Igreja Emergente, uma nova identidade evangélica
Pr. Steven W. Cornell
O propósito deste artigo é criticar uma onda relativamente nova da identidade cristã a Igreja Emergente. Trata-se de uma rede, em rápido crescimento, de pessoas crentes e igrejas, que preferem ser vistas como um convescote amistoso do que como uma organização. Contudo, em vista do espantoso interesse no [Movimento] Emergente, os que se juntaram nesse convescote, logo viram ser necessário organizarem-se, designando líderes, a nível nacional e internacional. Outros títulos associados ao Emergente são: pós-evangélicos, pós-conservadores, pós-fundamentalistas, pós-fundacionais, pós-proposicionalistas e evangélicos mais jovens. (www.emergentvillage.com é um website importante para o Emergente).
Líderes eclesiásticos emergentes
O falecido Stanley Getz foi reconhecido como o professor do pós-conservadorismo. Roger Olson e Robert Webber têm sido rotulados como publicadores do pós-conservadorismo. Tony Jones é o Coordenador Nacional para o Emergente, nos Estados Unidos, e Brian Mclaren é, com razão, o nome mais popular associado à obra do Emergente. Outros nomes incluem Leonard Sweet, Erwin McManus, Spencer Burke, Edmund Burke, John Franke, Rob Bell,
Mike Yaconelli, Chris Seay, Carol Childress e Dave Travis.
Estimativa Crítica do Emergente
Antes de fazer uma estimativa crítica do Emergente, convém lembrar que esta análise jamais deveria ser proposta, superficialmente. Somos todos um corpo: “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só SENHOR, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós” (Efésios 4:4-6).
Mesmo assim, nossa unidade espiritual não nos exime da responsabilidade de criticar movimentos novos, dentro do Corpo de Cristo. Novas ondas de ensino e identidade precisam ser bem avaliadas pela “fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). O Novo Testamento nos admoesta sobre o perigo de nos enamorarmos facilmente das idéias novas. Quando os crentes não estão firmemente embasados nas verdades bíblicas, eles vacilam como crianças susceptíveis, mudando constantemente suas mentes, a respeito daquilo em que acreditam, porque alguém lhes disse algo diferente [Efésios 4:14].
Emergindo em reação
“Emergente”, como todas as expressões novas, dentro da igreja, é, parcialmente, uma reação às identidades já existentes no Corpo de Cristo. Alguns dos líderes mais influentes no Emergente têm emergido das propostas conservadoras e fundamentalistas do Cristianismo. Torna-se aparente, pelos seus escritos, que esses líderes se sentem traídos pelos que os educaram. Eles rejeitam a simplista, sistemática e julgadora maneira, pela qual foram ensinados a observar as pessoas do mundo, muitas das quais acabam lhes parecendo ser mais agradáveis, humildes e melhores, do que as pessoas de suas igrejas fundamentalistas. Reagindo a este pano de fundo, eles estão determinados a transcender o espírito separatista dos cristãos, os quais parecem não ter outra coisa a fazer, além de provar, a todo mundo, como eles estão certos e como os outros estão errados. Com humilde espírito de arrependimento, eles se atiram, de braços abertos, à tolerância e à aceitação daqueles sobre quem haviam sido admoestados a ficar separados.
A oferta emergente
O Emergente oferece o que eles acreditam ser uma ortodoxia mais generosa. Eles acreditam que a igreja deveria ser uma comunidade de boas vindas e autenticidade, de criatividade e aprendizagem - um lugar onde pessoas com visões diferentes fossem tratadas com o máximo respeito e dignidade (em vez de serem ignoradas). O Emergente oferece um uso eclético de tradições e de adoração: velas acesas, vias sacras, liturgias, símbolos, meditação, sermões, cânticos e palestras. Os emergentes desejam se mover para além de uma identidade embasada em credos, rumo a uma espiritualidade embasada na identidade. Eles recomendam a aceitação e a celebração do mistério do mundo, da vida e de Deus, em vez da conquista do mesmo [mistério]. Preferem uma Teologia em busca da beleza e da verdade divina que uma busca por declarações proposicionais, textos prova e formulações doutrinárias - usadas para medir os que estão dentro e julgar os que estão fora. Engajados no que chamam de foco missionário, eles enxergam o mundo como algo a ser alcançado, não a ser ignorado e firmemente renunciado.
