MOVIMENTOS KAKANGÉLICOS
Índice dos Capítulos
01. Declaração de Guerra
02. D. Mariquinha foi ao “Encontro’
03. Drogas Espirituais 2000
04. Movimentos Kakangélicos
05. O Vidente Caçalhamas
06. Batalha Espiritual
07. Objetos que Trazem Bênção e Maldição
08. ****censurado****
09. Encontro ou Desencontro?
10.Benny Hinn, o Papa do Shamanismo
11. A Satanização nos Cultos Evangélicos
12. De Escrivá a Catellanos
13.Quem Precisa Andar Rompendo em Fé?
14. Uma Vida Com Propósitos
1. - Declaração de Guerra
Depois de minha conversão recebida há 26 anos (01/05/1978), a qual aconteceu exclusivamente pela imensa graça e misericórdia de Deus, tenho pensado, e estou quase voltando, a ser católica, novamente. E por que?
Porque as igrejas, antes chamadas “protestantes”, já não sabem mais “protestar” e têm se deteriorado de tal maneira, junto com a maioria das chamadas “igrejas evangélicas”, que dão nojo. Quando um católico esclarecido nos aponta esses erros, ficamos de cara no chão, porque eles estão certos, pelo menos nesse ponto!
É verdade que o Catolicismo Romano é uma mistura fina de cristianismo, judaísmo e paganismo, que os seus dogmas são todos antibíblicos e que o papa é o maior embusteiro do planeta, auto-nomeando-se “vigário de Cristo”, lugar que somente o Espírito Santo tem o direito de ocupar.
É verdade que o Vaticano matou centenas de milhões de judeus e cristãos inocentes, a fim de defender os seus dogmas fraudulentos, nas inquisições, na Noite de São Bartolomeu, nas grandes guerras, as quais ajudou a planejar e foram abençoadas pelos papas (conforme o escritor Avro Manhattan em seus 20 livros sobre o Vaticano).
É verdade que a doutrina católica é totalmente antibíblica, defendendo a idolatria, principalmente a mariolatria. Que os padres quase não estudam a Bíblia, mas se detêm no estudo da chamada “História Sagrada” e da Filosofia de Platão e Aristóteles, a fim de escolherem sempre a obediência à Igreja, em vez da Palavra de Deus. E, por esse motivo, 99% deles são totalmente incrédulos e, provavelmente, irão todos para o inferno.
É verdade que a Igreja de Roma mente, mente tanto que acaba acreditando em suas próprias mentiras e como “um abismo chama outro abismo”, ela vai descambando cada dia mais no abismo infernal, com a homossexualidade grassando no meio dos seus padres, inclusive a abominável pederastia.
Mas também é verdade que existem padres sérios, de bom caráter, que realmente acreditam no que fazem e amam o Senhor Jesus Cristo, embora em ínfima porcentagem.
Mas a Igreja dita protestante e a evangélica estão de tal modo contaminadas com pastores de mau caráter, ensinando doutrinas antibíblicas, que quase já não se pode encontrar uma igreja séria entre elas, tendo a maioria descambado nas teologias mais grotescas.
Se o apóstolo Paulo estivesse viajando pelo Ocidente, hoje em dia, iria explodir em fúria, chamando todos esses pastores de gálatas, judaizantes, trambiqueiros e coisas assim. Porque eles só pregam o Velho Testamento, principalmente falando de dízimos, ofertas, sacrifícios, etc. Em vez de usar o Novo Testamento e falar da GRAÇA, que é infinitamente maior do que a iniqüidade de todos nós, eles falam o tempo inteiro dos personagens do Velho Testamento, usando Isaque para adequar o sacrifício em que este seria oferecido, exigindo que “os crentes dêem mais do que podem”. Usam Abraão entregando tudo que recebeu na guerra (de Sodoma e Gomorra) como dízimo, dizendo que os membros de suas igrejas têm de fazer o mesmo. Usam a oferta da viúva pobre como exemplo de quem deu tudo que possuía e deixam os pobres membros de suas igrejas voltar a pé para casa, porque se sentem na obrigação de dar tudo a esses pastores espertalhões. Isso para não mencionar que eles afirmam que a Igreja é a “Nova Israel”, tentando açambarcar todas as bênçãos a Israel destinadas (no Milênio), sem, contudo, desejarem aceitar uma sequer das maldições, pelas quais Israel tem amargado durante tantos séculos.
O Dízimo é lei do Velho Testamento e nenhum crente, que vive sob a graça, tem obrigação de entregar 10% do que ganha. Oferta, quem puder e quiser pode dar à vontade, mas dízimo, não!
Esses malandros do Evangelho inventam coisas esdrúxulas como teologia da prosperidade, teologia da fé, movimento em células G-12, enoquismo e outras aberrações. Realmente a teologia da fé, prosperidade e outras funcionam totalmente ... mas para eles, os pastores milagreiros, que se tornam prósperos à custa da ignorância bíblica dos membros de suas igrejas. Eles ensinam um falso evangelho, uma falsa teologia, fazem lavagem cerebral nos coitados e depois ficam se hospedando em hotéis cinco estrelas e se gloriando de suas vantagens, à custa dos pobres iletrados bíblicos. Até mesmo, muitas igrejas batistas, presbiterianas e metodistas já caíram nesse buraco. Wesley ira morrer de vergonha se visse algumas das igrejas que ele “fundou”!
Os pastores malaquianos pregam subliminarmente que o sacrifício vicário de Cristo não foi total e suficiente para nos salvar (copiaram isso de Roma) e que quem não der o que tem e o que não tem jamais poderá ser abençoado. Eles escrevem livros dizendo que alguns deles tiveram visões, passearam pelo céu e pelo inferno (Mary Baxter) e conversaram com Jesus (o outro Jesus, é claro), negam a Trindade e muitos até exigem a guarda do sábado (e a santidade absoluta - Valnice Milhomens) como condição sine-qua-non de salvação.
Muitos têm conduzido os crentes até os montes, a fim de fazerem lá suas orações, e até dão ordens ao Senhor, pois se acham mais perto do céu, tornando-se, assim, mais espirituais e mais fortes no “poder” do Espírito Santo. Muitos falam a língua dos anjos (quem sabe, dos maus) e se julgam tão espirituais que olham com desprezo para os coitados (membros de igrejas sérias) que não falam essas línguas, não têm “visões” nem “revelações” sobrenaturais.
Quantos deles tremem, caem para trás, (sob o poder de “espírito santo”, se arrastam pelo chão, (uivando como lobos), dando gargalhadas estrondosas, etc., porque isso é muito “espiritual”!
Infelizmente, os iletrados (na Bíblia e no vernáculo) compositores de “música gospel” têm penetrado até mesmo nas melhores igrejas. Ontem, por exemplo, na minha PIB, que é um modelo de igreja decente, fomos obrigados a cantar um corinho herético (com um tremendo erro de português), em que o compositor afirmava estar “rompendo em fé” (só não diz no poder de quem), que ia “mover no sobrenatural”. Não sei se ele quis dizer “mover-se no sobrenatural” ou então “mover o sobrenatural”, mas de qualquer modo ele escreveu uma heresia ocultista da pesada! E o povo cantando, sem entender o “busillis” da coisa! Passei tão mal que nem cheguei ao final do culto! Os cânticos gritados nas igrejas “avivadas” são todos homocêntricos (e não teocêntricos), valorizando o homem, esquecendo de adorar o Senhor em espírito de humildade.
O pior de tudo é que os crentes modernos nunca estudam seriamente a Bíblia, limitando-se a crer no que os pastores fraudulentos ensinam, vendo tudo pela sua ótica e mergulhando de cabeça nas suas heresias... Porque a TV toma tantas horas do seu dia! Agora o evangelho está sendo entregue embrulhado no papel colorido do humanismo.
O poder do pensamento positivo é a base desses novos evangelhos espúrios, teologia herdada de Mary Baker por E. W. Kennion, Paul Young Cho, Kenneth Copland, Kenneth Hagin, Robert Schüller, Peter Wagner, Benny Hinn e outros charlatães do evangelho xamanista. Esses homens não estão nem um pouco interessados no crescimento espiritual dos seus discípulos, mas no crescimento de suas denominações. Para eles uma igreja que tem menos de 50 mil membros é “medíocre” e igreja com menos de 10 mil membros é uma vergonha!
Ganhar dinheiro à custa do complexo de culpa gerado na mente dos membros é a coisa mais natural do mundo nesse espúrio meio evangélico. Movimentos como o G-12 (e outros movimentos de células) usam o método piramidal egípcio para encher suas igrejas e os crentes nem suspeitam que estão usando métodos pagãos, e até amaldiçoados, em sua vida “cristã”. Eles ignoram que a palavra “Egito” e seus derivados é sinônimo de “maldição” na Palavra de Deus. Salomão foi proibido até de comprar cavalos no Egito, desobedeceu ao Senhor, casou com mulheres egípcias e acabou sendo amaldiçoado em seu reino.
Em alguns sites evangélicos tenho aparecido como “a inimiga número um do Vaticano”. Pois bem, agora podem declarar que eu sou “a inimiga número um do baixo pentecostalismo”, porque seus líderes são PIORES do que todos os papas que já existiram. Muitos papas só conseguiram matar os corpos dos cristãos inocentes, em suas perseguições religiosas, guerras e inquisições, enquanto esses charlatães do espúrio evangelho da fé/prosperidade estão assassinando suas almas preciosas.
Estou declarando uma guerra sem tréguas a todos os movimentos kakangélicos que têm infestado o meio evangélico, a todos os pastores malaquianos que abrem e dirigem igrejas com o único fito de enriquecer, a todos os pastores ocultistas que importam heresias maçônicas para dentro de suas igrejas, a todos os crentes preguiçosos que ficam diante da TV, em vez de estudar a Bíblia e ler livros evangélicos de autores confiáveis, crentes raquíticos, os quais, quando raramente apanham um livro para ler, preferem autores inúteis que lhes prometem maravilhas ocultistas travestidas de evangelho, autores que escrevem livros somente para vender, sem jamais se preocuparem com o destino das almas que os lêem.
Senhores pastores bíblicos, vamos lutar contra essa avalanche de água podre, que está inundando as legítimas igrejas do Senhor, usando contra ela uma boa dose de soda caustica, de hexaclorofeno, de irgasan DP-300, e de outras substâncias desodorizantes, até que esses charlatães se convertam, ou então, se arrebentem de uma vez!
Autora: Mary Schultze
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D. Mariquinha, uma senhora aposentada de 60 anos, com ótimo embasamento intelectual e teológico, alistou-se entre as ovelhas que seguiam para o “encontro” (uma espécie de matadouro psicológico), achando que iam em busca de um ilimitado “poder espiritual”.
Em sua igreja houve um tremendo “lobby” em favor desse “encontro”. O pastor queria encher a igreja, de qualquer maneira, e os promotores haviam lhe prometido que se ele se tornasse um “semeador de sonhos” sua Igreja passaria de 200 para 2.000 membros, em poucos meses. Afinal de contas, dizia o promotor do tal encontro, seu carro tem 10 anos de uso e o irmão, com a igreja lotada, poderá “ceifar” um “Mercedes Benz 300” rapidamente, porque Jesus “veio para dar vida em abundância, através da fé que transforma os sonhos em realidade” e nesse “encontro” recebe-se o passaporte para a dimensão espiritual do “Rhema” onde todo sonho logo se materializa.
D. Mariquinha foi e as coisas aconteceram mais ou menos assim:
1. Viagem de ônibus lotado, com todos os participantes em clima de euforia, quase idêntica àquela dos torcedores do Flamengo, em dia de “Fla-Flu”.
2. D. Mariquinha recebeu a promessa de que ao participar do “encontro” estava se capacitando a ser “um guia de multidões”. Todos os que ali estavam iriam ficar libertos da cegueira espiritual, distanciando-se das coisas terrenas e voando para o alto.
3. Lá pela quinta palestra do “encontro”, D. Mariquinha foi induzida a fazer “regressão espiritual” e, em seguida, “visualização”, o que ela fez de mentirinha, para não chamar a atenção dos “espias do encontro”, que ali se postavam, a fim de observar se havia algum mágico rebelde (tipo Janes e Jambres) no meio dos participantes.
4. D. Mariquinha teve de confessar todos os pecados a um hippie, ali presente. Só que ela contou umas faltinhas bobas, porque seus pecados ela confessava mesmo era a Deus, diariamente, antes de se deitar, e depois de ler a sua amada Bíblia “Fiel” ao “Textus Receptus”, uma tradução da King James, que é a melhor de todas. Quando o preletor veio ungi-la com “óleo santo”, ela sentiu um tremendo cheiro de azeite de oliva e, como é perita em cosmetologia, pensou: “se pelo menos eles tivessem usado uma boa fragrância de rosa oriental combinada com lavanda suíça, que juntas dão um cheiro de manga rosa brasileira
5. Agora era a vez de “visualizar” a vida de Jesus. D. Mariquinha, que fora católica por mais de 40 anos, viu logo que aquilo era uma cópia exata das “vias sacras”, que era obrigada a fazer, antigamente, sendo que na semana santa tinha de fazer todo dia, a fim de receber indulgências e se livrar das penas do purgatório. Ela pensou: “Enquanto o Pe. Marcelo copia os evangélicos neo-pentecostais no rebolado, os neo-pentecostais copiam o catolicismo nas doutrinas mitológicas e no ocultismo de Loyola”.
6. Quando chegou a hora de queimar, na imaginária fogueira, todos os símbolos de Nova Era, ela pensou: “ora bolas, isso aqui é um legítimo encontro novaerense. Então, como eles podem mandar queimar os seus próprios símbolos?... Isso é casa dividida!”
7. Na hora de receber o “batismo no Espírito Santo”, D. Mariquinha, sabendo que já o recebera ao aceitar Cristo como Salvador e Senhor de sua vida, não conseguiu falar em línguas estranhas, mesmo porque não lhe interessava virar poliglota depois de velha! Quando o preletor deu-lhe um suave empurrão na testa, nossa velhinha rebelde caiu “de mentirinha”, de costas, e ficou atenta, esperando o “filme” acontecer.
8. Mais tarde, quando ia andando pelo jardim do casarão usado para o “encontro”, ela viu um garoto com olhos esgazeados, gesticulando, gritando, se torcendo e repetindo o tempo inteiro: “o encontro é tremendo! Eu quero é Deus!”. Esse garoto fora sem dúvida condicionado pelos preletores, através de tantos chavões repetidos paulatinamente, de tantos “efeitos especiais” de luzes, cânticos e trechos bíblicos fora do contexto, usados para indução dos participantes. Ela pensou: ”Meu Deus, isso é apostasia berrante!”
9. Agora chegara a hora do culto final, na igreja ali perto. Todos cantavam, batiam palmas, dançavam, gesticulavam, se “desvairavam” em nome de Jesus, exatamente como foliões em desfiles de carnaval. As duas frases mais enfatizadas nesse encontro foram: “obedecer cegamente” (aos guias) e “não falar sobre as suas particularidades com estranhos”, mesmo porque se as “novidades” forem divulgadas os organizadores/semeadores de sonhos não poderão encher suas igrejas e, consequentemente, os seus bolsos.
10. Saindo dali, quase todos se transformarão em “harekrishnas” evangélicos, sentindo-se na obrigação de promover o “encontro”.
Quem lê, estuda e pesquisa a Palavra de Deus não cai em armadilhas desse tipo. Esse movimento, conforme citação de um líder evangélico psicanalista, muito conceituado, é uma espécie de ressurreição da “Igreja do Povo”, de Jim Jones. E todos devem se lembrar, ainda, do que aconteceu com as centenas de robôs espirituais desse falso profeta, na famigerada tragédia da Guiana. Ah! logo depois, D. Mariquinha foi excluída de sua igreja por não ter apreciado o “encontro”...
PS - Mesmo sem saber ainda que o Movimento em Células G-12 é uma cópia fiel dos “Cursilhos de Cristandade” da Igreja de Roma, cujo “inventor”, o “santo” Zémaria, já partiu “para o seu próprio lugar”, D. Mariquinha conseguiu sobreviver a essa nefanda experiência “sobrenatural” e continuou firme em sua Igreja Batista tradicional e bíblica.
Paulo diz na 2 Coríntios 11:3: "Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo."
Pois é isso, exatamente, o que os "mestres" da Teologia da Fé/Prosperidade e esses inovadores malaquianos têm feito, isto é, têm-se apartado da simplicidade do evangelho de Cristo, aproveitando teologias pagãs e católicas, com os pobres crentes “estrebuchando” e cantando canções de conteúdo duvidoso, repletas de termos usados com freqüência no Satanismo.
Autora: Mary Schultze
3. - Drogas Espirituais 2000
A palavra “conversão” é a mais sonora de todas as que são usadas nos movimentos de caráter evangélico que têm surgido ultimamente, afastando os participantes do legítimo “Evangelho da Cruz de Cristo” em direção a um “evangelho de poder espiritual”.
Até hoje não existe uma só pessoa que tendo passado por uma lavagem cerebral possa admitir essa realidade. Daí por que as vítimas da lavagem cerebral muitas vezes se transformam em importantes divulgadoras dos movimentos que usam essa técnica reprovável.
Os organizadores desses “movimentos de poder”, também conhecidos como “grupos”, têm usado expressões ou idéias bíblicas, a fim de se apresentarem como “espinafres salvadores” dos pobres “crentes sem poder”. Esses grupos chegam a usar o número dos “12 apóstolos”, também dos “70 discípulos” que saíram a pregar, dos “120 discípulos” que estavam no cenáculo no Dia de Pentecostes, e até mesmo dos “500 irmãos que viram Cristo subir aos céus”. A ambição de poder econômico e religioso não tem limite e os crentes mal informados, afastados da oração e da leitura bíblica diárias, vão caindo nessas armadilhas perigosas e se entregando nas mãos desses falsos profetas, que trazem a apostasia para dentro das igrejas de Cristo, em nome de um “espírito santo”, que é o seu “office boy”.
Os organizadores desses “encontros” costumam usar os três estados de inibição transmarginal identificados pelo cientista russo Pavlov (que usava cães em suas experiências), a fim de processar o condicionamento de suas cobaias. São eles: O estado equivalente, o estado paradoxal e o estado transparadoxal.
Levando os participantes ao trânsito relâmpago em cada um desses estados, a conversão às suas doutrinas se torna rápida, consistente e definitiva. A lavagem cerebral executada através da música ritmada e repetitiva, da repetição de frases ou palavras de efeito (mantra), da leitura de trechos bíblicos fora do contexto, deliberadamente escolhidos pelos organizadores desses “encontros”, conduzem os participantes a um estado mental de aceitação de suas doutrinas. As vítimas desses “encontros”, realizados geralmente em fins de semana, em lugares ermos propositadamente escolhidos para esse fim, entram facilmente em “estados alterados de consciência”, chegando à “regressão ao útero materno”, e à “viagem fora do corpo”, agindo como todas as pessoas que passaram por um estado de hipnose.
Os jargões padronizados - como por exemplo: “Deus é tremendo!”, ou então, “Direi ao Norte: Dá!”- depressa induzem os participantes ao transe hipnótico, deixando-os num estado de excitação e expectativa, às vezes até num estado de euforia, mais que depressa atribuído ao Espírito Santo.
Quando o preletor começa a mostrar os terrores demoníacos que rondam o ambiente, prometendo-lhes, em seguida, uma solução, os participantes se entregam logo nas mãos do mesmo, como se ele fosse o próprio Salvador, em nome de quem está pregando. O efeito é imediato. Muitos daqueles condicionados mentais começam a cair para trás, a falar línguas estranhas, a rir descontroladamente, e até mesmo a se arrastar pelo chão, como minhocas espirituais nas mãos dos “pescadores de almas”. Tudo isso porque ignoram que “Deus não é de confusão”, que o Espírito Santo não é um “hippie” e, portanto, nunca age numa mente perturbada por mecanismos psicológicos. O que aí acontece é uma CATARSE, que leva os participantes a extravasarem suas emoções reprimidas, desejando transformar-se em “novas criaturas”, muitos deles até mesmo recebendo uma cura imediata para os seus males psicossomáticos.
Como esses “encontros” sempre acontecem em lugares ermos, longe das confusões do mundo, os participantes, já condicionados às instruções dos preletores, num quadro tipicamente “orwelliano”, transformam-se em “robôs” espirituais manipulados pelo carisma desses MULTIPLICADORES DE SONHOS, ou melhor, falsos profetas, sentindo-se na obrigação de obedecer cegamente as suas instruções, porque já ouviram mil vezes o versículo bíblico: “obedecer é melhor do que sacrificar”.
O jejum e a frugal alimentação à base de frutas e legumes é imprescindível para facilitar o condicionamento. Os “robôs” sentem-se fisicamente mais leves e espiritualmente mais acesos, transformando-se em verdadeiros “budas” evangélicos, atingindo facilmente o estado “ALFA”, quando tudo aceitam com passividade. A música ritmada, os jargões, a iluminação apropriada para os condicionamentos, os jogos de cena carregados de atração indutiva e ao mesmo tempo indiscernível, são os aliados dos organizadores desses “encontros”, os quais sempre conseguem o que desejam. No final do dia, os participantes foram levados a uma atividade “espiritual” tão intensa, que o cansaço físico e mental chegou ao extremo e então eles desabam sobre os colchões (com ou sem pulgas), por não conseguirem pensar em coisa alguma que não seja atingir o desejado “nirvana”. Dormem para esquecer o cansaço, os medos, as frustrações, os complexos de culpa. Contudo, as mensagens subliminares que lhes foram impingidas continuam atuando em suas mentes, mesmo porque o cérebro nunca dorme.
Após 48 horas de treinamento intensivo, os organizadores dos “encontros” já conseguiram provocar o que se chama “redução da vigilância”, que é uma espécie de colapso nervoso provocado pela exaustão física e mental, pela dieta adequada aos propósitos dos organizadores, fatores que reduzem o grau de vigilância. Então os participantes entram no segundo estágio, que é a “confusão programada”. Ela é exercida através do excesso de informações dirigidas, de leituras bíblicas escolhidas para esse fim, e de discussões entre os participantes, obviamente vigiados pelos preletores do “encontro”. Nesse estado de confusão mental, a realidade e a fantasia se misturam de tal maneira que o participante regride à infância, quando o pai/mãe representavam o seu único deus. Finalmente vem o terceiro estágio, que é a “parada do pensamento”. Aí tem-se o esvaziamento da mente consciente, possibilitando - aos organizadores do “encontro” - um controle total dos participantes, que é a sua meta principal! Esse método tem sido usado pela Ordem Jesuíta desde o século 16, com os exercícios espirituais de Inácio de Loyola.
A meditação nas palavras ouvidas, os cânticos repetidos, as leituras bíblicas fora do contexto, escolhidas para o fim desejado, já se fixaram na mente de cada “robô” espiritual ali presente. É então que ele, já “convertido” e, portanto, transformado em “nova criatura”, parte para o mundo, a fim de divulgar que “o encontro é tremendo!” e aliciar muitos analfabetos bíblicos para outros “encontros”, que vão crescendo em número de adeptos, à medida em que no coração das vítimas já decresceu o legítimo valor espiritual, e cresceu o “poder”, que o conduzirá ao próprio endeusamento. Isso é um “encontro de Nova Era” !!!
O Evangelho de Cristo está carunchado por causa desses movimentos perigosos, que aparecem em todos os quadrantes do globo. Aqui no Brasil temos um desses movimentos, importado diretamente da Colômbia, a maior exportadora de cocaína do planeta, que o direcionou a Manaus, a grande receptora de drogas, a terra dos “deuses” indígenas. Suponho que essa droga seja bem mais letal do que a cocaína e lamento pelos seus consumidores!
Todos falam em reavivamento espiritual, mas ninguém conhece realmente o significado desta expressão. Ninguém se dispõe a levar em conta os mandamentos da Bíblia, que nos ensinam a viver uma vida santa e reta diante de Deus e dos homens, a ajudar os irmãos em dificuldade, a pagar as contas em dia, a dar, enfim, um verdadeiro testemunho cristão. O que agora interessa ao crente biblicamente acéfalo é possuir um poder espiritual “hulquiano”, para se apresentar como um “supercrente” diante da concorrência enorme que tem surgido ultimamente. Sem um sólido embasamento na pura, santa e infalível Palavra de Deus, jamais haverá qualquer tipo de reavivamento neste país. Aumenta rapidamente o número de evangélicos, com o decréscimo da qualidade do evangelho praticado.
Infelizmente, o Evangelho de Cristo já não representa o “poder de Deus para salvação de todo aquele que crê”. Agora ele é apresentado como o poder do crente para a obtenção de tudo aquilo que quer.
Autora: Mary Schultze
4. - Movimentos Kakangélicos
(Cuidado com a pronúncia, a fim de não cometer uma tremenda gafe!)
A palavra “kakangélico” vem do Grego “kakos”, que significa “ruim”, e da palavra “evangélico”, formando esse termo interessante usado em primeira mão pelo excelente cronista evangélico, Pr. Gerson Rocha, em 1997.
Movimentos Kakangélicos são os que têm estado em moda, nos últimos anos, dentro das igrejas conhecidas como neo-pentecostais. As práticas desses movimentos são variadas. Vamos dar algumas a seguir:
1. Que os membros dos acampamentos onde se realizam suas reuniões esdrúxulas guardem segredo sobre suas práticas, ou pelo menos revelem apenas o que for totalmente positivo.
2. Que aprendam a cantar corinhos repletos de heresias bíblicas e gramaticais, sob o som estridente de guitarras elétricas e outros instrumentos mundanos, porque o “Espírito Santo” é “hippie” e gosta de barulho e confusão. E se alguém não fala em línguas estranhas não pode ter o Espírito Santo!
3. Que aprendam, também, a praticar verdadeiras ginásticas espirituais, cantando, batendo palmas, rebolando, caindo para trás, andando de quatro, latindo, urrando, rindo alto, vomitando, etc. Isso é prova segura de que o “Espírito Santo” está agindo dentro do crente e, portanto, este não deve cercear a Sua liberdade. Que realizem “regressão ao útero materno”, “viagens fora do corpo”, “visualização” e outras práticas ocultistas, pois isto é sinônimo de poder, muito poder!
4. Que aprendam a invocar muito mais vezes o nome dos demônios do que o de Jesus Cristo. Porque Jesus é apenas um “Deus”, e satanás tem poder igual ao dele, pelo menos em alguns casos.
5. Que aprendam a exorcizar esses demônios, que vivem fazendo concorrência a Jesus. Este veio para nos dar “vida abundante”, enquanto o diabo veio para “roubar, matar e destruir”. Portanto, ninguém seja tolo para ficar do lado deste.
6. Que usem e abusem do “livre arbítrio”, fazendo e acontecendo, porque, afinal de contas, “ninguém é responsável pelos seus atos”. Os culpados são os demônios que nos afligem de várias maneiras, como por exemplo: com “maldição hereditária” e “maldição territorial”, com possessão e “demonização”, até mesmo no crente, com uma força tão grande que este não consegue resistir e se entrega ao pecado...meu Deus, o que se pode fazer, se o diabo é tão forte e traiçoeiro!
7. Que se leiam apenas versículos bíblicos referentes à Teologia da Fé/Prosperidade. Porque o resto da Bíblia é tão difícil, que não se encaixa mais na correria da era da Internet. Mesmo assim, deve-se ler Malaquias 3:7-11, por causa do dízimo. E Deuteronômio 11:13-32, por causa das bênçãos e maldições prometidas aos que não seguem ao pé da letra todos os mandamentos (dos teólogos dos movimentos). Esses pastores parecem esquecer completamente certas passagens do Novo Testamento, como por exemplo: Colossenses 2:4:16, e ficam ensinando que se evitem certos alimentos, que se guarde o sábado, que se temam os demônios, como se estes habitassem em cada milímetro de nossa casa. Que se use sal grosso nos cantos da casa, e ”óleo ungido” em tudo, do sapato até o refrigerante, senão pode haver algum demônio escondido no bico do “coturno”, ou na garrafa de guaraná! E na geladeira tudo deve também ser ungido! (Conheço uma senhora médica, de ótima formação profissional e intelectual, que quase entrou em parafuso por causa das unções obrigatórias, por isso acabou largando a Igreja de uma senhora pastora muito mística...) E, o que é pior, contaminada pela doutrina sabatista, correu e se filiou numa igreja Adventista...
8. O jejum é condição sine-qua-non para o crente conseguir qualquer coisa de Deus. (O bom de tudo isso é que o crente guloso/obeso jejua, e economiza para dar mais oferta. Por outro lado, perdendo peso, fica elegante e o seu colesterol baixa de nível, ficando ele menos sujeito a enfartos do miocárdio - ó glória! )
9. - Que se ore muito para que os demônios da enfermidade, da pobreza, da prostituição e da imoralidade sejam expulsos do corpo do crente. Será que nenhum desses “teólogos” teve a idéia de mandar que se trabalhe arduamente para conseguir o pão de cada dia, nem se lembre de alertar contra os filmes eróticos, as novelas em que se pregam adultério e embriaguez, além dos programas humorísticos, tipo o “Sai de Baixo”, na TV, que, só pelo anúncio, traz o desejo de vomitar? E que não vejam filmes nem leiam revistas pornográficos?
10. Parece que os promotores dos movimentos kakangélicos esqueceram que só existe um modo de acabar com a sujeira mental – é ler no Novo Testamento, todo dia, pelo menos 10 páginas. Que se comece pelo Evangelho de João, a fim de se firmar na gloriosa crença de que Jesus Cristo é Deus. Depois que se vá lendo até chegar ao Livro de Apocalipse, para saber que Jesus está voltando. Então volte-se, e leia-se todo o N.T. Quando já se conseguiu ler Apocalipse em apenas 2 horas, pode-se ir correndo para o Velho Testamento, a fim de ver que manancial de bênçãos é o Velho Livro de Deus!
11.Será que esses “teólogos” esqueceram de recomendar que o crente evite ser influenciado pela teologia de Paul (David) Young Cho, o místico pastor oriental, cujo livro “A Quarta Dimensão”, que li na época de seminário, me levou a uma depressão espiritual imensa e eu quase afundei na fé? O caso é que eu tinha uma micro-empresa de Cosméticos e às vezes precisava de US$1.000 para pagar certas matérias primas importadas e “ordenava”: “Senhor, eu preciso desses mil dólares, até segunda feira. E que sejam em moeda corrente porque eu não tenho tempo de descontar o cheque!” Deus ria à beça de minha ingenuidade e se eu não vendesse bastante e não conseguisse descontar a duplicata no Banco do Brasil, atrasava todos os meus pagamentos. O Espírito Santo não é “office-boy” para materializar os nossos desejos, conforme ensina essa Teologia da Fé/Prosperidade. Ele é Deus Soberano e dá quando quer, quando isso lhe apraz. E quem somos nós, criaturas ínfimas e pecadores remidos, para discutir com Ele? (Romanos 9:20).
12. A Teologia da Fé/Prosperidade tem raízes ocultistas. Veio de E. W. Kenyon, nos anos 30, que a importou, em parte, da teologia cristã/científica de Mary Baker. Na literatura secular foi Dale Carnegie quem deu as cartas, nos anos 40. Com Norman Vincent Peale, nos anos 50, essa teologia se tornou conhecida através do bestseller, – “O Poder do Pensamento Positivo” - que foi lançado em Nova York, na Marble Collegiate Church. Mais tarde, alguns discípulos de Kenyon, como Robert Schuller, Kenneth Haigin, Peter Wagner, Benny Hinn e outros colocaram-na em prática em suas Igrejas, onde ainda continua em pleno florescimento. Essas igrejas cresceram porque ao povo de Deus falta conhecimento e ele sempre se sente atraído por sinais e prodígios de milagres, querendo usar e abusar de um “self-service” religioso, pagando o que pode e até o que não pode. Porque esses homens enriquecem, ficam dizendo que “somos deuses”, que tudo podemos conseguir, etc. Um deles até teve a coragem de afirmar que Jesus andava de jumento porque nesse tempo o asno correspondia ao “Mercedes Benz” de hoje. Essa teologia de araque foi criada pelo imoralíssimo papa francês, João XXII, (1316-1334), o mesmo malandrão que inventou a aparição de “Nossa Senhora do Carmo” e criou o escapulário para conseguir dinheiro! Grande parte da teologia ultra-pentecostal é mistura de ocultismo com catolicismo medieval, portanto é espúria, mentirosa e perversa. E como já chegamos ao número 12, o favorito do mais comentado movimento kakangélico da atualidade, vamos parar. Daqui a algum tempo, poderemos chegar ao número 70, depois ao número 120, depois ao número 500 e, finalmente, ao número 144.000, se Deus permitir.
Aqui no Brasil a teologia neo-pentecostal prosperou imensamente, depois do aparecimento de livros incríveis mostrando o poder dos demônios, das maldições, mais freqüência, adorando a hóstia com mais fervor e invocando os “santos” do catolicismo. Essa igreja já está começando a apelar, também, para o baixo-pentecostalismo. Nos “Encontros” católicos já se vêem muitas coisas estranhas! É só esperar para ver...
Como já dissemos, o baixo-pentecostalismo é uma mistura de ocultismo (principalmente de gnosticismo) com trechos isolados da Bíblia e Catolicismo romano. Quem desejar conhecer bem os perigos do baixo pentecostalismo deve ler os livros de Dave Hunt – “Sedução do Cristianismo” e “Escapando da Sedução”. Quem quiser crescer em santidade, além de ler diariamente a Bíblia, com amor e reverência, leia também autores como John Stott, D.M.Lloyd Jones, Norbert Lieth e Josh McDowell. Precisamos lutar contra todos os abusos que têm aparecido na Igreja de Cristo. Paulo e Judas nos comandam a isso, em Gálatas 1:6-9; Judas 3, e muitas outras passagens.
Da Reforma Protestante (1517), até os anos 30 deste século, Jesus Cristo era “Aquele em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Colossenses 2:3). Hoje os “teólogos” do neo-pentecostalismo O transformaram no “grande mágico, em cuja cartola todos os tesouros materiais estão disponíveis”.
Autora: Mary Schultze
Dados colhidos no artigo “Batalha Espiritual”, Dr. Augustus Nicodemus Lopes
5. - O Vidente “Caçalhamas”
Acabei de ler os 4 primeiros capítulos da primeira parte do livro autobiográfico de um pastor colombiano. Eles são um resumo feito pelo pesquisador Roberto César, que esteve no comentado “Encontro” do Movimento G-12, o que me fez recordar o que escrevi e foi publicado no jornal “O Diário” desta cidade, edição de 27/07/98, a respeito de um jovem superdotado de Fortaleza, que teve experiências “espirituais” semelhantes àquelas pelas quais tem passado o fundador do Movimento G-12.
Vou relatar algumas das experiências vividas pelo cearense Ricardo, conforme li na revista “Ultimato” nº 253.
Ricardo nasceu em Fortaleza e nos primeiros dez anos de vida já se mostrava um garoto prodígio. Quando entrou na adolescência já estava envolvido em altas pesquisas científicas e no Departamento de Selenografia (estudo da Lua) da Sociedade Astronômica de Fortaleza, e junto com o seu professor e amigo, o famoso astrônomo Rubens de Azevedo, auxiliou a NASA em alguns problemas espaciais. Fazia pesquisas de Física, Química e Biologia em seu laboratório caseiro, que fora organizado quando ainda era menino.
Desejando conhecer profundamente os mistérios do universo, ingressou no Espiritismo (Kardecista), depois no Rosacrucianismo e também no Colégio dos Magos. Lia muito, estudava, pesquisava e se tornou um perito em Ufologia. Conversava com ETs, fazia viagens siderais (fora do corpo) e o seu companheiro constante e “espírito guia” era um homem de pele escura, provavelmente um demônio hindu, que sempre trazia na mão um estranho objeto metálico não identificado.
Ricardo ajudou a criar a Associação Brasileira para a Era de Aquário, em Brasília, e tentou iniciar a Confederação Brasileira de Ufologia. Foi professor em muitos congressos, seminários, cursos de “evolução espiritual” projeção astral, visão de aura, telepatia, etc. e era sempre considerado um perfeito erudito em tais assuntos. Seu guia espiritual, que a princípio se mostrara manso e cooperador, agora havia se transformado num verdadeiro déspota, espécie de “papa astral”, que lhe dava ordens grotescas, arrebatava-o para os lugares mais bizarros, nos momentos mais inoportunos. Certa vez, quando descia de um ônibus, foi arrebatado para um lugar escuro, feio e estranho, de onde logo regressou. As vozes que ouvia constantemente, as visões esotéricas interplanetárias, a sensação da perda de constante energia, a qual lhe era sugada pelos “seres astrais”, tudo isso ia deixando o jovem Ricardo combalido, triste, ansioso e tremendamente infeliz, ainda na casa dos vinte anos de idade.
Foi aí que um primo seu, conhecido por viver se gabando de ser um ateu convicto, converteu-se ao evangelho do Senhor Jesus Cristo e começou a evangelizar Ricardo. Ele ria da coragem daquele primo de enfrentar uma sumidade esotérica como ele se julgava, debochava da Bíblia – esse livrinho tolo, cheio de lendas – e assim foi levando a sua vida interplanetária e infeliz. Até que o primo, irmão do primeiro e com a mesma idade, converteu-se também a Jesus Cristo. Ricardo ficou admirado. Que família mais tola... Convertendo-se, assim, a uma religião de crentes fanáticos, sem cultura!
Depois de várias tentativas de evangelização da parte dos primos, ele aceitou de presente uma Bíblia e um desafio: iria ler o Livro sem preconceito, desejando conhecer a verdade, que ele porventura encerrasse. No mesmo dia, largou o Livro num canto e esqueceu a promessa. Até que um dia, atormentado pelos seus visitantes astrais, pegou a Bíblia e foi lendo, lendo, lendo. Gostou e no dia seguinte voltou a ler. E foi lendo, lendo, lendo. Até que se convenceu de que: “... a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia” (1 Co 3:19) .
Ia lendo a Bíblia e conferindo-a com os seus estudos paleontológicos e vendo o quanto ela é perfeita, infalível e realmente inspirada por Deus. Na 2 Pedro 1:16-17 e 2 Timóteo 3:16-17, Ricardo encontrou a razão da perfeita infalibilidade da Palavra de Deus.
Dobrou os joelhos diante d’Ele, confessando que era um pecador corrupto e miserável, sem justiça própria, e não um semideus como Satanás tem dado a entender, desde a tentação do Jardim do Éden. Converteu-se, como os dois primos.
Hoje é oficial numa Igreja Batista, no centro de Fortaleza. Ricardo é feliz, muito feliz. O “seu espírito guia” sumiu depressa. A Bíblia diz que: “...Aquele que é nascido de Deus... o maligno não lhe toca” (1 João 5:18). Agora Ricardo é um filho de Deus. As pessoas sempre dizem que “todos são filhos de Deus”, mas não é verdade. Sem Jesus Cristo, “todos são filhos do Diabo”, palavras do próprio Senhor. Infelizmente o Diabo usa a sua astúcia para atrair as pessoas mais inteligentes. Promete-lhes riqueza, fama e poder... quando elas estão numa boa, o Diabo puxa o tapete e as derruba.
Geralmente os seguidores de Lúcifer não vivem muito. Ele tem medo que essas vítimas do engodo se convertam de repente e não mais venham fazer-lhe companhia no Lago de Fogo, onde o cheiro de ovo podre (H2 SO4) é insuportável e eterno.
Mas, voltando ao vidente Caçalhamas, ele conta no capítulo primeiro do seu livro, que após a leitura da Bíblia estava procurando a melhor maneira de ser purificado, quando, certa noite, “sentiu a necessidade de ter um encontro face a face com Jesus” (p.13). Mais tarde após ter confessado a Deus todos os seus pecados e chorado muito, ele “viu uma mão aberta penetrando em sua cabeça e descendo até a planta dos pés de forma carinhosa e, à medida que o fazia, o fardo do seu pecado desaparecia... havia nascido de novo!” (p.14). Após ter freqüentado, durante 5 meses, uma pequena congregação evangélica, ele conta que certa noite quando estava orando, Satanás começou a apresentar-lhe imagens de sua conduta passada, com as quais ele ia se deleitando... Até que uma voz forte como de trombeta lhe falou: “se te apartares de mim, cortarei a bênção que tenho para ti e para os teus” (p.15). Ele entendeu que se tratava da voz de Deus. Então fez um pacto dizendo o seguinte: “Senhor, se tu vires que algum dia vou te falhar e me apartar dos teus caminhos, peço-te com toda a minha alma, antes que isso aconteça, me leves, pois prefiro estar na tua glória, que viver neste mundo com a vergonha de ter falhado para contigo” (p. 15).
No capítulo 2, o vidente afirma que Satanás tentou fazê-lo pensar negativamente, porém resolveu assumir a grande tarefa de evangelizar, a qual lhe fora confiada por Jesus. Procurou respaldo bíblico na vida de Moisés (p.17). Diz o Pastor que “no desafio do chamado o nome de Jesus equivale a dinamite: tem poder e autoridade quando O invocamos ". Ele também entendeu, apoiado na esquiva inicial de Moisés o seguinte: “Quando Deus faz um chamado, Ele está plenamente consciente de quem chama e porque o faz. Ao conhecer esta história compreendi que existia um chamado do Senhor feito de forma direta em minha vida. Um ministério de grande magnitude me esperava” (p.18).
