O Corvo e o Jarro
Um Corvo estava sucumbindo de sede, quando avistou, do alto de uma árvore, um Jarro. Na esperança de que o jarro contivesse água, o corvo voou até o mesmo, cheio de esperança. Quando o alcançou, descobriu, para sua tristeza, que o Jarro continha tão pouca água em seu interior, que era impossível alcançá-la com o bico. Ainda assim, ele tentou o possível, a fim de alcançar a água que estava dentro do Jarro, mas como o seu bico era curto demais, todo o esforço foi em vão. Por último, ele pegou tantas pedrinhas quantas podia carregar e, uma a uma, colocou-as dentro do jarro. Ao fazer isso, logo o nível da água ficou ao alcance do seu bico, o que lhe salvou a vida.
Moral da História: A necessidade é a mãe de todas as invenções.
Um dos meus filhos espirituais escreveu o seguinte, achando impossível conseguir uma igreja decente onde possa congregar:
Mamie:
Eu queria apenas ser um batista!
O que me incomoda e me aborrece é não poder ser batista - com toda a história, o sangue dos mártires, a responsabilidade e a seriedade intrínseca neste nome - dentro de uma igreja dita batista. Sou obrigado a conviver com práticas pentecostais, totalmente contrárias à Bíblia e à nossa Declaração de Fé. Não posso defender a são doutrina porque isso "iria ofender este ou aquele", especialmente se "estes ou aqueles" forem de uma família influente da igreja. Sou obrigado a tolerar chavões pragmáticos e tolos, tais como "tome posse", "caia por terra", "mova as águas", "derrame a unção", "tem fogo no altar", etc., não podendo me expressar a favor das verdades bíblicas fundamentais, como: a eleição, a graça irresistível, o cessacionismo, a segurança e a certeza da salvação, etc.
Estas doutrinas estão sendo tão renegadas em nossas igrejas, nos dias de hoje! Todas elas foram defendidas e ensinadas, consecutivamente, por Jesus, pelos Seus apóstolos, pelos pais da igreja e por homens como: Spurgeon, Bunyan, Bagby, entre outros.
Sou obrigado a participar de um "culto" emocionalista, centrado no auditório e não mais no púlpito. Um "culto" egocêntrico, onde as pessoas vão para serem servidas e não para servirem; vão para receber e não para dar; vão para pedir - alguns até exigem - e não mais para agradecer; vão para se divertir e não para chorar por seus pecados e se regozijarem com a Graça e a Misericórdia de um DEUS SANTO. [Nessas igrejas batistas avivadas] já não se pode prestar um culto Cristocêntrico, conforme a verdadeira liturgia batista. Sou obrigado a assistir a um show de auditório - aquilo que chamam de “grupo de louvor” – cujos integrantes, ao invés de adoradores, são verdadeiros animadores de festas, manipulando a platéia com frases do tipo "marche", "levante as suas mãos", "olhe para o seu irmão do lado e diga isso e aquilo"! Já não posso adorar o meu DEUS livremente, em espírito e em verdade, com ordem e decência, pois sou considerado uma cara frio, sisudo e nada espiritual.
Sou obrigado a escutar músicas vulgares, sem melodia e sem poesia, repletas de erros de português, porém repletas de heresias. São músicas barulhentas, compostas por "compositores" tidos como "inspirados" e "proféticos" - todos eles “pentecas” [como você os chama] , que num grande esforço criativo (estou sendo irônico) conseguem escrever três linhas repetitivas - quase sempre em tom menor (quem é músico sabe do que estou falando), e um refrão meloso que se repetem até a exaustão, algo como um "mantra evangélico", uma verdadeira lavagem cerebral (no meu caso, estomacal), levando a platéia a um deliro incontido - ou como preferem dizer - ao derramamento da unção ou do Espírito (eu sei muito bem de qual espírito se trata). Já não posso louvar a Deus num culto racional, em pleno controle das minhas emoções e faculdades mentais, sentindo a suavidade musical e refletindo com as belas poesias bíblicas do Cantor Cristão.
Sou obrigado a presenciar "danças proféticas", com as luzes do templo apagadas e os holofotes coloridos acesos, tal qual a um teatro, onde garotas com roupas estranhas dançam uma coreografia desconexa - sempre ao som de músicas pentecostais, com "línguas", "shofar" e outras esquisitices mais - que nada acrescentam ao culto (espiritualmente falando, pois em questão de show só está faltando cobrarem ingressos). O pior é que não posso me abster de bater palmas, em respeito à santidade de DEUS, para não ser considerado retrógrado e anti-social.
Eu gostaria de ser apenas um batista, sem precisar ser diferente dos demais membros da igreja. Gostaria de ser apenas mais um batista, e não "o batista", dentro de uma igreja que se diz batista (pelo menos é o que afirma a placa na entrada).
Para finalizar este desabafo em forma de protesto, gostaria de citar o grande pastor batista e líder do movimento pelos direitos civis dos Estados Unidos, Martin Luther King: "O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons. O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos". As heresias existem hoje, por que o Cristianismo não está sendo suficientemente cristão.
Que este meu “filho”, tão biblicamente esclarecido, faça o mesmo que fez o corvo desta fábula de Esopo: coloque umas pedrinhas dentro do jarro de sua igreja, para que a água da Palavra Santa possa ser alcançada. Como fazê-lo? Divulgando este desabafo dentro da própria igreja, de onde na certa vai ser excluído, após ter plantado, no coração de alguns irmãos, um esclarecimento sobre o mal que está sendo espalhado ali dentro. Pelo visto, os membros dessa igreja (mais malaquiana do que batista), ao contrário do corvo desta história, estão morrendo de sede, por lhes faltar a idéia de jogar algumas pedrinhas dentro desse jarro eclesiástico, exigindo que a água pura da Palavra venha matar a sua sede da verdade.
Mary Schultze
03/05/2008