A Dispensação Pentecostal

 

 

          Que a atual “dispensação cristã” é o clímax do cumprimento de todos os propósitos e bênçãos divinas sobre a terra é uma heresia pela qual os Pais latinos prepararam a apostasia romanista (Conforme a teologia de Agostinho de Hipona) que se autodenomina “Santa Madre Igreja Católica”. Essa heresia tem permeado de tal maneira a teologia da Cristandade (principalmente nas seitas neopentecostais dos  séculos 20/21) que no meio desse povo “cheio do Espírito Santo”,  todos os julgamentos e ais se destinam exclusivamente aos judeus, enquanto as visões de bem-aventuranças se destinam ao triunfo espiritual da Igreja. Certa vez, numa classe de Escola Dominical, escandalizei o professor e os colegas, quando afirmei, categoricamente, que a igreja protestante/evangélica não é e nunca foi “o Israel de Deus”. Tanto se coloca a presente dispensação como o cumprimento das profecias de bênçãos terrenas, que ela descansa na mais definitiva maneira de ir protelando o seu término. Ninguém mais se apega à “bem-aventurada esperança”,  da qual nos fala Tito 2:13.

          Os propósitos divinos revelados para a terra estão relacionados ao Seu povo terreno e a sua realização aguarda o “final dos tempos dos gentios”, durante cujo poder terreno - transferido de Jerusalém para a Babilônia há 25 séculos -  continua até hoje nas mãos dos gentios. Mas até que sejam consumados “os tempos dos gentios”, o Reino de Cristo não será estabelecido, o que prova a falácia da Teologia do Reconstrucionismo, tão adotada pelos líderes das seitas neopentecostais.  A “Dispensação Pentecostal” (não nos referimos à denominação pseudopentecostal, mas à verdadeira, vigente nos dois primeiros anos após o Pentecostes) poderia ter conduzido o povo de Deus a um grande evento. Mas em razão da constante apostasia de Israel, consumada em sua rejeição ao Messias Jesus Cristo,  essa dispensação entrou em compasso de espera.  O assassinato de Estevão foi a resposta dos importantes líderes judeus à inspirada  proclamação apostólica de uma anistia divina. Estevão foi o mensageiro enviado, como que em nome do rei Herodes, para dizer: “Não queremos que esse homem reine sobre nós”.

          Logo depois, o Apóstolo aos Gentios, que havia sido um dos executores de Estevão,  recebeu a comissão divina e por meio dele foram reveladas as grandes verdades do “mistério” da atual dispensação, verdades que  haviam, até então, sido mantidas em segredo, nenhuma delas tendo sido revelada no Velho Testamento. Elas constituem o “mistério” do Reino da Graça, o qual é, certamente, incompatível com o governo divino da retidão, expressamente declarado no Velho Testamento. O “mistério da Igreja” - o corpo de Cristo, que é uma relação celestial com uma glória celestial - refere-se à época especial da Vinda do Senhor, a qual conduzirá esta dispensação ao seu término. Reconhecer-se com um pecador indigno de salvação; aceitar pela fé o sacrifício de  Cristo na cruz, nEle confiar plenamente e viver uma vida reta por amor do Seu Nome, é tudo que um cristão deve fazer para ficar em paz com Deus (Romanos 5:1) e aguardar confiantemente a Sua gloriosa vinda.

          No final da Dispensação da Graça, a (legítima) Dispensação Pentecostal do início será restaurada.  Seu estágio  inicial incluirá o cumprimento da profecia de Joel mencionada por Pedro em Atos 2:16 e seguintes [E a partir daí, e até a consumação dos tempos dos gentios, não haveria revelações do tipo mencionado em Joel 2:28-32, como tem sido propagado pelos segmentos “pentecostais” da atualidade). Esse retorno à Dispensação Pentecostal será  marcado pelas mais terríveis perseguições que  o povo de Deus jamais terá sofrido na terra (Mateus 24:21,22). Quem aplica o Livro de Mateus aos gentios está perdendo a maravilhosa mensagem que aí existe destinada exclusivamente ao povo de Deus (E quem usa e abusa do Velho Testamento, como os pastores malaquianos, é um incompetente no assunto, quando não um tremendo criador de heresias com o fito de enriquecer à custa dos crentes preguiçosos, que se plantam diante da “deusa TV”, com a mesma devoção dos católicos por “Maria Santíssima”.

          Depois que o Pentecostalismo (o falso) foi criado, começaram os desmandos na igreja do Senhor, com novidades cada vez mais esdrúxulas, como: glossolalia, risos, fanerose, êxtases, violência no louvor, tudo atribuído ao poder do Espírito Santo, quando, na realidade, são apenas expressões carnais, que jamais conduzem à verdadeira piedade.

          Que seja aguardada a volta do legítimo Pentecostalismo, quando, então, já não existirá a Igreja na terra, pois estaremos com Cristo. Nesse tempo, haverá necessidade da profecia de Joel se cumprir cabalmente, conforme aconteceu apenas por um breve período, no nascimento da igreja judaica/cristã].

 

Sir Robert Anderson/Mary Schultze, abril 2005.

Trechos do cap. 8 do livro “The Honour of His Name”.