DONA MARIQUINHA EM PROSA E VERSO
ÍNDICE
Dedicatória
Ponha Cristo Em Sua Agenda
01.D. Mariquinha e o Crucifixo
02.Aventuras de Dadita
03.D. Mariquinha em Berlim
04.Chapeuzinho Vermelho e o Dentista Alemão
05.O Motorista Alemão
06.D. Mariquinha e a Bíblia Fiel
07.D. Mariquinha e o Visitante
08.D. Mariquinha e os Livros
09.D. Mariquinha e Vó Messias
10.Minha Cama Voltou!
11.Sonho ou Pesadelo?
12.O Arrebatamento
13.O Molambo
14.D. Mariquinha e a Mendiga
15.Pelé, Cid e Eu
16.D. Mariquinha e o Poder
17.O Euro e o Colar de Pérolas
18.Aventura em Miami
19.Um Presente de Grego
20.Euro ou Oiro?
21.Wojtyla em Meu Pesadelo
22.Cansei de Teologia
23.A Trovadora Cearense
24.Jerusalém no Gamela
25.A Barata Turista
26.Poema ao Recife
27.Carta em Versos ao Dr. Ivo Pitanguy
28.Viúva em Apuros
29.As Virtudes Teologais
30.D. Mary e Seus Dois Maridos
31.Clonagem
32.Confissão de Pecados
33.Poema da Terceira Idade
34.Perfil de Jesus Cristo
35.Poema para Jesus Cristo
36.Poema Universal
37.Pensando no Senhor
38.Preciso de Um Amigo
39.Salmo Número Um
40.Israel
41.Trovas para os Aposentados
42.Trovas de Setembro
43.Despedida do Apóstolo Paulo
44.Trovas Primaveris
45.Mensagem de Natal
46.O Nome de Jesus
47.Poema ao Espírito Santo
48.Poema ao Senhor
49.Trovas para D. Tabita
50.Inácio de Loyola
51.Trovas para um Hippie
52.Como Posso Esperar?
53.Dados Biográficos
Mary Schultze
Teresópolis, 2002
Dedicatória
Dedico este livrinho a uma Pessoa muito especial,
Jesus Cristo,
que me amou e se entregou por mim,
resgatando-me do lago de fogo.
Dedico-o também à memória do meu marido,
Hans Schultze, falecido em 1982.
A minha mãe, Rosa, que está inválida desde 1998,
mas continua sendo um exemplo de vida para os seus filhos.
À memória de meu pai, Antero Macedo.
À memória de meus três irmãos já falecidos: Rosa, Dária e José.
A meus irmãos ainda vivos: Odete, Savany, Gil e Bernadete.
A minhas duas filhas, Margarete e Rosemary.
A meus cinco netos: Luciana, Gustavo, Marion,
Luísa e Maria Eduarda.
Que Deus me permita viver até os 80 anos,
pois ainda tenho muito o que escrever
sobre a Graça inefável de Jesus
e que um dia eu possa contemplá-Lo
em toda a Sua beleza, na glória celestial.
Mary Schultze, 2002
Ponha Cristo em sua agenda
É nossa vida o resumo
de um belo sonho que passa.
E Jesus é nosso rumo,
se vivemos pela Graça.
Ele é o nosso Caminho,
a Verdade, a Vida, a Luz.
É nosso pão, nosso vinho,
e por nós morreu na cruz!
Grande Deus e Salvador,
Jesus é Senhor, também.
Dedica-nos terno amor
e só quer o nosso bem.
Se quiser viver em paz,
num lugar de eterna luz,
deixe de olhar para trás,
se entregue logo a Jesus.
Tenha fé e se arrependa
de todo mal que já fez.
Ponha Cristo em sua Agenda
e ganhe o céu, de uma vez!
J. Primavera, 1985
1. - D. Mariquinha e o Crucifixo
Antes de se converter ao legítimo evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, aos 48 anos de idade, D. Mariquinha era uma tremenda idólatra e, mais precisamente, uma fanática mariólatra.
Nascida no dia da “Imaculada Conceição”, seus pais a consagraram à “Imaculada” e ainda obrigaram a menina a usar branco e azul até os 18 anos, por causa de uma promessa feita à “Mãe de Deus”.
Mariquinha foi uma menina esperta, que aprendeu a ler em casa, com a ajuda do pai. Aos sete anos de idade lia todos os livros de histórias que o pai lhe trazia da feira semanal, na pequena cidade onde moravam. Sua infância foi ótima, rodeada de flores, frutas e livros de histórias infantis. Os pais não eram ricos, mas tinham um sítio onde as folhas das laranjeiras, bananeiras e mangueiras cantavam lindas canções ao balanço do vento nordestino. E onde os pés de alface e os tomateiros ornavam de verde e vermelho o pequeno jardim da casa.
Mariquinha cresceu forte e saudável, com ótimos dentes fortalecidos pelos roletes de cana que chupava constantemente, dos queijos caseiros que comia nas 3 refeições e recebeu ótima dosagem de vitaminas e sais minerais provenientes das frutas cítricas que saboreava debaixo das árvores carregadas de frutos.
Mariquinha fez o curso primário, depois o segundo grau e quando estava na faixa dos 20 anos apaixonou-se perdidamente ... por um professor, de quem ganhou o primeiro beijo. Sendo católica praticante logo foi confessar o “terrível” pecado ao padre da paróquia de sua cidade. O padre ouviu a confissão, começou a fazer perguntas indiscretas, como por exemplo: “Você já teve relações com esse homem?” E quando ela negou, o padre insistiu: “Ele já fez algum carinho especial em você?” Ao que a moça, escandalizada, respondeu que não. E por aí a fora. Quando o padre lhe deu uma penitência de apenas 10 “ave-marias” e um “padre nosso”, Mariquinha ficou inconformada e pensou: “Meu Deus, eu cometi um pecado tão grave e esse padre só me deu essa ínfima penitência!” E resolveu, de livre e espontânea vontade, fazer uma “via sacra”, a fim de compensar o que ela imaginava ser um monstruoso pecado. Já se achava condenada ao inferno por causa daquele “pecado mortal”, pois desconhecia Romanos 6:23 e tantas outras citações bíblicas que nos dão paz ao coração.
À noite, quando tentou fazer as orações diárias, ainda se sentia culpada demais e resolveu escrever um poema de amor para aquele homem, de quem recebera o primeiro beijo e que, infelizmente, estava noivo de outra moça. O poema dizia assim:
No meu quarto pequeno e solitário, /que recende a jasmim,/ guardo eu três relíquias: um rosário, /um Cristo de marfim e um caderno de versos./ Todas as noites, antes de deitar-me,/ apanho o meu rosário/ para rezar ao Cristo sofredor,/ mas os meus pensamentos vão, dispersos, /procurar emoções, longe dali./Reagindo, contemplo a imagem / de quem sofreu por mim. E tento concentrar meus pensamentos /no Cristo Redentor./ Mas Seu divino olhar sereno e eterno / faz-me lembrar de ti./Largo o rosário, apanho o meu caderno, /sentindo n´alma um jato de fervor./ E começo a escrever sobre o meu leito/ um poema dizendo que te espero./E se tu não vieres, meu amor, / em poucos anos estará desfeito/ de minha mocidade o esplendor. /E então somente eu amarei o Cristo, /porque por Ele o meu amor é puro, /divinizado, eterno e grandioso,/ e Ele está aqui!
Se aquele padre conhecesse bem a verdadeira teologia do Novo Testamento, teria poupado muitas horas de insônia e complexo de culpa a Mariquinha. Se ele tivesse ensinado à moça que ela deveria confessar o seu pecado diretamente a Deus, e não a homem algum, que ela aceitasse Jesus Cristo como seu único, total e suficiente Salvador e Juiz absoluto de vida, teria poupado muita depressão e tristeza ao coração daquela jovem enganada pelos sofismas de Roma. Mariquinha, como a maioria dos católicos, não conhecia as passagens de 1 João 1:9 e 7-b: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça... E o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” .
Deus conhece o coração de cada ser humano. Quando Ele vê pureza e desejo de agradá-Lo, depressa promove um meio de reconciliação e conduz a pessoa ao aprisco do verdadeiro Pastor. E foi assim que Mariquinha, anos mais tarde, depois de ter sofrido muito na teia aracnídea da escravidão romana, libertou-se e “foi transportada para o reino do Filho do amor de Deus” (Colossenses 1:13) para usufruir uma vida reta, diante de Deus e dos homens. Não por medo do inferno, mas por amor Àquele que a resgatou do pecado, da mentira religiosa... enfim, do engodo satânico das religiões legalistas.
Teresópolis, outubro 2000
Trovas do Disquete:
De tudo Jesus é o centro,
meu caro amigo carteiro.
Vai um disquete aqui dentro,
faça-o chegar inteiro.
A segurança é meu lema,
sou muito desconfiada.
E para evitar problema
mando a carta registrada!
Trova do dia:
Se dizem que - um elefante
faz versos - eu acredito,
mas que existe homem constante,
digo: é mentira. E repito!
2. - Aventuras de Dadita
(Em Berlim e Wüstenbrand)
Apesar de ter nascido no nordeste brasileiro, Dadita herdou a pele e os cabelos claros dos seus antepassados portugueses e holandeses. Casou-se com um alemão de Berlim e virou alemã, de tal maneira que ninguém poderia descobrir a sua origem nordestina, a não ser pelo sotaque.
Já na terceira idade, ela resolveu aproveitar a carona moral da filha mais velha, que reside na Alemanha Oriental, e viajou com esta e a neta Marion para a terra natal do falecido esposo. Seu objetivo principal, além de consultar um Cardiologista, era fazer pesquisa religiosa a respeito de Martinho Lutero e da Reforma Protestante.
Sua aventura começou na Serra de Teresópolis e Estrada Rio-Petrópolis, onde pegaram um engarrafamento de mais de duas horas, tendo chegado ao Aeroporto, 15 minutos antes do avião decolar rumo a Madri, onde ficariam por vinte e quatro horas. A viagem foi tranqüila até a Espanha e desembarcaram ao meio dia (hora de Madri) no Aeroporto Barajas, indo se hospedar no Hotel Arosa, pertinho da Plaza de España. Depois de um lanche rápido numa cafeteria, as três mulheres foram visitar o Museu do Prado – Palácio Real – e lá ficaram até às dezessete horas, quando reabriria o comércio, após a siesta madrileña. No Museu, Dadita ficou muito impressionada com o teto dos salões principais do palácio, todos pintados a ouro e tintas não perecíveis, decorados em alto relevo, de maneira que ela não tem palavras para expressar tamanha beleza. Mas ficou imaginando que se os vassalos dos papas (os reis da Espanha) podiam gozar de tanto luxo, como seriam, então, as residências dos altos prelados?... Aproveitou para comprar um irresistível colar de pérolas de Mayorca, duas cópias de pintores espanhóis e um livro Santos Y Pecadores – La Historia de Los Papas – de Eaman Duffy, ficando com apenas dois dólares de troco.
No dia seguinte, no Aeroporto Barajas aconteceu um incidente desagradável. A neta Marion teve uma hemorragia nasal e foi levada às pressas ao pronto socorro do aeroporto. Felizmente o vôo atrasou duas horas e meia e assim puderam embarcar a tempo para Berlim. Lá chegando, no Aeroporto de Tegel, havia um casal de primos aguardando-as, porém sem carro, por causa de um pequeno acidente. Dadita ficou muito preocupada porque ninguém lhe pediu o passaporte para conferir sua entrada, o que mais tarde foi esclarecido; é que ela havia embarcado na Espanha, que estava dentro da União Européia. Quando pisou o chão berlinense, depois de trinta e dois anos, ficou muito emocionada porque esta é a cidade natal dos dois alemães que ela tem amado a vida inteira: seu marido Hans e o teólogo luterano Dietrich Bonhoeffer, ambos falecidos. O marido morreu de um enfarte em 1982. O teólogo foi assassinado por Hitler em 1944. O pecado do marido foi abusar de cerveja e salsicha. O de Bonhoeffer foi pregar o evangelho de Cristo, durante o regime nazista. Bonhoeffer ficou dois anos na prisão, de onde escreveu cartas de amor à família, à noiva e aos irmãos em Cristo, antes de ser executado a mando de Hitler, como Paulo o fora, quase dois mil anos antes, a mando de Nero.
De Tegel as mulheres foram de ônibus para a Friedrich Platz. O ônibus tinha assentos de veludo estampado e Dadita ficou fazendo comparações com os assentos dos ônibus de Juiz de Fora, Teresópolis e Duque de Caxias. Dali tomaram um U-Bahn (metrô) para Rostock e dali outro para Lichtenberg, de onde tomaram um trem interestadual para Dresden e de lá, um carro até Wüstenbrand, onde finalmente chegaram salvas, quarenta e oito horas após terem saído do Rio. Uma pizza com cocacola foi o jantar improvisado que tiveram, o típico e preferido, tanto no primeiro como no terceiro mundo.
Quando desceu do ônibus em Berlim, Dadita quase foi presa por furto. É que na entrada da estação do primeiro trem para Lichtenberg, ela viu uma banca de frutas e sobre a mesma, uma quantidade enorme de cerejas bem vermelhinhas. Ficou com água na boca, foi até lá, fez sinal para o vendedor de frutas, pegou uma cereja e colocou na boca. Aí se lembrou que a filha e a neta haviam descido antes dela, apavorou-se e ia sair depressa, quando o vendedor olhou-a de cara feia e disse que ela estava lhe devendo a compra mínima de meio quilo de cerejas. Ela ia discutir com o sujeito, no melhor alemão possível, quando ele lhe apontou uma dupla de “Cosma e Damiana”, ou seja, duas mulheres bem fortes, com cerca de 1,80m de altura, que estavam conversando ali perto. Ficou nervosa e sacou da bolsa seus últimos dois dólares para liquidar o “prejuízo”, tendo que levar meio quilo de cerejas. Quando foi pagar, o moço usou a máquina de calcular e disse que eram seis marcos, ou seja 3,5 dólares. Ela se apavorou mas, de repente, viu a prima Carla chegando à sua procura. Esta pagou os seis marcos alemães e as duas foram saindo na maior pressa, quando o vendedor, muito feliz com o desfecho do incidente, chamou Dadita e ofereceu-lhe uma cereja de brinde, a qual ela jogou com raiva em cima dele, falando o único palavrão que aprendera, há mais de quarenta anos, com o marido luterano, e se foi, com medo das duas policiais.
Em Wüstenbrand, a 15 quilômetros de Chemnitz, a cidade Karl Marx, onde há uma Universidade e um Shopping Center enorme, Dadita se hospedou com a filha que ali reside há cerca de dois anos. A temperatura média aqui é de 30º nesta época; o sol nasce às seis horas da manhã e se põe às nove da noite, o que faz com que os dias sejam muito longos e produtivos. Depois da pizza foram dormir e quando ela se ofereceu para lavar a louça, a filha disse que colocaria tudo na máquina de lavar e quando esta ficasse cheia, seria tudo lavado. Na Alemanha a água custa em média 12 marcos por metro cúbico e a economia é tão grande que alguns alemães deixam até de escovar os dentes! Ao saber disso Dadita ficou de mau humor. É que ela tem mania de ordem e limpeza. Limpeza encontrou. Ordem mais ou menos. E o que mais a deixou preocupada foi o problema do lixo, que aqui tem sete latões diferentes, para 1. Papel sanitário, 2. lixo seco não deteriorável, 3. papel e papelão, 4. plásticos, 5. tecidos, 6. vidros, 7. Pilhas e congêneres. Diante de tanto luxo e complicação em matéria de lixo, a turista desejou voltar correndo para o Brasil, mas se conteve, quando pensou na necessidade de preservar o meio ambiente num país pequeno como a Alemanha.
Ao despertar, no dia seguinte, estranhando o som da campainha do telefone, Dadita ficou meio desnorteada, achando que ainda estava em Teresópolis, e levantou sonolenta. Era a filha desejando saber se ela estava bem. Estava! Os netos tinham ido à escola, a filha, à firma onde trabalha como secretária, e ela ficara sozinha naquele apartamento enorme, cheio de modernidades assustadoras. Para gravar a sigla da firma onde a filha trabalha – que é RBL - Dadita traduziu-a como Rabo do Boi Louco. Mais tarde, ela resolveu fazer um café e se deu mal. O fogão é elétrico. Ligou o forno para esquentar um sanduíche de queijo e ao levantar-se apoiou a mão esquerda na chapa, que por pouco não virou um churrasco de avó. A dor foi terrível, Dadita correu atrás de um creme Nívea líquido e a queimadura melhorou bastante. Desistiu da cozinha e foi ligar a TV Schneider, de 24 polegadas. Mas a bichinha continuou muda e despida de qualquer imagem. Desistiu da TV e ligou o aparelho de som Awa, para ouvir alguns Cds de música clássica, mas cadê som, meu Deus? Antes de tentar o som, ela fizera uma pesquisa nos discos dos netos e ficara horrorizada. Na “cedeteca” dos netos só encontrou rock e música sertaneja da pior qualidade! Se o avô alemão visse uma barbaridade dessas morreria de decepção com a sua descendência, pois também só gostava de música erudita.
Depois de tanto fracasso, em plena manhã de quarta-feira, Dadita teve uma idéia brilhante. Subiu até o andar superior do apartamento e procurou consolo no computador do neto. Só que não conseguiu grande progresso na digitação de uma carta, pois todos os dados estavam em alemão. Ela é boa no idioma de Shakespeare, mas péssima no idioma de Goethe, por isso ficou boiando atrás de informações. Conseguiu algumas vitórias, menos encontrar o til, o trema, que já vem acoplado às vogais, e o rabinho do cedilha. Então desistiu e ficou lendo o livro dos papas, que pela primeira vez na vida lhe pereceram muito simpáticos! Mas como Deus é bom demais, naquela noite de uma quarta-feira tão desastrosa, Dadita recebeu um telefonema do editor, informando que o seu oitavo livro já estava pronto para ser lançado em todo o Brasil. Ela ficou feliz e agradecida a Deus pela vida de um grande amigo, que achou por bem publicar o livro, depois de quatorze anos, desde que foi publicado o último.
Na quinta-feira, Dadita saiu a passeio com a neta de vinte anos. Andaram nada menos de três quilômetros a pé, até a estação de trem em Wüstenbrand, de onde seguiram para Chemnitz (500 mil almas). E de lá para Linbach (100.000 almas) onde visitaram a firma em que trabalha a filha mais velha. Quando a fome apertou, as duas excursionistas almoçaram na cantina da firma, pedindo o único prato disponível: repolho roxo com batata cozida e filé de frango empanado. Dali iam regressando pelo mesmo caminho, quando o bom Deus providenciou encontro com um amigo comum e ele veio trazê-las de carro em casa. Este amigo é tão apaixonado pelo Brasil que nos visita cada ano, e em Petrópolis sempre se encontra com o Teólogo Leonardo Boff, de quem é fã ardoroso. Já está de passagem marcada para julho, junto com a filha.
Na sexta-feira, Dadita fez uma boa faxina no apartamento, junto com a neta mais velha, e quando a filha voltou do trabalho quase chorou de alegria, agradecendo o tempo inteiro. No sábado, Dadita já estava craque em matéria de modernidades, pois já havia escutado música, passado a ferro, cozinhado e feito uma porção de serviço doméstico. Limpar vidraças na Alemanha é moleza! Os produtos são tão bons, que tudo é feito rapidamente e nem se nota, principalmente quando o som está tocando uma seleção de clássicos. Houve momento em que Dadita, muito feliz em poder ser útil, pensou: será que no céu a gente vai ficar à toa? Espero que não, pois não consigo parar de trabalhar... Se pelo menos lá houver uma boa faculdade de Teologia, então vou me realizar...
No sábado a filha foi trabalhar noutro emprego – como Veterinária – sua verdadeira profissão. Quando voltou à noite, estava enjoada porque tivera de cuidar de dois bichinhos muito especiais, cujas proprietárias eram meio histéricas. Um deles, um rato de estimação, no qual ela tivera de dar uma injeção com o maior cuidado, pois a dona do bicho estava olhando-a com uma cara de “olha lá como trata o meu filho”, e a moça não se pode dar ao luxo de perder esse emprego, pois o aluguel aqui é caro demais. O outro “cliente” era uma raposa de estimação, do tipo conhecido como “Martha”.
No Domingo, Dadita acordou toda eufórica porque ia conhecer a igreja do bairro, que é igual a todas as demais no interior da Alemanha. Chegou na hora exata do início do culto matinal e notou que na entrada do templo existe um cemitério muito bem cuidado e todo florido. Também viu uma imagem de Cristo parecida com aquela da catedral dos Mórmons em Utah. Ficou no andar térreo e notou as seguintes diferenças em relação à sua igreja no Brasil: 1. O púlpito fica a cerca de cinco metros de altura, é todo branco e ouro, um luxo. 2. Tem um altar igual aos das igrejas católicas. 3. Tem um crucifixo diante do qual todas as orações são feitas. 4. A pastora abençoa com os dedos levantados exatamente como o papa, e fazendo o sinal da cruz. 5. Ela se veste com uma toga negra igualzinha à dos padres de antigamente. 6. Os hinos cantados são todos dos séculos 13 a 18, ou seja, hinos gregorianos adaptados à Reforma. 7. Existem imagens de Maria e outros santos (uma de São João Batista, do século 18), nas paredes e as lâmpadas são todas em forma de velas.
Segundo informação do neto, que levou Dadita à igreja, ela se coloca numa posição de superioridade em relação aos fiéis, exatamente como o padres católicos. Durante o sermão, do qual Dadita só entendeu 10%, o nome de Jesus foi pronunciado 20 vezes, o de Maria 5 vezes e a expressão “ação de graças” nada menos de 10 vezes, o que deu a impressão de que o assunto do mesmo era agradecer sempre a Deus por todas as bênçãos recebidas diariamente, etc. Após o culto, Dadita resolveu procurar a tal senhora. Ela só fala dois idiomas: alemão e russo, o que tornou a conversa difícil. Além do mais, estava muito ocupada, pois era um dia especial, de condecoração das pessoas (todas nascidas entre os anos 09 e 34 deste século), que sofreram perseguição durante o regime comunista, as quais se mantiveram fiéis ao Senhor Jesus. Contudo, ela foi tão gentil e se mostrou tão interessada ao ler o cartão de Dadita que imediatamente a convidou para um chá em sua residência, no dia seguinte. Dadita aceitou.
