O “Espírito Santo” dos carismáticos é violento!!!

        Quando Jesus estava em vias de deixar a Terra, Ele disse aos apóstolos: “Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo” (João 16:7-8). O objetivo do Espírito Santo seria convencer o mundo do pecado, da justiça  e do juízo, a fim de que os homens se conscientizassem dos seus pecados e buscassem o Salvador, que Ele (o Espírito) veio para glorificar: “Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar”.

        Em João 14:16-17, Jesus disse: E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; - O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós”. Aqui o Senhor Jesus Cristo chama o Espírito de “outro Consolador”, ou seja, Auxiliador, Confortador, o Qual veio para habitar e permanecer nos cristãos nascidos de novo. O ministério do Espírito Santo é fazer o mesmo que Jesus fez, quando estava, fisicamente, aqui. Em vez de Jesus na carne, temos agora o Espírito Santo invisível, habitando em nosso homem interior.  Então, Ele possui a mesma natureza Divina de Jesus.  Agora, precisamos indagar: como era Jesus? A resposta está em Mateus 11:29: Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.”  O Jesus da Escritura Sagrada é Manso e Humilde de coração.

        Quando Jesus estava na Terra, Ele falou sobre glorificar o Pai, conforme Mateus 5:16: Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”.  Isto se refere à nossa conduta e às nossas ações.

        Jesus realizou muitas curas, tendo explicado Sua missão, quando respondeu aos judeus: “Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais?” (João 10:32). Vemos aqui um dos primeiros atos de violência física dos judeus (fariseus) contra Jesus, porque Ele estava realizando as obras do Pai.

        Nos vários anos decorridos, a Igreja tem colocado em prática um novo paradigma (uma nova maneira de praticar o Cristianismo). Embora esta novidade tenha surgido no Pentecostalismo, ela já cruzou as fronteiras do denominacionismo. Literalmente, ela tem mudado as tradições bíblicas para o que é agora chamada “uma coisa nova do Espírito” (“Deus estaria realizando uma coisa nova”.)

As “novas manifestações do Espírito” que hoje vemos deveriam ser mais corretamente classificadas como “obras da carne” (Gálatas 5:19-21). A palavra “revellings” (em português = glutonarias), na BKJ, tem uma significação mais ampla, como “farra”, lembrando pessoas abusando de comida e bebida, num ajuntamento sem qualquer restrição moral... Sensações e manifestações jamais podem ser justificadas como obras do Espírito Santo. Tudo deve ser examinado à luz da Bíblia, onde jamais encontramos pessoas tomadas de alegre algazarra, quando agindo sob o poder do Espírito Santo. O Espírito de Cristo, conforme Romanos 8:9 e Filipenses 1:19, representa Jesus Cristo comunicando essas mesmas propriedades aos crentes, as quais se tornam o fruto do Espírito na vida dos mesmos: “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei”. (Gálatas 5:22-23). Este fruto deve ser visto na vida de todo crente bíblico. Contudo, com este “novo paradigma do Espírito”, o ministério [evangélico] entrou em nova abertura, permitindo ao “Espírito” fazer coisas que Ele jamais havia feito antes.

        Isso começou há anos com William Branham [Kathryn Kuhlman e outros carismáticos]. Agora, prossegue com Benny Hinn, fazendo as pessoas caírem, quando ele joga sua capa  e sopra sobre elas. Quem freqüenta suas cruzadas pode verificar a violência que tem acontecido durante as mesmas, quando ele declara que “se não compartilhar a sua unção com outras pessoas, tem a impressão de que vai explodir”.  Às vezes, ele apressa as pessoas para que estas liberem a avalanche, que está prestes a eclodir, e as esmurra na cabeça e nos ouvidos, quando elas caem, sob a transferência do poder. Com os que não são atingidos, ele age da mesma forma. Muitas pessoas dizem ter sido atingidas por uma força tão  violenta, a ponto de as derrubar. Benny Hinn, o principal promotor dessa atrocidade, assim a descreve:

