Intenções para o Novo Ano

 

         Ontem (31/12/05) fui me deitar às 23 hs., como de costume. Liguei o aparelho de som e escutei 10 capítulos do Evangelho de Mateus (na voz do Cid Moreira), tendo adormecido placidamente, enquanto os fogos estouravam por cima do prédio onde moro.

         Quando meu marido era vivo, sempre comemorávamos a chegada do Ano Novo, embora fosse uma comemoração detestável, porque ele  e George Ruegner (um professor americano casado com a Solly) se encharcavam de champanhe, ficando tagarelas e  chatos...

         Desde que ele se foi e a filha Rose cresceu, aprendi a ficar sozinha na virada do ano, deixando que as filhas comemorem com os amigos, enquanto eu fico fazendo alguma tradução (ontem me dediquei à tradução de um trabalho do Dave Hunt - “Wonderful Grace”) ou assistindo novelas na Globo.  Lembro-me que na virada de 1998 para 1999 eu estava traduzindo o Comentário de Wesley sobre o Evangelho de Lucas, chorando muito porque minha mãe estava num CTI.

         Logo que começa a tal exibição de macaquice conhecida como “Show da Virada”, desligo a TV e vou me arrumar para mais uma noite tranqüila de sono, na paz e no amor do Senhor, que me perdoa os pecados cometidos durante o ano inteiro e me dá esperança para enfrentar, tranqüilamente, um novo ano (1 João 1:9 e 1 João 1:7).

         Para este Ano 2006 fiz alguns votos, que espero... sejam cumpridos:

         1. - Serei menos fútil, ou seja, vou dar mais lugar à Mary - missionária do papel - do que à Mary Fútil, embora, segundo o Pr. Paulo,  “ Mary fale mesmo depois de fútil” e, segundo o Dr. Haroldo, “a Mary Fútil precise embelezar o corpo  da Mary Missionária.”

         2. - Vou tentar ser menos radical na doutrina, pois é melhor um crente fraco na mesma (como esses coitados que se deixam enredar na “Teologia da Ganância” e nas experiências espirituais) do que um descrente se encharcando de sexo, bebida e fumo... ou jogando na loteria da Caixa. No apê em frente ao meu, há um casal que se julga muito santo, conforme as doutrinas do Macedão, entregando-lhe uma fortuna (pois marido e mulher recebem pensões federais) e ainda ajudando nos serviços da IURD, por quem tenho orado, desde que se mudou para cá, esperando que o Senhor lhe abra os olhos para o que nos ensina Gálatas 5:1.

         3. - Serei menos exigente com as filhas e os netos, que preferem escutar música barata a se engajarem em qualquer leitura bíblica, o que me dá vontade de dar-lhes umas boas vassouradas.

         4. - Terei mais paciência com a faxineira, que sempre deixa poeira nos lugares mais ocultos do apê, esperando que eu limpe tudo e me esqueça do assunto, quando ela vier na próxima vez. E quando reclamo que ela não soube arear as panelas como eu gosto, responde: “Não é minha obrigação!”. Ora, se eu cozinho um bom almoço para ela, sempre que aparece, será que não tenho pelo menos  o direito de esperar que deixe minhas panelas brilhando, como eu mesma o faço?

         5. - Darei menos trabalho ao Pr. Paulo (fundador e diretor do CPR), que logo aparece, de boa vontade, quando lhe telefono dizendo que o Outlook pifou, que pressionei alguma tecla errada e agora fiquei sem saber resolver o problema, que o secador de roupas caiu sobre a minha cabeça chata, que briguei novamente com a filha Rose...

           Se existe um homem santo neste planeta é o Pr. Paulo Pimentel. Além de erudito e firme na sã doutrina, ele continua pobre... por opção. Seu carro tem mais de 12 anos de uso, não cobra um centavo pela pregação do evangelho e só consegue se manter pela misericordiosa graça de Deus!

         6. - Vou tentar reencontrar meu pai e minha mãe na fé, Eliel e Ceci Botelho, de quem não tenho notícia há anos... Ele foi pastor de uma igreja presbiteriana em SP, depois que saiu da IP onde eu congregava, em Jardim Primavera (RJ).  É muito parecido com o Pr. Paulo na simplicidade, na falta de ambição, na sinceridade, no carisma. Nos primeiros anos após minha conversão, ele e a esposa me evangelizaram com o maior carinho. Também me emprestaram uns 15 livros do Dr. Aníbal Reis para eu ler (depois comprei mais 20) e, assim, comecei a me “doutorar” em Catolicismo Romano, até começar a fazer traduções para a Chick Publications e a Chamada da Meia Noite e, portanto,  me tornar “muy amiga” do papado.

        Antes de falecer, o Dr. Aníbal pediu-me para continuar a sua obra de “marretar” o Vaticano e tenho procurado cumprir a promessa que lhe fiz... Lembro-me que estávamos em Belo Horizonte, eu a serviço da H. Schultze e ele pregando numa igreja presbiteriana da cidade, em  1980...

         7. - Comprei um aparelho de DVD e pretendo começar a ver alguns filmes evangélicos, a fim de relaxar o corpo e a mente. Já vi “Arrebatamento I e II”, ”Deixados Para Trás I e II”, “Megido” e outros. A partir de agora, se alguém quiser me dar um presente, que seja  um bom filme em DVD, pois se até hoje eu detestava ver filmes, agora, com a canseira visual e o corpo moído (desde a obra no apê), preciso descansar um pouco e não consigo parar de trabalhar... a não ser vendo um filme bíblico ou lendo um bom livro... Não tenho medo de morrer, mas de ficar deitada, inútil, numa cama de hospital, morro de medo! Que Deus tenha misericórdia de mim e me deixe morrer de um enfarte fulminante, para que eu não precise ficar num hospital, dando trabalho e preocupação às minhas filhas... sempre ocupadas demais para se importarem com os meus problemas... Talvez porque nunca tenham me visto doente!

        Glória ao Senhor pela minha saúde e disposição! Sou uma velhinha magra, elétrica, sem nenhum dos achaques da terceira idade, enfim, sou uma garota de 76 anos e 23 dias, cheia de fé, alegria, amor e gratidão pelo Senhor Jesus Cristo, meu grande Deus e Salvador! Que Ele volte logo para nos arrebatar... é o que mais almejo neste Novo Ano de 2006! (2 Timóteo 4:7).

 

Mary Schultze, janeiro 2006

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Mary Schultze, janeiro 2006