remover todos os obstáculos criados pela nossa maldade, nosso enorme egoísmo e nossa fé insignificante (João 14:16;16:7-13; Romanos 8:26).

Estes são apenas dez entre um bilhão de motivos para escolher  Jesus Cristo como nosso único, eterno e todo suficiente Salvador. Portanto, olhemos somente para Jesus, autor e consumador de nossa fé, conhecendo-o cada dia mais de perto, através de Sua Santa Palavra, a única verdade que liberta  de tantas mentiras religiosas espalhadas pelos falsos cristos e falsos profetas, que se apresentam diante de nós, a todo momento (Hebreus 12:2; João 17:17; Mateus 24:24).

Que tem Jesus Cristo como Salvador e Senhor de sua vida, estudando sua Santa Palavra diariamente e procurando seguir os seus ensinamentos,  não fica sob o domínio das falsas religiões e se torna uma bênção na comunidade.

Jesus Cristo é o Deus Criador e Sustentador do universo. Ele tem todo o poder nos céus e na terra e como seus irmãos adotados através da cruz, somos levados ao Reino do Filho do amor de Deus e nos tornamos ricos e felizes, eternamente, para a glória do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Hebreus 1:3; 12:2;Mateus 28:18;Colossenses 1:13).

 

 

6. O Nome de Jesus

 

Eu não dependo dos atos

bons ou maus que praticar,

nem de quaisquer outros fatos

que nesta vida enfrentar.

Nem mesmo dos sofrimentos

que paciente aceitar.

Nem também dos sentimentos

pra conseguir me salvar.

]Só o sangue de Jesus,

meu querido Salvador,

derramado sobre a cruz,

é que tem todo valor.

 

Jesus, Salvador eterno,

morreu, mas ressuscitou.

E dos horrores do inferno

 minha vida libertou.

Do seu amor eternal

ninguém vai me separar,

nem todas hostes do mal

que possam me atacar.

Por isso louvores canto,

minha alma cheia de luz:

amado, bendito e santo

seja o Nome de Jesus

 

 

7. Ponha Cristo em Sua Agenda

 

É nossa vida o resumo

de um belo sonho que passa.

E Jesus é nosso rumo,

se vivemos pela Graça.

Ele é o nosso Caminho,

a Verdade, a Vida, a Luz.

É nosso pão, nosso vinho,

e por nós morreu na cruz!

Grande Deus e Salvador,

Jesus é Senhor, também.

Dedica-nos terno amor

e só quer o nosso bem.

Se quiser viver em paz,

num lugar de eterna luz,

deixe de olhar para trás,

se entregue logo a Jesus.

Tenha e se arrependa

de todo mal que já fez.

Ponha Cristo em sua Agenda

e ganhe o céu, de uma vez!

 

 

Entrevista com o Apóstolo João

 

M. S. – João, é verdade que Jesus Cristo  sempre existiu?

João – Todas  as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez (João 1:3).

M. S. – Para que veio ele ao mundo?

João – Veio  para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome (João 1:11-12).

M. S. – Como veio ele ao mundo?

João – E  o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade (João 1:14).

M. S. – Qual a relação entre Moisés e Jesus Cristo?

João – ...  A lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo (João 1:17).

M. S. – Alguém já viu Deus?

João – Deus  nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou (João 1:18).

M. S. – Como João Batista se apresentou aos judeus?

João – Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías. Este é aquele que vem após mim, que é antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar a correia da alparca. Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele  (João 1:23 e 27; 3:28).

M. S. – O que mais disse ele sobre Jesus?

João – No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (João 1:29).

M. S. – Quais foram os primeiros discípulos de Jesus?

João – Era André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram aquilo de João, e o haviam seguido. E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro) (João 1:40, 42).

M. S. – Quem veio depois de André e Pedro?

João – Filipe e Natanael, ambos de Betsaida, cidade de André e Pedro (João 1:43 a 45).

M. S. – Que disse Jesus a Natanael?

João – Jesus viu Natanael vir ter com ele, e disse dele: Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo. Disse-lhe Natanael: De onde me conheces tu? Jesus respondeu, e disse-lhe: Antes que Filipe te chamasse, te vi eu, estando tu debaixo da figueira. E disse-lhe: Na verdade, na verdade vos digo que daqui em diante vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem (João 1:47- 48 e 51).

 

M. S. – Que fez Jesus nas Bodas de Caná?

João – ... Estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam dois ou três almudes.  Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima.  E disse-lhes: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E levaram. E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo (João 2:6-9).

M. S. – Que fez Jesus contra os cambistas do templo?

João – ... Tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas; E disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes, e não façais da casa de meu Pai casa de venda (João 2:15-16).

M. S. – Que disse Jesus aos judeus, referindo-se à própria ressurreição?

João – Jesus  respondeu, e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei (João 2:19).

 

M. S. – Que disse Jesus a Nicodemos, quando este foi procurá-lo uma noite?

João – Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.  O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.  Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo (João 3:3-7).

M. S. – Por que Deus mandou seu Filho ao mundo?

João – Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele (João 3:16-17).

M. S. – Então devemos crer que Jesus é realmente o Filho de Deus?

João – Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más (João 3:18-19).

M. S. – Que disse Jesus à mulher samaritana, a respeito da água da vida?

João – ... Aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna (João 4:14).

M. S. – Que disse Jesus à samaritana sobre a melhor maneira de adorar a Deus?

João – Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade ((João 4:23-24).

 

M. S. – Que disse Jesus aos judeus que se escandalizaram ao ouvi-lo chamar Deus de Pai?

João – ... O Pai ama o Filho, e mostra-lhe tudo o que faz; e ele lhe mostrará maiores obras do que estas, para que vos maravilheis. Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz.  E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação (João 5:20, 28-29).

M. S. – Que disse Jesus aos escribas e fariseus, quando queriam que ele condenasse a mulher adúltera?

João – E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela (João 8:7).

M. S. – Que falou Jesus a respeito do seu próprio testemunho?

João – Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai que me enviou.  Disseram-lhe, pois: Onde está teu Pai? Jesus respondeu: Não me conheceis a mim, nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai (João 8:18-19).

M. S. – Como Jesus curou o cego de nascença?

João – ...Cuspiu na terra e com a saliva fez lodo, e untou com lodo os olhos do cego. E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé, (que significa o enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo (João 9:6-7).

M. S. – Que disseram os fariseus diante desse milagre?

João – ... Este homem não é de Deus, pois não guarda o sábado (João 9:16).

M. S. – Que disseram os fariseus ao ex-cego quando este defendeu Jesus?

João – ... Tu és nascido todo em pecados, e nos ensina a nós? E expulsaram-no (João 9: 34)

M. S. – Como se referiu Jesus às suas ovelhas?  

João – Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.  Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão (João 10:11,14,28).

M. S. – Que disse Jesus ao saber que seu amigo Lázaro estava enfermo?

João – ... Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela (João 11:4).

M. S. – Que disse ele a Marta, quando esta pranteava o irmão morto?

João – ... Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;  E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto? (João 11:25-26).

M. S. – Qual a oração que Jesus fez ao Pai, diante do túmulo de Lázaro?

João – ... Pai, graças te dou, por me haveres ouvido. Eu bem sei que sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste (João 11:41-42).

 

M. S. – Como se referiu ele à sua própria morte quando Filipe e André foram procurá-lo para dizer que alguns gregos queriam conhecê-lo?

João – Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.  Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna  (João 12:24-25).

M. S. – Como se referiu ele à sua crucificação?

João – E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado;  para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim (João 3:14-15;12:32).

M. S. – Fala da última ceia.

João – ORA, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim. E, acabada a ceia, tendo o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão,  que o traísse... Levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido (João 13:1-2,4-5).

... Jesus... turbou-se em espírito, e afirmou, dizendo: Na verdade, na verdade vos digo que um de vós me há de trair. E, [inclinando-me eu] sobre o peito de Jesus, disse-lhe: Senhor, quem é?  Jesus respondeu: É aquele a quem eu der o bocado molhado. E, molhando o bocado, o deu a Judas Iscariotes, filho de Simão. E, após o bocado, entrou nele Satanás. Disse, pois, Jesus: O que fazes, faze-o depressa. E nenhum dos que estavam assentados à mesa compreendeu a que propósito lhe dissera isto. Porque, como Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que Jesus lhe tinha dito: Compra o que nos é necessário para a festa; ou que desse alguma coisa aos pobres. E, tendo Judas tomado o bocado, saiu logo. E era já noite.  (João 13:21,23,25-30)

M. S. – Que falou Jesus sobre Judas, logo que este saiu para entregá-lo aos líderes judeus?

João – Tendo ele, pois, saído, disse Jesus: Agora é glorificado o Filho do homem, e Deus é glorificado nele. Se Deus é glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e logo o há de glorificar (João 13:31-32).

M. S. – Como Jesus começou a preparar seus discípulos para a tribulação que viria a seguir?

João – NÃO se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também (João 14:1-3).

 

M. S. – Que disse Jesus sobre os dois mandamentos em que ele próprio resumiu toda a lei de Deus?

João – Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele (João 14:21).

M. S. – Como se comparou ele à videira?

João – EU sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado (João 15:1-3).

M. S. – Que disse ele sobre o Espírito Santo?

João – ...Quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.  ... Ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir (João 15:26 e 16:13).

M. S. – Qual a oração feita ao Pai, em favor dos seus discípulos?

João – Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.  Não são do mundo, como eu do mundo não sou.  Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.  ... E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim. Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós para que o mundo creia que tu me enviaste. Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo. E eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e eu neles esteja (João 17:15-17, 20-21, 24,26).

M. S. – Que disse Jesus a Pilatos, quando este o ameaçou durante o julgamento?

João – ... Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem (João 19:11).

M. S. – Que disse ele a Tomé, seu discípulo, que não acreditara em sua ressurreição?

João – ... Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. ...Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram (João 20:27,29).

M. S. – Que disse Jesus a Maria Madalena após sua ressurreição?

João – ... Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus (João 20:17).

M. S. – Por que escreveste o Evangelho de Jesus Cristo?

João – Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro.  Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome (João 20:30-31).

  

 

9. Entrevista com o Apóstolo Paulo

 

M. S. – Paulo de Tarso, antes conhecido por SAULO, como se deu a tua conversão

de perseguidor dos cristãos em apóstolo de Jesus Cristo?

P. T. – Fui ao Sumo sacerdote em Jerusalém pedindo cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de prender todos os cristãos que lá se encontrassem, homens, mulheres e crianças. Ia a caminho de Damasco, quando de repente uma luz do céu brilhou ao meu redor e caindo por terra, ouvi uma voz que dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?

Perguntei então: Quem és tu, Senhor? Ao que a voz respondeu: Sou Jesus, a quem tu persegues. Levanta-te,  e entra na cidade e lá te será dito  que te convém fazer. Levantei-me e abrindo os olhos, notei que não enxergava. Guiaram-me até Damasco. Lá fiquei três dias sem ver, sem comer e sem beber. Então veio um homem chamado Ananias e falou: - Irmão Saulo,  o Senhor Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e fiques cheio do Espírito Santo. E logo caíram dos meus olhos como que umas escamas e recuperei a vista. Levantei-me e fui batizado. Depois fui alimentado e fiquei confortado. Passei alguns dias em companhia de alguns discípulos que estavam em Damasco e comecei logo a pregar a Cristo, afirmando ser ele o Filho de Deus (Atos 9:1-6,8-9 e 17-20).

 

M. S. – Qual  a missão que recebestes de Cristo?

P. T. – Pregar  o evangelho entre os gentios (Atos 9:15).

M. S. – Dizem que és o maior apóstolo de Cristo. É verdade?

P. T. – ...Eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus. Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã (I Coríntios 15:9-10).

M. S. – Que dizes de Jesus Cristo?

P. T. – Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre o mortos, para que em tudo tenha a preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse. Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência... a cabeça, da qual todo corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus (Colossenses 1:15-19; 2:3,19).

 

M. S. – Que fez Cristo ao morrer na cruz?

P. T. – Riscou a cédula que era contra nós nas suas ordenanças...  cravando-a na cruz (Colossenses 2:14).

 

M. S. – Que fez Cristo ao ressurgir dos mortos?

P. T. – ...Aboliu a morte, e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho (II Timóteo 1:10)

M. S. – Mas será que ele ressuscitou mesmo?

P. T. – ...Se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo... de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos e foi feito as primícias dos que dormem (I Coríntios 15:14,15,20).

M. S. _ Podemos ser salvos pelas obras ou somente pela fé em Cristo?

P. T. – ...É evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus (Gálatas 3:11, 26).

M. S. – Como podemos saber se somos filhos de Deus e não apenas criaturas jogadas neste mundo sem nenhum propósito?

P. T. – O ... Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus (Romanos 8:16, 9, 14).

M. S. – Quer dizer que todos que aceitam Jesus Cristo como seu legítimo  Salvador e Senhor, mesmo cometendo pecados podem se considerar salvos?

P. T. – ... Agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus... Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, os livrou da lei do pecado e da morte (Romanos 8:1-2).

M. S. – Que dizes das Sagrada Escrituras?

P. T. – Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;   para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra (2 Timóteo 3:16-17).

M. S. – Quando devemos pregar o evangelho de Cristo?

P. T. – ... A  palavra de Deus não está presa. ...a tempo e fora de tempo para redargüir, repreender, exortar, com toda a longanimidade e doutrina (2 Timóteo 2:9 e 4:2)

M. S. – Que dizes da injustiça?

P. T. – ...Quem fizer agravo receberá o agravo que fizer; pois não há acepção de pessoas (Colossenses 3:25).

M. S. – Devemos nos preocupar como nossos familiares?

P. T. – ...Se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel (I Timóteo 5:8).

M. S. – Devemos orar pelas autoridades civis e militares?

P. T.  – Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade, porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador (I Timóteo 2:2-3).

M. S. – Que achas da ajuda financeira que os evangélicos dão para o sustento dos pastores?

P. T. – Digno é o obreiro do seu salário (I Timóteo 5:18-c). Mas como diz o meu amado Cefas, devemos “apascentar o rebanho de Deus, que está entre nós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho” ( I Pedro 5:2-3).

M. S. – Que dizes do trabalho?

P. T. – ... Se alguém não quiser trabalhar, não coma também (II Tessalonicenses 3:10 – c).

M. S. – Que conselho dás aos ricos?

P. T. – ...Que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos. Que façam o bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis (I Timóteo 6:17-18).

M. S. – Que dizes do amor ao próximo?

P. T. – O amor... é o vínculo da perfeição. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha... (Colossenses 3:14-c e I Coríntios 13:4-8).

M. S. – Sabemos que em Cristo somos “nova criatura”, mas por que?

P. T. – ... Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. ...Esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus (II Coríntios 5:17 e Filipenses 3:13-14)

M. S. – Contra quem é a nossa luta quando estamos em Cristo?

P. T. – ... Não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais (Efésios 6:12).

M. S. – Como podemos vencer o mal?

P. T. – Revesti-vos de toda a amadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. ...Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos (Efésios 6:11, 16-18).

M. S. – Sabemos que sofrestes muito por amor a Cristo. Conta-nos alguma coisa.

P. T. – Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas. [Mas Jesus] disse-me: a minha graça  te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo (II Coríntios 11:24-28; 12:9).

M. S. – Como podemos ser consolados em nossas tribulações?

P. T. – Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação; que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus. Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também é abundante a nossa consolação por meio de Cristo (II Coríntios 1:3-5).

M. S. – Todas as tribulações devem ser entregues a Cristo?

P. T. – ... Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si  mesmo por mim (II Timóteo 1:7 e Gálatas 2:20).

M. S. – Como devem os nossos pensamentos?

P. T. – ...Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai  (Filipenses 4:8).

M. S. – Como serão os últimos dias?

P. T. – ... Nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela...(II Timóteo 3:1-5)

M. S. – Como ressuscitam os mortos?

P. T. – ... O que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer. E, quando semeias, não semeias o corpo que há de nascer, mas o simples grão, como de trigo, ou de outra qualquer semente. ...E há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a dos terrestres. ...Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual.  (I Coríntios 15:36-37, 40,42-44).

M. S. – Como se dará o arrebatamento da Igreja de Jesus Cristo?

P. T. – ... Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele. ...Pela palavra do Senhor... nós, os que ficarmos vivos para  a vinda do Senhor não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a  encontrar o Senhor nos ares e assim estaremos sempre com o Senhor (I Tessalonicenses 4:14-17).

M. S. – Quando se dará a integração definitiva de Cristo no Pai?

P. T. – ... Quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos (I Coríntios 15:28).

 

 

10. Carta de Paulo a Filemom

 

De Paulo, o prisioneiro,

e de Timóteo, também,

a Filemom, companheiro

a quem nós queremos bem.

A Áfia, Arquipo e à Igreja

que em tua casa se reúne,

certo que em breve os reveja

na fé comum que nos une.

Graça e paz do nosso Deus

e do Seu Filho Jesus

a vocês, amados meus,

que estão andando na luz.

Dou muitas graças a Deus

sempre de ti me lembrando.

Meus pensamentos são teus,

cada vez que estou orando.

Ciente do teu amor

e também da tua fé

em Cristo, nosso Senhor,

me alegro demais, até.

Que a tua fé, caro irmão,

seja muito eficiente

na sábia compreensão

de todo o bem que há no crente.

Pois tive grande alegria

e conforto em teu amor.

Meu coração, cada dia,

se expande com  teu calor.

Mesmo tendo a liberdade

do que convém te ordenar,

prefiro, com amizade,

apenas solicitar.

Em favor de um filho meu,

que entre algemas foi gerado:

Onésimo, escravo teu,

hoje em Cristo libertado.

Onésimo, que era fútil,

um bom cristão se tornou.

Mudou de inútil pra útil,

quando a Cristo se entregou.

Envio-o de volta a ti

como ao próprio coração.

Quisera mantê-lo aqui

pra me servir na prisão,

onde estou eu, Paulo, o velho

de algemas carregado,

por ter pregado o Evangelho

como por Deus fui mandado.

Porém, nada quis fazer

sem o teu consentimento,

pra  tua bondade ser

livre de constrangimento.

Pois creio que ele afastado

de ti, temporariamente,

só foi pra que de bom grado

te pertença eternamente.

E já não mais como escravo,

porém como amado irmão,

sem existência de agravo

nesse teu bom coração.

Como se fosse a mim mesmo

recebe-o, querido irmão,

 

 

que não fique andando a esmo,

saindo desta prisão.

E se te fez algum dano

lança tudo em minha conta,

pois sendo eu, Paulo, teu mano,

pagarei a quanto monta.

Que eu de ti, irmão, receba

este grande benefício

e em meu coração perceba

que não houve sacrifício.

Sei que vais me obedecer

e muito mais me farás,

pois em breve irei te ver;

roga a Deus e me terás.

Epafras e o jovem Marcos

te enviam saudações;

Demas, Lucas e Aristarco,

Do Evangelho campeões.

Que seja contigo a graça

de Jesus, nosso Senhor,

cuja Palavra não passa,

pois é Palavra de Amor!

 

Seminário Betel, 19


 

11. Cartas de Timóteo a Paulo

 

Amado Paulo:

 

            Recebi as duas cartas que você me enviou (1 e 2 Timóteo) e gostaria de comentá-las, iniciando pela primeira.

 

Capítulo 1 - Fiquei em Éfeso, conforme o seu desejo, a fim de advertir “a alguns que não ensinem outra doutrina,  nem se dêem a fábulas ou a genealogias intermináveis, que  mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé... e de uma fé não fingida. Do que, desviando-se alguns, se entregaram a vãs contendas; querendo ser mestres da lei, e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam”. (vs. 3-7). Aliás, como você mesmo diz, “a lei é boa, se alguém dela usa legitimamente; sabendo isto, que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados...” (vs. 8-9). Você dá graças ao que o “tem confortado, a Cristo Jesus Senhor nosso, porque o teve por fiel, pondo-o no ministério, a você que dantes foi blasfemo, e perseguidor, e injurioso, mas alcançou misericórdia, porque o fez ignorantemente, na incredulidade. E a graça de nosso Senhor, superabundou com a fé e  amor que há em Jesus Cristo”  (vs. 12-14). “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais você se julga o principal. Mas por isso alcançou misericórdia, para que em você Jesus Cristo mostrasse toda a sua longanimidade,  para exemplo dos que haviam de crer nele para a vida eterna” (vs. 15-16). Seguirei o seu conselho, segundo as profecias que houveram acerca de mim, militando por elas boa milícia, conservando fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé.(vs. 18-19).

 

Capítulo 2 - Farei  súplicas, deprecações, orações, intercessões e ações de graças, por todos os homens; porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo (vs. 1,3-6).

 

Capítulo 3 - Você ordena que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar... Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia. Porque se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da Igreja de Deus? (vs. 2,4-5).

Entendo que “da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância; guardando o mistério da fé numa consciência pura...Da mesma sorte as esposas sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo” (vs. 8-11).

Fiquei muito feliz em saber que você virá ver-me depressa. “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no  Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória” (vs. 14-16).

 

Capítulo 4 - Você diz que “o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência; proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade... Porque toda a criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças. Porque  pela Palavra de Deus e pela oração é santificada” (vs. 1-5).

Capítulo 5 -   Achei interessante você dizer que “se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que infiel...  Você aconselha as viúvas... que as que são moças se casem, gerem filhos, governem a casa... porque já algumas se desviaram, indo após  Satanás” (vs. 8,14-16).

Seguirei o seu conselho e direi aos  “presbíteros que governam bem que serão estimados, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina... Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E digno é o obreiro do seu salário” (vs.17-18). Quanto “aos que pecarem, serão repreendidos na presença de todos,  para que também os outros tenham temor... Vou usar um pouco de vinho por causa do meu estômago... (falta de ácido clorídrico no estômago para auxiliar a digestão?)  e das minhas constantes enfermidades” (vs. 20,23).

Capítulo 6 - Você diz que “é grande ganho a piedade com  contentamento. Porque   nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém,  sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos  com muitas dores” (vs. 6-10). Procurarei, portanto, fugir destas coisas, e seguir “a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão. Militarei a boa milícia da fé. Tomarei posse da vida eterna para a qual fui chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas. Guardarei este mandamento sem  mácula e repreensão, até à aparição de nosso Senhor Jesus Cristo; a qual a seu tempo mostrará o bem-aventurado, e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores;  Aquele que tem, ele só,  a imortalidade, e habita na luz inacessível;  a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno”. Amém. (vs. 11,12, 14,16).

Vou mandar que os “ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a  esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos; que façam bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis” (vs. 17-18).

 

 

Resposta à Segunda Carta:

 

Capítulo 1 - Agradeço tuas orações sem cessar. Como tu, também estou desejando muito ver-te, lembrando-me das tuas lágrimas,  para me encher de gozo. “Porque, Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação. Portanto,  não me envergonho do testemunho de nosso Senhor, nem de ti, que és prisioneiro seu, antes participarei das aflições do evangelho segundo o poder de Deus, que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio  propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos dos séculos. E que é manifesta agora pela aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a morte, e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho; para o que você foi constituído pregador, e apóstolo e doutor dos gentios. Por cuja causa você  padece também isto, mas não  se envergonha, porque sabe em quem tem crido e está certo de que é poderoso para guardar o seu depósito até aquele dia (vs. 3,4, 7-12).

Capítulo 2 -   Procurarei fortificar-me na graça que há em Cristo Jesus e o que de ti, entre muitas testemunhas ouvi, confiarei a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros. Sofrerei, pois, contigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo. Pois ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida,  a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra... Lembrar-me-ei de Jesus Cristo, que é da descendência de Davi, ressuscitou dentre os mortos, segundo o teu evangelho. Por isso sofres trabalhos e até prisões, como um malfeitor; mas, a Palavra de Deus não está presa! (vs.1-4,8,9).

Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos.  ...Se o negarmos, também ele nos negará; se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo (vs.11-13).

Procurarei apresentar-me a “Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (v.15). Procurarei também fugir da paixões da mocidade; e  seguir a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor, e rejeitarei as questões loucas, e sem instrução, sabendo que produzem contendas (vs. 22-23).

Capítulo 3 -   Concordo plenamente com você quando diz “que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus. Tendo aparência de  piedade, mas  negando a eficácia dela. Destes afasta-te”  (vs. 1-5).

            Tenho seguido, de perto, a tua doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, amor, paciência, perseguições e aflições, tais quais te aconteceram  em Antioquia, em Icônio e em Listra. Quantas perseguições tens sofrido! E o Senhor de todas te livrou. É bem verdade que “todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (vs. 10-12). Permanecerei naquilo que aprendi. E desde a minha meninice sei as Sagradas Escrituras, que podem fazer-me sábio para salvação, pela fé que há  em Cristo Jesus (vs. 14-15).

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (vs. 16-17).

 Capítulo 4 - Pregarei a palavra, instarei a tempo e fora de tempo... com toda a longanimidade e doutrina. Porque, segundo sua previsão, virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos amontoarão para si doutores conforme  as suas próprias concupiscências, e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas (vs. 2-4). Tu dizes que já estás sendo oferecido por aspersão de sacrifício e que o tempo de tua partida está próximo. Combateste  o bom combate, completaste a  carreira e guardaste a fé. Desde agora a coroa da justiça te está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, te dará naquele dia; e não somente a ti, mas também a todos os que amarem a sua vinda (Vs. 6-8). Aliás tu já havias falado isso antes, isto é, que em nada consideras a tua vida preciosa para ti mesmo contanto que completes  a sua carreira e o ministério que recebeste do Senhor Jesus Cristo para testemunhar o evangelho da graça de Deus (Atos 20:24)

Farei tudo para ir ter contigo depressa. Vejo que os teus companheiros te abandonaram e só Lucas (nosso querido médico), está contigo. Tomarei a Marcos e o levarei comigo,  pois sei  que ele te é muito útil para o ministério, agora que você enviou Tíquico para Éfeso. Levarei ainda a capa que deixaste em casa de Carpo, em Trôade, e os livros, principalmente os pergaminhos (vs. 9-13). Lamento que em sua primeira defesa todos  tenham te desamparado (como fizeram os discípulos com Jesus). Mas me alegro em saber que Ele, o Senhor, te assistiu nessa hora e te fortaleceu, para que por ti fosse cumprida a pregação, e todos os gentios a ouvissem. Que glória, teres sido libertado da boca do leão! É claro que o Senhor te livrará de toda a má obra e te guardará salvo para o seu reino celestial e por isso seja a ele toda glória, para todo o sempre. Amém! (vs. 16-18). E como preciso começar a cumprir tuas ordens, despeço-me por hoje, meu amigo, pai na fé e irmão nos sofrimentos.

 

Timóteo.

 

 

12. Poema Universal

 

Senhor Jesus!

Tu és o Criador e Senhor absoluto

de todo o Universo e

quero te louvar por tua magnitude e bondade.

Porque renunciando a toda glória

desceste à terra para morrer

pelos homens pecadores.

Como o grão de trigo foste sepultado

para dar vida nova à tua criação.

E ressuscitaste para provar que és Deus eterno,

para nos dar a salvação.

Eu sei que a porta é estreita, Senhor.

Mas alarga-a para que muitos entrem

no teu Reino de Amor!

Tuas feridas continuam sangrando

no teu corpo, que é a Igreja.

Mesmo depois da ressurreição!

Tu nos amas e por isso

tens sofrido tanto por nós.

Amar e sofrer, eis a tua função!

Cada pecado cometido é uma lágrima

a rolar pela tua face divina.

Mas tudo perdoas

porque és um Deus de amor!

Com a tua morte destruíste a morte,

é só uma questão de tempo!

Um dia voltarás glorioso, belo e triunfante

para nos governar com o teu cetro de justiça.

Então a justiça e a paz se beijarão

e tuas feridas poderão cicatrizar

porque a dor e a morte

não mais existirão.

 

 

13. Entrevista com o Apóstolo Pedro

 

M. S. – Pedro, o que respondeste quando Jesus perguntou: “Quem dizem os homens que eu sou?

Pedro – Tu  és o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mateus 16:16).

M. S. – Que disse Jesus, quando quiseste demovê-lo da cruz?

Pedro –  Ele... disse:  “Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” (Mateus 16:23).

M. S. – O que disse Jesus ao instituir a sua igreja?

Pedro – ... “Eu te digo que tu és  Pedro (Petrus), e sobre esta pedra (Petra) edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18).