Na segunda feira, a turista se levantou. depois que todos já haviam saído. Tomou uma xícara de café, comeu alguns biscoitos e ligou o som para ouvir algumas músicas de natal pela Orquestra Sinfônica de Xangai. O café da Alemanha é um porre. É mais fraco do que chá mate, e tem gosto de cebola podre, mas mesmo assim a gente tem de tomar para se sentir viva. Com a temperatura de 30º, que incomoda mais do que 40º no Rio, as pernas, os dedos e o rosto das brasileiras ficam inchados e doloridos e os de Dadita ficaram assim também, o que a tem deixado bastante cansada e debilitada. A única vantagem é que as rugas desaparecem um pouco por causa da inchação. As alemãs de setenta anos não têm uma única ruga no rosto e isso deixa Dadita em tremenda desvantagem em relação às mulheres de sua idade que são gordas, mas têm o rosto muito jovial.
Às duas da tarde, Dadita foi fazer a entrevista com a pastora Helga Feigel, que prega há nada menos que 25 anos na igrejinha do bairro. Lá chegou Dadita com 15 minutos de atraso, porque se perdeu no caminho, embora a casa fique a poucos metros do apartamento da filha. É que ela tomou um caminho mais longo para não ter de passar dentro de uma estrebaria e sujar a sandália nova, que ela comprou na Alemanha e depois viu que era "made in Brazil". A pastora a recebeu com um largo sorriso. Estava descalça, usando uma saia verde toda manchada e enrugada e um blusão amarelo, acho que desejando homenagear a bandeira brasileira. A palestra foi muito cordial, uma boa salada de inglês e alemão, regada a chá preto sem açúcar. Quando Dadita viu que não ia conseguir engolir aquele chá amargo pediu açúcar e recebeu três tabletes, que quase adoçaram o chá, que ela sorveu até 2/3 da caneca, a fim de não deixar má impressão. Em vez de falar de religião, já que a pastora tem cara de liberal, a "teóloga brasileira" preferiu falar sobre a entrevistada. Ficou sabendo que ela nasceu em Bonn, tem 51 anos de idade, dos quais 25 como pastora em Wüstenbrand. Estudou teologia na Universidade Karl Marx, em Leipzig (hoje Lepziger Universität), de 1967 a 1972. Agora vejam que teologia ela deve ter aprendido num regime comunista ateu.
O povo alemão costuma dizer que o lado oriental é terceiro mundo, enquanto o ocidental é primeiro mundo. É verdade. Embora quase tudo aqui seja fantasticamente avançado, quando comparado ao lado ocidental a diferença é enorme. No lado oriental, muitas vezes, tem-se a impressão de estar num subúrbio do Rio, com pontas de cigarro e lixo espalhados pelo chão, coisa impossível de se encontrar no lado ocidental. As mulheres são gordas, mal vestidas e têm os cabelos ensebados, talvez pela má qualidade e escassez da água, que é reaproveitada e meio salobra, sem falar no preço da mesma. O detergente mais usado na cozinha e no banheiro é um que não precisa de enxágüe. Será que isso não vai dar câncer nas pessoas, depois de alguns anos de uso?
Dadita gostaria de ficar na Alemanha! Pelo menos não correria o risco de ser seqüestrada no Brasil, nem ter os seus órgãos “negociados” no hospital por algum enfermeiro ambicioso. Os hospitais são tão limpos e luxuosos como um hotel cinco estrelas. Dá até vontade da pessoa ficar doente. Mas Terê é a melhor cidade do mundo e Dadita só vai sair de lá para o céu.
Berlim, junho 1999.
3. - D. Mariquinha em Berlim
D. Mariquinha (D.M.) tomou um avião da Ibéria no Aeroporto Tom Jobim, RJ, e viajou para Berlim, via Madri. Pretendia visitar a família, fazer compras com a filha mais velha, cozinhar alguns pratos especiais para os netos e consultar alguns livros na Biblioteca de Berlim (Stadt Bibliothek), a respeito das mutretagens dos ímpios Pios XI e XII, os dois “armadores” da II Guerra Mundial.
O vôo Rio/Madri, com a duração de nove horas, foi tranqüilo, exceto pelo viajante da poltrona vizinha. Era um suíço alto e louro, chamado Antônio, que falava alemão e italiano, tentando conquistar uma jovem belga que sentava na poltrona atrás dele. D. M. agüentou o tal suíço durante sete horas, até que descobriu uma poltrona vazia na fila ao lado, examinou o passageiro e mudou-se para lá.
O passageiro tinha aspecto oriental, era tranqüilo e D. M. deu-lhe um sorriso, antes de pedir licença (em Inglês) para sentar ao seu lado. O moço concordou com um sorriso tímido e um aceno de cabeça, e quando D.M. quis explicar-lhe (em Inglês) o motivo da mudança, ele disse que não falava esta língua. Por incrível que pareça, ele falou em português e D.M. alegrou-se, perguntando se ele era brasileiro e de qual região. Ele respondeu que era de uma cidade do Ceará, perto da cidade natal de D. M. e atualmente residindo no Rio de Janeiro. O papo durou duas horas, desceram juntos e ficaram conversando no Aeroporto Barajas, em Madri.
O moço se chama Efraim e ia a Madri expor suas esculturas em madeira, numa exposição internacional de artes. No aeroporto madrileno ele se encontrou com um repórter do Jornal O Globo que ia cobrir a referida exposição. O que tinha o cearense de gentil e humilde, o tal repórter da Globo tinha de pernóstico e orgulhoso. Ao saber que a cearense escreve na “Folha Universal”, ele passou a tratá-la com o maior desprezo, como se ela fosse um inseto nojento. Enquanto o repórter e o cearense aguardavam os amigos que deveriam buscá-los para o hotel, em Madri, D.M. pediu licença e andou uns 500 metros em direção ao portão de embarque que lhe fora designado, e ficou sentada durante mais de duas horas, lendo um livro, enquanto aguardava o vôo para Berlim.
Chegando ao Aeroporto Tegel, em Berlim, D.M. teve uma recepção inesperada. Logo que a porta da aeronave se abriu ela deparou-se com a recepcionista Doreen, da Ibéria, dando-lhe boas vindas com uma bela corbeille de flores enviada pela neta Luciana, e tomou-lhe das mãos a maleta de viagem.
D.M. saiu desfilando pelo aeroporto e em seguida a recepcionista apanhou o restante da bagagem e foram encontrar a família de D.M. Ao passar por uma obesa senhora de vestido longo azul rei contrastando com os cabelos vermelhos, D.M. foi apontada com estas palavras: “ela deve ser uma passageira VIP”. O caso é que esse tipo de recepção é dado somente aos VIPs ou deficientes idosos, o que não é o caso de D.M. que, apesar dos 71 anos, ainda pesa 50 quilos, tem uma saúde de ferro, anda correndo e fala à beça! De um certo modo aquela senhora acertou, pois D.M. é realmente uma VIP no reino de Deus, visto como trabalha para o Rei Jesus.
Lá fora, estavam aguardando-a: a filha, os primos berlinenses, e por acaso, um jornalista presbiteriano chamado Carlos Klein, residente em Londrina, PR, o qual estava regressando ao Brasil, depois de ter feito a cobertura de um congresso do Concílio Mundial de Igrejas, em Lausanne, Suíça. Ele havia acabado de conhecer Luciana e com ela se entrosara, ali mesmo no aeroporto.
A reunião de família em Tegel foi um momento de glória para D.M., com Efésios 3:20,21 mais uma vez se realizando em sua vida de crente no Senhor Jesus Cristo.
“Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém”.
Linbach Oberfronhna, fevereiro de 2001
4. - Chapeuzinho Vermelho
e o Dentista Alemão
Sempre que algo ruim está para acontecer a D. Mariquinha (D.M.), o Senhor Jesus Cristo lhe proporciona um momento de glória, como que preparando-a para uma breve provação. Esse momento glorioso lhe havia sido proporcionado no Aeroporto Tegel, em Berlim.
Na madrugada do seu terceiro dia de estada na Alemanha, D.M. acordou com uma terrível dor de dente. Ficou apavorada e pensou em acordar a filha, mas logo desistiu, lembrando-se que esta se levanta diariamente às cinco horas da manhã, mesmo sob uma temperatura de até 20 graus negativos. Leva os filhos à escola e às sete horas chega ao local de trabalho. D.M. procurou um analgésico nas gavetas dos móveis da sala, da cozinha e do banheiro, porém nada encontrou. Em um dos armários ela viu algumas garrafas de vinho e, dentre estas, uma de champanhe, cujo título era “Rot Käppchen” (Chapeuzinho Vermelho). Ela pensou em sorver todo o conteúdo da garrafa, apagar de vez e, assim, esquecer a dor de dente.
Contudo, a Palavra de Deus veio logo à sua mente, conforme Provérbios 20:1: “O vinho é escarnecedor, a bebida forte alvoraçadora; e todo aquele que neles errar nunca será sábio”. Também Efésios 5:18: “E não vos embriagueis com vinho em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito” (ACF). Em vez de desobedecer Efésios 5:18, resolveu ficar em Efésios 5:17, que diz:” Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor”.
D.M. examinou bem a garrafa. Analisou o conteúdo da mesma e lembrou-se que o pecado sempre começa com a apresentação do fruto proibido, como aconteceu com Eva, no paraíso. Em seguida vem a apreciação do mesmo, depois vem o debate entre a consciência bíblica do cristão e a consciência secular moldada pela TV. Ela avaliou a situação, ou melhor, o problema: Tese=dor. Antítese=fé e finalmente, a síntese=coragem. Guardou a garrafa e no desespero da dor, coçou violentamente a cabeça, quebrando uma unha. Foi ao banheiro e procurou uma lixa. Dentro da bolsinha de manicure estava uma cartela de analgésico e o anti-inflamatório (Cataflan), que ela tomou bem depressa. Adormeceu, logo em seguida, e só despertou, lá pelas sete horas da manhã, com a voz da filha chamando a neta menor para entrar no carro.
Deus havia permitido a tentação, para que D.M., usando o livre arbítrio, fizesse a avaliação, vindo em seguida o debate e, por fim a VITÓRIA!
Durante aquelas horas de dor, D.M. lembrou-se de sua secretária M.P., que tem passado por algumas crises de sofrimento, porém sempre tem pautado sua vida pela santa, pura e infalível Palavra de Deus, valendo-se de Romanos 8:28.
Ó, Eva, por que você não foi mais esperta, obedecendo a Palavra de Deus? Teria evitado tanta dor aos seus filhos!
Conforme o relato acima, depois de duas noites e um dia de forte dor e jejum forçado, D.M. resolveu procurar um dentista, o que fez em companhia do neto Gustavo e da neta Marion. Marcaram antecipadamente a consulta por telefone e foram atendidos pontualmente pelo dentista J. Anderson. Este examinou o dente infeccionado e disse que o dentista brasileiro havia deixado parte do canal sem tratamento. O dente estava condenado e precisava ser extraído com urgência. Ao saber que a extração custaria 100 marcos alemães, D.M. concordou, pois estava com 116,76 marcos na carteira e algumas notas de 100 dólares.
O dentista levou 35 minutos entre a picada da anestesia e a extração do dente. Enquanto isso, uma bela enfermeira loura de olhos azuis acariciava o rosto da cliente, dizendo palavras de ternura. O dente foi extraído em seis partes, pois havia se quebrado. Eram mais alguns pedaços de D.M. que iam para o lixo alemão de produtos biológicos.
Na hora do pagamento aconteceu uma tragicomédia. De cem marcos o preço havia subido para 151,76, porque o dente havia se fragmentado e a extração fora mais complicada, além do preço do Raios-X. Na hora do pagamento, D.M. colocou sobre o balcão da clínica odontológica os 116,76 marcos alemães que possuía e pediu um empréstimo ao neto. Este entregou-lhe todo o seu dinheiro e o total da apuração foi 145,76 marcos. D.M. perguntou se poderia pagar em dólar e puxou uma nota de U$100, apresentando-a ao cirurgião dentista. Ele disse que não tinha troco em dólar, então a cliente sugeriu que ele desse o troco em marcos. Por mais estranho que pareça esse filho de Karl Marx, criado no regime comunista, não concordou. E tiveram de ir ao banco mais próximo, que de próximo nada tinha, e, por falta de amor ao próximo da parte daquele próximo candidato ao inferno, o recibo só foi entregue à cliente, quando esta pagou os seis marcos que faltavam. Chegando em casa, D.M. foi depressa tomar o anti-inflamatório (Made in Brazil), pois o doutor cirurgião já havia avisado de antemão que qualquer problema futuro iria custar mais algumas dezenas de marcos.
Este é o país ideal para o Anticristo começar a governar o mundo – com toda injustiça e iniqüidade! (2 Tessalonicenses 2:3,4).
Hitler foi o último Anticristo e é provável que o próximo “666” saia daqui mesmo. Quando se chega em Berlim, sente-se um pavor inexplicável em relação ao futuro do planeta. Desta cidade partiram todas as ordens mortíferas do monstruoso Füehrer alemão, o qual foi entronizado, apoiado e abençoado “apostolicamente”, por Pio XII, com justiça cognominado “O Papa de Hitler” pelo escritor católico, John Cornwell. Hitler matou 60 milhões de pessoas através da II Guerra Mundial, inclusive 6 milhões de judeus inocentes e 1 milhão de sérvios ortodoxos. “Sua Santidade” jamais poderia excomungá-lo da Igreja, visto como a Concordata assinada entre o seu antecessor, Pio XI, e Hitler, dava a este carta branca para assassinar quantos milhões de pessoas quisesse. Ach, Du, mein Gött!
Linbach Oberfrohna, fevereiro de 2001
5. - O Motorista Alemão
D. Mariquinha (D.M.) desceu do trem que vai de Dresden até Berlim, cidade estado, onde pretendia fazer uma pesquisa sobre os ímpios Pios XI e XII, responsáveis diretos pela ascensão de Mussolini (Itália), Hitler (Alemanha), Dollfuss (Áustria) e Pavelic (Croácia) ao poder, antes da declaração da II Guerra Mundial.
Olhou em volta procurando um taxi e logo apareceu um senhor de meia idade, todo sorridente, oferecendo-se como taxista. Ela entregou-lhe a maleta de viagem e deu-lhe o endereço do primo, onde ficaria hospedada por três dias. O motorista logo puxou conversa (coisa rara na Alemanha), indagando se a passageira era húngara, como ele supunha, em razão do sotaque. Ela explicou que é brasileira e reside no Rio de Janeiro, acrescentando que gostaria de falar em Inglês, caso ele entendesse essa língua. O motorista concordou, dizendo que falava Alemão, Inglês, Francês e Russo, o que deixou D.M. envergonhada. Conversaram durante todo o trajeto e resumi o diálogo como segue:
Motorista – Ah! A Sra. é do Brasil! Lamento não saber falar o Espanhol, mas sei que a capital do Brasil já não é mais o Rio de Janeiro. É Brasília, uma cidade muito moderna e funcional. Mesmo assim, o Rio continua sendo a capital do futebol e do Carnaval, não é verdade?
D.M. – A língua do Brasil não é o Espanhol, mas o Português. A capital é Brasília, o Sr. fala um Inglês excelente e estou muito feliz em poder conversar com um berlinense, pois meu marido nasceu e cresceu nesta cidade.
Motorista – O Inglês é bem mais fácil do que o Alemão. Não tem gramática e basta que se memorizem 2.000 palavras, inclusive os verbos irregulares, para que se tenha capacidade de entabular uma boa conversação.
No Inglês temos o artigo “The” , que substitui os artigos “Der, Die e Das” no Alemão. O pronome pessoal “you” vale para “Du, Sie e Er” no Alemão. Mas o pior são as declinações herdadas do Grego e do Latim. Sem falar nas palavras quilométricas. Existem palavras no Alemão que deixam o estrangeiro maluco, como esta, por exemplo: “Bewölkerungsdichte”, que em Inglês é “population density” (densidade demográfica). Já a expressão “Declaration of Independence” (Declaração de Independência) no Alemão dá “Unabhangigkeitserklärung” , que deixa o estrangeiro engasgado! Enquanto no Inglês se diz “perception” (percepção), no Alemão temos a palavra “Scharfsichtigkeit”, sem falar na expressão “health insurance” (seguro de saúde) que no Alemão dá “krankenversicherung”, e por aí a fora.
D.M. – Acho que os alemães tomam tanta cerveja, a fim de poder engolir esses “palavrões”, hem? Você crê em Deus?
Motorista - Creio em Deus e também na Trindade. Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus, conforme disse o eunuco de Atos 8:37, e que Ele veio ao mundo para salvar todos os pecadores ... inclusive os alemães!!!
D.M. – Ótimo! Qual é a sua Igreja?
Motorista - Nenhuma. Não freqüento denominação tipo Luterana, Metodista e outras desse gênero, porque elas se aliaram ao Catolicismo Romano, que Lutero odiava... E acabaram se tornando monótonas e infrutíferas! Minha religião está aqui, dentro deste Livro.
Ao dizer isso, ele retirou do porta luvas do carro uma velha Bíblia de Lutero, de couro preto, bastante manuseada. Como D.M. já descobriu, há muitos anos, que os alemães, inclusive os pastores, não crêem na divindade de Cristo, ficou tão emocionada que tomou o Livro nas mãos, apertou-o de encontro ao peito, e começou a chorar de alegria.
Motorista - A Sra. está chorando! Será que falei alguma bobagem?
D.M. – Não! Você falou uma coisa linda! Minha religião também é a Bíblia e o meu Pastor é Jesus Cristo. É verdade que freqüento uma igreja evangélica, simplesmente para obedecer os mandamentos de Hebreus 10:25 e 13:17, que dizem: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros... Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles, porque velam por vossas almas...”
Quase todas as religiões, e principalmente as seitas heréticas, levam os seus crentes para o inferno. O Catolicismo Romano, por exemplo, faz-se passar por uma religião cristã, mas não é. Os sacerdotes católicos logo aprendem nos seminários uma porção de matérias anti-bíblicas alicerçadas na filosofia pagã, e quando pegam a “Vulgata Latina”, que por si já é uma Bíblia deturpada, estão condicionados a não crer nas verdades fundamentais da Bíblia e nem que ela é a legítima Palavra de Deus, mas simplesmente um livro histórico, etc. Isso é fundamental para a Igreja de Roma, que exige lealdade absoluta à sua hierarquia, embora não ao Senhor Jesus Cristo.
A única religião verdadeira está pautada na Bíblia de Lutero, na Bíblia de Genebra, (a antiga) e na Versão Autorizada de 1611, a King James Bible. Estas produziram os frutos da Reforma Protestante e Jesus disse que pelos frutos é que se conheceria a árvore... Nenhum sacerdote católico, que seja padre, bispo, cardeal ou papa, crê na Trindade, na divindade, no nascimento virginal, na morte vicária, na ressurreição e ascensão do Senhor Jesus Cristo, e afirmam crer apenas para engodar os membros de sua Igreja e auferir lucros. Os dogmas papais – como o purgatório - dão um lucro assombroso!!!
Motorista – Concordo plenamente. A Sra. lê essa Bíblia de Lutero?
D.M. – Minhas Bíblias favoritas são a “King James” (em Inglês) e a “Almeida Fiel” (em Português). Infelizmente, temos uma quantidade enorme de “bíblias” no Brasil, copiadas da “American Standard Version”, da “New American Standard Version”, e de outras edições americanas, que já estão bastante corrompidas. Tenho coluna em jornais evangélicos e me dedico ao estudo deste assunto.
Motorista – Minha irmã em Cristo e minha amiga! Chegamos ao final de nossa corrida. Por favor, não fale em me pagar, pois já ganhei o meu dia. Conversar com uma brasileira bíblica para mim foi o melhor presente, neste Novo Ano de 2001.
Despediu-se, foi embora acenando calorosamente e deixou D.M. com uma tremenda sensação de perda. Ele lhe havia presenteado com uma corrida no valor de 100 marcos alemães, mas lhe havia roubado o coração! O que a consolou foram os seus versículos amados: Romanos 8:28 e Filipenses 2:10-11. E também a certeza de que em breve eles irão se encontrar no céu, cantando louvores ao Senhor Jesus Cristo, o Rei dos reis e Senhor dos senhores!
Berlim, março de 2001.
6. - D. Mariquinha e a Bíblia FIEL
Trajano era um homem dedicado exclusivamente aos três ídolos deste país: futebol, macumba e carnaval. Desde garoto conhecia todos os ídolos do futebol, freqüentava os terreiros de macumba mais próximos de sua casa e na época do carnaval costumava desfilar na escola de samba favorita. Quando completou 50 anos, exatamente na véspera do novo milênio, Trajano, desistiu de assistir a queima de fogos na Praia de Copacabana, preferindo ir a uma Igreja evangélica, a fim de assistir o culto da passagem de ano, em companhia do vizinho. E como Deus é bom demais, o pastor fez uma preleção bonita sobre a necessidade da conversão a Jesus Cristo, o Espírito Santo tocou o coração de Trajano e ele entregou-se a Jesus Cristo. Sua conversão foi tão verdadeira que no dia seguinte ele foi à casa do vizinho e pediu-lhe uma Bíblia emprestada. Começou a ler o Novo Testamento e se entusiasmou de tal maneira que decidiu comprar uma Bíblia, no primeiro dia útil do novo ano, e assim fez.... Só que...
Trajano entrou em certa livraria “evangélica” para comprar uma Bíblia. A vendedora, que pouco entendia do assunto, mostrou-lhe várias versões do Livro e quando ele pediu que o aconselhasse a respeito da melhor versão, ela disse que não sabia e que seria melhor ele perguntar ao pastor da igreja onde havia se convertido.
Trajano foi procurar o pastor, no meio da semana, no culto de oração. Desejava informar-se sobre qual a Bíblia que deveria comprar. O pastor disse que a “mais clara” em matéria de linguagem era aquela versão Almeida usada pelos intelectuais, tão apreciada que até os mórmons, bem como os adventistas costumam usá-la. Mas seria bom que ele comprasse, também, a Bíblia numa linguagem quotidiana, que usa palavras comuns, oferecendo, desse modo, uma leitura bem mais agradável.
Trajano comprou as duas e foi para casa todo contente. À noite veio visitá-lo, D. Mariquinha, amiga íntima da família. A velhinha, muito versada em assuntos bíblicos, ficou radiante ao saber da conversão de Trajano. E também ficou muito curiosa para saber quais as versões recomendadas pelo pastor de Trajano.
