Evangélicos e Católicos - O Diálogo Letal

 

T. A. McMahon

 

         A Bíblia nos diz claramente que os últimos dias antes da volta de Cristo serão marcados pela apostasia e pelo surgimento da nova religião mundial do Anticristo (II Tessanolicenses 2:3-4; Apocalipse 13:14). Contudo, para uma multidão de cristãos, inclusive dos que crêem na inerrância da Escritura, o cumprimento real dessa profecia parece bastante improvável. Uma porção de coisas, parece ir de encontro a um cenário anticristão,  no final dos tempos.

         Ultimamente, o Cristianismo evangélico está experimentando um aumento na aceitação. Há menos de uma década, os evangélicos estavam quase no auge dos menos desejáveis  como vizinhos. Certamente, o rótulo do Cristianismo do Pres. George W. Bush, além de suas aberturas ecumênicas, e da iniciativa da "fé básica",  tem alterado a opinião sobre a "mente bitolada e intolerante" dos evangélicos. Um número crescente de igrejas evangélicas está alcançando gigantescas proporções iguais às de uns poucos (e muito parecidos) shopping centers. A música cristã contemporânea transformou-se em estrela ascendente na indústria musical.

         Quase todas as grandes companhias publicadoras evangélicas cristãs são agora subsidiárias das grandes corporações, como por exemplo a publicitária Rupert Murdoch (Harper Collins Publishers, Twentieth Century Fox (Filme e TV), etc.) dificilmente teriam adquirido a Zondervan, se os livros cristãos não dessem lucro. Mais que tudo isso, contudo, é o despertamento  e aprovação do público do suposto acordo sobre as diferenças históricas entre protestantes e católicos romanos.

         Por acaso, esse crescente interesse e apreciação pelas coisas cristãs poderia ser improdutivo à religião do Anticristo? Até poderia dar essa impressão - caso  o Anticristo e sua religião fossem apenas um ataque frontal a tudo que  tenha o sabor de Cristianismo. Contudo, segundo Dave Hunt em seu livro "Global Peace and the Rise of Antichrist" (A Paz Global e a Ascensão do Anticristo), de 1990, lemos:

"Conquanto o prefixo grego "anti" geralmente signifique "contra" ou "oposto a", ele também pode significar "em lugar de" ou "um substituto para". O Anticristo vai encarnar ambas as significações... Ele representará falsamente Cristo, ao mesmo tempo em que pretenderá ser o próprio Cristo.  Através do engano ele minará e perverterá tudo aquilo que Cristo realmente é. O seu "Cristianismo" será, portanto, uma falsidade,  conforme podemos ler na 2 Ts. 2:3-5-ACF: "Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus. Não vos lembrais de que estas coisas vos dizia quando ainda estava convosco?"

         Além disso, a religião do Anticristo não entrará em cena, antes que ele se manifeste. Em vez disso, ele se adaptará à mesma, como um homem que se adapta ao terno do alfaiate. Essa teologia já foi apresentada antes no Jardim do Éden, como uma perversão da Palavra de Deus, e desde então tem se espalhado como um vírus letal.

De fato, ela começou com um diálogo. Satanás iniciou o processo de condicionar a humanidade, quando começou o diálogo com Eva, persuadindo-a a se desviar da verdade de Deus, rumo à sua própria avaliação subjetiva do que ela achou que Ele havia dito. Contudo, o mandamento de Deus havia sido claro e simples. Adão e Eva não deveriam comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois no dia em que o fizessem, morreriam (Gênesis 2:16:17). Notem a inteireza da declaração de Deus e a sua conseqüência. Notem ainda a adição e as racionalizações (Gênesis 3:6). A indagação enganadora da serpente sobre a sua compreensão -  "É assim que Deus disse?" - induziu Eva a reconsiderar o que realmente Deus quisera dizer. Além do mais, a árvore era boa de se comer... agradável aos olhos e própria para tornar alguém "sábio"... Certamente, Deus não havia de querer privar suas criaturas de tais benefícios!

         O modus operandi de Satanás jamais mudou, no sentido de levar os humanos a negar a verdade absoluta do que Deus fala, fazendo-os olhar para a sua própria  (leiam relativa, subjetiva, experimental, auto-serviço, pecador) compreensão.

