NA
SEMANA NACIONAL DE
ENFERMAGEM
comemorada anualmente de 12 a 20 de maio em todo o Brasil, dedico esta mensagem aos ‘anjos de branco’, envolvidos na salvação de vidas
Teresópolis-RJ Jasson de Souza
ENFERMEIRAS e ENFERMEIROS
Não consigo me lembrar, é claro; mas dizem que ela foi a segunda pessoa que me pôs no colo. E a partir daquele momento, olha só o quanto ela foi importante pra minha vida. Ela, quem??!! A enfermeira, ora!!
Foi uma enfermeira - quem me devolveu à minha mãe, limpinho, sequinho, cheirosinho e com a primeira roupinha.
Foi uma enfermeira - quem, quando eu era bem pequeno, orientou a minha mãe sobre como cuidar de um filho com infecção crônica de ouvido.
Foi uma enfermeira - quem, aos meus nove anos, auxiliou o médico no diagnóstico de miopia de doze graus.
Foi uma enfermeira - quem, aos meus vinte e quatro anos, medicou os meus leves ferimentos causados por um atropelamento de carro.
Foi uma enfermeira - quem, aos meus vinte e seis anos, cuidou do meu pé quase quebrado num acidente de trabalho
Foi uma enfermeira - quem, aos meus vinte e sete anos, cuidou do meu dedo quase decepado n’outro acidente de trabalho.
Foram as enfermeiras - que, unidas aos médicos, aos meus trinta e três anos viraram as pessoas mais importantes e mais presentes na minha longa luta contra o câncer, travada em oito internações durante cento e quarenta e oito dias nas enfermarias de quatro hospitais públicos.
Foram as enfermeiras - que cuidaram de mim nas duas vezes em que o meu corpo foi aberto para a extirpação da doença maligna.
Era um enfermeiro - a pessoa que, em silêncio, sempre entrava na enfermaria com a luz apagada pra não me acordar ou incomodar; e, com a sua lanterninha, injetava a medicação no frasco de soro ou na borrachinha ligada à veia, numa bela demonstração de sensibilidade à dor do próximo.
Foram um enfermeiro e uma enfermeira - que auxiliaram o médico na dissecação da veia do meu braço, onde foi introduzido um tubinho para medicação e hidratação permanentes durante trinta e três dias, num processo que eu chamava de pinga-pinga 24 horas.
Eram enfermeiras que - meses depois referindo-se àquele braço magérrimo, em pele-e-osso, duas delas diziam brincando, carinhosa e exageradamente: “Era tão fininho que parecia um dedinho”.
Eram enfermeiras e enfermeiros - que me recebiam, me orientavam e cuidavam de mim, nas duzentas e vinte e três vezes que eu fui ao Hospital do Andaraí, há cento e cinco quilômetros da minha casa, para a quimioterapia e, depois, os exames e as consultas que procuraram mas não acharam, o retorno da doença.
Foi uma enfermeira quem - numa das minhas idas ao hospital para exames quando levei minha filha Chalanda com alguns meses de vida, pegou a menina no colo, virou-se pra um grupo de colegas de branco e disse: “Essa criança é filha de um milagre”.
São enfermeiras e enfermeiros - as pessoas às quais, na Semana Nacional de Enfermagem de cada ano, dedico uma mensagem de reconhecimento pelo muito que fizeram por mim e por muitos de nós. Pois não há como negar a sublime missão desses salvadores de vidas, quando testemunhamos a presença marcante de uma enfermeira, ou enfermeiro, no começo, meio e fim de nossas vidas.
E é por tudo isso - e porque aos cinqüenta e sete anos, já aposentado, ainda empregado, desfrutando de ótima saúde e livre de medicamentos - que nesta Semana Nacional de Enfermagem dedico esta mensagem de reconhecimento às atenuantes da dor. Pois não fossem elas, ou eles, usadas como ferramentas pelo CONSTRUTOR e CONSERTADOR de vidas, não teria eu escrito mais estas páginas de gratidão e apoio aos vencedores de desafios; que espalhados pelos cenários de dor e agonia, desde as metrópoles e cidades aos mais distantes vilarejos e aldeias do nosso Brasil, são dignos desta homenagem e de serem chamados de Anjos de Branco
Muito obrigado pela sua atenção dispensada até aqui. Estou feliz por isto. Tomara que deixemos sempre que DEUS mantenha acesa em nossos corações, a chama advinda do calor humano, pra que continuemos jogando lenha na fogueira da vida; aquecedora do sentimento de compaixão pela dor do próximo, e de gratidão pelos que minimizam a nossa dor.
A seguir, uma seqüência cronológica da primeira a ultima internação nos diversos hospitais, onde enfermeiras e enfermeiros imprescindíveis para a manutenção da minha vida, inspiraram-me a dedicar-lhes esta homenagem.
1ª internação: Hospital das Clínicas, Teresópolis, 15 dias.
2ª internação: C. de Saúde N. S. Fátima, Teresópolis, 15 dias.
3ª internação: Hospital São José, Teresópolis, 11 dias.
4ª internação: Hospital das Clínicas, Teresópolis, 12 dias.
5ª internação: Hospital Geral do Andaraí, Rio, 39 dias.
6ª internação: Hospital Geral do Andaraí, Rio, 26 dias.
7ª internação: Hospital Geral do Andaraí, Rio, 14 dias.
8ª internação: Hospital das Clínicas, Teresópolis, 15 dias.*
jassoncom@hotmail.com ― Jasson ‘Vencedor Contraocâncer’ de Souza
Ex-paciente de linfoma não-Hodgkin, tratado no Hospital do Andaraí desde agosto de 1982, com o prontuário 353-530; acompanhado nas duas cirurgias e no ambulatório durante nove anos e meio pelo Dr Mauro da Costa Moreira, ainda em atividade naquele hospital.
Se um dia lhe interessar o envolvimento voluntário no apoio às pessoas com câncer, pesquise no GOOGLE, buscando AACN (Associação de Apoio à Criança com Neoplasia); ou ABRALE (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia).
*Sem ter como chegar rápido ao H.G.A., onde fui operado, fui socorrido na emergência do H.C.T.,onde fiquei internado por 15 dias devido a complicação tardia pós-cirúrgica. De posse do meu histórico fornecido pelo H.G.A., que descartava a hipótese de retorno da doença oncológica, o H.C.T. cumpriu plena e satisfatoriamente a tarefa de sanar o problema com drenagem e antibióticos.
Mensagem escrita na Semana Nacional de Enfermagem 2007 pelo autor que assina: Jasson de Souza.
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