No meio do caminho tinha uma
pedra...
(Sátira)
Juvenal (não o Antena) ganhou o apelido de Radinho, porque só
andava acoplado ao seu radio de pilha, até mesmo quando estava dentro da
Igreja Pentecostal Vaso de Alabastro, que ele freqüentava há alguns anos.
O pastor
dessa “igreja” tinha três especialidades:
1a.-
pregar o falso evangelho da prosperidade, exigindo sempre dízimos e ofertas,
pelo menos 7 vezes, durante os cultos da mesma. 2ª.- embolar a língua (bla-blu-ra-blu-ra-blu-ra-bu...)
dizendo que estava falando a “língua dos anjos”.
3a.-
desviar o dinheiro dos crentes para a sua conta no BAPROSA (Banco da
Prosperidade S/A), um dos mais movimentados da pequena cidade conhecido como
Prosperilândia, pois ali se encontram pelo menos 100 igrejas
neopentecostais, todas elas em franca prosperidade, à custa da pobreza dos seus
freqüentadores.
Juvenal era
pintor de casas e havia se convertido a Cristo, há alguns anos. Quando fazia uma
obra para os católicos e umbandistas, o dinheiro era recebido pontualmente. Isso
porque essa gente está convencida de que é salva pelas boas obras. Mas
quando a pintura era feita na casa dos crentes, estes sempre davam uma desculpa
esfarrapada ao “irmão”, dizendo que haviam entregue todo o dinheiro disponível à
“igreja” e agora não tinham como pagar o serviço, etc. e tal. Isso é típico do
crente carismático: dar dinheiro à “igreja” e deixar de honrar os seus
compromissos reais, pois o pastor jamais lhe ensinou Romanos 13:8:
“A ninguém devais coisa
alguma, exceto o amor...”.
Juvenal ia vegetando e quando tinha algum dinheiro no bolso, em vez
de gastar nos botecos (pelo menos isso de bom), ele o entregava ao pastor da
“igreja” e sua consciência ficava em paz... A pregação do pastor era sempre a
mesma: pedindo ajuda financeira aos membros da congregação e prometendo que
quem mais entregasse mais receberia “do Senhor”. O grande “pobrema”,
conforme sua linguagem, era que o pessoal de sua “igreja” era muito pobre!
Depois de alguns anos de lavagem cerebral, Juvenal continuou carente
em matéria de evangelho, porque o pastor nunca o ensinou a ler a Bíblia. Esses
ratos comedores do queijo da prosperidade jamais aconselham aos crentes a
leitura da Bíblia, porque morrem de medo que os olhos deles sejam abertos à
verdade de Gálatas 5:1 e as contribuições diminuam. Eles importaram muitas
falsidades da igreja do papa e uma delas foi desaconselhar a leitura da Verdade
que liberta do engodo religioso.
Um dia, quando ia saindo da obra, Juvenal tropeçou numa pedra e
machucou gravemente o pé direito. Daí que precisou ficar umas duas semanas de
molho, em sua casinha, na “Favela dos Nordestinos”, um bairro
proletaríssimo, onde LULA havia conseguido 100% de votação nas duas eleições.
Para onde se
virava, Juvenal via aquela pedra que o havia deixado quase inutilizado por tanto
tempo e ficava repetindo toda hora, o célebre poema do poeta mineiro Carlos
Drummond de Andrade. Ele o havia decorado no curso primário, quando a
professora, amiga da poesia, costumava dar um prêmio aos alunos que memorizassem
versos de poetas famosos.
No
meio do caminho tinha uma pedra,
tinha uma pedra no meio do caminho.
Nunca me esquecerei desse acontecimento,
na
vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho...
Drummond, A maior pedra no meio do caminho e na vida das retinas
fatigadas dos crentes é a ambição desmedida dos pastores carismáticos,
uai!