O Exército de Joel

Vocês se lembram daquele cântico que dizia: “Ó, quando os santos vierem marchando, quando os santos marchando vierem, Senhor, quero estar com eles...”. Pois não será esta a música que vocês irão escutar no Exército de Joel, pois eles não estão olhando para Jesus, lá no alto, mas esperando que o seu “Cristo” (o ungido) seja trazido para baixo, a fim de marchar junto com eles por toda a Terra.

À Igreja, que antes esperava ser arrebatada ao céu (João 14:1-3), tem sido doutrinada por alguns que os crentes devem mudar o seu foco. Lá pelos meados dos anos 1970, apareceu essa doutrina pós-milenar triunfalista. Em vez de esperar pela bendita vinda do Senhor, o objetivo se tornou o de estabelecer o Reino aqui na Terra. Doutrinas sobre o arrebatamento, tribulação e apostasia no final dos tempos, com um Anticristo pessoal e literal, foram descartadas como engodo. Sem uma Tribulação porvir, não existe a necessidade de estarmos vigilantes, em discernimentos e observação dos acontecimentos. Sem apostasia, não há necessidade de lutar-se contra o engodo, mas apenas usufruir as bênçãos. O anseio pelas coisas celestiais acabou e os cristãos restauracionistas não precisam mais ter preocupação alguma. Eles olham ao redor e consideram como poderão transformar o mundo para melhor, a fim de governá-lo [pois crêem que, afinal, a Igreja é a Nova Israel de Deus e é para ela que o seu “Cristo” vai voltar!]. E quando “Cristo” voltar, eles lhe entregarão uma Terra totalmente cristianizada.

“Em todas as revoluções existem tempos trabalhosos e perigosos, quando a ANTIGA ORDEM está sendo substituída pela nova, mas depois a poeira assenta. PODEMOS PROSSEGUIR NA CONSTRUÇÃO DO REINO AGORA, o qual o Senhor tem proposto desde a fundação do mundo” (Vinson Synan, um dos líderes do “Ano 2000” - Fullness, jan/fev, 1990, p. 24).

Muitos acreditam que Israel foi substituído pela Igreja, mesmo que os judeus tenham voltado à sua terra e a cidade de Jerusalém tenha sido retomada [dos árabes], em 1967. O foco da atenção tornou-se a Terra, em vez do reino dos céus. As bênçãos de Deus são para hoje, em vez dos galardões no futuro. As nações e todos os povos devem ser cristianizados. A tomada das nações para Deus será realizada com a formação de um exército, o qual lutará numa guerra contra as hostes espirituais do mal, expulsando-as da Terra. Com os novos poderes recém-descobertos, os quais estão sendo ensinados pelos novos líderes (apóstolos e profetas), já podemos amarrar, derrotar e castigar a malignidade.

Ern Baxter disse, em 1975: “Temos a salvação individual - mas na nação temos a salvação corporativa... O povo de Deus vai começar a exercitar o governo e vai conseguir o domínio sobre o poder de Satanás. Como a vara de sua força provém de Sião, ele vai mudar a legislação, expulsar o Diabo da face da terra e o povo de Deus vai conseguir realizar os propósitos do Reino de Deus” (“Can the Elect Be Deceived?”, 1986).

A libertação está sendo feita nas cidades e nações, bem como nos cristãos individuais. Embora não exista exemplo nem ensino algum de que o cristão possa ser possuído, alguns dos livros mais vendidos versam sobre isso (opressão não é o mesmo que possessão). Através dos seus ensinos, a possessão demoníaca acontece também nos cristãos, sendo desfeita através dos ministérios de libertação, pelo exorcismo feito pela imposição de mãos.

Nem todos os dominionistas e restauracionistas carismáticos acreditam nas mesmas coisas, especialmente no modo pelo qual elas estão sendo realizadas. Poucos são os que ainda acreditam no Arrebatamento, mas existem muitas vertentes. Nesse caso, estou me referindo a um determinado grupo, o qual tem-se filiado ao Vineyard, ao Movimento dos Apóstolos e Profetas de Kansas City e aos mestres do Latter Rain.