M. S. – Fala  de Cristo – a  Pedra ou Rocha – como fundamento da igreja.

Pedro – Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo de céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos. ... E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa... sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo. Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; e quem nela crer não será confundido. E assim para vós, os que credes, é preciosa, mas, para os rebeldes, a pedra que os edificadores reprovaram, essa foi a principal da esquina, e uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados.  Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. (Atos 4:11-12; I Pedro 2:4-9).

O Irmão Paulo diz o seguinte, referindo-se aos judeus:  “...tropeçaram na pedra de tropeço; como está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma rocha de escândalo; e todo aquele que crer nela não será confundido. porque ninguém pode por outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. ...E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo” (Romanos 9:32-33; I Coríntios 3:11; 10:4).

M. S. – Com que objetivo nos gerou o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo?

Pedro – Bendito  seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós, que

 mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo, em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo; ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso; alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.  Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada, indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir.  Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar. Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo; como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo. (I Pedro 1:3-16).

M. S – Que conselho dás às esposas cristãs?

Pedro – ... Vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns não obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavra; considerando a vossa vida casta, em temor. O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura dos vestidos; mas o homem encoberto no coração; no incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus. Porque assim se adornavam também antigamente as santas mulheres que esperavam em Deus, e estavam sujeitas aos seus próprios maridos (I Pedro 3:1-5).

M. S. – Como  devemos viver entre os irmãos e na sociedade atual?

Pedro – ... Sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, amando os irmãos, entranhavelmente misericordiosos e afáveis. Não tornando mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados, para que por herança alcanceis a bênção.  Porque quem quer amar a vida, e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano. Aparte-se do mal, e faça o bem; busque a paz, e siga-a.  Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos às suas orações; mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal.  E qual é aquele que vos fará mal, se fordes zelosos do bem? Mas também, se padecerdes por amor da justiça, sois bem-aventurados. E não temais com medo deles, nem vos turbeis; antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós, tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom porte em Cristo. Porque melhor é que padeçais fazendo bem (se a vontade de Deus assim o quer), do que fazendo mal. Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito (I Pedro 3:8-16).

M. S. – Como devemos encarar as tribulações?

Pedro – Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis. Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é glorificado. Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios; mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte. Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?  E, se o justo apenas se salva, onde aparecerá o ímpio e o pecador? Portanto também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem (I Pedro 4:12-19).

M. S. – Como devem viver os líderes e as ovelhas da igreja de Cristo?

Pedro – Aos presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória. Semelhantemente vós jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo. E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá. A ele seja a glória e o poderio para todo o sempre. Amém (I Pedro 5:1-11).

M. S. – Fala da prática das virtudes cristãs.

Pedro – E  vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, e à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade. Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados. Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (II Pedro 1:5-11).

M. S. – Fala dos falsos mestres.

Pedro – ... Houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.

Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção, recebendo o galardão da injustiça; pois que tais homens têm prazer nos deleites quotidianos; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em seus enganos, quando se banqueteiam convosco; tendo os olhos cheios de adultério, e não cessando de pecar, engodando as almas inconstantes, tendo o coração exercitado na avareza, filhos de maldição; os quais, deixando o caminho direito, erraram seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça; mas teve a repreensão da sua transgressão; o mudo jumento, falando com voz humana, impediu a loucura do profeta. Estes são fontes sem água, nuvens levadas pela força do vento, para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva. Porque, falando coisas mui arrogantes de vaidades, engodam com as concupiscências da carne, e com dissoluções, aqueles que se estavam afastando dos que andam em erro, prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo. (II Pedro. 2:1-3; 12-19).

M. S. – Fala da vinda do Senhor.

Pedro – ... Nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências, e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação. Eles voluntariamente ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a Antigüidade existiram os céus, e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste. Pelas quais coisas pereceu o mundo de então, coberto com as águas do dilúvio, mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios. Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se. Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão. Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade, aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça. Por isso, amados, aguardando estas coisas, procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz. E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição. Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza; antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém. (II Pedro 3:3-18).

 

Nota: Em João 21:18-19, Jesus profetiza que Pedro iria segui-lo na morte de cruz. Diz o escritor Jack Chick, em seu livrete “Os Padrinhos”: “Por que desejaria tanto o Vaticano  mudar para Jerusalém, agora? Por que deixar a Praça de S. Pedro e o trono de S. Pedro em Roma? Não teria sido  Pedro crucificado de cabeça para baixo, nos arredores de Roma?  Não é  isso o que o Vaticano nos tem informado durante tantos séculos? Infelizmente, uma coisa muito embaraçosa veio à tona em anos recentes. O túmulo do apóstolo Pedro foi descoberto em Jerusalém, no Mosteiro Franciscano, no lado conhecido como Dominus Flevit (“Peter’s Tomb Recently Discovered in Jerusalém”, página 3,  Paul Peterson, P.O. Box 7351, Ft. Wayne IN 46807, Ó 1960.

 

(No capítulo seguinte, a autora da apostila faz uma tremenda confissão de pecados)

 

 

14. Carta ao Irmão de Jesus

Prefácio da Primeira Edição
(1985)

 

A autora, Mary Schultze, é uma cristã verdadeiramente convertida ao nosso Senhor e Salvador Jesus. Seu talento é múltiplo: além dos quefazeres domésticos, é hábil industrial, domina vários idiomas, colabora em atividades sociais e da Igreja de Cristo, mas é, sobretudo, uma grande escritora, com estilo próprio e muito agradável de se ler.

Desde sua conversão tem publicado diversas obras, em sua distinta maneira de escrever, mas salientando sempre a obra salvadora de Jesus Cristo.

Lança agora esta “Carta ao Irmão de Jesus”. Leitora aprofundada da Bíblia, demora-se, de vez em quando, sobre um dos livros da Sagrada Escritura. É o que faz agora, estudando, versículo por versículo, a Epístola de Tiago, que era irmão consangüíneo de Jesus e o seguiu como seu apóstolo.

Mostrando todo o relacionamento da Carta de Tiago com outros trechos bíblicos, analisando a vida do autor da epístola, desde  o lar doméstico até o seu amplo ministério, faz uma apresentação original, agradável de ler, e cheia de ensinamentos para a vida atual.

Suas experiências pessoais enriquecem o trabalho, e bem assim, a leitura de muitos comentadores da Escritura aí citados. Critica os maus costumes atuais e procura incutir no leitor uma nova e vibrante concepção do viver cristão, para os dias confusos em que estamos vivendo.

A leitura deste livro deve ser feita com a leitura paralela dos versículos comentados da Epístola de Tiago, para um bom entendimento dos comentários e para uma aplicação prática bem eficiente.

Que Deus abençoe a autora e todos os leitores da “Carta ao Irmão de Jesus”.

 

 

Rev.  Benjamim Moraes, Pastor Emérito da

Igreja Presbiteriana de Copacabana, 1983.

 

 

Teresópolis, 08 de dezembro de 2000

 

Caro Apóstolo Tiago:

 

            Recebi sua carta há vinte e dois anos (01-05-78), após ter-me convertido a Jesus, aceitando-o como meu Salvador e Senhor, enquanto escrevia um livro de poesias, no qual decidira inserir Meus Cinco Salmos Especiais, resumidos a partir dos 150 Salmos da Bíblia.  Esse livrinho intitulado “Meu Cristo é Poesia”  foi meu primeiro trabalho na área do Evangelho.  A partir de então, tenho lido muitas vezes sua Carta e hoje estou com muitas saudades do meu marido, que faleceu há 18 anos,  o qual, como bom Luterano, gostava muito de dizer que a sua carta “não era grande coisa”. Então, quero lhe escrever comentando esta maravilhosa epístola, porque sei que fazendo um exame de consciência, enquanto a leio e respondo, sentirei menos  solidão e terei menos sentimento de culpa de ter sido muitas vezes uma esposa colérica em relação àquele que me amou e me suportou por longos 26 anos. Sua carta faz um mal tremendo à Mary carnal, apontando todas as suas fraquezas e maldades. Mas agrada intensamente à Mary espiritual, mostrando a imensa bondade e misericórdia de um  Deus “em quem não há mudança nem sombra de variação”  (Tiago 1:17c).

            Você foi um dos homens mais privilegiados que eu conheci, em todos estes anos de caminhada evangélica. Se encontro na Carta aos Hebreus 13 coisas melhores, neste momento não posso deixar de apontar pelo menos dez  razões melhores em sua carta que mostram sua grandeza espiritual:

 

1. Você cresceu e viveu ao lado de Jesus, seu irmão carnal, primogênito de Maria e Filho Unigênito de Deus, “em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Colossenses 2:3).

2. Você era filho do carpinteiro José, tão santo que os anjos de Deus falavam diretamente com ele (Mateus 1:20-24 e 2:13-15), e de sua excelentíssima esposa Maria, tão santa que foi por Deus escolhida para ser a mãe do nosso Redentor Jesus Cristo (Mateus 1:18-25; Lucas 1:26-38 e 2:6-7).

3. Foi criado e educado ao lado de Jesus, aprendendo com Ele a ter um caráter reto e forte diante de Deus e dos homens.

4. Estudou acuradamente o Velho Testamento, tornando-se um profundo conhecedor das Leis de Deus e da terra de Israel, a Jerusalém terrestre.

5. Foi uma das pessoas a quem Jesus apareceu especialmente depois da ressurreição. Se, mesmo tendo convivido intimamente com Ele durante 30 anos e tendo sofrido junto com a família o vexame de sua morte na cruz, você ainda não cria nele como o Messias prometido a Israel, depois de vê-lo em carne e ossos,  sua incredulidade caiu por terra e você então se rendeu ao fato que iria mudar não só o seu, mas o destino de toda humanidade. E passou a chamá-lo Senhor, em vez de irmão.

6. Você foi um dos 120 discípulos que receberam o Espírito Santo em forma de línguas de fogo, no Dia de Pentecostes (Atos 1:14 e 2:1-4).

7. Durante anos você gozou da amizade e convivência diária dos apóstolos Pedro e João, que junto com você eram considerados “como as colunas” da Igreja de Jerusalém (Gálatas  2:9). Aliás, se tivesse havido mesmo um “primeiro papa”, teria sido você, o mais respeitado entre os três, não Pedro!

8. Você tinha um temperamento fleumático. Ao contrário de Pedro, que era sangüíneo, e de Paulo, que era colérico. Era, portanto, o Embaixador mais que perfeito da paz e o cidadão mais benquisto de toda Jerusalém, sendo que até os mais ferrenhos inimigos do Cristianismo, como Herodes, por exemplo, lhe tinham o maior respeito.

9. Seu prestígio na Igreja Mãe era tanto, que Pedro morria de medo dos seus emissários, quando estava fora de Jerusalém. Como naquele caso de Antioquia, quando ele evitou a companhia dos gentios, levando Barnabé a proceder de igual modo. Recebeu o maior carão de Paulo, conforme Gálatas 2:11-14. (Será que ele poderia mesmo ser o “primeiro papa”? )

10. Você era tão seguro do seu valor e prestígio eclesiástico, que se não tivesse apertado a calejada mão daquele artesão de tendas de pêlo de cabra chamado Saulo de Tarso, nós gentios poderíamos ter ido todos para o inferno! O sacrifício de Jesus poderia ter sido quase em vão. Porque os judeus convertidos ao Cristianismo ainda hoje podem ser contados nos dedos.

            Ciente de tudo isso, caro Tiago, quem sou  eu para discutir as verdades de sua famosa Carta, todas elas inspiradas por Aquele que veio ao mundo para convencê-lo do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8)?  Você era o irmão mais velho de Jesus e deve ter ajudado sua mãe Maria a educar seus irmãos José, Simão, Judas e suas irmãs, cujos nomes a Bíblia não menciona (Mateus 13:55-56 e Marcos 6:3). Seu grande papel de educador começou ainda em casa, intensificando-se após a saída de Jesus para o seu ministério messiânico. Estou certa de que Jesus o amava profundamente - e também a seus outros irmãos, inclusive Judas, que nos deixou uma bela Carta combatendo a apostasia religiosa.

Pois é pensando em tudo isso que pretendo, agora, com a iluminação do Espírito Santo, reler sua Carta e comentá-la neste caderno de Seminário, mostrando como é difícil para mim, que não passo de uma pecadora miserabilíssima, seguir ao pé da letra os 54 mandamentos nela contidos.

 

 

Capítulo 1

 

Versos 1-8 – Você se apresenta como servo do Senhor Jesus Cristo, esquecendo os laços de sangue e pensando apenas nos laços espirituais. Jesus fala, você obedece. É maravilhoso! Quem me dera ser obediente assim, Tiago! Sou tão rebelde, tão agressiva, tão orgulhosa! Valha-me 1 João 1:9!

A seguir, você nem toma fôlego e como diz certa comentarista americana, atira uma granada em cima da gente. Quando nos vem a tentação, a tendência é pensarmos que foi mandada por Deus, quando em geral ela vem do nosso íntimo, é cria da casa  (Mateus 15:11, 17-20)! Quanto à provação, é possível que Deus no-la envie tendo em vista o nosso aperfeiçoamento espiritual. E junto com a provação nos dá a perseverança na fé cristã, a fim de nos tornarmos perfeitos e íntegros  para o nosso encontro com Ele. Paulo diz na 1 Coríntios 2:9 : “as coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam”.

Quem neste mundo não precisa de sabedoria? Até mesmo Salomão, que a pediu e recebeu profusamente fez uma porção de bobagens por causa de suas 700 esposas e 300 concubinas! Imagine eu, que tive apenas um marido e nem assim consegui ser uma boa esposa em nossos 26 anos de vida conjugal! Sempre que comentávamos o fato de Salomão ter tido tantas esposas e concubinas, meu marido dava um sorriso maroto e explicava: “Ora, ele só agüentou tantas esposas porque nenhuma delas era cearense!” Vou pedir muita sabedoria e com fé, sabendo exatamente o que desejo e para que desejo, a fim de que Deus possa me transformar para melhor, pois sou tão má! Valha-me 1 João 1:9!

Versos 9-12 – Você dá uma boa colher de chá aos pobres, dizendo que se gloriem em sua dignidade. Mesmo porque, os pobres têm sempre mais dignidade do que os ricos, que, se não herdaram dos pais, em geral têm trocado alguns quilos de dignidade pela riqueza que possuem. E os políticos deste país devem ter trocado toneladas!  Em 26 anos de vida empresarial meu marido eu não conseguimos enriquecer e lucrávamos tão pouco que às vezes nem precisávamos pagar Imposto de Renda. Não é fácil enriquecer licitamente. Pena é que os Teólogos da Libertação (ou Teólogos Libertinos, como dizia aquele pastor neo-pentecostal), tenham deturpado o espírito da Palavra e transformado estes versos num discurso marxista, levando a tantas invasões de terra, e a algumas mortes desnecessárias.  Como diz o Teólogo Karl Barth, “a verdadeira Teologia só poderá ser possível e real dentro do campo de força do Espírito, como sendo Teologia Pneumática”. Por isso não consigo acreditar numa teologia materialista. Seu verso 12 é lindo demais e completa o número 3, apontando  a coroa da vida a todos os que amam Jesus. Vou pedir cada dia que Deus me encha de amor pelo seu Filho Amado. Porque mesmo que eu ganhe uma coroa minúscula, ficarei contente só em olhar o tamanho da sua e da de Paulo, que vão ser enormes!

Versos 13-15 – Primeiro Eva comeu o fruto proibido. Saboreou-o em pensamento, deixando sua língua nadar num mar de saliva. Aí, quando a serpente veio com aquele papo que Deus estava querendo passar o casal para trás, Eva sucumbiu prazerosamente e comeu o fruto. Em seguida, como toda esposa que se preza, guardou-o para Adão. Adão comeu também e ambos morreram espiritualmente, cometendo o maior genocídio espiritual de todos os tempos. Depois deste, só mesmo aquele de Hitler e as “santas inquisições” organizadas e abençoadas pela  “santa madre”, através de seus  “santos padres”.

Verso 17 – Tudo que é bom vem realmente de Deus, em quem não há mudança nem sombra de variação  (Tiago 1:17c). Que beleza de verso! Como deve ser bom para o crente sincero conhecer este ”eterno e rico Deus, seu mistério individual, dentro da plenitude soberana de seus caminhos e juízos”, como diz Barth.

Versos  19-24 – Estes me atingiram em cheio. A pedra arremessada pela funda de Davi à testa do gigante Golias não pode ter causado maior impacto do que estes versos em meu coração. Porque “ser pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” não é decididamente o meu caso. Esta é a melhor de todas as lições colhidas em sua Carta, meu caro Tiago. Sou tagarela e surda aos bons conselhos. Com a desculpa do meu temperamento colérico de nordestina cearense, foi não foi, estava atirando o cinzeiro na cabeça do meu marido, quando ele tomava umas Brahmas a mais e ficava  criticando a minha religião mal praticada. Parece que eu queria imitar o Lutero, que certa vez atirou o tinteiro em cima do Diabo, quando estava sendo fortemente tentado.

C. S. Lewis, o grande pensador irlandês, tem uma personagem em seu livro “O Grande Abismo”, tão parecida comigo, que me deixou alarmada. É uma velhota faladeira e intrigante, que acaba indo para o inferno de tanto que azucrinou a vida do marido. Só que ela não teve a felicidade de ler sua Carta, Tiago. Porque na chance que lhe foi dada de escolher entre o céu e o inferno, ela terminou indo para o inferno, porque achava que a culpa era toda do marido e que ela era uma pessoa excelente. Enquanto que eu sei muito bem a  grande pecadora que sou e só me resta clamar: Valha-me 1 João 1:9! Ainda bem que meu marido morreu de um colapso cardíaco e não de uma de minhas violências. João tem toda razão ao declarar que “todo  aquele que odeia seu irmão é assassino”. Quantas vezes me transformei numa assassina mental, quando as coisas não corriam bem entre mim e meu marido!

Vou tentar livrar-me desta maldade natural de “cabra da peste”, como diz o povo de minha terra. Vou ler e meditar mais na Palavra de Deus, a qual pode livrar-me até de mim mesma! Sei que estou ”agindo e sofrendo no lugar em que Deus me colocou neste mundo”, como disse Karl Barth, mas também acho que tenho feito tantas pessoas sofrerem por causa da minha maldade, que só posso clamar pela misericórdia de Deus. Valha-me 1 João 1:9!

Versos 25-26 – Esta lei da liberdade perfeita tem causado cada enguiço na vida dos crentes! A maioria pensa que é só entregar a vida a Jesus, levantando o braço na Igreja e em seguida indo à frente para a oração de entrega e pronto! Estão salvos de qualquer maneira. Aí começam a pintar e bordar, pois já aprenderam de cor o verso 1 do capítulo 8 de Romanos: “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”, e pensam que estão livres para fazer e acontecer. Coitados desses convencidos não convertidos. O mal é que não gostam de estudar a Palavra e nem sabem se passaram ou não pelo novo nascimento, ficando na maior certeza da salvação, que em geral é ditada pelo ego e não pelo Espírito Santo. Nós, mulheres, então, somos um caso sério. Além de convencidas, somos umas tremendas fofoqueiras. Muito religiosas, sim, mas só na Igreja. Em casa, na condução, na vizinhança e no trabalho vivemos metendo o pau no marido, nos filhos, nas empregadas, no patrão e no governo. Sem falar no pobre Pastor da nossa Igreja, de quem tomamos conta como a esposa mais ciumenta!

Verso 27 – Para que nos preocuparmos com os órfãos e viúvas, se existe o “INSS” e o “SUS”, aí, dando sopa? É isso que pensamos, sem querer enxergar a miséria que invade o nosso mundo, miséria que gera o pecado. Infelizmente, os políticos deste país (em geral de formação católica romana) roubam tanto que os impostos são aumentados anualmente e, mesmo assim, o dinheiro nunca é suficiente para pagar a dívida externa e botar o Brasil nos eixos. Quanta miséria sobrando em todos os recantos do país, enquanto a maioria se preocupa com o acúmulo de presentes na Árvore de Natal e com o engrossamento dos milhões em investimentos (às vezes até de risco), e na Poupança. Os Estados do Brasil que vivem na maior miséria são exatamente aqueles de onde vêm os políticos mais ricos. É a corrupção gerada pela má formação religiosa deste país.  Como somos infiéis à Palavra, Tiago! Como somos hipócritas e utilitários em todos os sentidos!

Você diz que devemos guardar-nos incontaminados do mundo. Mas como? E as novelas das 6, 7, 8 horas da noite? E os programas do Sílvio Santos, Jô Soares, Ratinho, Gugu, Faustão, Chico Anísio, e outros? Basta que se digite um botão e o lixo invade a nossa casa, com uma enchente de mediocridade, ocultismo, pornografia, homossexualismo, imoralidade, adultério, alcoolismo, drogas, etc. O mundo pós-cristão em que vivemos é muito, muito pior que o mundo pagão do seu tempo, onde o Judaísmo fazia muita diferença, coisa que o Cristianismo atual não mais consegue fazer.

 A TV quase só exibe gente casando, descasando e adulterando. E piadas indecentes, pra não mencionar as imagens pornográficas de mulheres despidas  e homossexuais rebolando da cabeça aos pés. Os jovens gozam da maior liberdade sexual, não respeitam os pais e não demonstram o menor senso de dignidade. Os palavrões são tão naturais como o era repetir o Pai Nosso em meu tempo de criança. No seu tempo não havia a máfia das revistas pornográficas, nem a TV mostrando  mulheres nuas, vícios e conceitos imorais o tempo todo! Hoje em dia nossas crianças são exploradas para o sexo e até usadas como doadoras “voluntárias” de órgãos para transplantes e ainda como sacrifícios em altares satânicos! Deve ser esta a explicação para tantas crianças que misteriosamente desaparecem das ruas, nas megalópoles deste imenso Brasil. Jesus precisa voltar logo porque a medida de iniqüidade há muito está transbordando. Se eu fosse Deus já teria permitido que uma bomba de hidrogênio, daquelas bem letais, fosse atirada no globo terrestre e desse cabo de tudo que aqui existe. A sorte do planeta que eu não sou Deus!

 

Capítulo 2

 

Versos 1-7 – Muito bem, Dr. Tiago. Você é um grande Psicólogo. Está coberto de razão nessa história de tratarmos o pobre com diferença e o rico com deferência. Comigo acontece o seguinte: quando entro numa Igreja e proclamo minha fé inabalável em Jesus, todos me olham como se indagassem: e daí? Mas quando sabem que fui dona de uma micro-empresa de Cosméticos, escrevo livros e colaboro em alguns jornais,  logo imaginam que sou rica e importante e passam a tratar-me da maneira como tratariam a Lídia de Tiatira, da Bíblia! O conteúdo resumido destes versos deveria constar de um grande painel a ser colocado na parede principal de toda Igreja Evangélica, para que os crentes - principalmente os da liderança - pudessem ler e memorizar. Uma Igreja que não me bajula é exatamente aquela onde congrego, porque todos me conhecem muito bem. Quem não me conhece me compra fácil! Mas existem muitas coisas erradas, lá dentro, também, como em todas as igrejas modernas.

Versos 8-11 – Vou tentar seguir a Lei Régia, com a ajuda de Deus. É tão difícil! Quero muito amar o meu próximo como a mim mesma. Sim, porque amar os de longe, tudo bem. Mas os que são realmente próximos, como os de casa é difícil demais! Porque eles enchem a paciência da gente o tempo todo. Os filhos estão sempre pedindo alguma coisa, mas não querem dar coisa alguma em troca. A moda corrente é uma filha se tornar mãe solteira e jogar os pimpolhos sobre a mãe, que já tendo trabalhado pelo menos 45 anos, em vez de descansar do trabalho secular, curtindo a mísera pensão do INSS, e se dedicando à obra do Senhor, recebe a ingrata tarefa de se tornar babá de um ou mais netos “fabricados” no pecado. 

Os empregados estão sempre querendo mais direitos sem atentar para os seus deveres. As Leis Trabalhistas no Brasil são muito erradas. Protegem tanto o empregado, que nem vale a pena ser patrão. Uma pessoa trabalha três meses numa firma, depois cria um caso e é mandada embora. Sai, levando um mês  e meio no bolso, de aviso prévio, férias, 13º salário, sem falar no Fundo de Garantia, que fica retido na Caixa, onde o patrão depositou a título de indenização. De posse de tanto dinheiro, que nada lhe custou, a não ser um par de malcriações contra o patrão, o empregado fica um mês inteiro de papo pro ar, até que o dinheiro acaba e ele tenha necessidade de procurar outro emprego. Está chegando o tempo em que não haverá mais emprego para 1/3 da população global. Quem quiser sobreviver vai ter de se tornar camelô, fazendo tudo para ganhar alguns níqueis, porque a espécie patronal vai acabar e os empregados, também.  Só vão sobrar as mega-empresas industriais, tipo Gessy-Lever, Mercedes Benz, Ford, Crysler, Hoechst,  Bayer, Basf, etc.,  e as financeiras, com a fusão de tantos bancos, nos países do Primeiro Mundo. Em muitos países da Europa, já se tem de trabalhar 3 meses sem salário, a fim de que a firma, pagando somente os impostos ao governo, possa colaborar no sustento de tantos desempregados. E o pior é que, no final desse período de experiência, o empregado é dispensado sem remuneração alguma. O problema resulta do incremento da aplicação das máquinas cibernéticas, tendo como conseqüência a redução de empregos, visto como a máquina pode substituir a produção de três pessoas. O que me preocupa é que na época em que Hitler entrou no governo alemão, a inflação e o desemprego eram enormes. Foi então que o povo o saudou como um verdadeiro Messias, sem de longe imaginar que depois o país seria dizimado, numa guerra mundial. O mesmo pode acontecer em breve, com a situação caótica mundial, que dará uma antevisão  da vinda do Anticristo. Na III Guerra Mundial, a “trindade” profana era composta de Hitler, Mussolini e Pio XII. Quem irá compor a “trindade” maldita da Igreja Mundial, só Deus sabe...

Meu caro Tiago, família e empregados são os “containers” de uma carga pesada demais para a gente carregar. Você se lembra do que você e seus irmãos fizeram com Jesus, mandando-O para Jerusalém, mesmo sabendo o que O aguardava por lá? Vocês se mostraram autênticos amigos-da-onça, e logo com Quem! Transgrediram a Lei do Amor, neste ponto. Só que eu a tenho transgredido em três pontos: aqui, ali e acolá. Se Jesus não fosse o Advogado perfeito que está à direita do Pai, intercedendo por mim o tempo todo, sem dúvida alguma eu já teria sido atirada às profundezas do inferno por causa da minha maldade. Porque, se existe uma pessoa ruim neste mundo, sou eu mesma, Tiago! Quando penso no inferno, conforme a descrição feita por Jesus na História do Rico e Lázaro, vejo um abismo profundo, com uma temperatura de 12.000 graus, um desespero sem conta, que durará por toda a eternidade. Valha-me 1 João 1: 9!

Minha única esperança é Jesus Cristo, porque sei que nele crendo, serei salva de qualquer maneira. Porque se eu fosse julgada pela Lei da Liberdade, tendo em vista a minha bondade, estaria perdida! Às vezes me comporto como aqueles ricos senhores de engenho do Nordeste, que mandavam chicotear seus escravos. Só que eu uso a chibata da língua! Valha-me 1 João 1:9!

Versos 14-18 – É uma triste realidade a avareza e a indiferença dos crentes com relação aos irmãos pobres. Há um adágio popular que diz: quanto mais rico, mais ridículo. E isto se aplica inteiramente aos crentes de nossa época, os quais, geralmente, se comportam assim.

Não ajudam os irmãos pobres. Sempre que um crente precisa de empréstimo, prefere ir até um amigo incrédulo ou católico, que em geral são bem mais liberais. Mesmo porque em razão de sua religião herética,  o católico acredita que é salvo pelas boas obras. Por isso cada vez que empresta dinheiro a um crente, vai pensando: “fiz uma boa ação, para ver se compenso alguns dos meus pecados, etc. Depois de missas pagas pelos restantes, sairei, em menos de uma semana do purgatório...”

Não assinam a Carteira Profissional da empregada doméstica e quando o fazem, descontam o INSS dobrado, para não ter de pagar despesas adicionais. E quando alguém paga o INSS integral, dá férias e 130 salário às suas domésticas, as amigas crentes ficam alarmadas, achando que esse alguém está inflacionando o mercado de trabalho com a sua liberalidade!

