A iniqüidade européia e o urubu de duas cabeças

“E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará”. (Mateus 24:12).

 

         A TV Globo tem veiculado diariamente a notícia de que, na Suíça, uma jovem Advogada brasileira (que estaria grávida de gêmeos) foi covardemente atacada por um grupo de rapazes neonazistas, os quais lhe retalharam o corpo com um estilete, deixando-a em estado de choque. O governo suíço tem procurado negar o fato, culpando a vítima, tentando fazer com que todos acreditem que ela é uma aventureira (ou psicopata), que teria ferido o próprio corpo, a fim de atrair a atenção mundial.

Além do anti-semitismo que tem grassado em quase todos os países da Europa, de onde, provavelmente, sairá o próximo Anticristo, temos agora, na União Européia, uma ostensiva perseguição aos brasileiros, por causa da escassez de empregos; por isso os filhos da velha Europa temem perder a chance de trabalhar em seus países.

         Hitler foi o último Anticristo, antes do definitivo, que deve estar chegando por aí. O povo europeu perdeu a fé, não apenas no lado oriental, onde o Comunismo dominou por quase 50 anos, mas, principalmente, no lado ocidental, onde a tecnologia proporcionada pela riqueza material torna as pessoas auto-suficientes, acreditando que não mais precisam de Deus. O povo europeu - com raras e honrosas exceções – “tem calcado aos pés o Filho de Deus e profanado o sangue da aliança” e já enterrou o Messias de Israel numa cova profunda, desejando esquecer que Ele existe e que um dia lhe pedirá contas de seus atos. Coitado desse povo tão rico e próspero, material e intelectualmente, mas tão pobre espiritualmente, o qual sofrerá tremenda desgraça, quando “cair nas mãos do Deus vivo!” (Hebreus 10:29,31).

         Em 1999, estive, com a filha e os netos, visitando duas feiras nacionais - uma em Neustasdt (Bavária) e outra e Annaberg (Saxônia). Vimos milhares de pessoas desfilando naqueles dois lugares. Havia parques de diversão nessas feiras, muito sorvete, salsichas e cerveja. Os jogos de azar eram abundantes. Por 5 DM (marcos alemães) a pessoa poderia comprar uma cautela e ganhar um urso de pelúcia de 80 cm, uma garrafa de champanhe francesa, um colar de cristal da Tchecoslováquia, um bibelô, etc. É claro que não joguei, ficando apenas a contemplar o mar de ilusão em que as pessoas mergulhavam, pelo simples prazer de se tornarem participantes daquela festa.

         O que mais me chamou a atenção foi a decadência dos jovens alemães em matéria de aparência. A maioria se vestia de maneira ostensiva, com roupas de couro preto, cabeças raspadas, deixando às vezes uma franja e um topete ridículos pintados em verde, vermelho, azul, etc. Vi garotas de minissaias digitais, naquela noite quente de verão europeu, todas elas de cabelos curtíssimos, pintados em cores bizarras, com muitos brincos nas orelhas perfuradas, os quais eram mais comuns nos rapazes do que nas moças. Havia uma gandaia generalizada, a qual não existia há 30 anos, quando os Beatles chegaram e desencadearam toda a rebeldia da juventude ocidental. Havia uma tremenda falta de classe, um desejo de gritar: olha aqui, minha gente, eu sou o maior, eu sou o tal! Pobre juventude sem rumo, tão vazia de espiritualidade!!!

Os estrangeiros, principalmente na Alemanha Oriental, são considerados “personas non gratas” pelos garotos neonazistas. Um exemplo: Em 1998, minha filha Margarete foi residir na Alemanha, onde vive até hoje. Meu neto Gustavo tem 1,85 de altura, é louro, de olhos claros e tem nacionalidade alemã, herdada do avô berlinense; mas pelo simples fato de falar o alemão com sotaque estrangeiro, por ter nascido e vivido no Brasil, foi ostensivamente rejeitado na escola pelo grupo neonazista que lá estuda. Em 1990, poucos dias após ter chegado à Alemanha Oriental (Wustenbrand, município de Hohenstein-Frohna), a 20 Km de Chemnitz, a cidade universitária mais próxima da capital da Saxônia, Dresden (80 Km), Gustavo foi agredido por quatro rapazes neonazistas (skinheads), ao sair da escola. Felizmente, o garoto tinha aprendido judô, karatê e capoeira; portanto, deu a maior surra nos garotos inconseqüentes, embora tenha levado alguns arranhões para casa. A polícia foi informada do caso, os garotos juraram vingança e o brasileiro Gustavo Schultze, criado na Serra do Capim, em Teresópolis (RJ), passou a viver em constante sobressalto. Gustavo aprendeu alemão, em menos de um ano, hoje trabalha numa escola de dança e faz um curso técnico, a fim de conseguir sobreviver, decentemente, na União Européia.

         A Alemanha é o país mais lindo que já vi, dos 14 que eu conheço. Suas cidades são arborizadas, castelos medievais existem por toda parte, planícies imensas, cultivadas e verdejantes, rodeiam as cidades pequenas, onde a maior parte das casas fica separada por jardins maravilhosos, com rosas vermelhas que enfeitam a paisagem. As flores estão em toda parte, encantando a nossa vista e nos dando a certeza de que existe um Deus Criador, grandioso e perfeito, o qual, infelizmente, hoje é descartado pelos europeus, tão cultos na sabedoria humana e tão ignorantes das verdades bíblicas.

         Na cidade de Bamberg, onde Johann Sebastian Bach deu muitos consertos, vimos uma das maiores catedrais católicas da Bavária, perto de uma praça muito bonita, com oito canteiros enormes de rosas vermelhas, amarelas e brancas. No centro da praça, havia mais dois canteiros de flores de cores variadas, e duas estatuas de homem e mulher despidos para o banho. Fiquei encantada, indaguei o nome da praça, mas ninguém soube informar. Meus amigos e eu chegamos a um centro de turismo, dentro do Teatro da Cidade, e recebemos um livrete com informações. Foi aí que descobrimos que a praça de chama “Geyer Platz”, nome de algum cidadão ilustre da terra, a qual, por pouco, não se chama “Praça do Urubu”, pois “geier” em alemão é urubu. Esta é mais conhecida como “Praça das Rosas”, em vista dos maravilhosos canteiros já descritos. Sempre que víamos o símbolo da Alemanha, uma águia (Adler), só para implicar com os alemães, eu chamava de “urubu”, e os meus companheiros alemães, um deputado estadual e um físico nuclear, riam muito e concordavam com a tradução, tanto que um deles, quando estávamos chegando a Bad-Windsheim (Bavária), apontou uma águia de duas cabeças e falou: “Mary, olha lá um urubu de duas cabeças, símbolo desta cidade!”.

 

Mary Schultze, 1999/2009

        

"Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!" 1 Cor 9:16

"Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo". 2 Cor 4:6