Fundamentalismo Passivo

 

        Fui salvo em outubro de 1949 e, poucos anos depois, tomei conhecimento do movimento chamado Novo Evangelicalismo. A figura dominante nesse movimento, o qual havia derivado do Fundamentalismo Bíblico, era o Dr. Harold Ockenga. Esta nova  filosofia religiosa se colocava, pretensamente, entre o Fundamentalismo Bíblico e o Liberalismo Teológico.

        Embora eu tivesse sido salvo há pouco tempo, não tive dificuldade em verificar  que o Novo Evangelicalismo estava eivado de erros. Ele se infiltrou no movimento Youth for Christ, no Campus Crusade [no Promise Keepers]  e o seu corpo organizado se tornou conhecido como National Association of Evangelicals  [N. T. - de onde sairia, anos mais tarde, sob um tenebroso escândalo, um dos seus presidentes mais importantes?]. Ele se infiltrou nas organizações missionárias, nas denominações evangélicas, nas escolas de ensino superior, impactando tremendamente o mundo protestante, continuando vivo e ativo até os dias de hoje.

        Foi então que, em 1955, logo depois do movimento conhecido como Evangelismo Ecumênico, apareceu aquele que foi e continua sendo a sua figura dominante - o Dr. Billy Graham. Jamais esquecerei a primeira reunião desse movimento, no Madison Square Garden, em Nova York, liderada por Graham, sob o patrocínio do liberal Concílio de Igrejas da Cidade de Nova York.  Quando ali me acomodei e escutei Cliff Burroughs dirigindo aquele grandioso coral cantando “Maravilhosa Graça”, senti-me elevado às alturas e caí no logro, quando o Dr. Phillip Potter, um notável pregador liberal negro, um dos presidentes do Concílio Mundial de Igrejas, conduziu a oração. Sentados na plataforma estavam: o Pr. Ralph Sockman, metodista liberal (um pacifista, líder do apóstata Concílio Federal de Igrejas), o Pr. Norman Vincent Peale [pastor liberal da Mable Collegiate Church e um dos pais da Teologia da Prosperidade] e o Pr. John Sutherland Bonnel, um presbiteriano liberal. Pensei, no mais íntimo do meu ser, como aquilo poderia estar acontecendo! Durante mais de 40 anos, esse movimento tem transformado o evangelismo de massa numa tremenda e maciça confusão teológica.

        Em 1970, outro movimento semelhante surgiu e sua figura principal foi o Dr. Jerry Falwell, pastor da Thomas Road Baptist Church e chanceler da Liberty University of Lynchburg, na Virginia. O rótulo de Fundamentalismo dado pela mídia como “Fundamentalismo Falweliano”  tem agradado aos seus líderes, enquanto, ao mesmo tempo, vem agindo, confortavelmente, com os carismáticos, batistas do Sul e qualquer outro grupo religioso que se possa imaginar. Os verdadeiros fundamentalistas bíblicos o apelidaram de “Pseudo Fundamentalismo” ou “Falso Fundamentalismo”.

        Agora aparece uma nova filosofia, a qual foi anunciada, recentemente, por um líder da missão batista fundamentalista independente. Ele fez esta declaração: “Sou um fundamentalista, mas cansei de lutar”. O que ele, de fato, quis dizer foi isto: “Agora sou um fundamentalista passivo”.

        As perguntas são estas: 1. - Será que o Diabo cansou de combater a Igreja e atrapalhar a obra de Cristo? 2. - Será que Satanás e a Igreja assinaram um tratado de paz? 3. - Será que o conflito entre a justiça e a iniqüidade já foi satisfatoriamente  resolvido? 4. - Podemos abandonar o campo de batalha e retirar nossa armadura?

        Aprendemos em Efésios 6:11: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo”. Um minucioso exame das partes que constituem a armadura de Deus vai nos levar a constatar que Deus não nos vestiu com um “traje de gala”. Ele nos convocou a permanecermos fiéis à sua causa e não marcou ainda uma data para que abandonemos essa luta mortal, até a hora do Arrebatamento.

        Dei baixa na Marinha Americana em 19/07/1946, mas não existe qualquer baixa na batalha espiritual para a qual Deus nos convocou, através do apóstolo Paulo.