        “De repente, o poder de Deus atingiu o lugar. Pessoas começaram a gritar e muitas caíram ao chão... Quando me voltei e apontei para um homem, ele foi atingido. Eu quis trazê-lo para perto de mim, mas, de repente, ele foi arremessado para longe” (Anointing, p. 26). Benny Hinn começou a fazer isso em sua própria casa, conforme veremos a seguir:

        “Certa vez, minha mãe estava limpando o corredor, enquanto eu estava no quarto, conversando com o Espírito Santo. Quando saí, ela foi arremessada de costas. Algo a havia atingido e atirado contra a parede. Quando perguntei o que havia de errado, ela respondeu: ‘não sei’. Bem, a presença do Senhor quase a derrubou”. (Good Morning, Holy Spirit).

Rodney H. Brown descreveu a unção do Espírito Santo deste modo: “Ela é tangível. Pode ser sentida. Exatamente como a eletricidade é tangível, assim é a unção. Ela não é apenas tangível, mas também é transferível. Você pode comunicá-la, pode transferi-la. Pode armazená-la e distribuí-la. A unção de Deus é, portanto, eletricidade”.

        Carol Wimber descreve o que ela interpreta como sendo uma visita de Deus... “Eu me levantei e comecei a andar sobre os corpos, colocando minhas mãos perto deles. Podia sentir o poder, como calor e eletricidade irradiando de seus corpos. Para John, tratava-se do poder espiritual vindo de suas mãos como eletricidade”. (Counterfeit Revival, p. 202 e 204).

        Infelizmente, nem sensações nem experiências podem servir de comprovação à verdade, especialmente numa atmosfera que mais se assemelha a um laboratório experimental do que a um culto normal de igreja, com os dons autênticos operando.

        Benny Hinn descreve uma experiência que ele teve, antes mesmo de se tornar cristão, quando tinha 11 anos de idade. Esta é a mesma experiência, antes de ser salvo, bem como depois, o que faria alguns, com um mínimo de discernimento bíblico, parar e reconsiderar o que realmente está acontecendo.

        A descrição comum é de eletricidade e calor. Curioso é que se trata das mesmas manifestações que acontecem no Mormonismo. As pessoas costumam descrever o shaktipat (toque hinduísta), quando na presença dos gurus, como um poder elétrico. Os devotos de Mukatananda ou de Rajneesh descrevem esse toque como se os seus corpos estivessem pulsando com uma energia que os atravessa. Rindo extaticamente, chorando de alegria,  sentindo-se energizados. As seitas descrevem isto como sendo uma força. Bruce R. McConkie apóstolo e autoridade da Igreja Mórmon, escreve: “O Espírito de Deus, o qual emana da Deidade, pode ser comparado à eletricidade”. (Mormon Doctrine, pp.752-753). Anton Mesmer hipnotizava pessoas com grandes resultados: “Alguns pacientes nada sentiam; alguns sentiam como insetos rastejando sobre eles; outros eram tomados por risos histéricos, convulsões ou sensação de embriaguez. Alguns entravam em feroz delírio, o qual era chamado de “a crise”, o que era considerado extremamente saudável” (R.Cavendish, The Magical Arts RKP, l984, p.180). Será que esta poderia ser a mesma sensação que as pessoas classificam como eletricidade?

          Jessie Penn Lewis, a qual registrou os extremismos do reavivamento gaulês, escreveu: “Nada sobrenatural poderia vir dos sentidos, mas do espírito... As imitações de hoje em dia são geralmente processadas na alma - ou vida sensível - dos crentes, que não conseguem distinguir entre alma e espírito”  (The Spiritual Warfare, pp. 16-17).

