CONFISSÃO DE PECADOS

 

Peco, pois sou pecadora, / porém só peco de dia,

porque à noite, sonhadora, / fico escrevendo  poesia.

Meu coração foi mudado, / ao pé da cruz e bem vejo:

“pecava por atacado / e agora peco a varejo”.

Vou de pecado em pecado,/ aqui, ali, acolá,

que o mundo é o supermercado, / onde Satanás está.

De Tiago leio a Carta / e minhas obras confiro.

De ser tão má fico farta / e solto um grande suspiro.

Com minha língua louvores, / muitas vezes, canto a Deus.

Mas também proclamo horrores / contra os inimigos meus.

- A nossa língua é veneno - / disse o  irmão de Jesus.

A minha ganha terreno, / pregando os outros na cruz.

Também, diz ele, a cobiça / vive gerando o pecado.

Se eu for dizer toda a missa, / quanto eu tenho cobiçado!

Tenho feito esforço homérico / pra ter uma vida santa,

porém meu gênio colérico / é pior que uma jamanta!

Nesta Olimpíada vou, / correndo em busca da meta,

E sempre mancadas dou, / porque não sei ser atleta.

Mas, mesmo quando vencida / nas tentações, não desisto

E nem serei confundida,/  pois confio em JESUS CRISTO!

 

J. Primavera, 1981

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