Parte 2
No capítulo 3 o vidente Caçalhamas começa a “sonhar”. Leu um livro de Kim Woo-Choong, fundador do Grupo Daewoo, intitulado “O Mundo é dos Sonhadores”. Ele diz que Neemias ao ficar inteirado da situação do seu povo em Jerusalém, começou a agasalhar em sua mente um sonho e uma visão. Mesmo com uma situação totalmente contrária Neemias começou a ter a “visão” de restaurar e se deixou “engravidar” por essa visão (p. 19) e que Deus age nos dias atuais do mesmo modo, inquietando muitos escolhidos e respondendo dentro de uma “visão” por Ele concedida...
Depois dessa experiência com Jesus, o vidente começou a evangelizar nas ruas de sua cidade e teve oportunidade de pastorear pequenas igrejas. A última delas, com apenas 30 membros, após um ano do seu pastorado alcançou 120 membros. Contudo, ele se aborreceu com a inconstância dos membros e renunciou ao pastorado. Depois de 4 meses de desemprego, certa noite, enquanto se balançava numa rede à beira mar da costa atlântica colombiana, teve uma visão a qual é descrita da seguinte maneira: “senti a presença de Deus como nunca antes havia experimentado. Naquele dia a sua voz se fez ouvir no profundo do meu ser: ‘sou Ancião de Dias! Prepara o teu coração em adoração porque vou te usar’. Naquele momento entrei num nível de adoração muito mais intenso, diferente do que eu estava acostumado. Rendi cada átomo de minha existência ao Senhor e logo escutei-O dizer: ‘vim mover o teu assento’. Aquietei-me, esperando que Ele o fizesse, porém como não acontecesse, eu mesmo comecei a me mover até que escutei novamente a sua voz dizendo-me : ‘eu posso mover o teu assento, porém prefiro fazê-lo através de ti. Coloquei-te como pastor. Sonha, sonha com uma igreja muito grande porque os sonhos são a linguagem do meu Espírito. Porque a igreja que hás de pastorear será tão numerosa como as estrelas do céu e como a areia do mar que de multidão não se poderá contar’” (ps.19 e 20).
O vidente prossegue afirmando que nesta noite o Senhor lhe perguntou: “que igreja gostarias de pastorear?” Diz que ficou quieto e começou a observar a areia do mar e o milagre aconteceu: “vi como que cada partícula da areia se convertesse em uma pessoa”. O Senhor tornou a perguntar-lhe: “que vês?” O Pastor respondeu: “vejo centenas de milhares de pessoas”. Então Deus replicou: ”Isso e mais te darei, se fizeres minha perfeita vontade” (p.21)
No mês seguinte ele fundou uma igreja, na sala de sua própria residência, com apenas oito pessoas – a qual se chama hoje, Missão Carismática Internacional (MCI). Quando esta já contava com 30 membros o Pastor começou a desenhar o “seu plano estratégico”. Enfrentou alguns problemas, ficou muito inquieto, orou e logo o Senhor lhe respondeu com estas palavras: “segue fazendo teus planos que eu me encarrego de desbaratá-los” (p.21). Observação: Jesus estava prometendo “desbaratar” os problemas ou os planos do vidente? Não entendi bem o que ele quis dizer...
Mais tarde, novamente o Senhor iria perguntar-lhe: “Que queres e em quanto tempo o queres?” Ele então começou a traçar alvos e sempre que ficava atrapalhado o Senhor lhe dizia: ”Porque certamente te abençoarei de tal modo que tu mesmo ficarás assombrado e me dirás: Basta!” (p.21). Observação: Aqui vemos que o ‘Pai Nosso’ perdeu o significado, pois Jesus já não diz: “seja feita a tua vontade”, mas: que queres que te faça? Será que esse não é “o outro Jesus?” Afinal de contas, ele está negando a Bíblia! ” O vidente compara a ação de sua Missão com todas as coisas criadas por Deus, afirmando que: “Deus SONHOU, depois PLANEJOU, DESENHOU e EXECUTOU”. Por isso, garante que Deus é um SONHADOR! (p.22).
Depois disso, ele conta que certa noite estava sentado no piso de um auditório com capacidade para 120 pessoas. Começou a “sonhar” e logo pôde ver as pessoas entrando e superlotando aquele auditório, fazendo filas para ali entrar, por isso ele foi obrigado a dividir a reunião em dois cultos... e indaga: “haverá impossível para Deus?” Foi aí que descobriu que todo o dilema habita dentro de nossa própria mente e que precisamos atrever-nos a “sonhar” (p.22). Observação: Esta teologia de pensamento positivo é típica de pastores como: Norman Vincent Peale, Kenneth Hagin, Peter Wagner, Benny Hinn, e outros, cujas doutrinas têm penetrado nas igrejas evangélicas, que poderíamos chamar de “transcendentais”.
Porém, estranhamente, ele começa a falar de experiências fantásticas por ele vividas, o que nos leva a pensar que este capítulo deveria ter como título: “florescendo no deserto”. A partir daí, ele começa a descrever os ataques de Satanás à sua vida. Descobriu que Satanás andava buscando alguma debilidade em seu recôndito, uma espécie de “calcanhar de Aquiles”, através do qual pudesse neutralizar a sua consagração ao Senhor (p. 24).
Diz ainda que numa tarde, após ter-se dedicado à oração, abriu os olhos e notou uma densa escuridão ao seu redor. Percebeu que estava flutuando, olhou para baixo e viu um profundo abismo repleto de demônios que se moviam como autômatos, em meio às trevas. Quando achou que ia despencar naquele tenebroso lugar, uma voz lhe falou : “ se tu cais, qualquer um dos demônios que viste te tomará e te levará a um lugar mais profundo, onde ficarás até que sejas julgado”. No mesmo instante, ele clamou ao Senhor e sentiu que uma força o segurou pelos braços e o levantou. Então, ouviu uma voz, trovejando: “Ainda não chegou a hora! ”. Caiu no chão, de volta ao corpo, completamente molhado de suor. (p. 24). Observação: isso é um perfeito exemplo de projecionismo (ou levitação), fenômeno muito comum aos sacerdotes jesuítas ocultistas, como Inácio de Loyola, fundador da Ordem Jesuíta. Em geral acontece quando alguém está drogado ou então levado ao estado Alfa, quando, muitas vezes, está possuído por espíritos malignos! Muitos santos católicos apresentaram esse fenômeno, inclusive com chagas no corpo, o que tem levado os seus devotos à crença de que eles são “milagrosos”, quando, na realidade, são vítimas de forças ocultas.
O vidente conta ainda que numa tarde, enquanto conversava com um amigo de infância, no terceiro andar de uma “casa de café”, esta desabou. Os escombros o sepultaram. Sentiu o espírito se desprender do corpo. Observação: Outra viagem? Ele viaja mais do que o papa JP2! Foi então que se lembrou da voz que havia lhe dito: “Ainda não chegou a hora” e, apoiado nesta frase, clamou pelo nome de Jesus, e, desse modo, pôde retornar são e salvo ao corpo, com ferimentos leves que exigiram apenas quinze pontos de sutura (p. 25).
Ele conclui esta experiência, dizendo : “Bastou-me pronunciar o nome de Jesus para que a parte espiritual se ligasse com a física, podendo assim remover os escombros” (p. 25).
Em outro episódio ele conta que um homem, o qual, segundo ele, estava totalmente endemoninhado, deu-lhe uma punhalada. Nessa hora ele viu, como num filme, sua vida passar pela mente. Tudo aquilo que havia feito de bem e de mal foi visto nesse filme. Caiu no chão, mas seu espirito permaneceu flutuando e observando o que se passava ao redor. Foi quando ele se viu rodeado de milhares de anjos, que formavam um túnel angélico, com os anjos indo e vindo, num trânsito infinito. Esses seres angélicos entoavam hinos de adoração numa língua estranha. Nesse ponto, o vidente caiu em si, reagindo contra aquela visão. O fato de saber que estava indo para Deus de mãos vazias, aliado ao desejo enorme de fazer algo grandioso para o Senhor, levou-o a orar, rogando a Deus para não ser vencido pela morte. Ao encerrar a oração, abriu os olhos e viu que estava de volta ao corpo (ps. 25 e 26). Observação: Foi mais uma experiência fora do corpo, fenômeno apresentado por alguns santos católicos e ocultistas, porém jamais atribuído ao Senhor Jesus Cristo...
Depois dessa experiência tão gloriosa, o vidente finaliza o capítulo 4, da primeira parte do seu livro, dizendo que “Deus usa métodos incríveis para acabar com qualquer coisa que impeça o crescimento dos seus servos: orgulho, auto-suficiência, debilidade, caráter impulsivo, etc.”. Afirma, ainda, que se não passarmos pelas provas jamais poderemos descobrir o horizonte de bênçãos que nos esperam (p. 26). Observação: A Bíblia nos comanda a obedecer as palavras de Jesus Cristo, a fim de provarmos o nosso amor por Ele e, conseqüentemente, sermos abençoados (João 14:23).
Paulo já dizia no seu tempo que “os dias são maus...” (Efésios 5:16). Ele se referia ao Gnosticismo, que estava tentando neutralizar a obra redentora de Cristo, colocando o homem na posição de um semi-deus, através do conhecimento espiritual. Infelizmente, sob a capa de evangelho, muitas doutrinas espúrias têm surgido ultimamente, nas igrejas ultra-pentecostais, em busca de poder do alto, sem atentar no fato de que “quando estamos fracos então é que somos fortes” (2 Coríntios 12:10).
Foi quando buscava poder e sabedoria que o jovem Ricardo se entregou nas mãos dos “espíritos guias”, os quais, no princípio, pareciam amistosos e benignos, para mais tarde começarem a exigir dele o impossível, tratando-o na base da “chibata espiritual”, a fim de conduzi-lo ao desejo de suicídio.
Um jovem membro da Igreja à qual pertenço, após ter participado do “Encontro” promovido pelos líderes da MIR, abandonou a congregação, passando a fazer parte de uma igreja ultra-pentecostal, onde está entregue de corpo e alma aos líderes do Movimento. Há poucos dias, numa fria madrugada, ele precisou ser socorrido pelos pais, após um ataque de histeria, durante o qual agitava os braços e clamava em alta voz que estava conversando com anjos... Observação: Em Mateus 7:15-23, Jesus nos adverte contra os falsos profetas, que surgirão nos últimos tempos. Paulo também nos adverte, na 1 Timóteo4:1, que muitos darão ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios e ainda, na 2 Timóteo 4:3-4, sobre os doutores que pregarão doutrinas conforme as sua próprias concupiscências... Precisamos então, nos agarrar cada dia mais à Palavra de Deus e menos aos modismos estranhos que têm penetrado em nossas igrejas.
Como leitora assídua da Bíblia e pesquisadora de religião, devo confessar que nunca me passou pela cabeça o desejo de receber qualquer poder do alto, além do que já me foi concedido, desde que aceitei Jesus Cristo como meu único, total e suficiente Salvador. Sei que a Sua Palavra me ensina, conforta e me dá todas as coordenadas para viver uma vida feliz e abundante e, portanto, devo contar somente com a Bíblia em todos os momentos de minha vida cristã, porque ela jamais falha, visto como é “o poder de Deus” para salvar, conservar na fé e levar à santificação de nossa alma.
Autora: Mary Schultze
Trabalho embasado nas anotações do Pesquisador
Roberto César Alves do Nascimento.
Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do Diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne e sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito, e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos, e também por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra para com intrepidez fazer conhecido o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias, para que em Cristo eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo. (Ef 6:10 - 20)
Quando estourou a Segunda Guerra Mundial, o conhecido John Stott era bem jovem, com idade de alistar-se no Exército. Contudo, ele se recusou a entrar no Exército Britânico e a participar da guerra. O pai de Stott, um médico que havia se alistado para combater ao lado dos aliados, ficou extremamente revoltado com o filho e cortou as relações com ele. Só depois que Stott tornou-se pastor conhecido, e começou a pregar na capela de All Souls, na Inglaterra, é que um dia, finalmente, seu pai, comovido, o procurou. Seu pai não aceitava que, naquele momento de crise para o país, as convicções pacifistas de Stott o impedissem de lutar pela sua Pátria.
Pacifismo ou guerra espiritual? - Sem entrar no mérito da questão do pacifismo, queremos apenas usar essa ilustração para dizer que não há lugar para pacifistas na guerra espiritual em que a Igreja está envolvida. A Bíblia diz que estamos num combate, estamos no meio de uma escaramuça. Não é de estranhar que no Novo Testamento a Igreja quase sempre é descrita com uma linguagem oriunda do campo militar. Muita gente hoje fala em Igreja, inclusive há essa idéia muito popular de que a Igreja é um grande hospital onde as pessoas vêm para que sejam curadas. Não queremos descartar esse lado, cremos que o Novo Testamento nos dá base para afirmar que há espaço entre o povo de Deus para a cura interior. Aliás, muita gente vê a Igreja desta maneira, como um grande sanatório, onde nossas esquizofrenias espirituais são tratadas pelo pastor ou por uma equipe.
O problema com essa visão é que ela não leva em consideração que, no Novo Testamento, a Igreja é vista como um exército que marcha, um exército que está em plena campanha, um exército que está em batalha. Há muitos que estão na Igreja há tantos anos esperando para que sejam curados de suas feridas. Talvez o que esteja faltando seja uma palavra como: “Irmão, toma a tua armadura e vai para o campo de combate”. Há irmãos que são doentes profissionais na Igreja. Estão ali e vão ficar ali a vida toda. Na realidade, o quadro de Igreja que vemos no Novo Testamento é o de uma Igreja militante. Não é por acaso que os nossos teólogos entendem a Igreja como sendo a Igreja militante e a Igreja triunfante. Militante porque está em luta, está em combate, está em conflito, contra as hostes do mal, contra o pecado, e contra o mundo.
Entendendo o contexto de Efésios 6 - O texto lido é o mais detalhado do Novo Testamento sobre a militância da Igreja, sobre o seu conflito com as hostes das trevas. Antes de analisar esse texto propriamente dito, para aprender dele o conceito do apóstolo Paulo quanto ao conflito cristão e à guerra em que estamos envolvidos, é importante entender a situação em que o apóstolo escreveu estas palavras. Seguindo regras simples de interpretação, observamos que quando vamos pregar sobre um texto, ou quando vamos estudar uma passagem, é sempre bom levar em conta o quadro maior. E aqui, no caso desse texto em particular, isso é extremamente importante. Essa passagem tem sido mal usada por pessoas que defendem as mais loucas idéias que você possa imaginar na área de conflito ou batalha espiritual. Contudo, quando nos colocamos dentro do contexto e da perspectiva da carta, temos uma visão privilegiada do ponto de vista do autor.
Não é mistério para ninguém que quando Paulo escreveu a carta aos Efésios estava preso em Roma, mas, mesmo assim, desejava confortar os que sabiam da sua prisão. Não sabemos exatamente todos os detalhes. A carta aos Efésios é uma das que mais se revestem de mistérios, especialmente no que respeita ao propósito de Paulo ao escrevê-la. Pessoalmente, cremos que ele a escreveu para explicar à Igreja de Éfeso, e talvez a outras Igrejas da região, o fato de que Deus havia permitido que ele, mesmo sendo o apóstolo designado para pregar aos gentios, tivesse sido lançado na prisão de Roma, ficando impedido, assim, de realizar o seu ministério. É isso que ele diz no capítulo 3, no verso 13: “Portanto, vos peço que não desfaleçais nas minhas tribulações por vós, pois nisso está a vossa glória” O propósito de Paulo era mostrar que aquilo que para os efésios, e possivelmente para as Igrejas daquela região, era motivo de dúvida, questionamento ou perturbação, na realidade representava a glória deles. E ele faz isso expondo a doutrina da Igreja, mostrando o propósito de Deus para a Igreja.
No capítulo primeiro, mostra como Deus, em Cristo, reuniu todas as coisas, apresentando a Igreja como representação disso; ele mostra como, em Cristo Jesus, a Igreja foi abençoada com toda a sorte de bênção espiritual e foi selada pelo Espírito Santo (vs. 3). No segundo capítulo, ele mostra que Deus fez isso em termos práticos, chamando-nos pela graça quando estávamos mortos em ofensas e pecados. Depois, ainda no segundo capítulo, ele mostra a união de judeus e gentios formando um único povo, a Igreja, desfazendo a diferença ou barreira entre judeus e gentios. Deus não tem dois povos. Deus tem um único povo: a Igreja, que é composta de judeus e gentios convertidos. No terceiro capítulo, Paulo fala da sua função, como apóstolo, no propósito eterno de Deus de revelar o mistério de Cristo que outrora havia estado oculto, mas que tinha sido revelado através dos apóstolos e da pregação da Palavra, na vinda do Senhor Jesus. Paulo mostra que estava sofrendo exatamente por causa disso, e que o sofrimento dele fazia parte desse eterno propósito de Deus; e nisso estava a glória dos efésios e de tantos quantos lessem a carta que, possivelmente, era uma carta circular. E, a partir daí, ele fala, no quarto capítulo, sobre a unidade da fé através do ministério dos apóstolos, dos profetas, dos evangelistas e dos pastores e mestres. Ainda no quarto capítulo, ele começa a traçar as implicações práticas de tudo que ele havia feito, mostrando, a partir da metade do capítulo, como os efésios deveriam andar, à luz desse contexto. Então ele trata da santificação, uma vida pura diante de Deus. No quinto capítulo, trabalhando na mesma direção, Paulo trata da vida conjugal. No sexto capítulo, ele fala sobre a criação de filhos, sobre a vida na sociedade, e, por fim, conclui exortando a Igreja a se preparar contra as astutas ciladas do inimigo. Os efésios ouviram tantas coisas maravilhosas a respeito do que eles eram em Cristo Jesus, do que Deus providenciou para eles, do plano eterno; e certamente devem ter ficado tão cheios de alegria e de gozo que Paulo sentiu a necessidade de dizer: “irmãos, nós ainda não chegamos lá, vocês vão encontrar oposição no mundo para viver como Igreja de Deus, para experimentar em termos práticos, definidos, completos tudo isso que Deus tem para vocês”. Ele disse então: “irmãos, vocês vão encontrar oposição, não de homens de carne e sangue como nós, mas dos principados e potestades que estão nos lugares celestiais que querem nos destruir. Portanto, vocês têm que tomar toda a armadura de Deus para poder resistir às tentativas dessas forças que hão de tentar impedi-los na carreira cristã”. Então, quando olhamos para o capítulo 6 de Efésios, particularmente os versos 10 a 20, com a perspectiva da carta como um todo, à luz da eclesiologia de Paulo nessa Carta, algumas lições se tornam evidentes para nós no que respeita à questão da batalha espiritual. Em primeiro lugar, devemos ver que o propósito de Paulo no capítulo seis é ensinar a Igreja a resistir. Esse é o seu ponto principal. Não é difícil provar isso. Se vocês derem uma olhadinha no texto que lemos, a ordem principal é: “ficai firmes”. O imperativo aparece três vezes, no versos 1, 13 e 14 “Ficai firmes” é a exortação de Paulo.
Combate ou resistência? - Essa passagem tem sido descrita por alguns como sendo uma convocação ao combate. Contudo, ela seria melhor descrita como uma exortação a que a Igreja resista. Outra coisa que a gente observa é que o soldado cristão, aqui descrito, está numa posição de defesa. O soldado que é descrito aqui, a partir inclusive da descrição das armas que lhe são dadas, não está partindo para o combate, para conquistar novos campos ou para assaltar o inimigo, ou para derrubar uma trincheira. Na realidade, ele já conquistou, já venceu, já colocou o pé em território inimigo. O que ele tem que fazer é resistir firme, esse é o peso da passagem que se coaduna com tudo que nós vimos até agora. A Igreja, na Carta aos Efésios, já é vitoriosa, já está assentada com Cristo nos lugares celestiais, como Igreja invencível e imbatível. Cristo já venceu todas as batalhas por ela. Paulo começa a tratar dessa batalha (Ef 6:10) dizendo: “Sede fortalecidos no Senhor e na força do Seu poder”. Essa expressão aparece no capítulo primeiro, quando Paulo ora, no verso 18, para que fossem iluminados os olhos do entendimento daquela Igreja e o coração para que soubessem qual era a esperança da vocação deles, qual era a riqueza da glória da herança dos santos e qual era a suprema grandeza do seu poder para com os que crêem, segundo a eficácia da força do Seu poder.
Assim, Paulo exorta a Igreja a que se apodere da vitória de Cristo, daquele poder que ressuscitou Cristo dentre os mortos e O colocou à direita de Deus nos lugares celestiais. Portanto, o guerreiro que está descrito aqui já é vencedor, já conquistou, já colocou o pé no solo inimigo. O que Paulo manda é que esse guerreiro resista às tentativas do inimigo de recuperar aquilo que ele já perdeu e que foi tomado pelo nosso Capitão, o Senhor Jesus. Estamos destacando esse ponto porque uma das ênfases do movimento de “Batalha Espiritual”, que vamos considerar mais detalhadamente, é que a Igreja deve entrar em conflito direto com os principados e potestades. Eles mudaram as coisas. Para eles, não somos nós que somos caçados pelo Diabo; antes, nós é que temos que sair caçando o Diabo. Mas vejam que o que Paulo está dizendo nesse texto não é isso. Ele está dizendo é que nós já somos vencedores. Mas ainda assim, o movimento de “Batalha Espiritual” insiste em que os crentes saiam caçando o Diabo para tomar o território dele, para derrubá-lo, para conquistá-lo e implantar a doutrina de Cristo nesses locais todos. Como se tudo já não fosse de nosso Senhor e como se o Diabo já não fosse um inimigo derrotado. Voltaremos a esse ponto porque ele requer mais detalhes. Mas esse é o ponto principal que gostaríamos de enfatizar e que fica claro quando se vê essa passagem à luz do seu contexto. Paulo não está mandando a Igreja partir para tomar qualquer ofensiva contra demônios. Pelo contrário, a Igreja, segundo ele, já é vencedora. Sua recomendação, portanto, é para que ela resista aos ataques que lhe são feitos. Esse é um ponto de grande importância que devemos guardar em mente.
Origens do movimento - Agora, a grande pergunta, naturalmente, é: Como podemos resistir? Vamos considerar, em primeiro lugar, a resposta do movimento de “Batalha Espiritual”, como é conhecido em nossos dias. Vamos dizer, brevemente, o que eles pensam sobre o assunto, depois ofereceremos uma análise de tudo e, finalmente, apresentaremos uma alternativa bíblica quanto ao tema. Vamos começar, então, entendendo o que é esse movimento de “Batalha Espiritual” e a que ele se propõe. Em nossas pesquisas, não encontramos, com muita segurança, a origem do movimento, a não ser uma informação de um dos seus defensores que diz que o movimento teve as suas origens em um missionário americano chamado J.O. Fraser, na década de 30. Fraser foi missionário na China, pela “Missão para o Interior da China”, fundada por Hudson Taylor. Seu trabalho se restringia a uma tribo no interior da China envolvida com ocultismo, práticas de feitiçaria, e magia negra. Fraser, no início do seu ministério, fracassou redondamente. Ele não conseguia libertar aqueles chineses incultos e bárbaros das suas superstições mágicas e das suas tradições de feitiçaria e ocultismo. Notava que os seus convertidos não conseguiam realmente se libertar da influência dos espíritos dos demônios. Então ele começou a tentar na forma empírica, isto é, na base da tentativa de erro e acerto, achar uma maneira de combater esses demônios. Ele entendia que a sua luta não era mais com os convertidos; então, queria ir direto à causa. Assim, achou que seu negócio era com os demônios, e começou a desenvolver uma técnica, uma estratégia para anular, para eliminar, ou para impedir a atuação dos demônios nos convertidos; impedir a ação dos demônios que emperravam o trabalho da Igreja. Depois de várias tentativas, Fraser deixou de lado as Escrituras e desenvolveu um método na base do pragmatismo, ou seja: se funciona, está certo. Foi assim que ele entendeu ter encontrado o caminho do sucesso, em termos de invadir os territórios dos demônios e amarrá-los.
Fraser era um missionário, uma pessoa desconhecida, portanto as técnicas e o trabalho dele ficaram desapercebidos até que a irmã dele publicou, trouxe à luz, as cartas que ele havia escrito, e as anotações dele sobre o assunto. A partir daí, a coisa passou para o domínio público. Isso teria acontecido no começo da década de 30.
Divulgadores atuais - Um nome bem mais conhecido, Frank Perreti, popularizou essas idéias no mundo todo. Peretti, com dois romances intitulados: “Este Mundo Tenebroso”, descreve a luta espiritual de uma pequena comunidade de uma cidade dos Estados Unidos para impedir que os espíritos malignos daquela região se apoderassem da cidade. Ele narra, então, de forma muito bem escrita, uma estória que se passa em um local fictício e com personagens fictícios. Esse livro foi um best seller nos Estados Unidos e já foi traduzido para quase todas as línguas ocidentais. Peter Wagner, o maior nome do movimento de “Batalha Espiritual”, agradece publicamente a Peretti dizendo que nós devemos mais a Peretti do que a qualquer outro autor a difusão da idéia do movimento de “Batalha Espiritual” no mundo todo.
Peter Wagner foi professor e missionário na América Latina durante alguns anos. Então, ele voltou aos Estados Unidos para ensinar no Centro de Missões no Seminário Fuller e voltou com convicções pentecostais. A princípio ele era bastante conservador e contra todas as manifestações pentecostais e carismáticas. Mas ele viu alguma coisa na América Latina que virou a cabeça dele. Assim, ao voltar para o Fuller, estava absolutamente comprometido com essas manifestações. Depois de algum tempo, tomou o lugar de Donald McGavran, que é o fundador do movimento de “Crescimento de Igreja”. Peter Wagner tomou o lugar de McGavran, que era mais moderado, e difundiu não somente a idéia do movimento de “Crescimento de Igreja”, mas associou a idéia de fazer a Igreja crescer com sinais e prodígios. Ou seja, ele acha que no mundo de hoje não tem jeito de fazer a Igreja crescer se não houver sinais e prodígios. Nós vivemos numa época pós-moderna onde ninguém valoriza o conceito de certo ou errado. O que vale hoje é a experiência, o que você sente; e, portanto, a única coisa que a Igreja tem para oferecer como principal chamariz, diz Wagner, é exatamente a produção de sinais e prodígios.
Riso, urro e vômito “santos” - O Seminário de Fuller comprou a idéia e abriu um curso chamado: “Crescimento de Igreja, Sinais e Prodígios” onde quem dava aula eram Peter Wagner e John Wimber, o fundador do movimento “A Videira”, uma das denominações carismáticas que mais cresce nos Estados Unidos hoje e de onde saiu a Igreja da “Bênção de Toronto”. Já ouviu falar da “bênção de Toronto”? A “bênção de Toronto” é a “gargalhada santa”, o “riso santo”. Quando a Igreja de Toronto começou com a “gargalhada santa”, John Wimber foi lá, não sabemos se Peter Wagner foi também, mas eles trabalhavam juntos. John Wimber foi lá e disse: “Isso é uma obra do Espírito Santo”. Ele deu todo apoio à “bênção de Toronto”. No Natal do ano passado, acrescentou-se alguma coisa ao “riso santo” - o “urro santo”. Aqueles irmãos começaram não somente a rir, mas a berrar, a urrar, a grunhir e a latir. A justificativa dada, no caso dos que urravam como leão, é que o berro é o urro de indignação de Deus contra o pecado da Igreja, porque no livro de Amós, Deus se apresenta como um leão e, portanto, quando o Espírito vem sobre alguém ele urra em indignação contra o pecado da Igreja. Tudo bem! Mas e o cachorro? A coisa ficou tão feia que John Wimber voltou lá, disse que o movimento não era mais do Espírito Santo e cortou a Igreja de Toronto da comunhão. Ele fez isso no Natal do ano passado. O último desdobramento do movimento é o “vômito santo”: quando a pessoa está vomitando no Espírito quer dizer que ela está expelindo, na linguagem deles, todos aqueles espíritos malignos, todos aqueles pecados e coisas que estavam neles.
Queremos fazer apenas um parêntese para dizer o seguinte: Se não houver o freio da Escritura, se não houver limite, ninguém sabe onde isso vai parar. Até o próprio John Wimber disse: “Tem hora que tenho que dizer basta”. Tem muita gente entusiasmada com esse tipo de movimento, mas nós já podemos ver o fim deles, o que vai acontecer. Porque o movimento que não se baseia exclusivamente na Palavra de Deus, que não parte da suficiência da Escritura, e não se submete ao crivo da Bíblia, não tem cerca.
O movimento no Brasil - O que está acontecendo em Toronto e em outros lugares nos Estados Unidos, infelizmente, é o que irá acontecer, segundo cremos, no Brasil. Com o rumo que o movimento de “Batalha Espiritual” está tomando hoje, no mundo todo, precisamos ficar apostos quanto à nossa Igreja.
Peter Wagner que defendeu o crescimento de Igreja com sinais e prodígios, abraçou logo em seguida a idéia de batalha espiritual como sendo necessária para fazer sua Igreja crescer. Não estamos dizendo que todo mundo que defende o movimento de crescimento de Igreja também é do movimento de “Batalha Espiritual”. Mas é preciso ficar claro que existe essa relação entre as duas coisas e você tem que ficar de olho aberto para entender bem o que está acontecendo no movimento de crescimento de Igreja, junto com batalha espiritual. Não estamos dizendo que são todos, mas na pessoa de Wagner e de muitos outros você vai encontrar esta fusão. Assim, Wagner pode ser visto como o teólogo do movimento. No Brasil, ele ganhou muitos adeptos; o mais conhecido é a Drª. Neusa Itioka, que é membro da equipe da SEPAL e que se tornou conhecida pela publicação do seu livro: “Deuses da Umbanda”, que na realidade foi sua tese de doutorado em Missiologia no Seminário de Fuller. No livro “Deuses da Umbanda”, Neusa Itioka coloca nomes nos demônios que controlam o Brasil, e a grande crítica que se faz contra ela é quanto à fonte de informação que usou para descobrir os nomes dos demônios, porque a Bíblia não dá nome a nenhum demônio. À exceção daquela legião, que simplesmente quer dizer “muitos”, e de Satanás, a Bíblia não dá nome a demônio nenhum. Como, então, Neusa Itioka sabe os nomes dos demônios que estão no Brasil? A resposta dela é que soube disso através de informação de pessoas endemoninhadas em tratamento no seu gabinete. Mas, desde quando o testemunho de pessoa endemoninhada ou o testemunho de demônios pode servir de base para formulação doutrinária? Outra pessoa também que tem difundido muito essa idéia, embora menos teologicamente, é a conhecida Valnice Milhomens, através dos seus escritos e especialmente através dos seus simpósios e programas de televisão. Além disso, centenas de simpósios sobre batalha espiritual, conferências sobre o assunto e uma grande quantidade de literatura, a maior parte traduzida do inglês para o português, têm divulgado o movimento no Brasil
Em primeiro lugar, gostaríamos de dizer, antes de fazer uma análise seguida de uma crítica do pensamento deles, que não estamos negando nem a sinceridade, nem a honestidade, nem o desejo de servir a Deus e nem mesmo a conversão de quem quer que seja. Estamos tratando as coisas no campo das idéias. Não estamos dizendo que porque alguém abraçou o movimento de “Batalha Espiritual” não é crente. Não estamos dizendo que Neusa Itioka não é crente, que Valnice e Peter Wagner não são crentes. Ao tratar desse assunto, que Deus nos dê humildade e também dor no coração para com a situação.
Demônios especialistas - Fica difícil dizer o que eles crêem por causa das divergências existentes entre si. Mas há uma base na qual todos eles se firmam. Em um livro que está para ser publicado pela Cultura Cristã, o autor faz uma distinção que nos ajuda muito. Ele colocou o dedo no ponto crucial da “Batalha Espiritual”: O conceito de que todo mal que existe no mundo, qualquer que seja sua natureza, quer seja mal moral, pecado, desastre, etc. é causado pela ação direta de um ou mais demônios que são especialistas em causar aquilo. Portanto, a única solução apresentada por eles é um ministério ekbalístico. (que quer dizer “lançar fora”, “expelir”). Para o pessoal do movimento de “Batalha Espiritual”, o único modo possível de ministério é o ministério ekbalístico, já que tudo que aflige o indivíduo, a Igreja, e a sociedade é produzido pela interferência, pela atuação e pela influência de demônios. Assim, a solução só pode ser uma: amarrá-los, controlá-los, proibi-los, repreendê-los, etc. Então, se você compreende isso, você já conhece a porta de entrada para o movimento de "Batalha Espiritual".
Com essa base, será possível entender tudo o que eles fazem. O ministério ekbalístico refere-se, então, àquele tipo de ministério crido e exercido por muitos pastores no Brasil: a expulsão de demônios. Isso é visto por eles como a arma principal da Igreja, talvez a única arma para resolver todos os problemas da Igreja e da sociedade. Vamos supor: alguém está sofrendo de pensamentos sensuais, é crente, não consegue se livrar de pensamentos lascivos, devaneios eróticos, imagens contra as quais venha lutando, etc. Se essa suposta pessoa for a um conselheiro ekbalístico ele vai dizer o seguinte: “Isso está acontecendo porque tem um demônio entrincheirado na sua vida e que está produzindo esse tipo de coisa e você não vai resolver o problema enquanto você não expelir esse demônio da sua vida”. Então, possivelmente, o que vai acontecer é que vai haver uma sessão de exorcismo onde o conselheiro vai repreender o demônio e mandar que saia e o cidadão vai embora sentindo-se bastante aliviado. Possivelmente os pensamentos vão voltar, a pessoa vai regressar e repetir o mesmo processo por umas duas ou três vezes. Finalmente, o conselheiro ekbalístico vai dizer: “Você tem que aprender você mesmo a expulsar o demônio”. Eles ensinam, então, uma técnica para localizar o demônio fisicamente na parte do corpo em que ele se encontra, colocar a mão ali e ordenar que o demônio saia em nome de Jesus. Assim a pessoa passa a se automedicar, expelindo os demônios todas as vezes que eles voltam. Essa é a abordagem deles. Contudo, se o mesmo suposto personagem for a um conselheiro bíblico, a interpretação será outra. O conselheiro dirá: “Meu filho, comece a queimar as revistas ‘Playboy’ do seu quarto, depois pára de ver esses filmes com figuras e pensamentos eróticos, pára de andar com certas companhias que provocam a sua sensualidade, começa a lutar sério com isso, aprenda a orar, pedir a Deus que lhe guarde, tenha uma vida reta... aprenda que o caminho para se libertar disso é chamado pela Bíblia de ´santificação`, um processo árduo que exige a mortificação da natureza humana” O fato de “amarrar” um ou mais demônios não vai resolver isso. Como se vê, o ponto principal do movimento de “Batalha Espiritual” é o conceito de que todos os problemas do indivíduo, da Igreja, e da sociedade são causados por demônios que estão instalados em posições estratégicas e geográficas cabendo à Igreja a responsabilidade, segundo o movimento, de ir a esses demônios e anular a atuação deles. Essa é a base do pensamento, é a porta de entrada para a teologia de batalha espiritual deles.
Espíritos territoriais - Como já mencionamos, temos que compreender esse conceito de espíritos territoriais. Há um livro que foi editado por Peter Wagner, recentemente publicado, onde ele fala sobre esses espíritos. Para eles, os espíritos ocupam determinados territórios geográficos, regiões que podem abranger países, estados, cidades, bairros, e até casas e ruas. A idéia é que para cada região geográfica existem um, dois ou três demônios responsáveis pelo pessoal que mora ali. O trabalho deles é cegar as pessoas, levá-las à perdição e impedir que a Igreja penetre ali. Esse seria o trabalho dos espíritos territoriais. O alvo deles é cegar as pessoas daquelas regiões, pelas quais eles são responsáveis, através do ocultismo, Nova Era, astrologia, satanismo, uso de pirâmides, cristais, bruxaria, macumba, etc. O segundo objetivo desses demônios seria oferecer total resistência aos esforços da Igreja para entrar naquela área, impedir a abertura da área para a entrada da Igreja. Para isso eles cegam e oprimem os crentes. No caso mais extremo, alguns defensores de “Batalha Espiritual” crêem na possessão demoníaca dos crentes. O crente poderia ficar possesso, segundo eles. Neusa Itioka, partindo de um estudo de Gilberto Piker, procura fazer distinção entre possessão e demonização. Ela não aceita que o crente possa ser possuído, mas acredita que pode ficar demonizado. Neusa está trabalhando em cima de uma distinção que foi feita por Gilberto Piker, no seu livro sobre guerra espiritual. Parece-nos bastante infeliz essa idéia e sem qualquer apoio na língua grega. Ele acha que temos traduzido daimonitzo, que é o verbo para indicar possessão, de uma forma errada. Segundo ele, a tradução correta seria “ficar demonizado”. Assim, Piker entende que possessão significa estar totalmente sob o controle do Diabo e demonização significa que um demônio entrou na vida de alguém e ocupa uma área. Então, enquanto alguns diriam que o crente pode ficar totalmente possesso, como Neuza Itioka, Gilberto Piker, fala em demonização de áreas da vida em que o demônio pode chegar e se entrincheirar e de onde só sairá através do ministério ekbalístico. Os demônios fariam isso na Igreja para impedir o seu avanço, atacando pregadores, promovendo pecados de divisão e semeando confusão.
Outro ponto interessante é que, segundo eles, o quartel general dos demônios, o território que eles chamam de “trono de Satanás” está localizado em um ponto geográfico. Quando Peter Wagner esteve aqui no Brasil, convidado pela Comissão Nacional de Evangelização da Igreja Presbiteriana naquela época, ele defendeu abertamente em Campinas a idéia de que estas regiões têm um local geográfico, que é conhecido como “trono de Satanás”, onde o líder dos demônios daquela região tem o seu quartel general e de onde controla os seus subordinados que cegam as pessoas e oferecem resistência à Igreja. Por conseguinte, a Igreja não pode progredir, crescer e evangelizar enquanto não neutralizar estas forças espirituais cósmicas. Seria inútil a Igreja começar uma campanha de evangelização numa nova área sem primeiro neutralizar esses espíritos territoriais que estariam ali entrincheirados. Primeiro temos que amarrar o valente e depois é que podemos saquear a casa. Essa é a estratégia missionária do movimento de “Batalha Espiritual” associada com o crescimento da Igreja. Primeiro tem que neutralizar os demônios, neutralizar suas fortalezas, tirar-lhes o domínio daquela região, e só assim a Igreja vai poder entrar, evangelizar e conquistar as pessoas para Cristo. A Igreja não deve ficar na defensiva. A reflexão inicial que fizemos sobre Efésios 6, mostrando que a Igreja já é vitoriosa e está na defensiva, essa nossa posição é totalmente inaceitável para eles. Segundo o movimento, temos que sair caçando Satanás, derrubando esses territórios, neutralizando a ação dos demônios e travando uma batalha cósmica nas regiões celestes.
Técnicas contra os espíritos - Segundo Wagner, nem todo mundo pode ser um guerreiro de oração, se não estiver preparado. Satanás vai devorá-lo no café da manhã. Como ninguém quer ser devorado por Satanás no café da manhã, os crentes vão em massa para o simpósio de “Batalha Espiritual” aprender com os “peritos” as estratégias e as táticas para enfrentar o inimigo e conquistar seus territórios. Esses “peritos” ensinam aos crentes os segredos de como atacar, nas regiões celestiais, essas forças espirituais. J.O. Fraser, na década de 30, não tinha idéia do que o seu pensamento iria produzir no século XX.
O que a Igreja deve fazer, segundo o movimento? Em primeiro lugar, fala-se muito em mapeamento espiritual. A idéia é que assim como se pode ir para uma cidade e mapear as suas diversas localidades e os seus acidentes geográficos, pode-se, também, fazer um mapa das regiões celestiais. Chamam isso de “mapeamento espiritual”. Dizem que há uma superposição do que está acontecendo nas regiões celestes com o que está acontecendo na terra. O mapeamento espiritual consistiria em descobrir basicamente duas coisas: a) onde estão localizados os demônios que controlam uma determinada região; b) quais os nomes deles. A idéia é que o conhecimento do nome do demônio dá poder sobre ele. Por isso dão tanta ênfase à necessidade de conhecer o nome dos demônios. Essa idéia veio, possivelmente, do gnosticismo antigo que o Dr. Horton chamou de “tecnologia espiritual”. Os gnósticos acreditavam que quando você tinha determinado conhecimento, você tinha controle de Deus e podia ter acesso a ele quando quisesse. Isso, portanto, é um reavivamento de certos aspectos do gnosticismo antigo, quando se conhece o nome de um demônio tem-se autoridade sobre ele.
