O Evangelho Arrogante
Dave Hunt
Um dos maiores desgostos para os que amam a Deus é o fato de que a maior parte da humanidade vive de maneira orgulhosa e ingrata, dia após dia, sem jamais pensar no Criador a Quem deve a sua existência, o Qual controla em Suas mãos o nosso destino eterno. Isso acontece com muitos que declaram conhecê-Lo. Quantas vezes você tem dito a Deus que O ama e tem-Lhe agradecido pelo Seu amor e graça e pela salvação que Ele lhe deu através de Cristo? Quando fez isso pela última vez?
O milagre de nossos corpos com os seus incontáveis trilhões de células, os órgãos que nos desafiam, como o olho, o cérebro, as geniais paisagens desenhadas na natureza e o mistério da alma e do espírito, como diz em alta voz Gênesis 1:1: “No princípio criou Deus os céus e a terra”. [Ao mesmo tempo, diz o Salmo 19:1,: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos”.] Mesmo assim, a maior parte das pessoas tem abraçado a Teoria da Evolução!
O desprezo e desconsideração do mundo em relação ao seu Criador faz-me chorar por amor Dele. Como dizia a antiga canção: “Faz-me tremer, tremer, tremer” por causa do castigo que está prestes a chegar sobre a humanidade! Diz o Salmo 9:17: “Os ímpios serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus”. E certamente as nações têm se esquecido de Deus! Paulo declara em Romanos 1:28-32: “E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm; estando cheios de toda a iniqüidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem”.
A conexão é inegável entre o mal predito para os últimos dias, conforme Paulo diz na 2 Timóteo 3:1-7, e esse espírito e estilo de vida que têm sido popularizados aos montes nos shows de TV.
Holywood há muito tem exaltado e exportado todo tipo de impiedade. O mercado do mal provê bilhões de dólares de lucro através da promoção da rebelião, da liberdade sexual, da imoralidade e perversão. A mutilação do corpo, as letras obscenas, suicidas e assassinas, as gangues e as vestes satânicas nos fazem indagar: será que Sodoma e Gomorra eram piores?
Lares são invadidos e famílias destruídas pela mídia imoral e corrupta, tornando as consciências anestesiadas. Na 1 Timóteo 4:1-2 lemos: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência”. Muitos cristãos agora apreciam o que deveria deixá-los envergonhados há poucos anos. Cerca de 50% dos cristãos têm sido atraídos pela pornografia da Internet. É para atrair essas mentes assim corrompidas que muitas das maiores e mais progressistas igrejas imitam o mundo com os seus cultos “em busca da amizade” e “orientados à juventude”, os quais fazem explodir a sensualidade e comprometem a Verdade. O jornal “Christian Science Monitor” de 30/12/03 publicou que “as mega igrejas são boas para alcançar os jovens, sendo saturadas de cultura e diversão... Muitas delas têm... shows de rock para os jovens... Nas maiores congregações dos USA, com mais de 25.000 freqüentadores por semana... A Victoria Osteen chega ao podium de 16.000 cantores adoradores e proclama: hoje vamos ao rock! O “Worship Leader” de novembro/dezembro 2003, publicou: “O povo de Jesus ergueu um ritual de adoração... de uma preeminente cerimônia comunitária de sua geração de concerto rock”.
Através da “música cristã contemporânea” e da “adoração contemporânea” a igreja tem-se convertido à “religião” do mundo. Algumas das maiores igrejas presumivelmente evangélicas têm preparado os seus cultos embasados no que os ímpios apreciam. Ali falta o temor da ira santa de Deus contra o pecado, arrependimento cheio de temor e agradecida fé em Cristo, o Deus eterno que se tornou homem através do nascimento virginal para sofrer a total penalidade do castigo divino em nosso lugar.
As igrejas que “buscam amigos” não devem “escandalizá-los” com a pregação da Verdade, mas compactuar com o “evangelho” da lisonja, da auto-estima, do amor próprio e do pensamento positivo, evangelho que não pode salvar. Foi o que Paulo predisse na 2 Timóteo 4:3: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina...”
Criar igrejas grandes e ricas não é novidade. Em meu livro “A Woman Rides the Beast“ (A Mulher Montada na Besta), vemos que a Igreja Católica Romana, a maior e mais rica igreja do mundo, cresceu através do casamento do mundo romano com a igreja, transformando o “Cristianismo” em religião estatal. O historiador Will Durant explica: “O mundo converteu-se ao Cristianismo... [o paganismo] passou como o sangue materno à nova religião e a Roma cativa conquistou o seu conquistador (Cesar and Christ, ps. 657-672).
O Catolicismo Romano cresceu, quando se casou com a religião pagã dominante na Itália, Espanha, América Latina, África, Filipinas, etc. O Haiti se diz 85% católico e 110% vudu. Nova Orleans, a cidade mais católica dos USA, é a capital do vudu (Our Sunday Visitor, 15/10/1995). Agora o “Protestantismo” está criando mega igrejas ao mergulhar no “novo paganismo” da cultura hodierna, tornando-se cada dia mais anti-cristã e anti-Israel.