         Sem dúvida, por ser crucial ao nosso andar na fé, por duas vezes em Provérbios 14:12 e 16:25,  encontramos estas palavras: "Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte... Há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte".   

A solene advertência está muito clara. Quando um homem interpreta a Palavra de Deus, a fim de adaptá-la à sua conveniência,  a verdade vital que ela encerra é ostensivamente rejeitada (2 Coríntios 3:6). Consequentemente, a destruição e a morte (separação de Deus) vêm em seguida. Este é um abismo inerente aos diálogos ecumênicos, cujo objetivo é a unificação dos grupos cristãos professos, estendendo-se, em alguns casos, até mesmo às religiões não cristãs.

         O que dizer, então, do Diálogo entre Católicos e Evangélicos, uma conferência recentemente apresentada no Wheaton College, patrocinada pelo Departamento de Bíblia e Teologia e pela Imprensa InterVarsity?  (Vejam as edições do mês passado para informações sobre o pano de fundo). Foi mais um desenvolvimento e o primeiro esforço público do "Evangélicos e Católicos Juntos: a Missão do Terceiro Milênio" (ECT), como o que Chuck Colson, do "Prison Fellowship", e o padre católico, Richard John Neuhaus, organizaram em 1994. Clérigos católicos altamente influentes e líderes evangélicos participaram da ECT, na esperança de desenvolver laços mais estreitos e maior colaboração nas atividades de interesse comum, de ambas as tradições, especialmente trabalhando juntos pelo bem moral da sociedade e do ganho de almas para Cristo. Nenhum deles lembrou aos assistentes da Conferência de Wheaton que a declaração mais significativa no discurso de abertura da ECT fora "...a simples declaração de que nós (católicos e evangélicos) nos reconhecemos como irmãos e irmãs em Cristo".

         De fato, tão convencidos ficaram os preletores  de pertencer todos ao Corpo de Cristo que essa suposta fé foi tratada mais como uma conclusão atingida do que como uma questão em discussão! Conforme  o Pe. Neuhaus [provavelmente um jesuíta] "o fato de sermos irmãs e  irmãs em Cristo é a premissa fundamental que  conduz ao completo esforço da ECT".

         Mas o que dizer de tal premissa? Será que todos os católicos e evangélicos são realmente irmãos e irmãs em Cristo? Se é esse, realmente, o caso, seria importante saber a base dessa relação. Nenhum dos documentos do ECT nô-lo explica com clareza. A Igreja Católica ensina que a salvação vem somente através do batismo. A Bíblia declara, sem sombra de dúvida, que a salvação vem somente através da fé. Alguns católicos podem chegar à fé bíblica em Cristo, contudo isso seria apesar do ensino soteriológico de Roma - e não por causa deste. Acima de tudo, se o novo crente reconhece a clara posição da Bíblia às crenças, rituais e práticas do Catolicismo, ele deve rejeitá-los, a fim de ser consistente com a verdade de Deus.  Então, se alguém não nasce de novo do Espírito Santo, pela graça da fé somente, segundo o ensino da Palavra de Deus, não pode se tornar membro da família de Deus [Isso é claro demais e somente os analfabetos bíblicos e também os líderes evangélicos gananciosos, que desejam enriquecer à custa da apostasia, não enxergam].

Os ensinos católicos sobre a salvação  não podem se reconciliar com os da Bíblia e o que temos aqui são dois evangelhos: o evangelho bíblico e, segundo as palavras de Paulo, um "outro evangelho" (Gálatas 1:6-7), o qual não pode salvar pessoa alguma. Enfatizando esse ponto, Paulo chama duas vezes os pregadores desse evangelho de "anátema" (Gálatas 1:8-9).  Como poderia, então, qualquer evangélico verdadeiro advogar essa parceria de ganhar almas para Cristo, conforme proposta no programa ECT - "Católicos e Evangélicos Juntos"?  De modo nenhum!  Mas nem mesmo este fato tem detido o diálogo dos participantes do ECT e nem diminuído o seu entusiasmo. [Isso porque, realmente, não crêem na infalibilidade da Bíblia].