Quanto à questão do trono de Satanás, Wagner ensinou um método para localizá-lo e derrubá-lo. Primeiro, toma-se o mapa da região, divide-o em quadros e anda-se por eles orando em cada um deles. Na área em que a maior opressão se manifestar, onde se torna quase impossível orar, é que está a maior concentração de demônios e ali, possivelmente, estará o trono de Satanás. O que deve ser feito é a promoção de uma corrente de oração trazendo guerreiros de oração para que derrubem o trono de Satanás. Uma vez feito isso, a região estará livre e poderá ser evangelizada com sucesso. No livro “Espíritos Territoriais” há uma ilustração interessante: Havia um cidadão na fronteira do Brasil com o Uruguai. No Uruguai, ele recebeu um folheto, mas ao lê-lo, nada aconteceu. Quando o cidadão cruzou a fronteira e entrou no Brasil, ele se converteu. Explicação dada: “Os demônios do lado do Uruguai não estavam amarrados, ao passo que, no lado brasileiro, eles estavam amarrados”. Segundo eles, ninguém se converte enquanto essas entidades não forem anuladas. Essa é a implicação do conceito do movimento de que todo mal existente no mundo é causado pela ação direta de um demônio. Portanto, a solução sempre seria a de atacar os demônios com um ministério ekbalístico. Então, esses simpósios ensinam fazer mapas espirituais; localizar e derrubar o trono de Satanás; orar intercessoriamente, em voz alta, determinando a queda das fortalezas; amarrar demônios pela palavra, especialmente os demônios ligados a certas atividades como embriaguez, vícios em geral, uso de drogas, etc.; dar ordens diretas aos demônios, repreendê-los e mandá-los para o abismo.
Quebrando maldições - Um desenvolvimento recente encontra-se na questão da maldição hereditária. Essa ênfase tem sido dada por Valnice Milhomens, Neusa Itioka, Jorge Linhares e Robson Rodovalho; este, da Comunidade de Goiânia. Eles entendem que os demônios passam a ter autoridade na vida de uma pessoa quando alguém lança uma praga. Por exemplo, quando um pai diz a um filho: “menino, que o Diabo te carregue!”. Por causa disso, o demônio vai controlar a vida desse menino e mesmo que ele se converta, se não se quebrar essa maldição, ele não conseguirá ser feliz porque ela o acompanhará pelo resto da vida. Assim, palavras descaridosas dos pais, xingamento, coisas más que são ditas, dariam autoridade aos demônios sobre as pessoas. Jorge Linhares conta que comprou um carro novo e, viajando, atropelou um coelho; na semana seguinte, atropelou um cachorro; na terceira semana, um passarinho bateu no parabrisa e morreu. Então ele orou: “Senhor, eu quero saber o que está acontecendo, tem alguma coisa errada com esse carro”. Ele diz em seu livro que o Espírito Santo revelou-lhe que aquele carro estava amaldiçoado e que ele devia quebrar todas as maldições; então ele foi e anulou todas as maldições que havia naquele carro. Qual é a conclusão lógica? Quando chegou em casa ele saiu de quarto em quarto anulando a maldição do refrigerador, da televisão, da mesa, etc. Isso porque ele cria que o Espírito tinha lhe revelado que o carro estava amaldiçoado porque foi produzido numa fábrica de ímpios. Há pessoas que crêem seriamente nisso e estão fazendo isso mesmo.
Robson Rodovalho ensina que para anular maldições hereditárias deve-se traçar uma árvore genealógica com todos os ascendentes e investigar a vida de todos os antepassados para saber se eles fizeram algum pacto com o Diabo, se há algum pecado que se repete na família o tempo todo, como separação, ou outra característica da família; e então, ensina o que fazer para quebrar essas maldições.
Pontos positivos - Gostaríamos de fazer uma breve avaliação do ensino do movimento de “Batalha Espiritual” e oferecer uma alternativa bíblica para a questão. Tentaremos cobrir os pontos básicos: Primeiramente, vamos fazer uma avaliação positiva do movimento. Há pelo menos três coisas boas em tudo isso:
a) a conscientização que esse movimento vem trazer à Igreja da realidade do poder e da atuação das hostes espirituais da maldade. A tendência e a tentação das igrejas reformadas calvinistas têm sido a de esquecer-se de que a luta não é contra carne e sangue, mas contra principados e potestades. Às vezes, a ênfase na igreja reformada calvinista é muito forte na questão do conhecimento, do treinamento doutrinário, e da precisão teológica na mente. Por vezes pensamos que qualquer coisa no reino de Deus sempre se processa no campo das idéias. Sem, naturalmente, querer desmerecer esta verdade, precisamos destacar que o verdadeiro calvinismo ensina a importância de uma mente preparada, sem se esquecer do valor de um coração aquecido, um coração em chamas pelo Evangelho, por amor a Deus, amor à Igreja, amor à glória de Cristo, que deseja ver essa glória espalhada pelo mundo. Não podemos dissociar essas duas coisas. Se ficarmos só na questão intelectual seremos reformados frios; e o que tem acontecido é que esta frieza tem entrado nas igrejas. Em outros países, onde estudamos, professores de seminários não acreditam em possessão demoníaca. Eles não têm nenhuma preocupação com o que a Escritura diz com respeito às astutas ciladas do Diabo. O fato de que Satanás anda ao nosso redor como leão que ruge, procurando a quem possa devorar, não desperta neles a menor preocupação. Tudo isso é considerado como sendo coisa do período apostólico e que cessou. Há, portanto, esse perigo e certamente esse movimento vem nos conscientizar dele.
Quando Paulo escreveu a carta aos Efésios, ele estava preso e, portanto, impedido de prosseguir na evangelização. Entretanto, Paulo não via a coisa apenas do ponto de vista meramente humano. Ele estava preso porque o imperador o havia abrigado como preso político e porque os judeus o entregaram ao imperador. Mas Paulo, ao analisar a situação, vê além disso. Ele sabia que por detrás do imperador e dos judeus que o colocaram ali, estavam forças espirituais da maldade nos lugares celestiais. Às vezes a Igreja esquece esse aspecto. É claro que o extremo oposto é de gente que vê o Diabo em tudo, em qualquer coisa, mas o outro extremo é esquecer da existência da atuação, da realidade dessas forças malignas ao nosso redor. Cremos que esse movimento, mesmo sendo definitivamente estranho aos ensinos bíblicos, pode nos ajudar a corrigir a nossa tendência de ir aos extremos.
b) O segundo ponto positivo é o zelo evangelístico. Como vimos, esse movimento nasceu no campo missionário, numa tentativa de ganhar pessoas para Cristo, libertá-las e levar o Evangelho a elas. É verdade que hoje o moderno movimento de crescimento de Igreja já perdeu muito desse zelo missionário de ir a outros povos e praticamente se tornou uma metodologia urbana de igrejas grandes; mas as raízes do movimento são missionárias e esse pessoal, muitos deles, têm um zelo muito grande no trabalho de ganhar as pessoas para Cristo e levá-las ao conhecimento de Deus. Isso vem fustigar, às vezes, a mornidão e indiferença das igrejas reformadas; a acomodação que vem às igrejas calvinistas que não têm visão missionária. Esse pessoal tem essa preocupação, alguns com motivos errados, mas pelo menos a preocupação existe.
c) Uma terceira coisa é a ênfase que eles dão à oração. Eles estão orando pela coisa errada, mas pelo menos acreditam que pela oração podem fazer alguma coisa. Sabemos que é Deus quem faz todas as coisas, mas também sabemos que Deus manda, em Sua Palavra, que oremos e que a Igreja ore e que interceda. Paulo mostra isso no final do capítulo seis de sua carta aos Efésios, ao pedir que a Igreja estivesse orando em todo o tempo no Espírito por todos os santos e também por ele para que lhe fosse dada a Palavra. Assim, embora o movimento de “Batalha Espiritual” tenha a ênfase errada, a vida de oração que ensina serve de chicote de Deus para nós.
Talvez um lugar onde seja mais fácil negligenciar uma vida de oração seja no seminário. Quando o seminarista chega ao seminário, calouro, feliz, ele ajoelha toda noite e sabe de cor o nome de todos os membros da sua Igreja, dos seus amigos e a favor de cada um ora de joelhos durante o seu primeiro ano. No segundo, ele já não conhece os nomes de cor e prepara, então, uma lista. Então, à noite, ele se ajoelha, pega a lista e diante de Deus lê o nome daquelas pessoas e pede que Deus as abençoe. No terceiro ano, ele já pregou a lista na parede. À noite, ele se ajoelha e diz: “Senhor, abençoa os nomes que estão nessa lista”. Esse movimento vem nos lembrar que sem oração, sem buscar a Deus, sem obedecer a ordem das Escrituras de que temos que orar Deus não nos abençoará.
Erros do movimento - Agora, ao mesmo tempo em que destacamos esses pontos positivos, temos também alguns questionamentos sinceros, algumas preocupações verdadeiras; mas, antes de apresentá-las, queremos dizer duas coisas: Primeiro, cremos na realidade e na atuação dos demônios conforme o ensino bíblico. Não entendemos que toda atividade demoníaca foi restrita ao período apostólico, não há base para dizer isso. Segundo, cremos no poder da oração e cremos que o crente fortalecido no Senhor, na força do seu poder, é capaz de enfrentar e vencer as tentações do Diabo.
Agora vamos ver algumas críticas. São seis ou sete observações. A ordem que vamos seguir não tem que ver com a ordem de importância, mas a primeira merece destaque:
1. Apesar do tom de autoridade desses “peritos”, o que eles falam, a grande maioria das estratégias propostas, não tem base bíblica. Suas técnicas parecem mais com um misticismo exagerado. Por exemplo, onde, na Bíblia, vamos encontrar uma orientação, uma ordem do Senhor Jesus, para que os apóstolos e a Igreja localizassem e derrubassem o trono de Satanás? Por que Jesus nunca ensinou isso aos apóstolos e os apóstolos nunca ensinaram isso às Igrejas? Onde vamos encontrar, no Novo Testamento, o Senhor Jesus ensinando aos apóstolos que eles deveriam amarrar Satanás por meio de palavras? E onde vamos encontrar os apóstolos ensinando as Igrejas que na batalha contra o Diabo elas poderiam amarrar Satanás com a autoridade que Jesus deu? Onde vamos encontrar que a Igreja deve se organizar para, através da oração, fazer guerra contra o trânsito, como o pessoal de “Batalha Espiritual” em Los Angeles amarrou os demônios no engarrafamento, durante as Olimpíadas? Amarraram os demônios da maldição do triângulo das Bermudas. Na revista Newsweek saiu a notícia de que não houve engarrafamento no trânsito em Los Angeles durante as Olimpíadas porque eles decretaram a prisão do demônio do engarrafamento. Onde está na Escritura que a Igreja deve se unir em oração para fazer isso? É claro que não tinha engarrafamento na época de Paulo.
Segundo o pensamento de alguns deles, os demônios não só atuam em pessoas mas, também, em estruturas. Neusa Itioka afirma que o problema do funcionalismo público no Brasil é que existe um demônio do funcionalismo público. Ela afirma isso! No seu livro: “Você Está em Guerra”, publicado agora pela SEPAL, ela fala que o problema do funcionalismo público no Brasil é um demônio que está entrincheirado nas estruturas econômicas, e o problema do racismo no Brasil é que quando foi assinada a Lei Áurea, resolveu-se o problema externo, mas ninguém passou uma canetada amarrando o demônio do escravagismo; por isso a raça negra continua sendo desprezada, ridicularizada e menosprezada. Certamente não vamos encontrar esse ensino na Escritura. Por que o apóstolo Paulo não promoveu uma campanha entre as suas Igrejas para amarrar o imperador ou destronar o poder do Império Romano que estava matando cristãos? Por que Paulo não fez uma campanha para acabar com a escravidão, amarrar o demônio da escravidão que havia no Império Romano? Por que Paulo não fez nada disso? Onde encontramos na Escritura que para o homem ser feliz ele tem que quebrar as maldições hereditárias?
A interpretação que o movimento de “Batalha Espiritual” tem dado à passagem de Êxodo 20 consiste num crasso erro de hermenêutica. Nunca se deve pegar um texto isoladamente, para elaborar uma doutrina. Êxodo 20 tem que ser interpretado à luz de Ezequiel 18, onde o profeta repreende a nação porque o povo estava dizendo: “os pais comeram uvas verdes e os dentes dos filhos é que embotaram”. O profeta disse: “de forma nenhuma. A alma que pecar essa morrerá”. Se um homem justo gerar um ladrão, as bênçãos do justo, os méritos do justo não vão passar para o filho ladrão; ele vai morrer debaixo da ira de Deus; e se o filho ladrão gerar um filho justo nada do que o pai fez de errado vai cair sobre esse filho justo. Assim, devemos interpretar Êxodo 20 à luz dos profetas, do Novo Testamento, onde está escrito que em Cristo Jesus todas as nossas cadeias, toda a nossa dívida foi desfeita. Essa é a nossa primeira preocupação, a falta de base bíblica para essas ousadas afirmações.
Outra coisa: Por que Paulo sofreu durante catorze anos com um espinho que ele expressamente diz que era um mensageiro de Satanás? Não sabemos a natureza do mensageiro, mas sabemos sua procedência, era de Satanás. Por que durante catorze anos Paulo sofreu com aquele enviado de Satanás? O que ele fez foi pedir a Deus, três vezes, humildemente, que tirasse aquele espinho. E nem assim ele foi atendido. Como se explica isso? Como se explica que Paulo, querendo voltar a Tessalônica, tenha sido barrado por Satanás (I Ts 2:18; 3:1)? Qual foi a estratégia de Paulo? Aqui está um caso típico de guerra espiritual, ele queria voltar a Tessalônica, onde tinha deixado uma Igreja de novos convertidos, mas não pôde porque Satanás lhe barrou o caminho. Não sabemos a natureza da barreira. A palavra “barrar” significa: “cavar uma trincheira”, vem da linguagem militar, cavar uma trincheira para que o inimigo não passe. Está claramente caracterizado um caso em que o missionário quer entrar no campo mas o Diabo coloca obstáculo. O que fez o apóstolo Paulo? Ele não amarrou, não determinou queda, não repreendeu, não mandou de volta para o abismo. Não podendo ir pessoalmente a Tessalônica, ele simplesmente enviou Timóteo. Mais duas coisas: Ele orou, escreveu uma carta e mandou Timóteo driblar a barreira e ir em seu lugar. Segundo os padrões de “Batalha Espiritual” moderno, Paulo era um verdadeiro crente frio.
De onde vêm essas técnicas, de onde elas se desenvolveram? Há duas fontes: primeiro, do pragmatismo; - “se funciona, então está certo”. Neusa Itioka, nesse livro que saiu agora, diz que os demônios ganham autoridade para sentar no pescoço de alguns crentes. Ai você pergunta: “Neusa, de onde você tirou essa idéia?” Certamente a resposta não será: “das Escrituras”, pois isso não está na Bíblia. A resposta dela será: “eu tenho observado no meu gabinete que muitos crentes que vêm se queixando de determinados pecados, também vêm sofrendo com dores no pescoço.” A conclusão dela é que o demônio monta no pescoço. É uma questão tragicômica. A base da maioria das práticas desenvolvidas por esse movimento vem dessa forma. Uma vez, um defensor do movimento, conhecido aqui no Brasil, foi fazer uma palestra numa igreja em Minas; quando acabou de falar, ele perguntou aos presentes: “Quem ficou com sono durante a palestra”? As pessoas levantaram a mão e ele chamou-as para a frente e disse: “Vou orar, agora, repreendendo o demônio do sono da vida de vocês”. Orou, expulsou o demônio do sono, e na saída o pessoal foi falar com ele. Disseram: “onde é que você tem base para dizer que se uma pessoa está cochilando durante a sua palestra, aquilo é um demônio que está causando sono”? Porque, na realidade, se olhar na Bíblia, o sono é uma bênção de Deus. Tem gente que daria qualquer coisa no mundo para passar uma noite de sono profundo. Em nenhum momento da Escritura isso está ligado a uma ação demoníaca, “como é que você sabe disso”? Ele respondeu: “Eu sei que não está na Escritura, mas Deus me revelou”. São essas as fontes básicas do movimento: Revelações especiais diretas de Deus e experiências práticas. Em outras palavras: Isso é uma mistura de pragmatismo e misticismo.
2. Outra coisa que tem nos preocupado é a influência doutrinária da “Confissão Positiva”, nas práticas do movimento. O movimento de “Confissão Positiva” começou com o pastor Essek William Kenyon, dos Estados Unidos. Ele pegou a idéia de filósofos sobre o poder da palavra; - “a palavra cria” - e trouxe isso para dentro da Igreja, criando a idéia de que pela palavra o crente consegue criar realidades ao seu redor. Um dos discípulos de Kenyon é Paul Young Cho, com aquele famoso livro, que fez muito mal ao Brasil, chamado “A Quarta Dimensão”, onde se lê que você visualiza, mentaliza e pela palavra você cria resposta à sua oração, exatamente do jeito que você queria. Outro discípulo é Benny Hinn, cuja literatura está espalhada pelo Brasil. Sua idéia é basicamente esta: Assim como Deus no começo criou todas as coisas pela palavra do seu poder, nós, porque somos deuses, podemos igualmente criar, podemos criar circunstâncias através da palavra.
Há pouco tempo recebemos um livro escrito por um pastor chamado Hank Hanegraaff, dos Estados Unidos, e ele mandou, acompanhando o livro, duas fitas onde colecionou as próprias palavras e expressões usadas por Benny Hinn e outros, tiradas da televisão e de revistas. Ele fez uma coletânea para que os evangélicos ouvissem, nas próprias palavras desse pessoal, o ensino deles. Benny Hinn diz: “Você não tem um deus dentro de você, você é deus”. O que está por detrás disso é a idéia de que podemos criar como Deus criou, porque nós também somos deuses. Um outro evangelista dessa linha diz o seguinte: “Não diga que você está doente, você simplesmente bata em seu corpo e diga: ´Ah! esse corpo saudável!` Porque na hora em que você disser: ´eu estou doente` você vai ficar doente, porque a palavra tem poder. Mas diga: ´eu estou curado`. Não diga também que você está pobre, bata no seu bolso e diga: ´Ah! carteirinha cheia de dinheiro`” Esse pensamento da palavra criadora está por detrás de muitas das estratégias do movimento de “Batalha Espiritual”. Ou seja, a voz de autoridade e comando dos crentes vai criar aquilo que eles estão dizendo e aquela vocalização vai derrubar fortalezas, vai amarrar o Diabo, vai repreender os demônios, e vai criar realidades favoráveis ao crescimento da Igreja. Então há a influência do movimento. Essa idéia de confissão positiva, não é só idéia da "Teologia da Prosperidade", mas também do movimento de “Batalha Espiritual”.
3. As ênfases do movimento comprometem o conceito da suficiência de Cristo no Evangelho. Todos precisam saber que essa teologia de “Batalha Espiritual” nasceu em solo arminiano; Peter Wagner é arminiano, Neusa Itioka é arminiana e Valnice é arminiana. Uma teologia dessa jamais poderia florescer em solo Reformado. Isso porque a Teologia Reformada coloca a sua ênfase na soberania de Deus, no senhorio de Jesus Cristo, e na suficiência de Cristo e sua Palavra. Assim, esse movimento acaba atacando a suficiência de Cristo. Não é suficiente o que o nosso Salvador fez por nós na cruz e na ressurreição, temos que completar isso quebrando as maldições hereditárias, dizem eles. As afirmações da Escritura sobre a vitória de Cristo na cruz do calvário e a sua ação de anular as obras do maligno não são suficientes, temos que completar isso amarrando o que Ele deixou de amarrar, dizem eles.
4. O movimento tende a isentar os crentes da sua responsabilidade moral, e de todo o processo de santificação, como demonstramos naquele exemplo da pessoa que procura o conselheiro, porque tem pensamentos impuros. O que acontece é que pessoas que abraçam esse movimento e que começam a ver os demônios como responsáveis, inclusive pelos seus próprios pecados individuais, acabam finalmente a se sentir isentos de qualquer responsabilidade. Não é difícil encontrar pessoas que dizem: “Meu casamento deu errado, o Diabo entrou ali, fez a maior bagunça; o Diabo tomou conta de mim, eu não sabia o que estava fazendo, bati na minha esposa, mandei meus filhos embora, etc.” O Diabo acaba sempre sendo o responsável e os homens ficam isentos de culpa, pois agiram debaixo da influência do Diabo. Isso pode ser visto nos grandes tele-evangelistas dos Estados Unidos. Um deles, depois de um grande e comprovado escândalo moral, foi à televisão e disse: “Irmãos, eu sei o que fiz, mas foi o Diabo que me levou a fazer, eu não sabia o que estava fazendo, o Diabo fez isso”. Esse é o resultado, quanto à responsabilidade individual. O caminho do quebrantamento, do arrependimento, da mortificação fica cada vez mais distante à medida que a ênfase recai nesse tipo de coisa. Alguns meses atrás recebemos um convite que dizia o seguinte: “Achamos que o Brasil está vivendo um momento de grande avivamento espiritual, e há uma mudança na liturgia e um retorno dos dons espirituais, mas notamos que está faltando uma coisa essencial e queremos convidar o irmão a participar como preletor de uma série de conferências sobre santidade”. É a primeira conferência sobre santidade, por achar que está faltando santidade no avivamento. Há o avivamento, mas está faltando santidade, então vamos promover um simpósio sobre santidade.
5. O movimento tende a criar uma obsessão doentia por Satanás, demônios e as coisas do ocultismo. A cosmovisão da Escritura é a seguinte: a Bíblia não nos manda olhar o mundo pela ótica da atuação dos demônios, embora nos ensine a reconhecer a presença deles. O problema do pessoal que abraçou o movimento de “Batalha Espiritual” é que eles olham o mundo dessa perspectiva, filtrada pela atuação dos demônios. Portanto, eles vêem demônios atuando em todas as coisas. Essa não é a cosmovisão da Bíblia. Essa é a maneira do mundo ver as coisas, dos povos pagãos do passado e das religiões gregas do passado, em que para cada árvore, cada casa, cada pedra, havia uma fada, um duende ou coisa dessa natureza; era uma visão pagã do mundo e não uma visão bíblica. A Bíblia reconhece a presença e atuação do inimigo, mas não nos ensina a viver como se em cada esquina houvesse um demônio esperando para nos devorar.
Estivemos, há alguns dias, em uma certa cidade. Ficamos hospedados na casa de um pastor que abraçou o movimento de “Batalha Espiritual”. Ele nos contou que o menino dele, de seis anos de idade, não conseguia dormir mais sozinho no quarto e vinha sempre para o quarto dele. Perguntamos como isso aconteceu, e ele contou que quando chegaram à cidade, a Igreja alugou um apartamento para a sua família; depois, com o crescimento da Igreja, o Conselho resolveu comprar uma casa que havia na região. Ele e sua família mudaram-se para a nova casa. Na primeira e também na segunda noite que passaram na casa, eles foram acordados pelos gritos da empregada “urrando” e se batendo pelos corredores; e o menino presenciou tudo. O pessoal da região dizia que a razão estava no fato da casa ser mal assombrada. A Igreja a havia comprado porque era uma casa barata, que ninguém quis comprar. Então, uma senhora da Igreja, que tem o ministério de quebrar maldições, foi levada à casa para exorcizá-la, e o menino presenciou tudo. A mulher foi de quarto em quarto amarrando e desfazendo toda a obra maligna, etc. Daquele dia em diante o problema não se repetiu mais. Depois de ouvir o pastor, fizemos com que ele visse que estava enganado, o problema continuava. O filho dele não estava conseguindo dormir. O problema era que o menino viu tudo o que fizeram e ficou com a convicção de que mesmo no recinto de um lar, debaixo da graça e proteção do Cordeiro, a qualquer momento ele poderia ser atacado por entidades malignas. Mas o fato não é apenas que esse menino vai crescer traumatizado; o pai dele já estava obcecado e centenas de crentes no Brasil, em nossas Igrejas, vivem obcecados e com medo disso. Essa não é a maneira bíblica de ver o mundo. Essa é a visão pagã do mundo. Satanás, e não Cristo, tem se tornado o centro do ministério de muitos. Cristo deixou de ser o centro do ministério de muita gente, e o seu lugar de primazia foi ocupado pelo Diabo e sua atuação.
6. O movimento trouxe de volta uma heresia que a Igreja já havia descartado há muito tempo, o dualismo. O maniqueísmo, para ser mais exato. Como todos sabem, essa corrente de pensamento ensina que o mundo é controlado por duas forças iguais, o bem e o mal. A Igreja já condenou isso como heresia. O que acontece no mundo não é determinado pelo conflito de duas forças opostas, uma boa e outra má, como se Deus e o Diabo fossem iguais e estivessem lutando pelo controle do mundo. Pelo contrário, o ensino das Escrituras é que Deus é o Senhor; Ele tem todas as coisas debaixo do Seu controle e o Diabo não mexe um dedo sem a permissão de Deus. Ele só vai aonde Deus permite. O Diabo é apenas uma criatura, mas do jeito que ele é pintado nesse movimento parece que ele é um poder, senão igual, mas pelo menos independente de Deus. Ele faz o que quer e Deus é que tem que vir atrás para consertar. O Diabo não é um poder independente de Deus; ele só faz o que Deus permite, e Deus o usa inclusive nos Seus propósitos; é por isso que dissemos que essa teologia não brotaria no solo calvinista, reformado. Isso só poderia brotar na teologia arminiana, segundo a qual praticamente Deus não tem controle nenhum; o Diabo faz o que lhe apraz e os homens também.
7. O movimento faz uma confusão entre mal moral e mal situacional. Mal moral é o pecado, nossa atividade pecaminosa, nossa culpa, nossos erros, nossa quebra da lei; o mal situacional é a miséria do homem, o fato dele adoecer, sofrer desastres, acidentes, opressão econômica; enfim, tudo aquilo que oprime o ser humano. Quando Jesus estava aqui nesse mundo, Ele agiu de duas maneiras diante do mal: quando Ele encontrava o mal moral, ele não expulsava. Ele dizia à pessoa: arrependa-se e me siga; quando Ele encontrou uma prostituta, um Zaqueu, não expeliu nenhum demônio da ganância de Zaqueu, nem expeliu nenhum demônio de prostituição; quando se diz lá que Maria Madalena tinha sete demônios, não quer dizer que algum deles era de prostituição ou que causava prostituição. Prostituição, nas Escrituras, sempre em última análise é responsabilidade do ser humano e é por isso que Deus vem tratar com o ser humano. De nada valeu a desculpa de Eva e nem a de Adão, colocando a culpa no Diabo. Deus não Se deixou enganar, eles foram considerados responsáveis e estavam debaixo da ira de Deus. Quando Jesus encontra o mal moral, a atitude dele é de repreender, exortar ao arrependimento e mandar que as pessoas O sigam; Jesus só usa o modo ekbalístico de ministério quando encontrava pessoas aprisionadas pelo Diabo em termos de doença, pessoas epilépticas, pessoas possuídas pelo maligno. Mas quando via um mal moral Ele nunca expulsava demônios. O problema do movimento de “Batalha Espiritual” é que eles misturam as duas coisas e dizem que o ministério de expelir demônios se aplica a todas as circunstâncias. Isso não pode ser sustentado biblicamente, pois pecado não se resolve amarrando demônio; pecado não se resolve expulsando demônio. É verdade que a Bíblia diz que o Diabo nos tenta, não estamos negando esse fato; isso seria negar o que a Bíblia diz com clareza. Mas se pecamos, em última análise, a responsabilidade é nossa, somos nós que pecamos e o Diabo não vai levar a culpa disso.
Que fazer, então? - Essas são algumas críticas e preocupações. Como então a Igreja deve resistir e enfrentar esse problema? Como deve estar pronta para a batalha? Qual o ensino bíblico sobre o assunto? Começaremos dizendo que as Escrituras verdadeiramente afirmam a existência e a realidade das forças espirituais do mal. No texto que lemos, Efésios 6, Paulo fala sobre essas forças espirituais numerosas, organizadas e lideradas por Satanás. Elas são poderosas, perversas, más, astutas, inteligentes e estão em franca oposição a Deus, a Cristo e à Sua Igreja. Esse quadro é muito claro nas Escrituras e não podemos negar e nem mesmo questionar essa realidade. Nós estamos num combate, e essas forças espirituais estão presentes, continuamente nos atacando. Mas cremos que o movimento “Batalha Espiritual” deixa de ensinar o que é mais importante: Essas forças malignas já estão derrotadas. O modo como o movimento leva seus adeptos a brigar com o Diabo, a confrontar essas forças malignas, sugere que Satanás é o senhor do mundo. Assim, o ensino bíblico da vitória de Cristo tem sido colocado de lado. A Bíblia nos fala sobre isso usando uma linguagem bastante diferente, usando figura de campo semântico diferente. O ponto central é que, na cruz, Cristo ganhou a batalha contra as hostes espirituais do mal, contra Satanás. Como é que as Escrituras nos descrevem isso? Em Gênesis 3:15, está dito que viria um descendente da mulher, semente da mulher, que esmagaria a cabeça da serpente; e a Escritura não deixa dúvida que isso aconteceu na cruz do calvário. A figura de “esmagar a cabeça” não poderia ser mais apropriada ou seja: foi dado um golpe final, não há retorno, foi dado um golpe mortal. Falando uma vez sobre esse assunto, um gaúcho chegou a mim e disse: “Pastor, se o senhor quiser enriquecer esse ponto, o senhor pode acrescentar a minha experiência. Eu sou gaúcho lá dos pampas e lido com gado e a nossa experiência lá é que quando a gente esmaga a cabeça da cobra de manhã ou à tarde, ela vai ficar tremendo, se retorcendo até à noite. Mas passa o dia todo se mexendo, apesar da cabeça já ter sido definitivamente esmagada.” Essa figura ilustra bem o ensino da Escritura de que Cristo já desfechou o golpe final, não há retorno para Satanás. Em Colossenses 2: 14-15 Paulo diz: “tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”. Essa linguagem vem do campo militar, essa idéia de despojar, de expor ao desprezo, triunfar é uma linguagem que vem das batalhas do mundo antigo. Quando um adversário era vencido ele sabia que ia ser despojado, o vencedor lhe tirava os bens, as mulheres, os filhos, o gado e ainda levava as armas do guerreiro vencido; ele era completamente despojado, ao ponto de algumas traduções modernas, em vez de dizer “despojando” dizem “desarmando”, porque esse era o sentido de despojamento. Todas as armas da cidade vencida eram levadas. A cidade era desarmada para que não houvesse outra rebelião. Várias traduções modernas dão preferência a “desarmar”, transmitindo a idéia de que Cristo desarmou, na cruz, os principados e potestades, expondo-os publicamente ao desprezo e triunfando deles na cruz. Essa figura é bastante conhecida - “o triunfo romano”; um general, voltando vitorioso para sua cidade, entrava em triunfo com os prisioneiros amarrados atrás dele. E aí as mulheres, as crianças e os velhos jogavam terra, tomate, nos derrotados. Eles eram expostos ao desprezo. O apóstolo Paulo deliberadamente está dizendo que, na cruz, Cristo desarmou os principados e potestades; é a mesma expressão de “principados e potestades” que aparece em Efésios 6. Desarmou, despojou, tirou tudo em que eles confiavam. O inimigo foi deixado despido, nu, sem nada e exposto ao desprezo. Na cruz do Calvário Cristo triunfou deles. A Escritura afirma isso de forma indiscutível. Em João 12: 31-33 Jesus diz aos discípulos: “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer”. Nessa passagem, o Senhor Jesus Cristo está dizendo que na Sua morte o príncipe desse mundo seria expulso. Em resumo, Ele está dizendo a mesma coisa que Paulo, em Colossenses 2:14,15; e que Moisés escreveu em Gênesis 3:15. As expressões “esmagar a cabeça”, “desarmar”, e “expulsar o príncipe desse mundo” referem-se, todas elas, a Satanás. Não há qualquer referência no Evangelho de João à expulsão de demônios que Jesus tenha feito. Os relatos de expulsão de demônios estão apenas nos Evangelhos sinópticos: Mateus, Marcos e Lucas. Por que João não narra nenhuma expulsão de demônios? A resposta é a seguinte: João estava preocupado com a maior de todas as expulsões, a expulsão central. Na Sua morte, Jesus expulsou definitivamente a Satanás, o príncipe desse mundo. João, assim, não narra outras expulsões de demônios.
Voltando a Efésios 6, considerando as peças da armadura, veremos que cada uma delas nada mais é do que tudo aquilo que pertence, naturalmente, ao crente, a qualquer um: “verdade de Deus”, “justiça de Cristo”, “fé”, “evangelho” e “palavra de oração”. Não há na passagem nenhuma arma secreta. Todos os crentes em Cristo Jesus possuem essas armas. Para muitos, a armadura é o próprio Cristo. Revestir-se da armadura de Deus é a mesma coisa que revestir de Cristo, em quem estão todos os tesouros da sabedoria e da ciência. Não há nada no texto que dê margem às técnicas especiais de caça ao Diabo ensinadas pelo movimento de “Batalha Espiritual”.
A título de uma aplicação final, devemos dizer que a Igreja deve tomar duas linhas: Em primeiro lugar, precisamos estar conscientes de que estamos envolvidos numa guerra espiritual. Na realidade, conscientes da atuação dos demônios. As pessoas que estão lá fora, no mundo, estão debaixo do poder deles e a Igreja tem que ter consciência disso. Em segundo lugar, mais do que em qualquer outro momento da sua história, a Igreja deve fincar os pés na Escritura e fazer da Escritura o seu manual prático. Aquilo que não puder ser provado pela Escritura, ou deduzido de uma forma legítima da Escritura, deve ser rejeitado e colocado fora da nossa vida, da nossa Igreja e da nossa prática de ministério. A chamada da Igreja, a essa altura, é para a suficiência da Escritura, e todas as nossas práticas devem passar por esse crivo. A nossa oração a Deus, o nosso desejo é que nos Seminários, na Igreja evangélica brasileira, tomemos uma posição de firmeza sem negar a realidade dessas coisas, combatendo-as biblicamente, tomando toda a armadura de Deus que nos é concedida em Cristo. Que Ele nos abençoe!
7. - Objetos que Trazem Bênção e Maldição: Um Estudo sobre o Uso de Objetos e a Fé
Um assunto que tem provocado muita polêmica em nossos dias é o ensino do moderno movimento de batalha espiritual acerca de objetos que têm o poder de abençoar e amaldiçoar aqueles que os tocam ou possuem. Nesse pequeno artigo, procuro compreender esse ensino e oferecer uma avaliação.
Objetos que Trazem Bênção
Nos cultos de muitas igrejas de libertação, objetos variados são empregados como canais de bênção. Eles são ungidos (abençoados) nos cultos com o objetivo de passarem ao fiel algum tipo de benefício. Os mais comuns são a água fluidificada (colocada sobre o rádio ou TV durante a oração do "homem de Deus"), a rosa ungida, ramos de arruda, sal grosso, óleo, água, vinho, pedrinhas trazidos da "terra santa" (Israel), fitinhas, pulseiras e lenços.
Embora os líderes dessas igrejas insistam que esses objetos abençoados funcionam apenas como apoio para a fé dos crentes, ao fim, acabam sendo usados como talismãs, fetiches e outros objetos "carregados" de poder espiritual. Os seus possuidores devem usá-los de acordo com algum tipo de ritual, após o culto. A água pode ser bebida em casa, após a oração de consagração. O "cajado de Moisés" deve ser usado para bater naquilo que o crente gostaria de ter (um carro novo, por exemplo). Lenços ungidos devem ser carregados junto ao corpo por determinado tempo, geralmente durante o tempo de uma corrente de oração.(1)
Muitas vezes objetos são "abençoados" nessas igrejas com o objetivo de espantarem e expelirem demônios. A idéia que está por detrás desse uso religioso de artigos e objetos é o de que as entidades espirituais (anjos e demônios) podem ser atingidas através dos sentidos como cheiros, cores, gosto e vozes. Nesse ponto os cristãos do primeiro século se afastaram significativamente das práticas exorcistas do Judaísmo da sua época, que foram desenvolvidos no período intertestamentário. Os métodos rabínicos de tratar com demônios incluía o uso de tochas de fogo à noite, amuletos, filactérios,(2) fórmulas mágicas, fumigações, entre outros. A idéia era que essas coisas teriam em si algum tipo de poder mágico contra os demônios.(3) No cristianismo primitivo, entretanto, a idéia de que demônios pudessem ser atingidos através de sons, cheiros ou coisas materiais e tangíveis, está ausente.
É importante dizer que não duvido da sinceridade e da boa-fé dos que empregam esses objetos. Entretanto, podemos estar sinceramente enganados no que diz respeito ao culto a Deus, como os judeus na época de Paulo (Rm 10.1-2). É minha convicção que o uso desses objetos como apoio para fé ou canal de bênçãos não faz parte do culto agradável a Deus que nos é ensinado nas Escrituras.
Entendendo o uso de objetos na Bíblia
Salta aos olhos de quem conhece as práticas religiosas populares que o uso de objetos ungidos pelas igrejas de libertação é bastante semelhante ao benzimento de objetos no baixo espiritismo, artes mágicas e no ocultismo em geral. Entretanto, essas igrejas argumentam que a prática tem base na Bíblia. Provavelmente a passagem bíblica mais citada é Atos 19.12, onde se relata o uso dos aventais e lenços de Paulo para expulsar demônios em Éfeso. É preciso salientar, entretanto, que esse acontecimento é o único do gênero que temos registrado no Novo Testamento.
Fez parte dos "milagres extraordinários" que o Senhor realizou em Éfeso pelas mãos de Paulo (At 19.11).
Devemos interpretar essa passagem da mesma forma como interpretamos os relatos do Antigo Testamento sobre o cajado de Moisés (Ex 8.5,16) e o manto de Elias (2 Re 2.8,14). Esses objetos foram veículos materiais do poder miraculoso desses homens. O propósito das narrativas acerca do poder que havia neles foi mostrar o extraordinário poder de Deus nas vidas dos seus possuidores, comprovando que a sua mensagem vinha realmente da parte de Iavé. O ponto é que esse poder era tão grande que até as coisas com as quais Moisés e Elias tinham contato diário se tornavam canais através dos quais ele era transmitido.
Além dessas ocorrências no Antigo Testamento mencionadas acima, outros eventos são citados como justificativa para o uso de objetos como veículos do poder divino. Moisés fez uma serpente de bronze (Nm 21.9). Eliseu usou um prato novo com sal para miraculosamente sanar as águas de Jericó (2 Re 2.19-22), um pouco de farinha para purificar uma comida envenenada (2 Re 4.38-41), um pau para fazer flutuar um machado que caiu no rio (2 Re 6.1-7). Sob seu comando, as águas do Jordão serviram para curar a lepra de Naamã (2 Re 5.1-14). Seu bordão parece que era usado para realizar milagres (2 Re 4.29) e seus ossos ressuscitaram um morto (2 Re 13.20-21). O profeta Isaías usou uma pasta de figos para curar Ezequias (2 Re 20.7).
Alguns eventos narrados no Novo Testamento são também citados como prova. As vestes de Jesus tinham poder curador. Não somente a mulher com um fluxo de sangue foi curada ao tocá-las (Lc 8.43-46), mas muitas outras pessoas doentes (Mt 14.36; Mc 6.56; cf. Lc 6.19). Em pelo menos duas ocasiões, Jesus usou saliva para curar cegos (Mc 8.22-26; Jo 9.6-7), e em outra, para curar um mudo (Mc 7.33). Aparentemente, a sombra de Pedro, após o Pentecostes em Jerusalém, acabava por curar a quem atingisse (At 5.15).
Devemos entender, entretanto, qual o objetivo dessas narrativas. Em todas elas, o conceito é sempre o mesmo. Jesus e os apóstolos eram tão cheios do poder de Deus que as coisas com as quais tinham contato íntimo se tornavam como que em extensões deles, para curar e abençoar as pessoas. O objetivo é idêntico: enfatizar a enormidade do poder de Deus em suas vidas, e assim, atestar que a mensagem pregada por eles, bem como pelos profetas do Antigo Testamento, vinha de Deus. A prova eram os poderes miraculosos tão extraordinários que até mesmo vestes, bordões, ossos, saliva, sombra e lenços desses homens transmitiam o poder curador de Deus que neles havia. É dessa forma que devemos entender o relato de Atos 19 sobre o poder curador dos lenços e aventais de Paulo.
Evidentemente, essas passagens não servem como prova de que, hoje, as igrejas evangélicas podem abençoar objetos e usá-los para expelir demônios, proteger seus possuidores contra forças negativas e curar moléstias. Notemos as principais diferenças entre o uso destes objetos nos relatos bíblicos e o uso que é feito hoje pelas igrejas de libertação.
1. Foram usados como símbolos – Em vários casos, o papel de objetos na execução dos milagres bíblicos é melhor entendido como tendo sido simbólico. De alguma forma estavam relacionados à natureza do milagre: uma serpente de bronze para curar mordeduras de serpentes, um pedaço de pau para fazer um machado flutuar, sal e farinha para purificar águas e comida (os dois elementos eram usados nos sacrifícios), ossos para trazer vida e água do Jordão para "limpar" a lepra. Nas igrejas de libertação, muito embora se diga que os objetos funcionam simbolicamente como apoio para a fé, acabam sendo aceitos pelos fiéis menos avisados como possuindo em si mesmos alguma virtude ou poder.
2. A natureza dos milagres em que foram empregados – Os objetos fizeram parte de milagres que não vemos serem repetidos hoje. A melhor maneira de provar que o uso de objetos ungidos hoje opera a mesma liberação do poder divino como nos eventos relatados na Bíblia, seria abrir rios, ressuscitar mortos, curar leprosos, cegos e aleijados, sanear águas amargas e limpar comidas envenenadas usando objetos pessoais dos missionários e obreiros dessas igrejas. Entretanto, os "milagres" efetuados pelos objetos ungidos nas igreja de libertação nem de pert o se assemelham aos prodígios extraordinários narrados nas Escrituras.