          Sob um ponto de vista prático, quando os quiromantes apertam os pacientes, acima da espinha dorsal, eles usam um estimulador muscular, o qual age sobre o músculo e a carne. Então, um choque elétrico é sentido pelo corpo, à medida que o paciente relaxa. A tensão desaparece e fica uma sensação de bem-estar. Mas, obviamente, isso não procede de Deus. A Bíblia é estranhamente silenciosa sobre esse tipo de sensação vinda do Espírito.

          Sempre fiquei desejando saber qual seria o próximo passo, após a fanerose - o fenômeno de cair no “Espírito”, o qual havia se tornado moda nos cultos das igrejas [“avivadas”]. Logo, veio a moda de ficar “embriagado no Espírito”, com o tal “riso santo”, sob a desculpa de um “vinho novo”, o qual era servido no “Bar do Joel”. Algumas igrejas têm-se transformado em bares barulhentos, após a ministração de “alguns drinks”, com pessoas caindo ao chão e, às vezes,  até rosnando [como animais]. Contudo, a Palavra de Deus não muda. Vamos ler Efésios 5:17-19: “Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito; falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração”.  [N. T. - Onde se encontra o conselho bíblico para esse tipo de farra, que hoje se vê nas igrejas “avivadas”?]. Suaves melodias, com discreta alegria e doce contentamento... é isso que provém dos que são controlados pelo Espírito, os quais agem discretamente, demonstrando sua comunhão com o Senhor.

          Paulo admoesta: E não vos embriagueis com vinho”. Ora, os bêbados são pessoas que se concentram nos próprios sentimentos. Eles gostam de festejar, sendo repulsivos e descontrolados. Rodney Howard-Brown (R.H-B) disse que “se é possível ficar normal, então deve haver uma maneira de ficar também embriagado no Espírito”. A maneira de anular esse comportamento é usar o exato texto bíblico. Devemos comparar uma Escritura com outra, a fim de validarmos o assunto. Comparar a alegria da salvação com riso [e gritaria]?  Ora,  se a Bíblia diz que “a alegria do Senhor é a nossa força”, ficar embriagado é perder força, tornando essa alegria em fraqueza [N. T.: pois quem cai ao chão demonstra fraqueza e não força]. Paulo ensina que encher-se do Espírito é ter autocontrole. Ficar cheio do Espírito não produz os mesmos efeitos de ficar embriagado de vinho, mas ter o fruto do Espírito, o que é exatamente o oposto. Ficar cheio de vinho é se tornar como uma boneca rasgada e atirada ao chão, sem capacidade de reagir contra quem ali a atirou.

          Depois vieram os tremores, as convulsões, as vibrações, as paralisias [N. T.: tremores, barulho e quedas no “Espírito”? Sem essa!]. E uns falando com os outros, em línguas estranhas, como Kenneth Copeland e R.H-B conversavam, falando baboseiras um com o outro, e gargalhando, enquanto conversavam (conforme um Vídeo da Nova Onda).

        Em seguida, apareceu a moda da fazenda repleta de animais na Igreja Vineyard do Aeroporto de Toronto [N. T. - com os crentes imitando cacarejos de galos e galinhas, latidos de cachorros, rugidos de leão, homens e mulheres em posição de dar à luz, deitados no chão, todos eles achando uma significação profética para essas aberrações, adotando um deus zoológico, com Todd Bentley...  Por acaso isso tem algo a ver com o fruto do Espírito?].

          Ultimamente, temos visto pessoas embriagadas de poder, sendo arremessadas ao chão ou para os lados, como bonecas rasgadas. Quanto mais violenta a ação, mais se presume a presença da “unção”... A presença do Deus Espírito Santo agora é calculada pelo número de pessoas estiradas no chão.

        John Arnott, um dos generais nesse exército do novo paradigma, o qual tem promovido tudo isso na Vineyard, afirma: “Jamais voltaremos a ter uma igreja igual à que antes costumava ser, nunca!”