A super-reação emergente
Aqueles que compartilham um igual pano de fundo conservador (especialmente os líderes mais jovens) assumirão as preocupações criadas pelos emergentes. Os líderes das igrejas conservadoras e fundamentalistas têm sido culpados de reações extremistas. Contudo, conforme tem acontecido, as reações contra reações oscilam no proverbial pêndulo, em direção a extremos opostos. Infelizmente, no caso dos emergentes, o que se percebe é que, sempre aceitando e jamais condenando, eles têm sido levados a extremos. Em seu esforço de evitarem ser mal compreendidos pelos incrédulos, eles tocam apenas levemente no que se refere à salvação exclusivamente pela fé em Jesus Cristo. Tornam-se evasivos, quando ensinam sobre o castigo eterno. Escondem a condenação bíblica ao homossexualismo. No final, a pessoa é levada a questionar amplamente se eles aceitam a Escritura Sagrada como a total e divina revelação para a humanidade.
A limitada generosidade dos emergentes
O espírito de aceitação dos emergentes é elogiável; contudo, ele é generosamente estendido a todos, exceto aos cristãos conservadores. O melhor exemplo disso é encontrado na obra de Brian McLaren, “A Generous Orthodoxy”. Imitando o espírito da cultura, McLaren oferece a todos (exceto aos cristãos conservadores) amplas doses de tolerância. Parodiando a comunidade acadêmica, os que são considerados liberais ou de Esquerda, recebem a máxima generosidade de McLaren. Isto é significativo porque o Emergente é edificado na pressuposição de que os evangélicos (tanto da bandeira conservadora como da pragmática) têm feito concessões demais à cultura moderna. Acontece que as coisas que condenamos, nos outros, são exatamente aquelas nas quais somos culpados, em outras áreas. Evidentemente, McLaren não consegue reconhecer quão crítico, sarcástico e condenatório ele demonstra ser em relação aos que ele considera cristãos ultrapassados não emergentes.
A superdeclaração emergente
Os líderes emergentes enfatizam a necessidade de uma radical reforma na igreja, embasada numa compreensão do pós-moderno. Eles laboram “na pressuposição de que o pós-modernismo tem efetuado um gigantesco e irreversível desfecho nos moldes de pensamento das pessoas e que a igreja é desafiada a fazer uma escolha fundamental: adaptar-se, de modo a corresponder ao mesmo, ou ser relegada à irrelevância.” (D. A. Carson - “Becoming Conversant With Emergent”)
Nessa área da ênfase, os líderes emergentes deveriam ser cautelosos contra o tipo de superdeclaração que eles deploram em outros ramos da identidade evangélica. Primeiro, a natureza do rápido desfecho moderno para o pós-moderno é altamente argumentável. (D.A. Carson - “Becoming Conversant With the Emerging Church”). Será que o pós-moderno é, de fato, o mais moderno? Talvez devêssemos estar, realmente, falando sobre o que Paul Vitz identifica como transmodernismo.
Segundo, conquanto seja verdade que muitos líderes espirituais não entendam adequadamente as mudanças culturais, as quais têm acontecido nas últimas várias décadas, muitos têm fiel e efetivamente compreendido essas mudanças, antes mesmo que o Emergente aparecesse. Temo que os emergentes, num esforço de enfatizar a urgência de sua missão, tenham, inadvertidamente, desrespeitado a obra importante de muitos líderes e ministros, neste assunto. (Ver abaixo).
Os emergentes e a pós-modernidade
Uma possibilidade mais preocupante é que os líderes emergentes não estejam realmente interessados numa crítica verdadeiramente bíblica da pós-modernidade. Será que o objetivo do Emergente é buscar melhor compreensão do desfecho da pós-modernidade, dirigindo-a como um desafio à comunicação do Evangelho? Ou será que os líderes emergentes abraçaram os valores da pós-modernidade porque os consideram, realmente, superiores?
O valor mais importante da pós-modernidade é a inadmissão de aceitar os meios de ver qualquer dimensão da vida (?). A pós-modernidade, como teoria, recusa-se a permitir qualquer fonte definitiva da verdade e da realidade, além do indivíduo. O Evangelho contradiz claramente esse valor. Conquanto os líderes emergentes exponham legítimas preocupações sobre se acrescentar muito ao evangelho, eles devem, também, ter o cuidado de não o redefinir, a fim de o acomodar aos principais valores da pós-modernidade. Se o evangelho se tornar anfitrião das restrições da pós-modernidade, ele cessará de ser as boas novas. (Para melhor análise, ler o último livro supracitado de D. A. Carson, Zondevan, 2005).
Artigo - “The Emergent Church - A new wave of evangelical identity”, by Pr. Steven W. Cornell - e-mail: s.cornell@millersvillebiblechurch.org
Traduzido por Mary Schultze, em 14/07/2008.