3. Seu uso limitou-se ao momento do milagre – Nenhum dos objetos empregados na Bíblia preservaram algum "poder" em si mesmos após o milagre ter ocorrido. A serpente de bronze, até onde sabemos, não foi mais usada para curar mordidas de serpentes após o incidente no deserto, muito embora os judeus supersticiosos passassem a adorá-la como a um deus. É natural supor que Eliseu, após usar o manto de Elias para abrir as águas, usou-o normalmente como peça do seu vestuário, sem que o mesmo exercesse qualquer poder mágico nas coisas em que tocava. O sal, a farinha e o pedaço de pau que ele usou para fazer milagres foram tirados da vida normal e retornaram a ela após seu uso. Não retiveram qualquer propriedade miraculosa em si mesmos. Semelhantemente, os lenços e aventais de Paulo tiveram um uso especial somente em Éfeso, e provavelmente somente durante um determinado período, ao longo dos três anos que o apóstolo passou ali. Em contraste, as igrejas da libertação ungem e abençoam objetos e atribuem a eles efeitos que permanecem muito tempo após a cerimônia. É algo bem diferente do uso ocasional feito pelos profetas e apóstolos.
4. Os objetos estavam ligados à pessoa dos homens de Deus – Alguns dos objetos usados eram coisas pessoais dos homens de Deus, como a capa de Elias, o bordão de Eliseu, as vestes de Jesus, os lenços e aventais de Paulo e, num certo sentido, a sombra de Pedro. Eles só foram empregados por isso. O alvo era mostrar o extraordinário poder de Deus sobre tais homens. Quando refletimos no fato de que somente coisas pessoais dos profetas, do Senhor Jesus e dos apóstolos foram usadas, perguntamo-nos se nossos objetos pessoais teriam o mesmo poder. A resposta humilde deve ser "não". Os profetas, o Senhor e os apóstolos foram pessoas especiais e pertenceram a uma época especial e única dentro da história da revelação. A suspeita de que nossos objetos pessoais são impotentes para realizar milagres fica ainda mais fortalecida quando não descobrimos nas Escrituras qualquer exemplo de coisas dos crentes comuns sendo usadas com esse fim.(4)
5. Nenhum dos objetos empregados foi ungido ou abençoado – Essa é uma diferença fundamental. Nas igrejas de libertação, os objetos são ungidos, abençoados, fluidificados e consagrados através da oração e da imposição de mãos dos pastores e obreiros, depois do que, passam supostamente a ter poderes especiais. No entanto, em nenhum dos casos mencionados nas Escrituras, os objetos empregados nos milagres passaram, antes, por uma cerimônia de consagração. A Bíblia desconhece totalmente a "unção" de coisas com o fim de serem empregadas em atos miraculosos, para atrair as bênção de Deus, ou ainda, para expelir demônios e doenças. É verdade que no Antigo Testamento alguns objetos, utensílios e mobília do tabernáculo, e depois, do templo, foram ungidos com sangue e óleo. Mas o propósito não era investir essas coisas de poderes especiais, e sim separá-las do seu uso comum para o uso sagrado nos rituais de sacrifício. Eliseu não ungiu nem consagrou, pela oração, o sal, a farinha e o pedaço de árvore que usou para operar milagres. Nem Isaías ungiu a pasta de figo para curar a úlcera de Ezequias. Nem mesmo a serpente de bronze passou por uma consagração, antes de ser erigida diante do povo envenenado pelas serpentes. Os lenços e aventais de Paulo não passaram pela imposição de mãos do apóstolo antes de serem levados aos doentes e endemoninhados. O que dava "poder" àqueles objetos era o fato de que pertenciam, ou foram manipulados, por pessoas sobre quem o poder de Deus repousava de forma extraordinária.
A conclusão inescapável é que não existe qualquer fundamento bíblico para que, hoje, unjamos e abençoemos objetos com o propósito de transmitir, através deles, uma medida do poder de Deus. Mais uma vez repito: creio que Deus faz milagres hoje. Creio que ele poderia usar o que quisesse para fazer isso. Entretanto, creio também que Deus nos revela em Sua Palavra os seus caminhos e seus meios de agir, para que não sejamos iludidos pelo erro religioso. E se vamos usar as Escrituras como regra da nossa prática, bem como critério para discernirmos a verdade do erro, acabaremos por rejeitar a idéia de que, pela oração e unção, determinados objetos repassam uma bênção de Deus aos seus possuidores.
Objetos que Trazem Maldição
Tratemos agora de outro ensino ainda relacionado com o uso de objetos no campo religioso. Segundo adeptos do movimento de "batalha espiritual", objetos utilizados em qualquer forma de magia, ocultismo ou religião idólatra ficam impregnados de emanações malignas, como se demônios de fato residissem nos mesmos. Para usar a linguagem de alguns do movimento, esses objetos estariam "demonizados". Esse conceito é similar ao praticado na magia. Objetos magicamente "carregados" são considerados como transmissores do poder da mágica que representam, e afetam aos que os tocam.
Portanto, caso um cristão venha a ter em sua casa, escritório ou local de trabalho, qualquer um desses objetos, estará dando ocasião para que os demônios (as verdadeiras entidades espirituais associadas com esses objetos) prejudiquem sua vida material e espiritual. A idéia é que objetos como ídolos, imagens, esculturas, quadros e fotos se tornam pontos de contato para os demônios, que sempre estão procurando materializar-se através de alguma coisa e assim atormentar os homens.(5) Admitir tais coisas dentro de casa, seria convidar os demônios a entrar e nos atormentar. Nas palavra de Jorge Linhares,
Não basta que abençoemos os nossos bens, nossos pertences. precisamos verificar se não temos permitido adentrar em nosso lar objetos que são por natureza amaldiçoados – objetos que temos de lançar fora e de preferência, queimar ou destruir.(6)
Uma outra coisa que segundo o pensamento da "batalha espiritual" permite a entrada de demônios na vida da pessoa é o ingerir comidas "trabalhadas" em centros de umbanda. Num capítulo entitulado "Como os demônios se apoderam das pessoas", do livro Orixás, Caboclos & Guias, Edir Macedo inclui comidas sacrificadas a ídolos como um desses meios. Ele conta o caso de um homem que ingeriu uma comida "trabalhada" e foi atacado por um espírito maligno que o fazia sofrer do estômago. Ele conclui dizendo, "Todas as pessoas que se alimentam dos pratos vendidos pelas famosas ‘baianas’ estão sujeitas, mais cedo ou mais tarde a sofrer do estômago."(7)
Mark Bubeck, que ficou conhecido no Brasil por seu livro O Adversário, escreveu recentemente um outro livro sobre como podemos criar nossos filhos em meio aos constantes ataques que os demônios fazem ao nosso lar. Ao fim do livro, Bubeck adicionou um apêndice, contendo questionários cujas perguntas procuram levar os leitores a descobrir as portas pelas quais têm permitido aos demônios entrarem no lar e atacar os filhos. Uma das portas é a presença em casa de objetos amaldiçoados, como amuletos, fetiches e talismãs, livros sobre ocultismo, bruxaria, astrologia, mágica, adivinhação, e utensílios ou objetos usados em templos pagãos, rituais de feitiçaria, ou ainda na prática da adivinhação, mágica ou espiritismo. A sugestão de Bubeck é que a presença dessas coisas no lar permite aos demônios que penetrem na casa e atormentem os filhos.(8)
Uso de objetos no paganismo
A lista de Bubeck é bem modesta. Os objetos considerados "amaldiçoados" por muitos cristãos são via de regra aqueles usados nas religiões afro-brasileiras, nas práticas ocultas e no catolicismo popular. Nas religiões populares que empregam artes mágicas e práticas ocultas, objetos religiosos desempenham importante papel no culto e na fé dos participantes. São usados, por exemplo, em despachos e trabalhos feitos pelos pais-de-santos da umbanda. Objetos como o sal grosso, a rosa ungida, a água fluidificada, fitas e pulseiras especiais (como a do chamado "Senhor" do Bonfim) e ramos de arruda são bastante populares. Ainda podemos incluir talismãs e amuletos do tipo "pé-de-coelho". Para não mencionar ainda os fetiches usados na magia e no candomblé, as relíquias e imagens do catolicismo popular.(9) Na feitiçaria, velas coloridas são usadas para evocar vibrações energéticas das cores e promover transformações pessoais. Amuletos são empregados na proteção contra maus espíritos. Ainda são usados óleos especiais, incensos, cremes, pó, cristais, pirâmides, pêndulos, pulseiras, brincos e pendentes, colares contendo saquinhos com fórmulas mágicas e encantamentos, e muito mais.(10) As gárgulas (imagens de animais grotescos) são freqüentemente associadas com demônios.(11) Esses objetos são ungidos, benzidos, abençoados, purificados, fluidificados com o objetivo de passar ao seu possuidor alguma espécie de poder ou proteção. Ou ainda, são usados em rituais de magia associados com encantamentos, feitiços, despachos e trabalhos espirituais em geral. Em alguns casos, esses objetos são associados com os nomes das entidades espirituais aos quais são dedicados.(12)
Maldições trazidas por objetos consagrados a demônios
Como dissemos acima, para os aderentes do movimento de batalha espiritual a ingestão, a posse e mesmo o contato com coisas que foram oferecidas e consagradas aos demônios trazem maldição aos crentes. Um caso sempre mencionado é o do missionário que, ao regressar ao seu país de origem, trouxe da tribo africana onde trabalhava um pequeno fetiche (objeto usado nos rituais religiosos) como recordação. O missionário, evidentemente, não tinha qualquer atitude religiosa para com o objeto, como os africanos; trouxe-o apenas como lembrança, um souvenir. O fetiche foi colocado na estante da sala, em sua casa. Não muito tempo depois, sua filha ficou doente. Sua situação financeira foi de mal a pior. Havia uma "opressão espiritual" no ar, dentro da casa. Nada mais dava certo. Vozes e ruídos eram por vezes ouvidos à noite. Um dia, uma profetiza de uma igreja carismática veio visitar a família. Dirigiu-se imediatamente à estante onde estava o fetiche. Sem hesitar, declarou que a casa estava amaldiçoada por causa do objeto. Era preciso quebrar a maldição. Os passos necessários seriam: confissão do pecado de trazer para casa um objeto amaldiçoado, a quebra do mesmo e a total renúncia dos laços com os espíritos malignos. Esses laços haviam sido estabelecidos, mesmo inconscientemente, no momento que o missionário trouxe o objeto para dentro de casa. Os demônios adquiriram a autoridade de invadir a casa e oprimir seus moradores.
Timothy Warner conta a história de uma estudante crente, por natureza uma pessoa bem ativa e enérgica, que começou a ficar mais e mais deprimida, tendo dificuldade em dormir e estudar, durante seus estudos de francês, em preparação para o trabalho missionário na África. Um missionário descobriu, após examinar o dormitório onde ela morava, que o ocupante anterior havia escondido no mesmo diversos objetos ocultistas. Warner então explica: "alguns dos demônios associados com os objetos haviam se apegado ao quarto e à mobília". O missionário orou determinando aos demônios que fossem embora, e a moça pode voltar a dormir normalmente.(13)
O pressuposto por detrás desse tipo de relato é que esses objetos abrem a porta para os demônios, visto que foram consagrados a eles nos rituais de magia e ocultismo, e mesmo no catolicismo. O fato de que uma pessoa é crente não evitará que seja oprimida pelos espíritos associados a objetos deste tipo.
Existem algumas dificuldades com esse conceito. No que se segue, vamos explicar algumas delas.
1) O conceito da habitação de demônios em objetos físicos. Warner conta a história de uma família de missionários nas Filipinas cujo filho era assediado por um demônio que morava numa árvore do jardim da casa onde moravam.(14) O conceito de entidades espirituais morando em árvores remonta à mitologia grega e ao paganismo em geral. As Escrituras desconhecem esse conceito e falam dos demônios como atuando especificamente em seres vivos, humanos ou animais. Entretanto, é comum lermos na literatura do movimento de "batalha espiritual" que espíritos malignos podem habitar em coisas como árvores, imagens, objetos, casas, etc.
Às vezes Apocalipse 18.2 é citado como prova de que demônios podem morar em lugares amaldiçoados:
Então, exclamou com potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável.
Aqui temos o anúncio da queda de Babilônia feito por um anjo de Deus. Notemos, porém, o seguinte, antes de concluirmos que o texto prova que demônios moram em ruínas! (1) A passagem é evidentemente alegórica. Nos dias de João, Babilônia já não mais existia. (2) João está citando Jeremias 50.39 e Isaías 13.21. Esses dois profetas referem-se à queda e destruição da cidade de Babilônia que existiu em seus dias. A desolação que lhe haveria de sobrevir, como resultado do castigo divino, ia ser tão grande, que a grande cidade, outrora populosa e opulenta, iria se tornar em um grande montão de ruínas. Com o propósito de enfatizar a desolação, os profetas descrevem as ruínas como sendo habitadas por feras e animais do deserto: chacais, avestruzes, corujas e hienas. A Septuaginta, ao traduzir o texto hebraico de Isaías 13.21, traduziu "bodes" por "demônios".(15) O apóstolo João, ao citar essas passagens e aplicá-las figuradamente à Babilônia espiritual, o reino das trevas que será destruído por Cristo, acrescenta, além dos animais mencionados pelos profetas, os demônios e espíritos imundos, seguindo a tradução da Septuaginta (Ap 18.2). (3) Evidentemente, a passagem não está dizendo que essas entidades habitam em ruínas de cidades. Seu sentido óbvio é que Deus entrega a humanidade ímpia e endurecida que o rejeita à desolação espiritual e aos demônios. (4) Lembremos ainda que o Senhor Jesus ensinou que os espíritos imundos não encontram repouso em lugares áridos (Mt 12.43-45). A conclusão é que não existe argumentos bíblicos suficientes para provar que espíritos imundos moram e habitam em coisas como objetos, casas, árvores, etc.
2) O estabelecimento de um pacto com esses demônios pela posse de objetos a eles consagrados. Nenhum adepto do movimento de "batalha espiritual" estaria disposto a admitir que um incrédulo entra em algum tipo de pacto ou concerto com Deus simplesmente por ter uma Bíblia em casa, ou mesmo por ter participado inadvertidamente da Ceia do Senhor numa igreja evangélica. Entretanto, está pronto a afirmar que cristãos verdadeiros podem ser atacados, amaldiçoados e demonizados se tiverem em casa livros sobre ocultismo ou objetos ocultistas, para com os quais não tenha nenhuma atitude religiosa. É óbvio que a simples posse desses objetos não nos expõe a ataques satânicos da mesma forma que a posse de uma Bíblia não expõe um incrédulo às investidas do Espírito Santo, a não ser que abra suas páginas e comece a ler, com seu coração aberto e desejoso de aprender as coisas de Deus.
3) Uma outra dificuldade é o conceito de que crentes, que nem estão conscientes de que esses objetos foram usados em rituais ocultistas, possam ser oprimidos pelos demônios associados com esses objetos. Não é suficiente escutarmos os relatos e as experiências, como a do missionário acima. Como já insistimos em quase cada capítulo desse livro, por mais sérias e válidas que sejam, experiências não podem servir como autoridade final nessa questões. É preciso examinar as Escrituras, seguindo as regras simples de interpretação, que procuram deixar o texto sagrado falar livremente. E o que encontramos nelas pode ser resumido nas palavras de Balaão, falando pelo Espírito de Deus: "Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel" (Nm 23.23).
Coisas amaldiçoadas na Bíblia
É preciso reconhecer que, para alguns defensores da "batalha espiritual", existe suficiente apoio na Bíblia para defender o conceito de maldição através de objetos. Examinemos os dois principais argumentos.
1) Passagens que condenam o uso de amuletos. É defendido que os pendentes de ouro que as mulheres israelitas traziam nas orelhas, ao sair do Egito, e com os quais se fez o bezerro de ouro, eram amuletos (Ex 32.2-4), bem como as arrecadas (brincos) que Jacó arrancou das orelhas da sua família, junto com os ídolos (Gn 35.1-4).(16) O uso de cordões ou cadeias com pendentes é chamado pelo profeta Oséias de "adultério entre os peitos" (Os 2.2). A atitude das Escrituras em relação a esses objetos é de condenação e rejeição. O profeta Isaías, ao condenar a vaidade do vestuário das mulheres israelitas, faz referência às luetas que elas traziam em seu pescoço (Is 3.18). Eram cordões ou cadeias de ouro com o símbolo da lua crescente, usados para proteger contra maus espíritos. Esse era um costume pagão. Eles usavam amuletos assim até mesmo no pescoço de camelos (Jz 8.21,26).
É preciso notar, entretanto, que condena-se não tanto o uso em si desses objetos, mas a atitude religiosa que os israelitas tinham para com eles. Eles o usavam conscientemente como amuletos protetores, como fetiches mágicos, como se fossem encantamentos contra maus espíritos. Foi contra essa prática de magia e ocultismo que os profetas falaram. Evidentemente, ter objetos desse tipo em casa pode não ser conveniente ao cristãos por vários motivos (veja a conclusão desse capítulo). Entretanto, se eles não têm qualquer sentido, significado ou relação religiosos, o cristão não se enquadra na condenação emitida pelos profetas.
2) Passagens que condenam imagens. Existem inúmeras passagens nas Escrituras que condenam a idolatria, isso é, o ato de prestar culto à imagens bem como às realidades espirituais que elas representam. Um fator que contribui significativamente para essa condenação é a relação entre a idolatria e os demônios. Nos tempos antigos, mágica, adivinhação, feitiçaria, bruxaria e necromancia (invocação de mortos) estavam tão intimamente ligados à idolatria, que era quase impossível separar uma coisa da outra. Moisés identifica os deuses pagãos com demônios (Dt 32.17; cf. Sl 106:36-37). O mesmo faz Paulo (1 Co 10.19-20) e o apóstolo João (Ap 9.20). Acredito que o mesmo é verdade ainda hoje. Por detrás da moderna idolatria estão os antigos demônios.
Entretanto, mais uma vez é preciso observar que as Escrituras condenam propriamente o confeccionar e possuir imagens de entidades pagãs com propósito religioso:
Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos (Ex 20.3-6).
Os puritanos entenderam esse mandamento como determinando que nos livrássemos, se possível, de todos os monumentos à idolatria, e proibindo o culto a imagens representativas de Deus ou de falsos deuses e o possuir supersticiosamente artigos ou objetos.(17) A preocupação sempre é contra a idolatria em si. O mandamento contra a idolatria não dever ser entendido como proibindo esculturas, representações, quadros e outros objetos artísticos em geral. O fato de que o culto a Deus deve ser em Espírito (Jo 4.24) não quer dizer, nem mesmo, que Deus proíba a confecção de objetos representativos de realidades espirituais. Ele próprio determinou que os israelitas fizessem imagens de ouro de querubins, que deveriam ser colocadas sobre a tampa da arca, o propiciatório (Ex 25.18-20). Noutra ocasião, mandou que Moisés fizesse uma serpente de bronze (Nm 21.8-9). Ela foi mais tarde destruída somente por que os israelitas passaram a adorá-la, provavelmente como uma relíquia provinda dos tempos de Moisés (2 Re 18.4). O motivo pelo qual o Senhor determinou que os israelitas destruíssem totalmente as imagens dos deuses cananitas, ao se apossarem da terra, foram evitar que os israelitas fossem atraídos à idolatria (Dt 7.1-5) e evitar a cobiça para com o ouro e a prata que revestiam essas imagens. Por esses motivos, não deveriam meter esses ídolos dentro de suas casas, pois eram amaldiçoados por Deus e representariam uma tentação para praticarem a idolatria (Dt 7.25-26). Mais uma vez percebemos que é o perigo da idolatria que o Senhor queria prevenir. As imagens em si mesmo nada eram.
Preciso reiterar minha convicção de que os cristãos deveriam evitar possuir qualquer objeto relacionado com a idolatria e práticas ocultas. Entretanto, acredito que isso deve ser feito pelas razões corretas e não por mera superstição e crendice.
Atos 19 e a quebra de maldições de objetos
Talvez a passagem mais citada para justificar a quebra de maldições desses objetos seja Atos 19.18-19:
Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras. Também muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os seus preços, achou-se que montavam a cinqüenta mil denários.
As "artes mágicas" no mundo antigo incluíam a adivinhação, o exorcismo, o uso de fórmulas secretas, a conjuração e a invocação dos mortos, pactos com entidades espirituais, encantamentos e rituais com o objetivo de ganhar o favor dos espíritos. Essas coisas eram usadas tanto para atingir e ferir inimigos quanto para curar doentes. Elas são bastante populares ainda hoje.
Havia muitos magos e bruxos no mundo do século I, na época de Jesus e dos apóstolos. Um exemplo é Simão Mago, que iludia o povo de Samaria com artes mágicas (At 9.9). A cidade de Éfeso, por sua vez, era um conhecido centro dessas artes. Ali, no início do reinado de Nero, um homem chamado Apolônio Tianeo abriu uma escola e ensinava artes mágicas e coisas do gênero. Taciano, em sua obra Contra Graecos, menciona que a deusa Diana dos efésios era considerada como sendo praticante de magia.
Lemos em Atos 19 que os ex-adeptos da magia em Éfeso que haviam se convertido ao cristianismo pela pregação de Paulo, queimaram seus livros publicamente. Esses "livros" eram obras onde se ensinava a prática dessas artes. Continham encantamentos, símbolos secretos e mágicos, passos para a invocação de mortos e métodos para esconjurar demônios. Provavelmente continham tabelas e fórmulas essenciais para a prática da astrologia. Os "Papiros Mágicos", encontrados no Egito na década de 50 desse século, continham pedaços de pergaminhos com símbolos e fórmulas mágicas chamados "cartas de Éfeso", que eram usados como amuletos ou talismãs.(18)
É alegado por alguns da "batalha espiritual" que a queima dos livros de magia em Éfeso foi necessária pois a posse de tais livros continuaria a dar validade aos pactos feitos pelos efésios com entidades malignas e a dar autoridade a essas entidades sobre suas vidas, mesmo que eles agora se tornaram cristãos. Queimar os livros fazia parte da quebra das maldições que pesavam sobre eles por terem praticado artes mágicas antes da sua conversão. Na cerimônia da queima dos livros, eles renunciaram publicamente a todos esses compromissos e pactos que fizeram com os espíritos malignos.
Evidentemente, a queima dos livros de magia representou o rompimento oficial e público dos efésios crentes com seu passado de ocultismo. Entretanto, nada há no texto que apoie a idéia de que o evento foi uma espécie de cerimônia de quebra de maldições. A queima dos livros foi o resultado da consciência que os efésios agora tinham de que tais artes mágicas era iniquidade diante de Deus, e que os livros que ensinavam essa coisas eram perniciosos à humanidade e que, por mais caros que fossem (cerca de cinqüenta mil moedas de prata), deveriam ser destruídos para não causar mais danos a outros. O verso 19 que narra a queima dos livros deve ser entendido à luz do verso 18, onde se diz que os efésios vieram confessar seus pecados e revelar as suas obras más. A queima dos livros foi uma amostra de seu genuíno arrependimento.
Comentando nessa passagem, John Gill, um estudioso puritano, diz o seguinte:
Eles queimaram seus antigos livros de mágica para mostrar o quanto agora os detestavam. Também, para mostrar a genuinidade de seu arrependimento pelos pecados cometidos nessa área, para evitar que esses livros não se tornassem uma armadilha para eles no futuro e para que não fossem usados por outros.(19)
Os livros, portanto, não foram queimados porque possuíam qualquer poder maléfico intrínseco em si mesmos. Os motivos mencionados por Gill para a queima estão em harmonia com o ensino das Escrituras em geral, com o bom senso e com o que tem sido a prática normal da Igreja na história, além de ser a interpretação mais natural e óbvia da passagem.(20)
Existe ainda um outro motivo para a queima dos livros. Uma parte essencial da prática de artes mágicas daquela época era o exorcismo, a expulsão de espíritos malignos. Acreditava-se (como também se acredita hoje em alguns círculos protestantes) que todas as doenças – particularmente as mentais – eram causadas por espíritos maus que entravam nos homens. Grande parte do trabalho dos exorcistas era tentar curar essas doenças pela expulsão dos espíritos maus que as infligiam. Nos seus livros mágicos haviam fórmulas especiais para esconjurar esses espíritos.
Quando Paulo chegou em Éfeso, duas coisas aconteceram que vieram contribuir para a queima dos livros: (1) Ele curou as enfermidades e expulsou demônios usando apenas o nome de Jesus (At 19.11-12), em contraste com os rituais elaborados e complicados dos exorcistas da época, como se encontravam nos livros; (2) quando alguns exorcistas tentaram usar o nome de Jesus e de Paulo para expelir um demônio de um homem, fracassaram redondamente. O próprio demônio atestou a autoridade que havia no nome de Jesus (At 19.13-16).(21) É possível que alguns dos efésios que haviam se convertido ainda mantinham algum tipo de contato com artes mágicas. O episódio dos exorcistas acabou por convencê-los. Ficou evidente a todos que a mágica ensinada nos livros não passava de fórmulas vazias e inúteis. Como escreve Marshall,
A demonstração da futilidade das tentativas pagãs de dominarem os espíritos maus levou muitos dos convertidos efésios de Paulo a reconhecerem que a magia pagã, com a qual ainda tinham contatos, era tão inútil quanto pecaminosa. Como conseqüência, trouxeram os vários manuais de magia e as compilações de invocações e fórmulas que ainda tinham, e fizeram com eles um rompimento final.(22)
O verdadeiro poder contra Satanás estava apenas no nome de Jesus. A queima dos livros, portanto, foi um testemunho do poder inigualável de Jesus Cristo sobre as obras das trevas. Somente ele era o Senhor. Quanto a isso, os efésios cristãos não tinham mais qualquer dúvida.
O ensino de Paulo sobre coisas sacrificadas a demônios
Examinemos, agora, 1 Coríntios 8-10, a passagem da Bíblia que aborda de forma mais direta e clara a questão que estamos discutindo. Nesses capítulos, o apóstolo Paulo trata da atitude dos cristãos para com a carne de animais sacrificados como oferendas aos deuses pagãos. A questão que Paulo tratou nessa passagem era bem complexa. Os cristãos em Corinto (bem como nas demais cidades do mundo greco-romano) sempre corriam o risco de comer esse tipo de carne. O sacrifício de animais e o consumo da sua carne fazia parte do ritual religioso nos templos pagãos da época. Corinto não era exceção.
Modernamente, podemos nos referir ao caso das comidas "trabalhadas" nos terreiros de umbanda. De acordo com as crenças do candomblé, umbanda e quimbanda, os orixás exigem comidas variadas, que devem ser preparadas de acordo com rituais apropriados. Por exemplo, Exú gosta de cebola e mel entregues no mato com velas acesas e aguardente. Ogum gosta de feijoada, xinxim, acarajé e milho branco. Oxóssi, de peixe de escamas, arroz, feijão e dendê.(23) Essas comidas são feitas de acordo com as indicações dos demônios e a eles oferecidas. Para muitos cristãos, é uma questão aguda se algum mal vai lhes ocorrer se acabarem por ingerir uma comida que foi "trabalhada". Os coríntios estavam perturbados por um problema similar. Eles escreveram uma carta a Paulo com várias perguntas, entre elas, se era lícito comer carne de animais que haviam sido consagrados aos deuses pagãos.(24) Os coríntios tinham em mente três situações:
1. Era lícito participar de um festival religioso num templo pagão e comer a carne dos animais sacrificados aos deuses? Na antigüidade, o sacrifício de animais aos deuses fazia parte da vida pessoal, familiar e social. O sacrifício ocorria nos templos e a carne do animal sacrificado era dividida em três partes. Uma parte, geralmente simbólica (podendo ser até uma mecha dos pelos!), era queimada no altar em homenagem aos deuses. A segunda parte, incluindo costelas e músculos, ia para o sacerdote. A terceira parte ficava com o ofertante, e com ela, oferecia um banquete, geralmente em casamentos. Muitas vezes, essas festas ocorriam no templo, no qual o sacrifício fora feito.(25) Os crentes de Corinto certamente mantinham relacionamentos com amigos não-crentes, e sempre havia a possibilidade de serem convidados a participar de uma destas festas no templo, onde havia muita carne e bebida. Alguns daqueles cristãos não tinham quaisquer escrúpulos de consciência em participar e comer carne dos ídolos no templo dos ídolos, uma atitude que estava provocando os de consciência mais fraca.
2. Era lícito comer carne comprada no mercado público? A carne ali comprada poderia ser de animais sacrificados aos deuses, cujo excedente dos altares havia sido repassado pelos sacerdotes aos açougueiros da cidade. Devido à enorme quantidade de animais sacrificados, uma parte deles acabava no mercado público, onde eram vendidos como carne boa e barata.
3. Era lícito comer carne na casa de um amigo idólatra? Como na situação anterior, um crente poderia ser convidado por um amigo pagão para comer um churrasco em sua casa. A carne provavelmente seria de um animal que o amigo havia primeiro consagrado ao seu deus, lá no templo. Um papiro grego muito antigo contém um convite para uma dessas festas, nos seguintes termos: "Antônio, filho de Ptolomeu, convida-o para cear com ele à mesa de nosso senhor Serápis."(26) Quem quer que tenha sido o convidado, ele sabia que ao sentar-se à mesa de Antônio, estaria comendo carne de um animal que havia sido sacrificado ao deus Serápis.
A questão aguda era se um crente poderia comer carne em Corinto, correndo assim o risco de contaminar-se. William Barclay, um autor bastante conhecido e citado, sugere que o problema era a crença, muito difundida na antigüidade, de que os demônios estavam sempre procurando uma brecha para entrar nos homens, para destruir seus corpos e mentes. Uma das maneiras pela qual faziam isso era através da comida. Tais espíritos se alojavam na comida e quando a pessoa a engolia, os demônios entravam nela. Por esse motivo, diz Barclay, as pessoas consagravam os alimentos – especialmente a carne – a algum deus bom. Acreditava-se que a presença de um deus bom na carne formava uma barreira contra os maus espíritos.(27)
O assunto dos sacrifícios de animais aos deuses é bem complexo, e não poucos estudiosos discordariam de Barclay. Essa não parece ser a razão primordial pela qual os pagãos consagravam comida aos seus deuses. Sacrifícios eram praticados nas religiões de quase todas culturas antigas, e no geral, visavam honrar uma divindade, apaziguá-la ou santificar a oferta. Em algumas destas culturas, os sacrifícios estavam relacionados com o culto aos ancestrais, alimentar os deuses e mesmo "comer os deuses".(28) Paulo, ao discutir o assunto, em momento algum sugere que haveria o risco de demônios penetrarem mesmo naqueles que comessem a carne consagrada aos demônios nos próprios templos dos deuses pagãos. A questão que incomodava os coríntios não era se estariam comendo demônios, mas se não estariam participando direta ou indiretamente do culto ao ídolo. Note ainda que quem introduz o conceito de que os demônios estão por detrás da idolatria é Paulo. Provavelmente os coríntios nem estavam pensando nesses termos. A explicação de Barclay, portanto, é menos do que convincente.(29)
Os crentes de Corinto estavam divididos quanto ao assunto. Um grupo deles estava passando por grande aflição. Eram ex-freqüentadores dos templos, recém convertidos ao Evangelho. Por vezes, acabavam caindo no velho costume de comer carne, encorajados pelo exemplo dos que achavam que não havia nada de errado com isso. Como resultado, suas consciências os acusavam: eles haviam acabado de consumir carne espiritualmente contaminada, consagrada aos demônios em um templo pagão. Paulo, no tratamento que faz do assunto, considera-os como "fracos", pois suas consciências eram "fracas" (1 Co 8.7,9-12). O grupo contrário, a quem Paulo chama de "dotados de saber" (1 Co 8.10), tinha já plena consciência de que os ídolos dos templos pagãos nada eram nesse mundo, e que os animais a eles ofertados, na verdade, continuavam a ser de Deus, o criador e Senhor de todas as coisas. Assim, sentiam-se livres para comer carne, até mesmo nos festivais pagãos nos templos. Os "fracos", estimulados por esse exemplo, tentavam usar da mesma liberdade, mas com resultados desastrosos – suas consciências não eram fortes o suficiente para permitir que comessem carne livremente.
O problema parece que girava em torno de duas questões. Primeira, a relação entre os animais e os deuses, diante de cujas imagens os animais eram consagrados, oferecidos e sacrificados. A carne desses animais continuava a "pertencer" aos deuses após o ritual no templo, quando estava pendurada no açougue público para ser vendida? Quem comesse dessa carne estaria, mesmo de forma inconsciente, fazendo um pacto com os deuses? Segunda, comer essa carne não implicaria numa espécie de participação à distância dos crentes na adoração pagã e no culto aos deuses? Não deveríamos evitar a todo custo aquilo que tem relação com os cultos idólatras?
As respostas de Paulo são surpreendentes. O apóstolo concorda com os "fortes" quanto ao conhecimento de que Deus é o Senhor de tudo e que não há outros deuses ou senhores (1 Co 8.4-6). Mas condena a falta de amor dos "fortes" para com os "fracos" (1 Co 8.9-13). Deveriam limitar sua liberdade pela consideração à consciência dos outros. Após dar o exemplo de como abriu mão dos seus direitos como apóstolo de receber sustento por amor do Evangelho (1 Coríntios 9), e após alertar os "fortes" contra a arrogância, usando o exemplo de Israel no deserto (1 Co 10.1-15), Paulo responde às três principais indagações dos Coríntios já mencionadas acima.
O fato de que Paulo não invoca aqui a decisão do concílio de Jerusalém (Atos 15) para resolver o assunto de vez tem intrigado os estudiosos. Conforme lemos no livro de Atos, o concílio havia se reunido para tratar das condições sob as quais os não-judeus poderiam ser salvos e recebidos na Igreja. A polêmica havia sido causada por alguns judeus cristãos da Judéia que foram até as igrejas gentílicas forçar os gentios a se circuncidarem, e a guardar as leis de Moisés (naquela época, as mais importantes eram as leis dietárias e o calendário religioso). Paulo e Barnabé resistiram e houve uma grande discussão. O assunto foi levado aos apóstolos e presbíteros em Jerusalém. Alguns fariseus que haviam crido em Cristo insistiam na circuncisão e nas leis de Moisés para os gentios, mas Paulo, Pedro e Tiago, através de seus testemunhos e do apelo às Escrituras, convenceram o concílio de que os gentios eram salvos pela fé sem as obras da lei (como também os judeus o eram), e que não precisavam se tornar judeus para poder pertencer à Igreja de Cristo. O concílio, entretanto, em sua decisão, resolveu incluir algumas condições éticas, entre elas, a de os gentios se absterem das coisas sacrificadas aos ídolos (At 15.29).
O concílio havia acontecido uns poucos antes de Paulo escrever 1 Coríntios. O apóstolo estava perfeitamente consciente do conteúdo da sua decisão. A pergunta é, por que não invocou aquela decisão para acabar de vez com o problema em Corinto? Algumas respostas tem sido dadas. Peter Wagner, por exemplo, sugere que Paulo não havia ficado satisfeito com essa decisão, considerando-a inadequada e superficial. Para Wagner, a decisão do concílio havia sido equivocada por tratar o comer carne sacrificada aos ídolos como algo imoral, quando na verdade era algo neutro.(30) Entretanto, a melhor solução tem sido observar que as condições éticas requeridas pelo concílio eram para ser observadas num ambiente onde houvesse judeus e gentios. Eram regras a ser seguidas pelos gentios cristãos numa igreja onde houvesse judeus cristãos. Elas não eram uma lei moral geral e válida em todas as circunstâncias, mas uma orientação para quando a abstinência se fizesse necessária para preservar a unidade, conforme sugere Calvino em seu comentário em Atos 15.
A situação de Corinto era diferente. O problema lá não era o mesmo tratado no concílio de Jerusalém. O problema não era os escrúpulos de judeus cristãos ofendidos pela atitude liberal de crentes gentios quanto à comida oferecida aos ídolos. Portanto, a solução de Jerusalém não servia para Corinto. É provavelmente por esse motivo que o apóstolo não invoca o decreto de Jerusalém.(31) Antes, procura responder às questões que preocupavam os coríntios de acordo com o princípio fundamental de que só há um Deus vivo e verdadeiro, o qual fez todas as coisas; que o ídolo nada é nesse mundo; e que fora do ambiente do culto pagão, somos livres para comer até mesmo coisas que ali foram sacrificadas.
1. A primeira pergunta dos coríntios havia sido: era lícito participar de um festival religioso num templo pagão e ali comer a carne dos animais sacrificados aos deuses? Não, responde Paulo. Isso significaria participar diretamente no culto aos demônios onde o animal foi sacrificado (1 Co 10.16-24). Paulo havia dito que os deuses dos pagãos eram imaginários (1 Co 10.19). Por outro lado, ele afirma que aquilo que é sacrificado nos altares pagãos é oferecido, na verdade, aos demônios e não a Deus (10.20). Paulo não está dizendo que os gentios conscientemente ofereciam seus sacrifícios aos demônios. Obviamente, eles pensavam que estavam servindo aos deuses, e nunca a espíritos malignos e impuros. Entretanto, ao fim das contas, seu culto era culto aos demônios. (32) Paulo está aqui refletindo o ensino bíblico do Antigo Testamento quanto ao culto dos gentios:
Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus... (Dt 32.17).... pois imolaram seus filhos e suas filhas aos demônios (Sl 106.37).
O princípio fundamental é que o homem não regenerado, ao quebrar as leis de Deus, mesmo não tendo a intenção de servir a Satanás, acaba obedecendo ao adversário de Deus e fazendo sua vontade. Satanás é o príncipe desse mundo. Portanto, cada pecado é um tributo em sua honra. Ao recusar-se a adorar ao único Deus verdadeiro (cf. Rm 1.18-25), o homem acaba por curvar-se diante de Satanás e de seus anjos.(33) Para Paulo, participar nos festivais pagãos acabava por ser um culto aos demônios. Por esse motivo, responde que um cristão não deveria comer carne no templo do ídolo. Isso eqüivaleria a participar da mesa dos demônios, o que provocaria ciúmes e zelo da parte de Deus (1 Co 10.21-22). Paulo deseja deixar claro para os coríntios "fortes", que não tinham qualquer intenção de manter comunhão com os demônios, que era a atitude deles em participar nos festivais do templo que contava ao final. Era a força do ato em si que acabaria por estabelecer comunhão com os demônios.(34)
2. Era lícito comer carne comprada no mercado público? Sim, responde Paulo. Compre e coma, sem nada perguntar (1 Co 10.25). A carne já não está no ambiente de culto pagão. Não mantém nenhuma relação especial com os demônios, depois que saiu de lá. Está "limpa" e pode ser consumida.
3. Era lícito comer carne na casa de um amigo idólatra? Sim e não, responde Paulo. Sim, caso não haja, entre os convidados, algum crente "fraco" que alerte sobre a procedência da carne (1 Co 10.27). Não, quando isso ocorrer (1 Co 10.28-30).
O ponto que desejo destacar é que para o apóstolo Paulo a carne que havia sido sacrificada aos demônios no templo pagão perdia a "contaminação espiritual" depois que saia do ambiente de culto. Era carne, como qualquer outra. É verdade que ele condenou a atitude dos "fortes" que estavam comendo, no próprio templo, a carne sacrificada aos demônios. Mas isso foi porque comer a carne ali era parte do culto prestado aos demônios, assim como comer o pão e beber o vinho na Ceia é parte de nosso culto a Deus. Uma vez encerrado o culto, o pão é pão e o vinho é vinho. Aliás, continuaram a ser pão e vinho, antes, durante e depois. A mesma coisa ocorre com as carnes de animais oferecidas aos ídolos. E o que é verdade acerca da carne, é também verdade acerca de fetiches, roupas, amuletos, estátuas e objetos consagrados aos deuses pagãos. Como disse Calvino,
Alguma dúvida pode surgir se as criaturas de Deus se tornam impuras ao serem usadas pelos incrédulos em sacrifícios. Paulo nega tal conceito, porque o senhorio e possessão de toda terra permanecem nas mãos de Deus. Mas, pelo seu poder, o Senhor sustenta as coisas que tem em suas mãos, e, por causa disto, ele as santifica. Por isso, tudo que os filhos de Deus usam é limpo, visto que o tomam das mãos de Deus, e de nenhuma outra fonte.(35)
CONCLUSÃO
Ao fim desse capítulo, espero ter dado evidências claras de que não há como justificar hoje a prática no culto cristão de ungir e abençoar objetos, quaisquer que forem os propósitos. Também, que não há como provar biblicamente que objetos usados e consagrados aos demônios nos cultos idólatras e ocultistas têm algum poder especial de "amaldiçoar" os crentes verdadeiros que os tocam, ingerem, usam ou acabam por possui-los fora do contexto de adoração e devoção a essas entidades.
