Um domingo feliz

 

Ontem, 09/09/07,  acordei ainda triste por causa a morte do Pavarotti. Coloquei no aparelho de DVD um CD com músicas cantadas por ele, tomei banho e me preparei para ir à igreja. Como seria ali encenada uma peça infantil e eu já estava meio cansada de festas (desde o dia 07 deste), pensei em não ir à igreja e ficar em casa lendo um bom livro. Só que, segundo William Shakespeare, o hábito é a segunda natureza; por isso, meia hora antes do culto começar, peguei a bolsa e fui à PIBT assistir ao culto matutino.

Deus é muito sábio! Ai de mim, se não tivesse ido à igreja. Quando cheguei ao pátio da mesma, veio me encontrar o pai do meu “neto” Mario Sergio (que reside nos States),  todo eufórico, o qual me disse: “Mary, tem uma pessoa aqui desejando muito conhecer você”.  Era o Aurélio, grande amigo e ex-colega de trabalho do Mario, na Rádio Aleluia. Ele disse que lia meus artigos na “Folha Universal” e Mario falava tanto na “Vó Mary” que ele quis vir a Terê para me encontrar pessoalmente. Conversamos bastante, assistimos ao culto e o pai do Mario fez questão de nos convidar para um almoço num belo clube campestre da cidade.

Como sempre, eu falei demais e a mãe do Mario, de menos. Acho que é por isso que Mario gosta tanto de mim, como avó, para compensar as poucas palavras de sua linda e recatada mãe.

O almoço foi muito bom, com sobremesa deliciosa, sorvete e tudo a que um pecador remido tem direito neste mundo. Conversei muito com o casal Aurélio e Rejane. As filhas Jéssica (adolescente) e a bonequinha, cujo nome esqueci, são lindas, saudáveis e muito simpáticas. Tiramos uma porção de fotos e acabei de receber algumas enviadas pelo Aurélio, mostrando nossas caras de alegres e descontraídos irmãos em Cristo.

A impressão que tive dessa família foi excelente. Sinto que são realmente cristãos nascidos de novo (inclusive a adolescente, que achei muito discreta e ajuizada na maneira de se expressar) e prometem ser grandes pregadoras do legítimo Evangelho de Cristo, pois são pessoas sinceras e desejosas de crescer em santidade.

À tarde vieram minha filha e as duas netas para ficar comigo, e à noite, quando o jantar já estava pronto, deixamos as panelas sobre o fogão e fomos assistir ao culto vespertino na Catedral Metodista, a uma quadra do meu apê. Claro que eu teria preferido um estudo no CPR (mas PP está viajando), ou um culto em nossa PIBT, mas Rose teve a infeliz idéia de preferir uma igreja barulhenta, talvez pensando em se divertir um pouco (Aliás essas igrejas “avivadas” servem exatamente para “avivar” as exigências carnais, distrair as pessoas e esvaziar os bolsos).

O barulho era estrondoso, achei que não iria suportar tamanha avalanche de decibéis em meus ouvidos setuagenários, mas agüentei firme, aguardando a pregação. Primeiro apareceu um pastor ordenando que todos os presentes começassem a profetizar. Rose e eu ficamos quietas, pois não somos profetisas!

Depois veio uma pastora de calças Jeans e blusão colorido, de voz melodiosa, e começou a pregar. Para início, ela mandou que todos abrissem suas Bíblias em Gênesis 26:1-26. E pregou sobre o afortunado Isaque, com os seus poços sendo cavados, depois sendo entulhados pelos inimigos (que ela sempre frisava ser o Diabo), e foi pregando, pregando, deixando bastante claro que “Isaque prosperava porque era fiel no dízimo ao Senhor”. Entendi a jogada, só que ela não descobriu que os crentes não precisam seguir orientação alguma de Isaque para os dias de hoje; que Malaquias e Joel são profetas do Velho Testamento, que nada têm a ver conosco. E como o nome do Diabo foi pronunciado nada menos de 24 vezes e nenhuma vez ela citou o Nome santo do Senhor Jesus Cristo, imagino que ela estaria equivocada sobre o local onde estava pregando: seria uma sinagoga judaica camuflada sob o nome de igreja metodista, a qual "teria sido"  fundada por John Wesley?

