Este título foi motivo de controvérsia, segundo o autor do artigo, T.A. McMahon, na “Berean Call Letter”, de novembro 2002, durante uma palestra que ele fez numa Conferência Profética. Vamos dar-lhe a palavra.
O que achei curioso sobre a comoção é que ela partiu dos católicos (e de alguns evangélicos), os quais, contudo, foram obrigados ouvir a minha exposição. Além disso, o título reflete a esperança e as orações do Concelho Pontifício Para o Diálogo Inter-religioso. Roma tem estado a cultivar esse “terreno comum” com o Islamismo, durante décadas, conforme tem sido evidenciado nas publicações do Vaticano, de 1994 - “Reconhecer os Laços Espirituais que nos Unem: 16 Anos de Diálogo Cristão-Muçulmano”. Por que, então, deveria alguém se agastar pelo fato de que eu esteja repetindo o que a ICR tanto deseja?
Realmente, a verdadeira controvérsia se origina da confusão criada pela própria ICR. Em seu empenho de ser a voz espiritual das religiões mundiais, ela fala pelos dois cantos de sua boca ecumênica. Com respeito ao seu relacionamento com o Islamismo, ela tem feito aos da fé muçulmana não apenas algumas aberturas teológicas em contradição à ortodoxia cristã, como, o que é pior, existem laços entre as duas religiões que estão mais aprofundados do que as pessoas podem ver. Primeiramente, vamos considerar algumas coisas em comum entre as duas fés.
Principiemos pelo número de membros, pois tanto o Catolicismo como o Islamismo possui, cada um, mais de um bilhão de membros, quase todos agregados à sua respectiva religião, na infância. Mais de 16 milhões de bebês são batizados na ICR, todos os anos. É um costume de família. Minha irmã e eu fomos batizados na ICR, porque nossos pais eram católicos e eles e seus irmãos foram batizados na ICR porque os seus pais eram católicos. Essa é a principal maneira pela qual é propagada a fé católica. Falando de maneira prática, embora o batismo não faça parte do Islamismo, todas as crianças nascidas nas famílias muçulmanas se tornam muçulmanas. Sua “confirmação” oficial acontece, tão logo elas possam confessar a “shahada”: (“Não existe outro Deus senão Alá, e Maomé é os eu Profeta”) Esse processo orientador da criança, no sentido de engrossar as suas fileiras, tem sido o fator da motivação do lobby patrocinador Vaticano/Saudita contra os esforços da ONU de introduzir a pílula anticoncepcional e outros métodos de controle populacional, especialmente no Terceiro Mundo. [Interessante é que, segundo Avro Manhattan, o Vaticano é sócio majoritário de algumas fábricas de anticoncepcionais, ao mesmo tempo em que proíbe o uso da pílula. Isso mostra como a religião católica tem duas caras, usando cada uma conforme a sua conveniência.]
O Islamismo é a religião que cresce mais rapidamente no mundo, hoje em dia. O Catolicismo Romano é a maior organização religiosa entre as que professam ser cristãs. Se o número de seguidores fosse um bom método para se reconhecer o valor de uma religião, nesse caso o Islamismo e o Catolicismo seriam o caminho a seguir. Contudo, a Bíblia não segue esse padrão de medida. Pelo contrário, Jesus disse: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” (Mateus 7:13-14).
A maior parte das pessoas está a par da veneração, e até mesmo adoração a Maria, a qual existe entre os católicos romanos, porém não muitos sabem que essa mesma devoção existe entre os muçulmanos. Existe no Corão um capítulo intitulado segundo Maria (Sura para Maria). Dos confins do Cairo até Bombaim e Medjugorje na Bósnia-Herzegovina, centenas de milhares de seguidores da fé muçulmana têm se congregado em procissões, carregando as imagens de Maria, e nos lugares onde se supõe que ela tenha aparecido. Ela é estimada acima das mulheres mais reverenciadas da fé muçulmana, inclusive as duas esposas favoritas de Maomé, Kadidja e Aisha, e sua filha Fátima. [Diz Dave Hunt (em seu livro “A Woman Rides the Beast”) que o local escolhido pela Igreja de Roma para o aparecimento de Maria foi Fátima, exatamente a cidadezinha montanhosa de Portugal, cujo nome havia recebido na antiguidade o nome da filha de Maomé, podendo, desse modo, conseguir, no futuro, bons dividendos religiosos entre os muçulmanos, o que tem realmente acontecido.] Uma das aparições mais populares de Maria é exatamente a de Fátima
A tradição (Hadith) ensina que Maomé escolheu Maria para ser a sua primeira esposa, quando ele entrou no Paraíso. (Para saber mais dobre Maria, leiam TBC de outubro 2000).