Quando ele lhe apresentou a Bíblia dos intelectuais, D. Mariquinha tomou um susto. Será que o pastor é realmente fã dessa Bíblia, da qual todos os falsos cristãos gostam? Mas quando ele lhe apresentou aquela em linguagem meio hippie, a velhinha quase teve uma parada respiratória. Será que o pastor de Trajano não sabe que essa Bíblia deletou versos como Atos 8:37, e torceu a 1 João 5:6-7, a fim de negar a divindade de Cristo? Será que ele não sabe que algumas das verdades mais importantes do Cristianismo, como o nascimento virginal, a ressurreição e a ascensão de Jesus aos céus (Marcos 16:9-20, por exemplo) são colocadas entre colchetes, para em seguida o leitor ler que esses versos não se encontram nos originais mais antigos? Será que ele não sabe que esses “originais mais antigos” são exatamente os códigos Vaticanus e Sinaíticus, de propriedade do Vaticano, que não valem coisa alguma, e são mais falsos do que os políticos brasileiros? Será que esse pastor prega sermões bonitos, mas ignora coisas tão básicas, como a necessidade do novo crente ler uma Bíblia séria, a fim de não se confundir com essas Bíblias modernas, corrompidas pela ganância dos editores?
D. Mariquinha ficou revoltada e, depois de ter dado algumas informações necessárias a Trajano – coisa que seria obrigação do pastor - convidou o “bebê em Cristo” para ir até a livraria onde havia comprado as Bíblias, onde ela iria conversar com o dono. Lá chegando, explicou calmamente ao tal comerciante de Bíblias que aquelas duas versões não eram exatamente umas "brastemps" e pediu-lhe que trocasse as duas Bíblias vendidas a Trajano por uma Almeida FIEL, que é a melhor de todas as versões em Português.
O comerciante - que de cristão só tem o nome - ficou aborrecido, disse que a culpa era do pastor, que ignorava o assunto, e que ele ali estava para vender e não para escolher versão alguma, pois vendia qualquer tipo de Bíblia, inclusive as católicas. D. Mariquinha olhou firmemente para ele e falou: “Tudo bem. O Sr. é como Simão, o mágico, o qual propôs a Pedro comprar os dons do Espírito Santo. Aliás, até pior do que ele porque está vendendo “bíblias” que não foram ditadas pelo Espírito Santo, ou melhor, até foram, mas já estão completamente enlameadas pelo texto grego de Westcott e Hort e, portanto, só apresentam 80% de verdade, sendo o resto, puro platonismo... E quem lê essas bíblias modernas corre o risco de se transformar em um “novaerense”, mesmo dentro da comunidade evangélica. Ao ver tanta contradição em cada “bíblia” que lê, o cristão acaba se confundindo e não mais acreditando na divindade de Cristo, na reparação através da cruz, e em Sua Ressurreição, verdade básicas do Cristianismo.
O dono da livraria, ficou receoso da verbosidade da velhinha e foi procurar uma Bíblia FIEL no estoque. E, é claro, não encontrou. Ficou meio sem jeito, gaguejando e dizendo que iria tentar conseguir um exemplar na livraria de um colega, etc. D. Mariquinha exigiu que ele devolvesse o dinheiro que Trajano havia pago pelas duas Bíblias modernas, recebeu-o de volta e foi com o novo cristão até a livraria do Sr. Elpídio, onde ela sabia que iria encontrar uma Bíblia FIEL.
Seu Elpídio vende "Bíblias" de todo tipo, mas no meio delas, graças a Deus, também vende a FIEL. D. Mariquinha comprou um exemplar desta e disse a Trajano que ele não precisava possuir duas Bíblias diferentes, pois uma Bíblia FIEL vale mais que 100 Bíblias infiéis, das quais as Igrejas estão locupletadas!
Trajano pediu que D. Mariquinha o orientasse no “Caminho”, já que o pastor havia provado ser incompetente no assunto. E toda semana ela tem ido à casa de Trajano, o qual tem aprendido muita coisa importante com a Palavra de Deus. E como tem um bom capital aplicado no Bradesco, para a hora da aposentadoria, diz ele que vai comprar uma loja no centro da cidade para abrir uma livraria realmente evangélica e lá vender somente a Bíblia FIEL e a Corrigida de Almeida, pois estas, sendo ainda do tempo em que os batistas eram realmente fiéis à sã doutrina, são 100% garantidas. As demais são... resto. E qual o destino dos restos?
Teresópolis, 2001
7. - D. Mariquinha e o Visitante
D. Mariquinha estava sentada na sala, aguardando o melhor horário noturno para se ligar na Internet, quando, de repente, apareceu-lhe na frente um sujeito esquisito, trajando camisa branca, calça preta e uma capa vermelha, a qual quase lhe cobria os hirsutos pés de cabra.
A velhinha ficou surpresa, mas não perdeu a pose e foi logo indagando, sem dar tempo do visitante responder.
1. Como foi que você entrou aqui, se a porta está trancada?
2. Você veio fazer propaganda do Flamengo, pra ver se eu compro alguma ação desse clube? Pois, fique sabendo que eu detesto futebol!
3. Ou você pensa que ainda estamos no carnaval dos 500 anos?
O visitante olhou para ela com uma cara de deboche e respondeu:
1. Entrei pela porta fechada porque tenho um corpo imaterial, isto é, sou um “espírito de luz” e não me detenho diante de obstáculos materiais.
2. Torço pelo Flamengo, sim, porque, graças à idolatria dos “flamenguistas”, tenho levado muita gente para o meu reino infernal. O bom do futebol é que ele impede, até mesmo os crentes, de olhar para o meu “Inimigo Maior”, aquele que morreu na cruz por esse bando de ingratos, que agora são 6 bilhões e nem dão bola pra ele!
3. O carnaval dos 500 anos até que me agradou. Primeiro foi aquela violência tremenda praticada no local dos festejos, contra índios e trabalhadores, coisa que me deu um frenesi de alegria. Depois foi a idolatria dos festejos, inclusive a “missa” do dia 26, na qual os padres diziam estar invocando o meu ‘Inimigo Maior’, mas na realidade estavam me prestando um culto idolátrico, exatamente como na época do descobrimento. Porque ‘missa’, é comigo mesmo! Você deve se lembrar que a tal de “Carta aos Hebreus”, que aquele enxerido do John Wesley garantia ter sido escrita pelo ‘traidor’ Paulo de Tarso, condena a ‘missa’, mas eu simplesmente adoro esse tipo de ‘sacrifício’, porque ele repete ‘mesmo de mentirinha’, e por ganância financeira, o sacrifício do meu ‘Inimigo Maior’, com a desculpa de ser ‘incruento’, e isso me alegra demais. Esses meus servidores romanos fazem tudo errado com respeito à tal da Bíblia, mas me agradam muito e por isso é que tenho dado à Igreja deles a maior fortuna do globo. Pio XII, meu “filho” predileto, já está morando comigo há 42 anos. Ah! Como temos nos divertido juntos!
Nesse ponto, D. Mariquinha já estava enjoada do cheiro de jasmim misturado com enxofre, que emanava do visitante e pediu-lhe, gentilmente, que se retirasse da sala, pois tinha muito o que fazer.
O visitante disse que iria ficar ali o tempo que desejasse, pois estava com a velhinha pelo “gogó”, porque ela andava mexendo muito com os “amiguinhos” dele, isto é, os pastores kakangélicos, que estão fazendo um belíssimo trabalho, ensinando as pessoas a cair de costas, andar de quatro nos cultos, urrar como leão, latir como cachorro, dar estrondosas gargalhadas e até vomitar em nome do “espírito santo”, que não é outro senão ele mesmo. Disse que a velhinha se cuidasse porque ele iria mandar-lhe uma porção de projéteis violentos, através da Internet e de alguns pastores da cidade. E completou: “Você foi considerada ‘persona non grata’ no ‘Capeta’, porque muitos dos meus ‘amiguinhos’, que lá estão, morrem de medo de sua língua de trapo, sabia? Por que não fica vendo TV e fazendo crochê, como as velhinhas da sua idade e me deixa em paz, hem, sua ‘alemã falsificada? ’ Outro aviso. Deixe essa mania de mexer com a “minha igreja” favorita, que há 16 séculos vem me servindo fielmente. Não foi à toa que dei aos papas idéias maravilhosas como a ‘Doação de Constantino’, os ‘Decretos de Isidoro’, as ‘Aparições de Maria’, o purgatório, a infalibilidade papal, etc. Enquanto a Igreja deles enriquece com essas lorotas, eu vou enriquecendo o meu reino de almas, o que se torna uma permuta ‘do outro mundo’!
Ah! Já ia me esquecendo de um detalhe importante: viu aquela cena do ‘pedido de perdão’ que a minha igreja fez (hoje) diante dos índios e negros? Elementar, minha “inimiga”! Ela anda conforme os meus ditames e quando dei a idéia daquela cena de “contrição” foi para que ela escondesse as suas verdadeiras intenções quanto ao futuro, quando estiver no comando mundial! Aí o pau vai comer pesado contra todos os hereges. Legal, hem?”
D. Mariquinha respondeu-lhe que não tinha medo dele, nem dos seus hierarcas favoritos, nem dos pastores kakangélicos. E que só teme “cair nas mãos do Deus vivo, que é Fogo Consumidor”. E acrescentou: “Visitante, você parece muito poderoso, nessas igrejas kakangélicas, que falam mais em você do que em Jesus. Mas a verdade é que você tem um poder limitadíssimo diante de Jesus Cristo e dos verdadeiros crentes, que lêem a Palavra e levam uma vida pura e reta diante de Deus e dos homens. Se todos os crentes lessem a Bíblia com espírito de fé e humildade, desejando se tornar realmente santos como Deus exige que sejamos, jamais iriam se preocupar tanto com você e o seu inferno, porque saberiam que a sua batalha já está perdida, que o Senhor Jesus deve estar voltando, que pouco tempo lhe resta e que você, como todas as demais criaturas, vai ter de dobrar o seu joelho diante dele, mesmo que não queira, confessando que ele é o Senhor! Agora, retire-se daqui, depressa, em nome de Jesus, porque eu preciso trabalhar, pois a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos!”
O visitante saiu em disparada e atravessou a porta trancada com uma “Papaiz” da melhor qualidade e garantia!
8. - D. Mariquinha e os livros
D. Mariquinha (D.M.) nasceu no sítio de seu pai, que ficava a sete quilômetros do centro da cidade de Crato, no sul do Ceará. Sua infância foi tranqüila, brincando no meio das árvores, chupando laranjas e mangas, debaixo das laranjeiras e mangueiras, e colhendo tomates para fazer o suco de que ela muito gostava.
Aos sete anos de idade seu pai achou que deveria começar a ensinar-lhe as letras, pois no sítio não havia escola, e D.M. tinha muita vontade de aprender a ler. Em menos de um ano foi alfabetizada. Seu pai lhe trazia livros de história e folhetos com literatura de cordel, toda semana, quando ia à cidade vender os produtos do sítio, e a menina desenvolveu o hábito da leitura, desde os oito anos de idade. Seu pai era repentista e a menina dele herdou esse dom, fazendo trovas com a maior facilidade, no que foi muito auxiliada pela leitura dos folhetos de cordel.
Exatamente nessa época, ela ganhou de presente dois livros que lhe abririam o mundo da fantasia: "Histórias das Mil e Uma Noites" e "Aventuras de Hans Staden". Quando terminou a leitura deste, D.M. ficou tão fascinada pelo personagem que disse: "papai, quando eu crescer, quero me casar com um homem chamado Hans Staden". O pai sorriu e prometeu que ela se casaria com um homem com esse nome. E a menina continuou lendo muito e sonhando com o futuro.
Aos dez anos seu pai mudou-se com a família para o centro da cidade e matriculou a filha no segundo ano primário. Ela tirou o primeiro lugar e nunca mais perdeu essa classificação, até chegar ao 3o. ano secundário. Gostava de estudar, lia muito e ajudava a mãe a cuidar dos irmãos menores (era a segunda de uma turma de nove). Nesse tempo, ficava até altas horas da noite, lendo Machado de Assis, José de Alencar e até contos e poemas de Shakespeare (no original), depois de preparar as lições do colégio.
Aos 17 anos teve o primeiro namorado, um colega do segundo grau, que se chamava Gladstone. Combinaram fazer o vestibular de Medicina, estudaram juntos, mas ela desistiu poucos meses antes, depois de ter visitado a Faculdade de Medicina e visto alguns cadáveres boiando no formol. Ficou enojada e precisou começar a trabalhar, porque o pai ficou furioso com a sua desistência e cortou-lhe a mesada. Estava com vinte anos de idade, era ótima em Português e falava fluentemente o Inglês. Desse modo, conseguiu arranjar um bom emprego, como encarregada da seção de passagens na Panair do Brasil, onde ficou dois anos. Dali, tendo estudado estenografia nas duas línguas, foi trabalhar como secretária do presidente da firma J. Macedo S/A, representante da Ford/Willys no Brasil. Trabalhava demais e ficou pouco tempo, porque adoeceu da vista e foi para o Recife procurar um bom Oftalmologista. Lá melhorou e conseguiu emprego na Cia. Singer, como secretária do Superintendente da mesma, onde ficou dois anos. Depois foi trabalhar como secretária do vice-cônsul da Dinamarca, na firma The East Asiatic Co. e dali veio para o Rio de Janeiro. Trabalhou como secretária do diretor do Bank of America, (que tem 51% de capital da Ordem Jesuíta), o qual estava sendo inaugurado no Rio, mas apenas por dois meses, até chegar a secretária americana, que estava concluindo o curso de Português nos USA.
Algumas semanas depois D.M. arranjou emprego na firma inglesa Mappin & Webb, como secretária do diretor inglês, e lá ficou por dois anos, até se casar com um Químico Industrial berlinense, cujo nome era Hans Georg Max Paul Schultze.
Seu marido lia muito e conhecia toda a obra de Jorge Amado em alemão. Toda semana lhe trazia livros de presente, exatamente como o pai costumava fazer na infância de D.M. Em 1967 viajaram por 13 países da Europa e América do Sul, usando a herança que os pais do marido haviam lhe deixado em Berlim.
Em 1978 D.M. se converteu ao Protestantismo e começou a pesquisar a história (tenebrosa) do Catolicismo Romano. O marido faleceu de enfarte em 1982, quando ela cursava o 1o. ano de Teologia, no Seminário Betel. Estudou 4 anos e nunca tirou nota inferior a 9. Quando um professor pedia que os alunos comprassem algum livro, ela comprava cinco, dois em Português, dois em Inglês e um em Espanhol. Assim conseguia ter uma visão mais ampla do assunto e tirava sempre as maiores notas da classe. Muitas vezes traduzia partes importantes desses livros, preparava apostilas e dava de presente aos colegas jovens. Alguns deles até usariam mais tarde esses trabalhos como tese de formatura.
Em 1994, quando entrou o Real, ela vendeu a micro-empresa de cosméticos que havia fundado junto com o marido, 36 anos atrás, e veio morar em Teresópolis, onde se dedicou inteiramente à pesquisa religiosa. Continuou lendo muito, traduzindo livros teológicos e históricos sobre o Cristianismo, tendo escrito seis livros nos últimos sete anos, três dos quais já publicados. Traduziu pelo menos vinte livros do Inglês e com esse trabalho tem melhorado a pensão do INSS, podendo ajudar no sustento da mãe paralítica, de 93 anos, residente em Fortaleza.
D. M. Costumava viajar anualmente para a Alemanha, onde moram sua filha mais velha e os três netos, para fazer pesquisa sobre o Vaticano, visto como aquele país é um dos maiores redutos da Ordem Jesuíta na Europa. Seu livro "O Vaticano e a União Européia", foi o resultado da última viagem à Alemanha. Nele conta como o Vaticano, com o auxílio dos Jesuítas, tem lutado, desde 1825, promovendo guerras e revoluções, para conseguir estabelecer um Estado Católico Europeu através do qual possa dominar o mundo, como na época da idade Média.
Depois do atentado terrorista de 11 de setembro, 2001, ela resolveu ficar mais perto do computador mais longe de qualquer avião.
Teresópolis, 2001
9. - D. Mariquinha e Vó Messias
Vou falar de duas mulheres colocadas por Deus neste mundo, cada uma com a mesma missão de se tornar esposa e mãe e, ao mesmo tempo, com propósitos diferentes no campo religioso e intelectual. A mais simples dessas duas mulheres é bem mais inteligente e aplicada, tem se esforçado mais e acumulado muita humildade e bondade em seu generoso coração, por ter tido uma vida bem mais difícil.
Vamos mostrar as semelhanças e diferenças entre essas duas mulheres.
Ambas nasceram em dezembro. Vó Messias nasceu em 22/12/1915, portanto vai completar 86 anos - D. Mariquinha nasceu em 08/12/1929, portanto vai completar 72 anos. A mais velha é mineira, a mais nova é cearense.
Ambas eram filhas de pequenos agricultores. O pai de Vó Messias era empregado de fazendeiros. O pai de D. Mariquinha foi proprietário rural e depois comprou um grande armarinho.
Ambas sempre foram dotadas de boa vontade no sentido de aprender a ler e escrever. Vó Messias aprendeu a ler nos livros usados por sua irmã mais velha e a escrever em cascas de palmito... porque não possuía cadernos. D. Mariquinha aprendeu a ler e escrever com todo o conforto, rodeada de livros e cadernos. A primeira nunca teve acesso à escola, enquanto a segunda estudou em colégio particular e, mais tarde, cursou um seminário teológico.
Ambas sempre foram criativas. Vó Messias descobriu em certa frutinha do mato, no sertão mineiro, um meio de fabricar tinta para escrever. D. Mariquinha escrevia poemas desde os sete anos de idade, decorava todas as lições de Inglês no curso ginasial e assim, aos 17 anos, já falava fluentemente o idioma de Shakespeare.
Ambas se casaram por amor. Vó Messias casou (aos 22 anos) com um homem simples, que se tornou funcionário da Rede Ferroviária, e jamais saiu do país. D. Mariquinha casou (aos 26 anos) com um cientista alemão e viajou por muitos países.
Ambas se tornaram mães. Vó Messias teve 9 filhos, mas perdeu cinco, por falta de conforto e assistência médica. D. Mariquinha teve duas filhas, que jamais adoeceram, até entrar na escola, onde pegaram catapora e sarampo.
As duas mulheres sempre foram tementes a Deus, dedicadas ao marido e aos filhos. Vó Messias dedicou-se às prendas do lar. D. Mariquinha trabalhou muitos anos como secretária bilingüe, micro-empresária, jornalista e escritora.
Ambas envelheceram com saúde e disposição porque sempre foram ativas, trabalhando muito e se exercitando no próprio trabalho caseiro e intelectual, o que tem mantido suas mentes em perfeita ordem. Vó Messias faz todo o serviço do lar. D. Mariquinha tem uma faxineira para a limpeza semanal do seu apartamento. Ambas se consideram vencedoras. Porque têm saúde e uma família ajustada. Vó Messias e a família moram em Barra Mansa, RJ., enquanto D. Mariquinha tem uma filha e três netos na Alemanha e mora em Teresópolis, RJ.
Ambas se mantêm ocupadas o dia inteiro. Vó Messias se dedica aos trabalhos caseiros, aos netos e bisnetos. D. Mariquinha faz uma caminhada de uma hora, todo dia, depois vai para o computador, a fim de traduzir livros teológicos e escrever artigos para jornais. Escreveu 15 livros, dos quais dez já foram publicados.
Ambas crêem que Jesus Cristo é Deus. Só que o Jesus de Vó Messias é um Deus/infante preso ao colo da mãe, de cuja colaboração necessita, a fim de salvar os pecadores. O Jesus Cristo de D. Mariquinha tem todo o poder no céu e na terra e jamais precisaria de uma criatura humana para salvar qualquer pecador.
Ambas acreditam piamente que um dia chegarão ao céu. Vó Messias vive rezando a Maria e aos santos, esperando ficar pouco tempo no lendário purgatório. Também crê que sua Igreja salva, que o papa é infalível e que Jesus está na hóstia. D. Mariquinha sabe que o sacrifício de Cristo na cruz foi total e suficiente para salvar os pecadores. Que a igreja e o papa são falíveis, não podem salvar pessoa alguma, e tem certeza de que, ao morrer, irá diretamente para o céu, conforme a promessa do Salvador. Ela sabe, também, que Jesus está sentado à destra do Pai celestial e não se confina a uma bolachinha de trigo, que depois de guardada no ostensório por alguns dias, acaba se tornando carunchada. Mesmo porque Deus não habita em templos feitos por mãos humanas.
Vó Messias e D. Mariquinha são duas senhoras idosas, realizadas e bem intencionadas. Vó Messias ainda acredita na teologia da fé mais obras, ensinada pela Igreja de Roma, embasada na Tradição e na "Vulgata Latina", escrita a partir dos textos espúrios de Orígenes, o pai da teologia herética de Alexandria, Egito. D. Mariquinha pratica a teologia verdadeira da Reforma Protestante, embasada no Novo Testamento Grego de Erasmo de Rotterdã, escrito pelos apóstolos de Cristo.
Recado de D. Mariquinha para Vó Messias: Meu sincero desejo é que a Sra., que sempre teve um coração mais humilde e compreensivo do que o meu, consiga descobrir o verdadeiro caminho da salvação, entregando-se a Jesus Cristo, em fé e verdade, abandonando a Igreja de Roma, que ensina o falso evangelho da salvação através dos sacramentos e da prática de boas obras. Sou santa. Não no sentido católico de perfeição moral, mas porque fui separada para o serviço de Deus. A Sra. pode ser santa, também, quando se entregar a Jesus, abandonando essa Igreja que mente, garantindo dar salvação, quando os seus próprios papas não são salvos. Tanto que quando eles morrem, os padres ficam pedindo orações para retirá-los do mitológico purgatório. Na verdade, toda a hierarquia romana tem ido para o inferno, por ter ensinado doutrinas heréticas, levando os membros de sua Igreja para esse lugar de tormento.
Novembro 2001.
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10. – Minha cama voltou!
Quando chegamos à terceira idade, tudo que nos lembra a juventude parece maravilhoso e nos leva de volta aos bons tempos em que ainda não tínhamos rugas no rosto, não sofríamos os achaques da velhice e nem estávamos a um passo da eternidade, como agora...
De repente, tudo que antes nos parecia sem importância, como as lembranças dos anos "teen", dos amores passados e até das broncas paternas, volta à nossa memória e nos deleitamos em recordar o que antes havíamos sepultado no cemitério do passado.
Não posso queixar-me da vida. Sempre acreditei na existência de um Deus Supremo, Criador do Céu e da Terra, e que Jesus Cristo é o Seu Filho Unigênito e morreu por mim, tendo me dado completa salvação, naquela cruz em que foi crucificado por amor da humanidade pecadora.