O Latter Rain se baseia na errônea interpretação das Escrituras, espiritualizando o seu contexto. Oséias 6:3 nos diz: o Senhor “a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra” . Tiago 5:7 diz: “aguardando-o [o Senhor] com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia”. Tiago anexa a “chuva serôdia” à vinda do Senhor. As duas menções à chuva serôdia referem-se ao calendário agrícola de Israel [nada tendo a ver com a Igreja], embora pregando uma verdade espiritual. A chuva serôdia era essencial à colheita de grãos em Israel. Isso corresponde ao derramamento do Espírito Santo no Pentecoste, conforme Pedro comparou com a citação de Joel, porém não tendo o seu cumprimento final. Joel 2:3 também fala de uma colheita abundante, mas os intérpretes modernos deram ao Exército de Joel uma nova significação [a seu bel prazer]. Para eles, o Exército de Joel vai purificar a Terra (fazendo o saneamento) de toda a malignidade e rebelião, e até mesmo julgará a igreja apóstata (ou seja, os cristãos que não aderirem à sua comunhão e aos operadores de milagres). Eles vencerão a própria morte, vão redimir a criação e restaurar a Terra. A Igreja herdará a Terra e governará as nações, tudo isso antes da volta de Cristo [N.T. - Toda essa confusão doutrinária se deve exclusivamente à errônea interpretação bíblica de que a Igreja é a Nova Israel de Deus]. Quando Cristo voltar, eles Lhe entregarão o governo das nações e Ele dirá que o trabalho foi bem feito, assumindo o reino. O verdadeiro Exército de Joel, conforme Joel 2, não realiza milagre algum e marchará exclusivamente pela Terra de Israel, levando destruição em vez de bênção, enquanto marcha. Quem lê cuidadosamente o assunto verá que, no final, o Exército de Joel vai ser destruído. Pelo fato de o Exército de Joel ser chamado “exército de Deus”, eles pensam que se trata do povo de Deus. Eles podem estar fazendo a vontade de Deus, mas certamente não são a Sua Igreja nem os Seus santos. De igual modo, Deus disse “Ciro é meu pastor (Isaías 44:28); a ele foram entregues todos os reios da Terra, conforme Esdras 1:2 e 2 Crônicas 36:23. Ciro foi chamado “ungido do Senhor” em Isaías 45:1: “ASSIM diz o SENHOR ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações diante de sua face, e descingir os lombos dos reis, para abrir diante dele as portas, e as portas não se fecharão”. Não lhes parece familiar? Nabucodonosor também foi chamado "servo de Deus”, em Jeremias 43:10: “E dize-lhes: Assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: “Eis que eu enviarei, e tomarei a Nabucodonosor, rei de Babilônia, meu servo, e porei o seu trono sobre estas pedras que escondi; e ele estenderá a sua tenda real sobre elas” (Jeremias 43:10).[N.T. - “Um abismo chama outro abismo”: Se esses reconstrucionistas e dominionistas entendessem Efésios 2:14: “...Porque ele (Cristo) é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um...” poderiam entender que dos pagãos gentios e dos judeus escravos da Lei, Deus fez apenas um povo - a Igreja - e somente quando esta for arrebatada, haverá a segunda dispensação judaica, totalmente separada da Igreja do Senhor]. Então, a verdadeira interpretação bíblica é a que deve permanecer. Eles podem ser chamados “exército de Deus”, mas não são o Seu povo. O Exército de Joel é o dos gafanhotos devoradores (destruidores) que trará julgamento à Terra e nada de bom (Joel 2:4-6 e Apocalipse 9:3-11).

         Muito desse erro está sendo pregado nos púlpitos (nos grandes e nos pequenos), erros escutados pelos crentes, sem um piscar de olhos. Com o seu ínfimo conhecimento bíblico, os cristãos não conseguem discernir os erros de interpretação bíblica e vão ingerindo tudo que escutam. Muitas igrejas têm-se transformado em redutos do Latter Rain, anexando a frase: “O Senhor disse: ‘este é onde o meu povo vai se erguer como um exército e trazer milhões para o meu Reino’.” (Benny Hinn, Honolulu, 21/06/1999).

         Jack Deere declara: “O exército é único... quando este exército vier, será grande e poderoso. Tão poderoso que jamais houve coisa alguma igual antes. Nem mesmo no tempo de Moisés, Davi e Paulo. O que irá acontecer, vai superar o que Paulo fez, o que Davi fez, o que Moisés fez...”