Devemos sempre nos lembrar da diferença fundamental entre o conceito pagão e o conceito cristão quanto ao emprego de "coisas" com sentido religioso. As religiões empregam objetos e utensílios em seus cultos ou práticas como símbolos de realidades espirituais ou portadores de poderes mágicos. O culto cristão, em contraste, é bem mais simples. Ele emprega apenas dois símbolos materiais, a água do batismo e os elementos da Ceia (pão e vinho). A atitude do paganismo para com esses objetos é também diferente da atitude dos evangélicos para com seus símbolos (batismo e Ceia). Enquanto que para os evangélicos a água, o pão e o vinho são símbolos que têm seu valor e sua função apenas no momento da ministração dos sacramentos, na prática da magia, no ocultismo, nas religiões afro-brasileiras e no catolicismo popular, os objetos cúlticos continuam a manter uma relação vital para com as entidades e realidades espirituais aos quais estão associados, mesmo após a sua consagração durante os rituais. Por exemplo, uma rosa que foi ungida continua a emanar forças positivas mesmo após o ritual de consagração. Um amuleto que foi "carregado" de fluidos positivos continuará a emaná-los ad infinitum. Uma comida que foi "trabalhada" por uma mãe de santo num terreiro de umbanda vai afetar quem a comer, fora do terreiro. Para os evangélicos, em contraste, uma vez encerrada a Ceia, o pão é pão comum e o vinho, vinho comum. Na verdade, eles permaneceram sendo vinho e pão comuns durante a celebração da Ceia. Aquele uso especial para o qual foram separados, cessa após a celebração. Nenhum pastor pode, fora do momento da celebração (suponhamos, durante o jantar em casa de amigos), tomar pão e declarar: "Disse Jesus, isso é o meu corpo, comei deles todos". Água, pão e vinho perdem sua simbologia fora do culto. Para o paganismo, entretanto, a profunda relação entre objetos cúlticos e as realidades e entidades espirituais associadas a eles é permanente.
Portanto, os evangélicos que conhecem a sua Bíblia não são superticiosos quanto a objetos oriundos de outras religiões. Entretanto, acredito que devemos ter bastante cautela quanto a objetos assim. Eu mesmo não guardo em casa ou no ambiente de trabalho nenhuma dessas coisas. Não que tenha receio que elas poderão dar aos demônios, a quem foram oferecidas, algum tipo de poder sobre mim e minha família. Estou seguro e protegido no poder do meu Salvador Jesus Cristo. Mas, pelas seguintes razões, que ofereço como orientação geral quanto ao uso desses objetos:
1) Devemos evitar ter e exibir esses objetos quando os mesmos forem uma tentação real para a idolatria ou ocultismo. Novos convertidos egressos da idolatria e cultos afro-brasileiros poderão ser tentados a retornar às práticas antigas, estimulados pelos símbolos do seu passado religioso. Devemos evitar toda e qualquer possibilidade de sermos tentados nessa área, bem, como evitar sermos causa de tropeço para outros. Foi isso que o apóstolo Paulo recomendou aos "fortes" de Corinto (1 Co 10.31-33).
2) Devemos evitar esses objetos se os mesmos evocam lembranças do nosso passado. Muitos de nós gostariam de esquecer períodos e eventos acontecidos nos tempos de ignorância. Deus nos deu a bênção do esquecimento. Livremo-nos, pois, de tudo que mantém vivas lembranças assim.
3) Devemos evitar esses objetos se os mesmos servirem de estímulo a outros a que façam o mesmo, sem que estejam firmes em suas consciências de que tais objetos, em si, nenhum mal trazem.
Notas
1 Para um estudo mais detalhado das práticas das igrejas de libertação, veja a análise feita por Leonildo Silveira Campos, ‘Teatro’, ‘Templo’ e ‘Mercado’: Uma análise da organização, rituais, marketing e eficácia comunicativa de um empreendimento neopentecostal - Igreja Universal do Reino de Deus, tese publicada pelo Instituto Metodista de Ensino Superior, 1996. Veja também o relatório da Comissão de Doutrina da Igreja Presbiteriana do Brasil sobre a Igreja Universal do Reino de Deus (Igreja Universal do Reino de Deus [São Paulo: CEP, 1998] 58-61).
2 Filácterio era uma pequena caixa de couro, quadrangular, contendo cédulas de pergaminho com passagens da Escritura, que os judeus traziam atadas uma na cabeça e uma no braço esquerdo durante a oração da manhã.
3 Cf. Merril Unger, Biblical Demonology (Wheaton, IL: Scripture Press, 1952; 7a. edição, 1967) 33.
4 Os milagres operados pelo Senhor Jesus eram sinais que apontavam para Sua pessoa e obra (Jo 20.30-21). A promessa de que seus seguidores fariam obras similares e até maiores parece que não incluía curas através de saliva e vestes por parte de todos os crentes. Somente os apóstolos – e mesmo assim, somente Pedro e Paulo – realizaram sinais similares, que por sua vez, eram sinais dos apóstolos, visavam autenticar seu apostolado e estabelecer a mensagem (2 Co 12.12). A passagem de Marcos 16.17-18 (sem considerarmos os problemas textuais) não se refere ao uso de objetos.
5 Essa idéia estranha é defendida por Robson Rodovalho, Por Trás das Bênçãos e Maldições (Brasília: Koinonia, 1995) 32. Ele conta uma história na qual atribui a objetos amaldiçoados o poder de rachar uma ponte do Plano-Piloto em Brasília, mesmo após a quebra de maldições (Ibid., 33).
6 Linhares, Bênção e Maldição, 41.
7 Cf. Edir Macedo, Orixás, Caboclos & Guias: Deuses ou Demônios? (Rio de Janeiro: Universal, 1996; 13a. edição) 48.
8 Mark I. Bubeck, Raising Lambs Among Wolves: How to Protect Your Children from Evil (Chicago: Moody Press, 1997) 237-39.
9 Ver a excelente discussão de Loraine Boettner sobre o uso de objetos no culto católico, incluindo rosários, crucifixos, escapulários, e relíquias que vão desde pedaços da cruz de Cristo, da coroa de espinhos e o Santo Sudário, até roupas e frascos de leite da Virgem Maria!!! (Roman Catholicism [Phillipsburg, NJ: Presbyterian and Reformed, 1962; 9a. edição de 1980] 284-95).
10 Kurt Koch afirma que alguns mosteiros católicos na Suíça distribuem amuletos ou fetiches ao povo, para protegê-los contra doenças e epidemias. Esses amuletos são geralmente pequenos sacos, contendo, em alguns casos, pedaços de unhas e de casca de ovos. Cf. Kurt Koch, Between Christ and Satan (Michigan: Kregel Publications, 1962) 87.
11 Existem lojas virtuais pela Internet onde toda a parafernálias usada nos rituais mágicos e de bruxaria estão acessíveis e podem ser facilmente adquiridos com cartão de crédito.
12 O conceito pagão por detrás dessas práticas é o de transferência de poderes espirituais para objetos. James Fraser argumenta que essa idéia está presente nas religiões mais antigas e primitivas e consiste basicamente em transferir para objetos ou animais toda dor, culpa e sofrimento, bem como os maus espíritos que os produzem. Fraser dá vários exemplos interessantes, como por exemplo, a prática de povos indianos de curar epilepsia aplicando folhas de determinadas plantas ao paciente e depois lançando-as fora. Acredita-se que a doença passa para as folhas e depois vai embora com elas (James G. Fraser, The Golden Bough: A Study in Magic and Religion [Nova York: Mcmillan, 1925] 538-40)
13 Warner, Spiritual Warfare, 94.
14 Ibid., 94-95.
15 A palavra hebraica para "bodes", ocorre mais de 40 vezes no Antigo Testamento. Em 4 dessas ocorrências, foi traduzida pela versão Almeida Atualizada (bem como outras versões importantes) como "demônios" ou "sátiros":
Nunca mais oferecerão os seus sacrifícios aos
demônios, com os quais eles se prostituem; isso lhes será por estatuto perpétuo
nas suas gerações (Levítico17.7)
Jeroboão constituiu os seus próprios sacerdotes, para os altos, para os sátiros
e para os bezerros que fizera
(2Crônicas11:15)
Porém, nela, as feras do deserto
repousarão, e as suas casas se encherão de corujas; ali habitarão os avestruzes,
e os sátiros pularão ali
(Isaías 13.21)
As feras do deserto se encontrarão com
as hienas, e os sátiros clamarão uns para os outros; fantasmas ali pousarão e
acharão para si lugar de repouso
(Isaías 34.14)
O sátiro era um figura da mitologia grega, uma fera do deserto, metade homem e metade bode. Na antigüidade, era associada ao deus Dionísio. É provável que no período do Antigo Testamento existisse um culto aos sátiros, tendo origem no Egito, e com o qual os israelitas tivessem alguma familiaridade quando ali estiveram como escravos (cf. Js 24.14). Segundo Harrison nos informa, essa seita egípcia floresceu na região oriental do Delta e seu ritual incluía bodes copulando com mulheres adeptas (cf. R. K. Harrison, Levítico: Introdução e Comentário, em Série Cultura Bíblica [São Paulo: Mundo Cristão e Vida Nova, 1980] 165-166). Assim sendo, a tradução de Levítico 17.7 poderia ser simplesmente "Nunca mais oferecerão os seus sacrifícios aos sátiros (ou, deus-bode)". A tradução "demônios" é interpretativa, e pode dar a sugestão de que realmente existiam demônios em forma de bode que assombravam os desertos. O texto hebraico não se refere a demônios, mas ao culto aos sátiros praticado naquela época por alguns israelitas.
16 Warner, Spiritual Warfare, 113.
17 Ver Catecismo Maior, pergunta 109.
18 Cf. G. Adolf Deissmann, Bible Studies (Edimburgo: T. & T. Clark, 1901), 323.
19 John Gill’s Expositor, in loco.
20 Por outro lado, não quero com isso apoiar irrestritamente os movimentos entre os jovens para queimar discos e fitas de rock evangélico, considerados espiritualmente perniciosos por alguns líderes evangélicos (cf. Rick Lawrence, "Gothard slams Christian rock", em Group, Set. 1990, 41-42). Em geral, sou emocionalmente contra a iconoclastria (destruição de ídolos) por cristãos, como por exemplo, a ocorrida na Escócia, sob os auspícios de John Knox, quando o povo entrou nas igrejas católicas e quebrou todas as imagens, utensílios e objetos ligados ao culto idólatra. Se tivermos, porém, de queimar alguma coisa, a queima de horóscopos poderia fazer algum bem – numa pesquisa de 1992, 11% dos crentes americanos disseram consultar horóscopos e acreditar em astrologia ("Most Americans believe in moral absolutes...", em National & International Religion Report, 13 de Julho de 1992, p. 8).
21 Segundo Barclay nos informa, um dos métodos usados pelos exorcistas era conhecer o nome de um espírito mais poderoso do que aquele que estava no doente, e invocá-lo contra esse espírito de doença. Cf. William Barclay, "Hechos de los Apostoles", em El Nuevo Testamento Comentado por William Barclay, vol. 7 (Argentina: La Aurora, 1974) 154-55.
22 I. Howard Marshall, Atos: Introdução e Comentário, em Série Cultura Bíblica (São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1982) 294.
23 Ver a descrição detalhada (inclusive com fotos) em Macedo, Orixás, Caboclos & Guias, 106-8.
24 Aparentemente, a comunidade havia preparado algumas perguntas para Paulo sobre questões práticas Esta carta havia sido possivelmente trazida por uma delegação (1 Co 16.17). Em 1 Coríntios Paulo responde algumas dessas perguntas. Podemos detectá-las nas partes da carta que Paulo começa com a expressão "com relação à....", ver 7:1, 25, 8:1, 12:1, 16:1, 16:12.
25 Barclay, I & II Corintios, 83-84.
26 Ibid., 84. Serápis era uma divindade do Egito, importada da Grécia. Era o deus dos mortos e da cura. Um dos seus adoradores mais famosos foi o rei Ptolomeu I, considerado também o iniciador do culto a esse deus.
27 Ibid.
28 Cf. Fraser, The Golden Bough, onde ele discute esse assunto em relação ao culto de Diana.
29 Os que estão familiarizados com os comentários de Barclay percebem como freqüentemente ele apela para a antiga crença pagã em um mundo povoado de demônios para explicar passagens bíblicas onde demônios são mencionados, sugerindo que os cristãos primitivos, bem como os autores bíblicos, partilhavam das superstições pagãs quanto aos demônios, as quais seriam, diz Barclay, incompatíveis com os conceitos modernos de psicologia e da ciência. Infelizmente, ao fim de sua carreira, Barclay abandonou as principais doutrinas do cristianismo histórico, revelando que esse tipo de tendência tinha raiz mais profunda. No seu livro, A Spiritual Autobiography (Grand Rapids: Eerdmans, 1975) onde ele narra sua vida e ministério, os evangélicos ficarão desapontados ao ver o quanto ele se distancia do Cristianismo ortodoxo. Ele se declara universalista (p. 58); declara que o Novo Testamento nunca identifica Jesus como Deus (p. 50); nega a ressurreição literal e física de Jesus (p. 108); identifica o Espírito Santo com o Cristo ressurrecto (p. 109); e declara que "os milagres geralmente não foram histórias do que Jesus fez, mas símbolos do que ele ainda pode fazer" (p. 45). Evidentemente podemos aprender muitas coisas de suas obras, mas o leitor deverá lê-las com discrição e discernimento.
30 C. Peter Wagner, Se Não Tiver Amor (Curitiba: Luz e Vida, 1982) 67-68.
31 Note que Paulo não teve qualquer problema em anunciar o decreto em Antioquia, o que produziu muito conforto entre os irmãos (At 15.30-31).
32 Não somente Paulo, mas os cristãos em geral tinham esse conceito. João escreveu: "Os outros homens, aqueles que não foram mortos por esses flagelos, não se arrependeram das obras das suas mãos, deixando de adorar os demônios e os ídolos de ouro, de prata, de cobre, de pedra e de pau, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar" (Ap 9.20).
33 Cf. Charles Hodge, A Commentary on 1 & 2 Corinthians (Carlisle, PA: Banner of Truth, 1857; reimpressão 1978) 193.
34 Hodge (1 & 2 Corinthians, 194) chama a nossa atenção para o fato de que o mesmo princípio se aplica hoje aos missionários que, por força da "contextualização", acabam por participar nos festivais pagãos dos povos. Semelhantemente, os protestantes que participam da Missa católica, mesmo não tendo intenção de adorar a hóstia, acabam cometendo esse pecado, ao se curvar diante dela.
35 João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, em Comentário à Sagrada Escritura, trad. Valter G. Martins (São Paulo: Paracletos, 1996) 320.
36 Essa diferença fundamental não foi notada por Kurt Koch em seu livro sobre magia e ocultismo. Ele diz que "O uso de fetiches, isto é, objetos carregados de magia, corresponde talvez ao uso da água no batismo ou do pão e vinho na Ceia do Senhor" (Between Christ and Satan, 85).
Autor: Dr. Augustus Nicodemus Lopes
O Rev. Augustus é pastor presbiteriano, tem mestrado em Novo Testamento pela Potschefstroom University for Christian Higher Education, na África do Sul, e doutorado em Hermenêutica e Estudos Bíblicos pelo Westminster Theological Seminary, Filadélfia, USA. Atualmente é coordenador do Departamento de Novo Testamento do Centro de Pós-Graduação Andrew A. Jumper, em São Paulo
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9. - Encontro ou Desencontro?
“Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios”. 1 Tm 4:1
I – Introdução
O Encontro é Tremendo! Esta é a frase mais ouvida ultimamente nos salões dos templos evangélicos, sejam eles pentecostais ou tradicionais. O mais novo chavão evangélico pode ser visto em camisetas, adesivos para carros, painéis decorativos, e principalmente na ponta da língua de diversos crentes. Ecoa como um brado de vitória, como um grito de guerra, capaz de fazer o mais simples dos cristãos se transformar no Super-Homem do avivamento. Para os que ainda não foram atingidos por esta nova 'onda', trata-se do aspecto principal do Modelo dos Doze, a nova visão para a Igreja em Células, preconizado pelo Pr. César Castellanos Dominguez, da Colômbia.
Neste pequeno relato conto a minha experiência de participação deste evento chamado "Encontro", trazendo a público todas as suas principais características. Não fiz nenhum pacto com ninguém. Tenho o compromisso, como cristão, de trazer à luz , e desbaratar tudo o que se apresenta nocivo ao povo de Deus. O apego à Palavra de Deus, o discernimento, o equilibrio, e a observação, impediram o meu envolvimento emocional, o que permitiu a avaliação cuidadosa de cada um dos seus aspectos. Do mesmo modo, o meu amor ao Senhor e a meus irmãos me impediram de manter sigilo sobre as sutís e perigosas doutrinas que ali são ministradas. Jesus disse em Mateus 10:26 "Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não haja de ser descoberto, nem oculto que não haja de ser conhecido.". Espero que aqueles que estão tendo oportunidade de ler este relato possam, à luz da Palavra de Deus, refletir e tirar as conclusões devidas de cada ponto nele apresentado.
II - Antecedentes
Durante dias a Igreja da qual sou membro foi inundada e fortemente bombardeada pela frase "O ENCONTRO É TREMENDO". Alguns poucos irmãos, juntamente com os pastores da igreja, que já haviam participado deste Encontro, promovido por outras igrejas, foram os protagonistas de tão intensa e exaustiva afirmação. Esta frase martelou diariamente a cabeça de todos. A promessa de um encontro face a face com Deus aumentava mais e mais a expectativa. O segredo quanto ao seu conteúdo, guardado a sete chaves, o tornava mais atraente e desejado. Ainda seria necessário passar pelo Pré-encontro, o qual consistia de quatro palestras preparatórias. Durante estas palestras foi pedido a todos sigilo absoluto quanto a tudo que iriam ouvir e ver a partir daquele momento.
I - O Pré-Encontro
Este conjunto de palestras leva o participante a reconhecer sua realidade espiritual, seu estado atual de pecador, e sua condição como filho de Deus em Cristo Jesus. A estimulação para ir ao Encontro é constante em todas as palestras.
II - O Encontro
Chegou enfim o dia tão esperado. Fomos todos em um ônibus, em clima de grande euforia. No local destinado ao retiro fomos recepcionados com explosões de fogos de artifício. Um clima de grande festa. Recebemos diversas recomendações quanto ao comportamento, das quais a de maior impacto foi a proibição de comunicação interpessoal. Acreditem irmãos, a princípio eu achei ótimo.
A primeira palestra ministrada foi "O Peniel", cujo texto está em Gênesis 32:30. Fomos levados entender a experiência de Jacó. Após a ministração fomos levados a meditar sobre nossa real condição. Uma música de fundo era tocada enquanto éramos liberados para sair do auditório e procurar um lugar onde poderíamos ficar a sós com Deus. Foi um momento de muita comoção. Fomos liberados para chorar, gritar, urrar, sem se preocupar com nada ou ninguém. Os pecados deveriam ser confessados um a um, nome por nome, inclusive épocas em que ocorreram. Como desde o princípio, não creio que tenha que trazer à memória meu passado antes da minha conversão (II Cor. 5:17), eu decidi pensar na minha atual condição diante de Deus. Foi um bom momento de reflexão sobre minha vida. Creio na palavra em 1 João 1:9. Ao final voltamos todos para o auditório, eram mais ou menos meia-noite. Depois fomos jantar e em seguida dormir.
A segunda palestra, ministrada no sábado por volta das oito horas, foi acerca do que é o Encontro e quais os resultados obtidos após ele. É neste momento que o Encontro é enfatizado como algo que não pode ser jamais desprezado, pois de sua participação resultará a transformação de sua vida, a renovação de seu coração, sua capacitação para ser "um guia de multidões", além de receber definitivamente a fortaleza de Cristo. É enfatizado a necessidade de estarmos ali, separados de tudo e de todos, para termos este encontro com Deus. É usada a palavra em João 4:30 "Saíram, pois, da cidade e vinham ter com ele." para explicar o privilégio ímpar de estarmos ali. Foi esquadrinhada a Palavra em João 4:1-42 cujo resumo é : a mulher samaritana recebe a palavra, abre o coração, é liberta, e torna-se uma grande missionária. Após isso é enfatizada a importancia de ser um "sonhador". O texto utilizado é João 11:11-25. Interpretando o verso 12 é dito que muitos dos nossos sonhos estão mortos mas Jesus irá despertá-los. Enfatiza-se a linguagem dos sonhos, onde tudo que acontece no mundo natural tem que ser conquistado primeiramente no mundo sobrenatural. Após esta palestra, que durou cerca de duas horas, fomos tomar café.
A terceira palestra ministrada foi sobre Libertação (Quebra de maldição). Esta palestra começa com a afirmação que o crente pode ter uma atitude "demonizada", descrita em Efésios 4:27. Ao falarem de maldições citaram os textos de Deut. 11:26, Deut. 30:19, e Efésios 5:15-16. O preletor discorreu sobre o surgimento das maldições, enfatizando a realidade da maldição hereditária, e sua renúncia e quebra no Encontro, não importando se ela entrou através dos pais, avós, bisavós, etc. Comecei a achar que alguma coisa não ia bem, pois a Bíblia é clara em Ezequiel 18:20 quando diz "A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho, A justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele.", além de várias outras passagens como Jeremias 31, Provérbios 3:33, 26:2, Gál 3:13, Colos. 2:14-15, Romanos 6:6-7, 2 Coríntios 5:17, João 8:36, dentre outros. Esta palestra demorou cerca de três horas. Ao final fomos liberados para almoçar, era cerca de três horas da tarde. Na porta do auditório interceptei o preletor e disse a ele que não concordava com o que havia sido dito sobre maldição, que como crente converso eu era nova criatura em Cristo Jesus, e que o fato de ter que voltar ao passado era uma forma de anular a Cruz de Cristo. O preletor ficou sem resposta.
Após o almoço fomos liberados para descansar um pouco. A partir daquele momento comecei a ficar incomodado com toda aquela situação. Comecei a relacionar os fatos, as palestras, os muitos depoimentos pessoais dos preletores, a participação da equipe de apoio, as músicas, etc. Senti como se tudo que já havia aprendido sobre a Cruz de Cristo não tivesse nenhum valor. Foi quando tive um impulso para buscar a Palavra de Deus. Enquanto todos descansavam eu comecei a estudar a Palavra. Escrevi quase duas páginas. Não tinha muito tempo, pois ainda precisava passar a limpo tudo que havia escrito. O que escrevi confirmou aquilo que penso acerca de minha salvação. Graças a Deus obtive esta luz. O que escrevi baseou-se resumidamente em : Colossenses 2:14-15, Romanos 8, Romanos 6, II Coríntios 5:17, Gálatas 6:17.
A quarta palestra ministrada foi sobre comportamento no encontro e a nova postura após ele. Não há muito o que falar sobre esta palestra senão o fato de relacionar a experiencia de Paulo com o Encontro. Paulo não conhecia o amor de Deus, rendeu-se diante do Encontro com Jesus, esteve três dias longe de tudo, quando ao final recebeu a grande comissão de Cristo. Bem sugestivo não? Relacionando com esta experiência temos : não conhecemos a Deus de fato; viemos para o Encontro onde ficamos longe de tudo; fomos libertos da cegueira.
A quinta palestra foi sobre "Cura Interior". O preletor inicia explicando a diferença entre espírito, alma, e corpo. Afirma que no plano da alma residem todas as feridas e traumas da vida. Relata uma lista grande de comportamentos causadores destas feridas. Ele discorre sobre todos as possíveis feridas emocionais e suas diversas causas. Relata alguns exemplos bíblicos tais como Moisés (língua pesada), Elias (incapacidade de enfrentar Jezabel), Mirian (complexo de inferioridade), os 10 espias (complexo de inferioridade). Após isso passou a ministrar a cura propriamente dita. Foi dito que para ser curado eram necessários dois passos : romper o domínio de Satanás, tomando posse do que já era nosso; e receber a cura de lembranças passadas. Em outras palavras foi dito para voltarmos ao passado e desenterrarmos de lá os detalhes mais sórdidos, desintulhando todo o lixo de que nos lembramos, jogando tudo fora. Neste ponto é pedido para declararmos uns aos outros "Estou aberto ao que Deus vai fazer em minha vida". Durante esta ministração foram afastadas todas as cadeiras do auditório. Foi posta uma música bem sugestiva, de adoração, e sem letra. Este momento dividiu-se em três partes: 1) Fizemos uma regressão. Apagaram-se as luzes, foi pedido que visualizassemos o momento da fecundação, depois a formação no útero materno, depois o nascimento, depois a infância, depois a adolescência, etc. A visualização de cada fase foi detalhadamente solicitada, onde fomos instruídos a lembrarmos dos momentos difíceis, amargos, traumatizantes, etc. Em cada momento lembrado era pedido que visualizássemos Cristo conosco e que devíamos liberar perdão para as pessoas envolvidas. 2) Devíamos escolher um parceiro para o qual deveríamos confessar nossas dores. O preletor oferecia um tempo para cada um confessar ao outro, e ao final o ouvinte orava, conforme o modelo do preletor, declarando a cura sobre este irmão, e vice-versa. Após isso é ministrado a unção com óleo em cada participante. Quase todos os participantes caíram. O fenômeno do cai-cai se instalou. Eu particularmente não deixei que o preletor me ungisse com óleo. Após isso, todos em prantos, se abraçando e se consolando, é pedido que voltássemos aos lugares onde foi ministrada mais uma palestra sobre a Cruz de Cristo. Mais uma vez uma música de adoração tocou, as cadeiras foram novamente afastadas, e foi pedido que visualizássemos a vida de Jesus, desde o seu nascimento, apresentação no templo, crescimento, seu ministério de cura e libertação, sua paixão , sua traição, seu sofrimento vicário, os insultos, as chicotadas, os açoites, a dor de levar a cruz, a crucificação. Foi pedido que nos víssemos no meio da multidão que assistia a tudo, e ouviamos Jesus dizer que não foram os romanos e nem os judeus que o tinham crucificado, mas o fato dEle estar ali era por causa dos nossos pecados. Presenciávamos o grito do Salvador, a rendição do espírito, a multidão se retira, nós nos retirávamos também. Ficamos sabendo que Jesus havia ressuscitado. Foi pedido para que nos colocassemos debaixo da cruz para sentirmos o sangue de Cristo caindo sobre nós. Ressucitamos com Cristo, a morte e o pecado não tem mais domínio sobre nós. Após esse momento bradamos com gritos de vitória e abraçamo-nos unos aos outros. 3) Após tudo isso o preletor pede que peguemos um pedaço de papel e escrevessemos tudo o que o Espírito Santo nos lembrar de coisas ruins, pecados, traumas, etc. Além disso foi pedido para reunir que todo e qualquer objeto, que continha algum símbolo da Nova Era, ou outros objetos quaisquer que poderiam lembrar situações ruins, ou se relacionavam com atitudes ilícitas. Nesta hora fomos liberados para ir ao dormitório. Ao voltarmos fomos separados em grupos de doze, e de mãos dadas, fomos até uma grande fogueira onde lançamos tudo. Ao lançar os objetos e o pedaço de papel bradamos em alta voz : "Estão anulados todos os argumentos sobre minha vida". Confesso irmãos, que apesar de participar destes eventos, estava convicto de que nada disso era maior que a Cruz de Cristo em minha vida. Não confessei nada a ninguém, não fiz regressão, e não escrevi nada no papel, e muito menos queimei algum objeto. Simulei a minha participação para não provocar nenhum problema. Depois disso tudo, já eram quase uma hora da manhã, fomos jantar e dormir.
Como havia acontecido no sábado de manhã assim também foi no domingo. Fomos direto para o auditório assistir a sexta palestra, que foi sobre estilos de oração e a nova vida em Cristo. Interpelei o preletor e disse a ele que estava muito preocupado com o que fora ministrado no sábado, em relação a Libertação e Cura interior, e que gostaria de conversar detalhadamente depois sobre o assunto. Depois fomos tomar café da manhã por volta de nove e trinta.
A sétima palestra foi sobre o Modelo dos Doze, onde foram apresentados seus diversos aspectos. Não vou discorrer sobre este tema.
A última palestra foi sobre Batismo no Espírito Santo. O preletor discorreu sobre os propósitos do batismo no Espírito Santo, sobre os resultados, sobre as condições para recebê-lo, sobre as evidências, e sobre a necessidade de ser cheio do Espírito. Após isso começou o leilão do batismo. Este preletor era do tipo que empurrava a testa, ocasionando várias quedas. Dessa vez eu também não cai, graças a Deus, apesar de ter sido empurrado duas vezes.
Para finalizar ficamos no auditório, após a palestra, onde um momento surpresa nos esperava. Foi pedido que deitassemos com os olhos fechados. A medida que éramos chamados pelo nome levantávamos uma das mãos e recebíamos ao lado de nosso corpo um objeto. Quando todos receberam foi pedido que abríssemos os olhos e verificassemos o conteúdo. Foi, para mim, o melhor momento deste retiro. O objeto, um envelope, continha bombons, e vários cartões e fotografias enviadas pela minha esposa. Ela não economizou, escreveu muitos cartões. Montou um álbum com fotos de diversos momentos de nossa vida, tais como namoro, noivado, e casamento. Foi um momento de grande quebrantamento. Neste momento foi liberada a comunicação interpessoal, e todos se abraçaram e se confraternizaram.
Como podemos ver, muitas coisas boas aconteceram neste retiro. Não há dúvida que muitos de seus aspectos são inéditos. Agora nem por isso devemos fechar nossos olhos às sutilezas que foram ministradas juntamente com as coisas boas. Resumindo este Encontro eu diria que ele tem três principais objetivos : Quebra de Maldições (Libertação), Cura Interior, Batismo no Espírito Santo. Todos estes assuntos já foram bem abordados e discutidos em diversos livros. São temas que apresentam muita controvérsia. Cabe a cada um avaliar cada um destes temas, julgando-os à luz da Palavra de Deus. Eu particularmente não concordo com nenhuma das abordagens ministradas no Encontro. Creio ser uma forma muito sutil de negar a Cruz de Cristo. Como isso é apenas um relato de minha experiência não vou entrar em detalhes quanto à minha opinião.
É importante esclarecer também que durante todos estes dias de retiro fomos bombardeados com a frase : "O Encontro é Tremendo". As músicas "Eu quero é Deus" e "Na casa de meu Pai há unçao e há poder" foram exaustivamente tocadas. Os momentos de louvor eram altamente agitados, com pulos, danças aeróbicas, trenzinhos, onde os principais incentivadores eram os preletores e os irmãos da equipe de apoio.
O culto na igreja, realizado no mesmo dia do retono do retiro, é marcado por manifestações de euforia que chegam a passar dos limites da racionalidade. Gritos, pulos, danças aeróbicas, assovios, fazem parte da expressão de todos os participantes deste Encontro. As pessoas que ali estavam, tanto membros da igreja como visitantes ficavam sem entender o que estava acontecendo. Os Pastores esforçavam-se para explicar o fato dizendo que "estes irmãos tiveram um encontro face a face com Deus". Não houve ministração da Palavra, mas sim testemunhos dos participantes do Encontro. Muitos ficaram escandalizados, ao ponto de se retirarem.
III - O Pós-Encontro
Este conjunto de palestras objetiva a consolidação dos aspectos do Encontro. É marcado por muitos depoimentos daquilo que foi conquistado. Basicamente as palestras tratam da conservação daquilo que foi conseguido no Encontro (Libertação e Cura Interior), das defesas contra as retaliações de Satanás, e de como posso deter as investidas do inimigo. O fatores "cobertura espiritual" e "obediência e submissão" são muito enfatizados. Chegam a dizer que a obediência aos Pastores é a nossa legalidade contra Satanás. Eu não creio nisso, ao contrário eu creio que a Cruz de Cristo é a nossa legalidade. E vou além em dizer que obediência e submissão não é imposta e sim conquistada através da Palavra de Deus, assim como lemos em I Pedro 5:2 "Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade;". Ao final de tudo somos encorajados a participar da "Escola de Líderes", outro aspecto desse Modelo dos Doze, e a participarmos como equipe de apoio em outros retiros. Mais uma vez é reforçada a manutenção do silêncio absoluto quanto ao conteúdo do Encontro. Após a última palestra fomos convidados a participar da "queima de arquivo". Uma reunião, no sábado seguinte, para queimarmos na fogueira os objetos remanescentes. Deste evento eu não participei.
IV - Conclusão
Depois de passar por todos estes eventos, e perceber distorções da Palavra de Deus e enganos sutís, fui compelido a pesquisar sobre cada assunto. Confesso que o que encontrei, juntando com aquilo que já sabia, me deixou muito preocupado com o rumo que as igrejas evangélicas, principalmente as renovadas, estão tomando. Muitas doutrinas estranhas ao Cristianismo estão sendo sutilmente injetadas. Muitos pastores e líderes na ânsia de verem suas igrejas crescerem e serem avivadas estão adotando métodos e técnicas estranhas sem uma criteriosa investigação de seus aspectos, muitas vezes ocultos. Muitas destas técnicas trazem em suas entranhas práticas encontradas no espiritismo. Devemos ter muito cuidado com as "novidades" que aparecem, e com os profetas de última hora que trazem as revelações emergenciais de Deus. Paulo já advertia em Gálatas 1:8 "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema.". Deus não sofre de processo de continuidade. Aquilo que Ele fez em Cristo Jesus é perfeito e não necessita de retoques, e de que nada lhe seja tirado ou acrescentado. A origem de seitas heréticas decorre desta tentativa. Jesus Cristo também advertiu em Mateus 24:24 "porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.". A vinda do AntiCristo seria precedida por engano e apostasia. Paulo diz em II Tessalonicenses 2:9 "a esse iníquo cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás com todo o poder e sinais e prodígios de mentira,". Por isso irmãos precisamos ser atalaias, sempre atentos. Devemos examinar tudo, provar tudo, como em I João 4:1 "Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.", assim como em I Tessalonicenses 5:21 "mas ponde tudo à prova...", assim também como em I Coríntios 2:13 "...comparando coisas espirituais com espirituais.". Temos que ser como os bereanos em Atos 17:11 "Ora, estes eram mais nobres do que os de Tessalônica, porque receberam a palavra com toda avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim.". Temos a Bíblia, que é a Palavra de Deus, como referência única e verdadeira. Que este opúsculo possa servir de alerta aos meus irmãos em Cristo, como é dito em Tito 1:9 "retendo firme a palavra fiel, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para exortar na sã doutrina como para convencer os contradizentes."
Autor: Roberto Alves do Nascimento
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10. Benny Hinn, o Papa do Xamanismo
Num trabalho do site Cutting Edge Ministries, sob o título “CHARISMATIC DELUSION: IS BENNY HINN POSSESSED BY DEVILS?”, com declarações do Pr. Chambers, o qual traduzimos livremente, colhemos as informações abaixo :
Numa fita de vídeo Benny Hinn parece estar praticando uma poderosa demonstração de shamanismo e magia negra, ao ensinar aos seus seguidores as crenças orientadas pela Nova Era. Quando comparamos a sua “teologia” pela Bíblia, a natureza de sua apostasia se torna bem clara. Essa constatação se torna óbvia, pois o apóstolo Paulo declara na 2 Ts 2:1-4 que o Anticristo só vai aparecer quando os líderes religiosos da época lhe abrirem a porta: “ORA, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto. Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus”. (Bíblia ACF).
Em outras palavras, quando um líder religioso ensina falsa doutrina, fugindo da legítima doutrina bíblica, ele está abrindo cada vez mais amplamente a porta ao Anticristo. O problema da negação neo-pentecostal às doutrinas da Bíblia tem se tornado tão grave que o evangelista E. W. Hill realmente gritou para a sua audiência: ”Joguem fora suas doutrinas”. Essa heresia é a matéria da qual está sendo fabricado o Anticristo. (Pensacola White Magic - vídeo). Agora vamos estudar as revelações (neste vídeo) de que Benny Hinn não passa de um padre “católico místico”.
O mundo de Benny Hinn é estranho e confuso. Ele se enquadra perfeitamente dentro da categoria de um padre místico, dispensando a ligação teológica ao longo de sua teologia mística. O ministério da “Obtenção da Liberdade Pessoal” descreve um Benny Hinn recente numa fita de vídeo de 3 horas, como o “santo dos santos”, “ponto de contato” com Deus, no século 20 e “um meio de se alcançar o poder e a unção de Deus”, em caráter mais amplo do que os padres católicos romanos diziam possuir, na Idade Média. (The Confusing World of Benny Hinn), Fisher and Goedelman, p. 79.) Também é sugerido que Hinn se tornou uma espécie de “papa carismático”.
Como já foi dito, Benny Hinn tem agido como um feiticeiro da magia negra e como tal se torna o recipiente de uma legião de espíritos demoníacos. Essa revelação de que ele é um “ponto de contato” entre o reino normal e o paranormal é igual ao que os padres católicos alcançam no reino demoníaco (O vídeo “Catolicismo - O Sepulcro Caiado do Cristianismo” pode confirmar isso)
Existe uma legião de problemas no mundo de Benny Hinn, porém nada é mais perigoso do que o seu estilo de teologia católica. Kathryn Kuhlman foi sem dúvida a primeira carismática a mergulhar nas doutrinas católicas, a fim de autenticar suas preleções. Benny Hinn se considera um benfeitor e um modelo místico do tipo de Kuhlman. Oral Roberts disse no vídeo de 3 horas de Hinn: “Jamais vi alguém igual a Kathryn”, deixando implícito que Hinn é maior do que ela! Em seguida Roberts falou de si mesmo como possuindo o poder de Deus… na mão direita, enquanto Hinn preenche todo o edifício em nível mais elevado…”
Em nível maior! Benny Hinn pode se tornar o maior shamã da atualidade. Ele pode estar completando a “última das achas”, um conceito do grupo de rock Led Zepelin. O seu espírito guia demoníaco lhes contou que haveria “quatro achas que deveriam ser colocadas no fogo, até a chegada do grande tronco, quando as massas da humanidade, serão postas no fogo, segundo os ensinos profundamente satânicos da magia negra contidos em suas canções”. ["Fallen Angel: The Untold Story of Jimmy Page and Led Zeppelin", by Tom Friend, p. 256]
Não será Hinn um shamã da mesma estatura do líder do grupo Led Zepelin? Quando vemos o seu vídeo com essa idéia na mente, logo começamos a entender a importância de Benny Hinn no vindouro reino do Anticristo. Seus ensinos vão muito além dos ensinos antibíblicos, alcançando a fronteira do mundo paranormal. Ele está preparando dezenas de milhares de pessoas para aceitarem os ensinos antibíblicos e paranormais do Anticristo.
Benny Hinn e a confusão católica - Não existe na face da terra uma organização mais demoníaca do que o Catolicismo Romano, segundo o vídeo “Catolicism, White Sepulcher Christianity”. A Igreja de Roma é totalmente recheada de doutrinas pagãs demoníacas. Contudo, Hinn declara orgulhosamente: “Minha educação foi católica e nela freqüentei uma escola católica em Jaffa, Israel. Por isso tenho a mentalidade católica. Desde que nasci, sempre fui católico em meus caminhos. Sempre fui católico nas idéias e no comportamento”. (Christianity Today, 03/09/1991.)
De fato, no misticismo que acompanha o seu ministério, e segundo suas próprias palavras, ele assim tem-se comportado em público, desde o primeiro dia, sendo o seu estilo tipicamente místico e medieval. De fato, Benny Hinn falou pessoalmente a dois repórteres do Toronto Globe And Mail, num artigo datado de 25/12/1976, em seu primeiro pronunciamento de compromisso (07/12/1974), na Igreja Pentecostal Trinity em Oshawa. Foram estas as suas palavras: "Ergui minhas mãos para orar por 100 pessoas presentes ali e elas caíram logo no chão. Foi então que me tornei cônscio do meu tremendo poder”. Esse tipo de fenômeno acontece freqüentemente nas religiões místicas, nas cerimônias da magia negra e com gurus místicos religiosos. Contudo estão absolutamente ausentes nas Sagradas Escrituras. A única vez em que alguém caiu na Bíblia foi quando o próprio Deus se manifestou, ou um anjo apareceu à pessoa que caiu. Considerar até mesmo que uma pessoa tenha o poder de fazer cair tanta gente ao chão foge totalmente à ordem e razão da Bíblia. Por que iria Deus dar a um homem ou a uma mulher poder para “derrubar” pessoas? Se Ele fosse manifestar tal demonstração de Sua presença em Seus profetas ou profetisas, faria algo mais sério e não uma tolice desse naipe. Eu ficaria de alma compungida se o meu Deus usasse alguém para “derrubar” pessoas aos milhares e em seguida curá-las à mão cheia. Se Ele é realmente Deus, sempre se preocupará com a humanidade e dela cuidará com amor. Então, como poderia Ele curar tantos milhares e ao mesmo tempo derrubá-las ao chão? O Deus da Bíblia não pratica asneiras nem faz coisas sem significação. Isso é coisa de Satanás e não do Pai celestial.
Sempre e sempre Hinn vai até as pessoas, apenas para fazê-las cair para trás, elas geralmente caem de costas. Este fenômeno é absolutamente, 100% Satânico! Os shamãs da magia negra sempre o fazem e, mais freqüentemente, contra os seus inimigos. A idéia exata a ser passada ao povo é que isso é uma prova do poder do “Espírito Santo”, o que é inacreditável, aproximando-se do pecado imperdoável.
Lemos em Mateus 12:31-32 o seguinte: “Portanto, eu vos digo: Todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens. E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro”.