Meu pai era bom e me amava muito, chamando-me "princesa", pois eu era a mais velha de uma família de nove filhos. Sempre tirei as melhores notas nos colégios (e no seminário) onde estudei, dando alegria a meus pais. Minha saúde tem sido mais firme do que o Pão de Açúcar, meus dentes ainda são quase todos naturais e meus cabelos continuam fartos, daí não precisar usar truque algum para encobrir a calvície. Minha mãe, aos 96 anos, ainda é viva, o que me garante pelo menos umas duas décadas de vida, se eu tiver a mesma longevidade. Enfim, considero-me uma privilegiada, pois tenho o essencial para viver, sem precisar economizar o preço do restaurante, e sem nenhuma dívida que eu não possa pagar em dia. Tenho duas filhas e cinco netos lindos. Deus tem sido bom demais para mim e só posso agradecer tudo que Ele tem feito em meu favor.
Há muitas pessoas e coisas que eu perdi e me trazem saudade. Meu marido, meu pai, minhas duas irmãs prediletas (Rosa e Dária), algumas amigas e outras pessoas que me deram alegria neste mundo. As camas do meu casamento minha filha mais nova, que as havia herdado, achou de queimar porque não havia espaço na casa dela. Foi duro perdoar tal sacrilégio, mas consegui fazê-lo. Minha cama de solteira, do tempo em que ainda vivia com meus pais (até o início de 1947) fora "herdada" por Rosa e depois por Dária (que já estão no céu, me aguardando). Era muito linda! Jamais consegui esquecer a beleza e simplicidade daquela peça, que não via há mais de meio século. Ela estava guardada em minha lembrança, embrulhada no papel acetinado da saudade e amarrada com o fio de ouro da emoção que senti quando a ganhei de meu pai. Era a primeira jovem da família a possuir uma cama tão linda! A maioria dos jovens, no interior do Ceará, dormia em rede e ter uma cama de verdade era quase um símbolo de nobreza. Amei aquela cama!
Na semana passada, parei em frente a um bazar paupérrimo, na Av. Lúcio Meira, quando vi... minha cama à venda. Era igualzinha e meu coração começou a pular de alegria. Entrei, comprei, paguei e vim bailando, ao som da música dos sonhos da mocidade, para o meu apartamento, que estava em obras. Três dias depois o rapaz me trouxe o precioso objeto. Dei a cama moderna para Luísa, minha neta de oito anos. Comprei um colchão ortopédico "Epeda" lindíssimo (devia se chamar "é pedra", pois é meio duro), limpei a cama duas vezes com um pano úmido. Depois passei hidratante "Monange'" e ela ficou novinha em folha. Coloquei o colchão novo, roupa de cama nova, borrifei tudo com uma lavanda alemã bem gostosa e à meia-noite, quando já havia colocado a casa em ordem (sempre que os trabalhadores saíam, eu fazia uma boa limpeza na mesma), deitei-me na cama perfumada. Senti-me novamente jovem e comecei a louvar e glorificar o Nome de Jesus pelo presente que Ele me enviou.
Enquanto fomos casados, o Schultze e eu dormimos em camas separadas, pois não sei dormir com outra pessoa. Quando ele faleceu, fiquei na cama que era minha e dei a outra para a Rose. Depois que vim para Terê, comprei uma cama de tubos de aço, bem moderninha, e fiquei dormindo durante esses 8 anos na mesma. Agora, volto aos bons tempos em que dormia numa cama antiga, de imbuia, já bem surrada, até parecida comigo.
Minha cama voltou! Minha cama da mocidade, e ainda para um apartamento reformado, com muita coisa nova e bonita. Como Deus é bom! Minha cama voltou e eu voltei a me sentir jovem e linda, como antigamente!
Julho 2002.
Atualizado em 08/12/04
11. - Sonho ou Pesadelo?
Hoje, bem cedo, Rose trouxe Luísa (minha neta de 4 anos) para eu tomar conta, enquanto ela ia trabalhar. Eu havia ficado até 2 horas da manhã concluindo uma tradução para o Dr. Peter Ruckman, escritor e Teólogo americano, defensor da Bíblia King James. Ainda estava muito sonolenta. Abri os olhos e falei: “Lu, suba e venha ficar aqui na cama bem juntinho da vovó”. Luísa, que é muito esperta respondeu: “Vó, eu subo, mas primeiro você tem de olhar o vestido novo que a Marion me mandou da Alemanha“. Vi que ela estava usando um lindo vestido azul e branco, o qual a deixara mais linda do que nunca. Voltei a dormir e tive um sonho maravilhoso.
Desejo esclarecer os leitores que não acredito em qualquer tipo de simbologia onírica, e nem sou dada a visões e revelações, como acontece entre os meus amigos e irmãos pentecostais, quase todos, arminianos assumidos. Sendo batista bíblica, creio que toda a revelação foi entregue até o Apocalipse de João. Creio também que os sonhos que temos são apenas um produto de nossos pensamentos, emoções e experiências armazenados em nosso subconsciente, os quais compõem o enredo de nossas excursões oníricas. Voltemos ao assunto...
Sonhei que estava subindo uma luminosa escada com 365 degraus e pensei: “é um degrau para cada dia deste Novo Ano 2001. Será que vou conseguir chegar ao topo, carregando o peso dos meus 71 anos?”
Consegui chegar a uma imensa plataforma, cujo assoalho era brilhante como cristal e logo avistei uma longa mesa com 15 cadeiras e sobre a mesma dois descansos feitos de uma espécie de opala maleável e brilhante, com desenhos azuis. A mesa, as cadeiras e os descansos eram feitos do mesmo material. Sobre os descansos da mesa havia apenas um pão integral e um garrafão de 5 litros de vinho tinto. Olhei a cena e pensei: “é a Santa Ceia do Senhor. Será que eu vou participar da mesma?”
De repente entraram 13 anciãos vestidos de túnicas alvas e brilhantes, sendo o último deles de baixa estatura. Imaginei que seria o apóstolo Paulo, cujos olhos brilhavam intensamente. Então pensei: “provavelmente o problema de vista que Paulo tinha na época do seu ministério terreno, que alguns comentaristas bíblicos dizem ter sido tracoma, foi completamente curado”. Senti meus olhos ardendo por causa da intensa claridade do ambiente. Os anciãos se aproximaram da mesa e se colocaram atrás de 13 das 15 cadeiras que lá estavam. As duas cadeiras à cabeceira da mesa permaneceram vazias. Se eu fosse católica teria imaginado que uma seria para Jesus e outra para Maria. Mas como sou evangélica imaginei que uma seria para Jesus e outra... para mim mesma.
Foi aí que Jesus entrou. Não pude ver suas feições, pois o Seu rosto irradiava tanta luz e beleza que eu fiquei cega diante de sua esplêndida presença, e pensei: “por que eu não trouxe os óculos escuros que o Dr. Fróes me receitou, após a cirurgia de miopia e catarata?” Senti que Jesus me olhou ternamente e disse: “Mary, você está aqui para ser julgada diante do meu Tribunal (2 Coríntios 5:10). Agora mesmo vou avaliar suas obras para efeito de galardão. Preciso ver se essas obras foram de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha (1 Coríntios 3:12), antes de encaminhá-la para o lugar que lhe preparei” (João 14:2). Fiquei insegura e pensei: “Senhor, tenho certeza de que vais ficar muito decepcionado comigo. Minhas obras nem chegam a ser de madeira e palha, mas de compensado cheio de cupim, e feno seco, muito pior do que aquele do Maracanã, apresentado ontem, na TV”.
Comecei a tremer. Um suor frio me escorreu pela testa e senti um puxão repentino na gola da camisola de dormir. Acordei com a Luísa, placidamente adormecida, puxando-me com a sua mãozinha gorducha, provavelmente tendo um sonho melhor do que o meu, que, de maravilhoso, quase havia se transformado em pesadelo.
O que me conforta é saber que não serei julgada pelas minhas obras para efeito de condenação, mas somente de galardão. Sei que estou salva para sempre, que jamais perderei a salvação. Tenho confessado cada noite, antes de dormir, todos os pecados cometidos durante o dia, e sei que “o sangue de Jesus Cristo me purifica de todo o pecado... Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (1 João 1:7,9). Isso é o que a Palavra de Deus me garante. E “Deus não é homem para que minta, nem filho do homem para que se arrependa... ou falaria e não o confirmaria?” (Números 23:19).
Sonhos são apenas sonhos, embora, muitas vezes, nos tragam advertências pautadas no estudo da Bíblia, a única regra de fé e prática de um verdadeiro cristão.
Teresópolis, 2001
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12. - O Arrebatamento
(Parábola sem pretensão doutrinária)
Berlim, 07/06/1967, D. Mariquinha, seu marido e sua filha estavam passeando na Av. Kurfstendam, quando microfones começaram a propalar uma notícia importante: Os Judeus haviam conseguido resgatar Jerusalém dos Árabes, na Guerra dos Seis Dias. Quarenta anos se passaram...
Berlim, 07/06/2007 - D.M. ia andando na Kurfstendam, junto com a filha e a neta de 15 anos, que se transformara numa linda jovem, como D.M., quando tinha a mesma idade. Estavam regressando de uma Igreja Luterana, onde o pastor havia negado os atributos divinos de Cristo, declarando, explicitamente: "A Segunda Vinda não passa de um mito, como dezenas de outros mitos do Novo Testamento. Jesus foi apenas um grande homem, que nos trouxe uma excelente filosofia de vida. Desse modo, os povos que adotaram literalmente essa filosofia se transformaram em grandes e poderosas nações, simplesmente porque ela é bem melhor do que as filosofias pregadas por Buda, Confúcio, Maomé e outros grandes líderes religiosos".
Crente fervorosa e leitora assídua da Bíblia King James (embasada no Textus Receptus de Erasmo, o único texto realmente merecedor de confiança por parte dos cristãos verdadeiros), D.M. sentiu um enorme desgosto, quando escutou aquelas gritantes heresias faladas por um ministro protestante, cuja Igreja, fundada por Lutero, transformou o mundo com a tradução da Bíblia para o Alemão, exemplo seguido pela Inglaterra e Suíça, em suas respectivas línguas. E foi assim que esses países se transformaram nos mais importantes centros da Reforma Protestante.
A velhinha sentiu, de repente, o peso dos setenta e sete anos, dos quais 29 haviam sido gastos na pregação do Evangelho de Cristo, na leitura da Bíblia e na tradução de textos do Inglês para o Português, maneira de ajudar os irmãos que não têm acesso ao idioma de Shakespeare. Olhou as mãos enrugadas e calejadas, de tanto escrever no papel, para em seguida transportar os seus escritos para o computador, podendo, desse modo, melhorar o estilo, expressando-se claramente na língua de Rui Barbosa. Sentiu uma depressão arrasadora, pensando: "Que adiantou tanto empenho, se apenas algumas almas foram ganhas e nem mesmo minha filha mais velha crê no Senhor Jesus para ser salva?" Lágrimas lhe escorreram pela face enrugada, deslizando sobre o creme hidratante "Fiorena". Procurou um lenço na bolsa e enxugou as lágrimas, depois olhou para o céu e teve um tremendo susto.
As nuvens se acumularam, depois se abriram num facho de luz e uma trombeta foi ouvida, em maravilhoso som, jamais escutado antes por aquela velhinha esguia, cujo corpo estava cada vez mais folgado dentro do longo vestido de lã azul celeste. Olhou em volta e viu que alguns transeuntes da Kurfstendam, de repente desapareceram, como bolas luminosas sugadas pela abertura lá de cima. D.M. sentiu uma tremenda urgência em falar de Cristo à filha, que procurava, ansiosamente, pela menina ao seu lado, a qual havia se convertido a Cristo através da avó, e agora fora arrebatada aos céus pelo Rei dos reis e Senhor do senhores. D.M. só teve tempo de falar: "Filha, a nossa menina foi arrebatada por Jesus. Você tem apenas alguns segundos para crer que Ele é o Filho de Deus, o Messias de Israel, antes que seja tarde demais". A filha olhou-a atordoada e respondeu: "Ora, mãe, sua neta some no meio da multidão e a Sra. ainda me vem com essa história de religião? Deixe de ser fanática".
Mal havia pronunciado essas palavras, viu sua mãe ser arrebatada, transformada, também, numa bola de luz. Caiu de joelhos chorando, enquanto milhares de pessoas se acotovelavam, olhando para o céu e se indagando que fenômeno fantástico era aquele, sem se aperceberem de que muitos transeuntes haviam desaparecido, naqueles poucos momentos.
A verdade é que o Senhor Jesus Cristo acabava de cumprir Sua promessa e tinha levado para estar com Ele todos os que haviam crido em Seu Nome e aceitado o Seu sacrifício vicário na cruz, como total e suficiente para serem salvos.
Voltando para casa, em meio à tremenda confusão que reinava em toda parte, a filha de D.M. ia pensando como tudo aquilo pudera acontecer. Chegando em casa apanhou a Bíblia da mãe e foi lendo os capítulo 4 e 5 da II Tessalonicenses sobre a ressurreição dos mortos e a vinda do Senhor. Depois correu para o capítulo 13 do Livro de Apocalipse, a fim de conferir sobre o governo mundial que operava, há algum tempo, através do controle financeiro da Europa e das Américas, já se estendendo por todo o planeta. Pensou no seu "Omni Card" usado para as compras diárias. Também se lembrou que a caixa de uma loja lhe havia falado a respeito de uma nova invenção, que iria abolir todos os cartões de crédito, quando entrasse em vigor um scanner que lia certa marca impressa na mão de cada comprador e sobre o qual as firmas já estavam instruindo os seus funcionários.
De repente se abriram os olhos daquela mulher de quase 50 anos, alta, loura e ainda bonita, cujo rosto estampava um tremendo desgosto pela vida, a qual, então, pôde entender o que a mãe lhe havia falado tantas vezes. Só que era tarde demais! Aquele judeu chamado Jesus, que ela tanto havia desprezado, agora não lhe daria mais a salvação gratuita que havia dado aos membros de sua família. A Dispensação da Graça havia vigorado por quase mil anos, desde a morte de Jesus no Calvário. Estava de volta a Dispensação da Lei, na qual seriam exigidas fé mais obras para a salvação de cada alma. Agora com o novo governo mundial, que estava se instalando na Europa, o qual iria governar o mundo inteiro com mão de ferro, os cristãos voltariam ser perseguidos, como nos primeiros séculos do Cristianismo, e ninguém poderia ser salvo, a não ser pelo sacrifício de sua própria vida. Sim, seriam perseguidos todos os que não aderissem à "operação do erro", aceitando a marca da besta em sua mão ou testa, para em seguida se curvar diante do novo ditador, em idolátrica adoração. Na verdade, um certo candidato a Governador Geral da Europa, conhecido como o "Papa Negro", amigo íntimo de "Sua Santidade", era tido como milagroso, curando enfermos, transformando a água salobra da Alemanha em água cristalina e doce, igualzinha à de Teresópolis (RJ) e à do Crato (Ceará), e até transformando aquele lixo alemão, (depositado em seis latões diferentes), numa pasta branca e perfumada, que lembrava o conhecido Creme Nívea, que os alemães pronunciam "Nivéa".
Sentiu-se arrasada, e agora totalmente convencida, de que sua mãe não era uma fanática religiosa, como sempre havia imaginado, mas uma conhecedora da Bíblia, Livro que lhe havia dado a certeza da salvação e transportado aos céus, para estar com Cristo, apesar de todo o seu temperamento agressivo e de sua falta de paciência com as filhas e netos, que tanto a respeitavam.
Queira Deus que ao ler este depoimento a filha de D. Mariquinha se convença que Jesus é o Messias de Israel, aceite o Seu senhorio e se torne uma discípula do Senhor Jesus Cristo, par não ficar aqui em baixo, quando os cristãos verdadeiros forem arrebatados, sofrendo os horrores do governo ditatorial do Anticristo e das maldições que serão jogadas sobre este planeta em declínio...
Teresópolis, agosto 2001
13. - O Molambo
Neste primeiro dia do Novo Ano, acordei mergulhada em depressão e sentimento de culpa.
Ontem fora dormir às 23 horas, depois de ter ligado o som para ouvir os capítulos 10-17 do Evangelho de João, na versão Almeida Corrigida e Revisada FIEL, narrados na voz melodiosa de Cid Moreira... Adormeci no final da leitura, quando começaram a explodir os fogos que anunciavam o Novo Ano 2002, e pensei: "não tenho coisa alguma a ver com esses festejos e quero dormir, dormir para esquecer os problemas que tanto me preocupam".
Eu já havia orado durante uns 15 minutos e pedido que Deus me levasse durante o sono, pois me sentia muito cansada e queria ir para perto de Jesus, apesar de toda a minha maldade. Estava certa de que o sangue do Cordeiro conserva limpa a minha alma, apesar de tantos pecados que tenho cometido pela falta de confiança, falta de amor ao próximo, egoísmo, impaciência, desejo de vã glória, orgulho, vaidade, consumismo e tantos outros pecados que têm quebrado a minha comunhão diária com Ele.
Logo cedo, procurei algo para fazer, depois de tomar uma caneca de chá preto com suco de caju, que tem sido o meu "breakfast" há muitos anos. Em seguida fui lavar umas peças de roupa e no meio destas encontrei um molambo alvíssimo, cheio de buracos. Contei os furos e encontrei dezenove. Aí pensei: "vou jogar este molambo no lixo, pois está furado demais e já tenho dois novos panos de chão para substitui-lo".
De repente, uma voz em meu íntimo falou: "Realmente, o molambo está cheio de furos, mas ainda serve, porque é alvissimo, você sempre o passa a ferro e ele ainda vai servir para enxugar os azulejos da cozinha, pois é absorvente e fácil de lavar".
Parei, refleti e pendurei o molambo junto com as peças de roupa que acabara de mergulhar no "Confort".
Foi então que pensei: "minha vida é como este ex-pano de chão: cheia de furos, porém limpa, porque leio a Palavra que alimenta a minha fé em Cristo Jesus, nosso Senhor, e estou salva por ter sido lavada no sangue precioso do Cordeiro, que morreu na cruz para me dar a salvação eterna"..
Vim para o computador e escrevi as trovas abaixo, que resumem a mensagem que o Espírito de Deus me entregou nesta primeira manhã do novo ano, que espero venha me dar muitas alegrias.
Trovas para 2002
Do espírito de Deus
recebi uma lição:
que os muitos problemas meus
de fato pequenos são.
Aos vários furos no peito,
que tanto fazem sofrer,
a Palavra trouxe um jeito,
depois que acabei de ler.
Vendo os furos desse alvo
molambo, ex-pano de chão,
meu espírito foi salvo,
curado da depressão!
Se um alvo ex-pano de chão
ainda tem seu papel,
e, limpo, o meu coração
tem levado almas ao céu,
então devo prosseguir
na obra de almas ganhar,
para um dia usufruir
o meu galardão sem par.
Por isso, diante de Cristo
Jesus, meu Senhor e Rei,
renovada, eu não desisto
e muito ainda farei!
Teresópolis, janeiro, 2002
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14. - D. Mariquinha e a mendiga
Hoje D. Mariquinha (D.M.) acordou ainda deprimida em razão dos últimos acontecimentos negativos em sua vida, tendo melhorado, consideravelmente, depois de lavar umas peças de roupa e escrever um artigo sobre o velho pano de chão, que ela sempre tem conservado alvo como a neve e passado a ferro pelo avesso e pelo direito. Alguém já a chamou de "psicastênica" por causa do excesso de responsabilidade, da mania de perfeição, de ordem e limpeza, mas D.M. prefere não mudar seus hábitos, considerando-se velha demais para isso.
Depois de responder alguns e-mails. D.M. tomou um banho, colocou uma roupa nova, arrumou-se e saiu para almoçar no restaurante de um irmão batista. Na geladeira havia uma canja fresca e aromática e um risoto de frango, que ela achou melhor desprezar em favor da comida do "Brasa Viva". Só que a "brasa" estava "apagada" e D.M. resolveu dar um pulo até o apartamento da costureira (que também é sua filha na fé), situado depois do "Brasa Viva", a fim de provar uma blusa.
Antes de chegar à residência da "filha" , D.M. passou em frente à "Caixa Econômica" e notou algo muito estranho. Uma senhora aparentando cerca de 50 anos, muito bem vestida, estava remexendo uma lata de lixo. A seu lado havia algumas sacolas de plástico, as quais D.M. imaginou tratar-se da "bagagem" daquela dama elegante. Continuou o caminho e foi pensando: "Meu Deus, será que algum dia, à medida em que a minha pensão do INSS for diminuindo, terei necessidade de remexer latas de lixo em busca de comida? Mas claro que não! Detesto comer e vou preferir morrer de fome, porque, graças a Deus, sofro de anorexia, e a tendência de quem tem essa doença é morrer de fraqueza. Portanto, louvado seja o Senhor!"
Consolada com esse pensamento, chegou ao Apto. da filha na fé, experimentou as roupas novas e saiu logo, pois a hora não era muito apropriada para visitas.
Na volta, olhou para o portão da "Caixa" e lá estava a mesma mulher, só que, desta vez, trocando de roupa. D.M. teve, então, a certeza de que realmente se tratava de uma mendiga. E prosseguiu o caminho de volta para casa.
Duas quadras adiante, sua consciência começou a reclamar: "Porque você não deu àquela mulher o dinheiro que ia gastar no "self-service", já que vai ter de comer em casa? São apenas R$7,00 e com esse dinheiro ela poderia comprar algum alimento e matar a fome de hoje". D.M. decidiu obedecer a voz da consciência. Parou, deu meia volta e foi até o local onde estava a mendiga. Ela estava acabando de fazer a toalete. Estava usando agora uma veste de cetim bege, sobre uma blusa vermelha de crepe finíssimo, na maior elegância. Estava maquilada, porém os cabelos ensebados precisavam de uma boa dose de xampu. D.M. aproximou-se discretamente e indagou: "Amiga, posso ajudá-la em alguma coisa?" A mulher se espantou e respondeu, com um gesto altivo de cabeça: "Não, amiga. Estou acabando de me aprontar para ir ao Jóquei com um amigo que vem me buscar de carro". Falava em português fluente, demonstrando ser uma pessoa de cultura.
D.M. continuou o diálogo: "Amiga, você vai ao jóquei? Fazer o que?" Ela respondeu: "Ora, vou apostar num bom cavalo, ganhar muito dinheiro e ficar rica... outra vez". D.M. tentou pregar o evangelho para aquela mulher, dizendo que o jogo é proibido por Deus e que ela faria melhor se abandonasse o vício, etc.. Ela demonstrou impaciência e falou: "Em vez de ficar me pregando Bíblia, por que não me dá uns trocados para eu jogar no azarão e ganhar muito dinheiro? Eu gosto muito dos crentes, mas eles são tão chatos..."
