(Great is the Mistery)
Apesar dos milhares de anos de indagações sobre o universo e da super tecnologia da ciência auxiliada pelo computador, nós ainda quase nada sabemos em comparação com o muito que ainda existe para ser conhecido. Não sabemos o que é a energia, nem o que são a gravidade, ou a luz, ou o espaço. Referindo-se ao universo físico o astrônomo britânico Sir James Jeans declarou que “ainda não estamos em contato com a realidade final”.
Muito menos sabemos o que é a vida. As coisas vivas são feitas por máquinas químicas. Contudo, o segredo da vida não repousa na combinação correta das coisas químicas, das quais são feitas as coisas vivas. A ciência procura descobrir como a vida se comunica com a matéria inanimada, esperando reverter o processo da morte e, portanto, criar a vida eterna. Entretanto, esse segredo jamais será alcançado pelo exame das criaturas viventes, pois a vida que elas têm, não lhes pertence.
Sabemos agora que Darwin jamais imaginou que a vida fosse embasada em informações codificadas no DNA (Ver TBC de agosto, 2002). Indiscutivelmente, nenhuma informação se origina conforme é comunicada (página impressa, áudio vídeotape, DNA).
A informação só pode se originar a partir da inteligência. Claramente, a informação que provê as instruções para construir e operar as incrivelmente pequenas e complexas máquinas, as quais constroem as células vivas, poderia originar-se apenas de uma inteligência além da capacidade de nossa compreensão.
JESUS afirmou ser Ele a fonte da vida (João 11:25) e Ele o provou, quando venceu a morte, ressurgindo dos mortos (João 10:17-18). Contudo, existe algo mais vital do que a vida física. Inquestionavelmente, existe um lado não físico no homem. As palavras e as idéias não conceituais que elas expressam (inclusive as impressas no DNA) não fazem parte do universo dimensional e físico. A idéia de “justiça”, por exemplo, nada tem a ver com o que não pode ser descrito em termos de qualquer um dos cinco sentidos. Ela faz parte de outro reino.
Os pensamentos não são físicos. Eles não se originam da matéria e nem ocupam espaço. O nosso cérebro não pensa, pois se tal acontecesse seríamos prisioneiros dessas poucas libras de matéria existente dentro de nossos crânios, aguardando as próximas ordens que ela pudesse nos dar. O homem não possui apenas a vida física, mas também uma vida inteligente. Qual poderia, então, ser a sua fonte? Sobre Jesus João disse: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens” (João 1:4). Cristo declarou: “... Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”.
Essa referência não é à luz física, mas à luz espiritual da verdade - outro conceito abstrato, sem relação com o universo físico.
A verdade nos conduz para além da vida animal. Ela nada significa para os animais. A “inteligência” destes nada sabe a respeito de amor, moral, compaixão, misericórdia ou compreensão, sendo confinada ao instinto e condicionada às respostas dadas aos estímulos. B. F. Skinner tentou encaixar o homem no mesmo molde, mas a nossa habilidade para formar idéias conceituais e expressá-las em palavras não pode ser explicada em termos de reações a estímulos/respostas. Existe um impassível abismo entre o homem e os animais
A inteligência não é física, pois ela concebe e usa construções não físicas, as quais claramente não se originam no cérebro material ou no corpo. Isso nos conduz para além do universo físico, para o reino do espírito. Não sabemos o que seja a alma ou o espírito, nem o que significa a expressão “Deus é Espírito” (João 4:24), o Qual criou o homem à Sua imagem (Gênesis 1:27).
Deus já nos tem dado prova suficiente sobre o que imaginamos que nos conduz completamente à verdade sobre tudo o que a Sua Palavra declara com referência às coisas que não podemos entender completamente (Deuteronômio 29:29). É aí que entra a fé. Existem muitas coisas que, embora não possamos compreender, sabemos que elas são a verdade. É o caso, por exemplo, de ser Deus o princípio e o fim. Isso revira nossas mentes, porém sabemos que deve ser assim.
Conquanto buscando descobrir os segredos do universo, a ciência negligencia o seu Criador. O universo só pode conduzir o homem para um final de morte, visto como o conhecimento final está oculto em Deus, o Qual trouxe à existência o universo.
Mesmo não sendo adoradores de ídolos, no exato sentido do termo, os cientistas, professores universitários, executivos comerciais e líderes políticos, sem importar quão brilhantes sejam, os quais não conhecem Cristo, conforme a descrição feita em Romanos 1, todos se encaixam entre aqueles que rejeitam o testemunho do universo e adoram a criatura em lugar do Criador. Também é possível que até mesmo os cristãos sejam apanhados nessa ambição materialista, desprezando aquilo que Deus nos oferece em Si mesmo.
O maior desejo de Paulo a todos os crentes, segundo Colossenses 2:2-3, era “... que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência”.
