Um Domingo “Februárico”
Esta palavra não existe no Aurélio, mas como fevereiro no Latim é “Februarius”, resolvi criá-la, imitando o falecido Ibrahim Sued, que vivia criando termos estrambóticos.
Ontem acordei com vontade de traduzir a TBC de fevereiro, vim para o computador e copiei o artigo, que este mês tem a assinatura de T. A. McMahon, com o título “Weaning Evangelicals off the Word - Part 1” (Afastando os Evangélicos da Palavra - Parte 1). Passei umas peças de roupa, fui à PIBT e lamentei que a pregação não tenha sido uma “Brastemp”, pois o pastor está em lua-de-mel (Bodas de Prata), em Fortaleza, com a linda esposa.
Depois do culto, resolvi fazer um almoço maluco, para em seguida começar a tradução manual do artigo supra citado. Fiz uma mistura de maçã chilena (duas) com ovos mexidos (dois) no azeite de oliva e criei um cardápio digno dos deuses do Olimpo. Meu marido era um Químico especialista em alimentos e me ensinou que a mistura de maçã ou banana com ovos ou carne branca, fritados no azeite, dá um resultado excelente em sabor e valor nutritivo, dispensando até o acompanhamento de carboidrato. Nutre sem engordar e é gostoso. Por isso vivo criando pratos exóticos e meus amigos até conseguem engolir os mesmos.
Outro prato que inventei e eles apreciam é o purê de batatas com maionese de atum, servido dentro de metades de papaia (sem pele e sem sementes), imitando o cardápio favorito da Rainha da Inglaterra, que nós, tupiniquins nacionais, saboreamos com vantagem, pois o nosso papaia é excelente, ao contrário do que é vendido “nas Oropas”, murchos e aguados que só vendo.
Quanto maior é o número de países que a gente conhece mais tende a valorizar o nosso, pois o Brasil tem tudo que é bom e, se não fosse a cambada de ladrões do Parlamento e de terroristas nas cidades grandes, poderíamos dizer que este país tropical é um novo paraíso terrestre!
Depois de concluir a tradução manual do artigo de McMahon, resolvi assistir a um culto vespertino. Não queria escutar o mesmo pregador da manhã em nossa PIBT e a reunião de estudo bíblico no CPR fora cancelada. Foi então que tomei uma decisão heróica. Fui assistir ao culto numa igreja bem “arejada”, a de um certo “missionário”, onde os ares são um tanto heréticos, porém cheios de novidades palpitantes. Confesso que ali não fui apenas para louvar e adorar a Deus, mas para caçar algumas heresias, a fim de ter assunto para o artigo de hoje.
Cheguei atrasada ao culto, quando o pastor já estava pregando. Ele usou seguidamente a expressão “Arrependei-vos” e, justiça seja feita, pregou um bom sermão... Só que numa das ilustrações ele disse que o diabo é quem convence o pecador do pecado (eu sempre acreditei que fosse o Espírito Santo, conforme João 16:8!). Logo a seguir, ele começou a falar em dízimos e ofertas e a “enrolar a língua”, fazendo de conta que estava recebendo o “santo” da glossolalia, com um “la,la,la” cansativo, obviamente para impressionar os iletrados bíblicos que ali se encontravam. Vi a sinceridade estampada nos rostos daqueles crentes de olhos fechados, em espírito de adoração, e dei graças a Deus que Ele veja o coração e não o exterior da pessoa, pois aqueles coitados estão ali de boa fé, completamente iludidos, achando que O adoram em espírito e em verdade, mesmo com aquele barulho ensurdecedor.
Meus ouvidos começaram a reclamar do barulho-bomba e quando o pastor auxiliar veio até a minha cadeira e entregou um envelope pedindo uma “generosa oferta” para o próximo domingo, saí, dando graças a Deus que ainda existam algumas igrejas sérias nesta cidade, inclusive a minha, cujo pastor não prega heresias, nem fica pedindo dízimos e ofertas durante o culto.
O pastor principal do “Arrependei-vos” havia sumido. E como sou uma “pegadora de peças”, dei de presente ao pastor auxiliar um CD com meus trabalhos. Se ele o colocar no computador e ler alguns livros (inclusive o de Dene McGriffe - Reconhecendo o Engodo) talvez dê o fora dessa igreja e passe a usar o seu talento em outro contexto eclesiástico menos herético.
Mary Schultze, 04/02/2007.