D.M. respondeu: "Amiga, eu parei aqui para lhe oferecer o valor do meu almoço, já que o restaurante está fechado. Mas não vou lhe dar esse dinheiro, pois não quero financiar um vício que, obviamente, foi o que levou você à miséria."
A mulher não se deixou vencer e falou, aparentando uma certa humildade: "Não, eu vou jogar, mas com o dinheiro do meu amigo, não com o que você me der. Pode me dar sem susto". D.M. não lhe deu o dinheiro. Teve vontade de chorar e saiu sem dizer coisa alguma, pensando: "Meu Deus, a que ponto o pecado pode conduzir uma pessoa. Essa mulher deve ter sido rica (talvez até seja a médica sobre quem já me falaram que virou mendiga nesta cidade), e chegou a esse ponto de decadência!".
Chegou em casa, passou a canja no liqüidificador, para esta descer mais facilmente, pois a falta de apetite continuava, enquanto a fraqueza havia aumentado, consideravelmente. Como toda pessoa que sofre de anorexia, D.M. passa o dia inteiro praticamente sem comer, tomando apenas suco de frutas. Só quando senta para ver o JN e a novela das 8,30 hs. (que ela assiste porque trata de assunto religioso) na TV é que sente fome. Levanta e come o que lhe apetece, depois vai para o computador, responde os e-mails, lê a Bíblia, ora e depois adormece, placidamente, sob a voz maravilhosa de Cid Moreira, lendo um dos evangelhos do Senhor Jesus Cristo. D. M. é uma pessoa muito feliz e realizada.
Queira Deus que ela jamais precise remexer uma lata de lixo, lá pelas 10 horas da noite, a fim de procurar alimento. Mesmo porque esse Deus maravilhoso, a quem ela tem servido, garante, em Filipenses 4:19 e Efésios 3:20-21: "Mas bastante tenho recebido, e tenho abundância... O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus... Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, A esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém". (ACF)
Teresópolis, 01/01/02
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15. - Pelé, Cid e Eu
Os dois homens mais famosos e amados deste país são Edson Arantes do Nascimento (Pelé) e Cid Moreira.
Pelé é tão amado e famoso, que há 32 anos atrás, quando meu marido e eu cruzávamos o Check Point Charlie, entre Berlim Ocidental e Oriental, o guarda comunista, com dois metros de altura e uma cara de mau, ao saber que éramos brasileiros, colocou nossa filha Margarete (9 anos) no colo e começou a tecer louvores ao Rei Pelé.
O que sempre me impressionou no Pelé foi a humildade e a classe com que ele tem se comportado a vida inteira. Ele é simples e natural, a fama não lhe subiu à cabeça, e isso me leva a admirá-lo, mesmo detestando futebol, como eu detesto.
Cid Moreira dispensa apresentação. Já era famoso há muitos anos, por ser o melhor e mais charmoso apresentador de TV do país. Ao completar 70 anos de idade foi discretamente afastado das câmeras e quase ficou esquecido, não fossem as pequenas aparições no programa “Fantástico”. Então, Deus o convocou para um trabalho muito importante, a serviço do Seu Filho Jesus Cristo. Cid começou a gravar o Velho Testamento em CD e foi lançado em todo o Brasil como o locutor de Deus. Depois gravou o Novo Testamento e seus discos compactos vendiam mais do que cesta básica em dia de pagamento.
Cid Moreira gravou a Bíblia na Versão Revista Corrigida Fiel de Almeida, idêntica à tradução da Bíblia mais perfeita do mundo, Versão Autorizada de 1611, a King James Bible.
Como a maioria dos brasileiros está por fora do assunto e também muitos pastores evangélicos ignoram que a ACF é a melhor de todas as traduções da Bíblia, eles preferem a ARA, principalmente por ser a edição dos intelectuais. No princípio, os CDs de Cid eram caros, mas hoje podemos encontrá-los a preços bem acessíveis. Comprei um, para ver se era exatamente a versão da ACF, e quando constatei que realmente pertenciam a essa versão, saí correndo e comprei os Quatro Evangelhos, na mesma hora.
Falei com a minha secretária, que saiu correndo e comprou para ela os que ainda conseguiu. Falei com o meu neto, Mário Sérgio, ele saiu correndo e comprou os CDs disponíveis, na maior euforia. Quase liquidamos o estoque da loja, que fica a poucas quadras do meu apartamento. Agora só existem, nessa loja, alguns CDs esparsos, de cada um dos Quatro Evangelhos. Sugeri ao dono da loja que mandasse buscar tudo que a Line Record ainda tiver em estoque, pois pretendo fazer a propaganda entre os meus amigos pastores, ex-alunos de seminário e irmãos na fé.
Quem não conhece perfeitamente a Bíblia King James deixa passar uma chance como essa de possuir a versão mais perfeita do mundo (em português), editada em CD pela voz mais bonita do Brasil, a de Cid Moreira, que tendo se convertido a Jesus Cristo, de repente ficou com uma voz mais atraente ainda e tem levado muita gente ao aprisco do Bom Pastor.
Demos glória a Deus pela vida de um homem, que mesmo tendo vivido tantos anos no ambiente menos recomendável do mundo, em matéria de moral e religião, logo se tornou uma bênção no evangelho de Cristo, narrando com aquela voz quase angelical as belezas celestiais que somente podem ser encontradas e discernidas pelos que conhecem Jesus Cristo como único, total e suficiente Salvador de sua vida.
Cada um faz o que pode dentro de suas qualificações. Pelé tornou o Brasil famoso com os pés. Cid Moreira tornou-se famoso com a voz ... e eu? Bem, não tenho a pretensão de me tornar famosa, rica e importante como esses dois homens, que tanto têm honrado o nome do Brasil. Contento-me em escrever livros evangélicos, além de poesias e crônicas para dois jornai. Fico feliz em traduzir livros de bons teólogos americanos para meus irmãos e amigos que não dominam a língua inglesa. Sinto-me realizada ao enviar e-mails com os resultados de minhas pesquisas religiosas para os amigos virtuais, em todo o Brasil e até no exterior.
Um bispo pentecostal pediu-me permissão para traduzir alguns artigos meus para o Inglês, a fim de publicá-los na revista de sua denominação, em Toronto, Canadá. Um missionário da África do Sul tem me enviado seus artigos em Inglês para eu traduzir para um bom “português brasileiro” (conforme suas palavras), e o lança em seu “site” bilíngüe, em Joanesburgo. Outro amigo batista, que mora em Nova York e tem um “site” evangélico, pediu-me para traduzir um texto em Inglês e o lançou como folheto para ser distribuído aos brasileiros que lá residem. Outro me enviou um texto sobre o Arrebatamento e me pediu para traduzir, a fim de distribuir entre os crentes de língua portuguesa em Nova York.
E assim, vou trabalhando, de acordo com as minhas possibilidades, porque Jesus nos deu o bom exemplo, quando disse: “Convém que eu faça as obras daquele que me enviou enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (João 9:4 - ACF). Teresópolis, 2001.
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16. - D. Mariquinha e o poder
D. Mariquinha estava na faixa dos 40 anos de idade, quando resolveu dar um passo importante. Iria buscar um poder sobrenatural, a fim de vencer os seus fracassos de vida.
Começou a fazer um curso de Psicologia com uma famosa professora do RJ. Lá foi aconselhada a ler alguns livros de "pensamento positivo", entre eles "O Poder do Subconsciente", de Joseph Murphy, o qual prega que o homem é um "deus" e que Deus habita dentro dele, através do poder do subconsciente, etc. Entrementes, D.M. resolveu se filiar à Ordem Rosacruz AMORC, uma filosofia religiosa que promete poder especial aos seus membros, através de apostilas escritas em linguagem muito erudita - quase incompreensível aos leigos, ficando cada vez mais indiscernível...
D.M. leu todos os livros sobre o poder da mente, inclusive dez títulos do Norman Vincent Peale. Ia de vento em popa, tentando conseguir poder, quando chegou ao décimo livro do Peale. No dia em que o leu (01/05/78), estava muito deprimida e queria morrer, mesmo tendo lido uns 25 livros que lhe ensinavam a ser feliz e vitoriosa na vida. Depois de ler os 80 versículos bíblicos contidos no livro "Mensagens da Vida Diária", o Espírito de Deus começou a trabalhar no coração dela. Sentou diante da máquina de escrever, relendo mentalmente o versículo 13 da 1 Coríntios 13 - sobre a excelência do amor - e entregou sua vida a Jesus Cristo, num poema.
A partir desse dia, exonerou-se da AMORC e desistiu de conseguir poder, visto como o poder do Espírito Santo lhe inundava a alma, tornando-a forte e corajosa.
Anos depois, tendo perdido o marido e estando no final de um curso teológico, D.M. colocou um stand num Congresso Internacional de Estética e Cosmetologia, seu ramo de negócios. Só que, em vez de expor os seus produtos, ela resolveu expor os "produtos de Deus", pregando o evangelho da salvação.
Levou 500 evangelhos de João e 200 Novos Testamentos, da Editora Bíblica Trinitariana. Também levou 1.000 livros evangélicos, 200 perfis de Jesus Cristo em versos, 200 cartas de Paulo a Filemom em versos, todos escritos por ela. As senhoras (e gays) que freqüentavam o congresso entravam em seu stand e recebiam esse material e mais alguns kits de cosméticos, tudo inteiramente de graça. Foi então que começou a circular pelos recintos do congresso (Hotel Nacional) que D.M. era uma fanática religiosa maluca, pois, enquanto todos os donos de empresas de cosméticos expunham os seus produtos e os vendiam com facilidade, ela preferia falar de Deus... D.M. soube da fofoca e continuou firme em sua "loucura".
Anos mais tarde, soube que algumas daquelas mulheres que haviam freqüentado o seu stand (um dos menores, porém mais concorridos) haviam se convertido ao Senhor Jesus Cristo. Então D.M. verificou que o poder se aperfeiçoa realmente na fraqueza, como Paulo falou na 1 Coríntios 12, e, portanto, quem tem Jesus não precisa de poder nenhum, porque já se tornou um vencedor em Cristo.
Por isso é que hoje, depois de quase 24 anos de vida cristã, D.M. prefere continuar "ignara" em matéria de poder, confiando somente no poder de Cristo e repelindo todo tipo de movimento evangélico que ensine ao crente como conseguir tudo que deseja, "porque Deus tem obrigação de lhe conceder tudo que ele pedir". Isso é lorota de neo-pentecostal. Ora, Deus é soberano, não tem obrigação alguma com o ser humano. E como já ofereceu o seu Filho unigênito para morrer na cruz por essa humanidade pecadora e perdida, Ele já fez demais. Quem não entender que o sacrifício de Cristo foi total e suficiente para levar ao céu, que fique buscando poder no ocultismo e se engaje nas fileiras de Satanás, indo nadar, eternamente, no lago de enxofre.
Março, 2002.
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17. - O Euro e o colar de pérolas
D. Mariquinha entrou o Ano Novo muito deprimida com uma série de acontecimentos desagradáveis, que a perturbaram nas últimas semanas do Ano Velho. Estava muito preocupada porque o Papa JP2 comparou o Euro ao Denário, moeda usada na época de Jesus, e este foi mais um detalhe confirmando que o reinado do Anticristo está próximo. Quem não se preparar para o Arrebatamento vai sofrer muito com o governo autocrata e impiedoso do Anticristo.
Na época de Jesus, quando o Império Romano dominava o mundo, um trabalhador ganhava um Denário por dia e durante o domínio de mil anos do Catolicismo Romano, na Era das Trevas, o trabalhador era apenas um escravo dos senhores feudais que, por sua vez, eram escravos do Vaticano. Depois da Reforma Protestante, em 1517, e com o advento do Socialismo cristão, o trabalhador passou a ser valorizado e na Alemanha, em 1995, um operário de fábrica já ganhava até US$38,00 por hora, o que daria US$304,00 por dia. Quando o Vaticano voltar a dominar o mundo, o que deve acontecer dentro de poucos anos, com a criação da União Européia e de sua moeda, o Euro, o trabalhador voltará a ganhar muito menos, como acontece nos países do Terceiro Mundo, cuja religião é a católica.
Anteontem (08/01), D.M. recebeu uma carta registrada da filha mais velha, que reside na Alemanha. Dentro encontrou uma cédula de 20 Euros e um relatório de 3 páginas ofício A-4, contando os detalhes de como a filha e os netos passaram o Natal e o Ano Novo, numa temperatura média de 15 graus negativos.
Hoje ela quer falar de um colar de pérolas do tipo Majorca, que ela decidiu comprar com o valor da cédula de vinte Euros, estalando de nova, que a filha lhe enviou, dizendo que a havia recebido como presente de Natal e estava passando às suas mãos, pois eu era a única pessoa a quem ela poderia dar a mesma. Resolveu, então, usar os 20 Euros (R$45,00) para comprar um presente de Ano Novo. Estava há muito desejando um colar de pérolas cor de rosa do tipo Majorca e um vidro de perfume "Magriffe" (30 ml), seu favorito. Quando soube o valor dos vinte Euros, foi depressa à loja "Algo Mais", onde o colar custava R$27,00, menos o desconto de 10% que ela costuma receber na tal loja, para pagamento à vista. Nesse caso, ainda lhe sobrariam quase R$15,00 para completar o valor do "Magriffe". A vendedora recusou-se a dar o costumeiro desconto, após ter telefonado à dona da loja, pedindo permissão. A dona parecia estar de mau humor e não concedeu o desconto, tendo cometido dois pecados: 1. Espantou uma cliente que compra bem e sempre paga à vista. 2. Sonegou uma boa ação em favor de uma senhora idosa. Nesse caso, agiu como dona de um "algo menos"...
D.M. foi almoçar no "Cantinho do Osvaldo/Lucy", meio triste porque não havia conseguido comprar o sonhado colar. Entretanto, como "todas as coisas contribuem juntamente para o bem dos que amam a Deus", encontrou a gerente da Importadora Iuca´s, com quem desabafou sua frustração. A gerente tinha exatamente aquele colar em sua loja e, logo depois do almoço, foram juntas até lá e D. M. conseguiu o colar e o perfume por um valor bem abaixo daquele que iria gastar nos dois itens. E como ainda tinha saldo no Banco, pôde guardar os vinte Euros para futuros apertos. Ficou realmente feliz por ter conseguido comprar os dois presentes sem sacrifício financeiro e se precisar trocar os Euros, tudo bem. O importante é que ela tenha realizado um dos seus sonhos para o Ano Novo...
Hoje Margarete completa 44 anos e foi exatamente nesse dia que D.M. resolveu estrear o colar novo, indo almoçar fora. Em vez da aniversariante foi a mãe que recebeu o presente. Que Deus possa abençoar sua filha, uma mulher de fibra, que fala 4 idiomas e tem dois diplomas universitários, à custa do seu próprio esforço, pois sempre tem sido muito responsável em tudo que faz nesta vida...
Teresópolis, 10/01/02
18. - Aventura em Miami
Em outubro de 1992 eu estava em Miami, acompanhando uma excursão de profissionais que ali se encontravam para assistir ao Congresso Internacional de Estética e Cosmetologia. Quando o congresso terminou, os que não seguiram para Orlando foram convidados para fazer uma excursão ao shopping “Saw Grass”, na grande Miami, e fui com estes.
Atravessamos Miami Beach e a zona onde um furacão havia feito muitos estragos, chegando ao imenso shopping, ainda pela manhã. Fizemos algumas compras e na hora do almoço tive a felicidade de sentar na mesma mesa da jovem brasileira que dirigia a excursão.
Conversamos bastante e depois de ter observado que eu orei antes da refeição, ela indagou qual era a minha religião. Respondi que era evangélica presbiteriana (hoje sou batista) e ela perguntou “qual era o nome do meu anjo”. Respondi que a Bíblia não menciona nomes de anjos particulares e, portanto, eu não sabia o nome do meu anjo. Ela disse que era messiânica e começou a me pregar a religião do Mokito Okada. Aproveitei para dar-lhe alguns esclarecimentos bíblicos, falei do plano de salvação eterna em Cristo e dei-lhe de presente uma cópia do livro “Meu Cristo é a Verdade”, um dos cinco que eu havia escrito até aquela data. Conversamos muito e ficamos amigas. Quando lhe entreguei o livro, ela disse que eu era um anjo! Respondi que não era, nem jamais havia visto um anjo, apenas acreditando, no que diz a Epístola aos Hebreus 1:14, que os anjos são “espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação”. E acrescentei que ela até poderia ser o meu anjo naquele dia, visto como estava me tratando com tanta bondade!
Muitas compras foram feitas e na hora de voltarmos ao hotel, parei em frente a uma joalheria, onde muitos colares de pérolas de Mayorca estavam expostos e fiquei maravilhada com a beleza dos mesmos. Fiz um movimento brusco e, desastradamente, quebrei o colar de perolas legítimas que estava usando. Abaixei-me para recuperar as pérolas caídas ao chão e me esqueci completamente dos companheiros de passeio. Quando me levantei, todos eles haviam desaparecido através de um dos quatro enormes portões que davam para o estacionamento do shopping. Foi então que me conscientizei de que estava perdida em Miami, senti um frio intenso me percorrer a espinha e comecei a entrar em pânico.
Foi quando resolvi provar a minha fé, implorando que Jesus mandasse um anjo me apanhar ali, o mais breve possível, e fiquei mais calma. Fui até o balcão de informações e contei à jovem que ali me atendeu o que havia acontecido. Ela ficou preocupada e mandou um office boy chamar o xerife. Enquanto ao tal xerife não aparecia, preguei o plano de salvação em Cristo àquela jovem, que era uma católica nominal irlandesa, ocupando o seu primeiro emprego nos USA, ainda um tanto insegura.
Quando o xerife apareceu, ela contou o meu problema. Ele disse que o caso era grave, pois eu já era uma senhora de idade e ele teria de mandar me levar ao Hotel Marine, no centro de Miami. Pedi que ele esperasse algum tempo, pois eu “estava certa de que Jesus iria mandar um anjo me buscar”. Ele deu uma risada e disse para a jovem que eu era maluca. Respondi que “maluco” era ele por não acreditar em Jesus, a quem Deus Pai deu todo o poder nos céus e na terra. Ele disse que eu teria de pagar 70 dólares à polícia, para ser levada até o hotel. Respondi que era uma viúva pobre, pois o Presidente Collor (que havia sofrido um impeachment há poucos dias) havia roubado todo o dinheiro dos brasileiros, etc. Ele gostou da piada e ficamos conversando um bom tempo. Preguei o evangelho para ele, que era agnóstico, e continuei garantindo que Jesus mandaria um anjo me buscar, a qualquer momento...
O tempo foi passando, o xerife foi perdendo a paciência e quis me obrigar a acompanhá-lo até a delegacia, a fim de me mandar de volta ao hotel, dizendo que daí a pouco o shopping iria fechar e eu poderia ficar ao relento, etc. Pedi mais meia hora de prazo, pois estava adorando pregar o evangelho àqueles dois incrédulos. Então, de repente, alguém chegou e me abraçou pelas costas, quase chorando de emoção. Era a minha amiga messiânica, que tendo chegado ao hotel e não me vendo entre os membros da excursão, ficara preocupada e voltara para me apanhar.
Fiquei maravilhada com o milagre e falei para o xerife e a irlandesa: “Estão vendo? Eu não disse que Jesus iria mandar um anjo me buscar? Vocês não acreditaram e o xerife até me chamou de maluca, pelo menos três vezes. Pois agora eu digo que maluco é você, xerife, por não acreditar que Jesus é Deus e detém todo o poder nos céus e na terra.” Em seguida, saí dali, acompanhando a messiânica, na maior elegância, deixando o xerife e a moça sem pronunciar uma só palavra!
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19. - Um presente de grego
Estava em Miami, hospedada no Hotel Marine, bem no centro da cidade, junto com duas senhoras de Londrina, companheiras de excursão a um Congresso Internacional de Estética e Cosmetologia, em outubro de 1992.
Certa noite, quando voltávamos de um passeio noturno a um shopping ali perto, notei que havia uma loja de armas e munições ao lado do hotel, com um letreiro em néon dizendo: ”Jesus is the Lord!” (Jesus é o Senhor!). Fiquei curiosa e no dia seguinte, véspera de minha partida para Nova York, resolvi entrar na loja para falar com o proprietário, provavelmente um irmão em Cristo.
Cheguei ali pelas 9 hs. da manhã, elegantemente vestida, e disse ao vendedor, que viera me atender todo solícito, que desejava falar com o Gerente. Ele me olhou espantado e respondeu que “o gerente não tinha tempo de atender gente estranha, etc”. Respondi que não era uma estranha, mas uma irmã em Cristo, que viera do Rio de Janeiro para falar com ele. Entreguei-lhe o meu cartão de visitas, ilustrado com um buquê de rosas vermelhas e estes dizeres: “Mary Schultze - Empresária na linha de Cosméticos - Av. Copacabana 500, sala 1210”, e no verso, minha profissão de fé: “Jesus Cristo é Deus e morreu por mim. Então, qualquer coisa que eu fizer para a glória do seu nome será tão somente uma gota dágua no oceano da minha obrigação”.
O vendedor olhou o cartão e entrou na imensa loja, a fim de procurar o gerente. Em seguida, voltou e pediu que eu o acompanhasse. Nunca vi um escritório tão luxuoso (nem mesmo o da Diana Lutfala, cunhada do Maluff, onde estive certa vez em São Paulo, conversando com aquela mulher coberta de jóias, a qual tomou pelo menos 3 comprimidos, enquanto eu lá estava, pregando o evangelho da salvação). Ao entrar naquele escritório em Miami, pisei no fofo tapete importado do Irã e quase me desequilibrei, embora estivesse usando um salto de apenas 4 centímetros.
O homem que me atendeu era jovem, lindo, elegante e simpático, com o prenome “John”, um sobrenome do qual não me recordo, e um número indicando nobreza. Conversamos algum tempo e ele me convidou para ir, no dia seguinte (quando eu deveria embarcar para Nova York), pregar no culto dos empresários, às 8 horas da manhã. Em seguida me fez atravessar aquela extensa loja, até uma capela nos fundos da mesma, onde me deparei com um mural de fazer inveja ao Portinari. Nele Jesus estava voltando entre as nuvens, rodeado de anjos. Eu já ia recusando o convite, quando me lembrei de um rápido testemunho que havia dado no navio Doulos, anos atrás, quando me saí relativamente bem, e decidi que iria pregar ali. Na manhã seguinte, deixei a bagagem pronta na portaria do hotel e fui até a capela, que ficava no final do quarteirão.
