Mary Fútil
A Lua tem duas fases importantes, Lua Cheia e Lua Nova. Pois eu também tenho minhas duas fases, como a Lua, e vou falar dessas fases.
Lua Cheia - Nesta fase eu fico cheia de vontade de crescer na graça e no conhecimento de Cristo e leio a Bíblia com avidez, devoro uma porção de livros bíblicos (um por dia, de até 150 páginas cada um), não gosto de sair de casa e fico somente com os olhos colados nos livros e na Internet, estudando, pesquisando, tomando um bom alimento espiritual, deletando todas as mensagens bobas (sem ler uma delas sequer), enfim, essa é a fase mais proveitosa de minha vida.
Essa fase é sempre acompanhada de uma fase subseqüente, a de traduzir Inglês. Só gosto de traduzir autores importantes, como Avro Manhattan, Dr. Ian Paisley, Dr. Ronald Cooke, Dave Hunt, Dr. Samuel Gipp, Dr. William Grade, Dr. Peter Ruckman e outros. Minha filha Rose costuma dizer:”Mãe, quando a senhora está traduzindo, comporta-se como uma drogada. Não come, não bebe, não atende o telefone, não gosta de conversar com a gente, enfim, a senhora fica um porre!”
Lua Nova - É a fase escrever artigos e livros evangélicos. Sou capaz de escrever até dois artigos por dia e um livro, em apenas três meses, porque uma força incrível me impulsiona a trabalhar para a glória do Senhor. Também fico “um porre” nessa fase e, quem for amigo, não abuse de minha ínfima paciência, me deixe em paz e quem não quiser ser “assassinado”, não envie mensagem tipo slide (pela Internet), pois fico uma onça!
Fora essas duas fases “lunares”, tenho minhas fases “lunáticas”. Uma delas é a de comprar blusas, sapatos e colares. Tenho mais de cinqüenta blusas no guarda-roupa, e mais de doze pares de sapatos na sapateira, mas quando vejo uma blusa diferente, compro mesmo, embora seja menos consumista em matéria de sapatos. Quando compro uma peça ou duas, sempre passo uma à frente, tentando aliviar a consciência do peso do pecado de consumismo.
Gosto de comprar jóias (ou quase jóias) de prata e pedrarias de todas as cores. Não uso bijuterias feitas de massinha, plástico, resina, etc. Só uso pedras, sendo a mais barata o cristal. Minha coleção chega a 21 colares, 15 pares de brincos, e 12 anéis (de ouro, prata e pedrarias), isso porque sempre que eu compro duas peças, dou uma de presente às amigas mais pobres do que eu, porque adoro dar presentes e, também, para não chamar a atenção de minhas duas filhas, com medo que elas me internem num asilo de velhos...
Vocês riram? Pois estou falando sério. Minha filha brasileira é “doidinha”, mas muito amorosa (e também consumista). Já a filha alemã é mão fechada! Nos anos 1980, quando eu cursava o Seminário Teológico Betel, no RJ, época do falecimento do pai dela, ficou injuriada porque eu doei uma parte dos meus bens (herdados no inventário) aos empregados da firma. Ela era sócia da empresa (30%) e uma das herdeiras. Quando terminei o Seminário, caí em depressão, por falta de trabalho. A “lourona”, na altitude do seu 1m82, dominava a firma em todos os setores e me proibia de trabalhar no laboratório, dizendo que eu “já estava velha demais para isso” - 56 anos). Um dia ela proibiu-me também de aparecer numa gravação da TV Globo, no programa “Pequenas Empresas, Grandes Negócios”, ameaçando me internar num hospício. Mesmo tendo eu fundado a firma junto com o pai dela e ali trabalhado por um quarto de século, estava tão “fragilizada” emocionalmente que fui para o quarto e passei o resto do dia chorando, por causa dessa ingratidão, com uma crise de autopiedade. Ainda bem que a depressão passou e, logo que me senti capaz de assumir o posto de sócia majoritária, comprei a parte da “lourona”, pedi que ela se retirasse da firma, assumi tudo sozinha e ainda agüentei quatro anos no posto. Em 1994, vendi a micro-empresa por um valor ínfimo e vim morar em Terê. Aqui, nesta cidade celestial, dediquei-me à pesquisa de Catolicismo Romano, à tradução de livros bíblicos e à composição de mais artigos e livros evangélicos, pois nesse tempo já havia escrito sete livros e uns 100 artigos para jornais. Agora são mais de 1.000 artigos e 15 livros... Louvado seja Deus... E como “Todas as coisas contribuem juntamente para o bem dos que amam a Deus” (Romanos 8:28), aqui estou na plenitude dos meus quase 75 anos, ainda trabalhando com a mente e o corpo.
Voltando à fase lunática, tenho meus “joalheiros” favoritos, aqui em Terê: o Bonfim (naquela rua de nome esquisito, que passa ao lado do Shopping da Várzea), e o Mauro, dono da Loja “May & Mit”, no Shopping do Alto. Eles me conhecem, sabem que não dou cheque frio e, por isso, me facilitam as compras. Perfumes importados eu costumo comprar na loja da Zezé, no mesmo Shopping do Alto. Sou muito fiel às pessoas que me tratam bem e são honestas... Para cuidar do computador só uso o “Doktor Machine”, pois o dono (Marcelo) e o técnico (Francisco) são amigos e sempre me tratam com muita atenção e respeito. Para comprar cartuchos de tinta uso a loja do Fernando/Michele (Só Cartuchos), ali na Av. Regadas, pois esses irmãos são cristãos sinceros e muito honestos...
Como podem ver, tenho minhas fases de “Mary Schultze” e de “Mary Fútil”, mas sempre buscando o Reino de Deus em primeiro lugar. Por isso estou aguardando com muita esperança o “Arrebatamento” e o “Tribunal de Cristo”. Ali não serei condenada pelo meu consumismo. Levarei alguns puxões de orelha como Mary Fútil, mas também serei galardoada, como Mary Schultze, pelo que tiver feito de bom aqui na terra, por amor ao Senhor Jesus Cristo, pois essas poucas obras (fora as de madeira, palha e feno) serão de ouro, prata e pedras preciosas, exatamente como a minha coleção de jóias... (1 Coríntios 3:11-15; 2 Coríntios 5:10).
Mary Schultze - setembro 2004