          Marc Dupont - um dos líderes de Toronto, diz em sua fita “Holy Ghost Train”: “Deus não é um cavalheiro... Deus é bom... Tenho visto copos voando pelo quarto; tenho visto botas e sapatos voando dos pés das pessoas; tenho visto pessoas rasgando as roupas, quase estraçalhadas pelo Espírito Santo”.  (Contending Earnestly For The Faith, Vol. 1:4). 

          O que tem acontecido ultimamente é todo esse tipo de violência atribuída ao Espírito Santo. Se esse é o caso, então os lutadores e boxeadores devem estar também operando sob o poder do Espírito e também as gangues de rua? Precisamos fazer uma distinção entre o comportamento espiritual e piedoso e essa degradante e desagradável carnalidade atribuída à obra do Espírito!

          As histórias de pessoas sendo arremessadas nos salões, agora são comuns nos “reavivamentos”. Ora, se um marido fizesse tal coisa com o filho ou a esposa, como as autoridades iriam classificá-lo? E como nós iríamos chamar isso, a não ser de abuso? Pior é que ninguém acha que isso seja um abuso... E por que? Porque está acontecendo dentro de uma reunião da  igreja, sob a tutela de um ministro! É o  caso de indagar: E então? [N. T. - Nesse caso não é ainda mais reprovável, por ser feito em o nome de Deus?]. Vamos ler Efésios 4:30-32: “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção. Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre vós. Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo”. As definições da Bíblia tornam-se cada vez mais claras!

          Ira, cólera, gritaria e blasfêmia [N. T.: tudo que se vê, ultimamente, nos ajuntamentos carismáticos] são as coisas que mais diferem do fruto do Espírito. Será que esses homens ainda  não entenderam o significado do perdão de Deus e da missão do Espírito Santo, e por isso têm agido desse modo? Vamos ler Tiago 3:13-16: “Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa”.

          Eis um testemunho publicado na Christianity Today, por Keith Prestridge, ex-roqueiro, quando descrevia o Espírito Santo como um  pugilista, no Alfa, no final de semana: “Eles impuseram as mãos sobre mim e me senti relaxado. Sabia? Sei que aqueles entre vocês que têm sentido o Espírito Santo podem saber a que isto se assemelha. É como estar numa boa luta e, repentinamente, ser nocauteado”  (Christianity Today, 09/02/98, p. 38).

          Mesmo que se usasse um telescópio, jamais poder-se-ia encontrar um verso sequer, na Bíblia, que possa comparar o Espírito Santo com um boxeador derrubando pessoas. Jesus Cristo enviou um “Consolador”, não um “rufião”! Não existe na Bíblia um único verso, mostrando o Espírito Santo aprovando essas demonstrações carnais hoje vistas nos crentes!

        John Wimber, com a sua fantasiosa descrição  da obra do Espírito Santo, lança mais luz sobre este assunto: “Fazer os crentes caírem e se levantarem? Vocês não iriam acreditar num Deus tão grosseiro? Jesus é gentil. Quem vocês conhecem? Será que  Ele vem como um lutador ou coisa assim? Vocês podem perguntar: ‘Deus , o que o Senhor está fazendo?’. E a resposta seria: ‘Sabem? Estou resolvendo um problema de vocês, agindo em sua teologia’.”  (Counterfeit Revival, 1977, p.191 - Wimber Spiritual Phenomenon Slain in Spirit, pt. 21).

          Ora, desde quando Deus substitui a Sua Teologia pela nossa experiência, deixando de usar Aquele que escreveu a Palavra? Pois Ele tem agido sempre através da mesma.  Ele é o nosso Mestre e nos conduz à verdade (1 João 2). É isso que se ouve no ocultismo [que Deus substituiu Sua Palavra pelas experiências], onde os espíritos enganadores falam mentiras. Sei disso, pessoalmente, de experiências passadas com esse tipo de atividade.