Nos versos que precedem estes, os fariseus diziam ao povo que a única razão para Jesus operar milagres era que ele estava no poder de Belzebu e deste retirando o poder. Por isso Jesus disse que esse pecado não teria perdão neste mundo nem no mundo vindouro. Benny Hinn está fazendo o oposto: ele está operando magia negra e satanismo, dizendo que esse poder vem de Jesus. Hinn está cometendo um pecado extremamente grave e conduzindo muitos milhares de pessoas diligentes e sinceras ao abismo, junto com ele.
Benny Hinn e a missa católica - A missa celebrada nas igrejas católicas e um evento blasfemo. Como já explicamos, no vídeo "Catholicism: White Sepulcher Christianity", a missa é uma cerimônia de bruxaria realmente poderosa na tradição da magia branca. No século 7, os praticantes de magia negra tornaram-se cônscios de que a Igreja Católica havia criado na missa um ritual luciferiano muito poderoso, semelhante aos seus infames rituais de magia negra. Logo que a ICR ficou sabendo que os bruxos da magia negra conheciam a verdade sobre a missa, o Vaticano iniciou sua inquisição contra eles, no reinado do papa Teodoro (642-649) e começou a matar os “hereges” ["The Magic of Obelisks", Peter Thompkins, p. 55]
Como um ex-iluminista da magia negra, Cisco Wheeler, admoesta: “A missa também abre um canal literalmente espiritual entre esta dimensão e o paranormal. Os demônios fluem através desse canal e em seguida “abençoam” os fiéis em geral, do mesmo modo como Benny Hinn “abençoa” as pessoas, apontando o dedo para elas e em seguida atirando-lhes “fogo” ou coisa equivalente. As estrelas do rock reviram as mãos em direção às pessoas que assistem aos seus shows e literalmente atiram-lhe demônios, a fim de que estes possam se apossar das pessoas que voluntariamente chegam para assistir esses eventos. A Igreja de Roma ganha imenso poder sobre os seus membros através da missa diária, quando estes se tornam constantemente endemoninhados. O ex-satanista Doc Marquis, afirma categoricamente que o poder satânico inerente à missa só pode ser realizado quando o sacerdote diz as palavras em Latim. Quando a missa é celebrada em outra língua, o poder luciferiano decai tremendamente. Foi assim que a Igreja Católica conseguiu um grande poder, quando começou a celebrar a missa em Latim no ano 600 d.C.” ("Secrets of Romanism", by Joseph Zacchello, p. 210). Isso quer dizer que aproximadamente 42 anos após ter a ICR começado a celebrar a missa em Latim, a inquisição sangrenta teve início, não parando até que 70.000.000 foram mortas. Isso é o bastante para deixar claro o poder da missa celebrada em Latim.
Nada moveu os reformadores a resistir ao papa e às doutrinas da ICR mais do que o falso ensino da transubstanciação. A missa celebra a crucificação de Cristo sempre e sempre, contrariando de maneira violenta as instruções contidas nas Sagradas Escrituras (Epístola aos Hebreus). Leiam o conteúdo desta epístola e vejam como Deus proíbe a repetição do sacrifício de Cristo e como a missa impede o crente de alcançar a salvação eterna, pois Hebreus 6:6 diz ser impossível aos que “... recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério”. (Bíblia ACF)
Gente, isso é exatamente o que a missa católica faz - ela crucifica continuamente na cruz o Filho de Deus levando-O diariamente ao desprezo, à vergonha e à desgraça pública. Enquanto uma pessoa toma parte na missa, ela está sendo endemoninhada. Quando criou a missa, Satanás simplesmente condenou todas as gerações de católicos romanos ao inferno. O que nos disse o Senhor a respeito dos falsos profetas, que viriam para cegar as suas ovelhas? “Deixai-os; são condutores cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova” (Mateus 15:14).
A palavra na Concordância Strong para “cova” é “bothunos", a qual pode ser também traduzida por “abismo”, levando os eruditos bíblicos a concluir que Jesus aqui se referia ao “abismo de fogo”, isto é, ao inferno. Em outras palavras, Jesus está lamentando que os líderes religiosos conduzam suas iludidas ovelhas ao inferno.
A missa também é uma prática fetichista, que reduz o fiel a se transformar num canibal de Deus. Todo o conceito é sub-humano e representa uma regressão religiosa do mesmo tipo daquela praticada pelos pagãos da Babilônia. ("The Two Babylons: Papal Worship Proved To Be Worship of Nimrod and His Wife", Alexander Hislop, p. 156). Se o corpo e o sangue de Jesus devem ser por Ele oferecidos em morte contínua, então a Sua Ressurreição se resume a nada, enquanto Maria, assunta aos céus, se transforma na ponte de um futuro incerto. Até mesmo o purgatório se torna necessário, visto como o Messias enfraquecido continua sendo exposto a uma morte diária. Esta doutrina é confusa e anti-bíblica ao extremo. Aparentemente, Benny Hinn adora essa confusão. Vamos citar uma experiência que aconteceu no show de TV de Paul Crouch (TBN), mostrando como Benny Hinn apresenta sua crença na transubstanciação, dogma em que a ICR afirma que o pão e o vinho se transformam literalmente no corpo e sangue de Cristo. Sem esse sacrifício humano o Catolicismo deixaria de ser uma prática de magia branca, conforme o vídeo "Catholicism: White Sepulcher Christianity".
"Na televisão nacional, Hinn compartilhou recentemente uma experiência, a qual deveria fazer tremular uma bandeira vermelha na mente de todos os cristãos pensantes. Quando descrevia o curso de um culto em Amarillo, no qual ele tomava parte, ele declarou que, de repente, sentiu-se paralisado, e depois sentiu que alguém caminhava diante dele. A sensação tornou-se de tal modo real, que ele pôde adiantar-se e tocar uma vestimenta de seda lindamente macia... E a próxima coisa que ele sentiu foi a forma de um corpo... E diz que o seu corpo estava completamente paralisado… E que Deus realmente deu-lhe uma revelação naquela noite em que ele tomou parte na comunhão, que não é apenas o partir do pão...” Disse Crouch que “quando participamos de Jesus, como podemos continuar fracos? doentes? Pois estamos participando do corpo de Cristo e é Ele quem cura as enfermidades do nosso corpo…” (“Confusing World Of Benny Hinn", 0. Richard Fisher and M. Kurt Goedelinan, ps. 132-133, citando "Praise The Lord Show", Trinity Broadcasting Network, 27/12/1994.)
Mais uma vez estamos tendo uma clara evidência de que Benny Hinn consegue suas revelações quando os demônios começam a se manifestar a ele. Hinn disse que sentiu um corpo real vestido em vestes reais. Os satanistas e membros da Nova Era têm visto esse tipo de manifestação o tempo inteiro. Benny Hinn um católico místico que invadiu as igrejas evangélicas com a sua doutrina de demônios. A obra de Cristo na cruz foi total e suficiente. A verdadeira fé dos crentes bíblicos não pode ser embasada em experiências religiosas místicas, pois “o justo viverá da fé” (Gálatas 3:11- ACF). O apóstolo Paulo escreveu aos gálatas advertindo-os desse perigo, dizendo que eles estavam sendo enfeitiçados por espíritos enganosos, quando acrescentavam algo mais à sua fé, com ritualismos e cerimônias da carne, etc. Vamos ler: “Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi evidenciado, crucificado, entre vós? Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne? Será em vão que tenhais padecido tanto? Se é que isso também foi em vão”.
Todos os praticantes desse tipo de religião carismática deveriam ponderar cuidadosamente, pois se continuarem seguindo e depositando sua fé em líderes cegos, não importa quão fortes sejam as sensações e emoções experimentadas, apresentadas por Satanás para os engolfar, tudo lhes será em vão, conforme Paulo admoesta claramente.
Benny Hinn é um místico católico
A simples fé no Senhor Jesus Cristo tem sido testada severamente nestes últimos dias. As pessoas sentem coceiras nos ouvidos e desejam ouvir doutrinas suaves. A maioria desses crentes deseja experimentar sensações esotéricas, querendo se transformar em gigantes espirituais. A maioria já não se contenta em freqüentar uma igreja que pregue simplesmente a Bíblia, onde os membros aprendem a verdade e se alimentam da Palavra de Deus. Não aprenderam ainda que “Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hebreus 4:14-16).
No momento em que chegamos ao trono da graça, acontecem experiências maravilhosas, que ultrapassam qualquer experiência carismática do tipo que Satanás tem enganosamente proporcionado aos seguidores dos falsos profetas. Ninguém é mais blasfemo e merecedor de censura por esse estado em que se encontra a religião cristã do que os ministros religiosos. A verdadeira igreja não pode sobreviver sem um mover genuíno do Espírito Santo. Ele é o controlador e protetor de nossas mentes e almas. A igreja precisa de um reavivamento embasado nas doutrinas antigas e legítimas, que têm servido à Igreja Cristã por mais de 2000 anos.
Nessa atmosfera atual de confusão religiosa e de negação da doutrina verdadeira, um místico do tipo de Benny Hinn pode fornecer uma falsa religião, a fim de preencher os anseios do homem de um Deus conhecido através de sensações físicas. Ele fala sempre e sempre em suas revelações recebidas de Deus… do seu “deus”. Mesmo com a sua teologia mudando conforme o vento, ele afirma que suas revelações são constantes. A maioria das pessoas não entende a implicação dessas doutrinas, à medida em que fica na dependência de sensações e derramamento de lágrimas. Essas pessoas têm uma fome tão grande de experimentar “Deus” que mesmo reduzindo-O a uma simples emoção, acham isso “melhor do que nada”! Esse é o tipo de escravidão espiritual que tem acorrentado milhões de católicos, hindus, mórmons e outros membros de falsas religiões. São emoções falsas criadas por místicos experientes, por feiticeiros do Vudu e por tantos gurus que têm proliferado na arte do engano religioso.
O misticismo de Benny Hinn só pode ser descrito como demoníaco. Sua habilidade de descartar os inimigos, expondo verbalmente os que denunciam seus enganos e dizendo que recebe revelações divinas, é no mínimo confusa. Vez por outra ele confessa que falou coisas erradas e promete regenerar-se, porém continua agindo do mesmo modo. Enquanto isso, os seus seguidores tratam esses lapsos do mesmo modo como os babilônios tratavam seus deuses cruéis, os quais precisavam ser apaziguados com sacrifícios e adoração constantes... O poder de Hinn sobre as multidões que lotam as igrejas onde ele pontifica, nas grandes cruzadas e nas apresentações na TV, dão uma idéia perfeita do que acontecerá quando o Anticristo chegar para exercer o controle mental sobre a humanidade. Parece que a sua loucura mística, adicionada às suas revelações “divinas”, já o elevou a uma espécie de mini-deus... Ele habilmente mistura a herança de Jerusalém, o pano de fundo católico e o material ocultista, com a sua personalidade carismática e as doutrinas da prosperidade, apresentando-se como um “showman” indiscernível e cheio de sucesso, cativando as massas de maneira extraordinária.
As declarações de Benny Hinn - Será que ele mente?
Um artigo recente no jornal “The Inkhorn”, publicado pelo Rev. Larry Thomas, declarou o seguinte:
"...O televangelista que cura através da fé tem uma reputação bem documentada de falcatruas, elaborações, interpretação errônea da verdade, exageros e declarações falsas. O acompanhamento de suas histórias em geral conduz a uma série de afirmações duvidosas que não subsistem à luz da verdade. Hinn tem dado uma interpretação errada a tudo, desde as três narrativas de sua conversão, até à carreira política de seu pai, sua gagueira infantil e uma queda de avião, da qual ele afirma ter escapado ileso. (The lnkhorn, August 1995, p. 13.)
Ele tem, aparentemente, um sério problema de credibilidade. Em seu livro “Welcome Holy Spírit” (Bom Dia, Espírito Santo) ele narra uma história em que foi convidado a um hospital católicos, enquanto pregava um reavivamento, em Ontário, Canadá. Foi convidado para essa cruzada pelo Pr. Fred Spring, no Tabernáculo Pentecostal de Elim. No livro Hinn declara: "Recebi um convite especial da reverenda Madre do hospital católico nessa área. Ela queria que eu dirigisse um culto para os seus pacientes - junto com três outros pregadores pentecostais e sete padres católicos. A capela do grande hospital recebeu cerca de 150 pessoas." ("Welcome Holy Spirit", Benny Hinn, p.231.) Em seguida, ele conta uma estranha história desse evento. Diz que a capela se encheu de doentes crônicos, pacientes na cama e em cadeiras de rodas, com os médicos e as enfermeiras observando. Ele tomou tomou óleo de unção, quando ele, os ministros e os padres católicos começaram a ungir e orar pelos enfermos. Disse que um dos padres caiu (pelo Espírito Santo), enquanto ele os ungia. Diz que o hospital parecia um terremoto e que as pessoas caíram todas sob o poder do Espírito Santo. (Ibid, p.234.) Em seguida, ele cita o que a Madre teria dito:
"Após o culto na capela, a reverenda Madre indagou: ´Ó, isso é maravilhoso. O Sr. poderia vir agora e impor as mãos sobre os pacientes que estão nos quartos?´… Mais de cinqüenta médicos, enfermeiras, pregadores pentecostais, padres e freiras se juntaram a esse time de ´invasão miraculosa´ enquanto entrávamos naqueles quartos.” (lbid.) Entramos em todos - um por um ... e todos eles caíram pelo poder. De fato, quando começamos a orar por um senhor que estava fumando, ele caiu pelo poder com uma ponta de cigarro ainda nos lábios” (Ibid. p. 235.)
Que história fascinante! O único problema é que ela parece ser apenas uma invenção. O dito hospital publicou recentemente uma declaração desmentindo a história que Hinn afirma ter acontecido ali. Eis a declaração: "Nenhum desses eventos jamais se deu no Hospital Geral”. Seu pronunciamento também não pode ser verificado nos registros médicos, nem pelo testemunho do pastor pessoalmente presente no hospital. “As afirmações de Hinn são exageradas e não confiáveis." ("Quarterly Journal", Personal Freedom Outreach, Julho-Setembro, 1995.)
Está claro que Benny Hinn é um católico carismático na linha do ocultismo místico medieval. Nossa maior obrigação é alertar as pessoas destes últimos tempos sobre esses engodos e ensinar-lhes a absoluta necessidade de cuidadosa fidelidade à Escritura Sangrada. O fenômeno Hinn jamais poderia subsistir numa atmosfera centrada na Bíblia. Bem depressa ele seria denunciado! As pessoas que conhecem a Bíblia levantar-se-iam coesas e encabeçariam a saída, quando Hinn começasse a espalhar os seus ensinos antibíblicos. O fato de tantas pessoas aplaudirem o que Hinn, Crouch e outros fazem, não importa quão absurdo seja, é uma prova da inexistência de fundamentalistas nas audiências e, por isso, os que ali se encontram podem ser facilmente enganados.
Três vezes em Mateus 24 Jesus admoesta contra o engodo espiritual no final dos tempos. O fato de ter Ele repetido três vezes essa admoestação dá ao capítulo uma significação intensa, a respeito do que será o engano espiritual, sendo este a marca registrada dos tempos finais. Esse engano já se encontra aqui, de muitas maneiras, conforme a Missão The Cutting Edge tem estado admoestando, de todo o coração. Contudo, em parte alguma esse engodo tem sido tão intenso como nos meios carismáticos. No vídeo, Benny Hinn é mostrado como um mestre shamã, endemoninhando tanto adultos como crianças com todos eles tendo tremores e caindo, exatamente como acontecia nos antigos cultos a Baal, e achando que estão servindo ao Senhor Jesus Cristo. Será que você se encontra no meio desses iludidos?Leia o que Jesus falou: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mateus 7:20-23).
Quando adoramos num culto que desrespeita os mandamentos e as doutrinas do Senhor, seguindo falsas doutrinas, parecemos com aquela multidão que estava certa de ir para o céu por causa da imensidão de suas experiências. Mas Jesus disse que jamais as conheceu e, portanto, elas irão diretamente para o inferno. De fato, o final dos tempos não terá paralelo no engano espiritual que nos rodeará, engano esse que fluirá principalmente através da TV.
Você está espiritualmente preparado? E sua família? Você está protegendo adequadamente os seus amados? Esta é a razão do nosso ministério. Capacitá-lo a entender primeiro o perigo que está cercando-o e em seguida ajudá-lo a desenvolver estratégias para que você possa admoestar e proteger os seus entes queridos. Logo que você estiver inteiramente treinado, poderá usar os seus conhecimentos para abrir uma discussão com uma pessoa não salva. Tenho podido fazer isso muitas vezes e tenho visto, como resultado disso, pessoas irem a Jesus Cristo. Estes tempos perigosos são também um tempo em que se podem alcançar muitas almas para Jesus Cristo, fazendo uma enorme diferença. Quem aceitou Jesus Cristo como o seu Salvador pessoal, mas está se sentindo morno em seu caminho com Ele, pode ir imediatamente até Ele e pedir perdão para ser renovado em sua fé. Ele depressa vai perdoá-lo e encher o seu coração de alegria no Espírito Santo. Em seguida, essa pessoa deve iniciar um caminhar diário em oração e estudo pessoal da Bíblia.
“The Cutting Edge”/Mary Schultze, maio 2004.
11. - A Satanização dos Cultos Evangélicos
Confira abaixo e conclua por si mesmo quanto já foi assimilado do satanismo pela sua igreja!
Tem gente que não consegue ver os limites da fé e prática que a Palavra de Deus estabelece. Será que verão quando descobrirem que suas práticas, sem precedentes nas Sagradas Escrituras, procedem do adversário de Deus?
Extraído do site:
Satã
Seleções dO LIVRO DE SATÃ
com títulos e notas NR do comentador.
RELATIVIZAÇÃO DE TUDO, INCLUSIVE DA PALAVRA DE DEUS/CÓPIAS CORROMPIDAS DE TEXTOS BÍBLICOS NAS LÍNGUAS ORIGINAIS/NOVAS VERSÕES DA BÍBLIA:
Nenhum credo deve ser aceito sobre a
autoridade de uma "divina" natureza.
Religiões devem ser colocadas em debate.
Nenhum dogma moral pode ser tomado como absoluto - nenhum critério de divina
medição. Não há nada de
inerentemente sagrado sobre as regras morais.
FUNDAMENTO DO EVANGELHO DA PROSPERIDADE
A obrigação principal de toda nova era É ascender o novo homem para determinar seus direitos, para levá-lo ao sucesso material ...
ALTERAÇÃO DO PADRÃO DE MORAL SOB O PRETEXTO DE QUE OS TEMPOS MUDARAM:
"Os tempos mudaram. Os lideres religiosos não
pregam mais que todas as nossas ações naturais são repletas de pecado. Não
pensamos mais que sexo é sujo - ou que ter orgulho por si mesmo é vergonhoso –
(NR.: VEJA COMO A AUTO-ESTIMA FOI ASSIMILADA NO CRISTIANISMO) ou que esperar
alguma coisa importante a mais é vicioso." Claro que não, os tempos mudaram! "Se
você procura uma prova disso, olhe o quão liberal as igrejas se tornaram. Porque
eles estão praticando todas as coisas que você prega."
Satanistas escutam estas e outras declarações similares, o tempo todo; e eles
concordam incondicionalmente.
POSSÍVEL USO DE LÍNGUAS ESTRANHAS, SUBSTITUTO DO LATIM DA IGREJA CATÓLICA, PARA IMPRESSIONAR E IMPOR RESPEITO
É muito mais simples, para obter uma reação
emocional, usar palavras e frases que ninguém pode entender, do que com
declarações que a mente mais simples poderá questionar quando escutá-los numa
linguagem
inteligível.
EFEITOS DA APOSTASIA
Se padres e ministros fossem usar as técnicas para encher suas igrejas cem anos atrás, que usam nos dias de hoje, eles poderiam ser caricaturados de heresia, chamados de demônios, freqüentemente perseguidos, mas certamente excomungados sem hesitação. (NR.: Admitamos, infelizmente eles estão muito mais bem informados neste assunto do que nós).
Os religiosos lamentam, "Nós devemos acompanhar os tempos", esquecendo que, duelando com os fatores limitados e as mais profundamente mortais leis das religiões da luz branca, nunca pode haver suficiente mudança para encontrar as necessidades do homem.
MÚSICA SENSUAL = ROCK, I.É, APELO AO SEXO
É o diabo que induz as mulheres a
mostrarem as suas pernas para excitar os homens - os mesmos tipos de pernas,
agora socialmente aceitáveis de serem admiradas, que são mostradas pelas jovens
religiosas, quando elas caminham de lá para cá com suas roupas curtas. Que passo
encantador na direção direita (ou esquerda)! é possível que nós logo vejamos o
"topless" de religiosas sensualmente rebolando seus corpos na "Missa Solemnis
Rock"? Satan sorri e diz que adoraria essa finura - muitas religiosas são moças
muito lindas com pernas bonitas.
Muitas igrejas com algumas das maiores congregações têm os maiores aplausos, música sensual - também satanicamente inspirada. Afinal, o diabo sempre tem tido as melhores músicas.
(NR.: A MÚSICA ROCK PRODUZ ADRENALINA, INDEPENDENTEMENTE SE TOCADa NA IGREJA OU NO MUNDO, COM LETRA “EVANGÉLICA” OU LETRA MUNDANA. ESTUDOS DA POLÍCIA AMERICANA TÊM REVELADO QUE A ADRENALINA SE NÃO UTILIZADA (ELA BASICAMENTE SÓ PODE SER USADA EM COMBATE E COMO O COMBATE NESTES SHOWS DIFICILMENTE OCORRE ELA NÃO É CONSUMIDA) SE TRANSFORMA EM UMA SUBSTÂNCIA PARECIDA COM O LSD E COM EFEITOS SEMELHANTES. OS OUVINTES PODEM, LITERALMENTE, SE DROGAR COM MÚSICA ROCK. A MÚSICA ATIÇA TAMBÉM SEXUALMENTE AO PONTO DE SE TER OBSERVADO EJACULAÇÃO NOS SEUS OUVINTES. MÚSICA ROCK, PORTANTO, É SEXO E DROGAS ENCOBERTAS, INDEPENDENTE SE NAS IGREJAS OU NO MUNDO. UMA NOITE DE “LOUVOR” DE JOVENS COM MÚSICA ROCK AQUI POR PERTO RESULTOU NA GRAVIDEZ DE 5 MOÇAS. DIGNÓSTICO ERRADO DOS PASTORES FEZ ABOLIREM SUAS REUNIÕES COM JOVENS! MAS NÃO ABOLIREM O REAL VILÃO, A MÚSICA SENSUAL!)
APELO EMOCIONAL PARA A DECISÃO PARA
CRISTO, “BEATIFICAÇÃO” DOS LÍDERES E ENCANTAMENTO DOS CULTOS COM PROCEDIMENTOS,
OBJETOS – ÁGUA, PÃO, SAL, SONS, E OUTROS.
Tudo isso está muito bom, mas há uma falha nesse novo estado de qualidade. É uma coisa aceitar algo intelectualmente, mas aceitar a mesma coisa emocionalmente é um assunto completamente diferente. A única necessidade que a psiquiatria não pode preencher é a inerente necessidade humana de se emocionalizar através do dogma. O homem necessita dogma e ritual, fantasia e encantamento.
PROMOÇÃO DA DIVERSÃO AO INVÉS DO ESTUDO DA PALAVRA DE DEUS E SANTIFICAÇÃO.
Hoje, como sempre, o homem necessita desfrutar de si mesmo aqui e agora, em vez de esperar por suas recompensas no céu.
INFILTRAÇÃO COM DIVINDADES SATÂNICAS
OS NOMES INFERNAIS (NR.: LISTA PARCIAL)
Abaddon - (hebreu) o destruidor. ...
Baphomet - adorado pelos Templários como símbolo
de Satan.
Pluto - deus grego do mundo subterrâneo.
Pwcca - nome Gales para Satan.
Saitan - equivalente enoquiano de Satan.
Set – demônio egípcio.
(NR.: ESTE APARECE NO LIVRO: “ESTE MUNDO
TENEBROSO” DE FRANK PERETTI, COMO ANJO DE DEUS! ESTE LIVRO DE CONTEÚDO OCULTISTA
FOI LARGAMENTE RECOMENDADO, LIDO E DIVULGADO NOS MEIOS EVANGÉLICOS, AINDA HOJE:
ASSOCIAÇÃO COM PESSOAS DE MESMA ÍNDOLE/CLIQUE AO INVÉS DE ASSOCIAÇÃO
INDISCRIMINADA COM TODAS AS PESSOAS RENASCIDAS EM CRISTO.
Não desperdice o seu tempo com pessoas que finalmente destruirão você, mas se concentre naqueles que apreciarão sua responsabilidade por eles, e, do mesmo modo, sentirão responsáveis por você.
DOMINAR, POR UM LADO, E CONGREGAR, POR OUTRO LADO, COM O OBJETIVO DE SE DIVERTIR
De cada conjunto de princípios (seja ele religioso, político ou filosófico), algumas coisas boas podem ser extraídas. Entre a loucura do conceito hitleriano, um ponto permanece como exemplo brilhante disto - "força através da alegria!" (NR.: OBSERVEM NOVAMENTE DE ONDE PROCEDEM AS PRÁTICAS EM VOGA!) Hitler não foi tolo quando ofereceu aos alemães a felicidade, em nível pessoal, para insuflar sua lealdade a ele, e desenvolveu grande eficiência neles. (NR.: BASE DO EVANGELHO DA PROSPERIDADE?)
MUDANÇA DO FOCO EM QUESTÃO
O satanista acredita em completa gratificação do ego. (NR.: ESTÁ AÍ UMA EXPLICAÇÃO DA MUDANÇA DE CENTRO NO CRISTIANISMO: DO GRANDE AMOR DE DEUS POR NÓS PARA O NOSSO GRANDE VALOR) Satanismo, de fato, é a única religião que defende a intensificação e o encorajamento do ego. Somente se o próprio ego da pessoa é suficientemente preenchido, pode ela se dar ao luxo de ser amável e complementar aos outros, sem roubar a si mesmo de seu auto-respeito. Geralmente pensamos da ostentação de uma pessoa com o ego enorme; na realidade, sua ostentação resulta da necessidade de satisfazer seu ego empobrecido.
CONSEQÜÊNCIA FATAL DAS PRÁTICAS ACIMA
O satanista sente: "Por que não ser realmente honesto e se você vai criar um deus à sua imagem, por que não criar esse deus igual a si mesmo?" Todo homem é um deus se decidir reconhecer-se como um. (NR.: TAMBÉM JÁ MUITO DIFUNDIDO NO MEIO CRISTÃO.)
PORQUE ESTE AUMENTO DE IMPORTÂNCIA DAS FESTAS DE ANIVERSÁRIO TAMBÉM ENTRE OS EVANGÉLICOS?
Então, o satanista celebra o seu próprio aniversario como o dia santo mais importante do ano. (NR.: OBSERVEM O AUMENTO DE ATENÇÃO QUE SE DÁ À FESTA DE ANIVERSÁRIO. ISSO TEM RAÍZES NO SATANISMO?)
SUCESSO A MEDIDA DO GRAU ESPIRITUAL
Uma coisa permanece certa: os padrões, filosofia
e práticas assentadas nestas páginas são aquelas empregadas pelos homens mais
auto-realizados e poderosos da terra. (NR.: INCLUSIVE, DITOS, EVANGÉLICOS?). No
segredo do pensamento de cada homem ou mulher, ainda motivado pelas mentes
sadias e sem névoas, reside o potencial do satanista, como sempre tem sido.
BASE DO ACONSELHAMENTO “MODERNO”
O segundo tipo de ritual é da natureza compassível. O ritual da compaixão, ou sentimento é realizado com o propósito de ajudar aos outros, ou a si mesmo. Saúde, felicidade doméstica, atividades empresariais, sucesso material e perícia acadêmica são algumas das situações envolvidas pelo ritual da compaixão. (NR.: OBSERVE O CONTEÚDO DE CERTAS ORAÇÕES DE, DITOS, EVANGÉLICOS, NA MÍDIA) Poderia ser dito que esse tipo de cerimônia poderia recair no reino da caridade genuína, tendo em mente que "a caridade começa em casa".
A BASE DO LIVRO “A QUARTA DIMENSÃO” DE PAUL YONGI CHO, CONTEÚDO LARGAMENTE ASSIMILADO POR GRANDES SETORES DOS EVANGÉLICOS
OS INGREDIENTES USADOS NA REALIZACAO DO RITUAL SATÂNICO:
A. DESEJO
O primeiro ingrediente na realização do ritual é o desejo, também conhecido como motivação, tentação ou persuasão emocional. Se você não deseja verdadeiramente qualquer resultado final, não se aventure na realização de um trabalho. (NR.: UM DOS FATORES NO LIVRO “A QUARTA DIMENSÃO” DE PAUL YONGUI CHOU!)
A quantidade de energia necessitada para levitar uma xícara de chá (genuinamente) poderia ser de suficiente energia para colocar uma idéia em um grupo de líderes sobre a terra, motivando-os em concordar com o seu desejo. (NR.: MAIS UM DOS FATORES NO LIVRO “A QUARTA DIMENSÃO” DE PAUL YONGUI CHOU! CHOU ARGUMENTA QUE CADA TIPO/TAMANHO DE MILAGRE/CURA REQUER UMA QUANTIDADE CRÍTICA DE ORAÇÕES PARA SE REALIZAR).
Uma criança pequena aprende que se ela deseja algo suficientemente forte, acontece, de verdade. (NR.: DE NOVO ESTÁ NO LIVRO: A QUARTA DIMENSÃO DE PAUL YONGUI CHOU!). Isto é importante. Querer significa desejo, enquanto reza é acompanhada de apreensão. A escritura tem transformado desejo em luxúria, avareza e ganância. Seja como uma criança, e não reprima o desejo, a fim de que você não perca contato com o primeiro ingrediente na realização da mágica. Caia em tentação, e se agarre naquilo que o tenta, sempre que precisar.
O adolescente que tem grande cuidado em esculpir, numa árvore, um coração contendo as iniciais dele e do seu amor; o menino que se senta desenhando sua concepção de um reluzente automóvel; a garota magra que balança uma boneca arranhada e rota em seus braços e pensa nela como seu pequeno bebê - estas bruxas e feiticeiros capazes, estes mágicos naturais, estão empregando o ingrediente mágico conhecido como imagem, e o sucesso de qualquer ritual depende disso. . (NR.: ISTO TAMBÉM ESTÁ NO LIVRO: A QUARTA DIMENSÃO DE PAUL YONGUI CHOU!)
Qualquer coisa que sirva para intensificar as
emoções durante o ritual contribuiria para o seu sucesso. Qualquer desenho,
pintura, escultura, escrito, fotografia, artigo de roupa, cheiro, som, mÚsica,
gráfico ou situação inventada que possa ser incorporada na cerimônia servirá bem
ao mágico. (NR.: SEMELHANTE À MÚSICA SENSUAL E ALTERADORA DO ESTADO DE
CONSCIÊNCIA ANTES DOS SHOWS DOS “GRANDES” LÍDERES “EVANGÉLICOS” CARISMÁTICOS.)
Se você tem desejos materiais, você precisa fixar atentamente a imagem deles - ...
D. DIREÇÃO
Além disso, com esta atitude, é duvidoso que a suficiente concentração de energia para uma realização segura possa ser armazenada em primeiro lugar. (NR.: ISTO TAMBÉM ESTÁ NO LIVRO: A QUARTA DIMENSÃO DE PAUL YONGUI CHOU! A MESMA IDÉIA TAMBÉM ESTÁ EMBUTIDA NAS ORAÇÕES 24 HORAS, ORAÇÕES EM CORRENTES, ETC. )
c) imaginando o desejo vividamente ou numa peça curta, seja a si mesmo ou retratando o papel do objeto do seu desejo (transferência), usando qualquer estratagema necessário para intensificar a imagem.
NA BÍBLIA NÃO SE ENCONTRA A PRÁTICA DE ESCREVER OS SEUS
PEDIDOS E DEPOIS QUEIMÁ-LOS PARA SEREM
ATENDIDOS. VEJA DE ONDE VEM ESTA PRÁTICA!
11. (a) Se os pedidos são escritos, eles agora são lidos em alta voz pelo sacerdote e então queimados (NR.: VIU DE ONDE PROCEDEM ALGUMAS PRÁTICAS, DITAS EVANGÉLICAS, QUE VOCÊ NÃO ENCONTRA NA BÍBLIA?) nas chamas da vela apropriada.
Talvez a falha mais evidente nas
conjurações mágicas produzidas no passado é a falta de emoção desenvolvida no
relato delas.
A DECIMA OITAVA CHAVE
A décima Oitava Chave Enoquiana abre os portões do Inferno e eleva Lúcifer e suas bênçãos.
MAIS COMENTÁRIOS NR
Me estarrece observar tanta assimilação do satanismo em certos segmentos, ditos, evangélicos. O que fomenta isto?
O satanista Albert (albertpike e) Pike, maçom grau 33 informa: “Os maçons de graus inferiores não sabem a quem adoram (NR.: Apesar de também adorarem não conscientemente a Lúcifer) mas os de grau 33 adoram conscientemente a Lúcifer.” A satanização de certos segmentos dos evangélicos progride vorazmente nessa direção. Motivo? A maioria dos seus, ditos, grandes astros são maçons de grau elevado (Confira: Um Verifique debaixo de “G...”; outro veja o terceiro na lista dentro do artigo deste! site. Agregue a estes dois todos os seus famosos discípulos.
VAMOS ACORDAR, NOS ARREPENDER E NOS CONVERTER, AQUELES SALVOS DE JESUS CRISTO QUE CAÍRAM NESTA ARMADILHA!!!
SERÁ QUE VAI FICAR TUDO COMO ESTÁ PARA QUE SE CUMPRA: “QUEM É INJUSTO, FAÇA INJUSTIÇA AINDA; E QUEM ESTÁ SUJO, SUJE-SE AINDA.” Apoc. 22A:11
PARA MUITOS O CULTO AO PRÓPRIO EGO VAI SER MAIS PODEROSO DO QUE A PRÁTICA DA JUSTIÇA DE DEUS!!!
E SE MUDAR, SERÁ QUE BASTA MUDAR APENAS SEM ATO DE DESAGRAVO PERANTE DEUS E HOMENS?
VIA DE REGRA, QUEM ENDORSA/PRATICA/PROMOVE UMA DAS QUESTÕES ACIMA ENDORSA/PRATICA/PROMOVE AS DEMAIS.
VOCÊ ACHA QUE A OPINIÃO, DE ALGUÉM QUE FOI SEDUZIDO EM UMA DAS ÁREAS ACIMA E AINDA NÃO SE ARREPENDEU DISSO, MERECE ALGUMA CREDIBILIDADE SOBRE OUTROS ASSUNTOS ESPIRITUAIS???
Selecionado e comentado por Waldemar Janzen, 17 JAN. 2003.
***************
12. - De Escrivá a Castellanos
O G-12 EVANGÉLICO.
O QUE É.
Preliminarmente, afirmamos que se trata de um movimento para-eclesiástico interdenominacional de pretensos propósitos evangelistas e avivalistas, de natureza carismática, procedente do carismatismo neopentecostal, de alegados objetivos missiológicos, de estruturação e consolidação da família cristã. Fundamenta-se num sistema organizacional abrangente. Recolhe “participantes” de todas as denominações, especialmente das carismáticas. Os “recolhidos” na secretíssima “sala das meditações”, na verdade, tornam-se, “depois de trabalhados emocionalmente”, afeiçoados “conscientes” e permanentes dos ENCONTROS.
Todo movimento interdenominacional é teologicamente indefinido e ideologicamente direcionado. Não há movimento sem objetivo determinado. O G12, embora se apresente com o rótulo interdenominacional, tem seu padrão doutrinário claramente estabelecido, moldado na forma da última onda do neopentecostalismo, como veremos posteriormente.
O QUE PRETENDE.
Como movimento para-eclesial, monta-se, inicialmente, no corço da indefinição para:
a - Angariar a simpatia dos membros das igrejas estabelecidas e institucionalizadas. Até que estas se despertem e alertem seus membros, os seus agregados apaixonados e fanáticos já serão numerosos, suficientemente fortes para dividirem suas comunidades de origem em favor do “verdadeiro cristianismo” que “descobriram”.
b - Colocar e manter no frontispício de seu templo ideológico, enquanto lhe convier e lhe for útil, os temas mais evidentes da Igreja: Família, evangelização e santificação.
c - Tentar estabelecer, pela presença de seus “encontrantes” no interior de cada denominação, a diferença “qualitativa”, em termos carismáticos, entre os seus membros normais e os “melhorados” pelo G-12.
d - Impedir, pelo maior tempo possível, por meio do maçônico recurso do “sigilo”, a exteriorização de suas doutrinas e objetivos, dificultando a pesquisa de seu corpo existente entre parceiros e amigos. Sobre essa questão assim se pronuncia Aníbal Pereira dos Reis em seu livro “Os Cursilhos de Cristandade por Dentro”, pág. 77, Ed. De 1973: “No tríduo cursilhista todos se tratam por você. Explicam os dirigentes: “Somos todos iguais; aqui inexistem os desnivelamentos. A Cristo também se trata de você, porque ele é nosso irmão”. Só aos padres se chama de Senhor. E ao bispo, excelência”. Ao padre e ao bispo, tratamento respeitoso. A todo clero, reverência e respeito. A Cristo, não; e isso de propósito, para manter a “suprema autoridade” dos sacerdotes à custa da de Jesus Cristo, o verdadeiro Rei, merecedor do mais profundo respeito por parte de seus servos(douloi). Mas o Dr. Aníbal continua: “Dizia um clérigo naquele 26º Cursilho: “Jesus virou sabor limão para ser mais facilmente consumido, mesmo fora das igrejas”. Com a imagem do “Cristo vulgar na cabeça, os cursilhistas passaram a dirigir-se a ele de maneira desrespeitosa: Meu chapa, o JC; Amigão; Deusinho nosso. Nas orações usavam frases como: “Tô na tua”; “Eu te curto”; “Entra na minha”; “Tu és um cara legal”; “Um chapa super-pra-frente”; “Gente papo firme”; “Estou na tua, mora”. Roberto Carlos e Antônio Marcos, engajados numa elite cursilhizada, lançam, respectivamente, “Jesus Cristo” e o “Homem de Nazaré” (Oração) em linguagem “intimista”. Foi da garganta da Opus Dei, viciada na filosofia jesuítica de que “os meios justificam os fins”, que saíram os primeiros “slogans” de popularização do venerando Filho de Deus: “Eu amo Jesus”; “Jesus te ama”; “Sorria, Jesus o ama”. Mas o Jesus da Opus Dei, tratado irreverentemente, não é o venerável Rei dos reis, o soberano Senhor, mas “o bom camarada” comunizado, parceiro compromissado de todos os “revolucionários sociais carnalizados a serviço de uma religião preocupada muito mais com a adesão que com a santificação. A Opus Dei pelos cursilhos criou a Jesusmania, mas com a “cautela” de preservar a “dignidade” de “Sua Santidade, o Papa” e a intocabilidade da reverência a Maria. Foi uma platéia cursilhizada que, por ocasião da primeira visita de João Paulo II ao Brasil, numa cidade do Sul, aclamou-o seu Cristo: “É isto, é isto, é isto: o Papa é nosso Cristo!”. Enquanto se induzia o povo a chamar o Papa de Cristo, levavam-se os cursilhizados a apelidar o Rei dos reis de “chapa”, de “chefão”.
A liturgia dos cursilhos era a mais lúdica, a mais hilárica e a mais descontraída possível para que a “religião” se tornasse um prazer e a submissão ao clero uma satisfação. Enquanto isso, o sigilo mantinha a intocabilidade do ensino e a emoção não permitia a clara racionalidade dos participantes. A crítica, portanto, filha da democracia, ficava eliminada. O sigilo serve também, quando conveniente, tanto ao G-12 de Escrivá quanto ao de Castellanos, para manter a clandestinidade.
O Cristo do G-12 evangélico é também popular e esvaziado de poder regenerador, gerenciador de seu rebanho e perdoador; um Salvador conforme o modelo arminiano, que salva os “esforçados”, os que “buscam” a salvação, os que lutam para “merecê-la”; jamais o Cristo da graça, o soberano Redentor. O cursilhizado no G12 evangélico torna-se um “supercrente”, capaz de “decidir” o seu destino espiritual e “exigir” de Deus as bênçãos às quais faz jus por “santidade” e por sua “herança” filial. Voltaremos, posteriormente, ao assunto. A semelhança é inegável.
Artigo 49: Cala-te. Não sejas “ meninão”, caricatura de criança, bisbilhoteiro, intriguista, linguarudo. Com tuas histórias e mexericos esfriaste a caridade – má língua- os muros fortes da perseverança de outros, a tua perseverança deixa de ser graça de Deus, porque é instrumento traiçoeiro do inimigo”.
Artigo 50: “És curioso e bisbilhoteiro, metediço e enxerido. Não tens vergonha de ser, até nos defeitos, tão pouco masculino? Sê homem. – E esses desejos de saber da vida dos outros, troca-os por desejos e realidades de conhecimento próprio”.
