Noé achou graça
(Dave Hunt)
Os ateus argumentam que, de acordo com o “mito” de Gênesis do Jardim do Éden, o mal teve um começo inocente demais como a raiz para que toda a maldade nesta terra pudesse ter crescido. Adão e Eva apenas comeram algum fruto proibido - ato esse dificilmente incapaz de produzir transtorno: “Eva me convenceu, Senhor; eu fiz isso para compartilhar com ela, mas dei apenas uma mordida... Mas a serpente me enganou, Senhor; achei que isso me tornaria mais sábia...e ele era delicioso e muito nutritivo”.
Como pôde um ato tão simples trazer o horror do egoísmo, ciúme, luxúria, ódio, raiva, vingança, crime, guerra, doença, sofrimento e morte, os quais, desde então, têm desgraçado a humanidade? A afirmação bíblica parece absurda! Por causa desse errinho Deus ficou tão transtornado que os lançou fora do Jardim e os sentenciou à morte? Por que Deus simplesmente não os perdoou - tendo-lhes dado outra chance? Não teria sido isso razoável?
A resposta a essa questão é que a Bíblia está certíssima. A própria pergunta reflete uma facilidade em inclinar-se ao pecado, uma falta de respeito pela autoridade, falta essa que permeia toda a nossa sociedade e até mesmo tem penetrado nas igrejas evangélicas. “Me dê mais uma chance!” tornou-se o mantra da raça humana, repetido ininterruptamente por todo mundo, desde as crianças até os apelos dos criminosos ao juiz.
Deus sabia que “mais uma chance” só iria encorajar os malfeitores. Contudo, os pais, as escolas, os tribunais, os parlatórios, os psicólogos e os assim chamados benfeitores, continuam honrando essa inaceitável desculpa - com resultados devastadores!
Uma rompante epidemia do que a Bíblia chama “pecado” tem devastado a humanidade. Mesmo assim, a ousadia de encorajar a verdade, infelizmente, está faltando na maioria dos púlpitos, hoje em dia. Poucos se atrevem a chamá-lo rebelião contra o nosso Criador, da qual devemos nos arrepender.. O julgamento divino e o dia da prestação de contas são assuntos negativos demais para manter o interesse das congregações modernas. Falar sobre Deus soa positivo, encorajador, reconfortante, o que não acontece com frases como “separado de Deus pelo pecado”. Os que não freqüentam igrejas não serão atraídos, se forem confrontados com sugestões de culpa. Os sermões devem inspirar os ouvintes e fazê-los sentir-se confortáveis diante de Deus e com eles mesmos. Eles devem ser breves, divertidos e relacionados à “doce vida” que o mundo sonha em conseguir. Contudo, essa “doce vida” não é vida de fato, mas uma plástica ilusão definida pelos anúncios e comerciais da TV, a nós impingida por toda a indústria da contradição, designada especificamente a nos afastar da terrível verdade da qual o Espírito nos convence: “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo” (João 16:8). O negócio é glorificar o pecado, zombar da família e achar que o sofrimento, a tristeza e a morte não devem fazer parte do “nosso mundo”, ou, pelo menos, empurrá-los para outro compartimento, do qual não se deve tratar, por enquanto.
O mundo real é inabitável pelos descendentes autocentrados do casal original, que se rebelou contra Deus, sob a liderança da serpente. O que os púlpitos populares devem evitar a todo custo é a terrível verdade de que o homem tem sido seguidor do Diabo, a seu serviço, desde o princípio. Resolvemos nossos problemas com a tecnologia, com outro comitê, outro dia no tribunal, outra conferência de paz, mais slogans atraentes, auto-afirmações positivas e um pouco da religião do que porventura pareça ser apelativa no momento.
Deus tem falado com sabedoria e amor às suas criaturas rebeladas - “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria” (1 Samuel 15:23). E tem sido essa a história da humanidade.