         Na Conferência de Wheaton, J. J. Packer compartilhou o seguinte: "o que tenho sonhado, há muito tempo, é ver evangélicos e católicos romanos ficarem unidos na mesma plataforma para dizer ao mundo que Jesus Cristo é o Salvador do qual todos carecem". Em seguida, ele ampliou sua visão:

         Sonho com aqueles que respondem àquela boa palavra evangélica, deixando-se levar ao que deveria ser uma "catecumenate" (catecumenização = programa instrutivo na fé), assunto sobre o qual, por acaso, os católicos romanos, imagino, foram mais longe do que os evangélicos, nestes últimos anos.

         Uma "catecumenização"   revivida, que se torne a base de novos convertidos, na qual lhes seja dito que dentro de um ou dois anos, eles deixarão de lado a pergunta de qual a igreja à qual devem pertencer, concentrando-se simplesmente em obter o benefício da Palavra e do companheirismo cristão e de qualquer que seja a igreja a que pertença, católica ou protestante".

         Ele não deixou qualquer dúvida quanto ao seu compromisso com o ECT:

         Se através do ECT houvesse um futuro menos "apartheid" dos evangélicos em relação aos católicos romanos, então teria havido no passado... menos triunfalismo do Catolicismo Romano e mais união entre católicos e evangélicos, na recristianização da sociedade e na reevangelização e disciplina da comunidade mundial, a qual está se afastando tanto do Cristianismo. Então eu sentiria que não temos falhado. É isso que eu espero e pelo que oro, numa só esperança de que em todo este projeto Deus faça prosperar tudo que estamos fazendo, desviando-nos da tolice e nos capacitando a ser tão influentes nesses caminhos quanto poderíamos ser".

         A tonalidade dessa doutrina é a maldição do intercâmbio ecumênico, o qual, inevitavelmente, dará vez aos "sonhos" apoiados por experiências e para o que "parece direito ao homem". E por que? Porque o objetivo desses diálogos é a convergência, isto é a fusão. A doutrina bíblica (o que Deus diz) é absoluta e inflexível.  Ela não dança ao som da música de um diálogo ecumênico.

Quando apelos concernentes foram feitos aos específicos ensinos da Escritura, durante o prosseguimento  do Programa "Perguntas e Respostas" da Conferência, a maior parte da audiência parecia irritada. "Ora, vamos lá...Não sejam insolentes"... até a censura a qualquer um que se atrevesse a sugerir que os representantes das várias tradições cristãs através da história, os quais tinham uma compreensão anti-bíblica das doutrinas essenciais, não eram crentes companheiros, etc. George Timothy, um dos responsáveis pelos documentos da ECT, bem como o "Wheaton Truster" , membro do Concílio Mundial de Igrejas, e (junto com J. I. Packer) editor da revista  "Christianity Today", falou o seguinte:

         Achar que os antigos formuladores dos dogmas católicos romanos (Atanásio, Agostinho, Anselmo, Aquino e outros) foram todos consignados à perdição, porque não definiram completamente a justificação segundo a terminologia da Reforma, não é apenas negar a graça e a soberania de Deus. É, em resumo, reverter a justificação pela fé somente pela erudição doutrinária, o que é outra forma de justificação pelas obras.

         Não. Não estamos aqui para julgar o íntimo de pessoa alguma, nem usar a Reforma como nosso modelo, mas simplesmente as Escrituras (Isaías 8:20).

         Nesse ponto, Neuhaus apresentou outro critério:

No Movimento Pró-Vida e no Movimento Carismático por todos os meios, os protestantes e os católicos romanos estiveram, de fato,  se incentivando, num caminho em que eles mesmos, sem pecar contra o Espírito Santo (evitavam), reconhecer o que significava um encontro de irmãos e irmãs em Cristo. Essa é a realidade. Então, fica a cargo dos teólogos e dos burocratas da Igreja e outros, acostumarem-se com essa realidade e tentar entendê-la [O que esse Pe. Neuhaus ignora, ou faz de conta que ignora, é que a Universidade Jesuíta Notre Dâme, de onde saiu o Movimento Carismático Católico, é hoje o maior centro de perversão moral e de ocultismo da Ordem, segundo o livro "The Spirit of Roman Catholicism", da ex-freira católica, Mary Ann Collins, por mim traduzido].

