O “enternurado” emergente

 

          Gosto de criar alguns neologismos; contudo, o de cima não é meu. É de um dos meus leitores, dizendo que se “enternurou” por mim.

          Gostei do verbo, principalmente por ser tão charmoso como “enternecer” sendo mais um verbo para aumentar a capacidade do brasileiro se expressar, demonstrando ternura por alguém.

          Em seguida, como sou cautelosa, fui pesquisar na Internet a respeito desse “enternurado” e descobri, para meu desgosto, que se trata  de um tremendo discípulo dos líderes emergentes americanos, por quem eu, simplesmente, não alimento a menor simpatia. Certamente, vamos brigar muito!

          Vejam a lista dos seus autores favoritos:

Phillip Yancey; Henry Nowen; Brenan Manning; Brian McLaren.

Todos estes autores estão absolutamente inseridos no Movimento da Igreja Emergente e lamento pela influência devastadora que eles devem estar exercendo sobre o “enternurado”, o que já se torna evidente pelas suas músicas favoritas, as quais são:

Várias de Sérgio Pimenta; Khorus; Aeroilis; Pimentas do Reino; Heloísa Rosa e Henrique Cerqueira.

Para falar a verdade, eu nunca escutei uma só destas músicas e nem estou censurando quem as escuta; apenas acho que um pastor realmente bíblico, cuja obrigação é pregar o legítimo evangelho de Cristo,  deveria escutar exclusivamente músicas edificantes e não esse tipo de música mundana, recheada de conceitos egocêntricos e novaerenses. Lutero dizia que a música exerce uma tremenda influência na vida espiritual do cristão e o mesmo diz a freira luterana Basiléia Schlink. Não é de admirar que a Catedral Metodista que fica ao lado do prédio onde eu moro, seja uma boate evangélica, cujos cultos incomodam até os quase surdos da vizinhança...

Nossa juventude está sendo guiada por pastores, os quais, tentando ganhar a simpatia dos jovens, trazem o mundo para dentro da igreja, em vez de retirarem os jovens do mundo para colocá-los dentro da igreja, libertos da nefasta influência do mundo... Isto somente é possível pela pregação do puro evangelho, sem qualquer acréscimo ou subtração, o que tem sido uma das especialidades da igreja emergente. Ninguém segue o exemplo de Paulo, expresso em Gálatas 1:10-b: “Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo”.

O “enternurado” escreveu: “Confesso que senti um pouco de inveja do seu pastor (eu queria ter a senhora em minha igreja - provavelmente a senhora implicaria com o nosso louvor e com algumas coisas em nossa igreja), mas sei que seria acolhido por uma mãe extremamente zelosa com a verdade.... A senhora sabe que por sua causa (e de alguns amigos da senhora) fui numa livraria e comprei uma Bíblia trinitariana e já preguei nela?”

Pois fique ele sabendo que o pastor da igreja que eu freqüento, tão pouco me aprecia que na véspera do meu aniversário, quando anunciava os aniversariantes da semana, ele simplesmente, ao ver o meu nome no boletim, disse que “ninguém estava aniversariando na semana...”. Para ele eu sou ninguém... talvez uma peste e promotora de encrencas, mas isto em nada me afeta, conforme Gálatas 1:10-b.

Que o “enternurado”  dê graças a Deus que eu não entre na igreja em que ele prega, pois iria me retirar no início do culto, quando os crentes começassem com o barulho ensurdecedor, as palmas e os aleluias frenéticos... Conforme acontece nas “sinagogas pentecostais”.

Não faço a mínima questão de que me elogiem, me aplaudam, se “enternurem” por mim. Gosto de seguir Gálatas 5:1 ESTAI, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão”... e a 2 Coríntios 11:3 “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo”. Não me submeto às teologias modernas, criadas por homens emergentes. Não quero me deixar enganar, pois já basta o caso de Eva, a qual nos desgraçou por causa de sua futilidade. Essa lorota satânica do  “É assim que Deus disse?” não me atrai, pois só confio na Palavra de Deus.

Espero que esse “enternurado” não tenha estacionado na compra e leitura da BKJ. Que o Espírito Santo, o Deus que nos convence do pecado, da justiça e do juízo, possa convencê-lo a abandonar as práticas mundanas que ele, provavelmente, está introduzindo em sua igreja. Que ele aprenda que a perda da salvação pregada por John Wesley é uma heresia, pois a salvação é imperdível. Mesmo amando John Wesley como eu amo, por ter traduzido o seu “Comentário do Novo Testamento”, não posso concordar com alguns pontos de sua teologia. Por isso mesmo, nunca fui pentecostal, não quero ser pentecostal e, muito menos quero ser uma “penteca enternurada”.

Mudando de assunto: Um penteca enviou e-mail dizendo que não gosta de ler meus artigos porque são “longos, chatos e heréticos”. Pelo visto vale apenas escrever com tantos defeitos. Fui informada de que apareço em cerca de 88 sites, mas hoje, no Google, estou com apenas 165.000 resultados, pois às vezes, chego a 240.000, por causa dos meus artigos longos e chatos. A maioria dos pentecas não gosta de ler, mas apenas de escutar as “heresias” pregadas nos púlpitos de suas “igrejas”. Isso porque... Ler dá muito trabalho! Só consigo ler, hoje em dia, 180 pp. diárias. Mas antes (no tempo em que eu estudava Teologia) lia 360 pp., sem me cansar. Quem gosta de ler é o Dr. Peter Ruckman, o qual afirma ler no mínimo 1.000 pp. por dia. Quanto mais lemos mais assunto temos para escrever. Ruckman já escreveu 120 livros tratando de assuntos bíblicos. 

 

Mary Schultze, 10/04/2009 - www.cpr.org.br/mary.htm