A Coroa da Justiça

          Depois de ler o texto de Leandro Bachega, intitulado “O Último Evangélico”, fiquei muito feliz, pois vejo que ainda existem cristãos  sinceros e atentos, que vêem a decadência de nossas igrejas e lutam em palavras e orações pela volta à simplicidade do evangelho de Cristo.

As novidades (em geral embasadas no ocultismo) que aparecem no dia a dia dos cultos celebrados nas igrejas ditas “avivadas”, segundo o autor do artigo, “são espasmos humanos em busca de lugar ao sol da importância universal, iludidos com o pseudo-poder de escolha e prosperidade. Estes novos cristãos são filhos de seu tempo, obcecados pela era da realização financeira. Além disso, barateiam a mensagem de Cristo com práticas absurdas e campanhas ineficazes. Fazem qualquer sacrifício que lhes retorne como status, posição e riqueza. Não enxergam o Cristo que não tinha onde dormir, ou a origem pobre dos apóstolos e suas mortes trágicas em nome da Salvação”.

A maioria dos cristãos “convertidos” nessas igrejas malaquianas são pessoas em busca de remédio fácil para os seus problemas, principalmente o financeiro, pois, quanto mais avançamos na era da tecnologia, de mais dinheiro carecemos, para satisfazer nossas novas “necessidades”, sendo a principal delas estar sempre em lugar de igualdade, e até de superioridade, diante dos nossos amigos e vizinhos.

Lembro-me do dia em que minha filha mais velha chegou ao meu minúsculo apartamento de 50 metros quadrados (impecavelmente limpo e decorado com bom gosto e simplicidade), acompanhada de um parlamentar alemão, seu namorado. Ele examinou tudo com curiosidade e perguntou admirado: “Mary, como é que você, tendo morado numa casa tão grande e bonita como aquela que visitei ontem com sua filha, consegue se acomodar num apartamento tão pequeno e simples como este?”  Respondi simplesmente: “Johannes, lá eu não era feliz e aqui eu sou. Lá eu tinha de pagar salário aos dez empregados do laboratório e da casa. Tinha de pagar mais de mil dólares de impostos todo mês e o que me sobrava eu entregava de dízimo à igreja que freqüentava. Aqui só tenho o suficiente para viver, uso o valor do dízimo para pagar um plano de saúde em favor de minha mãe e, assim, me sinto abençoada por Deus, obedecendo ao quinto mandamento. E quando vendi a empresa, que estava em má situação, dividi tudo com os empregados e as filhas, portanto fiquei pobre e FELIZ!”.

É verdade. Antes eu era uma micro-empresária com escritório na Av. Copacabana, carro do ano e tudo que uma senhora de meia idade poderia desejar. Aqui sou uma velhinha aposentada, com apenas 8 salários para viver, ajudando uma mãe idosa e uma filha mal casada e, mesmo assim, nada me falta, pois sei viver com o que tenho e jamais entrei no cartão de crédito ou dei um cheque sem cobertura.

Agora posso depender de Deus para continuar saudável: física, mental e espiritualmente, e tenho Dele recebido mais essa graça, além da maior de todas, que é a minha salvação eterna. Agora sou mais dependente de Deus, sou submissa às suas determinações e não tenho mais do que me orgulhar, além da cruz de Cristo.

Agora já não preciso me maquilar e vestir bem para ir a congressos internacionais de Cosmetologia, tentando esconder as rugas para dar a impressão de que meus cosméticos tinham o poder de manter as pessoas eternamente jovens.

Agora tenho mais tempo para ler a Palavra Santa e meditar nos seus ensinamentos, a fim de poder andar na contra-mão dos que pregam um falso evangelho. Agora posso levantar a voz contra esses maus pastores evangelicalistas, cujo único objetivo é engordar as suas contas bancárias, aparecendo na TV com ternos de marca e sapatos importados, à custa das ingênuas ovelhas do seu rebanho, pregadores hipócritas, cujo anseio maior é conseguir celebridade, riqueza e poder.

Agora posso seguir os preceitos bíblicos, sem o perigo de cair no que é mencionado na 1 Timóteo 6:10: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”.

Nós, os crentes bíblicos, estamos em fase de extinção, como diz o autor do artigo supra citado, e não somos bem vistos sequer pelos pastores de nossas igrejas, achando alguns que estamos nos metendo onde não somos chamados, quando  não concordamos com eles.

Contudo, na plena “juventude” dos meus quase 75 anos de idade, vou continuar lutando e ansiando pela volta de Jesus, o qual me dará a “coroa da justiça”. E não somente a mim, mas a todos os “leandros bachegas” (e outros corajosos), que anseiam pela Sua Vinda, munidos da coragem de falar a verdade que liberta do engodo religioso.

Mary Schultze, julho 2004

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