Artigo 53: “Esse espírito crítico (concedo-te que não é murmuração), não o deves exercitar no teu apostolado, nem com teus irmãos. – Esse espírito crítico é, para o vosso empreendimento sobrenatural (me perdoas que o diga?) um grande estorvo, porque, enquanto examinas – embora com elevada finalidade – o trabalho dos outros, sem teres nada que examinar, não fazes nenhuma obra positiva, e entravas, com teu exemplo de passividade, o bom andamento de todos”.
“Que quer dizer que... “-perguntas inquieto” “ – ...esse espírito crítico, que é como que a substância do meu caráter?...”.
Olha, vou te tranqüilizar: pega uma caneta, anota ao superior, e não penses mais nada. – Ele, que é quem vos dirige e tem graça de estado, arquivará a nota... ou a jogará no cesto de papéis. – Para ti, como o teu espírito crítico não é murmuração, e só o exercitar para fins elevados, tanto faz.”
O G-12 romano trata o pesquisador dos fatos emergentes, o indagador das realidades sociais e o garimpeiro das verdades doutrinárias de mexeriqueiro, bisbilhoteiro, intriguista, metediço, enxerido e linguarudo. Nada de indagação, nada de curiosidade. O cursilhista é condicionado à passividade, a tornar-se como um cadáver nas mãos dos superiores eclesiásticos. Assim, fecham-se as bocas e abrem-se os ouvidos; anula-se a mente e dilata-se a memória; esvazia-se a cabeça de todas as interrogações e enche-a de afirmações dogmáticas “indiscutíveis” e “inquestionáveis”; e então o “gedozista” sai do “tríduo” remodelado, verdadeira “caricatura” de crente, imagem e semelhança de seus modelos, mas fanaticamente convicto de ter tido real “encontro com Cristo”.
Sigilo, arma da Opus Dei e alma do Cursilho. Todo o empenho de eliminar o “espírito crítico” do cursilhando visa criar nele as condições mentais e psíquicas à submissão “consciente” aos seus “guias espirituais” e predispô-lo à aceitação dos ensinos e ordenanças constantes do esquema programático do tríduo de Escrivá. Atentem bem para o Artigo 58 (1): “Olha, meu filho. Sê um pouco menos ingênuo (ainda que sejas muito criança, e mesmo por o seres diante de Deus) e não “ponhas na berlinda, diante de estranhos, os teus irmãos.” Pegar os negativos dos cursilhantes e dos cursilhados, revelá-los e expô-los ao juízo público, colocá-los na “berlinda” para que não atuem na clandestinidade ou sob disfarce é, na opinião do pai da Opus Dei, “ingenuidade”, “meninice”. Para ele, maturidade é a capacidade de ocultar-se e ocultar intenções e propósitos, ou seja, ser hipócrita. Quanto mais secreto o Cursilho, mais livremente atuante, menos oposição dos contrários. Não se opõe ao que se desconhece.
O G12 EVANGLÉLICO.
O G-12 evangélico é herdeiro de dois líderes religiosos opostos entre si, mas ambos com metodologias catequéticas bem sucedidas: o padre espanhol, Escrivá, de que já falamos, e o pastor sul-coreano Paul Yonggi Cho da “Igreja do Evangelho Pleno”, convertida em “Igreja em Células,” por ele criada e internacionalizada. Josemaria Escrivá e Yonggi Cho “descobriram” que “grupos” familiares eram o melhor modelo para consolidar-se a Igreja e expandi-la sólida e rapidamente. As células planejadas e executadas por Cho constituíam-se de dez fiéis, reunidas em grupos de cinco. Cada célula era comandada por um líder celular. O conjunto de cinco ficava sob o comando de um supervisor. Castellanos começou trabalhando com o “projeto de Cho” em 1983, implantado em seu “ministério”, a “Missão Carismática Internacional.” O modelo Cho não funcionou como esperava Castellanos. Então, inspirando-se, certamente, no modelo de Escrivá, implantou o G-12, aproximadamente em 1991/92. O crescimento foi rápido, ultrapassando, em tempo recorde, as fronteiras da conturbada Colômbia.
Do modelo Cho, Castellanos retirou a “célula”, embasada na família e liderada por um líder subordinado ao supervisor e ao chefe geral.
Do modelo Escrivá, o G-12 romano, aproveitou:
a - O sigilo rigoroso de programação e de conteúdo.
b - A concentração de atividades, para não permitir reflexão ou desvio de atenção, isto é, fuga mental do “esquematizado” no hermético Encontro.
c - O psicologismo pelo qual se faz a “conquista” do encontrista ou, em outras palavras, sua lavagem cerebral.
d - A triagem e o preparo da clientela pelos pré-encontros.
e - A implantação da idéia de que nada existe melhor que o “Encontro”: a Igreja não é capaz de, pelas atividades comunitárias, fazer igual. Tal idéia é “plantada” no encontrista e, por meio dele, implantada na Igreja institucional de que “fazia” parte. Depois de catequizado no G-12 de Castellanos, o “gedozista” passa a renegar a Igreja comunitária tradicional como ineficiente, desatualizada, apática e descompromissada com a evangelização. Uma vez gedozista, gedozista sempre.
Escrivá e o de Castellanos usam os “encontros familiares” como estratégia de conquista. Tendo em mãos, no conjunto, as mais influentes famílias da Igreja, sobre a mesma dominarão pela influência, pelo cisma ou pelo domínio. Desse modo, quer por debilitação quer por dominação, a instituição eclesial será vítima por suposta “vontade própria” e até prazerosamente, como o aracnídeo que se deixa devorar pela fêmea que lhe deu prazer momentâneo.
Embora o casal humano, “imagem e semelhança de Deus”, seja a semente do organismo social, seu ponto de origem, seu apoio e sua alavanca, e a Igreja não foge à regra, está passando por inomináveis desafios e crises: Liberação social, econômica e sexual da mulher; autoridade doméstica bipolarizada; competição igualitária dos sexos no mercado de trabalho; independência financeira da esposa; apelo da mídia e da sociedade à sexualidade feminina, despertando no antigo sexo reprimido a ânsia de prazer orgástico, de satisfação coital; a exigência de melhor “desempenho” do parceiro em termos de carícias libidinosas e de relação em si, para que a consorte lhe compartilhe a efusão gozosa. A realização feminina no ato de amor é tão propagada e tão intensamente sonhada e desejada pela maioria das mulheres que, hoje, a quantidade de esposas “mal amadas” é incalculável. As frágeis, especialmente as não cristãs, trocam de parceiros freqüentemente, e algumas, depois de velhas, declaram ter encontrado, finalmente, o prazer nas “fantasias sexuais” com homens mais jovens e liberalizados. Tudo isso, mais os choques das individualidades, das idiossincrasias de cada um, da facilidade, à vista, do divórcio, das dificuldades de geração, criação e educação de filhos, da fragilidade da Igreja em cuidar adequadamente dos seus lares constitutivos, geram problemas sem precedentes nos casamentos modernos. Aí, à margem das igrejas estabelecidas, aparecem as “Pastorais da Família”; os “Cursos para Cônjuges”, os “Encontros de Casais”, especialmente os de “programação secreta” como o G12. O para-eclesiasticismo, utilizando e manipulando a família em crise, está minando a Igreja de maneira séria e gravíssima. A carência feminina e a instabilidade masculina são pontos frágeis, que podem levar a desajustes conjugais, a desejos contidos, a complexos explícitos ou ocultos, a frustrações veladas e reprimidas; quadro que expõe o cônjuge à manipulação psíquica de “líderes” inescrupulosos. Transmutar o complexo de inferioridade em superioridade, usando recursos promissivos por vias emocionais e apelativos não é incomum nas “terapias coletivas” exploradoras da esperança e da credibilidade espiritual dos “pacientes”. Aos derrotados ideal, moral e psicologicamente, aos que buscaram prazer e encontraram a dor; a esses, a oferta da “felicidade”, da paz, da “conquista” do paraíso celeste é irresistível. A busca do bem imediato é a ânsia da maioria. Almeja-se a glória, renegando-se a cruz; busca-se o benefício pessoal, rejeitando-se a renúncia do “ego”; toma-se a estrada da vida, descartando-se o Calvário de cada dia; procura-se a bênção, fugindo-se da servidão e do sacrifício implícitos no caminhar cristão. Esse é o cristianismo prosperista do G-12.
Igreja, Encontro de Famílias.
A fraqueza comunitária do romanismo, agravada com o relaxamento moral, justifica os seus “Cursos para Casais” e suas “Instruções Pré-matrimoniais”. A Igreja protestante, no entanto, é comunitariamente forte, eticamente consistente e doutrinariamente sólida. Nossos rapazes e nossas moças, desde o “Rol do Berço”, aprendem os princípios morais estatuídos nas Escrituras: Respeito aos pais; fidelidade ao cônjuge; indissolubilidade do matrimônio; amor conjugal; respeito ao direito do outro; sexo somente no casamento; testemunho cristão no lar e no mundo. Nossos filhos recebem educação religiosa na família e na Igreja. Tansmite-se-lhes, vivencial e oralmente, o objetivo compartilhamento do casal em todas as atividades domésticas. Os pais evangélicos procuram viver uma vida moral sadia diante dos filhos. Aos nossos filhos ensinamos que: Cristo coabita com seus servos; Deus dirige a vida de todos os seus redimidos; a moralidade e a espiritualidade são fundamentais na constituição e perpetuação da família. Alguns, que não nos conhecem, divulgam que: os rapazes protestantes, em virtude da repressão, tornam-se inabilitados sexualmente; as moças, também muito reprimidas, casam-se despreparadas e, em decorrência, são mulheres frustradas e socialmente inibidas. Sobre essas questões, observemos o seguinte:
a - À luz da nova sexualidade feminina, especialmente a veiculada pelo feminismo, as nossas ancestrais são julgadas e, por esse julgamento “a posteriori”, classificadas de sexualmente irrealizadas e infelizes, mas foram elas as protagonistas do romantismo; as que receberam flores e serenatas; foram exaltadas em prosa e verso, admiradas por seus maridos; mães de gerações admiráveis e maravilhosas; modelos de dignidade e honra para os pósteros. E as “felizes” de hoje, liberadas sexual e socialmente, são, porventura, realizadas? Estão criando uma geração melhor que as anteriores? Estão realmente satisfeitas conjugalmente? Satisfazem realmente seus maridos?
b - O sexo é um componente, importante, é verdade, mas não o único nem o principal na constituição da unidade conjugal: o companheirismo, o respeito mútuo, o amor recíproco, a responsabilidade pactual, os compromissos de ambos na criação e educação dos filhos, são fatores solidificantes absolutamente indispensáveis no estabelecimento e perpetuidade do casamento. O dever precisa ter prioridade sobre o prazer.
c - Muitos preletores de “encontros de casais” falam da união social dos cônjuges a partir da união sexual, colocando o sexo no centro e como cerne da vida conjugal e moral, revivendo os conceitos de Freud sobre a centralidade da libido na formação do homem. Para o cristão, no entanto, o maior e mais profundo dos prazeres, o que deve ser cultivado, é o espiritual. O sexual, legítimo, quando nos seus limites, praticado segundo a ordem natural e as normas bíblicas, não há de superar nem eliminar o espiritual. O ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, compõe-se de matéria e espírito e, portanto, expressa-se, de maneira equilibrada, com predominância do espiritual sobre o sensorial, do pneumático sobre o somático. O sexo é natural, instintivo compulsivo e impulsivo; não precisa ser ensinado. Quem o ensinou aos animais? A libido potencial interna sempre aflorou por ação hormonal mediante estímulos externos de simpatia e sedução, faculdades inatas dos sexos opostos para se atraírem e coabitarem. Na verdade, os seres animais não se coabitam por racionalidade ou por prazer, mas por atração irresistível e seletiva, cumprindo a lei biológica da reprodução e da perpetuação da espécie. O homem fez do sexo fonte de prazer, instrumento de diversão e meio de renda. Sendo um ato natural, espontâneo, realização do impulso reprodutivo, quando submetido às habilitações e às técnicas conubiais eróticas, deprava-se e mais distante fica dos propósitos originais, estabelecidos pelo Criador na criação e na instituição do casamento. Os conflitos sexuais modernos são maiores e de conseqüências mais graves que os atribuídos aos nossos antepassados. O prazer maior de nossas mães era a maternidade; o prazer maior da mulher moderna é a sexualidade.
O crente, formado em uma comunidade calvinista, não precisa da doutrinação conjugal, teológica e missionária do G12: as de sua Igreja são mais consistentes e mais fundamentadas nas Sagradas Escrituras, segundo os parâmetros reformados. Os ministérios docente e regente devem estar atentos à penetração, na Igreja, de ideologias incompatíveis com a nossa fé bíblica e reformada.
A Igreja é, por natureza, uma comunhão de famílias, e deve ser o ambiente adequado e propício ao “encontro de casais”, quer por necessidades didáticas quer por motivações sociais. Encontro de casais fora do universo familiar da comunidade eclesial, quando promovido por estranhos à Igreja, merece reservas por parte do ministério liderante. Diz-nos o adágio popular: “cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.” Os modismos para-eclesiais não ajudam o fortalecimento da Igreja. Lembrem-se da onda de acampamentos interdenominacionais para a juventude? O mal que causaram às igrejas estabelecidas, especialmente as reformadas, tolerantes por formação, foi incalculável e irrecuperável.
OS QUE PRECISAM, NÃO RECEBEM.
O G-12 evangélico, à semelhança de seu predecessor, o G12 católico, coopta nas igrejas, prioritariamente, as mais influentes famílias, especialmente em termos sociais, morais e aquisitivos, sob a pressuposição de “santificá-las” por meio da “terapia regressiva”, “melhorá-las” sentimentalmente, torná-las mais “apaixonadas” por Cristo, “conjugalmente realizadas”, mais “comprometidas” com a “missão”, especialmente a do “Encontro”. Alguns “encontristas” já me disseram: “O que o Encontro faz, a Igreja não é capaz de fazer”. O conceito da “insubstitualidade” da obra do “Encontro” fica arraigado no coração e na mente dos participantes, o que já é o primeiro passo para “substituição” da união comunitária de sua Igreja pela do G-12. E não me digam que isso é pressuposição, pois, efetivamente já está ocorrendo, e com famílias bem constituídas e até então firmes em suas comunidades eclesiais.
As famílias pobres, faveladas, humildes, vítimas de todos os conflitos imagináveis, incluindo os conjugais: pois, muitas delas, constituídas na base do “ajuntamento”, do concubinato, e isso por falta de recursos financeiros para o casamento ou por deficiências morais e despreparo social, ficam, por si mesmas e pelas contingências, excluídas. Essas famílias, verdadeiramente carentes social, religiosa e espiritualmente, não é o público preferido – público alvo- do G-12; não atende plenamente aos seus “objetivos”. Na verdade, o tal “Encontro” não passa de “encontro” dos que menos precisam dele. São capitaneados para o “Encontro Tremendo” aqueles dos quais o G-12 mais necessita para sua “estratégia missionária”: espalhar-se no organismo eclesial por meio de “células” doutrinariamente cancerosas.
IMPLANTAÇÃO E FIXAÇÃO.
O G-12 inicia-se com um “inocente” “encontro”, algo que “pretende” agir como “apoio” das igrejas, “cooperar” com elas, “entusiasmar” seus membros, “evangelizar” para elas. Conseguindo a “simpatia” de pastores e a adesão dos membros mais proeminentes das várias denominações, o G-12 implanta-se, fixa-se, adquire sede, monta esquema definitivo, divulga endereço e telefone, institucionaliza-se. Embora os encontros continuem em “lugares surpresa” e sob sigilo, o seu QG torna-se bem localizado e definido. Nessa fase, o “estrago” nas denominações, especialmente as históricas, já se realizou irreversivelmente, e o G-12 impôs-se como “Igreja celular”, firmada em caudilhos carismáticos.
O ENSINO DO G-12.
Antes de especificarmos e detalhar o “ensino” do G-12, firmemos nossos postulados doutrinários. As igrejas tradicionais, especialmente as de fundamentação reformada, não podem permitir a “gedozização” de seus membros em virtude de seus princípios doutrinários, que resumiremos nos seguintes postulados:
01 - Deus é soberano absoluto: imutável em seu ser, vontade, propósitos, palavras e atos.
02 - Deus é auto-suficiente: não depende em nada de sua criação e das suas criaturas.
03 - A queda derrubou a humanidade inteira: aprouve a Deus salvá-la e recriá-la por meio de um remanescente eternamente eleito em seu Filho Jesus.
04 - A salvação dos eleitos: Os eleitos são chamados pela Palavra de Deus instrumentalizada pelo Espírito e salvos pelo Eleito dos eleitos, nosso Senhor Jesus Cristo.
05 - Salvação graciosa: A salvação, pressuposta na eleição, é ato da livre graça de Deus e, portanto, incondicional; nada existe no homem e por meio dele, que o leve a merecer ou conquistar a vida eterna.
06 - Fé salvadora: O instrumento pelo qual Deus opera no homem a conversão e a santificação é a fé salvadora, um dom da graça: não procede do pecador; vem de Deus.
07 - O chamado do eleito: O eleito é irrecusavelmente chamado, pois a graça é irresistível.
08 - Os salvos perseveram: Deus, por sua imensurável misericórdia, não permite que o salvo se perca. O regenerado jamais voltará ao estado de velha criatura; do redimido nunca se retirará a redenção.
09 - Regenerado: pecados esquecidos. Dos pecados anteriores Deus não se lembrará. A partir do ato regenerador, o redimido passa a ser nova criatura, nada lhe restando da irregenerada vida pregressa.
10 - Pecado perdoado: pecado sepultado, esquecido: Deus não se arrepende do perdão concedido; dos pecados perdoados não mais se lembra.
11 - Pecados expiados: Nossos pecados são expiados em Cristo, o Cordeiro vicário. A graça do perdão não se opera fora e à margem do Filho de Deus.
12 - Pecador, mas justificado. A semente do pecado, ou “pecado original”, permanece no redimido; porém, Deus não lhe permite a queda, pois o mantém sob controle e preservação do Espírito Santo, que nele habita. Pecador sim, mas pecador escolhido, justificado, regenerado e salvo por Deus.
13 - A incondicionalidade da salvação: A graça pressupõe a incondicionalidade do perdão: o homem nada pode fazer de si mesmo para eliminar de seu ser a malignidade do pecado; somente a misericórdia divina é capaz de “purificar” o eleito chamado, salvo e regenerado.
14 - A Palavra de Deus: As Escrituras são nossa única regra de fé e norma de conduta: fora delas não existe revelação verdadeira; contra elas não há condutas retas.
15 - Espírito Santo: Ele é o único intérprete das Escrituras: ilumina-as para o entendimento dos escolhidos; interpreta-as corretamente; aplica-as ao pecador, fazendo-as convencê-los do pecado, da justiça e do juízo.
Diante de tais primados, o ensinamento do G-12 se nos apresenta anti-reformado e inconveniente à nossa gente, pois aurido de fontes neopentecostais teologicamente duvidosas; procedente de supostas “revelações” ao senhor César Castellanos. Focalizemos agora as doutrinas práticas do G-12:
01 - TERAPIA DO EXTRAVASAMENTO.
Ao encontrante, depois de uma sessão emocionalizante, que reduz o participante a um estado emocional e espiritualmente tenso, “convencido” de sua deprimente condição de pecador impenitente, dá-se-lhe a oportunidade de extravasamento, quando se lhe recomenda chorar, gritar e urrar sem receios e sem quaisquer preocupações com censuras e críticas. Esse “choque” psicoterápico de natureza catártica, no contexto de “encontro espiritual”, ajuda “eliminar”, entendem, os sentimentos de remorso pelos erros do passado.
A psicologia utiliza-se de tais processos, porque trabalha com sentimento de culpa e com frustrações complexantes reprimidas. Porém, aplicar métodos psíquicos no “tratamento” de pecadores, com a intenção de eliminar-lhes os pecados em “sessão religiosa”, é inconcebível a um reformado consciente. Somente Deus, ninguém mais, pode perdoar pecados, e ele o faz por expiação e completamente, jamais por meios psicológicos. O pecado não se acumula no inconsciente na forma de recalques nem se expressa por meio de complexos; ele é transgressão da lei de Deus e somente o perdão do próprio Deus é capaz de eliminá-lo. “Consciência de pecado” não se assemelha à “consciência de culpa”. O fato espiritual e o fato psíquico, embora correlacionados, são focalizados separadamente pelo teólogo e pelo psicólogo. O pecado é infidelidade a Deus; o sentimento de culpa origina-se numa falha moral ou num fracasso pessoal – ideal não realizado.
02 - MUNDO NATURAL: PROJEÇÃO DO SOBRENATURAL.
O G-12 ensina que o homem é um sonhador no sentido literal. Ele sonha, porque o sonho é uma forma de contato com o mundo sobrenatural. Todos os fenômenos do mundo natural e tudo que nele ocorre originam-se no sobrenatural. Portanto, qualquer coisa de que precisarmos aqui, temos de buscá-la, primeiro, no universo original, o mundo além; e esta busca dar-se-á por conquista mediante a fé positiva e a oração determinativa. Isso não passa de teologização do platonismo: A realidade existe no universo das idéias; aqui, no mundo fenomênico, os seres e os pensamentos são apenas projeções do real arquétipo. Em consonância com tal teologia filosófica, o homem é conclamado pelo G-12 a sonhar: “Sonha, e Ganharás o Mundo”. Todos os seres humanos têm “sonhos”, e muitos. Jesus veio “despertá-los”; o que significa: o transcendente reside potencialmente no homem, está dormente, mas o Messias pode desenterrá-lo do fundo de cada ser e transformá-lo em realidade concreta. Isso nega a tese da “inteira inabilidade do homem” para realizar-se espiritualmente e faz Jesus ser apenas o “psicólogo” desenterrador de potencialidades dormentes, de capacidades ocultas (2). Sobre a relação do mundo natural com o espiritual, isto é, do terreno com o celeste, o “Manual do Encontro” afirma: “A nossa existência no mundo físico teve seu aval no mundo espiritual” (Pág. 13). “Tudo que acontece no mundo natural tem de ser conquistado primeiramente no sobrenatural” (Pág. 62). (Textos citados de “G-12- Hist. e Avaliação, SPBC/ IPB, pág. 73). Todos os benefícios terrenos emergem do céu mediante conquista humana. Todas as bênçãos e fatos benéficos estão depositados no além, “no mundo sobrenatural”, “pertencendo por direito” aos homens, mas somente serão liberados por meio de “requisição” “positiva” de seus herdeiros. Quem não exige, não consegue. Absurdo!
03 - MALDIÇÕES.
Maldição, no sentido mais erudito e bíblico, é uma forma de imprecação maléfica, isto é, desejo verbalizado do mal contra alguém. A “terceira onda neopentecostal” trouxe no bojo a doutrina das “maldições”, que se baseia no velho conceito de que a palavra humana, especialmente a dos anátemas, das maldições, tem poder mágico de concretizar, na vida do amaldiçoado ou anatematizado, a maldição proferida. Há lendas e contos, alguns burlescos, de pessoas anatematizadas pela Santa Sé, que foram infelicitadas pela desgraça da maldição, levando para o túmulo o opróbrio dos malditos, especialmente bruxos, judeus e protestantes.
Cremos que somente Deus, pelo seu Verbo Criador, teve e tem poder para amaldiçoar e abençoar em virtude da dinâmica operativa e imperativa de sua palavra, quer pronunciada diretamente (viva vox), quer vocalizada por um de seus profetas. As bênçãos e as maldições que aparecem nas Escrituras, portanto, procedem do eterno Revelador e não de finitos mortais. Além do mais, as maldições da Bíblia são preestabelecidas para desobediências grandes e ofensas graves (Pv 26. 2; Gn 3) ao Rei dos reis, especialmente quebra de seus mandamentos. A “palavra da maldição”, em Zacarias, é visualizada num “rolo voante”, quer dizer, de presença e ação universais. Eis como ele conclui a visão: “Esta é a maldição que sai pela face de toda a terra, porque qualquer que furtar será expulso segundo a maldição, e qualquer que jurar falsamente será expulso também segundo a mesma maldição.” (Zc 5. 3). Maldição, neste contexto, significa “juízo da Lei. “Segundo a maldição” é o mesmo que “segundo a Lei”. A imprecação contra Deus é blasfêmia (Jó 1. 5, 11; 2. 5, 9). Entre os pagãos, todavia, o conceito de maldição envolvia homens e deuses. O caso do pedido de Balaque, rei dos moabitas, a Balaão é típico. O profeta, porém, não teve autorização divina para amaldiçoar os adversários de Balaque; antes, os abençoou (Nm 22 e 23). Os símbolos da maldição e da bênção, dois poderes judiciais de Deus, enquadrados na sua divina providência, foram os montes Ebal e Gerizim (Dt 27. 13-26). Deles os sacerdotes, com base na Lei de Javé, e nunca por conta própria, proferirão maldições e bênçãos. O curioso é que os sacerdotes da maldição eram separados dos da bênção (Cf Dt 27. 12, 13). Leiam os exemplos de maldição registrados em Dt 27. 15-26. Os montes Ebal e Gerizim, na nova dispensação, foram substituídos pelo monte Calvário, onde Deus ordenou a bênção da redenção e a da maldição na pessoa de seu Filho, que é, ao mesmo tempo, o bendito Cordeiro vicário, nosso substituto, e também o “maldito”, segundo a Lei: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar, pois está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios em Jesus Cristo. a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito Santo.” (Gl 3.13,14). O regenerado, pois, é eternamente abençoado por Deus em Cristo Jesus; nenhuma maldição pesa ou pesará sobre ele.
Acreditava-se, no mundo gentílico, que uma imprecação maldosa de qualquer pessoa contra outra se auto-concretizava. Balaque pensava assim. Em parte, a doutrina “prosperista” da maldição segue o velho paganismo.
3.1 - MALDIÇÃO do MAU OLHADO e da PRAGA.
3.1.a - Mau olhado. O nosso rurícola conhece os “maus olhados”, capazes de adoecer animais novos, e até matá-los; murchar plantas e impedir o “ponto” de doces, rapaduras e sabão caseiro; atrapalhar fermentação de bolos, pães e bebidas. Sabe-se hoje que há certas pessoas dotadas de força fluídica psico-magnética ou bio-magnética. Tal energia pneumofísica tem recebido o nome de “telergia”: capacidade de agir positiva ou negativamente sobre seres inferiores e sobre pessoas extremamente sensíveis ou debilitadas física e psicologicamente. O domínio que certas pessoas têm e a influência que exercem sobre animais recém-nascidos e plantas tenras são inegáveis. Tais pessoas, embora seus dotes sejam naturais, são “temidas” nos meios rurais como “invejosas”, “praguejadoras”, “malfeitoras”. O “mau olhado” não se transmite por alocução ou verbalização imprecatória, mas, certamente, por irradiação cerebral. Na terra de minha infância, Córrego Rico, Muniz Freire, ES, havia uma cega de cor negra que, se estivesse por perto, o “sabão de decoada” não dava ponto, isto é, não endurecia. Logo, pelo menos nesse caso, o poder não estava nos olhos, mas na mente ou no subconsciente.
3.1.b - Praga. A cultura popular, especialmente a sertaneja, tem mantido a tradição das “pragas” imprecatórias, especialmente as de mãe. Criança, viajava a pé e descalço com minha mãe adotiva, dona Antônia, na antiga estrada de chão, que ligava “Mata-pau” (hoje Piaçu) à Fazenda Guarani, Muniz Freire, Es, quando nos encontramos com um andarilho sisudo, andrajoso, incomunicável. Demos-lhe “Bom dia”. Ele nada respondeu, nem sequer olhou para nós, como se de fato não existíssemos. Perguntei à minha mãe: Por que ele está assim? Ela me respondeu: Ele é um “praguejado”, meu filho. O que é praguejado? indaguei. -É alguém que carrega uma praga. – Mas o que é praga? Praga é quando uma pessoa “roga um mal” contra outra. – E o que é rogar praga? -Rogar praga é pedir uma coisa ruim para os outros. – E a gente pede a quem a tal coisa ruim? – Ao Diabo ou aos espíritos do mal.– E praga tem cura? – Se não for praga de mãe, tem. Se for de mãe, ele morrerá com ela. A gente tem de evitar praga de mãe; é horrível! E minha mãe concluiu: Praga de filho não pega em mãe, mas praga de mãe pega em filho.
não é “ouvida” e “atendida”. Somente a oração altamente vocalizada, aos gritos, é atendida; e então o Divino executa a ordenação “ekbalística” do exorcista. Por outro lado, o “espírito maligno” não “se deixa exorcizar” por uma ordem silenciosa, dada em espírito: atende-a, se pronunciada aos berros.
Pecado, causa; amaldiçoador, agente; Diabo, instrumento da maldição.
Para o gedozismo, toda maldição tem como causa um pecado implícito ou explícito. O Diabo é o causador direto ou instrumento de qualquer pecado. Há, porém, maldições imprecatórias, veiculadas por amaldiçoadores que, por via autoritativa, dão permissão ao Diabo para usá-las em malefício do “maldito”. Ao imprecar-se a si mesmo, o imprecador autoriza o demônio a danificar-lhe a vida. Se todos são pecadores, todos são “malditos”. Então, não há ninguém que não necessite de uma “sessão de quebra de maldições” , especialmente se for a do “Encontro gedozista”, eficientíssima. Cada pecado “abre uma porta de legalidade a Satanás”. Eis o que a respeito diz o G-12: “Cada nível de pecado libera uma quantidade de demônios; cada pecado atrai uma maldição”.
“Maldição é a permissão dada ao Diabo para causar dano à vida das pessoas. Essa permissão pode ser dada por alguém que exerce autoridade sobre outrem ou por si mesma”(5).
“Quando peco, abro uma porta de legalidade para Satanás entrar em minha vida. Satanás entra com seu propósito: matar, roubar e Destruir”. “Qualquer pecado não coberto pelo sangue de Jesus é propriedade de Satanás”(6).
A “soberania do supercrente” fica estabelecida: não é Deus quem permite a Satanás a causa de dano, mas um ser humano que “exerça autoridade sobre outrem”. Por outro lado, o perdão divino não tem poder para “quebrar” maldição; têm-no os carismáticos neopentecostais da “terceira onda”.
As maldições, como se explicitam no ensino do G-12, podem ser de duas naturezas:
a - As causadas pelos pecados, que “legalizam” a intervenção do Diabo, abre portas à sua penetração e fixação.
b - As impostas por praguejamento ou imprecação de uma “autoridade” sobre os seus inferiores ou subordinados. Aqui ficam contempladas as “pragas de mãe”. Como se vê, a importância que se dá ao Diabo é enorme, transfomando-o num antideus mais poderoso que o Criador do universo e de todos os seres, Gerenciador da obra criada, Preservador de todas as coisas e Redentor dos eleitos. O “crente” prosperista, por outro lado, torna-se uma super potência espiritual, capaz de “perdoar pecados”, isto é, “quebrar maldições”, o que o Salvador não pode fazer. O gedozista, como os demais carismáticos neopentecostais, apresenta-se como poderoso “comandante” das ações divinas e controlador de Satanás. Por meio do que chamam de ministérios- o da “oração positiva e impositiva” e o da “rogação exorcista”- o gedozista é exaltado à posição de “supercrente”, dominador dos poderes espirituais tanto do bem como do mal.
3.3 - MALDIÇÃO: Classificação.
3.3.a - Maldições sociais.
Maldições sociais seriam aquelas pronunciadas por pais, irmãos, parentes vivos e estranhos, ocorridas no curso da existência. Qualquer rogação maldita de natureza imprecatória é uma maldição. Por exemplo, quando a mãe diz do filho: “Este menino é encapetado”. O Diabo, que sempre toma a sério todas as nossas palavras, fixa a maldição no interior da criança e ela passa a ser, ao longo de toda vida, verdadeiramente “encapetada”. Se ela chinga o filho: “Vá para o Diabo que te carregue”; ele, imediatamente, aplica-lhe a maldição, e o “amaldiçoado” ou “praquejado” fica pertencendo ao maligno, entregue por sua própria mãe. Tal cristianismo “demonista” impera nos arraiais carismáticos e, especialmente, no do G-12 de Castellanos.
3.3.b - Maldições pessoais.
Estas são auto-imprecações. Quando uma pessoa diz de si mesma ou a seu respeito: Sou um desgraçado; sou um perdido; estou hoje com o diabo no corpo ou coisas semelhantes; Satanás atende-o, gerando nele a maldição permanente, dominando-o completamente. Se essas “maldições” não forem “quebradas”, a pessoa está infelicitada para o resto da existência terrena e , com certeza, perderá a vida eterna. Salvar, pois, no entendimento dos neopentecostais, é “quebrar maldições. O salvador, portanto, não é o Filho de Deus, mas o “quebrador de maldições”. Ele é o “Cristo” neo-pentecostal.
3.3.c - Maldições hereditárias.
São maldições vocalizadas pelos ancestrais que, não sendo “quebradas”, passam de pais a filhos, mantendo conseqüências danosas de geração em geração, até a Quarta (7), quando cessam, dizem, conforme o segundo mandamento. Isso me cheira espiritismo, que defende a tese antibíblica das reencarnações: os males da existência presente vêm de vidas anteriores; e os sofrimentos atuais são “pagamentos” de dívidas passadas. Tem o filho de sofrer maldição de seus antepassados? Citam, como suposta base bíblica, (Ex 20. 4-6). Esse preceito legal fala de pecado, de desobediência, não de maldição pessoal, social ou hereditária. A “maldade” da quebra dos mandamentos, especialmente o da exclusividade do culto a Deus, traz malefícios para a família inteira, mas não exclui o descendente do malfeitor da graça divina expressa na eleição, que é dom pessoal. O mal hereditário“curados”, num ambiente profundamente emotivo. Ao impor as mãos da unção, o “ungido cai”, fenômeno que se repete com todos, ou quase todos, os “encontrantes” (9).
06 - BATIZANDO COM O ESPÍRITO SANTO.
O G-12, durante o “Encontro”, reserva um momento para:
a - Demonstrar a necessidade de receber-se o Espírito, pois não basta ter Cristo. O crente completo é o que tem Cristo e o Espírito.
b - Mostrar as condições do crente para “merecer” e então “receber” o Espírito, pois o Paráclito desce e unge sob condições beatíficas definidas.
c - Demonstração de metodologia prática e objetiva de recepção do Espírito. Nesse ponto, o “missionário”, chamado de “preletor”, passa da instrução à ação: coloca a mão espalmada na testa do “fiel” e o empurra para trás; é a sessão do “cai - cai” ou do “ tombo batizante”. Tal manipulação do Espírito demonstra algumas coisas:
01- A Terceira Pessoa da Trindade é tratada sem qualquer conexão com o Pai e o Filho: tricotomização da divindade trina.
02- O Espírito Santo é manobrado como se não fosse Deus, despido de soberania e de vontade própria.
03- O Espírito é “oferecido” pelo líder carismático aos que o G12 “limpou” por “quebra de maldições” e por “limpeza” regressiva.
04- Deus não dá o Espírito Santo aos seus eleitos regenerados pela graça, mas aos que o G12 “prepara”, aos que “merecem” recebê-lo.
07 - UNÇÃO COM ÓLEO.
O ato de ungir com óleo aromatizado tinha, nos tempos veto e neo-testamentários, várias aplicações, em diversos motivos: higiene, embelezamento, refrigério, luto e alegria. Deter-nos-emos, entretanto, nos dois motivos principais: medicinal e religioso.
1 - Medicinal: O óleo medicinal e sua aplicação diferiam, e muito, de outras unções, tanto nos ingredientes adicionados quanto na forma de aplicação. Essa diferença fica evidenciada na língua grega, específica em suas conotações. O verbo ungir, quando se tratava de procedimento medicinal, era, sistematicamente, “àleiphô”. Assim ele aparece, por exemplo, em Tg 5. 14 e Mc 6. 13. Numa época de exclusiva medicação natural, a unção terapêutica com óleos especiais era amplamente utilizada. Os ungidores modernos, freqüentemente, confundem unção terapêutica com a religiosa.
2 - Religiosa: A unção religiosa servia para simbolizar a dádiva do Espírito de Deus aos homens separados para funções sagradas do sacerdócio e do governo: os ungidos do Senhor. Os múnus de sacerdote e rei eram concedidos por Deus mediante o seu Espírito; e o sinal externo se fazia pela unção com óleo especialíssimo e privativo. Esse óleo servia também para ungir todos os objetos e utensílios destinados ao culto, isto é, separados do uso comum para o sagrado. A composição e aplicabilidade do óleo sagrado foram estabelecidos por Deus (Ex 30. 23- 31. Não se podia ungir com o referido óleo nenhuma pessoa que não fosse sacerdote ou exercesse função de natureza sacerdotal como o rei, por exemplo. Ressaltemos a proibição de modificar-se a sua composição e de aplicá-lo fora do determinado por Deus: “Não se ungirá com ele o corpo do homem que não seja sacerdote, nem fareis outro semelhante, da mesma composição; é santo, e será santo para vós. Qualquer que compuser óleo igual a este, ou dele puser sobre um estranho, será eliminado do seu povo” (Ex 30. 32, 33). Quem aplica um óleo qualquer ou se atreve desobedecer o Senhor, fabricando o óleo da unção para unir pessoas comuns, exclui-se do obediente e legítimo povo de Deus, conforme ordenação Ex 30. 33).
O verbo usado no grego para a unção sagrada é “kriô”(10), de onde se derivam “crisma” e “Cristo”, o Ungido. Não se deve misturar “unção medicinal” com “unção sacerdotal”.
3 - Ineficiência mística: O óleo neopentecostal, geralmente “orado”, serve, segundo crêem, para “ungir com a graça do Espírito”, isto é, o elemento oleoso possui, em si mesmo, poder espiritual de “doação de bênção”, o que é atribuir ao material inerte múnus espiritual, inclusive com poder de cura divina. O animismo dos fluidos benéficos dos elementos da natureza, comum nas religiões pagãs, invadiu os arraiais carismáticos, especialmente o G-12. Um reformado, por menos doutrinado que seja, não pode aceitar tamanha iconolatria.
4 - Cessação: Não houve mais unção sacerdotal no Novo Testamento, pois o que era tipo cedeu lugar ao tipificado, isto é, o próprio Espírito Santo, simbolizado no derramamento de óleo, foi derramado sobre o colégio apostólico (Jo 21. 22) e sobre a Igreja (At 2. 2-4), descendo, inclusive, sobre o Filho de Deus que, a partir do batismo, passou a ser o Messias (Ungido) ( Mt 3. 16, 17). Conclusão: Nem Jesus Cristo nem qualquer de seus apóstolos receberam a “unção com óleo”. Portanto, a unção sacerdotal, aquela que simbolizava a dádiva do Espírito, não ocorreu na nova dispensação.
5 - Medicinalmente desnecessário: Hoje, com os extraordinários recursos farmacológicos, terapêuticos e cirúrgicos que Deus nos deu, não precisamos, a não ser em casos especialíssimos, da terapia do óleo medicinal. Podemos e devemos orar pelos nossos enfermos, mas não medicá-los, pois esse ministério o Criador o transferiu aos médicos, pelos quais realiza as curas, segundo os seus propósitos. Por exemplo: ungir uma pessoa com início de meningite, sem procurar o imediato socorro médico, é submetê-la ao risco de vida ou, no mínimo, de conseqüências irreversíveis. A crença não elimina a razão e a sensatez; pelo contrário, o verdadeiro crente sabe que todos os recursos medicinais disponíveis são dádivas da providência divina.
Unção Sacramental: A Igreja Católica também “reza seus óleos” para efeitos sacramentais e aplica os “óleos rezados”(santos óleos) nos sacramentos do Batismo, da Crisma, da Consagração ou Ordem e da Extrema Unção. Eis como o romanismo define a unção: “No simbolismo bíblico e antigo, é rico de numerosos significados: o óleo é sinal de abundância e de alegria, ele purifica (unção antes e depois do banho) e amacia (unção dos atletas e dos lutadores); é sinal de cura, pois ameniza as contusões e as feridas, e faz irradiar beleza, saúde e força. Todos estes significados da unção com óleo voltam a encontrar-se na vida sacramental. A unção, antes do batismo, com óleo dos catecúmenos, significa purificação e fortalecimento; a unção dos enfermos exprime a cura e o reconforto. A unção com o santo crisma depois do batismo, na confirmação e na ordenação, é sinal de uma consagração. Pela confirmação os cristãos , isto é, os que são ungidos, participam mais intensamente da missão de Jesus e da plenitude do Espírito Santo, de que Jesus é cumulado, a fim de que toda a vida deles exale “o bom odor de Cristo”(11).
“A unção com o santo crisma, óleo perfumado consagrado pelo Bispo, significa o dom do Espírito Santo ao novo batizado. Este tornou-se um cristão, isto é, “ungido” do Espírito Santo, incorporado ao Cristo, que é ungido sacerdote, profeta e rei” (10).
Sobre o múnus sacramental da unção dos enfermos, assim se pronuncia o romanismo: “A graça especial do sacramento dos enfermos tem como efeitos: - a união do doente com a paixão de Cristo, para seu bem e o bem de toda a Igreja; – o reconforto, a paz e a coragem para suportar cristãmente os sofrimentos da doença ou da velhice; -o perdão dos pecados, se o doente não puder obtê-lo pelo sacramento da penitência; - restabelecimento da saúde, se isso convier à salvação espiritual; - a preparação para a passagem à vida eterna”(12).