         Rick Joyner ensina: “O que vai acontecer na Terra não será apenas um reavivamento ou outro despertamento; será uma verdadeira revolução. A visão foi dada, a fim de despertar aqueles que estão destinados a mudar radicalmente o curso e até mesmo a definição de Cristianismo. Esse desmantelamento das organizações e de algumas obras será uma experiência positiva e gratificante para os fiéis servos do Senhor... O Senhor levantará uma grande companhia de profetas, mestres, pastores e apóstolos, os quais terão o espírito de Finéias... Esse ‘ministério de Finéias’ vai salvar congregações, a qualquer tempo, e até mesmo nações inteiras... As nações vão tremer à menção do seu nome . (The Harvest (A Colheita), Rick Joyner).

          Observem que não será ao Nome de Jesus que o mundo vai tremer, mas ao NOME DELES. [Os componentes do Exército de Joel]. E tudo isso a partir de uma visão para despertar os destinados.

         Desse modo, se alguém não se envolver com eles não poderá ser considerado um “servo fiel”. Mas, nossa atenção deveria ser focalizada sobre a expressão “destinados a mudar radicalmente o curso e até mesmo a definição de Cristianismo”.

Quem, porventura, em toda a história do Cristianismo já falou isso? Certamente a contribuição de Martinho Lutero foi trazer a Igreja de volta à sã doutrina e aos verdadeiros propósitos [do Cristianismo]. Será que é isso que Rick Joyner está querendo dizer? Claro que não, quando lemos as declarações a seguir, explicando com o que o seu programa se assemelha: “No futuro próximo, não estaremos olhando com inveja para a Igreja Primitiva, por causa dos grandes e ousados feitos do seu tempo, pois todos estarão dizendo que Ele guardou o melhor vinho para o fim. Os tempos mais gloriosos de toda a história ainda não chegaram até nós. Vocês, que têm sonhado que um dia poderiam falar com Pedro, João e Paulo, irão se surpreender ao descobrir que todos eles têm estado ansiosos para falar com vocês” (Rick Joyner, The Harvest Morning Star, set/1990).

         Isso quer dizer que os apóstolos não foram tão especiais ao iniciar a Igreja, com os milagres divinos; eles [do “Exército de Joel”] é que serão. Considerem as ramificações desse propósito. Isto significa que a Igreja começa hoje com eles, com superapóstolos e profetas fazendo coisas maiores. Nesse caso, a Igreja recomeça tudo...

         Em parte alguma, a Escritura ensina que a Igreja vai operar maravilhas como estas no final dos tempos [N. T. - Quando Paulo abandonou o seu ministério de pregação entre os judeus, que sempre pediram sinais, os sinais do seu apostolado cessaram e ele chegou aos gentios pregando (e se gloriando) apenas na cruz de Cristo (Gálatas 6:14]. Em lugar nenhum da Escritura, lemos que a Igreja vai operar esses sinais e maravilhas no final dos tempos. Jesus nos admoestou que os sinais e maravilhas, no fim dos tempos, serão operados e “enganarão a muitos” (Mateus 24:5). Por acaso os cristãos estão dando a devida atenção às Escrituras, nos tempos atuais?

         Os mórmons não são os únicos que têm falsos apóstolos. O verdadeiro apóstolo João disse que a Igreja possui falsos apóstolos (Apocalipse 2:2). João os testou e Paulo diz que na Igreja acontece o mesmo: “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo”. (2 Co 11:13). Notem que Paulo diz que esses homens se transformam, a fim de aparentar o que não são. Como? Através dos seus ensinos, da autoridade e, até mesmo, pelas manifestações de poder.

          “A Igreja Primitiva foi a oferta das primícias, mas esta [a atual, ou a dos últimos dias] vai ser a colheita. Dizem que o apóstolo Paulo transtornou o mundo, mas sobre os apóstolos a serem ungidos brevemente vão dizer que eles transtornaram o mundo para melhor(Rick Joyner, Ibid, pp. 128/129). Então, pelo que se pode deduzir, Joyner afirma que eles vão reverter o que o apóstolo Paulo fez.

         Peter Wagner escreveu recentemente um livro intitulado “New Apostolic Churches”, o qual explica o novo Espírito Apostólico, o qual está levantando líderes internacionais. Dessas Igrejas é que o "novo Cristianismo" emergirá e será implementado através do mundo inteiro. Não estamos falando dos que plantam igrejas, nem dos que são líderes de movimentos ou denominações, mas dos que afirmam ter autoridade espiritual, EXATAMENTE como os apóstolos e profetas, através de revelações e milagres. Sua bazófia diante dos fatos é um tema constante através dos escritos desses homens.

