Frida e a piedosa cadelinha May
Minha amiga Frida chegou à casa dos 50 anos de idade com muitos tropeços, por causa do seu temperamento passivo...
Nasceu numa família de classe média, sua mãe foi campeã mundial de natação em Berlim, nos anos 1940, tendo colocado a filha para estudar Medicina em Portugal.
Frida casou-se com um homem dominador, tendo se livrado do jugo materno para cair no domínio conjugal, pois até o dinheiro que ela ganhava em sua profissão era controlado pelo marido. Quando este faleceu, deixando a Frida uma boa pensão, ela dividiu-a com a enteada. Mais tarde, sua mãe faleceu e Frida caiu em depressão, achando-se desprotegida no mundo, por ser generosa e dócil demais, tendo a necessidade de alguém para conduzi-la.
Após ter-se convertido ao Evangelho de Cristo, Frida aceitou o encargo de dar consultas médicas gratuitas na Igreja Batista que freqüentava e foi ali que a conheci. Ela foi muito importante para mim, nessa fase existencial, quando eu, tendo vendido a H. Schultze, estava tremendamente deprimida, tomando calmantes, para conseguir compensar a falta do trabalho a que me habituara por tantos anos.
Foi nesse tempo que apareceu outro anjo em minha vida - o Pr. Paulo Pimentel, que acabara de fundar o CPR (Centro de Pesquisas Religiosas) em Teresópolis, o qual me convidou para ali trabalhar como voluntária. Com ele aprendi a usar o computador, traduzi dezenas de folhetos, alguns livros para a Chick Publications e a Chamada da Meia Noite, durante quase três abençoados anos. Com o Pr. Paulo aprendi, também, a pesquisar as seitas, principalmente o Catolicismo Romano e as igrejas malaquianas. Isso me tornaria feliz e realizada na terceira idade, pois, em vez de ficar lamentando a velhice e aguardando a morte, passei a me dedicar a um sério estudo da Bíblia, comparando os seus ensinos com os das seitas e das igrejas ditas evangélicas, as quais têm proliferado assustadoramente neste país. O resultado desse trabalho (10 anos) foi a tradução de mais de 7.000 páginas de assuntos bíblicos e históricos, mais de mil artigos e dezesseis livros escritos. A Deus seja dada toda a glória!!!
Frida observou o bem que o CPR me fazia e depressa ali estava trabalhando também como voluntária. Foi um tempo maravilhoso de convivência com essa mulher meiga e inteligente e nossa amizade se estreitou muito, desde essa época.
Frida vivia procurando uma igreja perfeita e acabou caindo na “sinagoga” de certa “bispa”, líder da teologia da fé/prosperidade, a qual lhe arrancou muito dinheiro, em troca de falsas promessas de sucesso espiritual e material. Como é proibido ao crente adoecer, conforme a espúria teologia dessa igreja, Frida renunciou à profissão médica, tendo entrado numa fase de vida terrivelmente ilusória e negativa. Quando essa igreja aderiu ao Movimento G-12, Frida já se havia desiludido tanto que deixou de freqüentá-la.
Certa vez, ela disse a um líder evangélico, que estava com US$1.000 para entregar de oferta à igreja. O homem arregalou os olhos, avançou no envelope que Frida lhe mostrava e falou: “Me dá esse dinheiro, pois estou viajando para Israel e preciso muito dele!” É assim que esses “mamonistas” costumam se comportar!
Outra feita, ela entrou numa igreja pentecostal, na passagem do ano, e ficou horrorizada, quando escutou o pastor gritar a plenos pulmões: “O Ano Novo está chegando. Declaro, em o nome do Senhor Jesus, que qualquer pessoa aqui presente, que não der uma oferta muito generosa, terá um ano amaldiçoado!” Esses ministros sem caráter enriquecem à custa do medo que incutem nas mentes despreparadas no evangelho verdadeiro.
Tendo incrustado em sua mente a idéia da guarda do sábado (na igreja da “bispa”), Frida começou a freqüentar uma igreja adventista. Ali conheceu um homem por quem se apaixonou e com ele se casou. No princípio, ela foi feliz no casamento, até descobrir a obsessão do marido para estudar na Faculdade de Medicina, sem a menor condição financeira, o que levou o casal à separação...
Hoje Frida está firme no evangelho, de volta à Igreja Batista, de onde jamais deveria ter saído, em busca dessas igrejas duvidosas, que prometem mundos e fundos, em troca de dízimos e ofertas generosas. Está se mudando para outra cidade do interior do RJ e espero que ela seja muito feliz em sua nova residência.
Em meio a tantos tropeços e desilusões, Frida sempre contou com uma amiga inseparável - a cadelinha May. Este animal é tão inteligente que, ao ver sua dona fechar os olhos para orar, depressa se deita, fecha os olhinhos e só os abre e se movimenta, quando escuta a expressão: “Em nome de Jesus, amém!”
Comparando essa cadelinha com certos líderes evangélicos (que têm desencaminhado tantos crentes sinceros neste país), louvo ao Senhor, nosso Deus Soberano, porque Ele tem usado a cadelinha May para nos dar um exemplo de respeito e piedade, em meio a tanto engodo religioso! Isso me faz lembrar Provérbios 18:24: “...há um amigo mais chegado do que um irmão”. Sem dúvida alguma a cadelinha May é uma amiga mais chegada a Frida do que certos pregadores do falso evangelho, que dela sempre arrancaram muito dinheiro, e de alguns irmãos evangélicos, que dela se aproximam, apenas tentando conseguir uma consulta grátis!
Mary Schultze, março 2006