Milagres & Milagres

 

         Há alguns anos, uma senhora chamada Silvana andou propalando na TV/Internet que havia recebido uma chuva de ouro, na reunião de um desses milionários da prosperidade, e, quando balançava os cabelos, o ouro caia em cascata. Ri muito dessa “cascata” ambulante.

         Hoje recebo de um pastor presbiteriano muito confiável a história de outro “milagre” dessa turma, comentando o testemunho dado por uma irmã de Uberlândia, há um mês, em nossa Igreja. Vou dar-lhe a palavra:

          

         “Graças a Deus, que no meio de tanta apostasia e confusão religiosa, o Senhor ainda opera, e o seu poder não está limitado aos nossos conceitos e preconceitos religiosos.

         Testemunhos reais como esse [da jovem de Uberlândia, sobre quem escrevi um artigo], são poucos, nos tempos atuais, e dá para perceber quando tantos testemunhos da TV, não passam de fantasia. Realmente, lágrimas por uma enferma estranha, só podem vir de corações compadecidos e cheios do Espírito Santo.

         Em Portugal, Viseu, vi e ouvi de um pregador sueco, que perguntou se havia alguém doente na reunião; o tradutor, "dono da igreja", logo apresentou a irmã Conceição, uma crente fiel que eu tinha visitado algumas vezes, e informou: ‘Esta irmã, tem a doença dos pezinhos’, (sem cura): Ele respondeu: Isso é fichinha! Quer dizer, simples demais, classificando assim o poder de Deus em forte ou fraco: Então, fichinha seria para ele. Se fosse para levantar um paralítico, acharia mais difícil.

         Poucos meses depois, essa irmã partiu [sem cura alguma], mas sei que receberá um corpo perfeito, como todos nós.

         Não sei se já lhe contei que eu mesmo fui curado de câncer na bexiga, mas não procurei ninguém... Reunimo-nos de joelhos, só em família, agradeci a Deus meus 62 anos de vida, choramos muito, mas a cura foi perfeita. Glória a Deus!!! Obrigado por enviar esse testemunho, pois louvo a Deus por ele”.

         Quando voltei do almoço no “Oswaldo” e fui trocar a blusa, vi caindo dos meus cabelos uma pétala de rosa bem fresca e perfumada. Pensei: “O que é isso? Será que estão chovendo pétalas de rosas dos meus cabelos? O milagre daquela Silvana me alcançou, para compensar a gripe que já está me fazendo sofrer há tantos dias?”   Não deixei de dar umas risadinhas bem marotas...

         Amados, é assim que ocorrem os “milagres” atuais nas igrejas “malaquianas”. Acontece uma coisa banal e o crente, cuja mente está cheia de fantasia pentecostal, logo atribui a Deus, como se fosse um sinal de que Ele está agindo em sua vida através do Espírito Santo. Esses irmãos aprenderam a transformar o Espírito Santo num “office-boy”, pronto a satisfazer os seus caprichos, em vez de convencer-nos do pecado, da justiça e do juízo, e de glorificar a Jesus, que é o seu legítimo papel. Ficam implorando  o tempo inteiro que o Espírito desça sobre eles e os encha de poder... Ora, todo crente realmente convertido tem o Espírito Santo morando dentro dele e não precisa ficar incomodando a Terceira Pessoa da Trindade com esses apelos ridículos.

         Não creio em milagres fáceis. Paulo vivia doente (com o tal espinho na carne), Timóteo sofria de deficiência de ácido clorídrico no estômago e tinha dificuldade na digestão dos alimentos. Por que Paulo não curou Timóteo com o poder de cura que possuía?

         Os milagres e sinais que aconteceram no Velho e no Novo Testamento  (estes na Igreja Primitiva),  tiveram como objetivo persuadir os judeus (que segundo Paulo, sempre pediam sinais) de que Cristo era o Messias prometido àquele povo.

         Depois que o Novo testamento ficou pronto, não precisamos mais de sinais e milagres ostensivos; nem de glossolalia, de visões, revelações e profecias, pois Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (2 Timóteo 3:16-17).

         O Cristianismo é obediência à Palavra de Deus, é um “modus vivendi” que causa impacto aos incrédulos pela nossa maneira correta de viver na comunidade. Não é uma religião, como os neopentecostais o têm apresentado, não provoca fanatismo, nem obediência cega aos líderes e pastores, mas à Bíblia. Sejamos bereanos, conferindo o que esses promotores da prosperidade andam propalando, em suas igrejas repletas de deficientes bíblicos, os quais acreditam piamente que, entregando o dízimo e algumas ofertas, podem conseguir tudo de Deus.

         Nosso Deus  não é um quitandeiro, que pesa os legumes e frutas, cobra o preço e nos despacha com o carrinho de compras. Ele é o Deus Soberano, que dá o que deseja, quando isso é para a Sua glória e para o nosso bem!

        Jesus disse a Tomé: “bem-aventurados os que não viram e creram”. (João 20:29). Não devemos esperar que aconteçam milagres à nossa volta, para o crescimento de nossa fé. Ela deve crescer com a leitura da Palavra Santa, pois uma fé que depende de milagres pode desabar, diante da menor tribulação, e desse tipo de fé devemos fugir, em direção à cruz do Calvário...

         Depois do Livro de Apocalipse, não devemos ficar esperando por sinais e maravilhas, nem por profecias e revelações. Devemos, sim, crer no SENHOR Jesus Cristo para sermos salvos (Atos 16:31) e viver uma vida reta diante de Deus e da comunidade, pois somente assim seremos sal da terra e luz do mundo, conforme Jesus nos ordenou.

 

Mary Schultze, abril, 2006

 

Mary Schultze, abril, 2006