         Joseph Smith (fundador do Mormonismo) proclamou o seguinte, em 1844: “Tenho mais sobre o que me gloriar do que qualquer homem jamais teve. Sou o único homem que já conseguiu manter unida uma igreja, desde os dias de Adão. Nem Paulo, nem João, nem Pedro, nem Jesus o conseguiram. Glorio-me porque homem nenhum jamais conseguiu fazê-lo”.

         Jack Deere explica Joel 2 no contexto de Ezequiel 9: “E quando esse exército chegar, Ele diz que o mesmo será grande e poderoso. Tão poderoso como jamais houve outro antes dele... Começa o extermínio e começa-o no templo e começa-o pelos anciãos, os líderes do meu povo, e eles caminharão pela terra e começarão a exterminar e vocês sabem que eles já começaram pelos homens mais velhos, que estavam diante da casa. Ele já começou o extermínio... e agora está vindo para os da igreja.” (It Sounds Like the Mother of All Battles, Jack Deere, WMI, Joel’s Army, 1990).

         “Esse exército é absolutamente exclusivo. Antes dele jamais houve outro igual. Nem mesmo Moisés, nem Davi, nem Paulo. O que vai acontecer agora superará o que Paulo fez, o que Davi fez, o que Moisés fez, mesmo que Moisés tenha separado o Mar Vermelho. Haverá uma companhia numerosa. Apocalipse dá um lampejo disso, quando fala dos 144.000 que seguem o Cordeiro, aonde quer que Ele vá, e ninguém, ninguém mesmo poderá causar dano algum aos 144.000. Vejam: este é um múltiplo de 12. É o número dos apóstolos; 12 é o número apostólico e quando se toma o importante número 12 na Bíblia e o multiplica, isso o intensifica. Então, 12.000 X 12.000 = 144.000. Este será o número final do movimento apostólico. Apocalipse fala sobre isso. Joel fala sobre isso, usando palavras diferentes, UM PODEROSO EXÉRCITO, com muitos Paulos, muitos Moisés e muitos Davis” (Vineyard Ministries International, 1990) [N.T. - O Inglês deste discurso é péssimo; uma imitação barata do que o autor pretendia escrever].

          Isso está descrevendo um grupo especial de “elite”, ou seja, exatamente o mesmo que as TJs ensinam. As TJs ensinam que delas sairão os 144.000 de Apocalipse 7 e 14. Tanto as TJs, como Jack Deere, estão equivocados. A Bíblia é clara quando diz que os 144.000 são judeus das 12 tribos, que se tornam evangelistas pelo mundo afora. Não são os componentes de um exército e nem são destruidores como esse Exército de Joel. Esse genuíno avivamento, que eles estão esperando acontecer (como sendo eles os principais participantes), vai ser realizado [somente] quando os 144.000 evangelistas judeus forem selados. Os que aceitarem a mensagem desses [enganadores, promotores do “Exército de Joel”] na certa irão perder suas cabeças.

         Terry Vigo, no “Restoration in the Church” (Restauração na Igreja), diz o mesmo sobre Deus visitando a Sua Igreja. Ele se refere à vinda da GLÓRIA de Cristo, conforme a visão do Latter Rain, não à vinda pessoal do Senhor. O resultado dessa visão é que o pobre rebanho mal conduzido é UNIFICADO e transformado em majestoso cavalo de guerra - um grande veículo de poder e energia, amedrontador, inspirador de admiração, uma efetiva ferramenta de GUERRA. As ovelhas se transformam em “homens poderosos, que esmagam o inimigo na batalha”... E o rebanho é transformado CORPORATIVAMENTE (tornando-se o Cristo corporativo).

         Como Jewel van deMeere coloca de maneira tão clara: “Os Manifestos Filhos de Deus acreditam que estão estabelecendo um novo e glorioso reino - liderado por uma NOVA GERAÇÃO de homens e mulheres. O Exército de Joel, agora, manifestando-se individualmente como Filhos de Deus, seria revelado ao mundo como sendo muitos “salvadores”, os quais exerceriam o domínio e o julgamento”.

         Jack Deere fala de um exército individual. Ele diz: ”... Ninguém será capaz de matar esse exército”. John Wimber também declarou que: Os deste exército “terão um tipo de unção... um tipo de poder... E quem quiser prejudicá-los deve morrer”.

