Israel e o Messias
(Israel and The Messiah)
Trinta por cento da Bíblia se constituem de profecias referentes ao Messias de Israel, Jesus Cristo, o Filho de Deus. Na 2 Pedro 1:19-21 (ACF), lemos: "E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações. Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo." A profecia nos revela antecipadamente verdades que jamais poderíamos conhecer de outro modo. Nelas Deus declara, para início de conversa, a grande verdade de que Ele é Deus, em Isaías 46:9-10 (ACF): "...Eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antigüidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade".
Quase toda a profecia trata de Israel e da Primeira e Segunda Vindas do Messias. Deus revela aos israelitas que eles serão um sinal para o mundo, glorificando-se nesse povo e através do mesmo, conforme Isaías 46:13 (ACF):
"Faço chegar a minha justiça e não estará ao longe, e a minha salvação não tardará; mas estabelecerei em Sião a minha salvação, e em Israel a minha glória".
Em outras palavras, Deus afirma que usará o povo e a terra de Israel para servirem de testemunhas, tanto para eles mesmos como para o mundo. Seu propósito é que todos venham a conhecê-Lo, crer Nele e entender que Ele é o único Deus verdadeiro.
Ele ordenou a Abraão, em Gênesis 12:1 e 15:18 (ACF): "... Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa do teu pai, para a terra que eu te mostrarei... À tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates".
A Isaque, em Gênesis 26:3, e a Jacó, em Gênesis 28:13, ele declarou que a Terra Prometida seria deles e dos seus descendentes para sempre. Quando os árabes se levantam contra Israel, na atualidade, estão indo totalmente de encontro ao plano de Deus e, portanto, incorrendo em sua maldição. No Livro de Josué temos a prova de que Deus, realmente, entregou a Israel a terra que lhe havia prometido. Contudo, em Deuteronômio 28:13 Ele exige perfeita obediência da parte do povo e o adverte que em caso contrário, Ele o atiraria para longe dali, conforme Dt 28:63-64.
O povo não obedeceu. O Reino do Norte - Israel - foi entregue aos assírios e o Reino do Sul - Judá - foi entregue a Nabucodonosor. Jeremias profetizou que o povo regressaria da Babilônia após 70 anos de cativeiro (Jeremias 25:12). Mesmo assim, uma Diáspora devastadora ainda iria acontecer por causa da rejeição ao Messias, o que realmente aconteceu, quando Jerusalém foi invadida pelo exército romano de Tito, no Ano 70 d.C., e os judeus foram dispersos pelo mundo inteiro.
Essa dispersão, bem como as perseguições e tentativas de aniquilação do povo de Deus poderiam ter colocado o Senhor numa posição insustentável com relação à promessa feita a Abraão e aos seus descendentes. Contudo, Ele declarou que, mesmo sendo Israel castigado por causa de sua desobediência, não seria esse o Seu propósito final, pois Ele o libertaria, quando chegasse o tempo determinado para isso, conforme Jeremias 30:11 (ACF): "Porque eu sou contigo, diz o Senhor, para te salvar; porquanto darei fim a todas as nações entre as quais te espalhei; a ti, porém, não darei fim, mas castigar-te-ei com medida e de todo não te terei por inocente".
Que uma minoria perseguida e dispersa pelo mundo inteiro pudesse sobreviver por 2.000 anos ou mais, no meio de outras raças, sem ser completamente absorvida, e permanecesse como um grupo étnico separado, exclusivo e identificável, é inconcebível do ponto de vista humano, mesmo porque se tivesse se misturado com outros povos, os judeus teriam evitado grande parte do seu sofrimento. Contudo, o fato espantoso é que esse povo foi arrebanhado dos países do mundo inteiro e trazido de volta à terra que Deus lhe havia prometido, há mais de 3.000 anos. Isso aconteceu em 1948, quando foi criado o Estado de Israel e reconhecido como nação soberana.
A respeito dessa maravilhosa restauração do povo, a Bíblia nos dá numerosos detalhes, como por exemplo em Isaías 27:6 e Oséias 14:4-6 (ACF), onde Ele declara: "Dias virão em que Jacó lançará raízes, e florescerá e brotará Israel, e encherão de fruto a face do mundo".
"Eu sararei a sua infidelidade, eu voluntariamente os amarei; porque a minha ira se apartou deles. Eu serei para Israel como o orvalho. Ele florescerá como o lírio e lançará as suas raízes como o Líbano. Estender-se-ão os seus galho, e a sua glória será como a da oliveira, e sua fragrância como a do Líbano".
Nos anos 1800, quando Mark Twain visitou a Terra Santa, notou que era uma terra completamente estéril. Contudo, a partir do regresso dos judeus à terra de seus ancestrais, a agricultura se tornou a prioridade econômica nacional, de modo que, atualmente, esse pequeno país é o maior exportador de frutas e vegetais para a Europa, inclusive exportando flores até mesmo para a Holanda.
Os profetas hebreus também profetizaram que, após a sua restauração, Israel iria exibir um espantoso poderio militar, com o qual poderia consumir todos os povos ao redor, conforme Zacarias 12:6-8. A vitória na guerra de 1948-49, que se seguiu à sua independência, quando Israel ainda era carente de material humano e bélico, pode ser considerada um espantoso milagre de Deus. A vitória de Israel na Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, contra um número mil vezes maior de inimigos, mostra como Deus lutou pelo seu povo, com uma espada afiada e veloz, derrotando os árabes. Isso prova que o Deus de Israel - Jeová - é o Deus verdadeiro, enquanto o Deus dos árabes - Alá - é um falso deus. A Guerra de Yom Kippur novamente encontrou Israel em tremenda desvantagem bélica, e aconteceu de surpresa, exatamente durante um feriado religioso, quando o povo estava distraído. Mesmo assim, o povo de Deus conseguiu desarraigar as forças árabes combinadas, o que prova o amor e proteção de Deus com relação ao seu povo.