Não convidam os irmãos pobres para suas reuniões sociais, e nem mesmo de oração, a fim de evitar que sujem os tapetes e ralem a louça e os talheres importados.

Não cumprimentam os irmãos pobres na rua, nem em lugares públicos porque isso não fica bem para a sua posição social,  e por aí a fora... Viu como eu sou fofoqueira, Tiago? Bem que o avisei! Tenho o “dom da língua grande”, como diz aquele pastor “cantador” de Belo Horizonte! ...

Verso 19 – Todo incrédulo que se preza, quando abordado por um crente a respeito do plano de salvação, vai logo se defendendo: mas eu acredito em Deus! Nesse caso, prefiro a autenticidade do produtor de cinema, Luiz Brunel, que fazia questão de declarar: sou ateu, graças a Deus!

Versos 20-26 – Essa  história de Abraão e Raabe, a meretriz, terem sido salvos pelas obras, no começo me deixava tão confusa!  Quando lia isto em sua Carta, julgava estar encontrando contradição na Palavra de Deus, e ia, correndo, comparar esta passagem com as de Paulo nas Epístolas aos Gálatas e Romanos, que falam do assunto. Hoje entendo perfeitamente o que você quer dizer: Abraão e Raabe, (que foi uma ascendente de Jesus), jamais poderiam ter comprovado a sua fé em Deus, se não tivessem obedecido à sua Palavra. Abraão, dispondo-se a sacrificar Isaque, seu único filho, de quem dependeria encher a terra com a sua semente, e Raabe escondendo os espias de Jericó, com o risco da própria vida. A fé que não apresenta obras comprobatórias é morta, não existe. Certo? Paulo diz em Efésios 2:10: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas”. Este verso tanto me agrada, que foi um dos primeiros que memorizei no Novo Testamento. Por enquanto, só me resta mesmo praticá-lo, pois memorizar é bem mais fácil!

 

Capítulo 3

 

Verso 1 – A maioria dos membros da Igreja quer ser pastor ou professor da EBD, sem de leve imaginar que o juízo será bem mais severo para os mestres. Pior ainda, quem mal se converte e já começa a escrever livros, como eu, hem Tiago? Nos primeiros 5 anos de convertida escrevi nada menos de cinco livros, e Deus é tão maravilhoso que, mesmo com a minha teologia deficiente, permitiu-me ganhar uma boa dezena de almas para o Seu Filho Amado. Depois do Seminário fiquei mais comedida e escrevi apenas três, naturalmente com um conteúdo bem mais aproveitável. Uma de minhas irmãs, que nesse tempo era católica romana carismática, quase ficou de mal comigo. Ela achava que, se ser crente é ficar o tempo todo usando a língua afiada contra as religiões heréticas, não vale a pena ser crente. Veja que péssimo testemunho eu tenho dado com a minha língua de trapo. Só que, mesmo assim, um dia ela se deu ao trabalho de ler um livro traduzido por mim (Por Amor aos Católicos Romanos, de Rick Jones) e resolveu abandonar a “santa madre”, definitivamente. Hoje ela já está na glória com Cristo. Mesmo assim, reconheço que tenho dado um péssimo testemunho com a minha língua afiada na pedra do radicalismo.

Versos 2-12 – Todos tropeçam em muitas coisas, diz você. Mas, como eu já disse, tropeço apenas em três pontos: aqui, ali e acolá. E a grande pedra de tropeço em minha vida é sem dúvida a língua. Sinto o maior remorso ao lembrar quantas vezes feri meu tranqüilo marido com a minha língua viperina. Sendo um alemão fleumático, ele apenas ria dos meus dardos inflamados. Seu escudo de proteção era a formação luterana aliada à fleuma germânica. Geralmente os cavalos são domados pelo freio, os navios pelo leme e eu pela minha língua de trapo. Valha-me 1 João 1:9! 

No tempo em que estudava Estética e Cosmetologia, aprendi que o único osso ímpar do corpo humano é o Hióide, que serve de suporte à língua. Não perdi tempo e fiz uma trovinha que dizia: De seus irmãos separado,/ se a memória não me logra,/o osso Hióide, coitado,/ é sempre maior na sogra!

Você diz que a língua é um pequeno órgão que se gaba de grandes coisas. Uma fagulha que põe em brasas  toda a selva. Contamina o corpo inteiro, incendeia a carreira da existência humana e depois vai torrar no inferno. Pois se Jesus não fosse o único Advogado que jamais perdeu uma causa, na certa minha língua já teria virado churrasco no espeto de um diabão daqueles! Valha- me 1 João 1:9!

E por falar em domar a língua, lembro-me de uma história da minha infância no Crato. Contam que na Revolução de 1817 a heroína cearense, D. Bárbara de Alencar, foi presa. Pegaram um escravo para dar testemunho contra ela. Quando o negro viu que ia fraquejar, botou a língua de fora, deu um bruto murro sob o queixo e a língua pulou longe. Morreu para não delatar sua ama, que tempos depois foi posta em liberdade. D. Bárbara veio a ser avó de José de Alencar e uma ancestral do presidente Castelo Branco. Diante do heroísmo desse negro maravilhoso, que desconhecia totalmente o Sermão do Monte, e muito menos as Cartas de João, sou uma nulidade, Tiago. Ele deu a vida por amor do seu irmão, enquanto eu dou tudo para censurar o meu irmão. Que diferença! Acho até que posso lhe dizer a fórmula do meu veneno lingual, ou seja, C21H22O2N2, que é a fórmula da estricnina. Pois com a mesma facilidade com que canto Salmos e Hinos, não me contenho e meto o pau em quem me aborrece, principalmente na hierarquia católica romana. Sou uma víbora, Tiago, daquelas bem compridas e finas, cuja língua é bem maior do que o corpo. Língua inquieta, que vive dançando um ritual macabro, como os ponteiros surrealistas de um relógio infernal! Valha- me 1 João 1:9!

Versos 13-16 – Se mansidão e sabedoria são alicerces de boas obras, estou perdida, Tiago. Parece que sou tão burra quanto os cavalos da fazenda de meu pai. Invejosa eu sou. Não do tipo doentio, que não pode ver alguém progredindo e fica expelindo veneno. Mas do tipo que os psicanalistas chamam de saudável. Se é que existe inveja saudável, ou santa, como os iletrados bíblicos costumam se expressar. Como pode ser santa uma coisa que está na lista dos Sete Pecados Capitais? (da “santa madre, é claro!). Sou invejosa, sim. Também sou fofoqueira e pronto! Gosto de uma panelinha que só vendo, contanto que os ingredientes sejam todos do meu gosto. Mudar o pastor da Igreja? É comigo mesmo! Quem dera que, em vez de uma comissão cheia de burocracia, fosse eu incumbida de arranjar o “pastor ideal” para a minha a Igreja! Na certa ela iria afundar em pouco tempo! Dou graças a Deus por ter me dado um bom marido, talvez bem melhor do que eu de fato merecia. Pior é que você afirma que esse tipo de sabedoria é terrena, animal e demoníaca e só gera confusão e todo tipo de coisa ruim. Valha-me 1 João 1:9!

Versos 17-18“Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia”. Vai ser bonito assim... no céu! Este verso me queima a língua. Plagiando Paulo, tenho brasas vivas me queimando a língua, sempre que o repito. Mas, quantas vezes já experimentei semear o fruto da justiça, como você manda, com resultados extraordinários, fazendo fofocas positivas e unindo antigos inimigos!  E como isso funciona bem!

 

Capítulo 4

 

Versos 1-6 – Todas as nossas guerras em casa, no trabalho e na Igreja resultam de nossa mania de fofocar. Fofocamos como matracas e cobiçamos tudo que vemos de bonito ao nosso redor. Cobiçamos a cultura musical da esposa do pastor, a voz da garotinha de cabelos cacheados, que canta lá na Igreja, com uma mini-saia digital e de frente única, mas é pelo menos 50 anos mais jovem do que a gente; os louros cabelos daquela costureira elegante, que sempre fica no mesmo banco! E sabemos que não adianta pedir tais coisas a Deus, porque Ele não no-las dará. Mesmo porque elas de nada adiantarão para a nossa vida espiritual. Mas Deus é bom demais! Quando eu estava na casa dos vinte anos, morava com três amigas num apartamento na Glória, RJ. Era a mais velha. A mais nova era uma acreana, candidata a Miss Brasil. Todas nós ansiávamos por um marido. Então me pediram que fizesse uma oração, pois achavam que eu era a mais “carola” das quatro. Mais que depressa bolei esta oração, a fim de “rezar” toda noite, de joelhos: “Senhor! Fazei que o homem mau seja bom; que o bom seja simpático; e o simpático, solteiro, com saúde e com dinheiro. Amém”.  Pois não é que todas quatro nos casamos?  Eu me casei com um alemão, Solly com um americano, Maria Luísa com um italiano e a Miss com um paulista. Como você vê, Tiago, o Senhor, seu irmão, é Deus realmente poderoso! O que era (quase) impossível para nós foi possibilíssimo para Ele! (Lucas 18:27).

 Queremos estar bem com Deus e ao mesmo tempo com o mundo. Muitos pastores têm medo de pregar, no púlpito, contra o pecado, porque esta mensagem fere os ouvidos da congregação. Há pastores que educam os filhos na  maior liberalidade: “Meus filhos podem e devem usar camisinha para que não contraiam AIDS. Eu os educo no liberalismo para que não fiquem complexados e cheios de inveja diante dos colegas da escola”, etc. Pior é que esses mesmos pais um dia escorregam e os filhos, elasticamente educados, ainda se tornam homossexuais! A Palavra de Deus é ortodoxa e não conhece meio termo. Ou a gente obedece ou quebra a cara! Outra classe de pastores é aquela dos que  não desejam ferir “os irmãos católicos”, e deixam de pregar contra a idolatria, principalmente a mariolatria. Mostrar a verdade que liberta da mentira religiosa é nosso mais sagrado dever, para isso é que existe o puro Evangelho de Jesus Cristo. Quem quiser se zangar, tudo bem. Depois, lá no inferno, não venha dizer: Eu não sabia... ninguém me avisou...

            Jesus afirma, diante do Pai Celestial, em João 17:16, que os crentes não são do mundo. E no verso seguinte Ele diz: “a tua palavra é a verdade”. Por isso não perco a esperança de um dia me tornar uma crente quase perfeita. Leio e estudo a Palavra com tanto prazer que desisti de quase tudo para não perder tempo. Já me bastam os 48 anos vividos no império do engodo romanista, sem conhecer Jesus Cristo como Salvador absoluto, pensando que ele ainda era um bebezinho indefeso nos braços da mãe ou então um trapo humano desfigurado, pendurado na cruz. Sendo ele um bebê ou um morto crucificado, o seu poder fica limitado e então Ele precisa da senhora mãe dele para colaborar na salvação dos pecadores!  Em meu lugar, Lutero iria dizer: “Ach Du, mein Gott!”

É tão bom saber que o Espírito que em nós habita, tem ciúmes de nós! Provavelmente Ele é a única Pessoa que se dá a esse trabalho com relação a mim. Mas isso vale mais que o mundo inteiro, porque Ele é Deus, como o Pai e o Filho... portanto, sei que Deus me ama  e me sinto feliz. Ó Senhor, transforma este vaso de barro ordinário num jarro de cerâmica da Bavária, para a tua glória! Como eu gostaria de ser justa e boa, Tiago. Seria mais feliz ainda! 

Versos 7-10 – Quero resistir ao Diabo, só para vê-lo sair correndo na maior disparada de perto de mim. Mas como? Lendo e citando as Sagradas Escrituras, conforme fez Jesus no deserto? (Mateus 4:1-11, Marcos 1:12-13 e Lucas 4:1-13). Preciso prolongar meu tempo de oração, intercessão e ações de graças. Lutero passava horas intermináveis em oração. Ele mal tinha tempo de procurar a esposa – Catarina de Bora – porque estava sempre de joelhos diante do Pai. Também, feia daquele jeito, aquela esposa não devia ser tão atraente assim, para ele trocá-la por uma hora de oração a mais!  Viu que língua a minha, Tiago? Mas, será que você não gostou da brincadeira, tendo em vista que Lutero nunca foi muito com a sua “cara”, isto é, “carta”? Ele dizia que ela é “uma carta de palha”.  O caso é que você levava tudo por demais a sério, e por isso é que o “primeiro papa”, Pedro, lhe tinha o maior respeito.

            Quando fico 15 minutos em oração, já me considero uma crente fenomenal. Às vezes leio a Bíblia por duas horas ou mais, fora as 8 horas de trabalho que passo manuseando-a para fazer minhas traduções. Mas quando o marido me criticava, dizendo que me apego mais à letra do que ao espírito da Palavra, sempre achava que ele era implicante. Contudo, ele era sábio e sempre tinha razão em tudo. Preciso ser mais coerente com os meus estudos da Palavra. Muitos pastores que são sumidade em Bíblia mais tarde apostatam da fé e caem no pecado. Aqui mesmo, no Brasil, temos uma porção destes! Basta entrar ovelha bonita em suas igrejas, uma secretária charmosa ou uma vizinha glamurosa, e eles esquecem tudo que aprenderam na Bíblia e nos seminários.

Livros evangélicos existem muitos, por aí. Mas livros bons, como os de D. M. Lloyd Jones, Russell Shedd,  Dietrich Bonhoeffer, Dave Hunt,  John Ankerberg, Josh McDowell, Dr. William Grady, Dr. Samuel Gipp, Dr. Peter Ruckman, e outros, é que devem ser lidos, por serem realmente pautados na Palavra de Deus. Livrinhos baratos sobre Teologia da Prosperidade e das Maldições Hereditárias agora estão na moda, cada qual mais ridículo, com erros de português dando sopa e gritantes heresias. É bom se precaver contra esses pregadores de meia tigela, que só se preocupam em engordar suas cadernetas de poupança. De mim esses tubarões da Palavra não levam um centavo. Tenho certeza absoluta de minha salvação e não caio no “conto do pastor arminiano”. Uma vez salva, para sempre salva... Louvado seja Deus!

Confesso que sou uma pecadora miserável, daquelas bem merecedoras de um bom lago de fogo. Contudo, sei que “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano. Quando eu guardei silêncio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia. Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio” (Salmos 32: 1-4). Por isso, durmo tranqüila no berço alcandorado de minha fé em Cristo! E viva Judas 24-25!

Os males psicossomáticos que nos afligem em geral são causados pelo pecado. Uma devastadora sensação de culpa faz "implodir" todo o  sistema emocional do crente e então ele adoece. Davi profetizou, desse modo, o que os neurologistas, psiquiatras e ortopedistas agora declaram como males psicossomáticos. Os Dez Mandamentos são o melhor guia de saúde física,  mental e espiritual. Se conseguíssemos nos convencer desta verdade, como as enfermidades poderiam diminuir! Não haveria doenças venéreas e jamais teríamos conhecido o flagelo da AIDS, a maior conseqüência do pecado, no final do século XX. A Palavra de Deus é “lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos” (Salmos 119:105) e se todos nós a praticássemos não andaríamos tateando nas trevas da  miséria física e espiritual.

Versos 11-16 – Se há uma expressão que todo mundo usa é: “Se Deus quiser”, graças a estes versos seus, Tiago. Só que a maioria fala da boca para fora, porque nunca está pensando no Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo e muito menos no que Ele quer de cada um. Pode notar também que, ao passarmos por um cadáver estirado no meio da rua, vítima de atropelamento, nunca deixamos de pensar: “isso jamais aconteceria comigo”. É que todos nos julgamos imortais e infalíveis, a fim de proteger o nosso ego. No entanto, como você mesmo diz nestes versos, especialmente no verso 14, e Pedro afirma na 1 Pedro 1:24, a vida “é um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece”. Tudo tão frágil, tão perecível! No fundo, no fundo, as pessoas vivem acorrentadas pelo medo. Medo de morrer, medo da violência urbana, medo de uma guerra nuclear, medo de ficar sem dinheiro para as contas do final do mês, medo de não serem amadas, etc. Daí por que tanta gente está apelando para a ilusão perigosa das religiões esotéricas orientais, que prometem coisas sobrenaturais, riqueza, fama e poder. Elas ensinam que o céu e o inferno não existem, que podemos pintar e bordar aqui na Terra, que depois voltaremos em nova vida (ou reencarnação) a fim de progredir espiritualmente. Os demônios prometem coisas boas e vão enredando as pobres criaturas sem Cristo, até que o laço fica tão apertado e o medo tão grande, que elas acabam sucumbindo no abismo eternal. Ele sempre puxa o tapete, quando vê que o seu “protegido” está no auge da falsa felicidade e o leva depressa para o inferno, a fim de evitar uma possível conversão ao Senhor Jesus Cristo.

Verso 12 – Neste verso você fala do terrível pecado da omissão. Sou tão omissa, em tantas coisas! Que Deus tenha piedade de mim. Aliás este é o pecado dos crentes calvinistas, em geral. Aceitam Jesus Cristo como Salvador, ficam seguros da salvação e vão dormir tranqüilos. Ninguém se preocupa em dar bom testemunho, em ajudar o próximo, em ganhar almas para Cristo, em pregar o Evangelho e em contribuir para Missões. Todos se omitem em coisas de suma importância para a difusão do santo Evangelho de Jesus Cristo. Quando sinto as omissões de que me acusam a consciência, só posso clamar em alta voz: Valha-me 1 João 1:9!

 

Capítulo 5

 

Versos 1-6 – Para os ricos estes versos devem ser uma brasa viva. Nunca fui rica, portanto não sei como se sente essa classe, principalmente os que têm suas riquezas ganhas à custa do suor dos pobres, como os políticos que abocanham o dinheiro do FMI, enquanto os países do Terceiro Mundo continuam na maior pobreza. Quando eu era micro-empresária, pagava todos os direitos dos meus empregados, jamais atrasei um dia sequer os salários deles e talvez por isso é que, depois de 36 anos de trabalho, continuei pobre. Não consegui economizar, nesses anos todos, o que um "doleiro" fatura em 5 minutos, a  “santa madre”, num dia de missa pelos defuntos, e um político, em um ano de “sine cura”. E cometia o pecado de todo comerciante neste país: sonegava... embora um pouquinho só, mas para Deus era demais. O caso é que o governo levava mais de 40% do bruto, lá se iam mais 30% para as matérias primas, 20% para os salários e quando me sobravam 10% eu pulava de alegria e tentava me equilibrar na corda bamba da inflação galopante, pois vendi a micro-empresa no mês do nascimento do Real e não tive o prazer de trabalhar com moeda estável. Quando a Zélia Cardoso era Ministra da Fazenda, enviei-lhe um exemplar desta Carta falando sobre a minha sonegação de impostos. Junto com a Carta, uma linha completa de Cosméticos. Ela nem ligou para o meu “pecado”, e deu-me absolvição imediata, através de um bilhetinho. Também, para quem tinha “congelado” todas as poupanças dos pobres (inclusive a minha), por ordem do “De Colores”,  o meu pecado era menos que venial!

            C. S. Lewis em seu livro – O Grande Abismo – conta a história de um homem que carregava um lagarto enorme e nojento às costas. Quando, depois de muita relutância, ele permitiu que o anjo de Deus queimasse o tal lagarto, chamuscando-lhe as costas, o dito se transformou num lindo cavalo voador que ficou servindo-o por toda a vida. Fiquei chamuscada ao vender minha firma, a fim de me livrar do lagarto da sonegação, que minha consciência tanto repelia. Os prédios (onde a firma funcionava), meus e de minha filha menor, foram alugados. Recebemos os aluguéis em dia, durante 4  anos, até que, de repente, o segundo proprietário achou por bem fabricar medicamentos sem licença (nós só fabricávamos cosméticos e anilinas), a firma foi lacrada pela Fiscalização da Medicina e... adeus aluguéis, e adeus prédios, que continuam fechados e nós sem dinheiro... e o inquilino deixou ainda uma porção de contas de energia, telefone e água a serem pagas. Deus me retirou o lagarto, mas permitiu que em minhas costas fosse colocado um escorpião. Concordo em que Ele está me testando e por isso suporto essa provação de boa mente... Romanos 8:28!

            É verdade que, com tantos impostos que o governo joga sobre os ombros do povo, não há outro jeito a não ser sonegar. O brasileiro é o povo que mais paga impostos neste planeta. E nunca vê a cor do benefício a que esses impostos se destinam. Nosso dinheiro sempre acaba nos bolsos dos políticos corruptos, ladrões e traficantes, ou em suas contas bancárias, nos paraísos fiscais.  Na Alemanha, quando um empregado adoece, vai para um hospital super limpo, recebe o melhor tratamento médico, alimentação de primeira, e na sexta-feira  o envelope do seu salário é colocado sobre a mesinha de cabeceira. Assim vale a pena pagar impostos. Mas aqui no Brasil paga-se muito e nada se leva. Uma senhora semi-analfabeta costuma dizer que neste país o povo é “entregalista” e o governo é “comenista”, isto é, o povo entrega e o governo come.  Onde já se viu um país do Primeiro Mundo consumir mais de 70% da receita bruta? Nenhum o faz. Mas na América Latina é a praxe. Também, colonizados pelo Catolicismo, o que se poderia esperar desses países? Só mesmo a miséria material, moral e espiritual. Você já viu que eu não dou colher de chá para a Babilônia de Apocalipse 17-18, não é Tiago? Os hierarcas romanos gostam de citar sua carta, a fim de explicar a exigência de boas obras... Mas as obras deles são tão iníquas que você ficaria arrepiado se  pudesse vislumbrar algumas. Dê graças a Deus por ter morrido, 4 séculos antes dessa Igreja iníqua existir... Interessante é que na minha infância os crentes eram chamados de “bodes”, porque, segundo os padres, berravam muito e ainda por cima pertenciam ao Diabo. Hoje são os “padrecos xuxistas” que estão copiando os pentecostais, ganhando fábulas à custa dos “berros” desses  “bodes”. O Brasil está se transformando no maior país evangélico do mundo, herdando essa bênção dos Estados Unidos, que estão afundando na imoralidade e na apostasia, conseqüência de terem dado espaço ao Catolicismo e às religiões orientais. A Inglaterra já afundou espiritualmente, graças à sua adesão ao Vaticano, esquecendo o sangue de tantos mártires protestantes, derramado por amor ao Evangelho de Cristo. Hoje é um corrompido país pós-cristão, que já não protesta,  dispondo-se até  a oficializar a religião dos  Druidas!

Eu sou má, Tiago, tenho uma língua de trapo, mas acho que posso me considerar generosa. O primeiro verso que decorei na Bíblia foi Gálatas 6:6, para ter a desculpa de presentear os amigos e irmãos na fé  com meus cosméticos. Hoje, quando não mais os tenho, adoro dar Bíblias, CDs e anéis de prata, que custam em média R$10,00 a peça. Estes podem durar a vida inteira, sempre lindos, precisando apenas de uma leitura diária (Bíblias) e uma limpezinha semanal (anéis) com uma solução à base de amoníaco. Eu só não consigo é andar cem por cento na linha, como Jesus, você e Paulo ordenam, pois é difícil demais! Jesus já me deu a salvação, mas preciso melhorar a conduta, a fim de dar sempre bom testemunho cristão.  Valha-me 1 João 1:9! 

Versos 7-11 – Sou tão entusiasta da volta de Jesus, que antigamente vivia lendo livros sobre escatologia. Em 1982 li nada menos de 25 e daí para cá tenho lido uma porção deles, se bem que agora dê preferência aos livros de apologética cristã. No dia em que o Schultze faleceu, eu estava lendo “Contagem Regressiva para o Juízo Final”, de Hal Lindsay, enquanto cuidava de nossa filha de 6 anos e da neta de 3, que se atracavam o tempo inteiro. De repente, senti um aperto no coração, olhei o relógio, eram 16 horas. E ele nunca se atrasava para o café das 15 horas. Era mais pontual do que um britânico! Corri até o laboratório e lá estava ele caído, vítima de um enfarto fulminante. Mais um pecado de omissão em minha vida, Tiago. Chorei um ano inteiro, sentindo-me culpada, imaginando a repreensão que irei receber, conforme 2 Coríntios 5:10: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal”. Quem dera que Deus quisesse trabalhar neste barro de péssima qualidade e desse uma de Vitalino Celeste, transformando-me num vaso de honra para a sua glória!

Versos 12-13 – Sou amiga do sim sim e não não, conforme nos manda Jesus, por isso detesto juramentos, coisa muito freqüente nos adeptos do Catolicismo Romano. Gosto de orar  pela família, irmãos e amigos. Gosto de louvar e glorificar a Deus e tenho dado um bom testemunho no edifício onde moro. Se não fosse a minha clássica desobediência à Palavra, poderia até afirmar que amo a Deus sobre todas as coisas. Amo-O mais do que a mim mesma, porque O amo em todas as horas de alegria e tristeza... enquanto há momentos em que deixo de me amar e me torturo com  pensamentos de depressão e angústia. Sofro porque peco, pois o pecado gera o sofrimento. Valha-me 1 João 1:9!

Versos 14-16 – Por causa destes versos a “santa madre” criou os Sacramentos da Confissão e Extrema Unção (Últimos Ritos), inflacionando a lista dos sacramentos da Bíblia, onde apenas dois são mencionados – o Batismo e a Santa Ceia do Senhor.

Versos 17-20 – Maravilhosa a sua citação sobre Elias. Ele pediu a seca e por três anos e meio Israel virou um Saara/Ceará. Depois pediu chuva e ela veio. Assim Elias provou ao rei Acabe que o Senhor é Deus! Quando esse profeta de Deus liquidou aqueles 450 falsos profetas de Baal, estava tipificando Cristo, que vai liquidar os 450 milhões de falsos profetas que abundam por aí, principalmente o mais famoso, que viaja pelo mundo inteiro pregando a paz e o ecumenismo entre todas as religiões, mesmo que o Deus da Bíblia seja “O Senhor Deus”, e o dessas religiões seja o Diabo. Mas a Igreja deles precisa faturar almas,  portanto... O Evangelho de Cristo que se dane!

            É bem mais fácil se desviar da verdade do que converter um pecador do seu mau caminho. Deus promete cobrir multidão de pecados em sua Carta e também na 1 Pedro 4:8, em relação ao amor entre os irmãos. Porque o amor cobre multidão de pecados. Pelo visto, Tiago, neste ponto o Senhor tem perdoado poucos pecados, porque o que sobra dentro das igrejas, hoje em dia,  são  heresias, antinomianismo, fofocas, más intenções, ganância,  e preguiça de ler a Bíblia. AMOR, que é bom, só  aquele físico, entre os adolescentes, que muitas vezes até marcam encontros clandestinos, lá mesmo dentro das 4 paredes sagradas. Ainda bem que você viveu e morreu numa época saudável do ponto de vista moral, quando somente os pagãos faziam amor ilícito. Porque, se vivesse agora, iria esquecer que é irmão carnal do Senhor Jesus e botaria a boca no mundo, com esse seu jeito (por mim herdado) de passar a mão, de leve, sobre fio de navalha. Sei que você era manso, cordato, mas, mesmo assim, iria escrever umas cartinhas bem cáusticas, combatendo a imoralidade e a hipocrisia  que hoje reinam, tranqüilamente, dentro das Igrejas do seu irmão, o Senhor Jesus Cristo. Muitos pastores se preocupam tanto com os dízimos, que fecham os olhos à imoralidade que impera dentro de suas igrejas.

 

Conclusão:

 

            Obrigada, Tiago, por sua Epístola, que tanto mexeu com os meus brios. Contudo, quando enviei-lhe a primeira resposta, em 1985, ainda não era muito versada nas Cartas de Paulo e nem conhecia os livros do Dr. Peter Ruckman, que me deram uma visão completamente nova da salvação eterna. Também não havia me aprofundado ainda em passagens bíblicas, como as que seguem:

“Porque Deus amou o  mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome” (João 1:12).

“E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:14,15).

 “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (João 5:24).

“Em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12).

“E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê “ (Atos 13:39).

“Mas, aquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Romanos 4:5).

Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios” (Romanos 5:6).

“Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8).

            “Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Romanos 5:9).

“De maneira que nenhum dom vos falta, esperando manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual vos confirmará também até o fim, para serdes irrepreensíveis no dia der nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu filho Jesus Cristo nosso Senhor” (I Coríntios 1:7-9).

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2:8-10).

“Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória” (Judas 24).

“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados e irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (I Tessalonicenses 5:23).

 “E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai” (João 10:28,29).

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conforme à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Romanos 8:29).

“Porque estou de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 8:38,39).