Em agressivo desafio a Deus e à Sua Palavra, as nações têm roubado de Israel a maior parte da terra que Deus deu ao seu povo escolhido como “perpétua possessão”, segundo Gênesis 17:8. Num ato adicional de insolência, infelizmente sob a liderança do presidente “cristão” da América, o mundo decidiu dar mais terra de Israel aos árabes muçulmanos, recompensando o seu ódio a Cristo e o seu voto religioso de exterminar os judeus. E o Islamismo pretende conseguir esse intento.
O mundo atual necessita mais de mensagens “positivas” e divertidas, proclamando o conteúdo prejudicial de que Deus ama, perdoa e “aceita as pessoas como elas são”, curando o seu “eu interior” com um excitante plano para as suas vidas. Mas do que a humanidade carece mesmo é da Verdade imutável e convincente que conduz o pecador ao arrependimento e à salvação. O caráter santo de Deus não mudou. A separação entre o homem e Deus causada pelo pecado e o julgamento vindouro não mudaram. Também o remédio de Deus em Cristo não foi removido nem revisado. Sobre esses fatos básicos a Bíblia é clara e não se compromete.
Como o pai com “o filho pródigo” (Lucas 15:11-32) um Deus gracioso anseia por abraçar os pecadores arrependidos. Contudo, Sua santidade e justiça só outorgam o perdão àqueles que aceitam o sangue de Cristo derramado na cruz em seu favor. Devemos pregar o Evangelho em toda parte e a cada pessoa (Marcos 16:15). E cada um deve nele crer, a fim de obter o livramento da eterna separação de Deus, conforme Romanos 1:16: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego”. Atos 4:12:” E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”. Atos 16:30-31: “E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa”. E João 3:36: “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece”.
Mesmo assim, Robert Schüller (cujo programa “Hour of Power” - Hora do Poder – alcança 20 milhões de telespectadores toda semana declara: “Temos de encontrar Deus à nossa maneira...” (Larry King ao Vivo, 19/12/1998). Reescrevendo a Bíblia, Schüller desvia a admoestação de Deus: “Não terás outros deuses diante de Mim” para “Creia num Deus que crê em você” (Thomas Nelson Publishers). Paulo não confiava na carne... (Filipenses 3:3). E Deus confia em nós?
“Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores” (1 Timóteo 1:15). Contudo, Schüller, que se auto-proclama “fundador do Movimento do Crescimento da Igreja” (Seu Instituto para uma Liderança de Sucesso na Igreja), tem atraído dezenas de milhares de pastores do mundo inteiro, declarando que
“tentar conduzir a pessoa a reconhecer a sua condição perdida e pecaminosa é uma estratégia anticristã, a qual é destrutiva e contraproducente ao empreendimento evangelístico.” (Christianity Today, 05/10/1984).
David F. Wells escreve: “Noutra época, o ministério de Robert Schüller... deveria ter sido visto...como comédia... O pecado, diz ele, com um sorriso de querubim, não é o que impede o nosso relacionamento com Deus [mas] o fato de não nos estimarmos bastante a nós mesmos. Portanto, na Catedral de Cristal, vamos banir a expressão ‘pecado’... Cristo não estava descrevendo uma compaixão moral no Sermão do Monte. Ele estava apenas dando uma coleção de atitudes de como nos tornarmos [felizes]” (No Place for Truth - p. 175).
Somos ordenados a pregar a Verdade: “Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina” (2 Timóteo 4:2). A Palavra de Deus é o fundamento da nossa fé e esse fundamento está sendo minado. A “psicologia cristã” tomou as teorias de ateus como Freud, Jung, Rogers, Moslow e outros, re-empacotando suas mentiras como verdades que podem melhorar a santa e perfeita Palavra de Deus. Bruce Narramore, seguindo os passos do seu tio Clide, admite: “Sob a influência dos psicólogos humanistas como Rogers e Abraham Moslow, muitos de nós, cristãos, temos começado a ver a necessidade do amor próprio e da auto-estima. Esse é um foco bom e necessário” (You’ re Someone Special, Zondervan, p.22). Contudo, Paulo nos admoesta contra a auto-estima em Romanos 12:3: “Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um”. Em Filipenses 2:3 ele nos diz: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”. Ora, isso foi antes da igreja hodierna ter-se rendido à cultura!
Ao tentar construir igrejas grandes e de sucesso, muitos pastores de hoje convidam pregadores seculares com conselhos motivadores, a fim de incrementar o sucesso mundano. Tragicamente, essa é a base de muito do que é oferecido por Rick Warren (graduado no Instituto Schüller), atualmente o guru mais popular e influente no “Movimento do Crescimento da Igreja”, cujos métodos e exemplo estão sendo seguidos por literalmente dezenas de milhares de pastores no mundo inteiro e por milhões de leitores leigos dos seus livros. Warren oferece conselhos sonoros de “Igreja com Propósito” e de “Vida com Propósito”. Ali ele tenta apoiar a maior número de pontos com “umas mil citações da Escritura” (Life, p. 325). Entretanto, as “escrituras” por ele citadas são frases especulativas, tais como na Mensagem, por Eugene H. Petterson (Nav Press). Em Provérbios 30:5, lemos: “Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele”. Em Lucas 4:4: “E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus.” Na 1 Pedro 1:23-25 lemos: “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre. Porque Toda a carne é como a erva, E toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; Mas a palavra do SENHOR permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada”.