         Paul Cain afirma que dessa unidade sairá um exército, o Exército de Joel, embasado em Joel 2:Eu lhes contei... Esta visão que eu tive e que tem-se repetido (por 35 anos)... o anjo do Senhor me disse: ‘Você está na encruzilhada da vida. O que você está vendo?’ E eu vi um quadro brilhante, onde se lia: ‘o Exército de Joel está agora em treinamento’... Eu creio que um dia ele estará em treinamento... Até se graduar no estádio... Mas uma perfeita compreensão do plano de Deus para esta geração traz esta tremenda inclusão. A oferta de Deus para vocês, esta geração presente, um maior privilégio do que jamais foi oferecido em tempo algum, desde Adão até o milênio”.

“Tive uma visão do povo de vocês vindo de ... um círculo de umas cem milhas e vi as pessoas vindo de cada cidade até essa circunferência importante, para um grande conclave que estava acontecendo, o treinamento do Exército de Joel... Creio que as pessoas estavam indo juntar-se aos milhares, a fim de treinarem no exército do Senhor. Não seria maravilhoso? Quero dizer, essa é uma longa sobrecarga” (Grace Ministries tape). [ N.T. – Esses “joelistas” aprenderam, com os hierarcas romanos, a falar de maneira dúbia e misteriosa, pois nem eles mesmos acreditam no que dizem].

Paul Cain profetizou um dia em que os eventos esportivos serão cancelados no mundo inteiro, pois os estádios serão usados para reuniões de reavivamento. Ele diz que o Senhor lhe deu esta visão, por volta dos anos 1950 e 1960, a qual tem-se repetido, desde então, por mais de 100 vezes. Esse acontecimento espetacular vai presenciar a vinda de milhões a Cristo, num breve espaço de tempo.

“Tive um sonho, o qual se tornou persistente e foi sobre todos os estádios - isso foi contado centenas e centenas de vezes, através de toda a América e do mundo inteiro; de fato, vi os estádios e campos de futebol, arenas esportivas, enfim todos eles repletos de milhares de pessoas, algumas vezes acima de 100 mil em cada lugar” (Christ Chapel, 30/08/1995). Isso é muito mais do que temos visto nos Promise Keepers (PKs - Pagadores de Promessa); de fato, estamos vendo apenas o primeiro desses ajuntamentos.

Não creio que essas pessoas estejam envolvidas do mesmo modo, mas as declarações, indubitavelmente, são muito parecidas.

McCartney deseja a unidade, com cada igreja envolvida. Num ajuntamento dos PKs, no Estádio Silver Dome, Detroit, em Abril de 1995, o fundador dos PKs - Bill McCartney - falou de um grande exército, do mesmo modo que Cain e outros: “Temos um grande exército que está sendo reunido. São os homens cristãos desta nação. Contudo, nossa liderança, nosso clero, não são concordes. Nosso clero está dividido. ... Não existe unidade no comando... Precisamos assumir essa responsabilidade de comando. Temos de assumir essa responsabilidade. Precisamos dizer: ‘estamos impactando o nosso clero, de modo a encaminhá-lo para tudo que ele deve fazer para ficar em forma e conduzir este exército. Pois os pastores são os escolhidos de Deus para nos conduzirem, a partir de agora.” (PK Meeting, Silver Dome, Detroit, 29/04/1995).

Na última vez em que li a Escritura, vi que Jesus é o Capitão do exército do Senhor e Ele continuava nesse cargo, até então, e do mesmo modo continua agora, como o Senhor da Igreja. Quem serão os líderes - ou o líder - desse exército eclesiástico? Não temos qualquer general nomeado, exceto os que se nomeiam a si mesmos, hoje em dia. Deus fez as igrejas como parte da Igreja Universal e cada uma delas é autônoma. Ninguém está sujeito a uma liderança que controle todas elas [N.T.: Isso seria voltar ao Catolicismo Romano]. São homens vocacionados ao pastorado, escutando a direção de Deus para as suas comunidades, bem como para as que se espalham pelo mundo.

“Por que não iria você tomar parte no que Deus deseja fazer com os seus líderes escolhidos a dedo? Acho que o Deus Todo Poderoso vai abrir os corações dos nossos líderes. Acho que Ele vai rasgá-los publicamente. Acho que Ele vai colocar novamente todos reunidos numa liderança. Precisamos ter uma liderança, apenas uma liderança. Precisamos ter todo mundo queimando em todos os cilindros (?) Existe apenas uma corrida. Existe apenas uma cultura. A cultura de Cristo, isso é tudo que existe”. (Encontro dos PKs, no Silver Dome, Detroit, 29/04/1995).