O neopentecostalismo segue de perto a doutrina romana da unção, tanto na extensão como na aplicação generalizada. Não há um católico sem unção com óleo, como igualmente não há “gedozista”.
A Igreja Reformada rejeita a “unção sacramental” do catolicismo, por ser uma volta ao sacerdotalismo; dispensa a “unção espiritual” do “gedozismo”, por representar retorno ao judaismo; não aplica a “unção medicinal” ou curativa do neopentecostalismo, porque Deus estabeleceu-nos novos e mais eficientes métodos de cura física. Além do mais, tais unções carecem de indisputável consistência bíblica. Acrescenta-se à fragilidade do apoio escriturístico o fato constatável, mormente nas camadas populares, da transformação do óleo em talismã sagrado, poderoso em si mesmo, e em ícone “espiritualmente divinizado”, potencializado para diversos “mistérios”: cura, proteção do mal, veículo de bênção, mediação da graça, batismo com o Espírito Santo. Não acreditamos em poderes mágicos das coisas nem em palavras impregnadoras de potencialidades espirituais nos objetos. A nossa única regra de fé é a Escritura Sagrada.
08 - O DEUS DO GEDOZISMO: LIMITADO E FALHO.
O Deus do “gedozismo”, além de limitado e condicionado aos “supercrentes”, dependendo deles para o exercício divino do perdão, da santificação, da redenção, do batismo com o Espírito Santo, da regeneração, da providência e da misericórdia; ainda é um Deus que carece de fé e necessita de perdão. No caso, por exemplo, de uma maldição divina, o “quebrador de maldições” e o próprio maldito devem “liberar perdão a Deus” (ver M. Encontro, pág. 56). A limitação divina ressalta-se de sua incapacidade de “liberar perdão” e“quebrar maldição”, o que o “líder gedozista” faz com a maior naturalidade e “eficiência”, colocando-se acima do supremo Rei segundo as Escrituras(13).
09 - EPISCOPALISMO RADICAL.
O Gedozismo de Castellanos, como o de Escrivá, firma-se num episcopalismo radical. O do padre, com certa lógica, pois tem de defender a doutrina da sucessão apostólica, dos sacerdotes como representantes de Cristo na terra. O do pastor neopentecostal representa uma criação sob alegação de ter sido revelada diretamente. Pelo centralismo episcopal, o pastor “gedozista” é a causa e os efeitos da “Igreja em Células”. Observem as declarações seguintes do senhor Castellanos no seu livro, “Sonha e Ganharás o Mundo”. “A época das assembléias e dos comitês de anciãos para dar passos importantes da Igreja, já passou na história: Estou convencido de que Deus dá a visão ao pastor e nessa medida é a ele que o Espírito Santo fala, indicando-lhe até onde deve mover-se”(13). Valnice Milhomens, dona de um “ministério”, endossa: “Quem deve montar o esquema dos doze é o pastor principal” (14).
10 - TEOLOGIA DA CONFISSÃO POSITIVA.
Os professantes da confissão positiva sustentam tese de que as palavras possuem poder criador. Por elas podemos criar fatos reais tanto na esfera física como nas áreas psicológica e espiritual. Tais fatos podem ser benéficos ou maléficos. Em decorrência da força criadora e irreversível da palavra, temos de tomar cuidado nos pronunciamentos, tanto em relação a nós mesmos como em relação aos outros. Quando “declaramos” vitória, saúde e prosperidade, maldição”; seja, porém, presto a “declarar bênçãos”, elas virão abundantemente. Palavra de neopentescotal, mormente a do gedozista, é espiritualmente autoritativa e divinamente poderosa. O crente “prosperista positivo”, declarador de bênçãos, é um semideus.
11 - DIREITO, NÃO GRAÇA.
A “confissão positiva” firma-se na herética doutrina dos “direitos humanos adquiridos”. Então, para os gedozistas e similares, a salvação e todas as bênçãos, materiais e espirituais, pertencem a nós por direito eterno de filiação. Somos herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo. Nada de pedir favor a nosso Pai; temos o dever de reivindicar nossos direitos. As Escrituras não são, sustentam, a revelação da graciosa vontade de Deus para com os homens, mas documentos jurídicos de seus direitos. Deus rege a vida humana por meio de leis espirituais que devem ser compreendidas para serem requeridas. A fé é o instrumento de controle das referidas leis, que estão à disposição do homem para serem usadas. Nada o ser humano recebe por favor divino, mas por direitos legais. Kenneth Copeland em “Laws of Prosperity, 1985, páginas 18/20 diz: “Precisamos compreender que há leis que regem cada coisa que existe. Nada se dá por acidente. Há leis do mundo espiritual e leis do mundo natural... Precisamos compreender que o mundo espiritual com suas leis são mais poderosos do que o mundo físico com suas leis. Leis espirituais geram leis físicas. O mundo e as forças físicas que o regem foram criados pelo poder da fé- uma força espiritual... é esta força da fé que ativa as leis do mundo espiritual... A mesma regra aplica-se à prosperidade da Palavra de Deus. A fé faz com que elas atuem”(16). Ressaltemos do texto as seguintes heresias: a- “Leis espirituais geram leis físicas”. Isto quer dizer que as leis do mundo físico não foram criadas por Deus nem são por ele gerenciadas, mas mediante poder impessoal chamado “lei espiritualm ?”. b- “ O mundo e as forças físicas que o regem foram criados pelo poder da fé, uma força espiritual...É esta força da fé que ativa as leis do mundo espiritual”. Então a criação não veio pelo poder da Palavra de Deus, mas da fé? Fé do Criador? Deus tem fé em quê e em quem? Que tipo de fé “ativa” as leis espirituais? A quem compete o “direito” de ativação da leis espirituais pelo poder da fé? Ao homem? c- O Legislador supremo, pelo que se deduz do ensino prosperista, também se submete às leis por ele criadas, tornando-se submisso a si mesmo e limitado por legislação externa preestabelecida? Nada mais confuso e mais absurdo que isso; e há quem crê em semelhantes incongruências e em taica, dos sacerdotes como representantes de Cristo na terra. O do pastor neopentecostal representa uma criação sob alegação de ter sido revelada diretamente. Pelo centralismo episcopal, o pastor “gedozista” é a causa e os efeitos da “Igreja em Células”. Observem as declarações seguintes do senhor Castellanos no seu livro, “Sonha e Ganharás o Mundo”. “A época das assembléias e dos comitês de anciãos para dar passos importantes da Igreja, já passou na história: Estou convencido de que Deus dá a visão ao pastor e nessa medida é a ele que o Espírito Santo fala, indicando-lhe até onde deve mover-se”(13). Valnice Milhomens, dona de um “ministério”, endossa: “Quem deve montar o esquema dos doze é o pastor principal” (14).
10 - TEOLOGIA DA CONFISSÃO POSITIVA.
Os professantes da confissão positiva sustentam tese de que as palavras possuem poder criador. Por elas podemos criar fatos reais tanto na esfera física como nas áreas psicológica e espiritual. Tais fatos podem ser benéficos ou maléficos. Em decorrência da força criadora e irreversível da palavra, temos de tomar cuidado nos pronunciamentos, tanto em relação a nós mesmos como em relação aos outros. Quando “declaramos” vitória, saúde e prosperidade, maldição”; seja, porém, presto a “declarar bênçãos”, elas virão abundantemente. Palavra de neopentescotal, mormente a do gedozista, é espiritualmente autoritativa e divinamente poderosa. O crente “prosperista positivo”, declarador de bênçãos, é um semideus.
11 - DIREITO, NÃO GRAÇA.
A “confissão positiva” firma-se na herética doutrina dos “direitos humanos adquiridos”. Então, para os gedozistas e similares, a salvação e todas as bênçãos, materiais e espirituais, pertencem a nós por direito eterno de filiação. Somos herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo. Nada de pedir favor a nosso Pai; temos o dever de reivindicar nossos direitos. As Escrituras não são, sustentam, a revelação da graciosa vontade de Deus para com os homens, mas documentos jurídicos de seus direitos. Deus rege a vida humana por meio de leis espirituais que devem ser compreendidas para serem requeridas. A fé é o instrumento de controle das referidas leis, que estão à disposição do homem para serem usadas. Nada o ser humano recebe por favor divino, mas por direitos legais. Kenneth Copeland em “Laws of Prosperity, 1985, páginas 18/20 diz: “Precisamos compreender que há leis que regem cada coisa que existe. Nada se dá por acidente. Há leis do mundo espiritual e leis do mundo natural... Precisamos compreender que o mundo espiritual com suas leis são mais poderosos do que o mundo físico com suas leis. Leis espirituais geram leis físicas. O mundo e as forças físicas que o regem foram criados pelo poder da fé- uma força espiritual... é esta força da fé que ativa as leis do mundo espiritual... A mesma regra aplica-se à prosperidade da Palavra de Deus. A fé faz com que elas atuem”(16). Ressaltemos do texto as seguintes heresias: a- “Leis espirituais geram leis físicas”. Isto quer dizer que as leis do mundo físico não foram criadas por Deus nem são por ele gerenciadas, mas mediante poder impessoal chamado “lei espiritualm ?”. b- “ O mundo e as forças físicas que o regem foram criados pelo poder da fé, uma força espiritual...É esta força da fé que ativa as leis do mundo espiritual”. Então a criação não veio pelo poder da Palavra de Deus, mas da fé? Fé do Criador? Deus tem fé em quê e em quem? Que tipo de fé “ativa” as leis espirituais? A quem compete o “direito” de ativação da leis espirituais pelo poder da fé? Ao homem? c- O Legislador supremo, pelo que se deduz do ensino prosperista, também se submete às leis por ele criadas, tornando-se submisso a si mesmo e limitado por legislação externa preestabelecida? Nada mais confuso e mais absurdo que isso; e há quem crê em semelhantes incongruências e em tais negações da absoluta soberania do Criador, Redentor, Governador e Preservador de tudo, especialmente dos seres humanos.
O carismatismo gedozista sustenta, em princípio, que: todo homem tem direito à salvação, à saúde, à prosperidade e à felicidade; é só usar o recurso da fé, e tudo o que lhe pertence ser-lhe-á entregue. Tal posição prosperista resume-se na frase, muitíssimo repetida hoje: TOMA POSSE DA BÊNÇÃO, ouvida, inclusive, por ministros presbiterianos.
O conceito do “direito legal” sobre quaisquer bênçãos espirituais leva à oração impositiva, reivindicativa: “Eu quero”; “Eu ordeno”; “Eu exijo”.
12 - CULTO HILÁRICO E LÚDICO.
O “espaço para adoração” do “Encontro Tremendo” é “alegria só”: Coreografias, danças, gritos, palmas, glórias, vivas a Jesus, trenzinho. É o momento de maior descontração, comparativamente, em contraste com as tensões psíquicas e o condensamento (proposital) de atividades. Dizem que tal “orgia litúrgica” é carregada de espiritualidade e “gozo celeste” . O culto festivo, no entanto, não fornece clima nem para o glossolalia nem para o batismo com o Espírito. Tais “dons” acontecem sob maior concentração emocional, durante as orações programadas, mas individualmente livres.
Por tudo que se disse, um presbiteriano que freqüentar o G-12 necessita de aconselhamento pastoral. Persistindo, deve ser convidado a desligar-se da Igreja.
(1)- Conforme o Livro de Anselmo Chaves: “Os Cursilhistas”, de onde extraímos os artigos de “Caminho” de Escrivá.
(2)- Estou seguindo os comentários de Roberto César Alves do Nascimento, irmão que participou do G12 e sobre ele escreveu e fez publicar na Internet uip://orbita.starmedia.com~dinamus/estudosrc/o encontr.ntiii.
(3)- Quevedo- Oscar- “Curandeirismo: um Mal ou um Bem?”. Ed. Loyola, SP, 1ª Ed. “Praga Benfazeja”, pág. 41/42.
(4)- Macedo, Edir, Orixas, Caboclos e Guias- Deuses ou Demônios. Col. Reino de Deus, 1983, 5ª Ed. Universal Produções, pág. 87.
(5)- G12- História e Avaliação, página 60, SPBC, 1ª Ed, abril de 2000, Goiás, GO.
(6)- Idem, página 59. Autor: Pr. Onézio Figueiredo
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13. - Quem Precisa andar “Rompendo em Fé?”
Um membro da Igreja Presbiteriana de São Borja, RS, escreveu ao CPR, contestando o meu artigo “Declaração de Guerra”. Vamos ler o que lhe respondi, depois que revisei o seu português (e também meus erros digitográficos, na resposta rápida que lhe dei). O mal dos cristãos de hoje é a mania de espiritualizar tudo, por influência dos seus pastores, os quais ignoram completamente que estão seguindo a teologia católica de Agostinho.
Paulo diz na 2 Coríntios 11:3: "Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo." Pois é isso, exatamente, o que os "mestres" da Teologia da Fé/Prosperidade têm feito, ou seja, têm-se apartado da simplicidade do evangelho, aproveitando, nas canções de conteúdo duvidoso, termos usados com freqüência no Satanismo.
Além do erro gramatical (“mover no sobrenatural”, que deveria ser “mover o sobrenatural”) da canção “Rompendo em Fé”, quem sabe, os pastores e os líderes das igrejas malaquianas nunca se preocuparam em pesquisar bem a Bíblia e as religiões ocultistas e, por isso, não conseguem notar os erros de gramática e heresia nos cânticos gospel, quase todos eles de péssima qualidade, em geral compostos por semi-analfabetos no vernáculo e na Bíblia, alguns desses "compositores" até vivendo uma vida irregular...
Duas coisas perigosas têm acontecido, principalmente com os discípulos de Benny Hinn, Kennet Hagin, Kennet Copeland, Robert Schuller, Peter Wagner e outros gananciosos da Teologia da Fé/Prosperidade. Ou transformam a Igreja na Nova Israel de Deus (teoria do teólogo católico Agostinho de Hipona, pai do Anti-Semitismo) ou então usam e abusam do Velho Testamento, a fim de respaldar suas reivindicações gananciosas. Um exemplo é o caso do Dízimo, para o qual os “sabichões” citam Malaquias 3 o tempo inteiro. Ora, amigo, estamos no Novo Testamento, na Era da Graça, e devemos ler e seguir Paulo, em vez dos autores do V.T. O próprio Jesus afirmou que “toda a lei e os profetas vigoraram até João”
Jesus não mandou que rompêssemos em fé, pois Ele mesmo sabia que nossa fé é, no máximo, do tamanho de um grão de mostarda (Mateus 17:20; Lucas 17:6). Isso sem falar que ele se dirigia aos judeus, conforme Ele mesmo afirmou, tendo deixado Paulo para cuidar de nós, os gentios. Ora, Paulo diz: "Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria... (1 Co 1:22), daí tantos sinais e maravilhas na Igreja Primitiva, inclusive no Pentecostes. Nós, gentios, devemos viver exclusivamente pela fé genuína e simples em Cristo, no Seu sacrifício no Calvário, e não em movimentos de entusiasmo espúrio, como esses de agora. Eu só quero ver essa gente que canta com tanto entusiasmo, rebolando e levantando as mãos, enfrentando uma perseguição religiosa como os líderes dos séculos passados... Será que esses gesticuladores, ansiosos de poder, vão romper em fé, ou simplesmente se acovardar? Aí é que está o busilis da coisa, irmão! O Cristianismo é um modo de vida, não uma religião pagã, no que essa gente tem tentado transformá-lo. Vamos ser sóbrios e cantar os hinos dos antigos "santos cristãos", que viveram uma vida reta e sacrifical diante de Deus e dos homens. Poderiam esses “compositores” de araque comparar-se a Lutero e outros grandes compositores cristãos, escrevendo e musicando hinos como o “Castelo Forte”, por exemplo?
Deus não se deixa “mover” nem “comover” por oração alguma, que não seja para a Sua glória e para o nosso bem. Então, não somos nós que “movemos” coisa alguma, mas Ele, somente Ele, pode mover todo o universo. Não precisamos nos revestir de "poder", nem remover montanhas, literalmente, pois elas só serão removidas na época da Tribulação, conforme Apocalipse. Pois, quando somos fracos aí é que somos fortes... Dê um cheque sem fundos e depois ore com muita fé, para ver se o cheque fica bom! Isso seria remover uma montanha no sentido figurado do termo. Vamos viver uma vida santa, nos dias negros atuais, sem nos afastarmos dos conselhos de Paulo, pois esses teólogos de araque, que têm influenciado os líderes das igrejas modernas, só querem mesmo é engrossar suas contas bancárias e não ganhar almas para o Senhor. Aconselho o irmão a ler muito a Bíblia e também bons livros (por exemplo, os da Chamada da Meia Noite), para melhorar o seu vernáculo. OK? Paulo foi o MAIOR apóstolo de Cristo, exatamente porque era poliglota e muito, muito culto! Então, para contestar qualquer escritor evangélico seria bom que certos irmãos que me escrevem, melhorassem a redação! Quanto mais se lê mais se aprende e cresce na GRAÇA!!!
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14. - “Uma Vida com Propósitos”
Vamos citar algumas considerações do ex-padre irlandês (naturalizado americano), Richard Bennet, sobre o livro supra citado.
“Uma Vida com Propósitos”, de Rick Warren, é mais que um bestseller, tendo se tornado um movimento.” (1) Nas palavras do próprio autor o seu programa de uma mega-igreja é o “despertamento e reavivamento ou milagre... Mais de 12.000 igrejas de todos os 50 estados [USA] e 19 países participaram agora do “40 Days Purpose” (Propósito dos 40 Dias). Muitas dessas igrejas registraram que esse foi o evento mais transformador na história de suas congregações” (2) “Rick é também o fundador do Pastors.com, uma comunidade global da Internet, que serve e dirige, no mundo inteiro, os que estão no ministério. Mais de 60.000 pastores assinam o Ministry Toolbox de Rick Warren”. (3) Nessa webpage ele declara: “Nosso propósito é encorajar pastores, ministros e líderes de igrejas com ferramentas e recursos para as igrejas crescerem saudavelmente... Cada recurso adquirido ajuda a prover recursos gratuitos aos mais de 1,5 milhão de pastores e pregadores leigos nos países do Terceiro Mundo. Através do seu apoio Deus nos tem permitido alcançar mais de 117 países diferentes em todos os 7 continentes”. (4) Ele também declara: “Deus é um Deus global...Grande parte do mundo já pensa globalmente. Os maiores conglomerados da mídia e dos negócios são todos multinacionais. A Bíblia diz: ‘Pede-me, e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão’” (5). (Contudo a Warren passou despercebido o fato de que tal promessa foi feita a Jesus Cristo e não às mega-igrejas em busca de expansão). Até mesmo a economia mundial está admitindo isso com espanto. Forbes.com - num artigo intitulado ‘Christian Capitalism Megachurches’ (Mega-Igrejas do Capitalismo Cristão) - reconheceu que “pode ser que as igrejas não sejam tão diferentes das corporações... O Pr. Rick Warren, fundador da Saddleback Church em Lake Forest, Califórnia, em 1980, tem usado tanto a tecnologia como o marketing para difundir a sua mensagem… Sem dúvida, as igrejas colhem valiosas lições das corporações. Agora pode ser que elas possam ensinar negócios, num ponto ou no outro. As companhias certamente iriam gostar de possuir exércitos de voluntários leais, trabalhando sem remuneração’”. (6)
O Império de influência do qual se gaba Warren é repetido por pastores e líderes cristãos no mundo inteiro. Pelo menos 18 milhões de cópias do seu livro já foram vendidas, desde a sua publicação em setembro de 2002. O livro está sendo vendido agora em muitas traduções. Literalmente milhares de igrejas têm usado o livro e o material que o acompanha durante as campanhas especiais denominadas “40 Dias de Propósito”. O livro contém 40 capítulos destinados a explicar, em 40 dias, os cinco propósitos da vida de alguém. De fato, a tese do livro é encontrada na p.136 (edição americana): “Ele [Deus] criou a igreja para preencher as cinco necessidades mais profundas: um propósito para o qual viver; pessoas com quem conviver; princípios pelos quais viver; uma profissão a exercer e um poder sobre o qual viver. Não existe outro lugar na terra onde seja possível encontrar todos estes cinco benefícios num só local” (7).
Warren está letalmente errado em sua lista de “necessidades mais profundas”. Segundo a autoridade da Bíblia, a primeira e mais importante necessidade de alguém é tornar-se completamente justificado diante do Deus Santíssimo. E a única justiça aceita por Deus é a de Jesus Cristo, como propiciação pelos pecados e pela natureza pecaminosa de cada homem. Essa primordial necessidade humana é constantemente mostrada na Bíblia, mas Warren nem sequer chega a mencionar essa verdade fundamental em sua lista de “necessidades mais profundas”. Ele depressa se desvia do propósito divino para o homem, seguindo os falíveis métodos humanos, conforme a primeira tentação registrada na Bíblia: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gênesis 3:5). (8) Ele ensina que “Deus criou a igreja para preencher nossas necessidades mais profundas”, copiando a Igreja Católica Romana que diz: “A Igreja e a mãe de todos os crentes” (9). Warren afastou-se da Palavra e da Pessoa do Deus Vivo para submeter-se a uma igreja, com o objetivo de preencher todas as necessidades de alguém, sucumbindo sob a mais antiga e aceitável tentação conhecida pelo homem.
Blasfêmia radical - O Apóstolo Paulo mostrou a necessidade do evangelho, pelo fato de que todos são culpados diante de Deus. Paulo declarou: "... e todo o mundo seja condenável diante de Deus” (10). Todos são ”por natureza filhos da ira” (11), culpados diante do Deus Santíssimo. Então, a fim de comparecer diante Dele cada um tem necessidade de obter a perfeita justiça. Tiago resume a condição total do homem, quando diz: “Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos”. (12). A culpa diante de Deus mostra a necessidade do evangelho. A convicção de pecado através do Espírito Santo leva o pecador a confiar verdadeira e exclusivamente em Jesus Cristo, como o publicano da parábola, quando este clamava ao senhor: “Tem misericórdia de mim, pecador!” (13). Com Warren essa convicção de culpa é reduzida a uma terminologia psicológica, isto é, à condição de punir-se a si mesmo, quando declara: “Muitas pessoas são governadas pela culpa... As pessoas assim governadas são manipuladas pelas suas memórias. Permitem que o seu passado controle o futuro. Com freqüência, inconscientemente, elas se castigam a si mesmas, sabotando o próprio sucesso... Quando Caim pecou, sua culpa o afastou da presença de Deus e o Senhor disse: “fugitivo e vagabundo serás na terra” (Gênesis 4:12-b). Isso descreve a maioria das pessoas, que vivem, hoje em dia, errantes, numa vida sem propósitos.” (ps. 27,28 do original) NT: (Essa filosofia religiosa tem mais de 60 anos na praça, tendo sido difundida nos muitos livros de Norman Vincent Peale, pastor da Marble Collegiate Church, em Nova York, nos anos 1940/50/60).
Em vez de mostrar o pecado como sendo um mal de infinita significação, por ser cometido contra uma Pessoa infinita, a psicologia pop de Warren define o pecado como uma “sabotagem do sucesso pessoal”. Ele prossegue: “Deus não quer saber do seu passado religioso nem de suas visões doutrinarias. O que Lhe importa somente é que você aceite o que Jesus Cristo fez por você e se você aprendeu a amá-Lo e a confiar Nele” (p. 34 do original). Se você aprendeu a amar e confiar em Jesus, o Filho de Deus, está convidado a passar toda a eternidade com Ele. Por outro lado, se rejeitar esse amor, perdão e salvação, irá passar a eternidade separado de Deus” (p. 37 do original).
Biblicamente falando, é tolice absoluta afirmar a um pecador não convertido que ele deve simplesmente “aprender a amar e confiar no Filho de Deus, Jesus Cristo”. Pessoa alguma pode ser salva sem admitir o próprio pecado contra o Deus Santíssimo, deixando de se arrepender do mesmo. Conquanto seja verdade que a coisa mais importante seja “amar e confiar no Filho de Deus”, esse amor e confiança não existirão de fato, a não ser que o Espírito Santo tenha convencido a pessoa de que ela é um pecador depravado, sem esperança alguma em si mesmo. Warren se esforça em definir o pecado, ao declarar: “Todo pecado, bem como a sua raiz, é deixar de dar glória a Deus. É amar qualquer coisa mais do que amar a Deus. É recusar-se a dar glória a Deus, em orgulhosa rebelião, pecado causador da queda de Satanás - e de todos nós. Todos nós vivemos para a nossa própria glória e não para a glória de Deus. A Bíblia diz: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (p. 55 do original). Conquanto isto seja verdade, Warren ainda não reconheceu que a culpa e a necessidade pessoal carecem da perfeita justiça outorgada no sacrifício perfeito de Cristo. As contínuas declarações de Warren da “própria dignidade” e da “verdade própria”, negam totalmente o que ele condena como “orgulhosa rebelião”. Pelo contrário, o livro e o movimento exorbitam as declarações de “auto-dignidade” e “verdade própria”, endossando assim a “orgulhosa rebelião”, causa de nossa queda, como o foi de Satanás. Esse tipo de declaração contraditória dificulta a análise do seu livro. Contudo, mesmo assim, é preciso fazer essa análise.
Sem a convicção do Apóstolo Paulo: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem” (14), não pode existir uma fé genuína no Senhor Jesus Cristo e nem santificação alguma diante de Deus. A chave do evangelho de Warren é a negação da exata base exigida para a salvação. Como o próprio Senhor disse: “... Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento” (15).
O coração do evangelho de Warren - A mensagem do evangelho de Warren vai ficando cada vez pior, à medida em que ele prossegue no livro, garantindo aos leitores: “A verdadeira vida começa quando você se entrega completamente a Jesus Cristo. Se você não tem certeza de ter feito isso, tudo que tem a fazer agora é receber e crer. A Bíblia promete em João 1:12: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome” (p. 58 do original).
O que Warren esqueceu em seu ensino de João 1:12 foi que o verso seguinte (v. 13) explica como a pessoa nasce de novo: “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. Ele ignorou completamente o fato de que o receber e o crer não acontecem pela vontade humana, mas de Deus. É a graça de Deus que conduz a pessoa a receber e crer, visto como o coração só pode mudar sob o poder de Deus. Deixar de fora esse ponto crucial é mudar o foco de Deus para o homem, mudança que se torna letal à obra da salvação, uma vez que não existe poder algum dentro do homem para fazê-lo mudar a si mesmo. Essa graça deve vir de Deus. Contudo, se Warren tivesse ensinado aos seus leitores que olhassem para Deus, em busca de Sua graça, não teria feito uma mensagem tão vendável. Para ele é vantajoso deixar de fora: “não nasceram do sangue, nem da vontade da carne...” Ao desprezar este fator essencial, o seu evangelho está de fato propondo que este verso da Escritura seja anulado. O Senhor é consistente com a Sua Palavra e diz: “Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece” (Romanos 9:15-16) (16). A vida é concedida a uma pessoa, não porque ela comece a obra, mas porque Deus lhe dá a salvação segundo a Sua misericórdia e graça. Esse é o Seu propósito escrito, enquanto o de Warren é o oposto. A salvação começa, diz ele, com o homem “entregando-se”, engano fatal pelo qual Warren terá de prestar contas diante do Deus Santíssimo, conforme Gálatas 6:7: “...Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. (17) ...
Warren prossegue em sua espúria mensagem do evangelho: “Primeiro, creia. Creia que Deus o ama e o criou para os seus propósitos. Creia que você não é um acidente. Que foi criado para viver eternamente. Creia que Deus o escolheu para ter um relacionamento com Jesus, o qual morreu na cruz por você. Creia que o que quer que você tenha feito, Deus vai perdoá-lo. Segundo, Receba. Receba Jesus em sua vida, como Senhor e Salvador. Receba dele o perdão dos seus pecados. Receba o Seu Espírito Santo, o qual lhe dará o poder de realizar os seus propósitos de vida. Onde quer que você esteja lendo isto, convido-o a inclinar a cabeça e falar baixinho uma oração que vai mudar a sua vida e sua eternidade: ‘Jesus, eu creio em Ti e Te recebo’. Vá em frente. Se você fez esta oração com sinceridade, parabéns, seja bem vindo à família de Deus!”’ (ps. 58,59 do original).
Conforme o ensino de Warren, foi a oração feita pela pessoa que mudou a sua eternidade pessoal [NT. Esta mensagem é pregada em todas as igrejas evangélicas (inclusive na minha igreja batista), onde os pastores facilitam de tal modo a salvação que qualquer pessoa acha que levantando a mão e aceitando Jesus está salva para sempre, contanto que entregue pontualmente o dízimo e faça algum trabalho na igreja].
Em vez de ampliar a enormidade do pecado e apresentar as suas eternas conseqüências, Warren diz: “Creia que não importa o que você tenha feito, Deus deseja perdoá-lo.” ... Ele esquece totalmente a necessidade de arrependimento. Em lugar de pregar que “o evangelho é o poder de Deus para a salvação, no qual a justiça de Deus é revelada de fé em fé” (18), Warren aconselha apenas uma oração em voz baixa, [NT. sem mencionar o arrependimento. Por isso vemos tantos crentes jogando na loteria, embriagando-se, dando cheques sem fundo, amasiando-se, ingerindo drogas, etc., porque acham que estão salvos e podem pintar e bordar em sua nova vida “cristã”]...
O Apóstolo Paulo declara: “Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas” (Romanos 3:21) (19). Diante de Deus o pecado precisava ser punido e a verdadeira justiça, estabelecida. A santidade de Deus exigia a vida e o sacrifício perfeitos de Cristo Jesus para satisfazer-Lhe a ira contra o pecado. Contudo, para Warren o pecado é apenas uma “sabotagem do sucesso”, de modo que todo o conceito de perfeita justiça a ser manifestada diante de Deus está faltando. Com essa declaração vem a omissão do conceito da GRAÇA necessária à perfeita justiça. Segundo a doutrina de Warren, a salvação acontece quando a pessoa “inclina cabeça e murmura tranqüilamente a oração que lhe mudará toda a eternidade”. Na Escritura a salvação é a ação de Deus baseada na obra completa de Cristo na cruz, creditada aos verdadeiros crentes [que se arrependem e procuram viver uma vida reta]: “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3:24) (20). Esta ação de Deus mostra a Sua graça, de modo que nossos olhos se fixem Nele, pela fé. Entender o espúrio evangelho de Warren e a sua presunção é fácil: “Seja bem vindo à família de Deus!” Ele esquece as palavras do Senhor, em Mateus 23:13: “Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando”. (21). Com um falso evangelho e uma falsa garantia de admissão à família de Deus, Warren exclui a mais básica das verdades: “Ai de vós, doutores da lei, que tirastes a chave da ciência; vós mesmos não entrastes, e impedistes os que entravam” (Lucas 11:52) (22). ...[Este evangelho é muito fácil de ser aceito, contudo Paulo diz:] “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” (Gálatas 1:8) (23)... Como um receptador de produtos furtados é considerado também um ladrão, do mesmo modo quem promove um evangelho desse tipo torna-se culpado de impostura diante de Deus.
A Glorificação do Homem - Típico do movimento de Warren é a promessa de resultados imediatos, na intensificação da imaginação pessoal da autodignidade. Totalmente ignorado é o fato solene de que por natureza o homem é uma criatura falida, alienada da vida de Deus, morto em seus delitos e pecados e que sua única esperança está em Cristo Jesus. Embora Warren declare no livro “A Questão não é você” (p. 17), o foco persistente é a construção da “autodignidade” do leitor. Vejamos alguns exemplos: “O modo como você encara a vida é o que molda a mesma. Como você define a vida é o que determina o seu destino” (p. 41 do original). “Você é uma coleção de inacreditáveis habilidades, uma admirável criação divina. Parte da responsabilidade da igreja é identificar e liberar suas habilidades para servir a Deus” (p. 242 do original). “O melhor uso de sua vida é servir a Deus, conforme a sua personalidade. Para fazer isso é preciso descobri-la, aprender a amá-la e apreciá-la, gozando ao máximo o seu potencial” (p. 249 do original). Isso combina exatamente com o ensino do Hinduísmo: “Conhecendo o seu eu interior, chegando ao conhecimento de sua própria alma imortal, a pessoa logo atinge o conhecimento do próprio Brahma.” (24).
Conquanto o ensino de Warren seja comparável ao do Hinduísmo, sua fonte mais provável é Carl Jung: “descobrindo alguém... o poder de sua voz interior... ou o seu completo potencial...” é o que Jung ensina: “Somente o homem que pode conscientemente concordar com o poder de sua voz interior é que se torna uma personalidade” (25). Muito pior no ensino de Warren é que ele contém a mesma promessa básica do Catolicismo Romano, no qual o ponto oficial e fundamental de ensino é o próprio homem, pois Roma declara: “É o próprio homem que deve se salvar. É a humanidade que deve ser renovada. Por conseguinte, o homem é a chave desta discussão, o homem considerado total e perfeito, com alma, coração, consciência, mente e vontade. Eis a razão por que este Sínodo Sagrado, ao proclamar o nobre destino do homem e afirmar um elemento do divino nele, oferece-se para cooperar, sem reservas, com a humanidade, encorajando um senso de irmandade, a fim de corresponder ao destino dele.” (26) [NT: Belas palavras, até que a ICR esteja no controle mundial e comece a pior de todas as inquisições contra os “hereges”].
“Descobrir a própria personalidade, aceitando-a, apreciando-a e gozando o seu potencial ao máximo”, é o mesmo princípio fundamental da ICR e do Hinduísmo, e também do Islamismo e do Budismo - todas essas religiões tendo como ponto básico a bondade humana. Warren resume esse fundamento básico nas seguintes palavras: “Se você tão importante para Deus e Ele o considera valioso o bastante para o conservar até a eternidade, que significação maior poderia você possuir?” (p. 63 do original). Vejamos o que a Escritura diz sobre o valor e a bondade do homem: “Maldito o homem que confia no homem... Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:5,9) (27,28). Warren vai ao ponto de distorcer a Escritura, quando usa paráfrases falsificadas para fantasiar suas teorias (“The Message”, por exemplo). A loucura de encontrar o “verdadeiro eu” foi uma das marcas registradas dos hippies, nos anos 1960, tendo-se tornado agora a marca deste popularizado e degradado Cristianismo.
A exaltação do homem é ensinada por Warren de maneiras diversas: “Você só traz alegria a Ele (Deus), quando se alegra em ser você mesmo. Cada vez que você rejeita qualquer parte de si mesmo, está rejeitando a sabedoria e a soberania de Deus por tê-lo criado... Quando você dorme, Deus o contempla com amor, porque você foi idéia Dele. Ele o ama como se você fosse a única pessoa na face da terra” (p. 75 do original).
Mas Warren não pára aqui em sua exaltação do homem. O ponto alto dessa exaltação encontra-se na declaração que ele faz da dignidade pessoal do leitor sobre o propósito da morte de Cristo na cruz. Quando ele faz isso, a autodignidade é elevada a ponto de não somente perverter o evangelho, mas também insultar o Senhor: “Quando você quer saber quanto é importante para Deus, olhe para Cristo com os braços estendidos na cruz, dizendo: ‘Eu te amo demais. Preferiria morrer a viver sem ti”’ (p. 79 do original). Estas palavras: “Preferiria morrer a viver sem ti” fazem parte de um poema lírico dos “Backstreet Boys”. Imaginem Jesus Cristo, o Deus-Homem tendo um amor suicida pelo homem! Se Ele tivesse tal dependência não seria Deus... Tal ensina exalta o homem pecador a uma posição de controle sobre o Senhor. Poderia haver maior blasfêmia? “E abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu”. (Apocalipse 13:6) (30).
Na Escritura o amor e o sacrifício de Cristo vieram demonstrar que Deus é “justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” (Romanos 3:26) (30). Contudo, a doutrina de Warren torna a vida do homem pecador a peça central do propósito divino. Na Escritura o foco do propósito de Deus foi demonstrar a Sua justiça e santidade, na Pessoa e no sacrifício de Cristo Jesus. O homem pecador foi incluído nessa grande manifestação da justiça divina, como um recipiente da graça da redenção que Cristo nos deu. A grandiosa glorificação do homem pecador por Warren. afirmando que Jesus preferiria morrer a viver sem o homem, inverte totalmente a mensagem bíblica de que Deus tudo executa para a Sua glória...
O homem pecador é totalmente depravado, não estando em condição de anular essa depravação para se salvar e resgatar a sua alma. Tentar engrandecer esse homem decaído é futilidade, pois a única esperança de uma pessoa repousa na dignidade e no poder divino. A natureza humana está morta em delitos e pecados. Assim como a água não pode fluir morro acima, também o homem natural não pode agir de modo contrário à sua natureza corrompida... Todos os seres humanos são destituídos de princípios e de poder de vida espiritual. Eles estão separados de Deus, a fonte da vida. O Senhor Jesus Cristo declarou: “Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” (Marcos 7:21-23) (32). Ele também disse: “O que é nascido da carne é carne...”, portanto o que o homem decaído propaga é sempre errado. Se o princípio da autodignidade e da capacidade de escolher Cristo fosse verdadeiro, a conclusão inevitável seria que o homem poderia usar essa capacidade para escolher Cristo, podendo, então, gabar-se legalmente de sua ativa participação na obra da salvação. Contudo, a própria fé é um dom de Deus: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9 (33). A salvação não começa pela autodignidade nem pelo próprio esforço, mas pelo poder divino. Nisso a Escritura é absolutamente clara: “Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas” (Tiago 1:18) (34) “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:13) (35). É o poder do Espírito Santo que domina o orgulho do homem natural, de modo que ele se disponha a ir até Cristo para receber vida eterna. Ele diz: “Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão” (João 5:25) (36). Conforme Ele também explicou: “Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim” (João 6:45) (37).
A auto-salvação promovida na base do valor e da dignidade do homem está imbuída na natureza humana. Ela é encontrada em todas as falsas religiões criadas pelo homem, sendo o ponto central da mensagem do livro de Warren. Negando a total depravação do homem, Warren nega a absoluta necessidade da graça de Deus, como um relacionamento entre a morte espiritual e a graça, o qual é graficamente entregue na Escritura. “Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor” (Romanos 5:21) (38).
Até que a pessoa se convença de sua total depravação, o evangelho continua sendo letra morta. Ao desprezar a verdade bíblica de que “Não há um justo, nem um sequer” (Romanos 3:10) (39), substituindo-a pela autodignidade humana, Warren se igualou àquele que disse, conforme a Escritura: “Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” (Isaías 14:14) (40).
Nota: - Para mais informações sobre os falsos ensinos de Rick Warren e a legião de falsos mestres que ele tem promovido, usando falsas traduções da Bíblia em seu livro “Uma Vida Com Propósitos”, recomendo o livro documentário “Who is Driving The Purpose Driven Church” (Quem Está Conduzindo a Igreja com Propósitos), da autoria de James Sundquist. Este livro é publicado por Bible Belt Publishers, estando disponível no Southwest Radio Church Ministries - http://www.swrc.com/offers/index.htm#h616 (Richard Bennet).
Bibliografia:
1. Bruce Ryskamp, president of Zondervan. http://www.assistnews.net/Stories/s03110083.htm 10/22/04
2. http://www.purposedrivenlife.com/thebook.aspx 10/16/04
3. http://www.pastors.com/aboutus/ 11/15/04
4. http://www.pastors.com/aboutus/ 10/22/04
5. http://www.pastors.com/RWMT/?id=74&artid=3099&expand=1 10/22/04
6. http://www.forbes.com/2003/09/17/cz_lk_0917megachurch.html 10/22/04
7. Rick Warren, The Purpose Driven Life (Grand Rapids, MI: Zondervan, 2002) Page numbers only in succeeding citations.
8. Genesis 3:5
9. Catechism of the Catholic Church (1994), #181 (Emphasis ours.)
10. Romans 3:19
11. Ephesians 2:3
12. James 2:1014.
13. Luke 18:8
14. Romans 7:18
15. Mark 2:17
16. Romans 9:15-16
[1]17. Galatians 6:7, Hebrews 10:30-31
18. Romans 1:16-17
19. Romans 3:21
20. Romans 3:24.
21. Matthew 23:13
22.[1] Luke 11:52
23. Galatians 1:8
24. Atman and Brahman as explained on www.wsu.edu:8080/~dee/GLOSSARY/BRAHMAN.HTM 12/2/2002
25. The Development of Personality Collected Works 17 as quoted on: http://www.sacredsandwich.com/warren_jung_chart.htm 11/18/04
26. Vatican II Documents No. 64, Gaudium et Spes, 7 Dec 1965 in Vatican Council II The Conciliar and Post Conciliar Documents, Austin P. Flannery, ed., 1981 edition (Northport, NY: Costello Publ. Co. 1975) Para 3
27. Jeremiah 17:9// 28. Jeremiah 17:5//
29. http://sozluk.sourtimes.org/show.asp?t=ill+never+break+your+heart 11/16/04
30. Revelation 13:6// 31. Romans 3:26// 32. Mark 7:21-23// 33. Ephesians 2:8-9// 34. James 1:18// // 35. Philippians 2:13// 35. John 5:25// 36. John 6:437. 37. Romans 5:21// 38. Romans 3:10// 39. Isaiah 14:14. // 40. [1] Jude 1:3.
Trabalho escrito por Richard Bennet (VA 1611 BKJ)
Tradução e adaptação de Mary Schultze (Bíblia FIEL), Teresópolis (RJ), 08/12/2004