O nosso conhecimento, tanto do físico como do espiritual, é no mínimo limitado. Contudo, algum dia saberemos tudo, quando estivermos com Cristo, em nossos corpos glorificados, conforme a 1 Coríntios 13:12: “Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido”.
Quando estivermos em Sua presença, conheceremos Cristo como realmente Ele é, com todas as nossas limitações vencidas, até mesmo a nossa fraqueza em subjugar o pecado. Quando pudermos contemplá-Lo “ ... seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos”. Conhecer Cristo é tudo!
O conhecimento secular tentando ser conseguido em nossas universidades focaliza uma direção errônea. Os tesouros da sabedoria e do conhecimento em Cristo escondidos jamais podem ser descobertos através da inquirição científica, porém revelados somente através do Espírito Santo, através de Sua Palavra, àqueles que crêem nEle.
O conceito de um único Deus verdadeiro, o qual existe em três Pessoas (o Pai, o Filho e o Espírito Santo) tem sido rejeitado até mesmo por alguns que afirmam ser cristãos. Contudo, isso é ensinado através de toda a Escritura, no Velho Testamento, bem como no Novo Testamento. Considerem Isaías 48:16, que diz: “Chegai-vos a mim, ouvi isto: Não falei em segredo desde o princípio; desde o tempo em que aquilo se fez eu estava ali, e agora o Senhor DEUS me enviou a mim, e o seu Espírito”.
Certamente quem falou assim foi o próprio Deus. Ele ainda diz: “O Senhor Deus me enviou”. Não podemos entender o mistério da Trindade. Contudo, não existe motivo algum para que duvidemos de uma coisa que sabemos ser real, embora não a possamos compreender.
Se Deus fosse um Ser singular (conforme os muçulmanos crêem ser Alá e muitos judeus ser Iavé), Ele teria de fazer criaturas, a fim de experimentar o amor, o companheirismo e a comunhão. O Deus bíblico é, Ele próprio, manifestado pluralmente na Divindade; “O Pai ama o Filho” (João 5:20). Deus deve ser Um, mas mesmo assim Ele deve compreender tanto a singularidade como a pluralidade. Somente Deus poderia pagar a infinita penalidade exigida pela Sua justiça. Contudo, isso não seria justo, visto como “Deus não é homem...” (Números 23:19). A encarnação seria, por conseguinte, essencial embora impossível, caso Deus fosse singular. “O Pai enviou o seu Filho para Salvador do mundo” (1 João 4:14). Foi Jesus quem morreu na cruz, não o Pai nem o Espírito Santo. Também não poderia um mero homem, um ser finito, pagar a infinita penalidade do pecado. Através de todo o Velho Testamento, Iavé declara ser Ele o único Salvador, conforme Isaías 43:3,11; 45:15,21; 49:26; Oséias 13:4, etc.
Nesse caso, Jesus teria de ser Iavé, mas também ser homem. Quando o Deus Filho se tornou homem, Ele não deixou, nem poderia deixar de ser Deus. Jesus foi Deus e homem, ao mesmo tempo.
Como pôde Deus tornar-se homem? Mais uma vez, somente através da Trindade. O Pai não se fez homem. Nem também o Espírito Santo. Embora não compreendendo isso, sabemos que deve ser assim. A penalidade de nossos pecados é infinita porque Deus e sua justiça são infinitos. Conseqüentemente, aqueles que rejeitam o pagamento de Cristo em seu favor serão para sempre separados de Deus.
Como pôde o mal surgir no “bom” universo de Deus (Gênesis 1:31) é um mistério - o mistério da iniqüidade (2 Tessalonicenses 2:7). Este vai atingir toda a sua plenitude com o Anticristo, através do qual Satanás vai governar o mundo. Com o Anticristo, Satanás vai se manifestar em carne, conforme Deus o fez, através de Cristo.
Satanás vai ser brilhante além de nossa compreensão, sendo, aparentemente, inferior a Deus apenas em poder e entendimento. É um mistério que Satanás tendo gozado intimamente da santa e gloriosa presença e poder de Deus sobre o Seu trono, tenha um dia se atrevido - e muito menos desejado - rebelar-se. Como poderia ter ele imaginado que poderia algum dia derrotar Deus? Certamente este é um grande mistério!
Satanás não foi criado numa família desajustada, nem num gueto, nem foi “abusado quando criança”. Nenhuma dessas desculpas poderia ser-lhe aplicada e nem a Adão e Eva. Aceitar qualquer explicação para o mal que não se encaixe neles é ser enganado. Certamente o diagnóstico popular atual da “baixa auto-estima” e da “pobre auto-imagem” não foi o problema de Satanás. A Escritura diz que ele se encheu de orgulho: “Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti” (Ezequiel 28:17).
Ele é aparentemente um auto-enganado egomaníaco, cego pelo orgulho quanto ao seu próprio poder e habilidades.