Após o discurso de Neuhaus, no qual ele apresentou o seu próprio sonho de uma "completa comunhão" de todas as denominações cristãs com Roma, eu lhe perguntei quem ficaria a cargo, quando essa comunhão total acontecesse. Ele respondeu que não seria plausível que todos voltassem à Igreja de Roma.:

"Acho que isso seria uma grande injustiça aos dons e obras do Espírito Santo, os quais têm se manifestado de modo florescente durante mais de 500 anos, fora das fronteiras da Igreja Católica"

Ele vê a "completa comunhão" como uma "coisa nova", a qual reconhece os "depósitos apostólicos", "o ministério petrino... Pedro entre nós". [Isto é, o Vigário de Cristo] para conservar todos em comunhão. Em seguida, ele acrescentou candidamente:

Mas a que se assemelharia e quem ditaria as regras? Se Deus permitir, não iria assemelhar-se  às formas altercadoras desprovidas de valor, dos governos democráticos e das assembléias eclesiásticas argumentadoras, nas quais a fé e a moral são consignadas abertamente ao voto.

Queira Deus que isso não significasse a dominação por um conclave de idosos bispos italianos, como tem acontecido freqüentemente na Igreja Católica, e que não fosse nem mesmo algo que chamássemos de Igreja Católica, isto é, não certamente a Igreja Católica Romana [a Igreja Mundial, ele quis dizer]. Seria simplesmente a Igreja de Jesus Cristo - de Leste a Oeste [ou do Anticristo, Pe. Neuhaus?]

É a isso que a ECT e outros diálogos ecumênicos se resumem. Ao mesmo tempo em que acredito na sinceridade de muitos evangélicos que participam de tais diálogos, fico espantado diante dos que não enxergam a clareza das implicações escatológicas dos mesmos.  Embora professando repetidamente o seu desejo de unidade embasada apenas na fé em Jesus Cristo, o objetivo de "ajuntamento" da ECT tem cegado o entendimento para o que a Bíblia diz claramente a respeito da unidade religiosa, nos últimos tempos. Onde se encontra a "completa comunhão" organizacional senão na religião mundial do Anticristo?

A unidade bíblica em Cristo, o legítimo companheirismo entre irmãos e irmãs em Cristo só pode acontecer pela graça através da fé (Efésios 2:8). Qualquer coisa que seja aí acrescentada, segundo Paulo, é uma rejeição ao evangelho. Jesus vai negar qualquer reconhecimento àqueles que tenham vindo a Ele em quaisquer outras condições que não sejam as dEle, mesmo quando estes clamarem: "Senhor, Senhor..." (Mateus 7:22-23).

Tendo sido católico romano por 32 anos e sendo evangélico há 25 anos, bem como um dos fundadores  do programa "Ganhar os Católicos para Cristo" (RCFC), fui inclinado, durante o painel de discussão, a reprovar os preletores evangélicos pela sua participação no ECT. Contudo, apesar disso, eu simplesmente me identifiquei, declarando a minha associação com o RCFC (o que gerou murmúrios de indignados protestos) e dirigi minha pergunta aos evangélicos (só Timothy estava ausente):

O carcereiro de Filipos em Atos 16, gritou: "Que devo fazer para ser salvo?". A resposta foi tanto simples como explícita "Crê no Senhor Jesus e serás salvo". Então, o que mais é necessário?

Apenas dois membros do painel responderam e ambos se desviaram do imperativo bíblico.

Por que esses líderes evangélicos, inclusive o J. I. Packer, não responderam imediatamente: "NADA"? Porque se fossem levados a sério, isso depressa liquidaria o diálogo e logo iria  liquidar a teologia de Roma - uma falsa igreja, a qual tem continuado a acrescentar coisas ao evangelho, durante mais de 1.500 anos.

Que as suas amoráveis conversações  com os católicos romanos cheguem a este objetivo: fazê-los compreender e receber o legítimo evangelho da salvação [somente pela graça através da fé no sacrifício vicário do Senhor Jesus Cristo].

Traduzido por Mary Schultze, 20/07/2002.

Revisado em 04/08/02

pela graça através da fé no sacrifício vicário do Senhor Jesus Cristo].

Traduzido por Mary Schultze, 20/07/2002.

Revisado em 04/08/02