O mundo está ficando cada vez pior, não melhor, e logo sobre ele recairá o julgamento divino. Mas ao contrário de Adão e Eva, que se envergonharam e tentaram esconder-se de Deus, seus descendentes O desafiam abertamente e atiram sobre o Seu rosto a rebelião. Eles já expulsaram Deus desta terra e destrona-lo-iam no Céu, caso pudessem fazê-lo.
As árvores do Jardim, atrás das quais Adão e Eva se esconderam, têm-se transformado em selvas de asfalto, com altos edifícios de apartamentos e escritórios, estando cada monumento de realização humana apinhado de habitantes, os quais desesperadamente precisam arrepender-se e se voltar para Deus em Seus termos, através da fé no Único que morreu pelos seus pecados.
Dispersas por toda a selva têm estado proliferando as religiões, cada qual mais letal. E agora algo novo tem aparecido, com proliferações gigantescas se espalhando em toda parte: mega-igrejas repletas de “congregantes”, aos quais está sendo ensinada a maneira “positiva” de se esconder de Deus. Ele é louvado com os lábios, mas não há arrependimento diante dEle, nem uma legítima fé em Jesus Cristo como o Salvador dos pecadores.
Em vez de denunciar o desprezo por Deus da cultura moderna, da justificação e glorificação do pecado, a igreja tem abraçado a sua decadência como um pacote que tornará o “evangelho” mais aceitável aos que não sabem que dele necessitam. Nossa necessidade de Cristo, como um abrigo em meio à tempestade da ira divina contra o nosso pecado, nunca é mencionada. O apelo não é ir a Cristo para conseguir perdão e ser resgatado da eternidade no Lago de Fogo, porém ser mais feliz aqui na terra. O Cristianismo é embalado como “espiritualidade”, produto popular atualmente vendido como um grande negócio, que todo mundo que deseja ser “abençoado” deveria aceitar. Contudo, o item verdadeiro é o pecado, não a auto-estima, o auto-amor, a auto-imagem, etc., conforme foi antes mencionado em nossa seção “Q & A” (Perguntas e Respostas). Não apenas o mundo, mas também a igreja está negociando o óleo ofídico da auto-exaltação como a cura para todos os males.
Contudo, a mensagem auto-centrada não está confinada às igrejas dos “buscadores de sensações”, de hoje em dia. Muitas igrejas evangélicas na América estão preocupadas com o “crescimento”, enquanto milhões sofrendo por Cristo, aí pelo mundo, estão sendo esquecidos. As centenas de milhares que estão sendo exterminados pelos muçulmanos no sul do Sudão, no norte da Nigéria, na Indonésia e os cristãos que estão sofrendo em outros países muçulmanos ficariam agastados se soubessem que a preocupação maior dos cristãos na América é sentir-se bem com eles mesmos e quando não o conseguem, têm a reconfortante opção da terapia dos psicólogos cristãos!
O capítulo 6 de Gênesis apresenta um quadro aterrador. Não muitas gerações após a criação de Adão e Eva, os seus descendentes (que naturalmente deixaram de considerar a sua expulsão do Jardim) haviam se tornado tão maus que Deus prontificou-se a destruir toda a Sua criação. E tê-lo-ia feito, a não ser por um homem: “Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR” (Gênesis 6:8). Apenas um homem, no meio de milhões, recebeu a graça de Deus!
Como pode ser isso? Será que Deus reserva a Sua graça a uma seleta companhia? Não! A graça de Deus é oferecida gratuitamente a todos. Não pode ser conseguida por merecimento, pois assim já não seria graça. Então, por que somente “Noé achou graça”? Vamos procurar a resposta em Mateus 7:7 e Lucas 11:9, respectivamente: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á” ... “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.”
Noé foi o único a buscá-la. Ele se reconhecia como um pecador necessitado da graça de Deus - o único que a buscou e encontrou.