“E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção” (Efésios 4:30).

“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1:6).

“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Filipenses 1:21).

“Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Filipenses 1:23).

Agora, Tiago, já não me impressiono tanto com os dizeres de sua carta, como antigamente, e nem corro atrás de certas passagens de Hebreus, capítulos 6 e 10, de Mateus (um livro escrito quase exclusivamente para os judeus) e  de Atos (livro escrito para os cristãos vindos do Judaísmo), procurando versos obscuros para neutralizar as gloriosas  passagens acima, quase todas escritas por Paulo para os crentes gentios (como eu), nascidos de novo e salvos para sempre. Quando me detenho em ler o capítulo 2 de sua carta, dizendo: “Veja, o homem é justificado pelas obras, e não por fé somente”, sei perfeitamente que você escreveu sua carta para as doze tribos da Diáspora, conforme a passagem 1:1. Por isso, meu velho amigo, já não me detenho nesta Carta, nem em Hebreus capítulos 6 e 10, nem na 2 Pedro 2 (passagens que tratam dos falsos profetas, e dos Hebreus na Grande Tribulação, os quais terão de ser salvos por fé mais obras, como os católicos romanos). As perfeitas, exatas e meridianas declarações acima, escritas e entregues como Autoridade Final, pelo infalível Espírito Santo de Deus, para nós, os crentes em Cristo, me dão absoluta garantia de salvação eterna.

Infelizmente, Tiago amado, os pastores arminianos ainda estão atolados até o pescoço em sua Carta, e em certas passagens de outros confrades seus, as quais deixam os crentes inseguros quanto à sua salvação, e se aproveitam dela para manter acorrentados os membros de suas Igrejas, através das doutrinas judaicas do Velho Testamento. E a passagem que eles mais exploram é Malaquias 3:7-11... Você entende por que? Claro que entende, não é, Tiago?

Que Deus me ajude a apreciar, em cada leitura de sua Carta, boa quantidade dos seus maravilhosos ensinamentos, não para duvidar de minha salvação eterna, mas para reconhecer a multidão de meus pecados, a fim de confessá-los humildemente e conseguir o cumprimento da promessa feita na Palavra Santa, segundo o apóstolo favorito de Jesus: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9).

 

 

15. É Muito Fácil Obter a Salvação

 

Sim, a coisa mais fácil deste mundo é obter a salvação.  Os padres a tornam impossível, pregando as falsas doutrinas da Igreja de Roma, e muitos pastores evangélicos a tornam complicada, exigindo uma porção de regras, que o crente deve obedecer para ser salvo, o que, na realidade é uma negação da simplicidade do evangelho de Cristo.

Na 2 Coríntios 11:1-3, Paulo diz: “Quisera eu me suportásseis um pouco na minha loucura! Suportai-me, porém, ainda. Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo. Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo”.

            Nesse texto vemos o quanto Paulo estava preocupado com a maneira de agir e pensar dos crentes que estavam sendo afastados da simplicidade do evangelho de Cristo. O evangelho é tão simples que a maioria das pessoas não vai ser salva. Elas preferem coisas complicadas, como a salvação pelas obras, a reencarnação, quando terão de voltar à terra e sofrer anos e anos para poder conseguir um bom lugar na eternidade, e coisas assim. Contudo, a  salvação não é complicada. Como dizia um famoso pregador: “a simplicidade é o traje mais típico do evangelho”. Com isso ele quis dizer que a verdade perece mais bem vestida quando se apresenta compreensível.

Os pregadores, algumas vezes conseguem tornar a salvação tão difícil que o  crente precisa se transformar em maratonista de uma extenuante corrida até chegar ao Calvário. Alguns pastores me detestam exatamente porque prego a simplicidade da salvação. Sei que a maioria dos meus leitores mal consegue ler bem o Português. Como tenho facilidade em ler mais de uma língua e, principalmente, o Inglês, que é a língua da mais perfeita Bíblia do mundo (Bíblia King James),  e dos melhores escritores evangélicos do Ocidente, costumo mostrar a dificuldade que é para um cristão viver exclusivamente para Deus. Torno isso o  mais difícil que posso, dizendo que o cristão precisa ler diariamente a Bíblia, evitar a TV e as más companhias, nunca viver na imoralidade e nos vícios, enfim, ter uma vida reta e digna diante de Deus e da sociedade. Mas quando me refiro à  salvação, costumo mostrar que ela é tão fácil como relembrar o  passado. Deus a torna fácil, simplesmente por causa do Seu amor insondável

Quando você briga com a pessoa  amada e não a procura logo para fazer as pazes, não está usando a linguagem do amor. Quando me diz que é difícil obter a salvação em Cristo, respondo que você perdeu o juízo. Se alguém o amasse tanto, a ponto de morrer por você, como Jesus fez, será que Ele iria dificultar o seu acesso até Ele? 

            Jesus disse: “Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento” (Mateus 9:13) e “porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10).

Quando uma criança se perde, o jornal da cidade publica a história desse garotinho ou garotinha que se perdeu. Logo em seguida, aparecem milhares de pessoas que se engajam no sentido de localizar a criança perdida. A cidade inteira se envolve. As pessoas procuram no matagal, levam cães farejadores, mobilizam o departamento policial e a patrulha rodoviária e se esfalfam até encontrar a criança perdida. Imagine, então, um pecador perdido que está indo para o inferno. O Senhor veio para buscar e salvar o que se havia perdido. Então, será que Ele não vai sair procurando, até encontrá-lo? Muitos problemas que as pessoas têm com Deus são causados pelo seu desejo de justiça própria. Mesmo depois de terem sido salvas, essas pessoas costumam olhar para trás e dizer: “Quem sabe eu deveria ter feito algo para consegui-lo?” Isso é Catolicismo da pior espécie!

Se você, que está lendo este trabalho, ainda não tem certeza de sua salvação, vou lhe dizer o que fazer para chegar depressa ao inferno. NADA! Não tem que fazer coisa alguma, a não ser continuar descrendo em Jesus Cristo. Contudo vou explicar o que fazer para chegar ao céu. Aceite o que Deus fez por você. Por favor, não diga:  “isso não pode ser tão simples assim!” O problema é que você quer dar sua mãozinha na salvação. Quando a conseguir, então poderá erguer-se e dizer: “Sou uma pessoa de valor! Pago minhas dívidas e carrego o meu próprio fardo. Sempre levei as minhas cargas. Porque eu sou ...”  Esse é o grande problema dos ególatras. Por causa disso é que maior número de mulheres (do que de homens) chega à salvação. Muito mais mulheres têm capacidade de se submeter a Cristo. Elas são mais humildes, mais sinceras, mais simples e, portanto,  aceitam o presente de Jesus mais depressa. Um homem costuma dizer: “Bem, agora, eu... eu...”  Aí é que acontece a queda, como sucedeu com Lúcifer.

Imaginemos que o Senhor Jesus soubesse que você está abandonando-O e jamais O verá novamente e que vai cair num lago de fogo para jamais ser feliz e ali permanecer para sempre! Se Ele quisesse que tal desastre acontecesse não teria dado a Sua vida a fim de livrá-lo de ir para lá. O Senhor sabia que se você fosse para o inferno, iria queimar para sempre e não poderia ser salvo. Mesmo que você fizesse o possível não poderia ser salvo. Porque, então, você imagina que Ele iria dificultar a sua salvação? É por isso que Ele a torna tão fácil! Pense um pouco neste assunto!

Sei que muita gente já morreu sem salvação e entrou pela porta do inferno, simplesmente porque eu, discípula de Jesus Cristo, dificultei-lhe a salvação com o meu legalismo ridículo! Vou tentar emendar-me, enquanto ainda é tempo!

Muitos pentecostais emocionais ouviram sua bisavó dizer:  “Na noite em que fui salva, vi o Senhor de pé ao lado de minha cama e uma luz resplandeceu no quarto. Uma bola de fogo atravessou o quarto e saiu pela janela”. Desse modo, esse coitado espera 50 anos para ver uma bola de fogo atravessar o quarto dele. Essa bola de fogo nunca aparece e ele pensa que ainda não foi salvo.

Ouvi um desses pentecostais inflamados contar: “Quando o Espírito Santo tomou conta de mim, Ele faz o meu cabelo ficar todo eriçado”. Então pensei: “E se o sujeito que o ouviu relatar essa experiência fosse calvo?”  Na certa, jamais se converteria esperando algo impossível de acontecer. As pessoas em geral ficam aguardando uma sensação, um grito, um tombo, um acesso de riso, ... Acham que logo após serem salvas vão conseguir uma espécie de imunização contra a pecado, um sentimento adocicado e, por isso logo são imersas em pietismo barato, falando, o tempo inteiro em visões, revelações e coisas desse tipo. Até costumam conversar com anjos. Uma coisa é certa. Todos os fundadores de religiões e seitas heréticas, a partir do Século IV, quando o Cristianismo foi engolido pelo Catolicismo Romano, têm tido visões... Nessas visões eles sempre se tornam convencidos de que são mais santos e melhores dos que os crentes comuns. Quando o Espírito Santo toma conta do coração de uma pessoa e a convence do  pecado, Ele não vem para que ela se sinta uma santa, mas para fazê-la sentir-se pecadora miserável, carente de Deus e de sua Santa Palavra. Ele faz isso sem, contudo, tirar o bom ânimo do crente. A obra do Espírito Santo, além de convencer do o mundo do pecado, da justiça e do juízo, é  glorificar o tempo inteiro o Nome do Senhor Jesus.

Muitos pastores tornam a salvação complicada porque se baseiam em seu próprio modelo. Eles possuem alguns modelos e querem obrigar Deus a seguir. Organizam as coisas a seu modo e dizem: “Bem agora que estou salvo, preciso levar uma porção de gente a Cristo, vou fundar minha própria igreja e essa deverá ser a verdadeira igreja fundada por Cristo”. Isso é pura balela católica! E o pior é que as fundadoras de igrejas “evangélicas”, tipo Ellen White continuam aparecendo, pregando doutrinas legalistas dificultando a salvação das pessoas.

Ouvi um sujeito dizer: “Eu preferiria não ir para o céu do que de ser salvo num culto da IURD. Então, ele provavelmente irá para o inferno porque o Senhor o ouviu dizer isto. Você não é obrigado a ser salvo numa IURD, mas garanto-lhe que se você preferir ser salvo onde houver um órgão gigantesco, numa catedral  de 500 anos, construída em estilo gótico, cheia de cantores líricos cantando no coro, suas chances de salvação serão muito poucas. Você está escolhendo uma das boates evangélicas (que tanto estão na moda, ultimamente) para se divertir ou uma igreja para se entregar a Cristo?  Garanto-lhe que é fácil ser salvo. O grande problema é você jamais descobrir que é um pecador perdido, que o tempo urge e ficar esperando as coisas acontecerem conforme suas exigências.

Converti-me numa Igreja de Nova Vida, congreguei-me durante 16 anos numa Igreja Presbiteriana, estou há seis anos numa Igreja Batista e... quem sabe, um dia estarei numa igreja que talvez ainda nem exista ou então numa Batista Bíblica bem Regular, onde  ninguém imagina que eu chegue a me filiar.

Muitas pessoas complicam a salvação porque ficam escrutinando as Escrituras, como se fossem hiper-bereanos. Os pastores pentecostais gostam de citar Atos 2:38; Mateus 16:18 e Hebreus 6 e 10. Estas passagens são especialistas em  mostrar que o crente pode cair da graça e perder a salvação, se pecar, ou se não obedecer os seus dirigentes em tudo o que eles ordenarem que façam.

Acho engraçado quando encontro um grupo de pessoas  ainda não salvas, sentar-se e ficar discutindo se pode ou não perder a salvação, quando ainda nem a conseguiu. Se nem a possui como é que pode perdê-la?

Se você é salvo, já sabe que a única maneira de chegar ao céu é através do sangue de Jesus Cristo derramado na cruz do Calvário. Se não sabe disto e imagina que é por outro motivo, então você ainda está perdido. Agora continue argumentando e lutando para impor suas idéias! Diga: “o batismo, os sacramentos e a Igreja podem resolver o meu caso...”. Se você é salvo, sabe que foi Deus quem realizou a obra redentora através do Seu Filho Jesus Cristo para cancelar todos os seus pecados e você não teve qualquer participação nela. As pessoas gostam de moldar as Escrituras, segundo os seus desejos,  achando que podem corrigir o Espírito Santo. Por isso quebram a cara!

Certa  vez, um sujeito, chegando a uma cidade, viu duas igrejas, uma em frente à outra.  Indagou, então, a um dos moradores daquela cidade: “Essas duas igrejas foram construídas pelas mesmas pessoas, não é verdade?”.

A resposta foi a seguinte: “Foram as mesmas pessoas, mas se desavieram”. O visitante perguntou: “Qual foi a causa da desavença?” Ele respondeu: “O pessoal do lado de cá diz que a filha de Faraó encontrou Moisés na ribanceira do rio e o pessoal do lado de lá afirma que ela apenas disse tê-lo encontrado”.

Você não imaginava que as pessoas pudessem se desentender por coisas desse tipo, mas garanto que tem visto divisões maiores do que esta em igrejas de  sua cidade, e por muito menos que isso. As questões mais controvertidas são estas: “Onde a igreja começou? Você está nela? Onde está a igreja que Cristo fundou?”... Tenho uma pergunta muito melhor – você conhece o Fundador da Igreja? A Bíblia diz “...quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou” (Hebreus 3:3-c).

Quer saber como Deus facilita as coisas? Vou lhe dar seis exemplos, para mostrar como é fácil ser salvo:

1. Obter a salvação é tão fácil como tomar um gole d’água. Está com sede? Peque o copo, entorne-o em sua boca e engula a água. Sabe o que a Bíblia diz? “... quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida” (Apocalipse 22:17-c).

2. Obter a salvação é tão fácil como ganhar um presente. Quando chega o Natal as pessoas  costumam colocar uma pilha de presentes sob a árvore. Depois vão até essa pilha de presentes e procuram ler as etiquetas que dizem: “Feliz Natal de fulano para sicrano”. Você apanha o  seu presente e abre, porque é seu. Não precisou pagar por ele. Se o fizesse iria magoar quem o presenteou, pois não se trata de uma transação de troca. Será que você já conheceu alguém com quem Deus tenha negociado a salvação, trocando-a por alguma coisa? Eu, nunca!

3. Obter a salvação é tão fácil como sacar no banco o  dinheiro que alguém depositou em seu nome. Se você tem problema em pagar suas contas, teve o seu orçamento estourado, e um amigo seu vai até o banco e deposita um cheque em seu nome, tudo o que você tem a fazer é ir ao banco e sacar esse dinheiro.

4. Obter a salvação é tão fácil como aceitar um convite (ou uma proposta). O sujeito pergunta: “Quer casar comigo?” A moça responde: “Sim” ou “pode ser”, ou “não”. Se ela respondeu “pode ser”, na verdade quis dizer: “não”, por isso o sujeito ficou decepcionado.

Imagine o rapaz dizendo a uma jovem: “Deixe-me ouvir aquelas três palavrinhas que me deixarão flutuando no ar”. E a moça respondendo: “Vá se enforcar”. Jesus Cristo jamais aconselharia isso, nem mesmo a Judas!

Suponhamos que você receba um convite com estes dizeres: “O Sr. está convidado para ir ao Palácio de Buckingham, em tal noite, para jantar  com os chefes de Estado dos países da Europa Unida. Por favor, avise se aceita ou não”.

O que aconteceria, se você respondesse: “Lamento, mas vou pescar exatamente nessa noite?” Não seria um absurdo? Pois veja! O Rei da glória diz: “Tenho um banquete no céu preparado para você. É uma festa de casamento. Venha, está tudo pronto. Já preparei a mesa. Reservei o seu lugar. Quer vir?”

Aí você responde:

“Lamento, Senhor Jesus Cristo, mas acho que outra pessoa é quem deveria ir em meu lugar!”.

Pois é exatamente isso que tem acontecido com muita gente. Você deveria simplesmente aceitar esse convite, dizendo: “Sim, Senhor Jesus, estarei lá, com muito prazer, se  for do seu agrado”.

O Senhor disse: Não quero “que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pedro 3:9-c).

5. Obter a salvação é tão simples como tomar um banho de chuveiro. O Senhor pergunta: “Queres ficar limpo?”

Você responde: “Quero”

O Senhor diz: “Então sê limpo”.

6. Obter a salvação é tão simples como deixar alguém esperando à porta. Estou doente e cansado de pregadores “linguarudos”  falando: “Bem, é o batismo... É o falar em línguas... É viver a salvação. É ter fé. É realizar... É ter cuidado para não cair da graça!”

Sabe do que me lembro neste momento?

 “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Apocalipse 3:20).

Ouvi o Senhor batendo á porta e perguntei:

 “Quem está aí?”

Jesus Cristo disse: “Sou eu!”

Perguntei: “O que o Senhor deseja?”

Ele disse: “Quero entrar”.

Respondi: “A porta está aberta. Entre”.

Aí você fala: “Ora, não acredito nisso. Não pode ser assim tão fácil!”

Pense bem. Você ouve uma batida na porta. Olha pelo olho mágico. Alguém está de pé, do lado de fora. Ele tem cicatrizes nas mãos e nos pés e uma ferida no lado. Do Seu rosto escorrem suor e sangue e Sua cabeça está inclinada. Lágrimas escorrem pela  face Dele, quando você pergunta:

“Quem é você e o que deseja?”

Ele responde: “Sou eu, Jesus Cristo. Sofri todas essas dores  por amor de você e dos outros... Posso entrar agora?” Se você não abrir a  porta é  porque sua mãe o alimentou com leite de onça e não com leite normal!

Se você crê realmente que Jesus Cristo é Deus, que você é um pecador perdido e que somente Ele pode resolver o seu problema, faça uma oração assim:

Senhor Jesus, sei que sou um pecador, e a não ser que Tu me salves, estarei perdido para sempre. Agora venho a Ti, da melhor maneira possível, e Te peço que me salves. Recebo-Te como meu Salvador e em Ti confio para me perdoar e me justificar, e me apresentar sem mácula diante do trono de Deus, no Dia do Julgamento.”

Se você fez esta oração, sem dúvida tomou a mais sábia decisão de sua vida. Não se envergonhe disso. “Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido” (Romanos 10:11). Então, procure uma igreja realmente bíblica e comece a freqüentar os cultos, a fim de crescer “na graça e  conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo” (2 Pedro  3:18-c). Comece também a ler diariamente a Versão Autorizada de 1611 da Bíblia King James (no Brasil, Almeida Corrigida e Revisada FIEL). Converse diariamente com Deus através da oração. Ele já lhe deu uma nova vida, através de Cristo. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:17). E você deve viver, a partir de hoje, somente para Ele.

 

Mary Schultze

Tradução e  resumo adaptado do livro

“The Simplicity of Salvation”,

Dr. Peter S. Ruckman, B.A.,B.D.,M.A.,Th.M.,Ph.D.

  

Publicado na “ Folha Universal” , em 07/10/00

 

 

16. Salmo Número Um

 

Feliz é todo homem que não anda

de acordo com o caminho dos perversos.

E em meio aos pecadores não ciranda,

nem atenta aos escárnios dos dispersos.

 

Ele é como uma árvore altaneira,

que à margem da corrente foi plantada.

Carregada de pomos toda inteira,

no tempo exato quando é procurada.

 

Suas folhas jamais irão murchar

porque Deus dá-lhe a seiva que alimenta,

e de verde vestida vai ficar,

pois sucesso constante experimenta.

 

Pecadores terão uma outra sorte

e secarão depressa, como a palha.

O vento os levará rumo da morte,

onde todo pecado sempre encalha.

 

Mas Deus olha o caminho dos eleitos

e os predestina ao céu por Jesus Cristo,

enquanto os maus, pra todos os efeitos,

cairão no abismo não previsto!

 

 

17. Os “Eruditos” Nacionais

 

            Tenho notado três classes de pessoas que me escrevem via Internet, a fim de comentar o trabalho que faço, “na plenitude dos meus 70 anos de idade”, sem visar lucro algum, mas tão somente desejando esclarecer os brasileiros que não têm, como eu, acesso ao Inglês e Alemão.

            A primeira classe é a da abençoada turma de cristãos bíblicos sinceros, alguns deles pastores e bispos evangélicos, que me escrevem enviando ou solicitando material de pesquisa, alguns me dando incentivo para continuar nessa luta que, muitas vezes, tem me trazido danos morais, pois sou destratada de todas as maneiras e até ameaçada por alguns inimigos do Evangelho de Cristo. Dentre esses amigos sinceros, verdadeiros eruditos na Palavra de Deus, desejo citar três nomes: Pr. Paulo Pimentel, Diretor do Centro de Pesquisas Religiosas de Teresópolis; Júlio Carrancho, teólogo cristão de Joanesburgo; e Hélio Menezes, professor da Universidade Federal da Paraíba. Que Deus os abençoe pelo amor cristão que me têm devotado, pelo incentivo no prosseguimento do meu trabalho e pela sua cultura bíblica, a qual tem me ajudado, de maneira extraordinária, nos momentos de dúvidas e até de desânimo.

            A segunda classe é a dos chamados “eruditos” nacionais. Pelo fato de conhecerem uma raspadela de tacho da língua  grega, esses irmãos, bem ou mal intencionados, mas obviamente inflados de orgulho, procuram me corrigir, achando que sou uma velhinha caduca, não sei o que escrevo e citam, geralmente, comentários bíblicos espúrios, embasados em Westcott & Hort, Nestlé & Marshall, Geisler & Nix, para não dizer os comentários de autores nacionais meio ocultistas, os quais se tornaram ricos e famosos “andando com astúcia e falsificando a  Palavra de Deus”, conforme diz Paulo na 2 Coríntios 4:2.

         Realmente, não conheço bem a língua grega, mas o Inglês é minha segunda língua e é bem mais seguro acompanhar os maiores e melhores eruditos ingleses e americanos, que têm se mantido fiéis à Palavra de Deus, como os atuais Dr. Samuel Gipp e William P. Grady, para citar apenas dois, do que ficar zanzando como beija-flores dopados entre os perfumes enganosos dos críticos da Bíblia, que se fazem passar por cristãos, mas na realidade são parceiros enamorados da Alta Crítica e das doutrinas nicolaítas do Catolicismo Romano, que se entrincheiram na Sinagoga de Satanás - Ordem Jesuíta.

Finalmente a terceira classe das pessoas que me escrevem diariamente é constituída de completos analfabetos bíblicos, isto é, de católicos romanos que, se lêem a Bíblia, fazem isso apenas para confundir as coisas, pois usam os textos espúrios conhecidos como Vaticanus e Sinaíticus, venerados pela sua Antigüidade (os quais não passam de deturpações do verdadeiro Textus Receptus dos apóstolos e pais da igreja primitiva), deturpações essas que vêm do tempo de Clemente e Orígenes de Alexandria,  dois  “católicos” platônicos, que jamais creram realmente na divindade de Jesus Cristo. Estes dois nicolaítas entregariam de bandeja a Darwin, muitos séculos mais tarde, o fundamento para ele criar a famigerada “Teoria da Evolução”, e a Karl Marx, a sua obra “O Capital”, que tantos males têm causado à humanidade.

            Westcott (1825-1903) e Hort (1828-1892) eram dois pastores anglicanos não salvos, que se enamoraram de Platão e Darwin, enveredando pela estrada da incredulidade, mergulhando de cabeça no “pecado contra o Espírito Santo”,  e criando o seu famoso Texto Grego do Novo Testamento, o qual tem carreado milhões de almas para o inferno, desde o final do Século 19. Basta dizer que esses textos são os ancestrais de todas as modernas e corrompidas  edições da Bíblia Sagrada, recheadas de heresias e erros doutrinários, os quais têm contaminado o hemisfério ocidental, realizando o objetivo da Igreja de Roma, de reunir todos os “cristãos” em um só rebanho, sob a égide de um só pastor – obviamente o papa.

            Enquanto Wycliff e Tyndale, os pais da Bíblia inglesa, sofreram ameaças, perseguições e  até a morte (Tyndale morreu queimado na estaca), os novos pais da erudição inglesa, Westcott e Hort, dois mariólatras e ocultistas assumidos,  viveram regaladamente. Hort cuidando do jardim, pois era apaixonado por flores, e o outro recebendo os aplausos e louvores dos seus contemporâneos, ambos com as contas bancárias recheadas de Libras Esterlinas, garantindo o futuro deles e de seus filhos. Os dois filhos desses apóstatas, ambos com o nome de “Arthur”, ganhariam fortunas escrevendo as biografias dos respectivos progenitores, nas quais podemos descobrir quem realmente eram esses dois nicolaítas, através de muitas passagens dos seus diários, escritas de próprio punho, para trazerem à luz o verdadeiro caráter de cada um deles.

            Esses dois homens que amamentaram e ninaram, como bons discípulos de Clemente e Orígenes de Alexandria, os corrompidos textos dos Códigos Vaticanus e Sanaíticus, com o objetivo de desacreditar a Bíblia King James, devem estar há quase um século gemendo e estrebuchando nas eternas chamas do inferno. Na 2 Timóteo 3:12 Paulo dá a dica para se reconhecer quem vive ou não piedosamente conforme a Palavra de Deus, com estas palavras: “E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições”.

            Bendito, louvado, glorificado, amado, exaltado e adorado seja o Nome do Senhor Jesus Cristo!

 

 

18. A Palavra de Deus é poderosa!

 

O crente moderno sente uma quase absoluta necessidade de experimentar o poder de Deus, como condição imprescindível para firmar a sua fé na divindade de Cristo, a quem “foi dado todo o poder no céu e na terra” (Mateus 28:18 – ACF).

Com 22 anos de militância no evangelho, desde que me converti, já na maturidade,  ao Senhor Jesus Cristo, meu adorável Salvador, posso dizer que minhas experiências mais gloriosas têm sido aquelas que surgem no dia a dia, quando me sinto impotente diante de alguns problemas e oro silenciosa e humildemente em busca do auxílio divino, recebendo ajuda e me sentindo cada vez mais segura do Seu amor. A coisa mais importante é ler e memorizar a Palavra de Deus porque ela vem, na hora exata, à nossa mente, quando estamos em crise, e nos esclarece, conforta e dá força contra o nosso pecado e os erros do próximo.

            No dia em que, no final de semana, indo ao laboratório onde meu marido costumava passar algumas horas bebericando cerveja, como todo alemão costuma fazer, encontrei-o morto, vítima de enfarto do miocárdio, comecei a chorar e  gritar descontroladamente, quando  uma vozinha me segredou: “O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois” (João 13:7 – ACF). Parei de chorar e corri para o telefone, a fim de avisar nossa filha do que havia acontecido. Estava me sentindo calma e fiquei mais ainda, quando a vozinha tornou a falar em meu íntimo: “Todas as coisas contribuem juntamente  para o bem daqueles que amam a Deus" (Romanos 8:28). Não entendi o “recado” divino, mas confiei na Bíblia e posso dizer que até hoje Deus tem me sustentado e nunca me senti solitária, nem infeliz, mesmo tendo ficado sem o marido que me adorava e me dava todo o apoio.  Continuei o trabalho que fazíamos juntos, no laboratório de cosméticos, cuja linha levava o meu nome, e nos anos seguintes me dediquei a escrever livros evangélicos, distribuindo-os entre as clientes.

E Deus começou a me mostrar como a Sua Palavra iria agir maravilhosamente em minha vida, a partir daquela tarde de agonia.

            Quando o nosso advogado, Dr. Paulo César Leal, cuidava do inventário dos poucos bens deixados pelo Schultze, aconteceram dois fatos interessantes, que me mostraram como o conhecimento e aceitação da Palavra de Deus pode dar lucro de todas as maneiras.

            Certo juiz, cheio de títulos honoríficos, foi me encontrar no escritório do advogado para assinar o balanço de nossa micro-empresa. Chegou pontualmente, deu uma olhada de 5 minutos no tal balanço e o assinou. Em seguida, me encarando friamente, mandou que eu lhe entregasse um cheque equivalente a 10 salários mínimos em vigor naquela época.