         Será que as palavras de Efésios no Novo Testamento já se tornaram obsoletas? Ou já não se aplicam aos tempos atuais?  Será que Satanás cessou suas hostilidades contra  Igreja do Senhor? Vamos ler o que Paulo diz nas seguintes passagens:

         1 Timóteo 1:18: “Este mandamento te dou, meu filho Timóteo, que, segundo as profecias que houve acerca de ti, milites por elas boa milícia”.

         1 Timóteo 6:12: “Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas”.  

         2 Timóteo 2:3: “Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo”.

         2 Timóteo 4:7: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”.

2 Coríntios 10:4-5: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo”.

Quem foi o homem que escreveu essa linguagem belicosa? O mesmo homem que disse: “Portanto, vigiai, lembrando-vos de que durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de vós”. (Atos 20:31).

E o mesmo que disse: “Tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração. Porque eu mesmo poderia desejar ser anátema de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne” (Romanos 9:2-3).

Este homem foi um corajoso soldado, e, ao mesmo tempo, um compassivo ganhador de almas. Será que suas palavras ainda podem ser aplicadas ao tempo presente?

Na 1 Pedro 5:8, lemos “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar”.  [N. T. - Não é somente o Imposto de Renda que nos persegue como leão, tentando nos devorar, mas o Diabo em pessoa, quando não nos ancoramos na infalível Palavra de Deus!] Então,  a batalha prossegue...

         O que teria levado Isaac Watts a escrever estas amoráveis palavras? “Sou um soldado da Cruz, um seguidor do Cordeiro?  Terei medo de abraçar a Sua causa e vergonha de anunciar o Seu Nome? Vou ser conduzido ao céu numa carruagem recamada de flores e facilidade, enquanto tantos cristãos lutam para alcançar o prêmio, atravessando mares de sangue? Será que não devo enfrentar a avalanche? Será que este mundo iníquo é amigo da Graça, a ponto de me ajudar a chegar até Deus? Certamente, preciso lutar, se quiser reinar com Cristo. ‘Ó Senhor, aumenta minha fé e minha coragem’. Quero enfrentar a batalha, quero suportar a dor, apoiado na Tua Palavra infalível!”

         [N. T. - Alguns crentes me dizem: “Em vez de estar criticando os ‘irmãos’, chamando-os ‘pentecas’, por que você não se limita a pregar o Evangelho?” A isso respondo agora: “Existem milhares de crentes por aí, que podem, perfeitamente, pregar o Evangelho. Mas existe pouca gente cristã com coragem para se engajar na Apologética, disposta a se colocar contra a corrente avassaladora da apostasia que avassala as igrejas do Senhor. Para mim esses são como os “fundamentalistas passivos”, os quais acham que todos têm o direito de pregar erros doutrinários, e até usam Gálatas 5:1, para justificar esses erros”.  

Não sou e jamais serei uma fundamentalista passiva, pois, se o fosse, estaria contrariando a Palavra de Deus. Por isso, faço minhas as palavras de Paulo, na 2 Coríntios 6:4-10: Antes, como ministros de Deus, tornando-nos recomendáveis em tudo; na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, na pureza, na ciência, na longanimidade, na benignidade, no Espírito Santo, no amor não fingido, Na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, à direita e à esquerda, por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama; como enganadores, e sendo verdadeiros; como desconhecidos, mas sendo bem conhecidos; como morrendo, e eis que vivemos; como castigados, e não mortos; como contristados, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, e possuindo tudo”.

 

“Passive Fundamentalism”, by Allen Dickerson.

Traduzido e comentado por Mary Schultze, em 13/10/2008.

www.cpr.org.br/Mary.htm

 

Nota: Traduzi este trabalho pensando numa amada irmã em Cristo, a qual não  ousa pregar o evangelho aos amigos, por uma questão de  respeito humano. Vejam o seu último e-mail, após ter lido meus versos: “A Senhora Aparecida", os quais lhe foram enviados ontem:

“Querida Mary, vou te confessar uma fraqueza ! Não sei se é da vontade de Deus ou não, mas eu gostaria de ter coragem e enviar estes teus versinhos pra todos da minha lista de amigos!

Fico triste quando  me deparo com esta minha falta de coragem... Ou será que estou certa em não fazê-lo? Será que um dia eu terei essa tua coragem?”...