O Fazendeiro e seus filhos

 

        Temos aqui mais uma fábula atribuída a Esopo:

“Em seu leito de morte, um fazendeiro quis deixar aos filhos a exata herança destes. Ele os chamou para o seu lado e disse: ‘Meus filhos, estou para sair deste mundo. Procurem dentro da vinha e encontrarão ali o tesouro que escondi para vocês’. Ele faleceu e imediatamente seus herdeiros começaram a cavar, furiosamente, ao redor das parreiras. Não conseguiram encontrar tesouro algum ali escondido, mas as parreiras - melhoradas com toda a escavação - produziram mais uvas naquele ano do que jamais haviam produzido”.

Moral desta fábula: O trabalho é o maior tesouro da humanidade.

 

         Esopo não era um cristão, mas suas fábulas apresentam muita semelhança com a doutrina de Cristo e dos apóstolos, principalmente de Paulo. Elas promovem a honestidade, o amor ao próximo e ao trabalho, além de embutidas promessas de compensação para quem anda na linha...

        Comparando as lições de vida encontradas nos evangelhos, nas epístolas de Paulo e nas fábulas de Esopo, fico horrorizada com a maneira de certos líderes evangélicos se comportarem, hoje em dia, durante os seus  cultos barulhentos.

         Eles pregam o espúrio evangelho da fé/prosperidade, ensinando que basta o crente exigir qualquer coisa, e logo o Espírito Santo vai lhe dar tudo de que ele precisa e muito mais, contanto que este, antes dos pedidos, coloque na sacolinha vermelha (ou no gazofilácio) o máximo que puder ofertar, como se Deus fosse um barraqueiro, que só entrega a mercadoria, quando vê o dinheiro na mão do freguês.

        Durante mais de 16 séculos, a Igreja de Roma tem-se apossado, indevidamente, de muitos bilhões de dólares, em valiosos objetos de  arte, em moedas de ouro e bens imóveis, usando ameaças de condenação dos membros vivos ao inferno e prometendo retirar os seus amados falecidos do purgatório, com as missas (pagas). O purgatório tem sido a grande mina de ouro do Catolicismo.

         O que diferenciava o Protestantismo do Catolicismo era a exata seriedade com a qual os protestantes encaravam as doutrinas bíblicas, aprendendo e transmitindo o  meridiano ensino de que Deus nada exige do cristão, a não ser que ele creia em o Seu Filho Jesus Cristo e ande em honestidade de vida. Quem crê na divindade de Cristo e confia no Seu sacrifício vicário na cruz, andando honestamente neste mundo, com respeito pelas autoridades e pelos semelhantes, irá para o maravilhoso lugar que Deus preparou para os Seus filhos. É tão simples obter a salvação eterna! Os religiosos é que a complicam!

         Em sua oração intercessória, Jesus fala com o Pai: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”  (João 17:3). Jesus afirma claramente “Eu sou a verdade”  (João 14:6) e na oração supra citada Ele suplica ao Pai, referindo-se aos cristãos: “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade”. Ora, como Jesus é a Verdade e Sua Palavra (a Bíblia) é também a Verdade, a conclusão lógica a que todo cristão inteligente deve chegar é que precisa ter à mão e ler diariamente a Bíblia, a fim de estar em perfeita união espiritual com a Verdade que liberta de todo erro doutrinário. Precisamos cavar ao redor das nossas “parreiras”, usando a ferramenta do Espírito Santo, e então poderemos colher o maravilhoso fruto do amor, alegria, paz e compreensão,  para nós e para os nossos irmãos.

         O pior de tudo é que muitos pastores evangélicos começam bem, mas logo em seguida, visando conseguir fama, dinheiro e poder eclesiástico, caem no erro doutrinário  contido, subrepticiamente,  nas novidades que têm surgido. Um desses casos é narrado por uma de minhas “filhas,a qual enviou o seguinte testemunho:

 

“Prezada Mary,


Há algum tempo me deparei com seus artigos, com a maioria dos quais me identifico.

Fui criada na Assembléia de Deus, mas depois de me decepcionar com os líderes dessa igreja, acabei freqüentando uma Comunidade [Evangélica]. Sempre admirei o pastor daquela Comunidade, pois sua mensagem sempre tem muito conteúdo e não é do tipo que fica apelando para o emocional. Contudo,  já faz uns dois [anos] que me afastei também dessa igreja, pois para minha grande surpresa e decepção, ela aderiu ao movimento de células e, desde o surgimento dessa nova onda, estudei o assunto e acredito que haja muitos princípios da Nova Era ali incrustados. Mas como o povo, na sua grande maioria, mal lê a Bíblia, que dirá outros livros?

O assunto que me leva a escrever-lhe é porque estou vivendo um dilema, desde que li os seus artigos sobre o dízimo. Se não dizimarmos como uma igreja vai se sustentar, como amparar as missões, além dos compromissos como pagar água, luz, telefone?

Desde criança ouvi sobre as maldições contra aquele que não entrega o dízimo; estou confusa e, por favor, me ajude a entender.

Um outro ponto que me incomodou: sempre que você fala dos pregadores que usam o Antigo Testamento, dá impressão de que você não o aprova. Você tem alguma coisa contra?

Espero sua resposta e parabéns pela forma clara e bíblica dos seus
artigos.
Assinado: N...

 

Resposta:

 

        Amada: Você é muito inteligente e fez bem em sair dessa Comunidade que aderiu ao Movimento em Células (do pastor budista Yonggi Cho). A Bíblia é clara em que nada deve ser acrescentado ao legítimo evangelho de Cristo (Leia Gálatas). Quanto ao dízimo, quem o entrega tende mais a ser amaldiçoado do que abençoado, conforme Gálatas 3:10. Toda a Lei de Deus se cumpre em um só preceito, que é amar ao próximo como a nós mesmos (Gálatas 5:14). Para o sustento pastoral, da igreja e de missões, devemos dar contribuições dentro de nossas possibilidades financeiras, mas NUNCA uma porcentagem estipulada. Somos livres em Cristo, conforme Gálatas 5:1. Estamos na Lei da Graça e não na do Velho Testamento. Somos Igreja e não Israel. A esperteza dos pastores malaquianos é que eles lêem continuamente o Velho Testamento, como se fôssemos judeus sujeitos à Lei de Moisés. Somos Igreja, vivendo na era da Graça, onde tudo é grátis, a começar da salvação em Cristo. Nada tenho contra o VT, mas contra os “jacarés espirituais” que usam e abusam do mesmo (desprezando Lucas 16:16), com o objetivo único de engodar os crentes mal versados na Palavra de Deus.

Seguem alguns artigos sobre o Dízimo.

 

Mary Schultze, 28/02/2008 -  www.cpr.org.br/Mary.htm

 

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. (1 João 1:9)
...o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. (1 João 1:7)