            Tendo sido avisada de antemão que ele era inflexível em matéria de desconto, respirei fundo e falei, com a maior calma: “Sr. juiz, sei que é um homem justo e sábio. Tanto que chegou ao topo de sua carreira. Mas está me cobrando por 5 minutos de trabalho o que eu levo dois meses para ganhar de pró-labore em nossa micro-empresa. A Bíblia diz que “Deus é pai de órfãos e juiz de viúvas” (Salmos 68:5 - ACF)  O Sr. e eu teremos de comparecer diante desse Juiz Supremo para dar conta do que “tivermos feito por meio do corpo, ou bem ou mal” (2 Coríntios 5:10 – ACF). Não seria bom o Sr. refletir um pouco e reduzir essa taxa exorbitante cobrada por uma simples assinatura?”

            O juiz, que passava dos 70 anos e sabia estar entrando na reta final, falou baixinho: “Está bem, minha filha. Pode me dar um cheque da metade do que lhe pedi antes”.  A Palavra de Deus é poderosa!

            O funcionário da prefeitura de Duque de Caxias, onde tínhamos a empresa, chegou certo dia para avaliar nossa propriedade. Deu um valor cinco vezes maior do que aquele declarado no inventário. Levaria 5% de comissão na hora e seu interesse era cobrar o máximo possível. Minha filha Margarete e eu convidamo-lo a sentar na sala de visitas de nossa casa e ficamos conversando sobre banalidades, durante alguns minutos. Em seguida, comecei a fazer as citações bíblicas apropriadas ao momento.

            Esperando encontrar duas mulheres incultas e inexperientes, ele ficou admirado ao constatar que Margarete era Médica Veterinária e estudante de Bioquímica. Que eu era autora, naquela época, de 6 livros evangélicos e cursava um Seminário Teológico. E que ambas falávamos fluentemente o Inglês e arranhávamos delicadamente o Alemão. Ficou mais impressionado ainda quando a empregada nos serviu um suco de  frutas tropicais, que ele afirmou estar delicioso, jamais tendo experimentado coisa igual em sua vida. Expliquei-lhe ser uma combinação de cinco frutas diferentes, misturadas conforme o sabor e a cor de cada uma - um PENTAFRUT, como meu marido costumava chamar, visto como era Químico de alimentos, doutorado pela Universidade Federal de Berlim.

            Aproveitei, então, o favorável ambiente familiar, oferecendo uma linha de cosméticos para a esposa dele. Logo em seguida, perguntei de quanto deveria preencher o cheque a ele destinado e a resposta veio rápida: “exatamente de 5%  sobre o valor declarado no inventário, minha senhora”.  A Palavra de Deus é poderosa demais!

            Quando o crente a lê e grava na mente, para todos os momentos, ela pode transformar sua vida num manancial de bênçãos. E ele não precisa andar correndo atrás de certos “movimentos de poder”, que ensinam a usar “rhema”, porque a Palavra santa funciona de qualquer maneira!

 

Publicado na “Folha Universal” em 09/12/00

 

Nota: O vice-cônsul alemão,  com quem eu tratava da papelada que me daria o direito de receber uma Poupança deixada por meu marido, no Dresdner Bank, em Frankfurt, me assegurou, confidencialmente, que eu jamais receberia esse dinheiro, a não ser que constituísse um Advogado muito competente na Alemanha. Pois ali mesmo, diante do seu olhar espantado, constituí Jesus Cristo como o meu Infalível Advogado e dentro de dez dias o dinheiro já estava creditado em minha conta, no Banco do Brasil, em junho de 1984.

 

 

19. Se é Bíblia é bom...

 

Quando eu era dona de uma  pequena empresa de cosméticos, cuja linha era vendida com o meu nome, costumava comprar matérias primas na Bayer, que tinha um slogan muito conhecido:  “Se é Bayer é bom”. A esposa de um dos gerentes usava meus cosméticos, achava-os excelentes, e um dia  fez o trocadilho: “Se é Bayer é bom... Se é Schultze é melhor!” Lembrando-me disso hoje, Dia da Bíblia, decidi tratar deste polêmico assunto.

Sei que o comércio brasileiro está saturado de bíblias duvidosas, que apresentam até 60.000 variações em relação à edição de 1611 da Bíblia King James, a qual conquistou o mundo para Jesus Cristo. No Brasil sua correspondente é a Bíblia Almeida Corrigida e Revisada Fiel, da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasilsbtb@biblias.com.br), que  pode ser encontrada em qualquer livraria evangélica  realmente séria.

Não vou dizer que se alguém ler  a ARA, a Viva, a BLH, a NVI e outras, vai cair nas chamas do inferno. Qualquer Bíblia, por mais deturpada que seja, contém as verdades fundamentais do Evangelho, como a Trindade, a divindade de Cristo, seu nascimento virginal, sua morte vicária, sua ressurreição gloriosa  e ascensão aos céus. Até as Bíblias católicas (traduzidas da “Vulgata Latina”) contêm essas verdades. Só que muitas passagens importantes estão dentro de colchetes com a seguinte anotação: “Não se encontra no original grego”, o que é suficiente para deixar os leitores inseguros.

Na verdade, o que os inimigos da Bíblia King James – a mais perfeita do mundo – querem é semear dúvidas nos corações dos cristãos bem intencionados.

As Bíblias “modernas” à venda em nossas livrarias costumam suprimir versos, como Atos 8:37 e fazem uma confusão na 1 João 5:6-7, de modo a “camuflar” a divindade de Cristo. Em Apocalipse 8:13 costumam dizer:  “Depois olhei e ouvi uma águia que voava bem alto no ar, e dizia: com voz forte...” (As Bíblias verdadeiras dizem “anjo” em lugar de “águia”). Conforme essas bíblias, em Mateus 12:40, Jesus diz que “Jonas esteve três dias e três noites dentro de um grande peixe”, (ichtus) enquanto na ACF lemos: “Pois como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia” (Ketos). Demos aqui apenas 4 exemplos, mas são tantos que não temos espaço para citá-los.

Se é Bíblia é bom, se é Almeida Corrigida e Revisada FIEL, é melhor!

O Dr. Jack Hyles, no início do magnifico livro “Final Authority”, do Dr. William Grady, diz o seguinte a respeito dessas bíblias que infestam o mercado internacional:

Quando eu era um jovem pregador, a batalha era como interpretar a Bíblia. Agora, quase meio século depois, a batalha é sobre a própria Bíblia. Antes, a batalha era sobre o que a Bíblia ensinava. Hoje, a batalha é sobre o que a Bíblia é. Antes, era uma batalha sobre  interpretação. Agora, a batalha é sobre a inspiração e preservação. Antes, era uma batalha sobre  diferença de doutrina. Agora é uma batalha sobre onde conseguimos  nossa doutrina. Antes, era uma batalha sobre estilo literário. Agora, é uma batalha sobre a fonte. Antes, era uma batalha sobre o que a Verdade diz. Agora a batalha é sobre o que a verdade é. Tenho me dedicado, nestes poucos anos que me restam, à defesa e propagação da Bíblia King James.

            Anos atrás, tive uma secretária que me anotava os ditados. Quando as primeiras cartas me foram entregues por ela, a fim de que eu as assinasse, notei que não continham exatamente as mesmas palavras que eu havia ditado. Chamei-a ao meu escritório e perguntei-lhe o porquê. Ela me disse que havia mudado um pouco as minhas palavras, a fim de que se tornassem mais compreensíveis. Eu disse que ela estava “despedida”. Toda Igreja na América deveria fazer o mesmo com cada pastor que muda as palavras, a fim de que se tornem mais facilmente compreensíveis, e com cada teólogo que faz o mesmo.

            Imaginem o que poderia ter acontecido se todas as horas que foram gastas mudando a Bíblia tivessem sido gastas pregando a Bíblia e espalhando sua mensagem...” Até aqui falou o Dr. Ryles.

            Tudo começou, quando dois pastores anglicanos não salvos, dados ao esoterismo e à veneração às “Nossas Senhoras” do Catolicismo Romano, resolveram se tornar famosos, organizando o “Novo Testamento Grego”, a partir dos antiqüíssimos códigos Vaticanus e Sinaíticus, encontrados no lixo de um mosteiro católico no Monte Sinai, pelo “vasculhador de lixo” Tischendorff,  hoje guardados como relíquia na Biblioteca do Vaticano. Recheados das heresias de Clemente e Orígenes de Alexandria (palavra simbólica de maldição na Bíblia), esses códigos, obviamente adulterados, serviram de base ao trabalho de Westcott e Hort, cujas vidas foram entremeadas de “reticências” religiosas e morais, conforme as duas biografias escritas pelos próprios filhos destes,  ambos, com o nome de Arthur.

            Em seus livros “Understandable History of the Bible”, e “The Answer BooK”,  o Dr. Samuel Gipp esclarece toda a confusão feita por Westcott e Hort, enquanto o Dr. William Grady, em seu livro “Final Authority”, com quase 500 páginas de pesquisa e erudição bíblica, nos dá todos os esclarecimentos sobre   as causas da corrupção das Bíblias “modernas” atuais. Enquanto a Versão Autorizada de 1611 da Bíblia King James, as Bíblias de Lutero e Calvino, e a nossa Bíblia FIEL são todas escritas a partir do “Textus Receptus”, conforme recebido dos apóstolos de Cristo, as demais são criadas a partir dos  textos corrompidos dos “eruditos anglimarianos” já mencionados.

            Se você, leitor,  se contenta apenas com uma bíblia com letra minúscula, fique navegando nas páginas poluídas das bíblias infiéis. E cuidado para não se afogar no revolto mar de suas heresias. Contudo, se deseja realmente crescer na graça e  conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, compre uma Bíblia Fiel. Esta garantimos ser a melhor, depois de muita pesquisa feita com todo o amor que temos à santa, pura e infalível Palavra de Deus. Se é Bíblia é bom. Se é FIEL, é melhor!

 

 

20. D. Mariquinha e a Bíblia

 

                Há quase 50 anos, D. Mariquinha foi trabalhar numa companhia estrangeira, como secretária bilíngüe. Seu chefe era um americano de quase 2 metros de altura, forte e agressivo, de quem todos os funcionários tinham medo. Um dia, vendo o desembaraço da moça, que aparentava não temer de modo algum as suas broncas, o chefe indagou: “Mariquinha, você não tem medo de mim?” Ao que ela respondeu, em verso: “O Sr. é bem ranzinza,/ mas tem natureza boa./ Tem suas quartas-de-cinza,/ porém não é má pessoa!”

Nesse tempo ela era uma loura de 1,65 m de altura, pele clara e rosada, (herança holandesa), olhos castanhos claros, com uma férrea vontade de vencer na vida. Contudo, ainda não gozava da maior felicidade que alguém pode ter neste mundo, isto é, conhecer Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Mesmo assim, era educada, trabalhadora, honesta e estudiosa. Era sócia da ABI, onde costumava almoçar com Malba Tahan, José Lins do Rego e outros escritores famosos da época,  e fez cursos de Poesia, Crítica Literária e Romance na Academia Brasileira de Letras, biênio 1953/54, aproveitando o tempo disponível,   enquanto suas colegas de pensionato ficavam  namorando nas praças.

Uma de suas colegas, cujo apelido era Masol, tinha idéias comunistas e tendências religiosas esotéricas. As duas se davam bem por terem vindo do Nordeste, mas algumas vezes se irritavam mutuamente por causa do choque de idéias.

Masol dizia que o “Comunismo seria a solução de todos os problemas do país e que enquanto o Brasil não se entregasse a esse regime não iria crescer econômica e socialmente,  porque os ricos sempre dominariam os pobres e assim a desigualdade social iria continuar imperando”. Hoje a situação ainda é a mesma! O Brasil continua na pior, devendo aos Estados Unidos, e Masol continua torcendo por um regime esquerdista no país e crendo na Reencarnação ... coitada!

Mariquinha costumava retrucar que se não houvesse o Capitalismo não existiria aquela firma americana, que lhes dava emprego com salário decente, permitindo-lhes viver num apartamento de dois quartos, de maneira independente, só se encontrando na hora das refeições servidas por uma mulata pernambucana a quem pagavam um salário baixo, porque naquele tempo empregada doméstica valia ainda menos do que hoje.

Mariquinha gostava muito de ler e quando chegava a época de carnaval, em vez de cair no samba como Masol e outras colegas de trabalho, ela subia para o Corcovado e lá se instalava num hospital adventista, com uma dúzia de livros, um caderno e uma caneta, para ler e escrever seus poemas e estórias. Na quarta feira de cinzas, enquanto as colegas chegavam exaustas no serviço, ela aparecia toda radiante, por ter descansado três dias completos e ter-se alimentado bem, naquele hospital vegetariano.

Os anos passaram. Masol casou com um americano e se deu mal, tanto que o casamento durou menos de dois anos. Mariquinha casou com um alemão luterano,  e levava muito a sério a sua religião, mesmo ainda não conhecendo Jesus Cristo como Salvador. Seu marido gostava de ler a Bíblia e Mariquinha, que era católica,  logo começou a se interessar pela leitura do Livro. A Bíblia do marido era a de Lutero, escrita em alemão arcaico, e Mariquinha, de tanto ver o marido lendo esse Livro, acabou se interessando pelo mesmo e procurou conseguir uma Bíblia equivalente àquela em Português. Um amigo do marido presenteou-a com um Novo Testamento e Salmos, da Trinitariana, em Português e Inglês,  língua que ela conhecia muito bem. O resultado foi excelente. Mariquinha, que era poetisa, resolveu logo transformar os 150 Salmos em 5 e quando acabou de compor os seus  “Cinco Salmos Especiais”, havia se  convertido a Jesus Cristo.

Seu marido ficou tão feliz ao ver o progresso da esposa, que um dia profetizou: “Minha querida, um dia você ainda vai ser uma boa tradutora de Inglês clássico e poderá traduzir até os livros de Shakespeare e John Wesley, já que está gostando tanto de ler a Bíblia King James na língua inglesa”.

Mariquinha guardou essa “profecia”. Muitos anos mais tarde, seu marido foi chamado pelo Altíssimo e deixou-a sozinha com uma micro-empresa para dirigir e duas filhas para criar. Ela conseguiu sobreviver decentemente com aquele negócio e ainda aproveitou o pouco tempo disponível para cursar um seminário teológico, onde aprendeu muito sobre a Bíblia, e continuou a viver uma vida reta diante de Deus e dos homens. (A Versão Autorizada da Bíblia King James tem no Brasil o nome de Almeida Corrigida e Revisada Fiel e pode ser encontrada em qualquer boa livraria evangélica).

Um dia Mariquinha, já na casa dos sessenta, vendeu a firma, aposentou-se e resolveu dedicar-se totalmente à obra de Deus. Foi trabalhar como voluntária num Centro de Pesquisas Religiosas e logo começou a traduzir folhetos e livros para essa organização. Foi então que notou como a “profecia” do marido havia sido abençoada por Deus e  estava se cumprindo maravilhosamente em sua vida.

Hoje ela continua estudando a Bíblia, traduzindo livros respaldados na “King James”, gozando uma velhice tranqüila e saudável. Não tem tempo de praticar o mal, nem de adoecer, e quando os filhos e netos vêm visitá-la sempre a encontram atarefada com alguma tradução importante e nunca lamentam que ela tenha envelhecido, porque sua destreza mental continua a mesma dos 40 anos.  E como nunca foi gulosa, alimentando-se de frutas e legumes, jamais engordou, nem ficou flácida como as senhoras de sua idade e continua com 50 Kg. de peso. Muitas vezes ela até se sente culpada ao ver tantas pessoas infelizes ao seu redor, por falta de conhecimento da Palavra de Deus, e tenta levar essas pessoas à Verdade que liberta do pecado, da miséria e da morte eterna.

Mariquinha é muito abençoada por Deus. Ela sabe que deve morrer dentro de poucos anos e terá de enfrentar o Tribunal de Cristo (2 Coríntios 5:10). Mas não se preocupa com o fato. Porque tendo Jesus Cristo como o seu único e suficiente Salvador, amando o Livro Santo e procurando levá-lo aos que não o conhecem, ela se sente feliz e realizada aguardando a morte ou a volta de Jesus...

 

 

21. Orígenes Adamantius

(O Pai da Bíblia Católica)

 

Para os católicos que nos escrevem dizendo que devemos a nossa Bíblia à Igreja de Roma, apresentamos uma biografia dos Pais da Bíblia Católica, que não são, de modo algum, os Pais da nossa Bíblia. A Bíblia Católica é a Vulgata Latina, de origem alexandrina, enquanto a Bíblia King James, a Bíblia de Lutero e outras Bíblias da Reforma (no Brasil, a Corrigida e Revisada Fiel de Almeida)  procedem do texto antioquiano conhecido como Textus Receptus, organizado por Erasmo de Roterdã, ou seja do texto recebido dos Pais da Igreja Cristã que não se corromperam com as doutrinas espúrias de ClementeOrígenes de Alexandria, os antigos pais da igreja (católica)  alexandrina. Fala o Dr. William P. Grady, erudito bíblico americano, a respeito de Orígenes Adamantius, de Alexandria:

“Quando chegamos à vida e ministério do sucessor de Clemente de Alexandria, Orígenes Adamantius, entendemos o porquê de ser ele o Pai mais influente da tradição alexandrina. Reconhecido como o patriarca da crítica textual, o seu volumoso uso da Escritura (17.976 citações existentes somente do Novo Testamento) entrincheirou sua autoridade com uma força com a qual é considerado.

O Deão Burgon comenta:

Orígenes foi o personagem mais proeminente entre todos da Escola Alexandrina. Sua fama e influência nesta província estenderam-se com a reputação de seus outros escritos muito depois de sua morte. Quando um escritor fala de “cópias exatas”, o que ele realmente quer dizer é o texto da Escritura empregado ou aprovado por Orígenes.

A alta porcentagem de semelhança entre o texto existente dos escritos de Orígenes e os Códigos Vaticanus e Sinaíticus (nos quais repousa a Vulgata Latina) prova a influência que ele possuía. Por causa disso ele é a indisputável “prima dona” da erudição nicolaíta moderna. Conforme antes mencionado, a fluente veneração de Phillip Schaff por Orígenes Adamantius foi evidenciada pelo seu ofício de presidente do comitê da American  Standard Version (1901):

Orígenes foi o maior erudito de sua época, o mais prendado, mais industrioso, e mais culto de todos os Pais ante-nicenos. Até mesmo os pagãos e os hereges admiravam ou temiam o seu brilhante talento e vasta erudição. O seu conhecimento abraçava todos os departamentos de filologia, filosofia e teologia de sua época. Com isto ele unia o pensamento profundo e fértil, penetração fervente e brilhante imaginação. Como um legítimo divino ele consagrou todos os seus estudos pela oração e os dirigiu de acordo com as suas melhores convicções, a serviço da verdade e da piedade.

A edição mais recente do “Manual de História do Cristianismo” de Eerdman exclama:

Orígenes foi o maior erudito e mais prolífico autor da igreja primitiva. Ele não somente foi um profundo pensador, mas também um eclesiástico profundamente espiritual e leal. {Vejamos quem foi esse famoso pai das Bíblias católicas e “protestantes” da atualidade:}

Nascido de pais cristãos em Alexandria, no ano 185 d.C., Orígenes logo se tornou o maior exemplo de precocidade. Após a prisão de seu pai Leônidas, durante a perseguição de Severo, no ano 202 d.C., diz a tradição que Orígenes tentou se juntar a ele, no que foi impedido por uma mãe inconformada, a qual escondeu-lhe as vestes. A aura de sua juventude legendária repousa sobre a comovente narrativa de sua correspondência com Leônidas, exortando-o a permanecer firme (estas roupas devem ter sido horrivelmente difíceis de encontrar).

Tendo herdado a responsabilidade de uma mãe e seis irmãos, após a morte do pai, Orígenes sentiu uma repentina “vocação” para o ministério e logo chegou à presidência da Escola Doutrinária de Alexandria.

Com o desejo mal dirigido de prover os seus estudantes de uma educação superior, o recém instalado mestre catedrático adolescente embarcou em um curso de estudo pessoal sob a orientação dos mais celebrados pagãos de sua terra. Em face dessas Escrituras, conforme o “...não aprendais o caminho dos gentios” (Jeremias 10:2a), Orígenes:

...Achou por bem tornar-se mais amplamente familiarizado com as doutrinas das escolas gregas, para enfrentar os seus oponentes em seu próprio campo e para este propósito ele freqüentou as preleções de Ammonius Saccas, naquele tempo com alta reputação em Alexandria como um expositor da filosofia neoplatônica, de cuja escola ele tem sido geralmente considerado o fundador. A influência que o estudo das especulações filosóficas exerceu sobre a mente de Orígenes pode ser rastreada em todo curso do seu desenvolvimento posterior e comprova a frutífera fonte de muitos daqueles erros pelos quais ele seria depois acusado e das controvérsias surgidas para perturbar a paz da igreja durante os dois séculos seguintes.

Muitos foram os erros que irritaram os seus superiores  eclesiásticos, mas um incidente provou ser especialmente nocivo. Derivado de uma pervertida interpretação de Mateus 19:12, o super zeloso presidente da Escola de Alexandria se castrou a si mesmo, a fim de evitar tentação futura. Ele poderia ter evitado a si mesmo um bocado de dor, se tivesse lido Deuteronômio 23:1. Com respeito à preferência de Orígenes pela interpretação alegórica, houve a humorística observação de Edward Gibbons de que “parece que, infelizmente, apenas neste caso ele se ateve ao sentido literal”.

Após sua subsequente excomunhão da Igreja de Alexandria, em 231 d.C., Orígenes emigrou para Cesaréia, onde estabeleceu uma segunda escola de doutrina. Suas obras pessoais chegaram a mais de 6.000 volumes, levando Jerônimo a indagar: “quem de nós pode ler tudo o que ele escreveu?”

Preso e torturado durante a perseguição Deciana em 249 d.C., Orígenes sobreviveu ao seu desterro, porém sucumbiu aos efeitos subseqüentes desse infortúnio, em 254 d.C., assegurando, desse modo, para si um perfil de herói na história da igreja.

Muitas vezes se tem perguntado “o que significa um nome?” O nome de Orígenes dado a Orígenes era estranhamente derivado da divindade egípcia “Or”  ou “Horus”. Como para encobrir esse estigma da juventude, ele recebeu o honroso sobrenome Adamantius, como tributo à sua suposta piedade e eficiência.

Hindsight de fato esclareceu o Adão de Adamantius como refletindo a queda de Orígenes (junto com os seus descendentes) no jardim da crítica textual. Com respeito ao pecado original de abandonar o verdadeiro Textus Receptus, a origem está mesmo em Orígenes!

O próprio Adamantius supriu a ilustração perfeita do seu caráter humanista pela sua errônea associação do número 6 à perfeição, quando comentou João 2:6, ele escreveu:

E seis vasos são razoavelmente (apropriados) aos que são purificados no mundo, o qual foi criado em seis dias – o número perfeito.

Esta ignorância da numerologia básica da Bíblia é um tremendo contraste à elaborada defesa de Irineu para a interpretação do número 666 de Apocalipse 13:8, contra as heréticas incursões de 616. Erros muito mais sérios do que este têm trazido dificuldades aos admiradores de Orígenes no sentido de defendê-lo.

Notem a esforçada tentativa do Dr. Coxe:

O grande erudito bíblico e crítico da primeira metade do terceiro século merece um reconhecimento e apreciação mais cordiais do que apenas que estejamos de acordo com ele.

Conquanto seja verdade que em vários aspectos ele tinha fantasias estranhas e até selvagens, o que explica  expressões que dificilmente, se fosse o caso, podem ser justificadas. Ao mesmo tempo também é verdade que ele é indulgente além de toda razão (conforme nos parece na era atual) com especulações exageradamente inúteis, levando ao excesso sua grande inclinação à alegoria, – contudo, estas são mais de natureza de possíveis suposições e hipóteses  sobre numerosos tópicos, de mais ou menos interesse do que mesmo sobre assuntos de fé deliberados e sistemáticos. Ele freqüentemente fala destes com sabedoria e não exige que tais suposições  e especulações tenham mais crédito do que merecem. Nos grandes fundamentos do credo cristão, Orígenes é inquestionavelmente bom e verdadeiro.

Será que o Dr. Coxe considera a eternidade do Espírito Santo como “um grande fundamento”? Orígenes escreve:

Pois mesmo embora algo mais tenha existido antes do Espírito Santo, não foi por avanço progressivo que ele chegou a ser o Espírito Santo.

Orígenes ensinava claramente que o Bendito Espírito Santo era um ser criado:

Por conseguinte, nós, com o mais piedoso e o mais verdadeiro curso, admitimos que todas as coisas foram feitas pelo Logo e que o Espírito Santo é o mais excelente e primeiro na ordem de tudo que foi criado pelo Pai através de Cristo.

Será que o bom Dr. Coxe classifica a salvação pela graça como um “grande fundamento”? Sobre esta doutrina Orígenes escreve:

Depois destes pontos, também, o ensino apostólico é que a alma, tendo substância e vida em si mesma, após a sua partida deste mundo, será recompensada conforme os seus merecimentos, sendo destinada a obter ou uma herança de vida eterna e de bênção, caso suas ações a tenham levado a merecer isto, ou entregue ao fogo eterno e castigos, se a culpa de seus crimes a tiverem conduzido a isso.

Em outra parte ele escreve:

Pois como vemos não ser o caso com as naturezas racionais, que algumas delas têm vivido em condições de degradação por causa de seus pecados, enquanto outras têm sido chamadas ao estado de bem- aventurança em razão dos seus méritos

Mas se lhe parecer que Orígenes acreditava num inferno eterno, não caia nessa! O homem a quem Westcott e Hort creditaram o texto preservado da Escritura acreditava num purgatório e numa restauração final de todos os espíritos, inclusive do diabo!

Mas, embora entrementes, tanto nestes mundos temporais que são vistos, bem como naqueles mundos eternos invisíveis, todos aqueles seres são organizados, conforme um plano regular na ordem e grau dos seus méritos; de modo que alguns deles no primeiro, outros no segundo, alguns até mesmo nos tempos finais, após terem sofrido os mais pesados e severos castigos, suportados por um período extenso, por muitas eras, por assim dizer, melhorados pelo seu eterno método de treinamento, são restaurados primeiro pela instrução dos anjos e em seguida pelos poderes de um grau mais alto, e desse modo, avançando através de cada estágio para uma condição melhor, alcançando até mesmo aquela que é invisível e eterna, tendo percorrido através deste, por uma espécie de treinamento, cada simples ofício dos poderes celestiais.

Confuso? Você se lembra das fábulas contínuas do Nicolaísmo? Orígenes expande sua doutrina do purgatório:

O céu, no qual o céu e a terra, o fim e a perfeição de todas as coisas devem ser segura e mais confiantemente colocados – onde estes, após sua apreensão e castigo por suas ofensas que têm sofrido por meio de purgação, podem, após terem cumprido e se livrado de toda obrigação, merecer uma habitação naquela terra.

Com respeito à sua doutrina da salvação universal, ele escreveu: “Mas aqueles que foram removidos do estado primário da bênção, não o foram irrevogavelmente”.

E ainda:

O fim do mundo, então, e a consumação do século, acontecerão quando cada um tiver se sujeitado ao castigo pelos seus pecados; num tempo que só Deus conhece, quando ele vai conceder a cada um o que merecer. Achamos, de fato, que a bondade de Deus através do seu Cristo, deve convocar novamente todas as suas criaturas para um fim, até mesmo os seus inimigos conquistados e subjugados

A “ortodoxia de Orígenes” promoveu também uma crença na preexistência da alma humana (isto é, João Batista tinha sido previamente um anjo), na regeneração batismal (começando com a aspersão infantil), na transubstanciação, que a morte de Cristo foi entregue como resgate a Satanás para permitir que o novo nascimento se iniciasse com um “beijo místico”, negando ao mesmo tempo as duas vindas “corpóreas”, a ressurreição, e o reino milenar.

Visto como o orgulho de Orígenes relegou o Espírito Santo a um ser criado, ele falhou em pertencer à boa Hermenêutica. Com respeito à sua popularização do modo alegórico de interpretação (conforme iniciado por Filo e confrontado pelos literalistas da escola antioquiana) o seu erro não foi no uso ocasional e auxiliar desse método enriquecedor da Escritura (Gálatas 4:24), mas de preferência em sua abusiva exclusão do literal. Ver a bela tipologia em Gênesis é uma coisa, porém negar a historicidade do livro é bem outra. Fala Orígenes:

Quem é tão tolo a ponto de supor que Deus, à maneira de um pai de família, plantou um paraíso no Éden, na direção do Oriente e nele colocou uma árvore da vida visível e palpável, de modo que alguém experimentando o fruto com dentes corporais obtivesse a vida?... E se diz que Deus quando passeou no paraíso à tardinha e Adão se escondeu atrás de uma árvore, não suponho que alguém duvide que essas coisas figuradamente indicam certos mistérios, tendo sido a história colocada na aparência e não literalmente.

