Cristianismo
Monarquizado
Pr. Renato Vargens
Infelizmente sou obrigado a confessar que tenho ficado impressionado com a
capacidade de alguns dos evangélicos em criar coisas novas. Se não bastasse as
esquisitices doutrinárias comuns a estes dias, nossos arraiais têm sido
tomados pelo súbito aparecimento de estruturas monárquicas. Fiquei surpreso
quando soube que algumas igrejas neste país estavam reconhecendo em seus
líderes, dons e ministérios monárquicos, onde apostolos da modernidade
mediante uma cerimônia suntuosa são coroados ao "santo ministério". Chamou-me
também a atenção o fato de que este tipo de "coroação" vêm incentivando na
igreja brasileira a formação de uma nova escalas de valores, onde claramente
se faz diferenciação de pessoas na comunidade da fé.
Confesso que procurei na bíblia, averigüei em dicionários, pesquisei em
léxicos e não encontrei fundamento teológico pra tal prática.
Isto me fez lembrar de uma estória muito interessante:
“Na terra do faz-de-conta, havia um sujeito que queria porque queria cozinhar
um sapo. Todo dia ele fervia uma chaleira de água, e quando a água estava bem
quente ele pegava o sapo e jogava na panela. Só que o sapo que não era bobo,
pulava fora, até porque, ele sabia que o contato com a água quente o levaria a
morte. Isto durou muitos dias, até que num determinado momento, o sujeito
mudou a estratégia. Em vez de jogar o sapo na água quente, ele colocou o sapo
cautelosamente na panela em água natural e fria. E sem que o bicho o
percebesse acendeu o fogo, a água foi aquecendo, aquecendo, esquentando
devagarzinho, até que finalmente ferveu matando o sapo."
Trago a tona esse pequeno conto para ilustrar o fato de que muitas vezes sem
que percebamos vamos perdendo valores absolutamente saudáveis a nossa fé. Isto
significa que, sem que se dê conta à igreja evangélica brasileira está
cozinhando lentamente nas fogueiras dos achismos e impressões, questões
indispensáveis a nossa saúde espiritual.
Amados, não nos esqueçamos que somos o povo Deus, nação santa, sacerdotes do
Deus vivo. Na perspectiva do reino, todos absolutamente TODOS possuem acesso
ao trono da graça não necessitando assim criar estruturas monárquicas
fundamentadas em experiências muitas das vezes esquizofrênicas e adoecedoras.
Quero ressaltar que para nós cristãos, a essência da igreja resumi-se na
maravilhosa verdade que nos ensina que fomos chamados para fora deste sistema
perverso, ambíguo e separatista, e que agora, independente de classe, cor,
posição social, reunimo-nos TODOS indistintamente em torno do Cristo nosso
Senhor como a comunidade dos santos.
Soli Deo Gloria,
Renato Vargens