A Mulher do Espião que entrou em fria

 

         Nos quinze meses que se seguiram à prisão do seu marido como espião russo, Bonnie Hanssen lutou para se manter publicamente em silêncio, diante da enxurrada de revelações sobre a sua vida em comum com um homem que ela imaginava conhecer.

         Finalmente ela decidiu falar, ao New York Times, em 16/05/2002, para responder a pergunta que lhe tem sido feita dezenas de vezes: “como foi possível a esposa de Robert Hanssen, casada com ele durante 34 anos, jamais ter descoberto que ele era um espião?”

         “Será que alguém vai dizer que meu marido jamais me contou que estava agindo como espião?, ela disse, numa entrevista por telefone. A Sra. Hanssen reconheceu nessa entrevista que havia descoberto que seu marido estava mantendo negócios secretos com os russos, porém ela jamais soube da extensão dessas ações.

         Contou que certo dia encontrou o marido se esforçando para esconder alguns papéis no porão da casa, em Scarsdale, NY. Pressionado por ela, o marido revelou que estava trabalhando para os russos. Nesse tempo ele estava lotado na contra-inteligência do FBI, no escritório de Nova York. “Contudo, ele me disse que estava apenas tapeando os russos com informações falsas... Ele nunca me contou que estava espionando seriamente para eles e mesmo assim eu falei que isso era uma loucura”, disse ela.

         Mas Mr. Hanssen não estava tapeando os russos. Ele era de fato um espião russo e estava trabalhando para a Inteligência Militar  GRU, desde 1979. De fato, ele já havia traído um dos mais importantes agentes dos USA, o General Dmitri Polyakov, o qual havia estado espionando para os USA, desde os anos 1960. Logo que Mr. Hanssen contou isso aos russos, Polyakov foi obrigado a se aposentar a mais tarde foi executado.

         A Sra. Hanssen disse ter exigido que o marido fosse procurar o padre católico romano que atendia o casal, a fim de se confessar.

         Conseguiram um encontro com o Rev. Robert Buccarelli, um sacerdote da OPUS DEI, poderosa organização católica (cujo fundador foi canonizado pelo papa JP2 em outubro de 2002) da qual o casal havia se tornado membro, alguns anos antes.

         O padre expôs um plano para salvar Hanssen da prisão... se ele desse o dinheiro ganho com os soviéticos para uma obra de caridade e prometesse parar de espionar para os russos. Desse modo, ele recebeu absolvição do padre, o qual prometeu não revelar o caso ao FBI. [A ICR sempre sai lucrando com os pecados dos seus membros, não importa de onde venha o dinheiro. Dando o dinheiro à obra social de Madre Tereza, o pecado seria perdoado porque Hanssen estava praticando uma boa obra, e ao mesmo tempo contribuindo para a futura canonização de mais uma santa católica]. Hanssen concordou e sua esposa, que estava grávida do quarto filho, ficou aliviada. Contudo, ela disse que estava determinada a fazer com que o marido cumprisse a promessa. Ele contou que havia recebido US$30 mil dos soviéticos, porém havia gastado quase tudo. Disse a Sra. Hanssen ter exigido que ele pagasse o que havia ganhado, de qualquer maneira. Foi assim que ele começou a depositar certa quantia mensal na conta da organização de Madre Tereza, levando a família quase à bancarrota.

A Sra. Hansen diz que sempre indagava do marido sobre esses depósitos, a fim de assegurar-se de que ele estava cumprindo a promessa feita ao padre, ao que ele sempre respondia afirmativamente. Nos anos seguintes ela continuou querendo saber se ele ainda estava espionando para os russos e Hanssen sempre negava, até se mostrando aborrecido pela falta de confiança da mulher.

Em outubro de 1985 ele havia se oferecido à KGB (Serviço de Inteligência Soviética) como espião, tendo enviado uma carta anônima a um agente da mesma que estava lotado em Washington. Nessa carta ele traía três oficiais soviéticos que estavam trabalhando para a CIA e o FBI. Todos três foram presos e dois deles foram executados.

Eu jamais fiquei sabendo de qualquer coisa a mais, depois daquele tempo”, disse a Sra. Hanssen na entrevista. Ela afirmou ainda que falou exatamente isso para o FBI, quando o marido foi preso, no ano passado.

O irmão da Sra. Hanssen, Mark Wauck, agente do FBI em Chicago, havia contado aos seus superiores, em 1990, que suspeitava estar o cunhado espionando para os russos, depois que a própria esposa do mesmo lhe havia contado isso, durante uma visita feita à casa deles. E que a Sra. Hanssen tinha ficado apavorada, quando descobriu US$5.000 dentro de casa.

Atualmente a Sra. Hanssen está lecionando numa escola católica no subúrbio da Virgínia, morando na mesma casa em que viveu com o marido e os seis filhos do casal. A pedido insistente, ela vai receber parte da pensão do marido no FBI, bem como o direito de ficar com a casa.

Ela visita o marido regularmente na prisão. A família espera que ele seja transferido para a prisão federal de Allenwood, a qual fica mais próxima de casa, permitindo que a Sra. Hanssen continue a visitar o marido com mais freqüência. [O pecado é como um polvo, que arrasta o pecador e todos os que estão próximos do mesmo, destruindo a felicidade de todos. Pena que Hanssen, um católico romano, não conhecesse a Bíblia e, portanto, jamais tivesse lido a 1 Timóteo 6:9-10, que diz: “Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”.]

Diz Sra. Hanssen que agora a sua maior ambição é poder levar um tipo de vida normal, acrescentando: “O que eu queria mesmo era sumir!”.

 

Mary Schultze, 25/12/02

Informações colhidas no site EIPS

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Informações colhidas no site EIPS