Sua propensão para a alegoria anulou o literalismo de inúmeras passagens, tais como a Páscoa, os detalhes da construção do Templo de Salomão, a tentação de Jesus no deserto e a purificação do Templo de Herodes. Bastante interessante é que não apenas Orígenes endossa os Apócrifos (tendo até feito uma defesa de Susana e do não canônico anexo de Daniel), como creditou o Pastor de Hermas ao inspirar o seu formato alegórico.

Pois como um homem consiste de corpo, alma e espírito, então do mesmo  modo a Escritura, que foi organizada para ser entregue por Deus para a salvação dos homens. Portanto deduzimos que isso também é de um livro desprezado por alguns – O Pastor de Hermas.

Para um suposto agente humano de Deus para a preservação de Sua Palavra, Orígenes continuou a falar de problemas com as Escrituras. Comentando sobre o Velho Testamento grego ele escreve:

Em muitos outros dos livros sagrados encontrei algumas vezes mais em nossas cópias do que no hebraico, algumas vezes menos... novamente através de todo o Livro de Jó há muitas passagens do hebraico que estão faltando em nossas cópias, geralmente quatro ou cinco versos, mas algumas vezes até mesmo catorze, e dezenove e dezesseis... novamente em Gênesis as palavras ”Deus viu que era bom”, quando o firmamento foi criado, não estão no Hebraico.

Em outra parte, ele se queixa:

Não os condeno (autores das Escrituras), se eles até mesmo, às vezes, trataram livremente as coisas que aos olhos da história aconteceram de modo diferente. E também se  as mudaram para satisfazer os místicos objetivos que tinham em vista; como falar de uma coisa que aconteceu em certo lugar, como tendo acontecido noutro ou do que aconteceu em certo tempo, como se tivesse acontecido noutro tempo, e introduzir no que era falado de certo modo, mudanças próprias. Eles se propuseram a falar a verdade onde era possível, tanto material como espiritualmente, e onde isso não foi possível eles sempre deram preferência ao espiritual em vez do material. A verdade espiritual era sempre preservada, como se diz, na falsificação da verdade material.

Com essa pequena confiança na Palavra de Deus as fantasias pessoais de Orígenes reinavam supremas. Enquanto Clemente achava que as estrelas deviam receber adoração, Orígenes acreditava que estas eram relapsas! Falando com selvagem especulação. Escutem esse idiota:

Deveríamos primeiro indagar, conforme este ponto, se é permitido supor que elas (as estrelas) são seres viventes e racionais, então em seguida, se suas almas vieram à existência ao mesmo tempo em que os seus corpos, ou talvez antes destes; e também se após o fim do mundo devemos compreender que elas devem ser libertas dos seus corpos; e se deixaremos de viver, de modo que elas deixem também de iluminar o mundo... Então achamos que elas devem ser designadas como seres viventes, por esta razão, que se diga que elas receberam os mandamentos de Deus, o que é ordinariamente o caso apenas em se tratando de seres racionais. “...as minhas mãos estenderam os céus, e a todos os seus exércitos dei a minha ordens” (Isaías 45:12)... e vendo que as estrelas se movem com tal ordem e regularidade, que seus movimentos nunca parecem, em tempo algum, estar sujeitos a qualquer descontrole, não seria o cúmulo da tolice dizer que tão ordenadamente uma observância do método  e plano poderia ser executada ou atingida por seres irracionais. Nos escritos de Jeremias, de fato a lua é chamada rainha dos céus. Contudo, se as estrelas são seres viventes e racionais, sem dúvida entre elas acontecerá um progresso e regresso... Jó parece afirmar que não apenas as estrelas devem estar sujeitas ao pecado, mas até mesmo que elas não estão realmente a salvo do contágio do mesmo.  “... e as estrelas não são puras aos seus olhos” (Jó 25:5-b).

Sem levar em conta tantos absurdos, nos escritos de Orígenes, as leituras que vão de encontro ao Textus Receptus (reproduzidas nos Códigos Sinaíticus e Vaticanus) continuam a ser abraçadas pelos eruditos nicolaítas do século XX. Coxe declarou:

Ele é o primeiro grande crítico textual da Igreja... seus comentários contêm textos comentados completos de porções da Escritura, bem como copiosas citações de outras partes da Escritura... No Novo Testamento, seu texto é também muito diferente daquele que prevaleceu depois na igreja.

Enquanto Hebreus 2:9-b diz na Bíblia King James, que “...pela graça de Deus, provasse a graça por todos”, o desgracioso Orígenes preferiu uma entrega diferente: “Pois sem Deus ele provou a morte por todos”. Em algumas cópias da epístola aos Hebreus as palavras são ”pela graça de Deus”.

O enfatuado comentador de estrelas continua sua caminhada:

Ele não morreu pelos homens somente, mas por todos os outros seres intelectuais, também... Seria certamente absurdo dizer que ele provou a morte pelos pecados humanos e não também  por outros seres além do homem que haviam caído em pecado como por exemplo, as estrelas.

Uma das mais horrendas aberrações de Orígenes diz respeito a João 1:18. Aqui ele põe em dúvida a eternidade de Cristo:

Conforme  João veio para dar testemunho da luz, e em seu testemunho  ele gritou dizendo: “Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido”.

Tendo escrito (duas palavras em grego), o “Deus Unigênito”, Orígenes abraçou a posição ariana de que Jesus foi criado pelo Pai, não sendo totalmente divino.

Esta heresia de que Jesus é um “deus” (não o Filho) gerado em algum lugar na eternidade pode ser encontrada no Sinaíticus e no Vaticanus, e, portanto, nessas perversões modernas como a Bíblia American  Standard Version.

 E como pássaros da mesma plumagem costumam voar juntos, pode-se encontrar essa leitura na Tradução da Bíblia Novo Mundo – das  TJs. (ver tradução na Novo Mundo)

Isto combina também com a versão de João 1:1, onde Jesus é apresentado como “um deus”.

Chegando ao final, chamamos a atenção do leitor para uma estranha profecia feita pelo Dr. A. E. Brooke, biógrafo anglicano de Orígenes.

Comentando a perspectiva dos futuros “triunfos intelectuais”, tais como aqueles manifestados pela escola doutrinária de Alexandria, ele escreve:

E a vitória sobre o mundo do pensamento, a qual foi ganha em Alexandria nos tempos primitivos, será repetida, se a luta for executada com a mesma complexidade e audácia, no mesmo espírito de auto devoção, e na mesma convicção de que todas as coisas são nossas, visto como somos de Cristo e Cristo, de Deus

Qualquer pessoa que apenas visite uma livraria “bíblica” local poderá confirmar que o espírito de Orígenes continua vivo e muito atuante. Que o verdadeiro crente bíblico continue fiel em seu posicionamento a favor da Versão Autorizada de 1611 (no Brasil a Bíblia Corrigida e Revisada Fiel de Almeida). Embora seja este um posicionamento impopular no presente, algum dia as mesas poderão ser viradas. “Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não são, mas mentem: eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo”. (Apocalipse 3:9).

 

Capítulo 7 do livro “Final Authority”, do Dr. William P. Grady, Th.D.

 

 

22. William Tyndale

(O Pai da Bíblia Inglesa)

 

William Tyndale nasceu aproximadamente em 1483, na vila de North Nibley. Ordenado ao sacerdócio em 1502, ele se distinguiu em Oxford recebendo o seu grau de Bacharel em Artes, em 1515. Mais tarde ele se transferiu para Cambridge, onde se tornou familiarizado com Erasmo e o seu Novo Testamento Grego. Enquanto atravessava esse tempo de reflexão, Tyndale experimentou uma iluminação espiritual semelhante à de Lutero.

Quanto mais ele estudava esse tesouro recém descoberto, mais acentuada se tornava a sua preocupação no sentido de que os seus companheiros ingleses dele compartilhassem. Foi durante esse período de formação que aconteceu a clássica discussão de Tyndale com um papista fanático. Antagonizado pela sua incapacidade de refutar a racionalização bíblica de Tyndale, o exasperado sacerdote gritou: ”seria melhor que ficássemos sem as leis de Deus do que sem as leis do papa”, ao que Tyndale retorquiu indignado:

Desafio o papa e todas as suas leis; e se Deus me poupar a vida por muitos anos, levarei um garoto que conduz o arado a conhecer mais a Escritura do que vós.

Com essas audaciosas palavras representando a motivação de toda a sua vida, Tyndale decidiu resgatar os seus iletrados patrícios da desesperança e infelicidade do Romanismo, declarando:

Essa causa apenas me conduziu a traduzir o Novo Testamento porque eu havia percebido, por experiência, como seria impossível levar o povo leigo à verdade, a não ser que as Escrituras fossem claramente colocadas diante dos seus olhos na língua mãe.

 O pedido de Tyndale para se alojar com o renomado Cuthbert Tonstal, Bispo de Londres, recebeu uma fria negativa. Do mesmo modo como o estalajadeiro de Belém negou abrigo à “Palavra Viva” o prelado indiferente fez o mesmo ouvido surdo à “Palavra Escrita”, nenhum deles reconhecendo o tempo de sua visitação.

O Senhor compensou essa humilhação, enviando Tyndale até um comerciante simpático, o qual não apenas abriu sua residência em Londres, para o Reformador, como ainda lhe deu dez libras de presente, pedindo-lhe que orasse por “seu pai, sua mãe, suas almas e todas as almas cristãs”. Contudo seis meses depois do início da tradução, Tyndale detectou uma crescente hostilidade dos oficiais lacaios do rei contra o seu projeto. Grande parte dessa pressão foi causada pelo fato de  Henrique VIII ter feito as pazes com o papa de Roma, interessado em obter a  anulação do seu casamento com a “estéril” rainha Catarina. Tyndale conclui com tristeza:

A partir daí, percebi que não apenas no palácio do bispo de Londres, mas em toda a Inglaterra, não havia lugar onde eu pudesse tentar uma tradução das Escrituras.

Em face dessas condições inaceitáveis, Tyndale transferiu-se para a Alemanha, em 1524, sem imaginar que jamais colocaria os pés novamente em solo inglês (mesmo assim, Foxe chamou Tyndale de “o Apóstolo da Inglaterra”).

Tendo garantido alojamento em Hamburgo, o fugitivo fez uma peregrinação imediata até Wittenberg. O patrocínio negado a Tyndale por Tonstal foi mais do que compensado pelo audacioso Lutero, que iria declarar sem timidez: “Nasci para a guerra e a luta contra as facções e os demônios” .

O Dr. J. R. Green captou o espírito contagiante de Lutero com a narrativa da visita deste a Tyndale:

Encontramo-lo em seu caminho para a cidadezinha que havia repentinamente se tornado a cidade sagrada da Reforma. Estudantes de todas as nações ali se reuniam com um entusiasmo que lembrava aquele dos cruzados. “Quando vinham para ver a cidade”, conta-nos um contemporâneo, “retornavam graças a Deus com as mãos preparadas para de Wittenberg, como a partir de Jerusalém, fosse a luz da verdade do evangelho espalhada até aos confins da terra”. Foi por insistência de Lutero que Tyndale ali traduziu os evangelhos e as epístolas.  

Tyndale receberia muita coragem para suas futuras experiências da parte do austero alemão, cuja visão pessoal sobre os perturbadores era essa:você não pode enfrentar um rebelde com a razão. Sua melhor resposta é esmurrá-lo no rosto até que ele sangre pelo nariz”.

Com o coração reanimado, Tyndale iniciou o seu esforço pioneiro de produzir a Bíblia Inglesa traduzida diretamente das línguas originais. Partiu dele uma excepcional concessão para uma tão grandiosa ventura. O professor Herman Buschais descreveu Tyndale para Spalatin como:

Um homem tão versado nas sete línguas: Hebraico, Grego, Latim, Italiano, Espanhol, Inglês e Francês, que qualquer uma que ele falasse poderia dar a impressão de ser a sua língua nativa.

Esta erudição foi confirmada no comparecimento de Tyndale diante dos editores de Colônia, Quental e Byrschmann, antes de completar um ano. Embora desconhecido a Tyndale, o arquiinimigo de Lutero, o teólogo católico John Cochlaeus, Deão da Igreja da Bendita Virgem em Frankfurt, seguiu direto em suas pegadas. Quando viu os católicos na Alemanha, preparados com Bíblias até às orelhas, Cochlaeus se queixou:

O Novo Testamento de Lutero se multiplicou e espalhou de tal maneira através dos editores que até mesmo alfaiates e sapateiros, sim, até mesmo as mulheres e as pessoas ignorantes, que aceitaram esse novo evangelho luterano e podiam ler um pouco de alemão, estudavam-no, com a maior avidez, como sendo a fonte de toda a verdade. Alguns o memorizaram, carregando-o no íntimo. Em poucos meses esse povo ficou tão letrado que não se envergonhava de debater sobre a fé e o evangelho, não apenas com os leigos católicos, mas até mesmo com os padres e monges e doutores em divindades.

Cochlaeus não podia permitir que esse pesadelo alcançasse a Inglaterra. Certo dia ele escutou por acaso alguns tipógrafos discutindo a respeito da obra de Tyndale. Embriagando-os com uma certa quantidade de vinho, ele ficou perplexo ao descobrir que o Novo Testamento Inglês já estava sendo impresso. Depois de ver apenas dez folhas concluídas, Tyndale foi advertido da chegada de magistrados. Auxiliado pelo seu amanuense, William Roye, ele pôde transferir os preciosos documentos para Worms, dando uma rasteira no frustrado Deão.

Com a relativa segurança da “retaguarda” oferecida por Lutero, as primeiras três mil cópias do Novo Testamento de Tyndale foram concluídas 1525 pelo editor de Worms - Schoeffer – e contrabandeadas para a Inglaterra, em barris, pilhas de roupa e sacos de farinha. Ao contrário da tradução dos manuscritos latinos de Wycliff, a obra de Tyndale foi diretamente traduzida do Grego e, mais que isso, do Textus Receptus da segunda e terceira edições de Erasmo. (Erasmo havia rejeitado os códigos Alfa e Beta (Vaticanus e Sinaíticus) da Vulgata, pavimentando, assim, a estrada para centenas de mártires em Smithfield, os quais iriam morrer por causa do Texto Majoritário).

Tendo sido alertado por Cochlaeus da “importação pendente de perniciosa mercadoria”, o clero inglês ficou de sobreaviso nos portos. Muitas Bíblias foram interceptadas e queimadas em cerimônias, na Saint Paul Cross em Londres, pelo bispo Tonstal, que as chamava de “uma oferta queimada ao Deus Todo Poderoso”. 

Esse bispo enfatuado afirmava ter encontrado 2.000 erros na mesma. Sir Thomas More acrescentou: “tentar encontra erros no livro de Tyndale foi o mesmo que tentar encontrar água no mar”. More seria degolado mais tarde, como um traidor da pátria.

Sem se intimidar, Tyndale exclamou no espírito do seu mentor alemão:

Ao queimar o Livro eles fizeram exatamente o que eu esperava; provavelmente eles vão também me queimar, se for essa a vontade de Deus.

Contudo, apesar desse diabólico esforço, muitos dos volumes reprovados foram dispersos pela terra (quase 50.000, segundo alguns cálculos).

Que o poder do Novo Testamento de Tyndale  foi causa de alarme entre os católicos ficou evidenciado pela carta do bispo de Nikke ao seu superior, na qual se lia em parte: “está além do meu poder, ou de qualquer homem espiritual, impedi-lo (Novo Testamento ) agora, e se assim continuar por muito tempo, ele a todos nos destruirá”...

Com a cabeça erguida, Tyndale se mudou para Marburg, em 1528, onde ficou sob a proteção de Philip, o Magnânimo, Conde de Hesse. Após ter trabalhado, por quase um ano, no Pentateuco, ele embarcou para Hamburgo, porém sofreu um naufrágio na viagem, perdendo o manuscrito de Deuteronômio recém concluído.

Após uma chegada com atraso em Hamburgo, ele foi residir com Margarete von Emmerson, onde concluiu a tradução de Gênesis até Deuteronômio. Com o seu aparecimento na cidade livre de Antuérpia (para conseguir a impressão desses novos livros), Tyndale arquitetou um plano engenhoso para repor suas urgentes carências financeiras. Já ficou conhecido que o arrogante bispo Tonstal, levado ao desespero pela divulgação do Novo Testamento, havia tentado salvaguardar-se, removendo-os do comércio através de uma compra ilegal. Contudo, sem que Tonstal o soubesse, o comerciante intermediário do qual ele se aproximou, Augustine Pakinghton, era um dos simpatizantes e  mantenedores de Tyndale. Foxe o descreve com esta maravilhosa narrativa poética de justiça:

Alguma semanas mais tarde, Pakinghton entrou no humilde alojamento de Tyndale, cujas finanças ele sabia terem se esgotado. Pakinghton – “Mestre Tyndale, encontrei para vós um bom comprador dos vossos livros.

Tyndale – quem é?

Pakinghton – o senhor bispo de Londres.

Tyndale – mas se o bispo quer esses livros será apenas para queimá-los.

Pakinghton – bem... e então? O bispo os queimará de qualquer maneira e bom seria que conseguíssemos dinheiro para imprimir mais.

Tyndale – ficarei contente por esses benefícios que advirão: vou receber o dinheiro para me livrar dos débitos e o mundo inteiro vai gritar contra a queima da Palavra de Deus. O restante do dinheiro me possibilitará corrigir o dito Novo Testamento, e novamente imprimir o mesmo, confiando em que o segundo será bem melhor do que o primeiro já impresso.

Depois disso, os Novos Testamentos reimpressos logo alcançaram a Inglaterra. Então o bispo mandou procurar novamente Pakinghton indagando como era possível que os livros fossem ainda tão abundantes? “Meu senhor”, respondeu o comerciante, “realmente eu acho que seria melhor que comprásseis também os tipos pelos quais eles são impressos”.

Que esse conselho não foi seguido, nem é preciso declarar.

Com o lucro do seu “mais novo cliente“, Tyndale entregou o seu Pentateuco, em 1530, através da Casa publicadora Hans Luft, de Marburg, com a sua tradução de Jonas sendo publicada na Antuérpia, no ano seguinte.

Por esse tempo a animosidade contra Tyndale havia aumentado consideravelmente. Além das traduções desprezadas, seus diversos ataques verbais contra Roma não estavam lhe angariando muitos amigos:

“A parábola do Maligno Mamom”, 1528; “A Obediência de um Cristão” e “Como os Governantes de Cristo Devem Governar”, em 1530; e sua “Prática de Prelados”, também em 1530. Numa de suas notas marginais em Jonas ele comparou a Inglaterra com Nínive.

No ano de 1535, um crédulo Tyndale foi traído por um agente secreto católico, Henry Phillips, o qual havia angariado a confiança do reformador. Depois de tomar um empréstimo de última hora no valor de 40 shillings, de sua generosa vítima, os dois homens seguiram para a pensão de Tyndale, a fim de jantar. O traidor Phillips insistiu pretensiosamente como o seu “amigo”, para ir na frente. Logo que saiu, Phillips, no espírito de Judas Iscariotes, apontou na direção dele pelas costas, como sinal combinado para identificá-lo aos oficiais. O idoso santo foi depressa levado para o calabouço da fortaleza próxima de Vilvorde, dezoito milhas ao norte de Antuérpia.

Como o julgamento do seu Mestre por Pilatos, o caráter de Tyndale era inquestionável, impressionando até mesmo o promotor do Imperador que o levara a considerá-lo “homo doctus, pius, et bonus” (homem sábio, piedoso e bom).

Durante os dezoito meses do seu encarceramento, Tyndale se manteve firme. Um dos documentos mais tristes existentes em toda a história da igreja (tirado dos arquivos do Concílio de Brabant) é uma carta escrita em Latim, pela própria mão do reformador, para o governador de Vilvorde, talvez o Marquês Burgon:

Creio, cheio de legítima adoração, que não estarei despercebido do que pode ter sido determinado com respeito a mim. Daí porque peço a Vossa Senhoria, e isso pelo Senhor Jesus, que se devo permanecer aqui pelo inverno, Vossa Senhoria diga ao comissário que faça a gentileza de enviar-me, dos meus pertences que estão com ele, um boné contra o frio, visto como sinto muito frio na cabeça e sou afligido pelo contínuo catarro, que aumentou muito nesta cela. Também uma capa de inverno, pois a que tenho é muito fina; também uma peça de roupa para agasalhar minhas pernas. Meu sobretudo está gasto; minhas camisas também estão gastas. Ele tem uma camisa de lã e por favor, ma envie. Também tenho com ele perneiras de pano grosso para usar por cima. Ele tem também toucas quentes de dormir.

Peço que me seja permitido ter uma lâmpada à noite. É de fato aterrador ficar sentado sozinho no escuro. Mas, antes de tudo, peço que ele gentilmente me permita ter uma Bíblia hebraica, uma gramática hebraica e um dicionário hebraico, para que eu aproveite o tempo estudando. Em compensação Vossa Senhoria possa conseguir o que mais deseja, contanto que seja apenas para a salvação de sua alma. Mas se qualquer outra decisão foi tomada a meu respeito para ser executada antes do inverno, terei paciência, aceitando a vontade de Deus, para glória da graça do meu Senhor Jesus Cristo, cujo Espírito eu oro que possa dirigir sempre o vosso coração. Amém!

Assinado: W. Tyndale

De fato, foi a vontade de Deus que o seu servo passasse ali, não apenas aquele inverno, mas a próxima primavera e também o verão. Temos confiança de que ele conseguiu seus auxílios lingüísticos, visto como deixou atrás dele a tradução completa de Josué até II Crônicas.

Com as folhas do outono de 1536 anunciando a aproximação certa de outro inverno, o tempo da partida de Tyndale havia chegado. Condenado pelo decreto do Imperador, na assembléia de Augsburg, a data de sua execução foi estabelecida para 6 de outubro. Foxe nos transporta até essa cena sombria:

Trazido para o local da execução, ele foi atado à estaca, estrangulado por um carrasco e depois consumido pelo fogo, na cidadezinha de Vilvorde em 1536 d.C., gritando na estaca, em alta voz com fervorosa preocupação: “Senhor, abre os olhos do Rei da Inglaterra!

Quando o fiel Tyndale estava terminando a obra de sua vida, com uma última e incompreensível oração pela iluminação do rei, ele não podia imaginar que a resposta do céu já estava a caminho. McClure relata o miraculoso testemunho de que:

O que foi mais estranho em tudo isso e inexplicável para aqueles dias  é que na hora exata em que Tyndale, por obtenção dos eclesiásticos ingleses e pelo tácito consentimento do rei inglês, foi queimado em Vilvorde, uma edição paginada de sua tradução era impressa em Londres, com o seu nome na página titular e por Thomas Berthlet, com a própria patente de impressão do rei. Essa foi a primeira cópia das Escrituras impressa em solo inglês.

Contudo, muito mais significativo do que esse misterioso rasgo da Providência foi a sanção oficial dada pelo próprio Henrique de duas Bíblias Inglesas dentro de um ano, a partir do martírio de Tyndale. A primeira destas foi a Bíblia Coverdale, nomeada segundo o antigo revisor em Antuérpia, Miles Coverdale (1488-1569).

A Bíblia Coverdale mantém a honra exclusiva de ser a primeira Bíblia Inglesa completa já impressa.  Como Wycliff, Coverdale era fraco nas língua originais, de modo que sua obra consistiu do Novo Testamento e do Pentateuco, com os demais livros do Velho Testamento sendo conseguidos, primeiramente da tradução alemã de Lutero, com pequeno empréstimo da Vulgata Latina e da Bíblia Suíça de Zurique.

Embora Coverdale tivesse sido forçado a publicar sua primeira edição em Colônia (1535), ele muito prudentemente dedicou-a ao rei da Inglaterra e também teve o cuidado de excluir o estilo controverso das notas marginais associadas com a Bíblia de Tyndale. Não é difícil entender a boa vontade de Henrique de pessoalmente autorizar essa Bíblia (segunda edição da Coverdale de 1537), quando a capa o apresentava sentado e coroado, empunhando uma espada na página dedicatória, creditando-o como “defensor da fé”. A diplomacia de Coverdale coincidia com a recente quebra do controle de Roma sobre as igrejas inglesas. Embora sem renunciar às doutrinas católicas o Ato de Supremacia aprovado pelo Parlamento em 11/11/1534, foi certamente o passo mais importante em direção à Reforma Inglesa.

A segunda Bíblia  a receber sanção especial naquele ano foi outra aventura discreta. Conhecida como a Bíblia de Mateus, essa tradução foi realmente feita por John Rogers (1500-1555), o qual usou o pseudônimo de Thomas Matthews, em vista de sua bem conhecida associação com Tyndale. O melhoramento fundamental da Bíblia de Matthews foi a inclusão das obras de Tyndale “escritas no cárcere” – Josué e 2 Crônicas. Com o Pentateuco de Tyndale e o Novo Testamento basicamente intactos, a Bíblia Coverdale preencheu o vácuo, visto como Rogers assegurou alguma assistência das versões francesas de Le Fevre e Olivertan. Como a Bíblia Coverdale, a de Rogers foi também autorizada pelo rei, que tornou legal que a mesma pudesse ser comprada, lida, reimpressa e vendida. Do lado mais claro, a Bíblia de Mateus é algo referido como  “a Bíblia do homem que bate da mulher”, por causa da nota, fora de época, em 1 Pedro 3:1, onde se lê: “Semelhantemente, vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavra”.

Logo depois veio a Grande Bíblia de 1538, nomeada conforme o seu tamanho especial (16” por 11”). Ela era basicamente uma revisão da Bíblia de Mateus feita por Miles Coverdale, com pouca mudança, exceto pela remoção das notas marginais controversas de Rogers. A Grande Bíblia teve a distinção de ser a primeira Bíblia oficialmente autorizada para uso público nas igrejas da Inglaterra, pelo que foi exigido que ela fosse literalmente acorrentada a uma parte do mobiliário da igreja, onde os paroquianos tinham “acesso à mesma para ler”.

Com a obesidade de Henrique forçando-o provavelmente a pensar na eternidade (tendo engordado tanto que precisava ser levantado com roldanas para montar no cavalo), o rei sancionou oficialmente a Grande Bíblia com: “Em nome de Deus, deixe-a partir para o estrangeiro, junto o  nosso povo”. Sem dúvida, Tyndale teria dado uma risada, por razões obvias. Em janeiro de 1547, o próprio Henrique partiu desta terra.

 

Capítulo 9 do livro “Final Authority”, do Dr. William P. Grady, Th.

 

 

23. Erasmo de Roterdã

 

Desiderius Erasmus nasceu em 1466 e faleceu em 1536, com 70 anos de idade. Isso não era de modo algum uma façanha durante os dias em que as pragas, junto com as práticas médicas primevas, concorriam para limitar a média de idade da vida humana a 30-40 anos aproximadamente. Seu melhor retrato foi pintado, por Albrecht Dürer, o grande artista alemão de Nuremberg.

            Seus pais faleceram vítimas da mesma praga, enquanto Erasmo ainda era um jovem. Ele e seu irmão foram então entregues aos cuidados de um  tio, que logo os enviou a um mosteiro para se ver livre deles. Desse modo, o destino de Erasmo foi selado muito antes que ele pudesse dizer algo sobre o assunto.

            O jovem Erasmo tornou-se bem conhecido pelo seu charme, urbanidade e inteligência e possuía um intelecto acima da média. Mais tarde ele optou por se tornar agostiniano pela simples razão de serem conhecidos como possuidores da melhor das bibliotecas.

            Seu comportamento era um tanto bizarro para os padrões agostinianos. Ele se recusava a participar das vigílias, nunca hesitava em comer carne às sextas feiras e embora ordenado, jamais quis exercer a função sacerdotal. A Igreja Romana havia capturado o seu corpo, mas com toda certeza sua mente e coração ainda permaneciam intactos.

            Erasmo ficou conhecido na história como um dos prolíficos escritores de todos os tempos. Foi um oponente verbal constante  dos muitos excessos de sua Igreja. Ele censurava o papado, o sacerdócio e as auto indulgências dos monges, declarando que os monges não tocavam em dinheiro, mas não eram tão escrupulosos com respeito ao vinho e às mulheres. Atacava constantemente o concubinato clerical e a crueldade com que a Igreja Católica Romana tratava os chamados “hereges”. Dizem que ele até salvou um homem da inquisição.

