O gato hidrófilo e os pastores hidrófobos
Não gosto de receber slides, principalmente alguns que chegam com uma boa coleção de palavrões, a título de humorismo, outros pregando sutilmente princípios da Nova Era. Esses eu deleto, num piscar de olhos, porque meu tempo é curto e precioso demais para ser desperdiçado dessa maneira.
Slides excelentes têm vindo do Edison de Piracicaba. São vistas coloridas com dizeres inteligentes, de todas as partes do mundo, com fundo musical maravilhoso... Esses eu vejo, escuto e até guardo no arquivo. Edison é genial nesse assunto de slides.
Há poucos dias, veio da Alemanha um slide sem gravuras, descrevendo os problemas que uma mulher geralmente enfrenta nos banheiros públicos. Eu já ia deletando-o, sem ler, quando a filha Rose pediu para examiná-lo, enquanto eu ia preparar a mesa para o almoço de sábado. De repente, comecei a escutar as gargalhadas que ela dava e fiquei curiosa. Quando vim saber do que se tratava, ela me mostrou uma boa parte dos dizeres do tal slide e eu acabei dando algumas boas risadas, também. Realmente, ele apresenta uma coleção de explicações, acrescidas de lições de vida tão inteligentes e divertidas que eu acabei arquivando-o, para mostrar a algumas amigas...
Em geral deleto todos os slides que chegam, a não ser que procedam de alguém muito especial. Hoje chegou um de Rosana, uma de minhas filhas amadas, o qual me inspirou este artigo.
A história, que deveria ser lida antes de se ver a cena, dizia o seguinte:
O casal vivia recebendo exorbitantes contas de água. Marido e mulher tinham certeza de que as contas não estavam certas, mas não adiantava economizar, pois as ditas continuavam altas. Eles checaram todos os possíveis locais de vazamentos:
1. - o relógio da água, os canos externos, os canos internos, subterrâneos; 2. - torneiras, banheiros, máquina de lavar roupas, de lavar louças, geladeira, etc. Porém nada encontravam que revelasse qualquer defeito.
Até que um dia o marido adoeceu e ficou em casa, acamado. De repente, ele começou a escutar constantes barulhos de água escorrendo. Levantou-se da cama e, muito intrigado com o tais barulhos, resolveu investigar a procedência dos mesmos.
Foi então que se deparou com uma cena inusitada.
O gato de estimação, que ficava em casa sozinho, o dia inteiro, estava no banheiro, dando ininterruptas descargas no aparelho sanitário, divertindo-se à beça com aquela brincadeira...
Esse era um gato ladino. Ele se comportava como alguns crentes carnais (em geral “avivados”), que ficam o tempo inteiro brincando de falar em línguas, entregar profecias ridículas do tipo: “Deus está me falando que está curando alguém que tem alguma doença.... Deus está me falando de alguém que está necessitado de um emprego.... Deus está me falando que tem alguém com problema familiar...” , como se Deus precisasse revelar, na igreja, coisas tão corriqueiras, que acontecem no dia-a-dia de cada um. E ainda existem aqueles que vivem falando sobre visões recebidas do céu, contando sonhos mirabolantes encarados como avisos celestiais, achando que a Bíblia é incompleta e que eles precisam de uma boa distração no reino de Deus, a fim de que os membros da igreja os considerem como crentes espirituais ou “super-crentes”.
Nunca houve tanta confusão espiritual, tanta corrupção e tanta mentira e hipocrisia dentro da igreja evangélica como tem havido, ultimamente. Isso tudo, depois que os pastores brasileiros começaram a imitar os duvidosos líderes americanos, tipo Benny Hinn, Peter Wagner, Kenneth Copeland, Robert Schüler e uma legião de outros espertalhões, que enriqueceram, miliardariamente, à custa da ignorância bíblica do povo americano, tão imitado agora pelos evangélicos nacionais.
Nossos pastores também se comportam exatamente como esse gato da história, gastando desbragadamente a água pura da Palavra, de maneira imprópria, deixando de usar o Novo Testamento, principalmente as Cartas de Paulo, para edificação dos crentes. Eles preferem chapinhar no Velho Testamento, dele colhendo histórias, para as florear, a fim de entreter as ovelhas raquíticas dos seus rebanhos e garantir os seus polpudos salários mensais.
Pastores que decoram alguns trechos bíblicos fora do contexto, somente para impressionar os crentes imaturos; pastores que exigem a entrega dos dízimos e ofertas; pastores que se julgam os “anjos da igreja”, colocando-se em posição superior à dos membros da congregação... Esses nem sequer merecem ser comparados com o gato hidrófilo desta história. Deveriam ser comprados a cães hidrófobos, pois morrem de medo de enfrentar a água pura da Palavra, preferindo ficar tateando na escuridão de sua própria ignorância bíblica.
Em cada 50 e-mails que recebo diariamente, pelo menos vinte procedem de irmãos bem intencionados e realmente convertidos, os quais já não estão mais suportando os desvios doutrinários, as bazófias pregadas nos púlpitos, os movimentos das pirâmides celulares, os propósitos, os chamados sinais e maravilhas... Enfim, todo tipo de novidades abraçadas pelos seus pastores, com o objetivo único de encher os bancos de suas igrejas... De gente “convencida” de que aquele é um lugar abençoado... Uma geração de crentes totalmente esvaziada dos legítimos princípios bíblicos.
Crente, leia a Bíblia e fique atento às heresias fenomenais pregadas pelo pastor a quem você tem destinado mais de 10% dos seus ganhos!
Mary Schultze, 14/05/2007