Últimas Fofocas de Agosto (ou Augustanas)

       O termo não consta no Aurélio, mas “herdei” do Ibrahim Sued a mania de criar neologismos e isso me diferencia da maioria dos cronistas evangélicos, alguns dos quais são ortodoxos no vernáculo, enquanto outros são péssimos no vernáculo e no estilo.

          Ontem tivemos  reunião do condomínio, no prédio antigo, onde tenho dois apartamentos. Não tenho o menor interesse nessas reuniões. Sempre concordo com o que a maioria prefere e nunca dou o contra, nem me queixo de coisa alguma, pois estou sob a mão de Deus e Ele só me dá o que é bom, conforme Tiago 1:17: “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação”. Talvez este prédio, onde moro há 11 anos, seja o único lugar do mundo onde posso me considerar uma “pacificadora”.

          Durante as discussões sobre os três itens do dia, verifiquei  a presença da filha de uma nova proprietária, uma jovem muito inteligente e desenvolta. Fui com a cara dela e fiquei pensando em como poderia lhe falar de Cristo. Já pelo final da reunião, a secretária (Ana, uma assembleiana) pediu que ela viesse assinar um documento em lugar da mãe. Ela veio e ficou a poucos centímetros do lugar onde eu estava sentada. Agradeci a “mãozinha” do Espírito Santo e logo entabulei conversa com a moça. Ao término da reunião,  fiquei falando sobre o Evangelho com ela e Ana. Descobri que ela é uma católica liberal, do tipo que não acredita na infalibilidade papal, nem em outras baboseiras romanas. Gostei da jovem e suponho que ela tenha gostado de mim, pois fomos almoçar juntas, no Oswaldo, e ela até me pagou o almoço.      Minha tarde foi movimentada: telefonema da Alemanha, onde a neta Marion completou 15 anos; a gentil visita do pastor da IP do Alto; a visita de um irmão da mesma igreja, que veio colocar algumas novidades em meu computador; telefonema de uma irmã da igreja, querendo discutir a respeito dos meus artigos sobre o Dízimo, publicados no site do CPR; 25 e-mails na telinha, esperando leitura e resposta; duas novelas na Globo e um artigo sobre o Dízimo, de um santo irmão do interior do Maranhão, que achei por bem completar, pois chegou na hora exata.    Meu expediente, iniciado às 6:30 da manhã, terminou às 11:30 da noite.

        Hoje fui assistir ao culto matinal na PIBT. Os corinhos (03) cantados não me agradaram, porque, como sempre, são mal traduzidos, sem métrica e sem rima, contendo algumas heresias bíblicas. Vejamos quem são os autores desses corinhos, os quais são cantados porque estão na moda, dentro das igrejas avivadas e logo são copiados pelas igrejas tradicionais, todas elas caindo na admoestação do Salmo 42:7: “Um abismo chama outro abismo” .

        A especialidade do corinho antropocêntrico “Nunca mais serei o mesmo”, de Geoff Bullock é o uso do pronome da primeira pessoa do singular - EU. Esses autores modernos, ignorantes da essência da Palavra de Deus, gostam de promover o EGO dos cristãos, usando a primeira pessoa do singular, contrariando Filipenses 2:13, que diz: “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”.

            No segundo corinho, intitulado “Abre o meu coração, Pai”, Paul Baloche  diz, repetidamente, a frase: “Eu quero ver-Te, eu quero ver-Te”, chegando a um total de dez vezes, quando o corinho é cantado, transformando-se num mantra “evangélico”, e contrariando o que a Bíblia diz em João 1:18: “Deus nunca foi visto por alguém...”.

        Como podemos observar, esses autores roqueiros são absolutamente ignorantes das verdades bíblicas. Contudo, os ministros de música das igrejas usam e abusam desses corinhos, quer seja por preguiça de pesquisar a vida dos seus compositores, e porque, mesmo sendo instruídos em matéria de música, comprovam o seu desconhecimento da Palavra de Deus.

        A pregação do pastor foi embasada em Lucas 10:21, que diz:   “Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve”.

            Ele mostrou como até mesmo o cristão mais humilde pode ser uma bênção na seara do Senhor; a necessidade do cristão agradar ao Pai do Senhor Jesus Cristo, tendo comunhão com o Seu Filho,  “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Quando temos comunhão com o Filho, temos também comunhão com o Pai... Jesus disse “Eu e o Pai somos UM” (João 10:30). No meu caso, tenho uma amiga totalmente incrédula, que sempre me visita toda quarta feira. Para não ficarmos conversando tolices, tive a idéia de convidá-la a digitar meus manuscritos bíblicos, pois é uma senhora culta e inteligente, a qual afirma que “detesta falar de religião”. Mostrei-lhe que a Bíblia não é religião, ela entendeu e passou a me ajudar, saindo-se maravilhosamente bem na tarefa. Atenção, Paulo de Tarso: estou usando o seu exemplo dado na 1 Coríntios 9:19: “Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais”... Você era muito esperto, hem?

O terceiro corinho foi de Darlene Zschech, uma ex-bailarina clássica australiana, que se casou com um ministro de música evangélica e se transformou numa estrela da música góspel. Darlene é meio exagerada, pedindo que Deus faça o seguinte, no corinho “As Mãos do Oleiro”, que foi cantado hoje na PIBT: “Quebra-me, molda-me, enche-me, transborda-me, chama-me, guia-me, usa-me, renova-me, etc.”. Tudo isso transbordando de “carismatice góspel”, que nada tem a ver com a verdadeira espiritualidade, a qual se resume numa vida limpa, de puro serviço a Deus e ao próximo.

Se os cristãos se habituassem a ler pelo menos uma Epístola de Paulo por dia, a igreja seria melhor, mais produtiva em matéria de verdadeira espiritualidade. Infelizmente, porém, esta palavra está conectada à espiritualidade contemplativa da “Celebração da Disciplina”, pregada por Richard Foster, um quacre americano  seguidor dos ensinos místicos de Teresa
D´Ávila, Inácio de Loyola, Thomas De Kempis, e de outros místicos católicos da Era Medieval, os quais costumavam “conversar com Deus”, ou seja, com “o outro Jesus”. Com esse tipo de espiritualidade a igreja está resvalando no abismo da apostasia, começando pela música barulhenta dos instrumentos de percussão, a qual deixa os corpos suados, as mentes fragilizadas e o anseio, cada vez mais forte, por agitação, experiências, coreografias e outras novidades.

 

Mary Schultze, 31/08/2008 - www.cpr.org.br/Mary.htm

 

 "Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!"  1 Cor 9:16
"Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo". 2 Cor 4:6