            Um dos seus muitos escritos foi um folheto intitulado “Contra os Bárbaros” dirigido contra a ostensiva maldade da Igreja Católica Romana. Foi um crítico constante do Papa Júlio II (1503-1513) e da monarquia papal. Ele costumava comparar o papa dirigente das cruzadas com Júlio César. Ele é citado como tendo dito: “Como Júlio desempenha bem o papel de Júlio!” Ele também declarou: “Esta monarquia do pontífice romano é a peste da cristandade”. Aconselhava a Igreja a “se livrar da Santa Sé”. Quando apareceu escrita  e circulou anonimamente uma sátira improvisada na qual o papa era retratado como indo para o inferno, a crença comum era de que o autor da mesma fora Erasmo. Foi-lhe oferecido um bispado na esperança de que este silenciaria o seu criticismo, porém ele rejeitou esse flagrante suborno.

            Erasmo publicou cinco edições do Novo Testamento em grego. Elas apareceram sucessivamente em 1516, 1519, 1522, 1527 e 1535. Suas duas primeiras edições não continham o verso de1 João 5:7, embora o registro fosse encontrado em muitos textos não gregos datados de 150 d.C. Erasmo quis incluir o verso, mas sabia do conflito que este provocaria, caso ele o fizesse sem ter  pelo menos um manuscrito grego com autoridade. Depois da publicação de sua segunda  edição do Novo Testamento, a qual consistia,  como a sua primeira, tanto do Novo Testamento  grego como de sua própria tradução latina, ele decidiu incluir 1 João 5:7 em sua próxima edição, se pelo menos um manuscrito grego pudesse ser encontrado contendo este verso. Os oponentes da leitura de hoje afirmam erroneamente que os dois manuscritos encontrados haviam sido especialmente produzidos com o exato propósito de atender a exigência de Erasmo, acusação essa jamais confirmada e nem apoiada no tempo da obra de Erasmo.

A Igreja Católica Romana criticou sua obras por ter ele se recusado a usar a tradução latina de Jerônimo, a qual ele afirmava ser inexata. Ele se opôs à obra de Jerônimo em duas áreas vitais.

            Ele detectou que o texto grego havia sido corrompido no século 4. Ele sabia que a tradução de Jerônimo havia sido baseada apenas no manuscrito alexandrino o Vaticanus, o qual fora escrito no início século 4.

            Ele também divergia de Jerônimo na tradução de certas passagens que eram vitais à autoridade exigida pela Igreja Católica Romana. Jerônimo entregou Mateus 4:17 assim: “fazei penitência, porque está próximo reino dos céus”. Erasmo divergia, traduzindo como: “arrependei-vos porque está próximo o reino dos céus”.

            Erasmo foi também um potente defensor tanto de Marcos 16:9-20, como de João 8:1-21. O zelo com o qual nossos atuais eruditos modernos parecem não se importar.

            Possivelmente, o maior presente de Erasmo à humanidade foi a sua atitude com relação ao homem comum. Numa sociedade rigidamente “classista” em que viveu, ele foi um incansável apologista da entrega da Escritura nas mãos do homem comum. Enquanto a Vulgata Latina de Jerônimo havia sido traduzida sob as ordens da hierarquia romana, Erasmo traduziu a sua Latina com o propósito expresso d colocá-la nas mãos do povo comum do seu tempo. Uma prática que  a Igreja Católica Romana sabia ser perigosa aos seus planos de controlar as massas.

            Erasmo é citado ao dizer: “vocês acham que as Escrituras são destinadas apenas aos perfumados?” ...aventuro-me a pensar que qualquer pessoa que possa ler a minha tradução em casa, dela tirará proveito”. Ele declarava corajosamente que ansiava por ver a Bíblia nas mãos do “fazendeiro, do alfaiate, do viajante e do turco”. Mais tarde, para espanto de seus confrades da classe mais alta, ele acrescentou: “dos maçons, das prostitutas e dos rufiões”, a essa declaração.

            Conhecendo o seu desejo de ver a Bíblia nas mãos do povo comum não parece surpreendente que Deus viesse a usar o seu texto grego como base à Bíblia inglesa que foi traduzida tendo em vista o homem comum, a Bíblia King James.

            Dizem que “Erasmo colocou de pé o ovo que Lutero chocou”. Existe provavelmente muito mais verdade nesta declaração do que se possa casualmente imaginar. Pois os reformadores foram equipados com a Bíblia de Erasmo, seus escritos e sua atitude de resistência à intimidação católica romana. Sobre Lutero ele dizia: “favoreço Lutero o mais que posso, pois minha causa está ligada à dele em toda  parte”. Ele escreveu várias cartas a favor de Lutero sempre concordando de todo o coração com ele em que a salvação era inteiramente pela graça e não pelas obras.

            Mesmo quando pressionado pelos seus superiores, Erasmo recusou-se a denunciar Lutero como herege. Se ele tivesse dirigido o poder de sua pena contra Lutero, provavelmente ter-lhe-ia causado muito mais dano do que as impotentes ameaças que o papa e os seus espíritos malignos foram capazes de causar. Nesse caso, sua única discordância à doutrina de Lutero foi sobre a predestinação, o que o deixou pronto a criticar o reformador com pena e tinta.

            O maior ponto de dissensão de Erasmo  com a Igreja Romana foi sobre a sua doutrina de salvação pelas obras e os dogmas da Igreja. Ele ensinava que a salvação era um assunto pessoal entre o indivíduo e Deus e somente pela fé. Reclamava contra o sistema romano de salvação dizendo: “Aristóteles está tão em voga que dificilmente as igrejas estão tendo tempo de interpretar o evangelho”.

            Qual era o evangelho ao qual Erasmo se referia? Deixemo-lo falar por si mesmo:

            “Nossa esperança é na misericórdia de Deus e nos méritos de Cristo”. Sobre Jesus Cristo ele declarava: “Ele... pregou os nossos pecados na cruz e selou a nossa redenção com o seu sangue”. Ele declarou corajosamente que nenhum rito da Igreja era necessário para a salvação individual. “O  caminho de entrada no paraíso”, dizia ele, “é o caminho do ladrão arrependido, dizendo simplesmente: isto vos será feito”. “O mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”.

            Quanto à seita mais bíblica da época (os Anabatistas), ele dedicava uma grande dose de respeito. Ele mencionou os Anabatistas nos idos de 1523, muito embora fosse ele próprio freqüentemente chamado de “o único Anabatista do século 16”. Ele costumava declarar que os Anabatistas com os quais se identificara se auto denominariam “Batistas”. “Ironicamente Erasmo foi a primeira pessoa a usar o termo fundamentalista”.

Então vemos que, quando Erasmo faleceu, no dia 11/07/1536,  levava uma vida que dificilmente poderia ser apontada como exemplo do que seria chamado de “um bom católico”.

Mas talvez a maior homenagem, embora velada, que a natureza independente de Erasmo recebeu, veio em 1559, vinte e cinco anos após sua morte. Foi quando o Papa Paulo IV colocou os escritos de Erasmo no “Index” de livros proibidos aos católicos romanos. (Como vemos, Erasmo de Rotearam foi um grande “padre” protestante. Infelizmente, hoje quase só encontramos “pastores” que não mais protestam...)

 

Tradução do cap. 57 de “O Livro das Respostas”,

do Dr. Samuel C. Gipp, Th.D.

 

 

24. Convivendo Com  a Dor

 

            Este é o título do livro do Dr. Samuel Gipp, o qual me deixou edificada ao conhecer a vida de um verdadeiro crente e missionário de Jesus Cristo, que abdicou de todas as alegrias do mundo para se concentrar apenas em seu trabalho e nos deveres de um perfeito pai de família.

            Samuel nasceu em Massillon, Ohio, em 1950. Sua família era católica e ele foi criado num ambiente onde não se lia a Bíblia e onde Deus era uma Pessoa lembrada apenas quando acontecia algo desagradável e precisavam invocar o seu nome. Isso é o que naturalmente acontece nos lares católicos, onde se pratica apenas uma religião de fachada, que não nos conduz a Deus nem à salvação de nossas almas.

            Na adolescência Samuel pertencia a uma turma da pesada, que roubava carros, tomava muita bebida alcoólica e praticava pequenos furtos e distúrbios na vizinhança. Samuel era um garoto completamente perdido no turbilhão dos acontecimentos e se sentia infeliz, quando ao deitar-se, em plena madrugada, contemplava sua vida vazia de significado e cheia de perigos. Até que um dia Deus se compadeceu daquele jovem inteligente e decidido, convocando-o para o rebanho do Bom Pastor. Samuel aceitou o convite de um amigo, entrou numa igreja batista e quando o pastor fez o apelo, ele foi à frente e se entregou a Jesus Cristo.

A mudança foi instantânea e radical. Samuel mergulhou nas páginas da Bíblia King James, que leu em menos de 3 meses, e logo foi para o Instituto Bíblico de Pensacola, Flórida, como aluno do Dr. Peter Ruckman, o famoso biblicista americano, que costumava ler 1.000 páginas diariamente e até hoje escreveu mais de 100 livros sobre assuntos bíblicos, sendo conhecido como o maior campeão da Bíblia King James nos Estados Unidos. Samuel dedicou-se inteiramente aos estudos e depois de 3 anos recebeu o diploma de pregador missionário. Nesse tempo já havia se casado com a bela enfermeira Kathaleen Vaugham (Kathy) e precisou arranjar um emprego para sustentar a família. Tiveram três filhos, dois dos quais cantam junto com a mãe, formando um trio evangélico, com Kathy dedilhando a harpa. O mais velho está no seminário.

Samuel conseguiu trabalho na firma construtora de um cristão, que lhe permitiu um horário flexível, conforme suas necessidades de pregador. Ele fazia tudo, inclusive dirigir pesados caminhões lotados de material de construção, e levantava paredes de casas pré-fabricadas. Até que no dia 23/08/73, quando tinha apenas 23 anos de idade, sofreu um grave acidente, caindo de costas no poço da escada do segundo andar,  indo se esborrachar no andar térreo de uma casa em construção. Quebrou várias costelas, abriu uma brecha na nuca e teve duas vértebras cervicais danificadas. Era agora um “missionário de pescoço quebrado”. Em 99% desses casos, a vítima se torna quadriplégica (como no caso do “Super Homem”), mas Deus se compadeceu de Samuel e quis vê-lo de pé num púlpito e não numa cadeira de rodas.  Se Deus é por nós, quem será contra nós?

No dia do acidente, Samuel foi atendido por um médico incompetente, saiu do hospital alguns dias depois, sem ter sido devidamente tratado do dano cervical, e o seu calvário teve início, a partir de então. Depois de 3 meses de sofrimento, com dores agudas, no pescoço e nos braços, ele procurou um Neurologista, foi submetido a uma tração cervical de 10 dias e em seguida foi operado com uma “fusão cervical” e ficou um ano em tratamento fisioterápico, sofrendo dores horríveis, que até hoje ainda o acompanham. Seu pescoço foi consertado, mas já era um pouco tarde e as dores no pescoço, na cabeça e nos braços, acompanhadas muitas vezes de formigamento no braço direito, se tornaram uma constante em sua vida.

Durante esses 27 anos de dor e sofrimento, tendo de usar calor intenso no pescoço, coleiras de amianto aquecidas em forno microondas, ventilador de aquecimento nas costas, banhos de imersão em altas temperaturas, e uma boa quantidade de analgésicos, Samuel jamais faltou a um compromisso nas igrejas onde prega, de domingo a sexta feira, sendo este o seu meio de vida. Mora num trailer com a família, já escreveu cerca de vinte livros e vive louvando e glorificando a Deus porque o tem usado na pregação do evangelho, através do qual já ganhou centenas de almas para o Senhor Jesus Cristo. Escreveu 10 volumes de “Sermões”, um livro autobiográfico (que estou acabando de traduzir e cujo título é “Living With Pain”), dois livros específicos sobre a Bíblia a King James, “An Understandable History of the Bible”  e  “The Answer Book”, este último já traduzido por mim.

O Dr. Samuel C. Gipp, Doutor em Teologia,  me deu plenos direitos autorais sobre os seus livros. Contudo, pediu-me que jamais usufruísse qualquer lucro material com os mesmos, (a não ser o valor normal de uma tradução), pois é isso que ele tem feito ao longo de sua vida cristã, trabalhando por amor à causa de Cristo, sem visar qualquer ganho, tanto que mora num trailer, que dirige todo sábado, viajando de uma igreja para outra. Ele é pobre em dólares, porém milionário na graça de Cristo. Nele se realiza o que Jesus disse a Paulo na 2 Coríntios 12:9-10.

O Dr. Gipp tem convivido com a dor durante esses anos todos, e continua pregando o evangelho, mesmo que durante suas pregações esteja atravessando um turbilhão de dores nevrálgicas no pescoço, na cabeça e no braço direito.  Apegando-se a um lema de vida que fortalece e dignifica o cristão – Filipenses 4:13 – ele tem vencido a maior batalha que um ser humano pode enfrentar – a luta contra a dor intensa e constante que o assalta em todas as horas do seu dia a dia.

Cada apostila do Dr. Samuel Gipp  tem cerca de 65 páginas de ofício A-4, em letra 12 do computador (o equivalente a 100 páginas de um livro comum). Contatos pelo telefax (021) 643-3904 ou pelo E-mail “maryschultze@uol.com.br”

Vale a pema ler a vida e colher os ensinamentos cristãos desse homem de Deus engolfado diariamente na dor, porém vencendo-a através da fé e da certeza de que um dia irá contemplar Jesus face a face, sem qualquer dor ou sofrimento!

 

 

25. A conspiração contra

Marcos 16:9-20

 

No capítulo 5 do seu livro “Autoridade Final”, o Dr. William P. Grady nos dá um bom esclarecimento sobre o “rapto” da passagem escriturística de Marcos 16:9-20 de algumas versões modernas da Bíblia. Vamos dar-lhe a palavra:

 

“Quando uma comparação doutrinária é feita entre Marcos 16:9-20 e o Catolicismo emergente da Alexandria do século 3, um intrigante cenário se apresenta.

Dentre outras perversões, as raízes do Catolicismo Romano podem ser rastreadas a uma extensão não escriturística da ordem mosaica, para além das prescritas fronteiras do Calvário. Com a vanguarda dos teólogos católicos proclamando um divino desligamento do povo escolhido, Roma foi tão  “humilde” a ponto de aceitar o manto caído. Assim, a grande prostituta do Nicolaísmo tem estado sempre repleta de elementos judaicos como: vestimentas sacerdotais, altares, sacrifícios, velas, cânticos e dias santos, etc. O iludido Agostinho (354-430) foi até o extremo de anunciar (através de seu livro “A Cidade de Deus”) que Roma havia sido privilegiada para ter um destaque no reinado milenar (que se tornaria  conhecido como “Era das Trevas”).

Em seus esforços de suplantar o Judaísmo do Velho Testamento, logo os hierarcas católicos demonstraram uma compreensível preferência pelos escritos de Pedro – principal apóstolo das ovelhas perdidas de Israel – contrária aos escritos de Paulo – apóstolo aos gentios, nascido de novo em tempo oportuno.

Por isso, não ficamos surpresos diante da conveniente (embora sem base) teimosia de Roma em afirmar ter sido Pedro o seu primeiro papa. A perpétua imagem dessa antiga rivalidade pode ser vista nas contrastantes catedrais de S. Pedro em Roma e de S. Paulo, em Londres. Para os católicos “que conhecem a verdade”, o “Papa Pedro” representa exatamente um paradoxo: ele era tão pontifício que recusou que lhe beijassem os pés (Atos 10:26), tão infalível que Jesus o chamou de Satanás (Mateus 16:23), tão autocrata que Paulo o censurou na face (Gálatas 2:11) e tão celibatário que tinha uma sogra (Mateus 8:14).

Com a “cátedra de Pedro” firmemente estabelecida em Roma, uma segunda tradição importante foi atribuída ao iletrado pescador da Galiléia. Clemente de Alexandria (150-217 d.C.) promoveu a idéia de que Marcos não era realmente o verdadeiro autor do seu Evangelho, mas, sem dúvida, apenas o amanuense de Pedro.

Em clássico estilo nicolaíta, a forte evidência para a suposta base desse esforço conjunto é a alegorizada frase de Pedro, na 1 Pedro 5:13 (conforme preservada na Bíblia Viva de Keneth Taylor) citada por Eusébio, da seguinte maneira:

Mas Pedro fez menção de Marcos na primeira epístola, o qual diz também ter sido ela composta na mesma cidade de Roma, e que ele mostra este fato, chamando esta cidade, com um apelido não costumeiro, de Babilônia; desse modo, “A vossa co-eleita em Babilônia vos saúda, e meu filho Marcos”. (1 Pedro 5:13b)

Qualquer pessoa pode procurar, inutilmente, uma designação mística desse tipo em todos os dezesseis capítulos da Carta de Paulo aos Romanos, escrita em Antioquia (Atos 13:1). Contudo, com o seu país carente de autógrafos, Clemente ainda tentou construir uma ponte sobre a lacuna de credibilidade ao declarar que Marcos tinha levado o Evangelho de Pedro para Alexandria. Eusébio prossegue:

O mesmo Marcos, dizem também, tendo sido o primeiro enviado ao Egito, proclamou aí o Evangelho que havia escrito e logo estabeleceu igrejas em Alexandria.

Contudo, a completa confiabilidade dessa tradição clementina foi colocada em questão por uma subseqüente descoberta arqueológica. Em 1958, enquanto examinava o antigo Mosteiro Judeu de Mar de Saaba, o Professor Morton Smith, do Departamento de História da Universidade de Columbia, descobriu uma carta escrita por Clemente.

Conforme Clemente, Marcos recusou entregar a mais substancial porção do Evangelho de Pedro ao público geral de Alexandria. Como se fosse para lançá-lo como o patriarca do movimento da “vida mais profunda”, Clemente poderia ter-nos levado a crer que Marcos preservou o seu segundo evangelho para a “elite espiritual” de sua paróquia. Em sua correspondência enviada a Teodoro dos Carpocracianos, notem a sua gravada, mas não registrada síndrome:

Marcos, então, durante a estada de Pedro em Roma, gravou os atos do Senhor, contudo não os registrou a todos, pois não indicou os místicos, mas daquelas instruções secretas selecionou as que achou serem mais úteis para um crescimento da fé.

Após ter Pedro sofrido o martírio, mantendo o seu testemunho, Marcos chegou em Alexandria trazendo suas próprias memórias e as de Pedro. A partir destas, ele copiou em seu primeiro livro as coisas apropriadas para os que estavam fazendo progresso no conhecimento, porém compilou um evangelho mais espiritual para o uso dos que já estavam chegando à perfeição.

Com tanta condução a uma futura aceitabilidade dos manuscritos egípcios, Jerônimo conferiu a Marcos a honra póstuma adicional de ter sido o primeiro bispo de Alexandria. Com este expediente de reafirmação da autoridade petrina (como sendo preservada por Marcos) a cidade capital de Ham atingiu o segundo plano em importância, depois de Roma, como um dos centros de liderança da Cristandade.

Digno de atenção é o fato de que o erudito evangélico F.F. Bruce lançou o seu voto contra esse repugnante complô promocional:

De qualquer maneira, a história de Marcos fundando a Igreja de Alexandria é da mais questionável autenticidade... A descrição de Marcos  como fundador do Cristianismo alexandrino representa uma tentativa de prover a igreja daquela cidade com um pedigree ortodoxo. É também uma tentativa de ligá-la mais intimamente à Igreja de Roma, o pilar e campo da ortodoxia, o  que, incidentalmente lhe deu um status quase apostólico... Pois se a associação de Marcos a Pedro deu autoridade apostólica ao seu evangelho, do mesmo modo iria dar linhagem apostólica à igreja que ele fundou.

Contudo, quando o “departamento de propaganda” de Clemente andou circulando em busca de sua celebrada exigência de fama, logo empalideceu com apenas quatro versos remanescentes. Com toda a sua traiçoeira manipulação de ordenanças judaicas (a qual seria aperfeiçoada na doutrina papista da sucessão apostólica), esses hereges nicolaítas foram eles próprios confrontados por uma passagem que ameaçava expor sua impostura satânica. Como os antigos efraimitas que foram traídos pela sua inabilidade de pronunciar a senha shiboleti (Juizes 2:6), os discípulos de Clemente experimentaram uma idêntica consternação ao descobrir os sinais indicativos de um autêntico ministério apostólico.

 “E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes, e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão” (Marcos 16:17-18).

Visto como o evangelho foi “primeiramente  aos judeus” (Romanos 2:9-10) e porque os judeus “pediam sinais” (1 Coríntios 1:22), os apóstolos foram agraciados com um exclusivo arranjo de sinais sobrenaturais. Tendo antecipado uma resistência satânica através dos arquétipos de Janes  e  Jambres (2 Timóteo 3:8), o Senhor manteve os dele próprio, “... cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém ” (Marcos 16:20).

Como se tudo isso ainda não fosse bastante amedrontador para Clemente, o contexto confirmou que os “crentes” operadores de sinais do verso 17 devem ser os projetados “crentes” do verso 16. Em outras palavras, não apenas podiam os apóstolos produzir esses sinais, mas os seus convertidos pessoais também o podiam.

Exatamente como tantos desses corruptores egípcios da Bíblia faziam, supõe-se que eles tenham confirmado sua “autoridade apostólica” ao produzir pelo menos um destes cinco sinais. Enquanto Paulo podia afirmar aos Coríntios que: “Os sinais do meu apostolado foram manifestados entre vós com toda a paciência, por sinais, prodígios e maravilhas” (2 Coríntios 12:12), a única maravilha produzida pelos aduladores de Clemente foi uma surpresa perante o seu dilema. A terceira solução mostrou uma herética ingenuidade, ao oferecer essa opção de substituição do terminal, conforme exibido na “Velha Latina”, Manuscritos K e outros manuscritos dispersos.  Tendo examinado a premissa de um “judaísmo catolicizado”, note-se mais significativamente a preeminência concedida ao judeu Pedro nesta conclusão apócrifa:

E de qualquer maneira, tudo que havia sido ordenado, eles explicaram resumidamente aos que estavam com Pedro; depois destas coisas, o próprio Jesus apareceu e de leste a oeste enviou por intermédio deles a santa e incorruptível pregação da salvação eterna.

Até aqui, temos visto boa razão para uma antiga hostilidade contra Marcos 16:9-20 pelo sistema católico em desenvolvimento. Contudo, ainda resta considerar uma aplicação do século XX para tal controvérsia. Edward Hills fez a astuta observação de que esta passagem contém a única referência do falar em línguas, feita pelo nosso Salvador.

Não é coincidência que o movimento carismático de hoje tem sido grandemente usado pelo Vaticano para acelerar o processo ecumênico. A presença do falar em línguas no Campus da Universidade Notre Dame é um sinal inicialmente claro de que todos os caminhos levam a Roma.

Quando lemos o que Jesus nos deu com o propósito de legitimar os dons espirituais, entende-se melhor a renovada animosidade contra estes versos. Embora o trono da graça tenha se tornado acessível ao povo de Deus em todas as épocas, a atual ênfase carismática sobre a cura divina é um abuso não escriturístico desse privilégio. Que o autêntico falar em línguas dos dias de Paulo tenha um fim específico é confirmado da maneira mais clara: “havendo línguas, cessarão...” (1 Coríntios 13:8b).

Agora acontece exatamente que a Escritura que mais condena a farsa carismática é encontrada na odiada passagem em questão. Hills cita Marcos 20 como chave para uma apropriada exegese deste texto: “E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém” (Marcos 16:20).

Estes dons de sinais não apenas confirmaram o cumprimento de uma necessidade particular dos judeus que pediam sinais, mas também proveram um endosso de autoridade à pregação dos apóstolos, na ausência de um Novo Testamento concluído. Hills prossegue explicando:

Aqui vemos que o objetivo dos milagres prometidos por nosso Senhor era o de confirmar a pregação da Palavra Divina feita pelos apóstolos. Esses milagres eram sinais que confirmavam a pureza de sua doutrina. Sem dúvida, logo depois, esses sinais cessaram, após a morte dos apóstolos. Hoje não temos necessidade de sinais, visto como temos a posse das Sagradas Escrituras.

Assim, temos visto uma satânica resistência dirigida contra estes doze versos, através da instrumentalidade  carismática católica e evangélica. Esta oposição tem sido tudo, menos um esforço desorganizado. Embora a confusão seja o persistente objetivo do diabo, este nunca tem sido o seu modo de operar (Efésios 6:12).

Em face do seu dilema, os pais alexandrinos eram limitados a três simples alternativas. A problemática passagem poderia ser ignorada ao custo potencial de repetido confronto e embaraço. Com a “bandeja da coleta” na estaca, esta seria a menos popular.

Sua segunda opção teria parecido a mais provável. Com o “longe da vista, longe do coração”, a maneira mais fácil de suprimir as desarrazoadas exigências feitas ao “Bispo Primaz de Alexandria”, seria simplesmente cortar esses versos da Bíblia. E se o corte fosse feito no verso 9, um desvio conveniente poderia ser encontrado nas dificuldades previamente mencionadas que alguns piedosos harmonizadores do Evangelho estavam tendo com a aparente contradição da cronologia de Mateus. Uma raspagem da faca de Jehudi resolveria tudo! (Jeremias 36:23).

Para uma ilustração final quanto à coerência desta perniciosa estratégia, considerem o seguinte ataque duas vezes contundente. Devemos nos lembrar de que a primeira “Bíblia falsificada” sob sanção nacional, a American  Standard Version, chegou em 1901. Dá para imaginar quando surgiram os faladores de línguas?  Conforme o Dicionário de Cristianismo na América, a primeira ocorrência registrada foi em Agnes Ozman, na Escola Bíblica Charles F. Parham, em Topeka, Kansas. A data foi o Dia do Ano Novo de 1901”. Até aqui falou o Dr. William P. Grady.

As bíblias modernas que apresentam os versos finais do Evangelho de Marcos 16:9-20 sempre colocam uma nota de rodapé pondo em dúvida a autenticidade dos mesmos. Contudo, os antigos pais da Igreja confirmam que os primeiros manuscritos do Novo Testamento continham esses versos, embora os apóstatas Westcott e Hort tenham dito o contrário, quando organizaram o seu Texto Grego do Novo Testamento. Mais tarde trataremos da apresentação desses dois apóstatas.

 

 

26. Vasos de Desonra

 

“Ora, numa grande casa  não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra”.

(2 Timóteo 2:20)

De um modo geral, como todas as traduções modernas estão sendo derivadas das teorias textuais de Brooke Foss Westcott e Fenton John Anthony Hort, seria conveniente que o povo examinasse completamente o caráter ministerial destes revisores, à luz da acusação bíblica sobre a impunidade. Até mesmo o Dr. Hort teria concorrido, ao comentar o desempenho de um clérigo que dizia:

            Ele deve ter um desejo de promover simples e diretamente a glória de Deus, daquelas formas que a demonstrem mais claramente... Ele deve não somente agir, mas também dela falar, fazendo com que os homens a conheçam e conscientemente a promovam... Ele não é simplesmente um oficial ou servo de Deus ou trabalhador de Deus, mas Seu embaixador e arauto para falar aos homens sobre o próprio Deus.

            É de alarmar que o crente comum que usa uma tradução inglesa que não seja a Versão Autorizada esteja completamente desinformado sobre os homens que iniciaram a mesma. Este é um item crucial, pois não pode endossar o movimento da Bíblia moderna sem preservar tacitamente uma sanção divina ao Comitê de Revisão original.

            Com o resgate climatérico das Sagradas Escrituras na estaca (conforme a teoria de Westcott e Hort), não seria razoável esperar que estes auto denominados salvadores pudessem ter exibido a mínima conformidade com relação aos versos que eles “camuflaram”? “Ora, numa grande casa  não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor, e preparado para toda a boa obra” (2 Timóteo  2:20-21).

            Tendo lido cuidadosamente, tanto o livro “A Vida e Cartas de Brooke Foss Westcott”, escrito por seu filho Arthur Westcott (1903) como “A Vida e Cartas de Fenton John Anthony Hort”, escrito por seu filho Arthur Fenton Hort (1896), este autor está firmemente convencido de que os célebres professores de Cambridge não eram coisa alguma do que professavam ser. A premissa central deste capítulo é que os Doutores Westcott e Hort eram dois liberais não salvos, cujas claras simpatias pelo Vaticano os transformaram em crias dos jesuítas!