Centenas de vezes no Velho Testamento à mesma palavra hebraica “matsa”, aqui traduzida por “achou” é dada igualmente esta clara significação: “Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao SENHOR, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar” (Isaías 55:6-7).
“E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração” (Jeremias 29:13).
Devemos reconhecer nossa culpa diante da sagrada perfeição de Deus e nos achegar a Ele em profundo arrependimento, buscando a Sua graça, não por merecê-la. “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hebreus 4:16).
Em vez disso, a igreja tem oferecido o favor divino para conseguir felicidade, sucesso e bênçãos terrenas. Realmente, nunca levamos em conta a graça de Deus, enquanto não nos conscientizamos do Seu justo julgamento, o qual está pendente sobre o nosso mundo de hoje, como nos dias de Noé: “Buscai ao SENHOR, vós todos os mansos da terra, que tendes posto por obra o seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; pode ser que sejais escondidos no dia da ira do SENHOR” (Sofonias 2:3).
Precisamos desesperadamente entender a magnitude do pecado, do mal e a crassa malignidade deste mundo, se quisermos apreciar a nossa redenção. O amor, a graça e a misericórdia divina brilham esplendorosamente contra a tenebrosa realidade do mal. De fato, a própria existência do mal é uma poderosa prova da existência e da santidade de Deus. Ele diz: “Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas” (Isaías 45:7).
Deus cria o mal? Sim, do mesmo modo como a luz denuncia a existência das trevas. Uma pessoa que nasceu, viveu e morreu em total escuridão, numa caverna, nas profundezas da terra, não saberia que estava vivendo na escuridão, até que alguém chegasse à caverna com uma luz e as trevas fossem reveladas. Do mesmo modo, a bondade, a perfeita santidade e a justiça de Deus revelam o mal conforme ele é. Sem Deus e sem a consciência com a qual Ele nos dotou jamais iríamos reconhecer o mal. De fato, o mal tem brilhado até demais - neste mundo que está repleto dele.
Acabei de escrever um livro intitulado “Judgement Day: Islam, Israel and the Nations” (O Dia do Julgamento: o Islamismo, Israel e as Nações). É uma chocante exposição do mal que se esconde por trás da mais selvagem imaginação manifesta especialmente como anti-semitismo e o ódio contra Israel por parte do Islamismo e de todas as nações, mostrando, inclusive, a freqüente traição contra Israel, até mesmo da parte dos USA. O JULGAMENTO DE DEUS SE APROXIMA SOBRE O MUNDO INTEIRO POR CAUSA DOS MAUSTRATOS CONTRA O SEU POVO ESCOLHIDO. Ele declara: “Congregarei todas as nações, e as farei descer ao vale de Jeosafá; e ali com elas entrarei em juízo, por causa do meu povo, e da minha herança, Israel, a quem elas espalharam entre as nações e repartiram a minha terra” (Joel 32).
O mal se mostra pior quando posa de bem, justificando-se com mentiras. Como exemplo, consideremos os ataques verbais à verdade no que se refere a Israel, mascarado como registro de notícias especiais no National Catholic Magazine (26/04/1996), o qual justificava o assassinato e violência do Islamismo e censurava Israel por maustratos contra os “palestinos”, na cidade de Hebrom (Foi nesta cidade que Abraão, Isaque, Jacó e suas esposas foram sepultados, não um árabe ou muçulmano). Contudo, os muçulmanos tomaram o controle a ali construíram uma mesquita. Diz a reportagem que o problema teve início quando os judeus “começaram a achegar a Hebrom, alguns anos atrás”. A verdade é que embora caçados periodicamente pelos invasores, os judeus têm ali estado por 3.000 anos. Os árabes só chegaram ali, depois da conquista muçulmana, no século 7, tendo começado imediatamente a brutalidade contra os residentes judeus que não se converteram ao Islamismo. Tal perseguição tem persistido por 1.300 anos.