Sou uma péssima pregadora em Português e pior ainda, em Inglês. Mas Deus me ajudou, preguei sobre Joel 2:28-32, com uma Bíblia emprestada por John, e recebi uma salva de palmas (era uma igreja pentecostal, claro!). Terminado o culto, John me entregou de presente um tipo de isqueiro contendo ácido a ser detonado contra algum bandido que me aparecesse em Nova York. Despedi-me dos irmãos, fui “ungida com óleo santo” por uma irmã negra, ricamente vestida, e saí dali flutuando de felicidade.
Não sei se algum dos crentes que ali se encontravam foi edificado com a minha insulsa pregação, mas garanto que jamais precisei usar o tal isqueiro letal, pois quando fui experimentá-lo à distância - no hotel em Nova York - quase fiquei asfixiada e cega! Isso é que se poderia chamar de um verdadeiro “presente de grego!”
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20. - Euro ou Oiro?
Quando estive na Alemanha, em 2001, estranhei o fato dos alemães pronunciarem a palavra "euro" como "oiro" e então me lembrei que "eu" em alemão soa "oi", daí terem eles dado ao Euro o verdadeiro significado, pois agora esta moeda vale ouro ou "oiro", que é uma variante do vocábulo em nossa língua.
A vida na Europa está ficando cada vez mais sufocante por causa do controle exercido pelos governantes sobre os cidadãos, do problema do desemprego, que tem aumentado sensivelmente, do surgimento de um regime neo-nazista, principalmente no lado ex-comunista da Europa Oriental, e da falta de objetivo de um povo abastado de bens materiais, o qual, tendo mergulhado no pós-cristianismo e não crendo mais na divindade do Senhor Jesus Cristo e nem na eternidade, está se voltando cada vez mais para o hedonismo, buscando esquecer, através do consumismo desenfreado e do prazer sexual, um paliativo para a sua depressão espiritual. Haja vista que ninguém mais quer se casar na Europa, achando que basta se amar e viver juntos, enquanto durar o amor.
O povo europeu é um povo inseguro, apesar de toda a segurança social de que desfruta, do alto nível de vida, enfim de tudo que o ser humano pensa que é mais importante neste mundo. E como riqueza não traz felicidade, existe uma sensação de enfado na face de cada cidadão europeu, como se cada um estivesse vivendo em tremendo estado de estresse. Foi isso o que pude observar, nas semanas que passei na Alemanha.
O Euro, a nova moeda européia, desbancou todas as moedas da Europa, inclusive o Marco alemão, que era a mais forte. O Euro é emitido pelo Banco Central Alemão ou Bundesbank. Seu quartel general fica localizado em Frankfurt, Alemanha, habitat anterior do Banco Rotschild, de propriedade dos jesuítas. Meyer Rotschild, certa vez, disse o seguinte: "Dêem-me o controle do dinheiro de uma nação e não me interessa quem faz as suas leis".
Antes de 1870, todos os países europeus possuíam a mesma moeda. Esta era constituída de prata e ouro e cada um cunhava livremente suas respectivas moedas. Isso quer dizer que qualquer pessoa podia levar prata e ouro ao governo do seu país e cunhar legalmente suas moedas. Nos USA as pessoas tinham essa mesma liberdade. A prata e o ouro deixaram de valer como moeda na França e na Alemanha, nessa época, quando foram substituídos pelo padrão ouro, para evitar o trabalho de pesar o ouro. Gradualmente, todos os países europeus foram saíndo do padrão ouro e o dólar papel, a moeda americana, tornou-se a moeda mundial e o padrão de valor.
O Bundesbank é completamente independente do governo alemão e de seus oficiais eleitos. Ele foi primeiramente conhecido como Reichbank. O Federal Reserve Bank dos USA (que pertence aos jesuítas) tomou esse banco como o seu modelo.
Vejam o que o grande presidente americano, Thomas Jefferson, falou sobre o perigo de um banco particular emitir a moeda nacional:
"Permitir que um Banco Central particular emita a moeda pública é uma ameaça muito maior para as liberdades do povo do que a permanência de um exército."
O Cardeal Joseph Ratzinger - conselheiro espiritual do Banco Central Europeu - é o líder da inquisição moderna da Igreja de Roma. Ele tem por objetivo neutralizar toda a grande obra do seu patrício, Martinho Lutero.
O objetivo político do Vaticano não mudou. Ele quer estabelecer novamente na Europa o domínio temporal absoluto do papa. Para atingir tal objetivo é que a Rússia precisava ser eliminada (com a desculpa do perigo vermelho) e sua entrada tem sido barrada, na União Européia.
Quando o Vaticano tiver usado os exércitos americanos para uma guerra de proporções mundiais, os quais têm realizado o trabalho sujo do papa, nos últimos 60 anos, então ele tentará (com sucesso, é claro) substituir o Dólar americano, que é o padrão mundial, pelo Euro, visto como a União Européia será muito mais rica e forte do que os USA. Essa conspiração diabólica já está bem adiantada.
A fim de derrotar essa conspiração mundial do Vaticano através do Bundesbank, todas as nações precisariam voltar, imediatamente, à moeda embasada no padrão prata e ouro, como antigamente. Estes metais nobres são o único sustentáculo de qualquer moeda, em qualquer país da terra.
No início da história mundial, conforme o V.T., lemos sobre o grande patriarca Abraão, que viveu em 2.000 a.C., e era um homem muito rico em gado, prata e ouro, quando este negociava a compra de um local para o construir o túmulo de sua esposa Sara: "Meu senhor, ouve-me, a terra é de quatrocentos siclos de prata; que é isto entre mim e ti? Sepulta a tua morta. E Abraão deu ouvidos a Efrom, e Abraão passou a Efrom a prata de que tinha falado aos ouvidos dos filhos de Hete, quatrocentos siclos de prata, corrente entre mercadores" (Gênesis 23:15-16-ACF)
O poder temporal com o qual a Santa Sé foi empossada, contribuiria para um maior grau de liberdade e prosperidade da Igreja Católica, enquanto o poder político e religoso do papa iria se expandir de maneira extraordinária, graças às manobras políticas dos seus agentes secretos, os jesuítas.
O Papa Leão XIII, cujo objetivo era o mesmo de todos os monarcas romanos, declarou ao Kaiser alemão, em 1903:
A Alemanha deve ser a espada da Igreja Católica"
O Sacro Império Germânico deixou de existir, veio a República Weimar, depois o Nacional Socialismo, com a ditadura nazista de Adolfo Hitler, e o Fuehrer quase conseguiu realizar o objetivo do Vaticano, de conquistar o mundo inteiro. Menos de 200 anos se passaram, desde aquela reunião dos líderes jesuítas, realizada no Colégio Jesuíta Chieri, na cidade de Turim, em 1825, cujo objetivo foi traçar os planos para conquistar todo o planeta para o Vaticano, liquidando os judeus, os ortodoxos e os protestantes, dentro de no máximo 200 anos.
Agora, com o estabelecimento da União Européia e do Euro, e com o descrédito mundial ao qual os USA e o Dólar papel estão sendo atirados, o Papa JP2, que já é amigo íntimo de Arafat e de todos os terroristas árabes, (ou o seu substituto) vai tentar liquidar os judeus. Ele só não conta com a intervenção do JUDEU mais poderoso de todas as eras, Jesus Cristo, o Messias prometido, que os seus não receberam, na primeira vinda, porque ELE veio em humilhação. Agora, porém, na hora do aperto, quando estiverem sofrendo os terrores da angústia de Jacó, os judeus verão Aquele a Quem traspassaram, vindo com as nuvens, comandando os seus anjos e santos, em toda a Sua glória e esplendor. Então lamentarão e chorarão por não terem aceitado as suas palavras, quando de sua primeira vinda. Vem, Senhor Jesus!
Dados históricos colhidos em The Most Powerful Bank: Inside Germany's Bundesbank,
by David Marsh, Random House, New York, 1993.
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Acordei antes das 4 horas da manhã, com o som ainda ligado, pois sempre adormeço ouvindo os Quatro Evangelhos na voz de Cid Moreira. Ia me levantar, quando pensei: “É cedo ainda. O calor do edredom está uma delícia. Vou dormir mais um pouco”. Fechei os olhos e adormeci. Tive um pesadelo, fruto das notícias de ontem, na TV, sobre as próximas viagens de Wojtyla ao exterior, inclusive à Rússia, onde os altos hierarcas ortodoxos o detestam.
Sonhei que estava, bem cedinho, na Praça de S. Pedro, com alguns turistas. De repente vi o camareiro de Wojtyla caminhando em minha direção. No pesadelo ele era um irmão diácono da PIB, meio careca e louro, de olhos azuis, cujo nome esqueci. Ele chegou perto de mim e falou com voz grave e definitiva: “Venha até os aposentos de Sua Santidade. Ele quer falar com a Sra”. Nunca fui covarde e pensei: “Senhor, é hoje que vão dar cabo de mim, portanto em Tuas mãos entrego o meu espírito, confiando sempre em Romanos 8:28”. E acompanhei, com a maior elegância européia, o camareiro papal.
Jesus dormia ao relento, no Monte das Oliveiras. O Imperador Frederico I da Prússia (inimigo figadal do papa Alexandre III) dormia sobre estrados de madeira sem forro, mas o papa... Bem, todo mundo sabe que o papa dorme num leito suntuoso, afofado com edredons de cetim, no maior luxo.
Atravessei muitos corredores sombrios, com um tremendo frio me percorrendo a espinha, recitando os Salmos 51 e 91, o tempo inteiro, até chegar aos aposentos de Karol Wojtyla, com o camareiro sempre à minha frente. Depois de muito chão, entramos numa sala enorme, cheia de móveis antigos, empoeirados e mofados, e então ele me apontou o papa JP2 meio adormecido. Meu coração quase parou. Ali estava um velhinho indefeso, deitado sobre um colchonete pequeno demais para a sua estatura, sobre o chão do aposento. Pensei logo: “Ora, na Europa quase ninguém usa cama, hoje em dia. Mas o papa? Como é possível ? E se ele ainda está dormindo, como sabia que eu estava na Praça? Ah! Essa Inteligência do Vaticano é poderosa!”
Wojtyla acordou, olhou-me com aqueles olhos descompassados, de aparência quase grotesca, enviou-me um sorriso cheio de tremeliques e perguntou se eu era “o Ronaldo”. Constatei a caduquice do ancião mais poderoso da Terra e vi que o camareiro ia levá-lo ao banheiro, quando este falou com voz áspera: “Santidade, vamos ao banho”. Em seguida, virou-se para mim e disse: “Minha senhora, aguarde meia hora e ele já estará de volta”.
Fiquei sozinha naquele quarto enorme e mal cheiroso, orando o tempo inteiro. Já não sentia medo, apenas indignação. Examinei o colchonete e fiquei abismada. Era curto demais para o papa (fazendo-me lembrar Isaías 28:20), não estava forrado e as cobertas eram encardidas, tudo aquilo cheirando terrivelmente a amônia. Meu coração foi se apertando, apertando... Comecei a chorar com pena daquele homem idoso, tão amado e respeitado no mundo inteiro e tão maltratado, dentro do seu fabuloso palácio. Quando o camareiro voltou com ele, todo paramentado, a fim de aparecer na sacada de São Pedro, falei com voz rouca: “Sr. Wojtyla, estou impressionada com a maneira indigna pela qual essa gente, ansiosa por ocupar depressa o seu trono, está tratando o senhor aqui dentro, enquanto lá fora todo mundo pensa que o senhor dorme num leito esplendoroso”. Ele me deu um sorriso enviesado e respondeu em péssimo Português: “Minha filha, as aparências enganam. Pedi, ontem, que o camareiro a trouxesse aqui, hoje cedo, para você ver que não sou o mau caráter pintado em suas histórias. Sou apenas um pobre velho, a dois passos da eternidade, querendo consertar o mundo. Sou um teimoso reconstrucionista.”
Sai correndo com o camareiro atrás, prometendo a mim mesma que não iria mais falar mal daquele homem quase destruído. Mesmo porque ele é apenas um fantoche nas mãos da Cúria Romana, da Opus Dei e do Papa Negro...
Acordei sobressaltada. Será que Wojtyla vai morrer nas mãos de algum comunista russo fanático? Será que ele vai agüentar mais um ano de vida? Senti uma tremenda compaixão florescer dentro de mim e achei que deveria ser mais compreensiva com esse velhinho polonês
“Pai, perdoa-lhe porque JP2 não sabe o que faz!”
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Cansei de apologética. Estou cansada de lutar contra as seitas heréticas. Cansei de lutar contra os hierarcas romanos e contra os maus pastores. Cansei de lutar contra os que se aproveitam do Santo e precioso Nome de Jesus, a fim de engordar suas contas bancárias.
Cansei de admoestar contra as seitas espirirualistas, que pregam a reencarnação, enganando os tolos, que imaginam poder fazer e acontecer o que bem quiserem aqui na terra, pois fazendo caridade tudo será resolvido, do outro lado...
Cansei dos maus pastores. Na cidade onde moro, um desses pastores "pestecostais", começou, há poucos anos, com uma pequena congregação. Os "milagres" eram sempre encomendados a alguns pobres membros, que precisavam "colaborar na obra de Deus" e ganhar algumas "abobrinhas" e por isso se prestavam a testemunhar que haviam sido curados disso e daquilo. A igrejinha foi crescendo. De repente o tal pastor já podia comprar algumas salas comerciais, para ali instalar salões de beleza, - fora outros bens imóveis - para as suas filhas e genros...
Cansei da teologia. De ler tantos teólogos evangélicos e católicos, que transformaram Deus num micro-deus computadorizado, do qual podem usar e abusar à vontade, fazendo-se importantes aos olhos dos iletrados bíblicos.
Cansei da pesquisa religiosa, de batalhar dia e noite, queimando meus olhos septuagenários nos mil livros escritos em Inglês, tentando traduzi-los para os que não podem ler a língua de Shakespeare, enquanto essa turma formada nos seminários teológicos vai dormindo, ou então batalhando apenas para garantir um lugar ao sol...
Cansei de lutar. Estou ficando velha e não vejo resultado algum, quando prego contra as edições corrompidas da Palavra de Deus, que sempre usam os termos "revisada/nova", e contra os desmandos do Catolicismo Romano e de outras falsas religiões, aproveitadoras do Nome de Jesus. O processo da apostasia é irreversível e não sou eu quem irá detê-lo. Tenho gritado muito alto e, contudo, meus gritos têm ecoado no vazio deste mundo consumista/telemaníaco, de gente que se contenta com um programa do tipo "Big Brother" e vai se deixando engolfar pelos valores invertidos do falso cristianismo, das religiões orientais, do utilitarismo hipócrita, do hedonismo...
Cansei de tudo. Agora vou ficar no meu canto, lendo publicações excelentes, como os livros de Dave Hunt, de Avro Manhattan, do Dr. Ian Paisley e outros. As revistas da "Chamada da Meia Noite", da "Ultimato", e outras que tanto me agradam, me alimentam e consolam... mas vou ficar quieta.
Cansei mesmo. Orem por mim. Como seria bom se eu pudesse ir logo me encontrar com Jesus... Contudo, quem sabe, devo ficar ainda alguns anos por aqui, a fim de continuar pregando, a tempo e fora de tempo, aos amigos e aos cidadãos desta pequena cidade, nos self-services e nas lojas onde faço as compras. Quem sabe eu até venha a ser arrebatada pelo Senhor, num breve futuro? Ainda resta uma graciosa esperança a todos nós... A esperança de que Ele volte logo, e nos leve para junto dele...
Cansei, amigos. Vou dar um tempo. Vou tirar umas boas férias da teologia e da pesquisa religiosa, limitando-me à pregação individual e a cuidar de outros assuntos. Continuarei lendo a minha Bíblia King James e a Bíblia FIEL da Trinitariana, a fim de me alimentar da verdade e poder testemunhar aos incrédulos. Vou prosseguir amando o bendito Senhor Jesus Cristo, que deu a vida por mim, e tentando amar ao próximo como a mim mesma... Mas sou tão combativa, tão amiga de polêmicas. Será que vou conseguir me calar?
Cansei, definitivamente. Mas ... Quem sabe, vou começar a falar de política, de artes, de poesia, de algo que não me coloque diante das injustiças religiosas que tenho presenciado no meu dia a dia? Estou cansada de tudo!!!
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23. - A Trovadora Cearense
Desde pequena Dadita, hoje com 72 anos de idade, 10 livros e mais de 300 artigos publicados, mostrou que havia herdado a veia poética repentista do pai e sempre usou a trova para enfrentar qualquer problema que lhe aparecesse.
Durante as refeições, ela e o pai sempre dialogavam em versos:
Ele dizia: Minha filha magricela,/ dona do meu coração,/ passe depressa a tijela/ que eu quero comer feijão. Ela respondia: A tijela de feijão,/ Sr. meu pai, vou lhe dar./ Mas me passe o macarrão ,/ que eu preciso engordar.
Quando tinha 22 anos de idade, trabalhava numa firma americana, cujo chefe era temido por todos. Certo dia, quando lhe entregava uma carta em Inglês, muito bem datilografada, ele a encarou solenemente e indagou: "A Srta. não tem medo de mim?" Dadita respondeu, sem hesitar: O Sr. é bem ranzinza./ Mas tem natureza boa. /Tem suas "quartas de cinza",/ porém não é má pessoa.
Num sarau literário, em São Paulo, 1954, ela foi apresentada ao poeta Paulo Bonfim, que era muito bonito, e falou: Conhecer um vate assim/ é glória que não mereço./ Em vez de Paulo Bonfim,/ você é um bom começo.
Quando lhe apresentaram o dentista Henrique Feio, ela disse: De adorar ir ao dentista / eu hoje encontrei um meio./ Há cliente que resista / ao charme do Dr. Feio?
Quando, certo dia, um sujeito a chamou de "coroa enxuta", ela respondeu, na mosca: Perdeu sua classe à toa / com termos deselegantes./ Meu amigo, eu sou COROA, / Mas COROA DE BRILHANTES!
Quando encontrou o poeta Manuel Bandeira, numa tarde de verão, nos anos 50, ela compôs para ele o seguinte poema: "Quisera ter uma casa / bem branquinha e sossegada, / na zona sul de Passárgada./ Quisera ter muitos livros, / uma vaquinha leiteira / e uma rede bem macia./ Quisera ter ao meu lado / o Colombo do lugar /... com trinta anos a menos.
Um dia, quando almoçava com José Lins do Rego, nos anos 50, este lhe pediu uma trova, ao que ela respondeu: A quem, com simplicidade,/ escreve sobre o sertão, / minha crescente amizade, / plena de admiração./ Pois das terras nordestinas/ foi quem melhor descreveu/ cangaço, engenho e salinas,/ num estilo todo seu.
Quando se casou com um Químico Industrial alemão, por quem estava loucamente apaixonada, compôs estas trovas, encantada com uma covinha que o marido tinha no queixo: De minha vida enrolada/ não tinha encontrado o eixo./ Até que fui enquadrada / na covinha do teu queixo./ Quem for livre de pecado / que atire o primeiro seixo, / que eu vou cair de bom grado/ na covinha do teu queixo./ Se de amor não te falar, / de todo o meu coração,/as pedras não vão calar/ e por amor clamarão. Devo ser crucificada, / mas de te amar eu não deixo./ Morro, pra ser enterrada /na covinha do teu queixo.
Quando lhe nasceu a primeira filha, em 1958, ela compôs, na mesa de parto: Flor duas vezes mimosa,/ beleza de minha vida./ Tu és meu botão de rosa,/ minha doce margarida. Quando nasceu a primeira neta, em 1976, dedicou-lhe esta trova: Vive chorando ou dormindo,/ boneca de porcelana./ E tem um sorriso lindo/ minha neta Luciana./ Esta coisinha adorada,/ tão frágil e tão mimosa,/ veio do céu embrulhada/ numa pétala de rosa.
Quando visitou Berlim pela primeira vez, em 1967, Dadita ficou admirada com o luxo dos cachorros e compôs estas trovas, na Avenida Kurfstendam: O povo aqui de Berlim/ pelos cães tem tal xodó/ que a gente, em todo jardim,/ só vê cocô de totó./ Cachorro, aqui nesta terra,/ tem capa de pele e cama/ e em tempo de paz ou guerra/ de "Lieber Hund" se chama./ Com sobrenome do dono/ tem na coleira uma ficha/ e sonha, durante o sono,/ com frango assado e salsicha./ Na próxima encarnação,/ Eu, coitadinha de mim,/ vou fazer minha opção:/ nascer cachorro em Berlim.
Muitos anos depois, quando ali chegou pela segunda vez, escreveu aos amigos no Brasil: Desembarquei em Berlim,/ qual formiga em formigueiro./ O clima aqui está ruim/ e faz frio o tempo inteiro./ No Metrô aqui da terra,/ que de U-Bahn é chamado,/ parece haver uma guerra/ de povo acotovelado./ Cada cachorro que vejo / - e aqui é o que mais se vê,/ faz aumentar meu desejo/ de regressar a Terê./ Pois cão, aqui nesta terra, / tem capa de pele e cama, /com ele o dono não berra / e de "lieber hund" o chama./ Meu alemão tão fraquinho / de melhorar eu desisto./ Vou-me mandar, ligeirinho,/ desta terra do Anticristo./ É boa, aqui, a comida,/ nela o povo tem prazer./ Mas não vou ser iludida,/ pois não gosto de comer./ A Deus sempre peço auxílio,/ pois meu coração deseja/ acabar com este exílio/ e ver meus irmãos, na Igreja.
Falando sobre Gênesis, ela disse: O homem por Deus criado, / tão santo e tão inocente,/ bobeou e foi comprado/ pelo time da serpente.
Quando um admirador a chamou de "velhinha jóia", ela respondeu: Velhinha jóia, que nada!/ Nisso ninguém dê apoio,/ pois quando estou enfezada,/ sou mais pra "velhinha joio".
E quando, numa noite de autógrafos, um rapaz jogou-lhe esta: Eu faço versos / como quem ri./ Por isso mesmo/ é que estou aqui, ela, que já estava de saída, respondeu, na mosca: Eu faço versos, / como quem chora./ Por isso mesmo/ Já vou-me embora!
