Igreja (ou seita?)

           

Meu filho Sátiro chegou no sábado 25/04, bem cedo, para um  fim de semana comigo. Foi recebido com carinho e o acomodei no apto. 204, que ainda não consegui alugar, e onde ele poderia ficar com mais conforto, sem perturbar minha privacidade. Meu apartamento tem apenas 50 metros quadrados e está tão  atulhado de móveis e livros que não tem mais lugar sequer para uma cadeira.

Logo depois, Sátiro subiu para o café da manhã, o qual não chegava a ser um ?five stars breakfast?, mas apenas um duas estrelas: ele e eu. Ficamos conversando (não sei qual dos dois é mais tagarela), até as 11,30 horas, quando descemos calmamente a avenida principal da cidade para encontrar o PP, que já nos esperava no Oswaldo. Foi um belo encontro. Conheci o jovem baiano Sátiro (residente em São Bernardo, SP), há alguns anos, através do CPR, e ficamos nos correspondendo pela Internet. Mas ele já me conhecia há muitos anos, pois costumava ler meus artigos na Folha Universal.

Depois do almoço, Sátiro e eu viemos para casa e sugeri que ele fosse descansar no apto. 204, pois havia dormido mal, viajando à noite. Enquanto isso, aproveitei para revisar a tradução, já digitada, do estudo do Dr. James Modlish sobre a Carta de Paulo aos Filipenses,pois não costumo dormir durante o dia. À noite, fizemos um lanche;  vimos duas novelas e o JN, depois sugeri que Sátiro que fosse dormir, pois gosto de me deitar cedo.

Ontem de manhã, fomos à PIBT, onde Sátiro queria conferir se minhas informações sobre esta igreja são realmente verdadeiras, pois ele é um dos muitos decepcionados com as igrejas que tem freqüentado em SP. Quebramos a cara! Eu, por ter, aparentemente, entregue uma ?propaganda enganosa?, e ele, por ter confiado em mim. Os antigos regentes da música mudaram para outra cidade. O Pr. Renato foi pregar numa igreja de fora e havia deixado o púlpito a cargo de um seminarista, o qual leu um sermão quilométrico (acho que embasadoem John Stott); o candidato a "anjo da igreja" ocupou o púlpito por uns 40 minutos, tendo abusado da paciência dos ?gregos e troianos? que ali se encontravam. Ele tem o mau hábito de falar "indentificação" em vez de "identificação" e cometeu esta gafe pelos menos seis vezes, pois cismou com esta palavra durante o tal sermão. Outro mau hábito que ele tem é o de usar "aonde", em lugar de "na qual" e "no qual". Este é um vício típico da maioria dos pastores e dos seminaristas nacionais (mormente os da nova geração), em geral muito fracos no vernáculo.

Na saída, encontramos o irmão Ezequiel (meu acompanhante domingueiro nas incursões às igrejas pentecas) e convidei-o para vir comer um bolo de carne com arroz e salada, em meu apartamento. Ele aceitou e ficamos até 18 horas, conversando sobre assuntos bíblicos, obviamente, fazendo muitas críticas às denominações "avivadas" e às pentecas. Sátiro passou por muitas igrejas pentecas,  a começar da IURD, depois R.R. Soares, Mundial (do "Apóstolo" Valdemiro), até que resolveu seguir meus conselhos e começou a freqüentar uma Igreja Batista Bíblica, onde parece estar feliz.

À noite, fomos assistir a um culto na Congregação Cristã do Brasil, a pedido de um amado irmão que reside em Petrolina (PE), cujos parentes ingressaram nessa igreja (ou seita?) e ele pediu minha opinião sobre a mesma. De fato, ele já havia lido um excelente artigo sobre a CCB no site Sola Scriptura, mas desejava conhecer minha opinião.  Quando chegamos à tal igreja (ou seita?), pouco antes do início do culto, a qual funciona num lindo templo, na periferia de Terê, observei que as mulheres (usando véus) e os homens estavam separados. O obreiro me levou para o lado das mulheres e como eu sou uma "barraqueira", falei: "Amigo, esta discriminação é antibíblica. Paulo diz em Gálatas 3:28, que não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus". O coitado me escutou tranquilamente, mas, mesmo assim, obrigou-me a ser uma "benedicta tu in mulieribus". Gostei dos hinos, gostei da música tocada com instrumentos sérios, pois ali não se escutava o menor sinal de  banda roqueira. O que me incomodou foram duas orações, os "Améns" e os "Aleluias", aos gritos, cada vez  que alguém orava, ou depois dos hinos catados.

Hora da pregação. O líder da noite consultou vários "MIBS" ali sentados na primeira fila de bancos, mas parece que "ninguém havia recebido qualquer revelação especial para pregar",de modo ele mesmo pregou. Mas somente por uns 15 minutos. Quando o culto terminou, fui procurá-lo para conversar. Ele havia dado a entender, durante o sermão, que o batismo nas águas é uma condição sine-qua-non para a salvação, tendo lido João 3:3. Uma coisa eu garanto: mesmo com esta heresia embutida na pregação, o sermão do culto na CCB foi muito bom, comparado ao da PIBT, ao qual eu daria nota 5.

Fui  até o pregador e dei meus palpites, citando Efésios 5:26, para mostrar que a água necessária à salvação e à santificação no Novo Testamento está embasada não na H2O, mas na "água pura da palavra", etc. Ficamos discutindo assuntos bíblicos. Enquanto isso, os MIBS da igreja (quase todos jovens e lindos!) nos rodearam e, no final das contas, preguei mais tempo do que o pregador da noite. Fui tratada com muito respeito e quase carinho, pelo pregador e os MIBS. Recebi uns seis convites para voltar àquela "igreja", o que, certamente,não pretendo aceitar. Entreguei meu CD ao pregador, que o recebeu com muitas palavras de agradecimento!

Imaginem a  escandalosa cena, aos olhos da congregação: Uma velhinha louríssima, vestindo elegantemente calças compridas, sem véu, pregando para a liderança da CCB! Não foi engraçado? Oro para que o SENHOR use os artigos do CD, traduzidos de alguns santos, para esclarecer a liderança daquela igreja (ou seita?).

Mary Schultze, 27/04/2009