As orações católicas e muçulmanas [melhor seria dizer “rezas”] são muito semelhantes. Para os muçulmanos rezar cinco vezes por dia a Alá é sempre um ato de obediência e as orações são sempre repetitivas. Como diz um ex-muçulmano: “Dificilmente isso é para entrar em comunicação com Alá... É mais para escapar do castigo infligido aos que negligenciam a oração” .A maior parte das orações feitas pelos católicos romanos se constitui de rezas automáticas e repetitivas, sendo o rosário o melhor exemplo. Repetir dezesseis vezes o Pai Nosso e cento e cinqüenta e três vezes a Ave-maria está longe de ser uma comunicação pessoal. Tanto que, quando um católico vai se confessar, o padre lhe prescreve a reza do rosário como severa punição pelos seus pecados.
A oração feita com o auxílio de contas já era parte da devoção muçulmana, muito antes da aparição, na qual a Bendita Senhora teria ensinado São Domingos a rezar o rosário, no século 13. Pelos visto, a oração através de contas tem estado em uso no mais antigo e no moderno paganismo. [No Catolicismo Romano foi feita uma mistura fina de Paganismo e Judaísmo, com uma leve pitada de Cristianismo, a fim de que essa religião sincretista pudesse explorar abusivamente o Nome de Jesus Cristo.] Numa nota irônica os historiadores da ICR creditam as orações dos membros da Confraria do Rosário a uma importante vitória naval contra os turcos, a qual “salvou a Europa do perigo muçulmano”.
Os católicos e os muçulmanos consideram as peregrinações como um meio de obter o favor de Deus. O “hadj”, um dos cinco pilares do Islamismo, é uma peregrinação anual a Meca, a qual deve ser feita pelo menos uma vez na vida. Para os católicos as peregrinações têm sido feitas, conforme a história, geralmente induzidas pela promessa de indulgências. Milhões e milhões de católicos viajam anualmente a centenas de santuários (quase todos dedicados a Maria) espalhados no mundo inteiro.
As cruzadas foram estimuladas pelas indulgências como tentativas no sentido de reconquistar Jerusalém dos infiéis muçulmanos, a fim de re-estabelecer ali as peregrinações católicas. Por acaso, a ICR oferecia também aos cruzados o perdão completo do sofrimento no purgatório, no caso dos cruzados morrerem lutando para libertar a Terra Santa. Do mesmo modo, o Islamismo oferece como recompensa e garantia do paraíso àqueles que morrem nas batalhas religiosas (jihad), inclusive aos homens-bombas suicidas. [Que contraste entre Jesus e Maomé, hem?]
A ICR reconhece Alá como o mesmo Deus da Bíblia. Em 1985, o papa JP2 falou para uma inebriada multidão de milhares de jovens muçulmanos: “Cristãos e muçulmanos, temos muitas coisas em comum como crentes e seres humanos... cremos no mesmo Deus, no único, e exclusivo Deus, o Deus vivo...”
Mas como isso pode ser possível?
Historicamente, Alá era um ídolo pagão, o deus supremo entre os muitos ídolos adorados pela tribo “Muhammad Quaraish”, muito anos de Maomé ter nascido. Will Durant, em sua clássica “História da Civilização”, escreveu:
“Dentro da Caaba, nos dias que antecederam Maomé, havia vários ídolos representando os deuses. Um deles se chamava Alá. Outros três eram as filhas de Alá, al-Uzza, al-Lat e al-Manat. Devemos julgar a antiguidade do panteão árabe, pela menção de Al-il-Lat (al-Lat) por Herodoto (historiador do século V a/C) como a divindade principal. O Quairish pavimentou o caminho para o monoteísmo, quando começo a adorar Alá como o deus principal.