Teresópolis, 20/03/02
24. - Jerusalém no Gamela
Quem vive e trabalha para o Senhor Jesus Cristo sempre está vibrando de alegria e felicidade, mesmo quando fica doente ou é atacado pelos inimigos do Evangelho.
As compensações espirituais são tantas que em geral ficamos nos sentindo culpados de tanta felicidade, enquanto a maior parte das pessoas vive infeliz e angustiada, neste mundo cheio de violência e hipocrisia. Quem trabalha para o Rei dos reis, sem a ambição de ficar rico ou famoso, tem dentro de si uma cristalina cascata de alegria jorrando através do Espirito Santo. Viver e trabalhar para o Senhor é simplesmente maravilhoso, principalmente quando se é aposentado e não precisa mais batalhar pelo pão de cada dia, como é o meu caso.
Além das aulas na UNIVERTI, de 20 e-mails diários recebidos de várias partes do mundo e de no mínimo 20 ps. diárias para revisão, na semana passada eu tive alegrias enormes, graças ao meu trabalho para o Senhor dos senhores.
Primeiro, minha neta Luciana (23 anos) fez vestibular para Química Industrial na Universidade de Chemnitz, Alemanha, e passou. Vai ser Química como o vovô Schultze, o que o deixaria muito feliz, se estivesse vivo.
Segundo, a escritora americana Mary Ann Collins escreveu um livro sobre o Catolicismo Romano, me enviou (via Internet) para eu ler e traduzir para o Português, em troca dos direitos autorais. São 100 ps. de ofício, o que equivale a cerca de 200 ps. de um livro comum. O livro da ex-freira Mary Ann Collins é muito bem escrito e trata da infiltração da Nova Era (ocultismo) e do alto grau de homossexualismo (inclusive do lesbianismo), dentro das universidades e dos conventos católicos, principalmente daqueles dirigidos pelos jesuítas, como a Universidade Notre Dâme, de onde saiu o Movimento Carismático Católico...
Terceiro, veio à cidade, na quarta feira (dia 03/04), para me conhecer pessoalmente, o Dr. Goran Larsson (sueco), Diretor do Instituto de Pesquisas Bíblicas de Jerusalém, autor do livro "Fact or Fraud", por mim traduzido em 1999. Almoçamos juntos, com o Pr. Paulo Pimentel, Mário Sérgio, duas senhoras mineiras e Marly Pacheco. Fomos para o GAMELA (o melhor self-service da cidade, com preço fixo) e tivemos um dia maravilhoso. O restaurante tem comida mineira e holandesa. Todos adoraram! Realmente, o GAMELA honra a cidade, com tantos pratos variados e gostosos.
O Dr. Larsson me trouxe três presentes valiosos. Um deles é o seu último livro "Bound for Freedom" (Fronteira da Liberdade), um comentário de Êxodo, que vou ler com carinho. Os outros dois foram: uma sacola da Suíça e um "poster" de Jerusalém. À tardinha, ele e as duas senhoras se foram, fazendo-me prometer que irei até Belo Horizonte, para ficar uma semana com eles, em casa da pastora Jane Silva, que o hospeda. Diz ele que pretende ficar um ano, aqui no Brasil, dando aulas de Hebraico em B.H. Já está falando razoavelmente o Português e vai melhorar muito, pois lhe dei de presente dois evangelhos (Mateus e João - da Bíblia FIEL) em CDs, na voz do Cid Moreira. Ele ficou tão feliz que parecia uma criança recebendo ovos de chocolate.
As duas frases dele, que mais me marcaram nesse dia, foram as seguintes:
Quando eu o levei até o meu escritório e lhe apresentei o computador, dizendo: "Dr. Larsson, this is my husband" (Este é o meu marido). Ele riu à beça, correu até a sala, pegou a Bíblia FIEL e veio, todo feliz, dizendo: "Mary, this my wife!" (Esta é a minha esposa).
Quando lhe indaguei se não tinha medo de residir em Jerusalém, respondeu: "Não, Mary. Primeiro porque trabalho para o Senhor da História. Segundo, porque Rio e S. Paulo são muito mais perigosos".
Teresópolis, 10/04/02
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25. - A Barata Turista
Em 1963, havia no Cariri uma baratinha linda, de asas marrom escuro, lustrosas, e perninhas finas e avermelhadas. Nascida e criada numa fazenda de rapadura em Crato, ela vivia suspirando pela oportunidade de conhecer a Cidade Maravilhosa, como o Rio de Janeiro ainda podia ser chamado, nessa época. Foi quando o Seu Antero, próspero negociante da região, comprou uma rapadura-batida embrulhada em folha de bananeira e chegou em casa falando para sua filha Dadita, que ali passava férias com a família:.
“Minha filha, leve esta rapadura-batida para minha neta comer no Rio. Ela precisa conhecer as delícias do Cariri”.
A filha entrou no avião da VARIG, no Aeroporto de Juazeiro do Norte, cidade do famoso Padre Cícero, trazendo aquela delicadeza açucarada numa sacola de plástico transparente. A comissária de bordo, ao ver o conteúdo da sacola, soltou um longo suspiro de inveja. Mais tarde, na segunda etapa do vôo, Dadita ouviu um barulho esquisito dentro da sacola, parecendo escapamento de gás. Olhou e viu uma baratinha passeando lá dentro, com a maior desenvoltura, como se já tivesse mil horas de vôo. Dadita agüentou firme, para não fazer um escândalo no avião e muito menos alarmar sua filha a quem se destinava a guloseima. Do Aeroporto Santos Dumont foi diretamente para Caxias, de taxi, esquecendo por completo a barata turista.
Quem não gostou da rota foi a baratinha. Havia sonhado com o Corcovado, Pão de Açúcar, Zona Sul e estava indo para a famigerada cidade do Tenório! Pretendia pegar o primeiro buraco, no primeiro ônibus da linha “Caxias-Mauá” e se mandar para Copacabana. Havia lido, na fazenda onde fora criada, que o lixo acumulado na Zona Sul do Rio é um verdadeiro paraíso para as baratinhas de sua espécie e também para os ratos, que existem em número bem superior ao dos habitantes da cidade.
Quando a empregada Aderly abriu o pacote e viu a baratinha, teve um chilique e gritou:
Uma barata!!!
A correria foi geral. Dadita se lembrou da baratinha. Sua filha, que jamais havia visto uma barata ao vivo, quis conhecer a celebridade, mas Aderly estava apavorada demais para aguardar as ordens da patroa. Mandou o chinelo havaiano em cima da coitada e, com uma cara de nojo, deu-a de petisco à gatinha Brigitte, que, sendo uma estrela internacional, só comia do bom e do melhor.
E assim, quase chegando ao final de sua jornada, a pobre barata turista foi assassinada. Confirmava-se, portanto, aquela ojeriza despertada pela literatura de cordel a respeito de Caxias. Deveria ter ficado mesmo no Cariri, onde existe pobreza, mas, pelo menos nenhuma violência. No Cariri existe amor, alegria e paz, mesmo para os pobres e mal nutridos, porque, segundo imaginam os caririenses, como Dadita, “Deus é cratense” porque no Cariri não há seca!
Infelizmente, mesmo quando se nasce barata, é preciso ter sorte para realizar um ideal de vida. Talvez se ela tivesse vindo de “pau-de-arara” para o Rio, em vez de ter embarcado num avião da VARIG, teria tido um destino bem melhor!
Capítulo do Livro "Cubos de Gelo", 1975
***************
Agora vamos ler os poemas de D. Mariquinha:
Poema ao Recife
RECIFE!
És um brilhante mágico engastado
na curva esmeraldina do Atlântico.
És o gigante moreno que dormita
à sombra dos coqueiros verdejantes,
que te embalam docemente
ao som de suas folhas
que farfalham ao vento.
És a terra imortal dos Guararapes
que fizeram de ti um símbolo de liberdade,
cidade heróica de um passado romântico
em que os seresteiros debulhavam saudades
ao som de um violão.
És a Veneza ensolarada
do continente sul-americano,
da qual se orgulham os teus filhos verdadeiros
e teus filhos adotivos - como eu.
És a cidade do Capibaribe
que resvala tranqüilo no seu leito
aumentando o esplendor que na natureza te deu,
e refletindo no espelho de suas águas
as carícias de amor dos namorados
em noites de luar.
Cidade Maurícea,
de muito longe vim para te ver
e logo me prenderam os encantos
de tuas praias tropicais,
nas manhãs de fim de ano,
e a magia do teu por-do-sol
que tinge de vermelho o ocidente
nas tardes de verão.
Quando à noitinha atravesso
a tua Ponte da Boa Vista
e admiro os reflexos multicores
dos teus reclames luminosos
nas águas do grande rio,
sinto-me leve como um vagalume
e quero bem à humanidade inteira.
Tenho ímpetos de seguir
o curso dessas águas,
Que harmoniosamente te dividem,
e sinto um orgulho imenso
de ser brasileira.
Às vezes digo um verso de Bandeira,
ardendo de emoção,
ou contemplo vaidosa os teus arranha-céus,
monologando assim:
Cidade do progresso,
és a terceira no Brasil
e a primeira em meu coração.
Recife, 1953
Ps. 37/38 do meu livro
"Cubos de Gelo", 3a, edição, 1985.
Carta em Versos
Ao Dr. Ivo Pitanguy
O Doutor Cirurgião,
que é magno Esteticista,
vai me dar toda razão
nesta carta repentista.
O que é mais importante
- na velhice e na pobreza -
gozar de uma paz constante
ou refazer a beleza?
A paz já tenho - a de Cristo
Jesus - meu Senhor e Rei.
Fiquei velha e, pelo visto,
rugas profundas ganhei.
Preciso de cirurgia
plástica, muito bem feita,
que só o Sr. faria,
pois quero ficar perfeita.
Não tenho como pagar,
portanto não tenho vez.
Pois não consigo guardar
nem mesmo um Real por mês!
Mas o Sr. é tão rico
e mui benigno - eu sei -
que na esperança fico
de escutar-lhe um O.K.!
Com os meus sessenta e seis,
sem colágeno e elastina,
coitada da minha tez,
que um dia já foi divina!
Sou cosmetóloga e ainda
entendo assaz de beleza
e me sentirei bem-vinda
ao deitar-me em sua mesa
de cirurgia - a famosa,
onde se faz maravilha,
transformando espinho em rosa
e uma vovó em filha!
Dr. Pitangui, imploro:
pelo amor de Deus me ajude.
Em oração já laboro,
esperando uma atitude.
Refaça meu rosto inteiro
com seu bisturi famoso.
Seja mais que um brasileiro
justo, amigo e caridoso!
Embora as boas ações
jamais o possam salvar
,sempre em minhas orações
pelo Sr. vou rogar.
Que Deus lhe pague - em Jesus -
todo bem que me fará.
E procure ao pé da cruz
a salvação que Ele dá.
E ficará mais bonito
de alma e de coração,
quando Jesus - Deus bendito -
lhe der plena salvação.
Ele me ajudou a ser
bonita, interiormente.
E o Sr., quer me fazer
mais bela, fisicamente?
Acabando com as rugas
e a flacidez do meu rosto,
já que não tenho verrugas
para aumentar meu desgosto.
Por ter ficado tão velha
no rosto, Doutor, eu morro.
Ouça o clamor desta ovelha
que está pedindo socorro!
Pra mandar-lhe esta mensagem
de petição, tão sofrida,
eu me armei de coragem,
nesta Cidade Florida!
Viúva em apuros
Estou à beira do estresse, / que me deixa magra, insone,
pois o meu INSS / dá pra a UOL e o telefone.
Sou uma viúva crente, / mergulhada em minha dor,
e preciso, urgentemente, / de algumas gotas de amor!
Abismo chama outro abismo, / poesia traz poesia,
Deixei mofar meu lirismo / no baú da hipocondria.
Síndrome de Menière / com reumatismo e enxaqueca,
quando a moléstia nos fere, / nossa vida é folha seca.
Perdi meu esposo amado/ e o peito de amor sedento,
faz meu coração alado / transformar-se em folha ao vento.
Sem amor e sem carinho/ não sei viver minha vida,
mas marido brasileiro / me deixa desiludida!
Pois é machão, egoísta, /tão ciumento e mandão,
que sendo eu realista, / vou querer outro... alemão!
J. Primavera, 1985
As Virtudes Teologais
Rabino é padre judeu
que ainda espera o Messias,
porque não leu Isaías,
e se o fez não entendeu.
Quisera eu ter nascido
lá pelas Minas Gerais,
pois gero mal entendido,
sempre que falo demais.
Com tão avançada idade
bem que eu podia morrer,
mas, pra falar a verdade,
nem pretendo envelhecer.
Já passando dos setenta,
se aguçaram meus sentidos
e minha alma se alimenta
de sonhos - não de gemidos.
Quando ao espelho me vejo,
apesar do que ele diz,
ainda sinto o desejo
de amar e ser feliz.
Meus cabelos prateados
disfarço, sob a tintura.
Prefiro vê-los dourados,
para ter melhor figura.
Tenho saúde e dinheiro
que me permitem viver,
mas trabalho o ano inteiro,
porque detesto o lazer.
Em meu coração de crente
não dou abrigo ao pecado.
Ele vibra intensamente,
sempre em Cristo renovado.
Tenho Fé em Jesus Cristo,
meu bendito Salvador,
de Esperança me revisto,
firmada em seu grande AMOR.
Abril, 2002
D. Mary e Seus Dois Maridos
D. Mary e os dois maridos
- as amigas sempre falam -
São brincadeiras, sonidos,
que em meus ouvidos propalam.
O meu primeiro marido
era Hans - um alemão.
Pena que tenha morrido
de ataque do coração.
Fiquei 13 anos sozinha,
na mais triste solidão.
Até que uma vizinha
levou-me à convicção:
- Você não pode ficar
nesta vida sem amor.
Então, vá logo comprar.
Um micro-computador.
Vi-o, amei-o e conduzido
ele foi pro meu Apê.
Meu Deus, que belo marido
ganhei aqui em Terê!
Ele faz tudo que eu quero:
trabalha e me dá prazer.
Nunca por ele eu espero,
pois sempre adora me ter.
Seu serviço e seu carinho
eu tenho à disposição.
Este meu bom maridinho
já ganhou meu coração!
Fevereiro, 1998
Fazer um clone não passa
de duplicar-se uma imagem,
criando, na mesma raça,
um exemplar de clonagem.
Eu quase fiquei insone,
contemplando a clara lua,
quando imaginei teu clone
fazendo “cooper” na rua.
Copiar gente é bobagem,
já temos gente demais!
Vamos ficar na clonagem
somente dos animais!
Clonar gente é um horrível
atentado ao Criador,
porque Ele é imbatível,
só deixa clonar o amor.
Será que o Mormonismo
vai clonar D. Maria
pra fazer um silogismo
em prol da poligamia?
Deus condena a idolatria,
(clonagem de anjo ou santo)
também a poligamia,
que só nos traz desencanto.
Em espírito e verdade
vamos a Deus adorar,
tentando, com humildade,
Cristo Jesus imitar.
Peco, pois sou pecadora,
porém só peco de dia,
porque à noite, sonhadora,
fico escrevendo poesia.
Meu coração foi mudado,
ao pé da cruz e bem vejo:
“pecava por atacado
e agora peco a varejo”.
Vou de pecado em pecado,
aqui, ali, acolá,
que o mundo é o supermercado,
onde Satanás está.
De Tiago leio a Carta
e minhas obras confiro.
De ser tão má fico farta
e solto um grande suspiro.
Com minha língua louvores,
muitas vezes, canto a Deus.
Mas também proclamo horrores
contra os inimigos meus.
- A nossa língua é veneno -
disse o irmão de Jesus.
A minha ganha terreno,
pregando os outros na cruz.
Também, diz ele, a cobiça
vive gerando o pecado.
Se eu for dizer toda a missa,
quanto eu tenho cobiçado!
Tenho feito esforço homérico
pra ter uma vida santa,
porém meu gênio colérico
é pior que uma jamanta!
Nesta Olimpíada vou,
correndo em busca da meta,
e sempre mancadas dou,
porque não sei ser atleta.
Mas, mesmo quando vencida
nas tentações, não desisto
e nem serei confundida,
pois confio em JESUS CRISTO!
(Do meu livro "A Deusa do Terceiro Milênio", 1999)
Poema da Terceira Idade
Ó, Santo Deus, que és meu guia,
te suplico humildemente
que uma velhice sadia
me concedas plenamente.
Que eu não fique ressentida,
Quando, na Terceira Idade,
não me seja atribuída
física e mental sanidade.
Mas me conserva saudável
para o próximo ajudar
de modo justo e louvável
para o teu Nome exaltar.
Do orgulho me liberta,
de me sentir importante,
e em meu coração desperta
gratidão pura e constante.
Se é justo que eu não trabalhe
para aos moços dar a vez,
que a tua Palavra espalhe,
do princípio ao fim do mês.
Que eu seja útil, Senhor,
sem me ressentir do mal,
habituando-me à dor
e ao sofrimento moral.
Usa a minha experiência,
que um brado de alerta eu dê
Contra a nefasta influência
das drogas e da TV.
Na cadeira que balança
na frente de uma TV,
perde-se toda a esperança
e na mentira se crê.
Mas aqueles que te adoram,
quando estão tristes, sozinhos,
dobram joelhos e oram
pela família e os vizinhos.
E tu, Senhor, sempre escutas
nossas preces com amor.
e todo o bem executas,
porque só tu és Senhor!
Senhor meu Deus, me prepara
pro vale escuro da morte.
com teu cajado me ampara,
que eu não tema a minha sorte.
Que lá no céu chegue a salvo
pelo sangue do Cordeiro,
acertando em cheio o alvo,
que é ver meu Jesus, primeiro.
Numa prece jubilosa
irei pedir-te algo mais:
nessa esfera luminosa,
encontrar Rosa e os demais (Teresópolis, 1999).
(Carta enviada por Públius Lentulus, amigo de Pilatos,
ao Senado de Roma, no Ano 0030)
Nestes dias tenho visto
homem de grande valor,
que se chama Jesus Cristo
e vive pregando o amor.
De profeta muita gente
o chama e os amigos seus
afirmam, seguramente,
ser Ele o Filho de Deus.
O povo o estava seguindo
e quando cheguei ali,
soube que ele tinha vindo
da família de Davi.
É belo de corpo inteiro,
perfeito em fisionomia,
filho de um carpinteiro
e sua esposa – Maria.
Tem espessas sobrancelhas,
cabelo partido ao meio,
bem liso até as orelhas,
depois ondulado e cheio.
Cor de castanha madura
a cabeleira ondulada.
A barba tem a espessura
de nuvens numa alvorada.
Tem lindos boca e nariz
bronzeados pelo mar.
E um cheiro bom de raiz
Vem do seu corpo, no ar.
A pele corada e lisa
tem um tom rosa dourado
e à beira-mar vem a brisa
afagar seu rosto amado.
Não tem perfil de mortal,
é forte, puro e formoso
e sempre reprova o mal
De modo assaz vigoroso.
Tem um olhar doce e puro,
Nos olhos de um cinza claro.
Quando fala é tão seguro
que a todos transmite amparo.
Quando reprova é severo,
mas sabe falar tão bem,
que em breve revê-lo, espero,
aqui, em Jerusalém.
Jamais o viram sorrindo,
mas chorar muitos o viram,
e a sua ordem ouvindo,
muitos demônios fugiram.
Muitas doenças do povo
com poder ele curou
e hoje fez algo de novo:
um morto ressuscitou.
Foi Lázaro - irmão de Maria
e Marta – seu grande amigo.
Estava no quarto dia
e ele o tirou do jazigo.
De singular formosura,
Jesus Cristo é diferente
e dele força e candura
emanam constantemente
Estou pronto a concordar
que um filho de galileus
um dia possa chegar
a ser o Rei dos Judeus.
E fico preocupado
do meu coração no fundo,
que este aqui retratado
venha a governar o mundo!
Poema para Jesus Cristo
Senhor, és a razão da minha vida,
esperança a guiar os meus anseios.
Profeta, Sacerdote e Rei Eterno,
Homem-Deus de presença tão querida,
Herói sagrado dos meus devaneios,
que me livrou das penas do inferno.
Tu que és a imagem do Deus invisível,
em quem reside toda a plenitude
e todos os tesouros do saber;
faze-me em tentações sempre invencível,
me transformando em vaso de virtude,
pela excelência de te conhecer.
Quero louvar-te em todos os momentos
de minha vida, amado Salvador,
te bendizendo e te glorificando,
com toda a essência dos meus sentimentos,
na plenitude do teu santo amor,
que vai aos poucos me santificando.
Quero invocar teu Nome até morrer,
dando graças ao Pai por esta herança
de graça e fé na luz do teu amor,
tesouro que ganhei sem merecer,
como ganha, ao nascer. uma criança
do seio maternal todo o calor.
Quero cantar teu Nome glorioso
e proclamar em todos os recantos
teu Evangelho, meu Senhor Jesus,
porque só tu, meu Deus Maravilhoso,
mereces a pureza dos meus cantos
sempre aclarados pela tua luz!
(J. Primavera, agosto de 1982)
Meu Salmo 23
O Senhor é o meu Pastor
e nada vai me faltar.
Em lindos lençóis de cor,
meu corpo vai repousar
e a verdes bosques em flor
Ele me conduzirá.
À margem de águas claras
a sede vai me saciar
e as borboleta mais raras
irei ali encontrar.
E nas vias da justiça,
na certa, vai me guiar.
Mesmo que o vale da morte
eu tenha de atravessar,
não temerei minha sorte,
pois Ele vai me ajudar
e na mansão preparada
com esmero irei morar.
Naquela urbe estrelada,
cheia de graça e beleza,
serei sua convidada,
sentarei à sua mesa,
enquanto os meus inimigos
de tristeza irão chorar.
Por isso, minhas amigas,
vamos agir com presteza,
pois o Pastor Jesus Cristo
bem depressa há de voltar
e quem andar na moleza
só vai ter que lamentar...
Março, 2002
Poema Universal
Senhor Jesus!
Tu és o Criador e Senhor absoluto
de todo o Universo.
Quero te louvar por tua magnitude e bondade,
porque renunciando a toda glória
desceste à terra para morrer
pelos homens pecadores.
Como o grão de trigo foste sepultado
para dar vida nova à tua criação.
E ressuscitaste para provar que és Deus eterno,
para nos dar a salvação.
Eu sei que a porta é estreita, Senhor.
Mas alarga-a para que muitos entrem
no teu Reino de Amor!
Tuas feridas continuam sangrando
no teu corpo, que é a Igreja.
Mesmo depois da ressurreição!