Ainda assim, A Mensagem, como outras paráfrases, substitui as palavras de Deus por palavras de homens. Petterson diz que “A Mensagem não é ... uma conversão palavra por palavra da santa Palavra de Deus na linguagem moderna, mas no que ele acha que a Palavra de Deus quer dizer – não uma tradução, mas uma interpretação (Introdução)”. Que audácia em reescrever a Bíblia! Contudo, essas tão vergonhosas perversões da Palavra de Deus são o maior suporte às teorias de Warren.
Paráfrases embasadas na “equivalência dinâmica” compartilham dois erros destrutivos:
1. Em vez de traduzir as palavras da Escritura elas interpretam em linguagem moderna o que imaginam ser as idéias apresentadas.
2. Rebaixam a linguagem para torná-la mais “compreensível”. [No Brasil temos a BLH, que é uma bíblia desse tipo].
A interpretação é apropriada em sermões e comentários, os quais os leitores e ouvintes podem conferir com a Palavra de Deus. Contudo, A Mensagem é oferecida como (“Esta Versão do Novo Testamento...” p.7), desviando os leitores, que imaginam ter a Escritura em suas mãos. Até mesmo J. I. Packer e Warren W. Wiersbe enaltecem A Mensagem como Escritura, o que ela não é. Em João 3:7 ela diz: “Ele veio para ajudar a colocar o mundo novamente em ordem.” “Salvo” significa redimido da condenação que merecemos pelos nossos pecados, com direito ao céu. Mas ajudar simplesmente requer nossos esforços. “Colocar o mundo novamente em ordem” soa como uma forma política e social! [Soa como a teologia de Leonardo Boff]. Tão flagrante perversão da Palavra de Deus permeia A Mensagem e Warren a usa como respaldo.
Essas paráfrases reescrevem a Escritura em linguagem simples, a fim de tornar as idéias compreensíveis. Contudo, existe tanta profundidade na Palavra de Deus que até mesmo os cristãos mais maduros encontram dificuldade em compreender. Paulo diz na 1 Coríntios 2:10: “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus”. Pedro diz na 2 Pedro 3:16: “E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição”. Obviamente a profundidade da Escritura se perde quando esta é simplificada. A “Vida com Propósito” jamais apresentou um Evangelho bíblico, o único que salva. Aos leitores é dito que “aprendam a amar e a confiar no Filho de Deus, Jesus” (p. 37). Que se “tiverem uma relação com Deus através de Jesus” não precisam temer a morte. (p. 40). Que "a sua identidade está na eternidade e sua pátria está nos céus” (p. 48). Que a vida vindoura começa quando você se entrega completamente a Jesus Cristo. Se não tiver certeza de tê-lo feito, o que deve fazer é receber e crer” (p. 58) [O tipo do Evangelho água com açúcar que agrada a gregos e troianos].
Nenhum dos elementos essenciais do Evangelho: que o homem é um pecador sujeito ao castigo divino; que Cristo é Deus e homem através do nascimento virginal; que Ele pagou a penalidade dos nossos pecados; que ressuscitou ao terceiro dia, conforme 1 Coríntios 15:1-4. Aos leitores é oferecida uma “amizade” com Deus, crendo em Cristo”, o qual foi até a cruz, porque preferiu morrer a viver sem nós” (p. 79) Isso não é Evangelho! [Isso é heresia!].
Ao leitor é dito que a sua constituição genética caracteres físicos, talentos, personalidade, detalhes da vida diária, etc. são exatamente o que Deus preordenou: “Deus determinou cada pequeno detalhe em seu corpo... Ele planejou tudo para o seu propósito...” (os. 22-23) “Você é exatamente o que Ele fez” (p. 25). Não é assim. Os efeitos cumulativos da rebelião do homem têm criado um amontoado de distorções genéticas na humanidade, resultando num mundo deformado com seres distorcidos, que não estavam no plano de Deus.
Warren justifica essa visão fatalista da Bíblia Viva no Salmo 139:16: “Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia”. O que nem se aproxima do que Deus quis dizer realmente. Será que Ele planejou exatamente cada mau pensamento e obra má? Será que os homens não são pecadores, mas apenas fantoches, se tudo acontece exatamente conforme Deus programou?
Vamos ter o cuidado de “pregar a Palavra”, de “obedecer a Palavra” , permitindo que Cristo, “a Palavra Viva”, viva através de nós, quando aos pecadores oferecemos o bíblico “Evangelho de Deus”, o qual realmente salva, conforme lemos em Romanos 1:16: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego”. E vamos “... batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3).
“The Berean Call Letter” fevereiro 2004/Mary Schultze