Como tradutora do Comentário do Novo Testamento de John Wesley  (1.200 páginas), em 1998, conheço profundamente a sua teologia bíblica; por isso fico chocada, quando entro numa igreja chamada “Metodista”, a qual deveria pregar a teologia de Wesley, mas, em vez disso, prega a teologia da fé/prosperidade, divulgando os falsos ensinos de hereges como Yongi Cho, Benny Hinn, Kenneth Copeland e outros mestres do engodo ocultista. Isso quando não pregam as visões  e a “oração contemplativa” de Richard Foster e “os Propósitos” de Rick Warren, tão letais como os engodos supracitados. Todo pastor que prega o Velho Testamento logo me deixa desconfiada...

Lá pelo final da pregação, Rose teve uma crise de choro, a qual me deixou alarmada!  Tentei consolá-la, sem saber exatamente o motivo de tanta emoção. Quando saímos, ela disse algo que me cortou o coração: “Mãe, a senhora já está perto de ir para o céu... Mas eu? Com apenas 31 anos de idade, se Jesus não voltar logo, vou ter de suportar esse tipo de igreja? Estou começando a perder a minha fé!”... E desabou em pranto.

Essas igrejas “avivadas” só têm valor para distrair os crentes com música barulhenta, palmas e rebolados. Seus “aquecedores de cadeiras plásticas”  ainda estão tomando leite desnatado e não se engasgam com a nata. Mas Rose, mesmo não  sendo uma estudiosa séria da Bíblia - mas apenas leitora dos meus artigos quase diários sobre o assunto - tem a mente cauterizada contra o engodo carismático e sofre ao ver a decadência da igreja atual. Estas são filhas espúrias do ”evangelho quadrangular” de Aimée McPherson, muito diferentes daquela igreja presbiteriana em que Rose foi criada e batizada na fé... Ali não se pregava essa teologia consumista de hoje... Ali o pastor pregava o puro evangelho de Cristo, cantando algum trecho de um belo hino, entre uma e outra pausa na pregação... Que saudade!

Ainda bem que Rose e eu temos a Bíblia, além da nossa PIBT e dos estudos do CPR... Do contrário iríamos morrer de inanição espiritual!!!

Hoje veio trazer meu aluguel uma amiga messiânica. Ela me disse que tem muita vontade de visitar uma igreja evangélica, mas “morre de medo, pois detesta barulho, confusão, petição de dinheiro..."  Esta é a impresão que os incrédulos recebem dos barulhentos carismáticos. Falei que nunca a convidei para ir à nossa PIBT, mas se ela quiser ir comigo, ficarei muito feliz. Demonstrou interesse, prometendo ir assistir ao culto do próximo domingo. Espero que ela veja a exata diferença entre uma igreja séria e uma igreja “avivada”. Quem sabe, ao constatar essa discrepância, ela mande às favas o Mokito Okada e fique de vez com o Senhor Jesus Cristo, o único e todo suficiente Salvador da humanidade? Hoje recebi o aluguel e ainda tive a grande alegria de escutá-la dizer: “Se a sua igreja for séria e correta como você, acho que vou gostar”. A responsabilidade é muito grande... Tenho feito minha parte em matéria de testemunho de vida neste prédio, onde vivo há 9 anos... E estou certa de que o pastor da PIBT vai fazer a parte dele...  E muito melhor doque eu faço!

 

Mary Schultze, 10/09/2007.

http://www.cpr.org.br/Mary.htm

 
 
Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. (1 João 1:9)
...o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. (1 João 1:7)