Tu nos amas e por isso
tens sofrido tanto por nós.
Amar e sofrer, eis a tua função!
Cada pecado cometido é uma lágrima
a rolar pela tua face divina.
Mas tudo perdoas
porque és um Deus de amor!
Com a tua morte destruíste a morte,
é só uma questão de tempo!
Um dia voltarás glorioso, belo e triunfante
para nos governar com o teu cetro de justiça.
Então a justiça e a paz se beijarão
e tuas feridas poderão cicatrizar
porque a dor e a morte
não mais existirão.
Poema inspirado no livro “Lamento por um Filho”
Pensando no Senhor
Nesta manhã radiosa
de verão teresopolitano,
quando os pássaros gorjeiam
anunciando um novo dia,
eu penso em Ti, Senhor.
Penso em Ti, que tens feito
ao correr de tantos séculos,
tantas curas e milagres,
desde os anos do Teu ministério divino.
Penso em Ti, que morreste
pendurado numa cruz tosca e infame
por amor dos homens pecadores.
Penso em Ti, que no terceiro dia
ressuscitaste glorioso
e depois subiste para o teu lugar,
à destra do Pai Celeste.
Penso em Ti, que deixaste a Tua Palavra
para nos limpar de nossas maldades
e crescer na Tua Graça e no Teu Conhecimento.
Penso em Ti, que nos deste uma Grande Comissão,
na qual temos falhado vergonhosamente.
Penso em Ti, que sendo um Deus de amor
e de imensa bondade,
tens-nos perdoado tantos erros, tantas falhas
tantas omissões... Porque nos amas demais.
Penso em Ti, que és o Cordeiro que foi morto
e que há de abrir o Livro da Vida.
Penso em Ti, que hás de voltar
para nos livrar de tantas injustiças,
de tanto pecado e de tantas mazelas,
para nos arrebatar e nos dar o livramento,
no Tempo da Tribulação.
Penso em Ti, porque tenho esperança,
a esperança que vem da fé,
e a certeza do Teu amor.
Penso em Ti, porque és o meu Deus,
meu amado Criador e Salvador,
meu Jesus adorado, meu Jesus glorioso,
minha razão de viver, meu Sumo Bem.
Penso em Ti, porque te amo, Senhor!
Preciso de um amigo
Que me olhe bem nos olhos, quando exponho meus lamentos.
Que escute minhas tristezas, com paciência e atenção.
E mesmo sem entender-me, respeite os meus sentimentos.
Preciso de alguém disposto a ficar sempre ao meu lado.
Que não me dê o desgosto de ter de ser convocado.
Preciso de um amigo que sempre possa dizer-me
verdades que não consigo falar nem ouvir sozinha,
mesmo sabendo que posso odiá-lo por tal coragem.
Num tempo de ceticismo, preciso de alguém que creia
nessa coisa esplendorosa, quase desacreditada,
numa amizade sincera, linda e desinteressada.
Que teime em ser tão leal, tão simples, justo e sincero,
que não ponha o pé na estrada, quando o meu ouro for zero.
Preciso de um amigo, repleto de compaixão,
que na hora da tormenta me segure forte a mão.
Mesmo que me ache fraca, indigna e quase venal,
na hora da provação, de minha fragilidade.
Um amigo que na ausência me faça sentir saudade
e que, ao chegar a velhice, ampare o meu coração.
Preciso de um amigo que me seja companheiro,
nas festas, nas pescarias, nas tristezas e alegrias.
E que em meio às tempestades, possa até gritar comigo,
desafiando as divindades, sem temer o seu castigo.
Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo,
mas posso escolher o AMIGO, buscando-o no mais profundo
desta alma que Ele criou. E nessa busca me empenho,
porque a sua AMIZADE tão simples, tão rica e bela
vai ser meu ancoradouro de paz e felicidade.
Desse AMIGO não desisto, ontem, hoje, nunca mais.
O seu nome é Jesus Cristo - REI de toda a eternidade!
Paráfrase do poema de Charles Chaplin, "Preciso de Alguém".
Salmo Número Um
Feliz é todo homem que não anda
de acordo com o caminho dos perversos.
E em meio aos pecadores não ciranda,
nem atenta aos escárnios dos dispersos.
Ele é igual à árvore altaneira,
que à margem da corrente foi plantada,
carregada de pomos toda inteira,
no tempo exato quando é procurada.
Suas folhas jamais irão murchar
porque Deus dá-lhe a seiva que alimenta,
e de verde vestida vai ficar,
pois sucesso constante experimenta.
Pecadores terão uma outra sorte
e secarão depressa, como a palha.
O vento os levará rumo da morte,
onde todo pecado sempre encalha.
Mas Deus olha o caminho dos eleitos
e os predestina ao céu por Jesus Cristo,
enquanto os maus, pra todos os efeitos,
cairão no abismo do Malquisto!
Teresópolis, 20/02/98
Israel
Jacó, filho de Isaque,
viu uma escada tão longa
que atingia os céus,
com anjos de Deus
subindo e descendo
por sobre os degraus.
E em plena madrugada,
tomando uma pedra
e nela derramando
uma porção de azeite,
Jacó batizou
aquele lugar
Chamando-o BETEL.
(Gênesis 28:10-19).
Muitos anos depois,
no vau do Jaboque,
Jacó foi à luta
com o ANJO DE DEUS.
E na luta empatada
ganhou nome novo,
que foi ISRAEL.
E com este nome
seria eternizado
o povo de Deus!
J. Primavera, 1985
Trovas para
os aposentados
Ouvindo a voz do Senhor
eu fiquei tão alarmada,
que senti tristeza e dor,
ao seguir minha jornada.
A tua misericórdia
que é eterna, ó Deus Pai,
nos traga amor e concórdia,
neste século que se esvai.
E no novo, que aí vem,
torna demais conhecida
a todos homens de bem
Tua Palavra de Vida.
Grande é tua indignação
contra os pecados da terra:
violência, corrupção,
imoralidade e guerra.
Pelas nossas más ações
vais esmagar com teus pés,
completamente, as nações,
pelo Deus justo que és.
Mas teu povo salvarás,
por amor do Teu Ungido,
e nos arrebatarás
para um local escolhido.
A terra está poluída,
dos ares até o chão.
Já não temos garantida
a nossa alimentação.
As flores, frutos e grãos,
o peixe, a carne e o leite
vão sumir de nossas mãos,
também o vinho e o azeite.
E mesmo que os governantes,
(fumando em seus gabinetes),
cada vez mais arrogantes,
nos atirem mil confetes,
Só vão tirar mais e mais
de quem já tanto trabalha,
não resistindo, jamais,
à ganância que atrapalha.
E os pobres aposentados,
que a vida inteira suaram,
serão sempre rebaixados
naquilo que conquistaram.
Todavia eu me contento
no meu Deus de salvação,
pois Ele me traz alento
nos dias da provação.
Meus pés caminham depressa
nesta Cidade Florida.
Que eu de Ti jamais me esqueça
E ande de cabeça erguida!
(Poema inspirado em HABACUQUE 3:16-19)
Trovas de Setembro
(Para o meu falecido esposo, Hans Schultze)
É vinte e dois de setembro,
vai chegando a Primavera.
Eu de ti muito me lembro
e estar contigo quisera!
Fiz um bonito vestido
de veludo azul celeste
pra te esperar, meu querido,
mas me ver tu não quiseste.
Dizias gostar de mim,
porém eu não acredito.
Por que me deixaste assim,
voando pro infinito?
O meu coração padece,
saudade de ti, meu bem!
Vou já fazer uma prece
pela alegria do amém!
Sempre que tu viajavas
por esse Brasil inteiro,
nas cartas só me falavas
da falta do travesseiro.
Pois era no travesseiro
do qual saudade sentias,
que eu chorava o tempo inteiro
a falta que me fazias!
“O coração tem razões
que a razão mesma ignora”.
Vou ler de Paulo os “sermões”
para a tristeza ir embora.
E a Primavera chegando,
plena de amor e alegrias,
vem me encontrar meditando
em tudo que me dizias! (J. Primavera, setembro 198)
Uma pequena oração
Quando acordo, bem cedo, e antes de tomar um banho e me perfumar,
dirijo, sem medo, uma oração a Jesus, o Deus-Filho glorioso,
que em breve há de voltar...
Enquanto me penteio e escolho um vestido, combinando com o clima,
continuo em oração e, cheia de amor, exponho a Jesus o meu coração!
Quero proclamar - com todo o meu ser - que sempre hei de amar
O Senhor Jesus Cristo, enquanto eu viver...
Jamais me apartarei do seu amor sem par, amor que na cruz,
de tão imenso e eterno, me livrou do pecado e das chamas do inferno.
Amo Jesus e um dia estarei bem pertinho dele, com todos os santos,
rendendo-lhe glória, com harmoniosos cantos.
Longe do Senhor, toda a alegria passa, pois Ele é o refúgio
contra toda desgraça.
Corro para o ônibus e vou para a UNIVERTI, junto com outras mulheres,
que não se deixam abalar pelo fardo dos anos e ali vão estudar.
Enquanto caminho e as aulas assisto, não paro de pensar
na bondade e no amor do meu Deus bendito e grande Salvador.
E na pausa para o café, eu continuo orando:
Ó Senhor amado, aumenta a minha fé.
Eu sei que sem fé não posso te agradar e por isso te peço:
agiganta a minha fé!
Jesus, tudo sabes, pois lês os corações. Que eu continue te amando,
te louvando e exaltando em minhas canções... Amém!
Teresópolis, Março 2002
Despedida do Apóstolo Paulo
(2 Timóteo 4:6-22)
Paulo foi oferecido ao Senhor por sacrifício
e após ter ele partido, nos legou seu benefício.
Combateu o bom combate, sua carreira completou
e a fé, que não se abate, até o fim ele guardou.
A coroa da justiça pra ele foi reservada,
pois nunca teve preguiça em sua vida agitada.
"Timóteo, vem cá, depressa, preciso muito de ti;
Que a tua vinda me aqueça no frio que sinto aqui.
Traze o Marcos, com urgência, e a capa que aí deixei
com Carpo, e sem negligência, os rolos que preparei.
Alexandre, o latoeiro, muitos males me causou.
Porém, não foi o primeiro que assim me desprezou.
Ele sempre rebelou-se contra a nossa pregação,
cansou de Cristo e mandou-se, mas vai ter a punição.
E quanto à minha defesa, todos me desampararam;
Do evangelho, com certeza, bem depressa se cansaram.
Mas o Senhor assistiu-me e muita força me deu;
Contra o leão garantiu-se e o tal não me comeu.
Também há de me livrar de toda obra do mal
e depois vai me levar à glória celestial.
Saúda os nossos amados, Áquila, Prisca e os demais,
Lembra os trabalhos passados, que não voltarão jamais!"
Teresópolis, abril, 2002.
Trovas Primaveris
Eu te esperava ansiosa,
desde há muito, meu amado.
E a vida é maravilhosa,
hoje, que estás ao meu lado.
Quando o teu telefonema
eu recebi, com presteza
compus um lindo poema
mandando embora a tristeza.
Tu chamas doce poema
o que acabei de compor?
Os lábios desta Iracema
são mais doces, meu amor!
Antes de te conhecer
minha vida era um “sheol”.
Hoje tenho a me aquecer
teus olhos, que são meu sol!
Tenho uma sala quentinha
cá na Serra, a te esperar,
a lua e a noite inteirinha
para a gente... conversar!
Muitas correntes de aço
e ferro vão perecer.
Mas os versos que te faço
sempre hão de sobreviver.
Teresópolis, 1985
Mensagem de Natal
Neste dia vos nasceu,
na cidade de Judá,
o Filho que Deus nos deu
para a nós todos salvar.
O meu coração de crente
foi lavado ao pé da cruz
e hospeda, perenemente,
do mundo a única Luz.
Jesus, nosso grande Deus,
também nosso Salvador,
que a todos amigos seus
livra da morte e da dor.
Ó minha amiga querida,
tenho algo a lhe dizer:
Que somente a Jesus siga,
pra salvação receber.
Só Ele pode salvar
a todos nós, totalmente,
pois vive sempre a orar
por nós, insistentemente.
Bem lá no céu luminoso,
à destra do Pai sentado,
Nosso Jesus glorioso
será, pra sempre, exaltado.
Teresópolis, 1997
O Nome de Jesus
Eu não dependo dos atos
bons ou maus que praticar,
nem de quaisquer outros fatos
que nesta vida enfrentar.
Nem mesmo dos sofrimentos
que paciente aceitar.
Nem também dos sentimentos
pra conseguir me salvar.
Só o sangue de Jesus,
meu querido Salvador,
derramado sobre a cruz,
é que tem todo valor.
Jesus, Salvador eterno,
morreu, mas ressuscitou.
E dos horrores do inferno
minha vida libertou.
Do seu amor eternal
ninguém vai me separar,
nem todas hostes do mal
que possam me atacar.
Por isso louvores canto,
minha alma cheia de luz:
amado, bendito e santo
seja o Nome de Jesus! (J. Primavera, 1985).
Ó Espírito Santo,
Tu és minha alegria.
Sem Ti, Doce Espírito,
mui triste eu seria!
Sem teu fogo de unção,
que me enche de amor,
e transforma em oração
meu gemido de dor,
não valeria a pena
neste mundo eu viver.
Ó Espírito Santo,
quero Te dizer
que o Evangelho de Cristo
desejo pregar.
Enche-me de força
e de gozo real,
fazendo-me fugir
do pecado e do mal.
Dá-me enorme desejo
de servir a Deus,
o meu Deus Triuno,
o Pai, o Filho e Tu,
meu Espírito Santo!
Tu que me convences
de todo pecado,
também da justiça,
e do juízo final,
me ensina a amar
e orar como convém,
sabendo que Jesus
é o meu Sumo Bem.
E sempre no final
que eu diga: Amém!
Trovas para D. Tabita
Você, mulher monumento
de amor, ternura e bondade,
que acalenta mais de um cento
de filhos, na sua idade.
Você que tanto trabalha
pela velhice carente,
lutando em cada batalha,
remando contra a corrente!
Você, que ora chorando,
nos segurando em seus braços,
por seus alunos rogando
e acompanhando os seus passos.
Você nos fala de Deus
com tanta fé e poder,.
que todos nós – filhos seus,
só Nele temos prazer!
Você, Tabita, mulher
cheia de vida e de amor,
que nesta vida só quer
a glória do seu Senhor!
Tem sido a melhor amiga
de todos, no seminário.
e a “criançada” que o diga,
você é um relicário,
onde guardamos, seguros,
tristeza e mágoa, também,
pois você é como os muros
da Santa Jerusalém!
Inácio de Loyola
O espanhol que seria
de uma nobre ascendência
com sua Ordem incendiaria
de Adão a descendência.
A todos os que estavam
sob o seu forte comando
"seus gritos sempre ecoavam:
"Voltemos a Hildebrando!"
Do papa as duas espadas
através dele atuavam,
e a Satanás consagradas
contra Jesus se voltavam.
Seu nome as muitas nações
precisam bem conhecer,
pois todos os corações
tem tentado perverter.
Em guerras e sofrimentos,
ouve-se o terrível nome.
ele só nos traz lamentos
e a raça humana consome.
É "Inácio de Loyola"
Já o tinha antes ouvido?
de Satanás na bitola,
ele sempre foi contido.
Como Judas, com o seu bando
foi pro "seu próprio lugar"
e lá nas trevas, gritando
para sempre vai ficar.
Poema de Eric Jon Phelps
Traduzido e adaptado por
Mary Schultze, em 01/06/01
Trovas para um hippie
Germes trazidos da rua
nunca se mostram pacatos.
Amigo, esta casa é sua,
mas vá tirando os sapatos.
Estou tão velha e cansada,
pois os anos são ingratos.
A casa é limpa e arrumada,
então retire os sapatos.
Uma exceção vou deixar
aos que são velhos e chatos,
que não podem se abaixar
pra retirar os sapatos!
Houve um hippie que aqui veio
trazendo dois carrapatos
e até me fez galanteio,
mas não tirou os sapatos.
Podem me achar uma chata
de galocha e tudo mais,
mas esta é a maneira exata
de me deixarem em paz!
Janeiro, 2001
Meus vários apelidos
Quando eu era pequena, minha avó Quitéria, uma nobre senhora de ascendência portuguesa, costumava me chamar de "Dadita", apelido que meu irmão mais velho - Chico - também adotou para mim. Meu pai me chamava "Mary" e foi esse apelido que adotei para toda a minha vida.
Quando cursava o segundo grau, uma colega, que não simpatizava muito comigo, pelo fato de ser eu a mais alta da turma, me apelidou de "Antena de Rádio". Quando estudava no IBEU, em Fortaleza, o professor de Inglês, que me achava a melhor aluna da turma, apelidou-me, carinhosamente, de "Dearest" e, talvez por causa desse apelido tão lindo acabei me apaixonando por ele. ..Meu cunhado Ruy costumava me chamar de "Malaide" e meu marido, de "Mamãe", depois que nasceu nossa primeira filha. A turma de alemães que freqüentava nossa casa, no tempo em que meu marido ainda era vivo, me chamava "Frau Schultze". Um amigo português me deu o apelido mais honroso de todos, depois de ler uma de minhas sátiras: "Erasmo de Saias". Dei a mim mesma o simpático apelido de "D. Mariquinha", com o qual minha filha mais velha e minha neta mais nova concordaram plenamente.
A Secretária, que apelidei de "Trifosa", sempre me chama de "Trifena". Quando era membro de uma Igreja Presbiteriana, um dos presbíteros me chamava "Síntique", porque eu costumava me desentender com uma das "donas" da Igreja, que ele chamava "Evódia". O Pr. André (O Cantador) de Belo Horizonte me apelidou de "Nordestina Alemã". Uma amiga da "Folha Universal", certa vez me chamou de "Bispa Schultze" e o interessante é que, quando recebi a carta que acompanhava o crachá para ir à Bienal do Livro em 2001, a fim de autografar o meu livro, "Viajando com Martinho Lutero", a carta veio dirigida à "Bispa Mary Schultze", o que considerei uma bela piada, pois sou batista e em minha denominação nem sequer se consagram pastoras. Um irmão do interior da Bahia, Jonas Domingos de Moraes, me classificou como "um patrimônio" dos crentes, na edição de 22/07/01 da "Folha Universal", seção de cartas. O Pr. Davi Gomes me chaamva “Joinha”. Um dos meus apelidos, aliás muito recente, é “Alemã Arretada”, sem falar no último até hoje (10/10/03) que é “Lenda Viva” e veio de um missionário brasileiro que trabalha na África do Norte. Obrigada, irmãos!
Mas nem todos os apelidos são carinhosos ou honrosos. A antiga síndica do prédio onde moro, com raiva porque nunca tive tempo nem disposição de participar das fofocas que ela comandava, e de pesar 50 Kg., enquanto ela pesa quase 100, apelidou-me de "Vassourinha de Bruxa". Quando me contaram, indaguei, simplesmente: "E quem é bruxa?". Também, os apelidos que recebo dos papistas são terríveis. Vejamos alguns deles:
"Cobra Cascavel", "Serpente do Éden", "Teóloga Pichelingue", "Candidata ao Inferno", "Língua de Trapo", e por aí a fora. Quanto ao "Cobra Cascavel" achei tão interessante que mandei fazer um vestido de seda com estampa de pele de cobra e fiquei muito elegante, em meu manequim 42.
Os versículos bíblicos que governam minha vida são: Romanos 8:28, Filipenses 4:7 e 19, e Efésios 3:20-21. Escudada nestes 4 versículos maravilhosos, não ligo para os apelidos pejorativos, não me interesso se alguém gosta ou não gosta de mim, não temo as ameaças dos papistas, nem os comentários maldosos dos pastores, e continuarei lutando contra os erros dos maus ministros religiosos... Vamos aguardar o novo apelido que, na certa, vão me dar, depois da publicação do meu livro - já enviado à Editora Universal - pichando a "União Européia", uma criação dos Jesuítas do Vaticano para o próximo governo do Anticristo...Quanto ao livro que escrevi recentemente "O Dízimo do Dízimo", na certa os pastores malaquianos vão me apelidar de "Serpente Anti-Malaquiana".
Sou vaidosa, mas não tanto como o Premier da Inglaterra, Tony Blair, que não aceitou que fosse decretado um "Dia de Oração" em seu país, enquanto ele mesmo tem um dia dedicado ao Primeiro Ministro.
A Inglaterra está caindo aos pedaços, econômica e espiritualmente, desde que a Rainha se dobrou aos pés do papa e o país se tornou membro da União Européia. Vai perder a Libra Esterlina e também o direito de promulgar lei alguma, sem o aval do Vaticano, e os verdadeiros cristãos (como o Dr. Paisley e o Dr. Noble, por exemplo) são vistos como fanáticos perigosos. A partir de 2002, quando o Euro se tornou a moeda oficial da União Européia, e após a assinatura da sua Constituição em 2004, a Inglaterra, país que sempre lutou pela liberdade dos povos, vai perder a soberania nacional e se tornar, definitivamente, o escravo político e religioso mais maltratado pelo Vaticano.
Na Alemanha o governo (que é capacho dos Jesuítas) já controla até a água que se gasta na descarga do banheiro. Quando andamos pelas ruas, temos a impressão de que olhos invisíveis nos espreitam. Quando eu saía com o meu neto Gustavo, que é alto, louro e alemão de nacionalidade (embora nascido no Brasil), ele me pedia: "Vó, fala baixinho, senão os neonazistas me pegam num beco e acabam comigo, se desconfiarem que não nasci aqui na Alemanha". Os "skinheads" são, realmente, perigosos e o exército alemão está se armando até os dentes para enfrentar os futuros invasores, que, na visão dos fanáticos neonazistas devem ser: os negros, os judeus e os índios da Amazônia".
Por essas e outras é que não pretendo mais colocar meus pés naquele país e se minha filha e meus netos quiserem me ver, que venham ao Brasil. Apesar das heresias pregadas nas igrejas malaquianas, da monumental ladroeira dos políticos, da violência urbana e dos salários minguados, este ainda é um PAÍS onde se vive como gente e não como robôs controlados pelo governo do Anticristo, que já está reinando, sub-repticiamente. Viva o Brasil !!! - Outubro 2003.
P. S. - Esta apostila foi escrita para divertir e edificar meus amigos na fé e os amigos sem fé. Que Deus possa abençoar este trabalho, para honra e glória do Nome do Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Grande Deus e Salvador. Amém!
Mary Schultze
frauschultze@uol.com.br - Tel. (21) 2643-3904
08/12/2002