Juventude neonazista alemã
Hitler foi o último Anticristo, antes do definitivo, que deve estar chegando por aí. O país perdeu a fé, não apenas no lado oriental, onde o comunismo dominou por quase 50 anos, mas principalmente no lado ocidental, onde a tecnologia proporcionada pela riqueza material torna as pessoas auto-suficientes e crentes de que não precisam de um Deus em hipótese alguma. O povo alemão - com raras e honrosas exceções – “tem calcado aos pés o Filho de Deus e profanado o sangue da aliança” e já enterrou o Messias de Israel numa cova profunda, desejando esquecer que Ele existe e que um dia lhe pedirá contas de seus atos. Coitado desse povo tão rico e próspero, material e intelectualmente, mas tão pobre espiritualmente, o qual sofrerá tremenda desgraça, quando “cair nas mãos do Deus vivo!” (Hebreus 10:29,31).
Estivemos visitando duas feiras nacionais – uma em Neustasdt (Bavária) e outra e Annaberg (Saxônia). Vimos milhares de pessoas desfilando naqueles dois lugares. Havia parques de diversão nessas feiras, muito sorvete, salsicha e cerveja, mas pouca coisa interessante para se comprar. Os jogos de azar eram abundantes. Por 5 DM (marcos alemães) a pessoa poderia comprar uma cautela e ganhar um urso de pelúcia de 80 cm, uma garrafa de champanhe francesa, um colar de contas, um bibelô, etc. É claro que não joguei, ficando apenas a contemplar o mar de ilusão em que as pessoas mergulhavam pelo simples prazer de se tornarem participantes daquelas festas.
O que mais me chamou a atenção foi a decadência dos jovens alemães em matéria de aparência. A maioria se veste de maneira ostensiva, com roupas de couro preto, cabeças raspadas, deixando às vezes uma franja e um topete ridículos pintados em verde, vermelho, azul, etc. Vi garotas de mini-saias digitais, naquelas noites quentes de verão europeu, todas de cabelos curtíssimos, pintados em cores berrantes, com muitos brincos nas orelhas perfuradas, mais comuns nos rapazes do que nas moças. Havia uma gandaia, que não conheci há 30 anos atrás, uma tremenda falta de classe, um desejo de gritar: olha aqui, minha gente, eu sou o maior, eu sou o tal!
Os estrangeiros, principalmente na Alemanha Oriental, são considerados “personas non gratas” pelos garotos neonazistas. Um exemplo: Gustavo Schultze tem 1,85 de altura, é louro, de olhos claros, tem nacionalidade alemã, herdada do avô berlinense, mas pelo simples fato de não falar alemão corretamente, por ter nascido e vivido no Brasil, é ostensivamente rejeitado na escola pelo grupo neonazista que lá estuda. Poucos dias antes de chegarmos à Alemanha Oriental (Wustenbrand, município de Hohenstein-Frohna), a 20 Km de Cheminitz, a cidade universitária mais próxima da capital da Saxônia, Dresden (80 Km), Gustavo foi agredido por 4 rapazes neonazistas, ao sair da escola. Felizmente, o garoto tinha aprendido judô, karatê e capoeira, portanto deu a maior surra nos garotos inconseqüentes, embora tenha levado alguns arranhões para casa. A polícia foi informada do caso, os garotos juraram vingança e só Deus sabe o que poderá acontecer ao brasileiro Gustavo, criado na Serra do Capim, em Teresópolis, porém não tão burro quanto aqueles neonazistas que tentaram surrá-lo. Gustavo aprendeu alemão em menos de um ano, embora ainda tropece constantemente na gramática e nas declinações da língua.
A Alemanha é o país mais lindo que já vi, dos 14 que conheço. Suas cidades são arborizadas, castelos medievais existem por toda parte, planícies imensas, cultivadas e verdejantes, rodeiam as cidades pequenas, onde a maior parte das casas são separadas por jardins maravilhosos, com rosas vermelhas que enfeitam a paisagem. As flores estão em toda parte, encantando a nossa vista e nos dando a certeza de que existe um Deus Criador, grandioso e perfeito, que, infelizmente, hoje é descartado por esse povo tão culto na sabedoria humana e tão ignorante das verdades divinas.
Na cidade de Bamberg, onde Johann Sebastian Bach deu muitos consertos, vimos uma das maiores catedrais católicas da Bavária, perto de uma praça muito bonita, com 8 canteiros enormes de rosas em vermelho, rosa, amarelo e branco. No centro da praça, mais dois canteiros de flores de cores variadas, e duas estatuas de homem e mulher despidos para o banho. Ficamos encantados e resolvemos indagar o nome da praça, que ninguém sabia informar. Chegamos a um centro de turismo, dentro do Teatro da Cidade, e recebemos um livrete com informações. Foi aí que descobrimos que a praça de chama “Geyer Platz”, nome de algum cidadão ilustre da terra, que por pouco não se chama “Praça do Urubu”, pois “geier” em alemão é urubu.. É mais conhecida como “Praça das Rosas”, em vista dos maravilhosos canteiros já descritos. Sempre que víamos o símbolo da Alemanha, uma águia (Adler), chamávamos de “urubu”, e os nossos companheiros alemães, um deputado estadual e um físico nuclear, riam muito e concordavam com a tradução, tanto que um deles, quando chegávamos a Bad-Windsheim (Bavária), apontou uma águia de duas cabeças e falou: “olha lá um urubu de duas cabeças, símbolo desta cidade!”.
Mary Schultze – Pesquisadora de Religião
novembro 2005