            Pela complexidade desta selecionada coleta da correspondência existente e dos dados biográficos, uma expressão mais importante é deixada sobre o exausto leitor. Apesar da injunção salmodial ao Salmo 107:2: “Digam-nos os remidos do Senhor...” é em vão que se procura, ao longo de quase 1.800 páginas de religiosa verbosidade um simples testemunho de salvação pessoal destes dois homens. O mesmo acontece com a narrativa de conversão de qualquer um dos dois, no que diz respeito a este assunto!

            Embora o primeiro endereço de Westcott em Cambridge fosse “Jesus Lane, 7”,  e os pranteadores de Hort tivessem cantado “Jesus Vive”, durante o seu culto fúnebre, é bastante significativo que o nome pessoal do Salvador foi usado apenas nove vezes nos dois volumes!  Uma inspeção incidental do “George Whitefield Journals” revelou que o nome de Jesus foi usado 36 vezes em 36 páginas (páginas 328 a 364). Tal contraste derramará nova luz sobre as palavras de Jesus em Mateus 12:34-b: “Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca”, o qual, no dia do julgamento falará, conforme Mateus 7:23: “E então lhes direi abertamente: nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”.

O apologista nicolaíta que confrontasse essa avaliação deveria ater-se ao testemunho dAquele que melhor conhecia os sujeitos. Enquanto Arthur Westcott diz que termos como “não agradável”, “irreal” e “místico” eram freqüentemente aplicados ao Senior Westcott, Arthur Hort trouxe a mais embaraçosa evidência de todas. Referindo-se à sua própria avó, Annie (Colletti) Hort, filha de um pregador de Sulffolk, ele escreveu:

Seus sentimentos religiosos eram profundos e fortes. As circunstâncias a haviam levado a tornar-se membro da igreja evangélica... o movimento de Oxford a encheu de horror e ansiedade quanto ao possível efeito sobre o seu filho. Ela era incapaz de penetrar em suas visões teológicas, as quais, para a sua escola e geração, pareciam uma deserção dos antigos caminhos.  Desse modo, muito pateticamente veio a criar-se uma barreira entre mãe e filho. O íntimo intercurso sobre assuntos que tanto tocavam os corações de ambos foi interrompido, para a perda e tristeza de ambos... ela estudava e conhecia bem a sua Bíblia e sua própria vida religiosa era mais cuidadosamente regulada.

            Enquanto Timóteo tinha com a sua mãe e avó um débito de gratidão pela paz escriturística recebida em seus joelhos, esta mais que patética alusão à errônea avaliação de valores de Hort pode ser percebida numa carta escrita à sua mãe, onde se lê:

            Posso assegurar-lhe que não esqueço o quanto devo, tanto a senhora quanto à vovó, por terem me ensinado a amar as plantas e tudo o mais.

            Contudo, para uma evidência mais convincente de todas, por que não deixar que esses réprobos falem por si mesmos? Escrevendo ao bispo Lightfood, Westcott declara:

            Desisto de tornar-me um pesquisador de heresias. Vejo que “The Churchman“ (O Clérigo), louva o cânon como um artigo necessário à biblioteca de um clérigo. É estranho, mas todas as doutrinas questionáveis que já tenho mantido estão nele.

            E como exemplo mais ilustrativo de auto incriminação considerem as palavras de Hort, conforme dirigidas a John Ellerton:

            Possivelmente o Sr. não soube que me tornei capelão examinador do Herald Braune. Só o vi duas ou três vezes em minha vida, nunca na intimidade e fiquei encantado quando ele fez a proposta, nos termos mais cordiais. Escrevi-lhe para avisá-lo que eu não era seguro ou tradicional em minha teologia e que não podia desistir de minha associação com hereges ou semelhantes.

            Com o capítulo XV cobrindo propriamente o Comitê de Revisão, a lembrança deste estudo vai tratar dos próprios revisores e seguirá uma tripla descrição: I – Seu treinamento; II – Sua teologia e III – Seu comportamento tolo.

I – Seu treinamento – Salomão escreveu que: “A glória do jovem é a sua força” (Provérbios 20:29a). Apesar do resgate de Westcott como um garoto de muito boas referências, isoladas para os seus, e das ocasionais aventuras esportivas de Hort, a infância de ambos foi extremamente pacata, para dizer o mínimo. Enquanto as cartas do garoto Hort para o seu irmão mais novo, Arthur (escritas da Rugby Boarding School) eram quase fracos registros de sua mania por flores, Westcott era lembrado por seu cunhado, o reverendo T.M. Middlemore – Wettard, o qual relatou:

            Naqueles velhos dias não posso lembrar-me de que ele tivesse qualquer colega de escola a quem se juntar nos brinquedos de menino. Ele usava o seu lazer para caçar e colecionar filicácias, borboletas e mariposas.

            Se Westcott ainda fosse vivo, ele sem dúvida estaria tomando parte no lobby do “salvem as baleias”, conforme escreveu o seu filho:

            Mais tarde, ele até desaprovava as pescarias do seu pai, porque suas simpatias eram completamente a favor dos peixes. Em certa ocasião, quando ainda era um garoto ele ficou encarregado da cesta de peixes e quando seu pai colocou lá dentro um peixe vivo, ainda se debatendo, muito mais tarde ele costumava declarar que ainda podia sentir os debates daquele peixe contra as suas costas.

            O isolamento insalubre de Westcott conduziu-o a uma miríade de tralhas filosóficas, inclusive ao estudo dos escritos de Joseph Smith. Arthur Westcott confirma:

            Ele adquiriu um interesse estranho... não muito depois daquele tempo, especialmente pelo Mormonismo... lembro-me de suas pesquisas e estudos do livro de Mórmon, lá pelo ano de 1840.

            Contudo, a influência mais insólita que eles mantiveram durante os anos de sua formação e adolescência foi uma introdução ao mundo da ciência. Escrevendo ao pai o jovem Westcott declarou que “o seu passatempo predileto era de ordem científica”. Em resumo, estes dois homens se sentiam atraídos pela vida.

            Em 1847, um Westcott de 22 anos reconhecia a sua incapacidade de crer nos milagres da Bíblia:

            Jamais li uma narrativa de milagre, mas parece que, instintivamente, sinto a sua improbabilidade e descubro uma certa falta de evidência em suas narrativas.

Westcott pagou um alto preço por deixar que o seu intelecto prevalecesse.

19 de outubro de 1845:

Ninguém pode dizer quantas são  as dificuldades que experimento. Pelo menos confio em que sou discipulável e desejo sinceramente encontrar a verdade, mas não concordo em que  aquilo que espero seja verdade, sem que antes me convença.

            31 de agosto de 1947:

            Oh! A fraqueza de minha fé comparada com a dos outros! Tão rebelde, tão céptico eu sou. Não posso me submeter.

            07 de novembro de 1847:

            Ó, Marie, quando escrevi a última palavra, não pude deixar de indagar: o que sou? Posso afirmar que sou um crente?

11 de novembro de 1847:

            Se não me atrevo a comunicar-lhe, às vezes, minhas próprias dúvidas rebeldes, é porque sinto que são  o castigo de minha própria culpa e que não devo compartilhá-las com pessoa alguma.

            [Prosseguem as confidências de Westcott, as quais nos dariam, mais tarde, uma luz sobre as suas verdadeiras convicções “cristãs”]

08 de janeiro de 1848:

            Parece que não tenho inclinação alguma para aprender. Devo descobrir tudo por mim mesmo e, então, fico satisfeito; porém essa fé simples e obediência de que muitos gozam, temo que jamais venham a me pertencer.

            13 de maio de 1849:

            Como uma selvagem crise de descrença parece ter se apossado de todo o meu ser, literalmente, hoje me sinto “sozinho no mundo”... não posso descrever o sentimento com o qual observo centenas – que parecem estar sempre alegres, sempre fiéis e crentes.

            Westcott estava tão perplexo que colocou sua descrença em versos:

            Qual a minha tarefa, ó Senhor?

            Pois ainda, embora o medo e a dúvida

            me oprimam o coração,

            negra dúvida e descrença,

sinto que em tua obra tenho uma parte.

Embora o científico Westcott não pudesse rebaixar-se a ponto de aceitar os milagres da Bíblia, os poderes curativos da “Virgem Maria” eram outra coisa! Um desses episódios mais lúdicos da carreira desse professor aconteceu durante uma excursão de férias à França, cidade de La Salette, perto de Grenoble. Enquanto visitava a fonte sagrada de N.S. de La Salette, Westcott entrou em órbita, particularmente, diante da cura “milagrosa” de uma jovem católica. O espantado turista relatou:

Uma narrativa escrita não pode transportar noção alguma do efeito desse recital. A energia mais ansiosa de um pai, a modesta gratidão da filha, os rápidos olhares dos espectadores, de um para o outro, a calma satisfação do sacerdote, os comentários do veja e comprove, tudo se combinou para formar uma cena que dificilmente poderia se desenrolar no século XIX. Uma era de fé foi restaurada diante de nossa vista, à moda antiga.

Quando Westcott falou sobre a sua intenção de escrever a um jornal sobre o assunto, o prudente Dr. Lightfood dissuadiu o seu colega por essa admissão do milagre, tão potencialmente prejudicial.

(Os eruditos evangélicos de hoje ainda continuam tentando esconder suas armadilhas). Contudo, a fonte curativa de “Nossa Senhora” constituiria apenas uma simples gota na jarra!

Nossos estimados professores de Cambridge também eram conhecidos por lidar com o ocultismo. No  ano de 1851 o Dr. Hort fundou uma sociedade para a investigação e classificação dos espíritos e fenômenos psíquicos em geral. O próprio filho de Westcott descreveu essas práticas como espiritualismo. Conhecido como Guia Espírita por sua membresia, os mais sensíveis cidadãos da sociedade inglesa sarcasticamente se referiam à mesma como o “Clube Bogie” ou “ o Clube do Galo e do Touro”, e sem levar em conta a clara denúncia de tal atividade Westcott escreveu em sua “circular espírita”:

O interesse e importância de uma séria e decidida pesquisa sobre a natureza dos fenômenos, os quais são vagamente chamados “sobrenaturais”, dificilmente poderiam ser questionados. Muitas pessoa acreditam que todas essas misteriosas ocorrências são devidas a causas puramente naturais ou à ilusão da mente e dos sentidos, ou ao engodo voluntário. Porém há muitas outras que acreditam ser possível que  seres de um mundo invisível possam manifestar-se, eles mesmos, a nós, de modo extraordinário, e também são, de outro modo, incapazes de explicar muitos fatos, cuja evidência não pode ser negada. Ambas as partes têm obviamente um interesse comum em desejar que esses casos de suposta agência “sobrenatural” sejam inteiramente examinados. Se a crença dos últimos fosse por fim confirmada, os limites que o conhecimento humano com respeito ao mundo espiritual, tem alcançado poderia ser acertado com uma certa dose de exatidão. Mas em qualquer caso, mesmo que parecesse que obras mórbidas ou irregulares da mente ou sentidos concorreram satisfatoriamente para cada maravilha deste tipo, ainda algum progresso deverá ser feito para acertar as leis que regem o nosso ser, acrescentando, assim, ao nosso precário conhecimento, uma obscura, mas importante província da ciência.

Até aqui, temos de acertar que os homens que Deus levantou para restaurar a Sua Palavra eram “eruditos” demais para crer Nela, mas se maravilhariam diante da água sagrada de “Nossa Senhora”, ao mesmo tempo em que procuravam “seres do mundo invisível”, a ponto de melhorar o seu conhecimento das “leis que regulam o nosso ser”. Agora que  essa é uma história absurda, se alguma vez tal história fosse contada.

Nesse ponto, é relevante para o nosso estudo examinar os professores liberais que, cuidadosamente, regaram as sementes da descrença nos jovens Westcott e Hort. Embora alguns esposassem a filosofia e a poesia, e outros a teologia, a compacta ligação de todos eles era a firme determinação de romanizar a Igreja da Inglaterra. Como já foi mencionado antes, suas atividades se tornaram conhecidas como o Movimento de Oxford.

Arthur Hort aponta o filósofo poeta Samuel Taylor Coleridge como uma das primeiras influências na vida do seu pai, declarando nesse particular “nos dias em que ainda não fora graduado, se não antes, que ele andava segundo os encantamentos de Coleridge”. Segundo o Dr. Gipp o próprio Coleridge, estava sob um ou dois “encantamentos”. Citando a New American Standard Encyclopedia, ele escreve:

A expulsão de Coleridge do colégio, por ser viciado em drogas, é um fato. “O vício do ópio, começou cedo para amortecer as dores do reumatismo e logo se tornou mais forte. Após uma inútil tentativa de se livrara do ópio em Malta e na Itália, Coleridge voltou à Inglaterra em 1806.

A enciclopédia supramencionada descreve a principal obra de Coleridge “Auxílios à Reflexão” com estas palavras:

Seu principal objetivo é harmonizar o Cristianismo formal com a variedade de filosofia transcendental de Coleridge. Ele também  fez muito para apresentar Immanuel Kant e outros filósofos alemães, aos leitores ingleses.  

Basicamente, Coleridge foi o golpe de morte modelar ou intelectual, com o Dicionário de Biografia Nacional declarando:

Coleridge tinha desejos doentios, era um sonhador de grandes esquemas jamais alcançados e desviados, a todo momento, por sua maravilhosa versatilidade em cada trilha por ele palmilhada.

Durante esse mesmo tempo, Westcott se tornara um ávido leitor de outro menestrel apóstata, John Kebler (1792-1866), professor de poesia na Universidade de Oxford. O Dicionário Conciso de Oxford da Igreja Cristã fala sobre Kebler:

Ele teve parte de liderança no Movimento de Oxford, contribuindo com vários dos “Folhetos para os Tempos”. Cooperou intimamente com E. B. Pusey em conservar o “Movimento da Alta Igreja” firmemente conectado com a Igreja da Inglaterra.

Newman escreveu em sua Apologia que Kebler foi o “legítimo e principal autor do Movimento de Oxford”. Westcott idolatrava Kebler e lia sua poesia, quase diariamente. Escrevendo à sua noiva, ele declarou:

Estou mais convencido do que nunca de que Kebler encontrou o mais verdadeiro e nobre objetivo da poesia – acalmar, dispor, sedar e treinar a mente pela simples lição da natureza.

Que tal se ele tivesse encontrado  “calma e disposição” nos Salmos? Pelo tom de seus escritos, Westcott e Hort jamais demonstraram qualquer preferência pela leitura de cunho espiritual. Enquanto Scott, ao morrer, teve bastante juízo para pedir que lhe trouxessem “O Livro”, o último pedido do professor Hort, quando lhe restavam apenas quatro dias de vida foi pedir “Ivanhoe”.

Continuando a seqüência da digressão filosófica de seu pai, o jovem Hort Júnior observou:

De Coleridge a Maurice a passagem foi natural. O ensino de Maurice foi o elemento mais poderoso em seu desenvolvimento religioso, satisfazendo em muito a necessidade que até ali o havia desgostado.

Vocês devem se lembrar do nosso capítulo anterior que diz que o Dr. Frederick Maurice foi o herege juramentado demitido do King´s College por, entre outras coisas, negar a eternidade do castigo futuro. O Dr. Hort confirma que foi Maurice quem nele instilou o amor pelos filósofos gregos homossexuais – Platão e Aristóteles:

Ele me apressou em dar a maior atenção a Platão e Aristóteles e fazer deles o ponto central de minha leitura, deixando os outros livros como subsidiários.

De conformidade, temos a doentia declaração do Dr. Hort para Westcott, de que:

Jamais posso olhar para trás, em minha vida em Cambridge, com suficiente gratidão. Acima de tudo, aquelas horas em que fiquei debruçado sobre Platão e Aristóteles operaram em mim, ore para que jamais desapareçam.

Seus hábitos principais de leitura jamais se tornaram muito melhores. Enquanto o contemporâneo de Westcott, o renomado Charles Haddon Spurgeon, testificava ter lido “O Peregrino”, mais de cem vezes, notamos que o clássico de Bunyan, não é muito, se é que o foi alguma vez, mencionado por Westcott ou Hort. Westcott declara que teve tempo de ler  A Vida , do Dr. Thomas Arnold umas cem vezes.

(O Dr. Arnold foi o Diretor de Hort na Rugby Boarding School).

Em outra carta Westcott relata que leu “Guilherme Tell”, de Schiller, pela  segunda vez, declarando, no parágrafo seguinte: “Jamais li qualquer parte do livro de Foxe”. Embora ele reconhecesse a fama do Livro dos Mártires de Foxe, dizendo: “ele era acorrentado à Bíblia, nas mesas de leitura das igrejas”, os súbitos efeitos da influência de Kebler já haviam levado Westcott a declarar: A Poesia é, a meu ver, milhares de vezes mais verdadeira do que a História”.

Outro herege ecumênico que atraiu a atenção de Westcott foi Arthur Pernhyn Stanley, Deão da Abadia de Westminster (815-1881). Stanley havia feito um esforço sem sucesso para converter a Abadia num santuário nacional de todas as fés. Fora ele quem convidara o erudito unitariano, Dr. Vane Smith, para tomar parte num culto especial de comunhão para inaugurar os trabalhos do Comitê de Revisão da Bíblia King James. O início do diário de Westcott, em 2 de janeiro de 1848, diz: “O sermão de Stanley, sobre S. João, o qual admiro extremamente, ... ainda é chamado de “heresia” em Oxford”.

A admiração de Westcott pelo antes mencionado Edward Pusey foi evidenciada numa carta descrevendo o seu primeiro encontro com o líder do “Movimento de Oxford”:

O Dr. June me apresentou o Dr. Pusey, um dos pouco homens que eu estava ansioso para conhecer... À tardinha, tivemos uma conversa mais séria e fiquei maravilhado com a acuidade e pronto vigor de um homem, que me disseram já ter quase 70 anos, o qual conhece Homero e Horácio melhor do que eu.

Poder-se-ia imaginar que destes muitos velados adversários, um caso isolado como aquele do desertor Newman teria sido além dos limites. Infelizmente, isso não acontecia. Cinco anos depois do ex-anglicano ter-se juntado à organização que tramava a liquidação  total do protestantismo  (1880), o Dr. Westcott saiu para ouvir o que ele tinha a dizer. Escrevendo à sua noiva, ele disse:

Ontem, como eu pretendia, fomos ao Corner Exchange para ouvir o Dr. Newman... Minha curiosidade era intensa, é claro, e a aparência do preletor serviu para aumentá-la. Ele parece mais jovem, mais intelectual, porém muito menos “piedoso” do que eu esperava.

Após declarar que não havia aceito as visões de Newman sobre a Tradição da Igreja, ele faz um comentário de que voltará a visitá-lo em apenas dois anos:

O seu simples poder de retórica é maior do que imaginava. Seu poder de argumentação é menor; sua capacidade de influenciar amplamente o povo inglês, eu acho, é absolutamente nula.

Fiquei admirado de como a “inabilidade” de Newman para influenciar o povo inglês estava começando pelo próprio Westcott, depois de apenas vinte e dois meses. Escrevendo à futura Sra. Westcott, ele confessou:

Hoje peguei “Folhetos para os Tempos” do Dr. Newman. Não me diga que ele vai me prejudicar. Pelo menos hoje ele me tem feito bem, e se você aqui estivesse, eu lhe teria pedido para ler as solenes palavras dele para mim.

Esse ar negligente de invencibilidade espiritual era uma característica desse professor-sabe-tudo. Comentando, em outra parte, a respeito do escritor Carlyle, ele afirmou:

O que você me diz de ter lido Carlyle? Você vai se desesperar? Não acho que eu seja do tipo que se entusiasma demais, embora haja muito nele que eu aprecie. Não é certo aprender até mesmo de um adversário, conforme diz o velho provérbio latino?

E novamente, “mas desde os dias de Cambridge eu tenho lido os escritos de muitos que são chamados místicos, e com o maior proveito”.

Menos de cinco meses depois da segunda carta de Westcott a respeito de Newman, Hort também foi procurar o apóstata. Escrevendo a Westcott, em outubro de 1852, ele declarou: “não posso deixar de condenar fortemente muitas de suas palavras e ações. Mas estas não são Newman; e tudo nele eu simplesmente adoro!

Esta ênfase continuou muito depois de Newman ter sido elevado a Cardeal, em 1879, Hort escrevendo à sua esposa em 1890: “Meu único sentimento pessoal com respeito a Newman sempre tem recebido uma grande parcela de reverência”.

Com tantos simpatizantes do Vaticano afetando os professores de Cambridge, seria inevitável que os seus escritos começassem a exibir um tom de idêntica traição. O resultado da prosa pacifista de Kebler pode ser visto em uma resposta de Westcott a um sermão particular pregado contra o papado:

Quanto às reuniões do Sr. Oldham, acho que não são boas em sua tendência, e nada pode  ser tão ruim como transformá-las em veículos de controvérsia. Que verso maravilhosamente belo é aquele de Kebler: “E não perturba a parentela do seu coração”, etc. Parece que agora perdemos todo o senso de piedade, na amargura e sentimento doentio. A  nossa arma contra Roma não deveria ser a oração em vez de discurso? Os esforços do mais íntimo do nosso coração, em vez de amostras de razão secular?  (Nota da Tradutora: As cinzas de Lutero iriam remexer-se no túmulo, se tivessem escutado esse disparate!)

Em outra parte ele escreve:

Kebler tem publicado, ultimamente, alguns sermões, nos quais, bem como no prefácio sobre “A posição do Clérigo”, temo que ele venha ofender a muitos. De algum modo posso simpatizar com ele.

O dano infligido por Maurice, o qual por sua vez fora afetado por  Newman, é compreensível, a partir do início do diário de Westcott, de 8 de maio de 1846:

Vejam as novas preleções de Maurice, com um prefácio sobre o Desenvolvimento escrito aparentemente com maravilhosa candura e clareza, livre de qualquer amargurada controvérsia. Ele faz uma observação, a qual eu tenho sempre escrito e dito, de que o perigo de nossa Igreja vem do ateísmo e não do Romanismo. Que quadro chocante é aquele por ele citado, de Newman, do presente aspecto da Igreja de Roma - como desprezada, rejeitada e perseguida pela opinião pública.

Como prova da verdade de que “você é o que lê”, a estima de Hort pela sua própria igreja foi diminuindo, à medida em que ele se embebia da autobiografia de Newman:

Newman certamente desperta muitos pensamentos. No momento, dificilmente  cheguei além do sentimento de espanto por ter o privilégio dessa autobiografia... O Anglicanismo embora de modo algum, sem muita firmeza, parece uma coisa pobre e aleijada quando comparada à grandeza de Roma.

Quanto a quaisquer comentários com respeito aos pontífices contemporâneos, o Dr. Hort mencionou dois, Pio IX (1846-1878) e Leão XIII (1878-1903). Em defesa do primeiro, ele indagou:

Pode alguém odiar o pobre papa (que tentou ser um homem italiano) por amor a causa da qual Victor Emmanuel é o sinal visível?

No dia 8 de dezembro de 1854, este “bom italiano” fez a sua nova revelação da “Imaculada Conceição da Bendita Virgem Maria”. Isto significa que, apesar do próprio testemunho de Maria, contradizendo esta ridícula visão (Lucas 1:47), a mãe de Jesus seria, a partir dessa data, conhecida como tendo sido gerada sem o pecado original.

Ele também era tão “piedoso” que em julho de 1870 se declarou infalível!

Pio IX foi sucedido por Leão XIII, o qual mereceu duas observações do Dr. Hort. Numa carta enviada à sua filha mais velha, datada de apenas duas semanas, depois do culto de posse de Leão XIII, ele exclamou:

Mamãe recebeu outro dia uma carta longa e interessante de Sra. Luard, na qual ela me enviou uma foto do novo papa, a qual me deixou muito contente em possuir. Ela e a Sra. Luard tiveram a grande sorte de estar em Roma, nessas últimas semanas. Não poderiam ter estado ali em ocasião mais interessante.

Seis semanas após Hort ter pendurado na parede a foto pontifícia de “Sua Santidade”, este declarou guerra ao conceito de separação da igreja e estado, retoricamente pedindo, em sua primeira encíclica Incrustabili:

Quem negará o serviço da Igreja em trazer a verdade ao povo mergulhado na ignorância e na superstição? ...Quando comparamos as eras em que a Igreja era universalmente reverenciada como mãe com a era atual, não está fora de qualquer dúvida de que a nossa era caminha mais que depressa para o caminho largo da destruição?... Ele (o papado) é com toda a certeza a glória dos supremos pontífices, que se postaram, firmemente, como muros e bastiões, para salvar a sociedade humana de ir de volta à sua antiga superstição e ao seu barbarismo.

Escrevendo de Roma à sua filha mais nova, dez anos depois, um Hort extasiado descrevia a “grande excitação” que ele e a Sra. Hort haviam presenciado, quando o Vaticano anunciou que Leão oficiaria a Missa Especial e daria também audiências. (Que bom!) Lamentando que a notícia de audiência fosse tão curta para ser totalmente compreendida, Hort conseguiu duas entradas para gozar da Missa Pontifícia de gala.

O homem que é creditado pela maioria dos cristãos nascidos de novo como tendo desempenhado um papel importante na restauração da Palavra de Deus, quase quebrou o pescoço, saindo uma hora e meia antes, para ir ver um companheiro ser tratado como um deus, relatando:

A procissão começou a aparecer, e logo apareceu o próprio papa, carregado bem alto numa liteira ou trono, com um enorme fabelo de cada lado. Ele vinha vagarosamente meneando a cabeça dos dois lados e baixando-a, enquanto dava bênçãos, com as mãos.

Quem poderia imaginar Lutero procurando conseguir entrada para um show desse tipo? Ele teria descrito Leão como um “monstro”, em vez de um fã, que havia pendurado a foto desse impostor num quadro.

Para registro, o objetivo principal do herói de Hort era a supressão da liberdade religiosa na América, expandindo a política Standard do Vaticano de que “o Estado deve não apenas zelar pela religião, mas deve reconhecer a verdadeira religião”. Manhattan cita a encíclica de Leão “Catolicidade nos Estados Unidos”, e indaga alarmado:

O que, então, teria acontecido aos principais americanos de liberdade de consciência do indivíduo, de religião, de opinião e de todos os demais aspectos de liberdade, que agora fazem parte integral da vida americana? E de uma esfera particular da sociedade, os religiosos, o que aconteceria se o catolicismo assumisse o poder?

Visto como todas as religiões, exceto o Catolicismo, são “falsas”, não seria permitido perverter os que estão no rebanho da Igreja Católica. Daí que todas as outras denominações religiosas nos Estados Unidos da América serão limitadas e mais tarde até proibida a liberdade religiosa, o que, automaticamente, levaria a Igreja a dominar todos os campos culturais, sociais e finalmente políticos. Isto baseado na doutrina católica de que “nenhum objetivo racional é promovido pela discriminação da falsa doutrina e não há direito algum para concordar com essa prática”. Por que? Simplesmente porque o papa  e o líder dos católicos  declaram que “o erro não tem o mesmo direito que a verdade tem”. (The Vatican Moscow Washington Alliance, ps.342-343)

O estudante cristão comum da História da América não tem idéia de como o antecessor de Leão quase dissolveu a União, durante os anos da Guerra Civil. Para um rápido insight sobre como o Vaticano pode interferir nos governos estrangeiros, considerem o caos incitado por uma simples carta enviada por Pio IX a Jefferson Davis, em 1863:

Respondendo a uma correspondência de Davis, datada de 23/09/1863, a resposta do papa foi formalmente endereçada a “Jefferson Davis, Presidente dos Estados Confederados da América”. Esta sutil saudação deu à Confederação um voto de confiança horrivelmente necessitado da parte de “Sua Santidade”. O que aconteceu em seguida é por demais enervante. Enquanto as taxas de deserção, dos Exércitos Norte apresentavam 16% para os alemães, 0,5% para os americanos naturais, 0,7% para todos os demais, os irlandeses apareciam na altíssima contagem de 72%! 

Manhattan declara:

As cifras acima indicam que entre cada 10.000 irlandeses alistados – quase todos eles católicos – havia 33 vezes mais deserções do que entre todos os outros grupos colocados juntos. O ponto a ser alcançado aqui não é apenas o histórico – de que o Vaticano interveio nas agruras da Guerra Civil America