          Durante o “Reavivamento de Gales”, Jessie Penn Lewis escreve, na “Guerra Contra os Santos”: “A suposta presença de Deus é sentida, principalmente no corpo, através dos sentidos físicos, quando se sentem ‘fogo’, tremores, etc. Ela é sentida pela ‘respiração’, ‘vento’, etc., ao mesmo tempo em que a mente permanece inativa. A pessoa afetada por esse engodo será movida, automaticamente, a praticar ações que não praticaria voluntariamente, com todas as suas funções em operação. Ela nem consegue lembrar-se do que fez, quando em ‘poder dessa presença’.”  (Jessie Penn Lewis, War on the Saints, p. 153).

          “Mas outro homem teve o mesmo impulso e caiu no chão, gemendo e rosnando, batendo com as mãos no chão, achando que sua conduta provinha do Espírito Santo, o que se transformou num hábito comum, durante as reuniões que ele freqüentava”. (Ibid, p. 150). Vamos ler Efésios 2:2-3: “Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também”.  Agora vamos ver a descrição dos  desejos da carne, em Gálatas 5:19-21: “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus”.  Com quem combina a natureza carnal? Pergunte a si mesmo: é o Espírito Santo ou ...?

          Como se comportavam os apóstolos de Cristo? “Antes fomos brandos entre vós, como a ama que cria seus filhos” (1 Tessalonicenses 2:7). Leiamos Tito 3:2: “Que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas modestos, mostrando toda a mansidão para com todos os homens”. E Tiago 3:17: “Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia”... “Pacífica, moderada e tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos”... É assim que o “Espírito Santo” dos carismáticos tem-se comportado em matéria de sabedoria divina? Este é o legítimo fruto do Deus Espírito Santo, não as barbaridades vistas nos cultos carismáticos.

          Kanneth Hagin narra uma série de estórias inacreditáveis sobre as curas não comuns que ele havia feito, manifestadas, durante o seu ministério, quando ele estava sob a “unção especial”: “Sete vezes a unção veio sobre mim para eu fazer coisas não comuns, enquanto estava orando pelos enfermos. Algumas vezes havia um intervalo de 5 ou 6 anos, entre essas unções. A primeira vez que isso me aconteceu foi em 1950. Eu estava pregando em Oklahoma. Uma senhora veio à frente, a fim de receber oração. Ela disse que tinha 72 anos, mas estava com aparência de quem ia dar à luz um bebê. Claro que ela estava com um tumor. Ao impor as mãos sobre ela, a fim de orar, a palavra do Senhor veio a mim, dizendo: ‘Bata no estômago dela com o punho!’. Falei mentalmente: ‘Senhor, isso vai me trazer problema, se eu bater no estômago dessa mulher com o punho. Não acho que deva fazer isso’. Ele respondeu: ‘Bem, se você vai argumentar sobre isto, a unção vai abandoná-lo, vai sair, exatamente como um pássaro no vôo, bem para longe, após ter pousado em seu ombro’. Ele me deixou... E quando me deixou, eu pensei: ‘Bem, vou prosseguir e ministrar com a imposição de mãos. Fiz isso novamente e novamente a ‘unção’ veio, com a palavra do Senhor, dizendo: ‘Soque o estômago dela com o punho’.” Como podemos ver, o violento “espírito” não estava dizendo para Hagin orar, ‘mas para socar o estômago da enferma’. Ele continua: “Achei melhor explicar à multidão o que estava acontecendo... Então, depois de lhe contar o que o Senhor me falara, soquei o estômago da mulher com o punho. E centenas de pessoas foram testemunhas de que aquele estômago veio abaixo, como se alguém tivesse furado um balão com a ponta de um alfinete”. (Hagin, Understanding the Anointing, pp. 114-115).

          Claro que ele o fez, retirando todo o ar que havia naquele estômago! Ele contou sobre outro homem, em cuja cabeça ele recebeu ordem de bater e de um jovem colegial, cujo rim ele socou (Ibid, pp. 116-117). Isso tudo é perigoso para as pessoas com problemas de saúde e também para os idosos, os quais chegam a esses cultos de cura confiando em que Jesus vai ministrar-lhes, mas, em vez disso, recebem socos do “Espírito Santo”.

