O Ladrão e o Cão de Caça
Um ladrão veio à noite para assaltar uma casa. Ele trouxe consigo vários pedaços de carne, para que pudesse acalmar um feroz cão de guarda que vigiava o local. A carne serviria para distraí-lo, para que ele não chamasse a atenção do seu dono com latidos. Logo que o ladrão jogou os pedaços de carne aos pés do cão, este disse: “Se você estava querendo me calar, cometeu um grande erro. Tão inesperada gentileza vinda de suas mãos, apenas serviu para me deixar ainda mais atento. Sei que por trás dessa cortesia sem motivo, você deve ter algum interesse oculto para beneficiar a si mesmo e prejudicar o meu dono”.
Moral da História: Gentilezas inesperadas é a principal característica
de uma pessoa com más intenções.
Quando alguém me telefone usando o nome que consta em meu CIC, em vez do apelido pelo qual sou conhecida, logo desconfio que ali tem mutretagem. Como falei num artigo desta semana, nossa privacidade foi literalmente devorada pelas contas de energia elétrica e telefone, pelos cartões de crédito, pelos formulários que temos de preencher a toda hora... Então, ficamos mais conhecidos do que farinha de mandioca em final de feira no Crato.
Muitas vezes estou ocupadíssima numa tradução bíblica, toca o telefone e a voz melodiosa de uma garota qualquer pergunta se é com a Dona Maria que ela está falando. Quando estou com paciência, respondo que sim, mas quando estou “drogada”, conforme minha filha Rose diz que eu fico, quando estou traduzindo, digo “não” e desligo depressa. E quando a chamada é repetida, boto o fone em cima do sofá e deixo a “tele garota” falando sozinha. Cansei de ser explorada por Deus e o mundo. Alguns me olham, vêem que tenho mais de 60 anos e começam a abusar da minha inteligência, achando que estou esclerosada; portanto, que agüentem o meu humor banhado em ácido cítrico! Até o meu dentista começou a abusar da minha boa vontade, pois antes cobrava pouco e fazia um bom trabalho; agora cobra uma fortuna e quando me obtura um dente, a obturação cai em menos de dois dias. Antes, ele morava no mesmo prédio simples onde eu moro... Agora moram num condomínio de luxo! Ele está precisando muito de ler a 2 Timóteo 6:9-10!
Cobranças em minha porta só chegam duas: a do condomínio de meus dois apartamentos neste edifício de classe média baixa e o boleto da UNIMED. Nenhuma outra! Não gosto de fazer dívidas, pois não quero deixar problema para minhas duas filhas. Quero que elas fiquem muito felizes, quando voltarem do Crematório, sabendo que vão herdar alguns bens e nenhuma conta a ser paga. Como não morri no dia 07/07/2007, programei minha próxima “morte” para 08/08/2008. Por isso comprei o Laptop em 4 pagamentos, porque a última parcela vai vencer em 02/08/2008... Portanto, antes de minha morte.
Os psicólogos dizem que isso é um tipo de distúrbio mental conhecido como “Cleptofobia” - ou seja, um medo persistente e repugnante de ser roubado, de cometer furto, ou de estar em débito. É o oposto exato de “Cleptomania”, pelo que dou graças a Deus! Pelo menos sou classificada como uma maluca honesta!
Ontem eu estava dizendo à filha Rose que Deus me “elegeu nEle [Cristo] antes da fundação do mundo, para que eu fosse santa (não no sentido católico, mas “separada”...” (Efésios 1:3). Não que eu seja capaz de amar conforme Deus nos ordena, mas santa, pelo amor que Deus tem por mim, porque Deus é amor! Se assim não fosse, como poderia eu explicar tantas bênçãos recebidas, desde o nascimento?
Nasci perfeita, saudável, mamei à beça, chorei mais ainda. Cresci numa fazendinha cheia de frutos e flores, com pai e mãe adoráveis! Tive uma infância feliz, sem privação alguma, numa bela casa de campo. Aprendi a ler com meu pai. Nunca, repito, NUNCA tive uma doença infantil. NUNCA fiquei gravemente enferma, a ponto de necessitar de uma internação hospitalar, nestes meus 78 anos de vida. NUNCA fiz uma cesariana; portanto, não tenho uma única cicatriz no corpo. Tenho pele oleosa e por isso as rugas teimam em não aparecer ao redor dos olhos. Tenho o peso dos 20 anos e a saúde dos 30. Sou uma velhinha saudável... uma tremenda espoleta!!!
Cassei com um homem bom, que me tratava como rainha. Assinei uma linha de cosméticos, que jamais recebeu uma reclamação de qualidade. Tive ótimos empregados. Converti-me ao evangelho de Cristo com 48 anos de idade, não através de pregação alguma, porém lendo o Novo Testamento e Salmos da Trinitariana. Fiquei conhecida no bairro onde morei por mais de 38 anos como “uma mulher virtuosa”, pois nunca dei motivo de maledicência aos vizinhos...
Tudo isso porque “sou uma boa pessoa”, porque o mereço? ... Nada disso! Deus é Quem efetua em mim o que tenho de bom e só tenho que agradecer pelas Suas misericórdias, que se renovam, literalmente, todas as manhãs, em minha vida.
Por tudo isso é muito fácil eu me posicionar contra qualquer tipo de corrupção. Não preciso me corromper e nem gosto disso. Como o cachorro desta fábula, não me vendo por um naco de carne, não ganho dinheiro em meu ministério, não sonego informações à Receita Federal. Aliás, o Leão da Receita não deve apreciar velhinhas encruadas, ou seja, idosas e aposentadas pelo INSS. Por tudo isso eu sei que “o meu Deus segundo a sua riqueza em glória tem me suprido e continuará me suprindo de todas as necessidades em Cristo; além disso, tenho certeza de que Ele é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que eu peço ou imagino, segundo o Seu poder que em mim opera” (Filipenses 4:19 e Efésios 3:19-20), porque Ele tem-me dado provas e mais provas de Sua imensa bondade e misericórdia.
Mary Schultze, 02/05/2008