Evidências arqueológicas descobertas na Arábia são importantes no sentido de demonstrar que a religião muçulmana predominante era a adoração ao deus-lua-Alá. Maomé simplesmente eliminou as outras 300 divindades, inclusive as três filhas de Alá, tornando Alá supremo, ao mesmo tempo em que retinha os rituais e símbolos pagãos associados a Alá. Por exemplo, a lua crescente era o símbolo do deus-lua, do tempo dos sumérios e dos babilônios, até a chegada de Maomé. Não pode ser mera coincidência que o Ramadã, o tempo do jejum muçulmano, comece e termine no período da lua crescente Quase todos os rituais do deus-lua e outras práticas idólatras, inclusive beijar a pedra negra, a oração em direção a Meca, a corrida ao redor do templo e dos dois morros de Safa e Marawa, eram rituais existentes antes da fundação do Islamismo.
O empenho do Catolicismo Romano em se relacionar com o Islamismo faz-nos duvidar da sua honestidade em relação à sua própria perspectiva de Deus, conforme a Escritura Sagrada. Deus é apresentado como Yhaveh ou Jeová, cerca de nove mil vezes na Bíblia. Ele nunca é chamado assim no Corão. Ele se revela nas Escrituras como “O Deus de Abraão, Isaque, o Deus”. Deus de Jacó/Israel”. Ele é o Pai dos judeus, “O Deus de Israel”. No Corão Alá jamais se refere a Ele, de modo algum. Deus chama os judeus de “povo escolhido”. Ele lhes deu a terra de Israel como herança “perpétua’. (Ezequiel 37:25). A Aliança Divina é com Isaque (Gênesis 17:19-21) e não com Ismael, enquanto os muçulmanos acreditam ser com Ismael.
Alá tem uma atitude completamente diferente em relação aos judeus, comparada aos Deus da Bíblia. Alá comanda dos seus seguidores a “não tomar os judeus ... como amigos” (Sura 5:51). Enquanto os judeus são mencionados no Corão como “O povo do Livro” (isto é, a Bíblia), quando estes se recusam a converter-se ao Islamismo, devem pagar um imposto tributário aos seus senhores, a eles se tornando subservientes. “Lutem, até o Último Dia, contra aqueles a quem foi dada a Escritura, porque não crêem em Alá, nem proíbem o que Alá tem proibido através do seu Profeta, os quais não seguem a religião verdadeira, até que paguem prontamente o tributo, forçando-os ao se curvarem” (Sura 9:29).
Conforme a “hadith” a qual os muçulmanos equiparam ao Corão [do mesmo modo como os católicos fazem com a tradição de sua Igreja] Maomé é citado dizendo: “A última hora não chegará, até que os muçulmanos lutem contra os judeus e os matem”. Também diz a “hadith” com relação ao Dia do Julgamento, que os muçulmanos vão lutar e matar os judeus, os quais se escondem atrás das árvores e dizem: “Ó, muçulmanos, ó, servos de Alá, aqui há um judeu escondido atrás de mim. Vinde e matai-o”.
O Catolicismo tem a sua própria e bem documentada história hedionda sobre o extermínio dos judeus. Outras comparações entre Jeová e Alá demonstram claramente que eles não podem ser um e o mesmo Deus. Jeová tem um Filho:
“E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo” (1 João 4:14). Alá não tem filho: “E digam, demos graças a Alá, o qual não tomou para si um filho, e que não tem parceiro algum em sua soberania” (Sura 17:111). “Alá não escolheu filho algum, nem existe qualquer Deus além de Alá” (Sura 23:91).
Enquanto isso, Deus Pai declara do céu a respeito de Jesus: “... Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. O Alá do Corão condena esta crença: “Dizem os cristãos: o Messias é o Filho de Alá. Esse é um dito da boca deles. Eles imitam os ditos dos descrentes da antiguidade. Seja sobre eles a maldição de Alá, tanto como estão afastados da verdade.” (Sura 9:30). (The Holy Qur´an site, www.orst.edu/groups/msa/indez/html.
Conquanto existam tanto claras e críticas diferenças entre o Deus da Bíblia e Alá, a ICR os aceita como o único e exclusivo Deus. A aceitação seguinte é do Vaticano: “A Igreja tem também alta consideração pelos muçulmanos. Eles adoram o Deus, que é o Único vivo e subsistente, misericordioso e Todo Poderoso Criador do céu e da terra, o qual também falou aos homens. Eles se empenham para se submeter sem reservas aos ocultos decretos de Deus, como Abraão se submeteu ao plano de Deus, a cuja fé os muçulmanos ligam ansiosamente a sua fé. Embora não o reconhecendo como Deus, eles veneram Jesus Cristo como um profeta, sua virgem Mãe eles também honram, e até mesmo a invocam com devoção. Além disso, eles aguardam o Dia do Julgamento e a recompensa divina, logo após a ressurreição dos mortos. Por essa razão eles estimam altamente a vida correta e adoram a Deus, especialmente por meio da oração, das esmolas e do jejum.” (Nostra Aetate, Vaticano II) [Pelo visto, esses hierarcas do Vaticano II não conheciam realmente a Bíblia e nem o que Jesus declarou em João 8:24.)