          Rodney Howard-Brown (R.H-B)  também conta a estória de alguém batendo no ouvido de um surdo, tão fortemente, que a pessoa caiu no chão. E funcionou! O surdo se levantou totalmente curado. (Flowing in the Holy Ghost, p. 53). R.H-B foi treinado  no Colégio Rhema (de Hagin) e declarou também: “Deus vai levantar os Rambos do Espírito Santo, neste últimos dias”. Filmes e estórias violentas têm sido constantemente usados como modelo para esse ministério cristão emergente.

          Recentemente, um amigo e eu assistimos a uma conferência sobre sinais e maravilhas, numa Igreja Assembléia de Deus, aqui no Hawaí, onde o Dr. Christian Harfouch estava operando. Ele promoveu Pensacola como um derramamento válido e o seu ministério se tornou semelhante ao mesmo. Em sua reunião, ele mencionou A. A. Allen e Smith Wiggleworth como dois grandes homens de Deus, explicando como ficara chocado com o que eles faziam sob a “unção”, mas  o “Espírito Santo” estava lhe dizendo para fazer o mesmo. Um pastor ali presente reflete sobre a estória que ele contou a respeito das instruções supostamente recebidas do Espírito Santo. Numa delas, segundo ele, Deus lhe disse para bater no queixo de uma mulher, o qual estava torto. Ele o fez. A mulher caiu no chão e, quando se levantou, estava curada pelo poder de Deus. De outra feita, ele bateu no estômago de uma pessoa e curou-a de um tumor. Odeio pensar no que ele faria com um homem impotente!

          Felizmente essa moda não deve prevalecer e, assim, não teremos ministérios de bater na face. Infelizmente, porém, isso não está sendo evitado nem desafiado, mas passivamente aceito! Qualquer dia, alguém pode entrar numa igreja e ver pessoas esmurrando-se em violenta luta, a fim de compartilharem a “unção do Espírito Santo”! “Temos aqui um nariz sangrando por Jesus”. Essa moda pode até gerar um time mundial, sob a “unção” do Exército de Joel, da Nova Ordem do Latter Rain. Os episódios de Smith Wiggleworth são usados quase tão freqüentemente como os de William Branham. Parece que essas estórias são compartilhadas, bem como tomadas de empréstimo. R.H-B conta: “Wigglewirth bateu-lhe no estômago, de maneira tão violenta, que ele voou pelos ares, caiu no chão e morreu. Ele o matou! Dez minutos depois, o homem estava curado e correndo pela igreja!” (Flowing in the Holy Ghost, p. 52). [N. T.: De conto em conto, se acrescenta um ponto]. O Dicionário dos movimentos Pentecostal e Carismático declara que existem nada menos de seis livros escritos sobre isto, nas  03 edições publicadas, nos anos 1980. Quer seja verdade ou ficção, essas estórias continuam circulando.

A. A. Allen não serve de exemplo no ministério [carismático], pois foi preso por dirigir embriagado, durante o Reavivamento do Tennessee, em 1955. Ele morreu de cirrose hepática, em S. Francisco (não por causa do “vinho novo”, mas do velho). Mas, é para esse tipo de pessoas que os líderes da “nova unção” apontam como exemplos. É de admirar que essa “unção” não esclareça esses “profetas” com a verdade sobre os seus modelos espirituais.

O Espírito é chamado “O Consolador”, como Jesus. Ele nos anima a nos tornarmos semelhantes a Jesus e não aos rufiões. Jesus nunca usou de violência com as pessoas. Ele virou a mesa dos cambistas, no Templo; porém, jamais agrediu pessoa alguma. Não podemos encontrar um só exemplo de violência da parte de Jesus ou dos apóstolos. Alguém pode apontar o fato de que Ele usava maneiras diferentes para curar, porém, isso não era sem um objetivo. Quando Ele cuspia ou usava lama nos olhos das pessoas, Ele o fazia para indignar os fariseus, cujas leis ensinavam que essas coisas eram impuras e não podiam ser usadas.