Aqui está o mistério da iniqüidade: na própria presença de Deus o mal absoluto foi concebido. Por uma escolha fatal, o ser angelical mais belo, poderoso e inteligente se tornou, de uma vez por todas, a totalidade do mal, o arquiinimigo de Deus e do homem, o “grande dragão... a antiga serpente chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo” (Apocalipse 12:9 e 20:2).
Paulo aconselhava que um homem não se tornasse bispo, até que fosse maduro, “a fim de não cair na condenação... e no laço do diabo” (1 Timóteo 3:6-7). Isso nos mostra que o orgulho foi a causa da queda de Satanás, pecado que também tem atacado o homem. ”A soberba precede a ruína, e altivez do espírito precede a queda” (Provérbios 16:18).
É também um mistério que Eva tivesse dado crédito à mentira da serpente, contradizendo o que o seu amoroso Criador lhe havia falado. Adão não foi enganado (1 Timóteo 2:14). Sem dúvida, cheio de amor por Eva e sem desejar separar-se da mulher, ele a acompanhou na desobediência, embora sabendo das conseqüências. Mesmo assim, continua sendo um mistério que alguém possa rebelar-se contra Deus, que alguém possa escolher os prazeres do momento em troca da eterna separação de Deus.
O âmago desse mistério é a autonomia dos inteligentes seres criados, os quais possuem o chamado livre arbítrio. Pelo menos alguns anjos (Satanás e os que o seguiram na rebelião) e todos os homens têm o poder da escolha. Ao decidirem sobre as crenças ou ações, embora a evidência possa ser pesada, por fim a razão é posta à margem, a fim de se curvarem diante do trono de si mesmos. Somos os nossos piores inimigos.
O egoísmo teve o seu terrível princípio quando Eva fez a escolha da desobediência em nome de todos os seus descendentes. Cristo disse que não existe esperança, enquanto o homem não se negar a si mesmo (Mateus 16:24). A única maneira de fazermos isso é abraçando a cruz de Cristo como sendo nossa cruz, de modo que possamos dizer como Paulo: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2:20).
A solução para o mal através da encarnação é também um mistério: “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória” (1Timóteo 3:16).
Deus se manifestou em carne - Que mistério. Deus pôde tornar-se um feto no útero de Maria? Quando João Batista era um feto de apenas seis meses, no ventre de Isabel, ele pulou de alegria ao reconhecer que Maria estava grávida do Messias. Admirável!
Visto dos anjos - Estes seres angelicais deviam estar contemplando isso com espanto. Aquele que eles haviam conhecido como o Deus Filho, durante pelo menos seis mil anos, desde o início dos tempos (não sabemos quanto tempo antes os anjos forram criados), estava crescendo no ventre de Maria, a fim de mais tarde nascer como um bebê, carecendo do leite materno para se transformar em verdadeiro homem, embora, ao mesmo tempo, continuasse a ser o verdadeiro Deus. Mistério dos mistérios!
Crido no mundo – O apóstolo João fala com espanto desse homem: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida. Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada” (1 João 1:1-2). Em seu Evangelho, João nos diz: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1:14). Crido no mundo, sim, pois, como Paulo, João cria que Ele era o Messias de Israel, verdadeiramente manifestado em carne. Para ser um cristão alguém precisa crer que Jesus Cristo é Deus, vindo a este mundo em forma humana, a fim de nos redimir. Quanto amor, vir de tão alto e descer tão baixo! E ainda ser rejeitado, odiado, incompreendido, zombado, maltratado, açoitado, espancado e crucificado por aqueles que Ele veio redimir!
Recebido acima na glória - O Seu sacrifício foi aceito pelo Pai e Ele “está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Romanos 8:34). Contudo, antes mesmo daquela reunião em Sua presença na Casa do Pai, “... todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (2 Coríntios 3:18).
Certamente, se a encarnação é o grande mistério da piedade, então precisamos viver vidas piedosas, com Cristo habitando dentro de nós e vivendo Sua vida através de nós, pois “...Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória; a quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo” (Colossenses 1:27-28).
Esta é a esperança do Seu chamado, pois “... o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá” (1 Pedro 5:10). Seremos semelhantes a Ele. A glória que os seus discípulos contemplaram nEle, ser-nos-á manifestada um dia!
Somos transformados através da Sua Palavra, a Palavra da Verdade, da qual nos alimentamos para o crescimento espiritual. As instruções escritas, através das quais Deus nos falou no DNA e que são essenciais para a vida física atual, são um poderoso quadro das palavras que são espírito e vida (João 6:63). Como diz a viva Palavra de Deus. “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre... Mas a palavra do SENHOR permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada” (1 Pedro 1:23,25), é ela que nos cria e alimenta.
“The Berean Call Letter”, Maio 2003 - Dave Hunt