Ganhos e perdas

 

         

Todo ser humano tem os seus ganhos e perdas, durante a vida, e vou tentar me lembrar dos ganhos que tive, nestes 78 anos de existência, os quais, pela graça de Deus, têm sido muito maiores do que as perdas.

Já escrevi sobre os meus ganhos, mas vou repeti-los:

          Nasci num lar católico, onde havia muita generosidade com os empregados. Meus pais me amavam muito e me deram tudo de que eu precisava para ser uma criança feliz. Fui educada num lar cristão, honrando o Nome de Deus...

          Na escola, sempre tirei o primeiro lugar, desde o curso primário até o seminário teológico, mesmo não sendo muito inteligente, mas apenas esforçada e responsável.  Quando terminei o curso ginasial, falava Inglês fluentemente, tendo aprendido esta língua sozinha, porque muito me dediquei ao estudo da mesma e também do Português e do Latim, que eu apreciava muito. Por isso, hoje consigo escrever as duas primeiras línguas sem problema algum de redação e ainda entendo um pouco da terceira. Do Alemão aprenderia o básico, no futuro...

          Meu pai me adorava. Quando completei 15 anos, ele me deu de presente um colar com 15 gramas de ouro 18 K, com uma medalha de Nossa Senhora. Quando completei 18 anos, ele, que sempre desejou me ver formada em Medicina, deu-me de presente uma caneta de ouro 18 K com duas esmeraldas formando os olhos da cobra, que adornava a peça. Nos anos seguintes, eu escreveria sempre com essa caneta de ouro! Até que um dia perdi a peça (ou ma roubaram)... Mas não chorei, pois nunca me apeguei às coisas materiais.

          Meu pai sempre me cumulava de mimos. De brincos e pulseiras, de roupas lindas, dizendo que eu era uma princesa, que eu era linda e um dia ainda seria uma grande médica [ou uma estrela]. Nisso ele errou, pois me tornei uma secretária bilíngüe, depois empresária numa linha de cosméticos (a qual assinei por três décadas) e, finalmente, uma escritora evangélica.

          Por não ter seguido a carreira que meu pai escolhera, ele rompeu comigo e me cortou a mesada; mas logo arranjei um bom emprego e até o dia do casamento nunca me faltou coisa alguma.

Dou graças a Deus por esse rompimento com meu pai, visto como aprendi a me “virar” sozinha e, assim,  cresci na vida. Em Romanos 8:28, o Apóstolo Paulo nos ensina que “Todas as coisas contribuem, juntamente, para o bem dos que amam a Deus...”. Mais uma indiscutível verdade bíblica.

          Aos 26 anos, casei-me com um Químico Industrial de Berlim e não poderia ter escolhido um marido mais honesto, mais trabalhador, mais amoroso e apaixonado do que este. Ele continuou me cumulando de jóias, roupas finas e livros, durante 26 anos. Viajamos por 13 países (depois viajei por mais dois), ele sempre me dando amor, apoio, sempre dizendo que eu era maravilhosa! Trabalhamos muito e conquistamos uma vida confortável. Nunca recebi dinheiro da família, porque minha mãe ficou com tudo, após a morte de meu pai;  e, quando esta faleceu, meus quatro irmãos começaram a se desentender por causa da herança. Preferi ficar neutra, pois, brigar por dinheiro nunca foi  exatamente o meu forte. Finalmente, recebi 1/5 da herança (já  bastante enxugada), e apliquei para, mais tarde,  fazer uma volta ao mundo ... Só que me falta coragem...

          Converti-me aos 48 anos de idade, lendo a Bíblia King James e a FIEL (em Inglês e Português), e quando me filiei a uma igreja protestante, já havia lido o Novo Testamento umas 50 vezes; portanto, jamais permiti que pastor algum me fizesse a cabeça, impondo-me leis humanas (como o Dízimo, por exemplo). Hoje leio a Bíblia em três idiomas e fiz um bom curso teológico; portanto os pastores nunca ousam me expor doutrinas humanas, tentando me convencer de coisas que são do interesse deles e não do Reino de Deus...

          Não posso reclamar da vida. Tenho duas filhas inteligentes e bem empregadas e cinco netos adoráveis! Tenho o suficiente para viver; sou amparada por um bom plano de saúde; tenho uma saúde excelente, sem nenhum dos achaques da terceira idade; tenho o mesmo peso dos vinte anos e congrego numa igreja excelente; minha cabeça ainda está funcionando, perfeitamente. Quando traduzo assuntos teológicos ou históricos, muitas vezes consigo traduzir cinco  ou mais páginas de ofício sem consultar o Dicionário de Webster. Estes assuntos são importantes, pois me dão uma enorme alegria e auto-realização e ainda me fazem crescer na fé, pois versam sobre a Divindade de Jesus Cristo, nosso grande Deus e Salvador, o Deus bendito eternamente, em Quem todos os tesouros da sabedoria e da ciência estão ocultos. Fiquei conhecida, internacionalmente, por causa do meu trabalho de tradução e apareço, com milhares de referências, no Google. Por causa desse trabalho, que faço voluntariamente, sem qualquer lucro financeiro, ganhei dezenas de amigos, os quais pensam como eu, e me honram com amizade e carinho. Sou vaidosa e consumista, mas não devo um centavo na praça...

          E as perdas? Bem, têm sido algumas, considerando a idade, quase todas na família. Perdi meu pai, minha mãe, meu marido, as duas irmãs e o irmão que eu mais amava. A filha mais velha mudou-se para a  Alemanha, há mais de dez anos, e fiquei longe dela e dos três netos.

          Perdi alguns amigos preciosos, pelos quais chorei; mas logo entendi que a lei da vida é a morte. E encontrei motivos para continuar vivendo, alegre e feliz, por causa da minha fé alicerçada na Palavra de Deus. Lamento cada pessoa que não crê na Divindade de Cristo, pois Ele declara, conforme registrado no Novo Testamento, que: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3:16-18).

Tendo Cristo como Salvador, seremos salvos dos engodos humanistas da Psicologia e das falsas doutrinas religiosas; salvos da depressão mental e dos tormentos eternos.

          O Apóstolo Paulo diz, em: Filipenses 3:7-8,20,21: “...O que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor... A nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas”.

          Depois de ler estes versos de Paulo, quem vai temer a hora da morte, considerando que esta é apenas a porta de entrada para o glorioso e eterno Reino de Deus?  

 

Mary Schultze, 16/07/2008 - www.cpr.org.br/Mary.htm