Os movimentos de Pensacola e Toronto devem ser considerados como um ato de rebelião. John Hilpatrick descreve: “Vi corpos, um de cada vez.. exatamente voando, caindo como um furacão arrancando árvores...” Ele conta a “história de Deus” levantando e atirando pessoas, para diversos lados, no ar, a pelo menos, 12 pés de altura, através do palco, de sapatos sendo retirados dos pés. Isso deve ser um poder... Mas será que é de  Deus?

Steve Hills, o evangelista, declara: “Voltei para casa com feridas  e contusões por todo o corpo, amigo. Isto é reavivamento”. Ora, pessoas podem ser e são feridas, quando Hill comenta e aprova esses reavivamentos violentos. Comparem isso ao que os verdadeiros apóstolos viram nas conversões, na igreja primitiva, com os legítimos sinais e maravilhas acontecendo. Não existe comparação! Hill também aprova Brownsville, onde pessoas têm sido levantadas do chão e arremessadas contra as paredes. Outras são coladas ou então arrancadas violentamente dos bancos. Elas caem por cima umas das outras, antes que os amparadores cheguem para ampará-las. Hill escreveu: “Centenas de vezes impus as mãos sobre os não salvos e os vi serem arremessados ao chão. Quero dizer, vi-os sendo arremessados ao ar e caírem no chão, de onde não podiam se levantar, por uma ou duas horas. A próxima coisa que alguém dizia era: o que fazer para ser salvo? O que devo fazer?”

É disso que precisamos para levar as pessoas a serem salvas? Nesse caso, onde fica o evangelho? “Tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem” (1 Pedro 2:12). Sinceramente, será que um descrente - que vê qualquer dessas atividades excêntricas - pode achar realmente que a pessoa que as conduz é realmente digna de honra e por isso ele deseja ser salvo?

          Quando alguém caiu sobre uma senhora de 85 anos de idade, numa cruzada de Benny Hinn, em 1986, ela tive uma costela fraturada. Hinn sofreu um processo de cinco milhões de dólares, o qual foi decidido no tribunal. Mais tarde, essa senhora faleceu das conseqüências. Por causa disso, começou o ministério dos aparadores e vejam quantas pessoas ainda vão cair...

          Os que promovem esse fenômeno citam o exemplo de Paulo, em Atos 9:3-4, como suporte bíblico. Mas será que este foi realmente tão violento? Quando Paulo caiu, ninguém estava li para apanhá-lo e ninguém havia tocado nele... Saulo ainda não era salvo, naquele momento, por isso [os líderes da violência] usam esse argumento para validar suas práticas em relação às quedas dos não salvos. Os que estavam com Paulo também eram descrentes; caíram e continuaram incrédulos. Desse modo, o fato de os não salvos caírem no chão não pode ser usado como argumento de terem eles caído pelo poder do Espírito Santo.

          Em Lucas 8:26-36, lemos sobre o homem possesso de demônios, o qual vivia correndo entre os túmulos, na aérea dos gadarenos. Ele era um louco que fugia das pessoas. Quando Jesus Cristo  o libertou dos demônios, o povo da cidade o viu assentado aos pés de Jesus, vestido e em perfeito estado mental... Ele se tornou pacífico, perfeito na saúde mental, assentado docilmente aos pés do Senhor. Já, no caos absoluto de Toronto e Brownsville e de outros ministérios semelhantes nesse tipo de “unção”, as pessoas agem, ferozmente,  de maneira irracional, como possessas de demônios, de modo totalmente diferente do homem que Jesus libertou. Quando observada, cuidadosamente, essa passagem nos deixa espantados, com essa diferença de comportamento... e com o que esses “doutores” pregam sobre o compartilhamento da “unção”.

