A geração “vã-gélica” e a mitologia grega
Vamos ler algo sobre Thomas Bulfinch, um escritor esotérico americano, o qual viveu no século passado e agora se tornou um dos mais lidos no Ocidente... Porque a maioria das pessoas tem-se inclinado às mentiras da Nova Era, de modo que as fábulas gregas por ele comentadas tornaram-se um pudim de chocolate para os leitores.
Leiamos o que diz o escritor Carlos Graieb, em seu artigo “Eterno Fascínio, com o subtítulo: “O sucesso de uma história da mitologia à moda antiga” ... sobre a nova edição de O Livro de Ouro da Mitologia...
Bulfinch (1796-1867) era membro de uma família americana tradicional e falida. Seu pai era um arquiteto famoso, mas quando Bulfinch chegou à idade adulta, o dinheiro do clã havia acabado. Ele permaneceu solteirão e ganhou a vida como bancário. Começou a escrever bem tarde. Só aos 59 anos publicou Idade da Fábula, aqui rebatizado de O Livro de Ouro da Mitologia. O sucesso foi imediato. Até hoje o livro é recomendado e adotado em escolas e universidades ao redor do mundo. O autor partiu de um problema concreto: a dificuldade que muitos leitores tinham de compreender a poesia, os romances e mesmo os discursos políticos e textos jornalísticos de sua época, abarrotados de referências mitológicas. Sua hipótese: uma narrativa simples, elegante e com alguns comentários a respeito dos principais mitos (sobretudo gregos e romanos, como Vênus) ajudaria o leitor "moderno" a entender melhor não apenas a tradição, mas também a própria cultura. Nessa perspectiva, ele incluiu 188 trechos de poesia inglesa e americana. Deu certo. Para o público atual, a presença dessas citações pode até aumentar o interesse da obra: afinal de contas, Milton, Byron e Keats parecem hoje tão remotos quanto os deuses do Olimpo. Comparado com outros volumes de explicação e popularização da mitologia disponíveis, como os do inglês Robert Graves e os do americano Joseph Campbell, o livro de Thomas Bulfinch fica um passo atrás. A arqueologia, a História e até os lingüistas ampliaram bastante o conhecimento que se tem das fontes mitológicas, nos últimos 150 anos. Mesmo assim, esse "livro de ouro" guarda seu charme e é uma leitura agradável” .
Nas aulas de Psicologia da UNIVERTI, esse livro tem sido usado, com estórias tão esdrúxulas que me causam arrepios. A primeira estória apresentada foi “A Mulher Esqueleto”, pela qual se apaixonou um pescador, o que levou o esqueleto a ganhar carnes. Ontem tivemos “Erisiction”, outra história, que bem poderia servir a qualquer mãe ou avó (terrorista, como eu) para fazer com que os filhos (ou netos) ficassem quietinhos no sofá, ou então comessem tudo que estivesse no prato.
Conta essa estória que Erisiction foi um sujeito mau, que derrubou uma árvore sagrada protegida pela deusa Ceres, da qual jorrou sangue. Como castigo dessa maldade, Erisiction foi condenado pela deusa a sentir uma fome insaciável, a qual levou esse personagem mitológico (parecido com os madeireiros da Amazônia) a vagar pelo mundo em busca de alimento. A fome era tão devastadora que ele comia tudo havia ao seu redor e até vendeu a própria filha em troca de comida. Finalmente, num dos finais mais trágicos da mitologia grega, Erisiction devorou o próprio corpo...
Esse conto me leva a fazer uma analogia com a ignorância bíblica devoradora do povo “vã-gélico”, ou seja, das vítimas das igrejas neopentecostais (carismáticas), que não estudam a Bíblia, confiando apenas nas histórias do Velho Testamento, que os seus “pastores” adaptam aos dias de hoje, visando o crescimento da igreja e o lucro fácil. Esses iludidos nunca lêem as Cartas de Paulo, por isso nunca aprendem que para a liberdade Cristo nos libertou e não devemos nos sujeitar a jugo de homens, conforme Gálatas 5:1.
Outra estória interessante de Bulfinch é a que narra a aventura/desventura de um príncipe, que vivia num país isolado, muito longe do mar. Ele sonhava estar um dia à beira-mar (não junto com o Fernandinho das drogas, é claro), onde pudesse apanhar conchas e ver a beleza esmeraldina do oceano. Até que, no seu 15º. aniversário, ele ganhou de presente (de um rei desconhecido) uma concha. Dormia com aquela concha ao lado, escutando o barulho do mar, e lambendo as gotas da água salgada que dela escorriam, as quais se transformavam, por segundos, numa sereia minúscula. Finalmente, um dia, o príncipe decidiu viajar sozinho em busca do mar, pois havia se apaixonado pela minúscula sereia e queria conhecer melhor o seu habitat natural. Encontrou o mar, porém teve a tristeza de ver a concha escorregar de sua mão e cair nas encrespadas profundezas oceânicas. Fascinado como havia ficado pela beleza da sereia, o solitário príncipe permaneceu sobre um rochedo, esperando que ela aparecesse e lhe enviasse um beijo. Até que um dia, ele escorregou do rochedo e caiu no mar, tendo desaparecido para sempre! (Será que William Shakespeare não se inspirou nessa fábula, para criar Romeu e Julieta?)
Mais uma vez sinto vontade de fazer uma analogia desse príncipe infeliz com os membros das igrejas ditas “avivadas”. Eles se tornaram tão viciados no barulho (mais que oceânico, ou seja, devastador dos tímpanos) e pelas gingas predominantes nos cultos modernos, que poderão, no Dia do Julgamento, cair no abismo sem fim do oceano infernal! Isso porque a maioria deles consiste de “convencidos”, porém não “convertidos” ao Evangelho de Cristo. Que Deus tenha piedade dessa geração “top model”, que não conhece a simplicidade e a garantia da Sua Palavra Santa. Paulo escreveu na 2 Coríntios 11:3: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo”.
Mary Schultze, 08/03/2008 - www.cpr.org.br/Mary.htm