Qual o verso da Escritura que respalda tudo isso? NENHUM! A Bíblia diz exatamente o contrário. Existe um perigoso precedente, quando alguns controlam muitos, quer seja na Igreja ou no mundo. O trigo e o joio crescem juntos. Seria melhor que pudéssemos distinguir as diferenças em nosso tempo. Este conceito de unidade foi tentado pela Igreja Católica Romana, quando quis integrar religião e política. Essa organização fracassou como Igreja, pois ficou isenta de perseguição, [tendo se acomodado ao luxo e à riqueza]. Podemos lembrar-nos ainda das “guerras santas”, como as do antigo Sacro Império Romano [N.T.: hoje renascido como União Européia], tentando realizar o que somente Cristo poderá realizar, como o PRÍNCIPE DA PAZ!

Rick Joyner, o qual parece ser um importante promotor do exército do tempo final, descreve suas “visões” a respeito de “uma sangrenta guerra civil” na Igreja (Latter Rain Revival, 1996), com os azuis e os cinzentos, em seu cenário de guerra civil, na Igreja, exatamente como a Guerra Civil Americana. Ele assim o interpreta: “Em sonhos e visões, o azul representa sempre os que têm a mente celestial - o firmamento é azul - e os cinzentos representam os que vivem segundo o poder de suas mentes - o cérebro é sempre chamado massa cinzenta - e esse será o conflito entre os que são cristãos genuínos, que seguem o Espírito Santo, e os que se fazem passar por cristãos genuínos, porém vivem conforme suas mentes naturais e sabedoria humana” . (Morningstar Profetic Bulletin, Maio 1996).

Isso cheira a gnosticismo, hem? Primeiro, ele tem um sonho profético, que nada tem a ver com a Bíblia; depois, ele mesmo interpreta as cores do sonho, com visões de humana compreensão.

Joyner continua dizendo: “Não creio que esta (profecia) possa ser interrompida, ou que o Senhor deseje que ela seja. A principal razão humana para a guerra civil espiritual repousa sobre a instituição da escravidão espiritual e expulsar da Igreja o acusador, para que a Igreja possa, então, entrar numa unidade, a qual, de outro modo, seria impossível.” Descrições desse tipo, como “a grande vitória da Igreja, sua melhor hora, marchando triunfantemente, habilitada para a vitória”, são um lugar comum entre os que concordam com o “Reino Agora”, aqui na Terra. Mas este método que eles apresentam é através do domínio e escravização dos relacionamentos, o qual opera usando o poder. [N.T.: enfim, uma teocracia espiritual antibíblica].

Joyner se contradiz, ao falar que “A crítica é uma das últimas manifestações do orgulho, porque, sempre que criticamos alguém, estamos com isso assumindo que somos superiores. O orgulho traz aquilo que qualquer ser humano racional deveria temer antes de tudo, a resistência de Deus. Ser-nos-ia melhor ter todos os demônios do inferno resistindo-nos, do que ter Deus contra nós”. (Rick Joyner, Epic Battles of the Last Days, p. 23). Pois é isso, exatamente, em que o Exército de Joel acaba se tornando, a fim de ser por Deus resistido e destruído.

O que vejo nos escritos de Joyner é muita crítica à Igreja, disfarçada em sonhos e visões, como orientação do Senhor. Basta que se leiam os seus escritos para observar a menção de cristãos endemoninhados nos mesmos. Ser racional é usar a mente e ele desenhou em sua mente um campo de batalha, no qual se tornam inimigos os que não concordam com o seu sistema “Reino Agora”. Ele chega ao ponto de identificar o Anticristo com a Igreja ortodoxa (“Weighed And Found Wanting”, Bill Randles, p. 64). Achamos que a crítica não deve ser tão severa, mas vantajosa ao crescimento de alguém, quando apresenta a verdade e com motivos corretos.

Que possamos usar toda a armadura de Deus, à medida em que o Exército de Joel começa a marchar, desafiando a visão histórica do Cristianismo. Sim, talvez haja mesmo uma guerra civil, porém certamente ela não seria necessária se os que desejam ostensivamente mudar a Igreja e o mundo pela força, voltassem a considerar a literal interpretação das Escrituras para a sua orientação, permitindo que Deus continue sendo Deus!

 

Joel’s Army - http://www.letusreason.org/Latrain10.htm

Traduzido por Mary Schultze, 30/11/2007.

http:/www.cpr.org.br/Mary.htm