          Em um vídeo, vemos uma mulher, em Pensacola, dificilmente se mantendo de pé, a fim de dar o seu testemunho, muito pálida e perguntando ao marido: “querido, de onde somos?”  Sua mente ficara esvaziada, de modo que nem sabia o nome do marido nem onde moravam. Eu costumava tomar drogas [N. T.: O autor deste artigo], anos atrás, e sentia uma grande euforia, quando ficava em estado de consciência alterada. O mesmo estado acontece na “unção do Espírito”: é pacífico, porém enganoso, sobre os indivíduos.

          Considerem alguém, numa luta de boxe, esperando a contagem. A referência foi contada e está acima de 8, para logo chegar a 10, enquanto o perdedor está estirado no chão. Isso é mais ou menos o que tem acontecido nos tais “reavivamentos pela unção”. A igreja carismática vem manipulando essa falsa unção, através da qual as pessoas estão supostamente gozando a presença de Deus, com sensações e experiências espirituais forçadas. O pior é que, enquanto a igreja está gozando o compartilhamento da “unção”, com multifacetadas bênçãos, o diabo está agindo com a sua carta na manga. A igreja deveria estar se preparando para a volta do Senhor,  em vez de estar sendo atirada sobre o carpete, o que pode ser chamado de grande queda (ou queda no Espírito, no carpete, etc.).

        Até que ponto vai prosseguir essa escalada de exibições forçadas? Será que não vai se transformar em ameaçadora violência física? Jesus nos admoesta, em João 16:2-3: “Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus. E isto vos farão, porque não conheceram ao Pai nem a mim”. Ele também nos admoesta sobre os tempos finais: “Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão.” (Mateus 24:9-10). [N. T.: Mesmo que essas passagens sejam mais diretamente ligadas aos judeus que viverem durante o período da Grande Tribulação] As pessoas que têm questionado ou escrito matérias sobre essas falsas doutrinas e práticas já estão sendo ameaçadas, conforme podemos observar que aconteceu em certos tempos da história, quando muito sangue foi derramado dos que discordavam das doutrinas da “Igreja” dominante. Estes versos têm sido tão citados que já devemos estar acostumados com os mesmos, a ponto de terem perdido o seu verdadeiro significado. Mas o Senhor faz a seguinte admoestação: “... O Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência” (1 Timóteo 4:1-2). Vejamos esta declaração de Rodney Howard-Brown:  “Preferiria estar numa igreja onde o diabo e a carne são manifestos do que numa igreja onde nada acontece, porque as pessoas têm medo de manifestar qualquer coisa... Se o diabo se manifesta, não fique preocupado, mas alegre-se, pois, pelo menos, alguma coisa está acontecendo”. (The Coming Revival, p. 6).

          Bem, Rodney já escolheu o seu caminho. Muitos de nós iríamos preferir não estar nesse tipo de igreja. Paulo disse: “E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro.”  (1 Coríntios 4:6). Esta admoestação é para o nosso benefício e proteção. Ignorá-la é cometer suicídio espiritual.

          O programa de TV “Inside Edition” estava filmando a reunião de Toronto, captando o riso e as estranhas  ações espirituais. Uma senhora estava sendo entrevistada, deitada ao chão, rindo histericamente, quando disse: “É como se alguém me tivesse contado uma piada suja”. A igreja tem contado “piadas sujas”, em certas reuniões barulhentas e confusas, e quem está rindo ao máximo é o diabo, junto com os seus ministros (2 Coríntios 11:14-15). Chegou a hora dos cristãos despertarem desse pesadelo, levantarem do chão, a fim de sacudir a poeira desses comportamentos compulsivos e irracionais, ficando firmados somente no Senhor Jesus Cristo e na Palavra Santa.

        Vamos pregar o evangelho... Não experiências enganosas!

 

Artigo: “The New Violence of the Holy Spirit?” -  Let Us Reason Ministries

Tradução e comentários de Mary Schultze, 16/08/2008.

www.cpr.org.br/Mary.htm