Um último tema profético a respeito de Israel e Jerusalém tem a ver com a sua permanência no contexto global do momento. Nos idos de 480 a.C., Zacarias escreveu o seguinte: "Eis que eu farei de Jerusalém um copo de tremor para todos os povos em redor, e também para Judá, durante o cerco contra Jerusalém. E acontecerá que naquele dia farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos, todos os que a carregarem certamente serão despedaçados e ajuntar-se-á contra ela todo o povo da terra" (Zacarias 12:2-3 - ACF)
O que há de espantoso nessa profecia é que na época em que ela foi feita Jerusalém era uma cidade desolada, com uma pequena população de judeus que haviam regressado do cativeiro babilônico, os quais, perseguidos pelos samaritanos, tiveram de reconstruir, com muita dificuldade, o templo e os muros da cidade. Depois de 2.500 anos, Jerusalém tem se tornado, realmente, um "copo de tremor" para todos os povos do mundo e pode até acarretar, no momento, uma guerra nuclear, incinerando todo o planeta.
Deus é o Deus da profecia. E é também o Deus de nossa salvação. Israel foi escolhido por Ele para ser o seu povo e trazer ao mundo o Messias prometido, a partir de Gênesis 3:15. Quando Paulo começou a pregar aos gentios, ele sempre procurava uma sinagoga em cada cidade onde chegava e ali testificava, a partir das profecias messiânicas, que Jesus Cristo é o verdadeiro Messias. Na cidade grega de Beréia, seus ouvintes não apenas ouviram sua pregação, como foram conferir suas palavras nas Escrituras, constatando que Jesus preenchia todos os requisitos desejados para ser o verdadeiro Messias prometido a Israel. Esses critérios eram muitos e vamos mencionar alguns:
1. O Messias deveria nascer em Belém de Judá. (Miquéias 5:2).
2. Deveria proceder da tribo de Judá (Gênesis 49:10).
3. Deveria descender da linhagem de Davi. (Isaías 11:1)
4. Deveria nascer de uma virgem. (Isaías 7:14)
5. Deveria apresentar uma vida plena de milagres. (Isaías 35:4-6)
6. Deveria morrer pelos pecados do mundo. (53:5).
7. Deveria permanecer três dias e três noites no túmulo. (Jonas 1:17).
8. Deveria ressurgir dos mortos (Salmos 16:10).
Somente Jesus foi qualificado como o Messias, conforme a profecia bíblica.
Para aqueles bereanos do primeiro século, desejosos de mais informações sobre a morte sacrifical do Messias, Paulo poderia suprir muitos detalhes colhidos nas profecias do Velho Testamento (escritas entre 500 e 1.400 anos antes), os quais lhes davam a impressão de que eles mesmos poderiam estar lá. Daniel nos conta o dia exato em que Jesus entraria em Jerusalém, onde seria saudado como o Messias. Zacarias nos conta que Ele ali entraria, como Rei, montado sobre um jumento (Zacarias 9:9). Que Ele seria vendido por trinta moedas de prata. (Zacarias 11:12). Que o traidor seria um dos seus amigos. ((Salmos 41:9). Isaías prediz que Ele sofreria violência dos Seus acusadores (Isaías 50:6) e ficaria como a ovelha muda perante os Seus tosquiadores (Isaías 53:7). Moisés predisse a Sua crucificação (Deuteronômio 21:22-23). O salmista nos conta que Ele seria opróbrio dos homens e desprezado do povo. Todos os que O vissem iriam zombar Dele, meneando suas cabeças (Salmos 22:6-7). Que os Seus amigos ficariam observando-o de longe (Salmos 38:11). Que os Seus malfeitores Lhe traspassariam as mãos e os pés, contariam todos os Seus ossos e repartiriam entre si as Suas vestes (Salmos 22:16:18). Que Ele gritaria por socorro perante o Pai (Salmos 22:1) e ao Deus da verdade entregaria o Seu espírito (Salmos 31:5). Isaías adianta que ele seria imolado entre os ímpios e sepultado entre os ricos (Isaías 53:9). Isaías também disse as razões por que o Filho de Deus iria para a cruz. (Isaías 53:5, 6,10).
Jesus satisfez todos esses requisitos, o que nos garante ser Ele
o Salvador do mundo.
Algumas profecias ainda não foram cumpridas. Como tudo o que foi declarado sobre a Sua Primeira Vinda realmente aconteceu, podemos estar absolutamente confiantes de que Deus há de cumprir tudo que foi predito sobre a Segunda Vinda.
A profecia bíblica nos garante que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó é o único Deus verdadeiro. Que Jesus é o Seu Filho unigênito, única esperança de salvação para todos os homens. Desse modo, precisamos compartilhar as boas novas do Evangelho de Cristo com os que nos cercam, pregando a salvação dos pecadores unicamente através do Filho de Deus, Jesus Cristo, conforme Romanos 1:1-3 e Romanos 1:16.
"The Berean Call Letter", Novembro 2001 - T. A. McMahon