Mediocridade  versus Insanidade

        Quando analiso a letra do Hino Nacional Brasileiro fico maravilhada diante de tanta cultura e beleza, ali escritas em forma de poema. Tenho certeza de que o nosso hino é o mais belo do mundo e só lamento que 99 entre 100 pessoas nascidas dos anos 1970 para cá não entendam a metade de sua letra. Quase ninguém entende as palavras “plácidas”, “retumbante”,  “lábaro”, “flâmula”, “clava”, “florão”, sem falar nas conjunções das preposições com os artigos, etc. O brasileiro é péssimo em crase e por isso não entende quando se usa “quem te adora à própria morte”, em vez de “quem te adora até a ponto de morrer por ti”, etc.

         Dene McGriff em seu livro “Recognizing the Decepction”  (Reconhecendo o Engodo) por mim traduzido no final de 2006, queixa-se do mesmo problema em relação à juventude americana. Desde que o Latim foi abolido das escolas, os estudantes deixaram de escrever corretamente o vernáculo. Por isso cogita-se do Latim voltar a fazer parte  obrigatória do currículo no segundo grau, em todos os países do ocidente, para que as gerações futuras possam melhorar o seu modo de falar e escrever.

        Quando ligo a TV e vejo certos cantores assassinando a nossa língua, sinto-me desanimada por ter gerado filhos, que geraram seus filhos, os quais irão viver num contexto em que tudo é falso e corrompido pela falta de cultura geral e do conhecimento da Palavra de Deus, a qual nos ensina desde a linguagem perfeita  até o viver corretamente diante de Deus e dos homens. Gosto de comparar essas “músicas” esdrúxulas (por exemplo, a de um certo cantor, campeão de skate)  até mesmo com as músicas de Carnaval do meu tempo de menina e vejo como estas eram muito mais românticas e puras no conteúdo, além de perfeitas na linguagem, na métrica e nas rimas.

A mediocridade do modernismo insano tem penetrado também nas igrejas. Os chamados “corinhos” estão repletos de heresias e erros gramaticais, misturando tratamentos e errando no uso das preposições e conjunções. Por exemplo, há um corinho que diz: “Não há igual o nome de Cristo”, quando deveria ser “ao nome de Cristo”. Chamar a atenção dos regentes de música da igreja? Tempo perdido, pois eles são mais fracos na língua do que os medíocres compositores desses corinhos ridículos e ainda nos chamam de “gente que só sabe criticar”!

        Outro cântico que já critiquei acerbamente, há anos,  é aquele “Rompendo em Fé”, no qual o “compositor” diz  “Vou mover no sobrenatural”, o que me deixa em dúvida, se ele quis dizer “vou me mover no sobrenatural” ou então “vou mover o sobrenatural”! De qualquer forma ele escreveu uma  heresia ocultista da pesada! O Cristianismo não é uma religião que lida com o “sobrenatural”, mas um “modus vivendi”, segundo os ensinos de Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador. O evangelho das igrejas emergentes, celulares e propositadas é um falso evangelho, segundo Gálatas 1:6-8.

         Os autores desse tipo de música evangélica, além de analfabetos bíblicos por excelência, vivem chapinhando  no Velho Testamento. Como a maioria dos pastores pentecostais, eles confundem totalmente as promessas feitas exclusivamente aos judeus e assumem todas elas, como se fôssemos o legítimo “povo de Deus”, e crendo piamente que a Igreja do Senhor Jesus Cristo é a “Nova Israel de Deus”. Os pastores desavisados usam Gálatas 6:16 para corroborar essa heresia, quando Paulo está se referindo ali ao legítimo Israel de Deus e não à Igreja do Senhor. Esses pastores medíocres nunca usam as epístolas de Paulo (porque estas não geram dízimos e ofertas) e, quando o fazem, ainda interpretam certas passagens conforme a Igreja de Roma, como no caso acima, segundo a teoria de Agostinho de Hipona.

         Além dos “corinhos” medíocres, da pregação do falso evangelho e da hipocrisia dominante nos corações eclesiásticos, a exigência de dízimos e ofertas é tão rompante que, não se contentando na prática da mesma dentro das igrejas, os “pentecapastors”  (inclusive os batistas “avivados”) apelam aos programas de TV, pedindo, implorando, e até mesmo amaldiçoando os que não os entregam. Um dos famosos televisivos nacionais está tentando arrecadar alguns milhões de Reais para comprar um sítio, onde será instalado um canal de TV para o seu rico ministério. Eu soube que esse “ungido do Senhor” comprou no ano passado um carrão de 300 mil reais, em “cash payment” (dinheiro vivo)  em seu nome, com os dízimos e ofertas dos membros de sua igreja. Como eu trabalhei durante 36 anos como micro-empresária e nunca tive dinheiro para comprar além de um Voyage 1.8 (a prazo), fico imaginando como a grana corre fácil nas mãos desses “ungidos”. O casal de apóstolo/bispa é um lamentável exemplo seguido por centenas de “pentecapastors” neste país.

         Crente que entrega o dízimo é um perfeito iludido. Que ele dê até 100% dos seus ganhos à Igreja, como oferta, para manutenção do pastor; para construir um novo templo (quando o atual já não comportar a afluência de pessoas aos cultos); para missões nacionais e mundiais. Nesse caso, tudo bem! Mas ser agrilhoado no papo furado de Malaquias 3 é demonstrar insanidade religiosa e mental. E é à custa desse tipo de insanidade que os pastores se locupletam de bens, pregando um falso evangelho e encaminhando multidões para o Lago de Fogo!

         Louvo a Deus porque a igreja que eu freqüento não exige a entrega dos dízimos e só os recebe dos “adicts” (dependentes) de Malaquias, que os entregam no gazofiláceo, temendo (coitadinhos!) perder as bênçãos celestiais.

 

Mary Schultze, 13/01/2007

http://www.cpr.org.br/Mary.htm