Considerem a citação acima (retirada do que a ICR considera um Concílio infalível) e vejam o que verdadeiramente liga o Catolicismo Romano e o Islamismo. Ambos têm um Jesus que não pode salvar almas. O Corão ensina que Jesus não morreu na cruz, conforme a Sura 4:157. O Vaticano pode dar crédito aos muçulmanos porque estes veneram Jesus. Mas de fato esse é um Jesus falso. Ela ensina que a sua morte na cruz não foi suficiente para a nossa salvação. (o qual, segundo as Escrituras, foi único: “Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação” (Hebreus 9:28). A ICR ensina que não apenas deve o Seu sacrifício ser re-apresentando como sacrifício diário pelos nossos pecados, sobre os seus altares ao redor do mundo, como devem os católicos também expiar os seus próprios pecados, através de ofertas aqui na terra e do sofrimento no purgatório.
Finalmente, o Vaticano II afirma claramente o que o Islamismo e o Catolicismo consideram a esperança da salvação: “... Eles estimam altamente uma vida correta e adoram a Deus, especialmente por meio da oração, das esmolas e do jejum”. Estas são obras de salvação. No Islamismo uma pessoa tem de dar conta de cada pensamento, palavra e ação. A vida de um muçulmano deve ser vivida segundo o que é agradável a Alá, conforme encontrado no Corão e na “hadith”. Além disso, existe a “shari´á” , um sistema de regras que tenta cobrir a totalidade vida islâmica religiosa, política, social e doméstica. Quebrar essas leis significa várias formas de punição temporal. No Último Julgamento, Alá vai determinar o destino eterno, quando colocar na balança as boas e más obras de cada um: “Então aqueles, cujas balanças forem pesadas (com as boas obras), serão bem sucedidos. E aqueles cujas balanças forem leves são os que vão perder suas almas na habitação do inferno” (Suras 23:102-103).
Meu amigo James McCarthy produziu um vídeo intitulado “Catolicismo: Crises de Fé” , no qual ele entrevistou dúzias de pessoas saindo da missa na Catedral de S. Patrício, em Nova York. Ele simplesmente lhes perguntou sobre qual base elas esperavam alcançar o céu. Somente uma delas fez ligeira referência a Jesus. Sua inacreditável resposta foi que elas se consideravam pessoas muito boas e estavam mais ou menos confiantes de que as suas boas obras iriam compensar os seus mal feitos. Embora a ICR declare que é somente pela graça de Deus que se pode entrar no céu, ela deixa muito claro que essa graça é exigida, a fim de possibilitar alguém a realizar as boas obras que o qualificam para o céu. Conforme o Catecismo da ICR, publicação da Editora Vozes, 1993, # 1821: “ ... Em qualquer circunstância, cada qual deve esperar, com a graça de Deus, “perseverar até o fim” e alcançar a alegria do céu como recompensa eterna de Deus pelas boas obras praticadas com a graça de Cristo...”
Também diz o Catecismo, no #2027:: “Ninguém pode merecer a graça primeira que se acha na origem da conversão. Sob a moção do Espírito Santo podemos merecer para nós mesmos e para os outros, todas as graças úteis para receber a Vida Eterna, como também os bens temporais necessários”.
O papa JP2 se dirigiu a uma comunidade católica na Turquia, com as seguintes palavras: “Percebo como é urgente agora, precisamente hoje, quando cristãos e muçulmanos têm entrado em um novo período da história, que possamos reconhecer e desenvolver os laços espirituais que nos unem.”
Não!!! O que é URGENTE é que os católicos e os muçulmanos sejam tornados livres da escravidão espiritual de tentarem se qualificar para o céu através das boas obras. Oremos para que se abram os seus corações, a fim de poderem receber a vida eterna, conforme Romanos 6:23: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor”.
Berean Call Letter, novembro 2002.
Traduzida por Mary Schultze, 05/11/2002.