No brutal pogrom de 1929 (um dos muitos) em Hebrom, sinagogas foram profanadas, 67 judeus foram assassinados e o restante foi obrigado a fugir. Judeus foram assassinados por toda a “Palestina”. Típico do que aconteceu é o registro seguinte, feito por um chefe de polícia britânico em Hebrom:
“Ao escutar gemidos, andei por uma passagem, numa espécie de túnel, e vi um árabe degolando uma criança com uma espada. Ao ver-me, ele tentou alvejar-me, porém falhou... Atirei nele... Atrás dele estava uma mulher judia se esvaindo em sangue, com um homem, que reconheci ser um policial árabe chamado Issa Sheril, de Jafa... sobre a mulher, com um punhal na mão. Ele me viu, trancou-se numa sala e tentou me alvejar, gritando em Árabe: ‘Excelência, sou um policial!’ Entrei na sala e atirei nele” (Citado em “Peters, From Time Immemorial”, p. 315.).
Anos mais tarde, cautelosa e temerosamente, alguns judeus começaram a regressar a uma das cidades mais sagradas, a cidade onde os seus patriarcas estão sepultados. Em 1948, Israel foi atacada por seis nações árabes. O Jordão foi capturado na margem ocidental e com ele, Hebrom. Todos os judeus ali residentes foram sumariamente expulsos e as sinagogas destruídas. Somente quando Israel retomou Hebrom, em 1967, os judeus puderam regressar. Pois o National Catholic Reporter os fustiga por terem feito isso e censura os 400 judeus residentes sob o sítio de 120.000 muçulmanos, como causadores do problema. O mal é louvado como bem - e os sermões em busca de amistosos adeptos nem mesmo reconhecem a sua existência.
A perseguição aos judeus da Europa Católica Romana foi leve em comparação àquela que os cristãos sofreram durante 1.300 anos nos países muçulmanos. O extermínio incluiu mais de um milhão de armênios, nas últimas décadas do século 19 e primeiras do século 20 - às vezes com a tácita aprovação dos poderes ocidentais. No grande massacre de 1915, “foram dados punhais às mulheres turcas, para que dessem a punhalada final nos armênios agonizantes, a fim de ganharem crédito dom Alá, por terem assassinado um cristão”.
Na destruição de Ataturk, de Esmirna (nada deixando além do subúrbio turco), em setembro de 1922, cerca de 200 mil habitantes armênios e gregos foram massacrados, enquanto navios de guerra ingleses, americanos, italianos e franceses ancorados no cais, repeliam as vítimas fugitivas, que corriam para eles em busca de ajuda. Os poderes ocidentais não queriam ofender os turcos muçulmanos! Em seu livro de leitura obrigatória “The Blight of Asia” (A Desgraça da Ásia), George Horton, cônsul americano naquela cidade condenada e testemunha ocular das inenarráveis crueldades do Islamismo, escreve: “uma das mais lamentáveis impressões que eu trouxe comigo de Esmirna foi o sentimento de vergonha por pertencer à raça humana”. Sombras de Gênesis 6!
Em seu prefácio, James W. Gerard, ex-embaixador dos USA na Alemanha, descreve o livro de Horton como “a história completa do selvagem extermínio da civilização cristã [pelos muçulmanos] em toda a extensão do antigo Império Bizantino...” O próprio Horton escreve: “Esse processo de extermínio foi executado em considerável período de tempo, com propósito determinado e, sistematicamente, nos mínimos detalhes, completado com indescritíveis crueldades”.
O pecado é um fato horrível, apesar da aversão que os pregadores populares têm de encarar essa realidade. Os sermões “positivos” das mega-igrejas zombam do julgamento que Deus brevemente irá derramar sobre este mundo maligno. Tranqüilizar os pecadores, levando-os a pensar que tudo está bem é enganar fatalmente aqueles por quem Cristo morreu e impedir que se arrependam e busquem nEle o refúgio da ira vindoura.
“The Berean Call Letter”, Abril, 2005.
Traduzida por Mary Schultze.