Um tempo em que seguir a Jesus não era nada fashion.

Renato Vargens

Minha tia-avó completou em julho deste ano 90 anos. Ela foi a primeira de minha família a experimentar o novo nascimento em Cristo Jesus. Sua conversão se deu aproximadamente há 60 anos, quando quase ninguém ousava ser crente.

Há pouco tempo ela me contou que por volta dos anos 40 encontrava-se conversando com amigos em frente à Igreja Presbiteriana na cidade de Barra do Piraí, quando o seu irmão mais velho a surpreendeu em tão “desrespeitoso” ato. Ao testemunhar tal “arbitrariedade” seu irmão extremamente indignado procurou seu pai contando-lhe o que para eles era considerada a maior de todas as aberrações. Meu bisavô declarou então que preferia ter uma filha morta a vê-la no rebanho dos bodes. Desde aquele dia, minha tia-avó, sofreu inúmeras perseguições por parte da família e amigos, experimentando restrições, chacotas e deboches.

O bispo anglicano Robison Cavalcanti escreveu relatando que no início do século XX, crianças e jovens eram perseguidos nas escolas, profissionais nos empregos, proibia-se o aluguel de imóveis comerciais e residenciais para os "nova-seita", também conhecidos como "bodes", Igrejas eram apedrejadas, pessoas fisicamente agredidas, amizades e vínculos familiares eram rompidos. A imprensa incitava contra essa fé "estrangeira". O hino de um Congresso Eucarístico cantava: "Quem não for bom católico, bom brasileiro não é". Bíblias eram queimadas. Paredes de templos protestantes eram levantadas de dia, para serem derrubadas de noite. "Protestante é pobre, burro e feio". Casar minha filha com um deles, nem pensar...

Pois é, tempos de provação aqueles.

Hoje a história é absolutamente diferente. Crente virou sinônimo de fashion, de pessoa chique, de gente da moda, de glamour, de artistas, de fãs, de baile gospel, de poderosos homens e mulheres de Deus. No Brasil de hoje, seguir a Jesus já não nos trás perseguições como anteriormente, pelo contrário, nos trás a promessa de "prosperidade" através de decretos espirituais ou atos proféticos. Seguir a Jesus para geração atual é um maior barato, até porque, Deus é maravilhoso e fiel, e por ser filho do Rei tenho direito a TUDO DE BOM.

Caro leitor, confesso que fico assustado com o evangelho pregado em nossos dias. A denominada teologia Tabajara, cujo conteúdo, é ensimesmado, hedonista e mítico, verdadeiramente tem nos levado a pregar qualquer coisa menos o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

Infelizmente hoje já não somos mais perseguidos pela nossa fé ou moral, nem tampouco pela obediência as Sagradas Escrituras. Antes pelo contrário, em nossos dias, os denominados evangélicos são veementemente acusados pela ausência de moralidade, ética e decência.
 

Tempos difíceis estes.

Renato Vargens

http://renatovargens.blogspot.com/2008/09/quando-seguir-jesus-no-era-nada-fashion.html